Capítulo 30 – A Ponte para o Sempre

"Somos a ponte para o sempre, arqueada sobre o mar, buscando aventuras para o nosso prazer, vivendo mistérios, provocando desastres, triunfos, desafios, amores impossíveis, submetendo – nos a provas, uma vez ou outra aprendendo a amar. "

A Ponte para o Sempre, Richard Bach

Linny acordou bem cedo, naquela véspera de Natal, Dumbledore queria que todos estivessem na sede da Ordem, para se prepararem para a festa de Natal, que seria naquele para que no dia seguinte cada um fosse se divertir com a família .

Linny olhou para a cama, procurando Remo, mas não o encontrou, ele já devia ter levantado . Enquanto ela se espreguiçava, Remo entrou no quarto, sorrateiramente, com uma bandeja de café .

Ele beijou – a, sentando na cama ao lado dela e tomando o café com ela . Linny adorava o romantismo dele, ele voltou – a beija – la e ela respondeu, tristonha por ter cortado o barato dele :

- Remo, amor, nós temos horário .

- Como você é má . Eu todo feliz pra agradar você, e você acaba comigo assim . – ele disse fazendo biquinho .

- Ai, não fica assim . Quando a gente voltar pra casa, eu resolvo seu problema .

- Quem disse que é um problema ? Eu não disse .

- Ok . Se não é um problema, não tem razão para que eu resolva nada .

- Opa . Se esses são os termos, isso é um problema sim . – ele disse, puxando –a rapidamente pela cintura e colando os lábios nos dela .

Quando soltou – se dele, Linny reclamou, sem vontade :

- Remo Lupin, seu safado ! Você fica aí, com seus joguinhos e eu quase caio em tentação .

- "timo . – ele disse maroto – Era exatamente isso que eu queria. – ele concluiu puxando – a mais uma vez .

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Lena levantou quieta da cama, os olhos estavam inchados e vermelhos, do pranto que a envolvera na noite anterior . Observou o exemplar do Profeta Diário atirado no chão, aberto na coluna social . Uma manchete principal anunciava :

Herdeiro dos Lovegood se casa em grande estilo com Herdeira do Hathaway

Jonas Lovegood, único herdeiro do casal de jornalistas, Lovegood, donos do O Pasquim, se casou ontem com Olivia Hathaway, herdeira da rede de caldeirões Hathaway . O moço, que cursa a Faculdade de Manchester de Jornalismo, e a moça que cursa a Faculdade de Feitiços de Paris, trocaram alianças numa festa fechado, apenas para família e amigos mais próximos . Depois de uma lua de mel na Austrália, Jonas, se mudara com a esposa para a França, onde passara a integrar o carpo discente da Faculdade de Jornalismo .

Lena pensou, nove meses, nove meses, para ele esquece – la e casar – se com a maldita Olivia, as coisas aconteciam muito rápido, ele não sentira nada por ela, nada, ela apenas se iludirá achando que pudesse ter significado alguma coisa para ele .

Levantou, retirando a calça preta, e o suéter de mesma cor do armário . Vestiu – se, penteando os cabelos em seguida e passando uma maquiagem para esconder as profundas olheiras e o inchaço em torno dos olhos, achou que estava bom e saiu, em direção a sede da Ordem .

"Pois eu fico despedaçado quando estou sozinho

E eu não me sinto bem quando você vai embora "

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Arabelle assustou – se ao sentir algo em volta de sua cintura, quando acordou, foi então que lembrou – se que Fábio passara a noite com ela . Sorriu, intimamente, lembrando dos beijos dele, e de tudo mais que ocorrera na noite anterior .

Sentiu um beijo em sua bochecha e viu que Fábio acordara também, virou – se então, de modo que o beijo fosse nos lábios dessa vez .

Fábio beijou a namorada e depois levantou – se, puxando – a junto. Arabelle resmungou um pouco, mas lembrou – se do horário e levantou – se a contragosto .

- Bellinha, você já decidiu que roupa vai vestir ? – Fábio perguntou .

- Sim .

- "timo . Então hoje nós não vamos nos atrasar .

- Fábio Prewett, o que você está querendo dizer com isso . – a voz dela tinha um tom levemente irritado .

- Nada, querida .

- Espero que isso seja verdade . – ela murmurou antes de dar meia volta e ir tomar banho e se vestir .

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Sirius moveu – se lentamente vendo o relógio e assustando – se com a hora, levantou – se correndo, encontrando Dynha, já quase pronta e encarou antes de perguntar :

- Querida, por que você não me acordou ?

- Bom dia, pra você também Sirius . Na verdade eu não te acordei por que você sabe como é quando alguém te acorda .

- Você está querendo insinuar alguma coisa ?

- Nadinha . – ela falou dando um discreto risinho .

- Nada mesmo ?

- Não .

- Que pena, por que eu estou insinuando, não eu estou deixando claro, que hoje não haverá beijos como punição .

- Uhm .. problema é seu, nós só vamos ter que esperar até amanha pra estrear a camisola nova que eu comprei . – ela disse provocante .

- Ok . Você me ganhou, eu não vou agüentar isso .

- Eu já sabia . – ela disse, sorrindo em seguida .

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Lílian separou o casaco de dentro do armário e colocou sobre a blusa preta de mangas compridas, tomara que caia, e saia creme êvase, Tiago a encarava, esperando que ela estivesse pronta para irem para a Ordem .

Lílian notou os olhos do marido sobre ela e sorriu para ele, que levantou – se abraçando – a e roubando um beijo .

Lílian apenas sorriu, enquanto Tiago puxava – a para a garagem, onde entraram no carro amarelo que Lílian comprara com parte da herança que ganhara do pai .

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Risos ecoavam na sala de refeições do quartel general, quando Linny e Remo entraram . A decoração natalina substituirá o ar triste que ocorria normalmente naquela casa . Até Remo pareceu esquecer – se dos momentos tristes que passara ali, ao observar tudo tão alegre .

Os dois seguiram para onde vinham os risos, encontrando Moody e o irmão de Dumbledore, Aberfoth rindo acompanhados por uma garrafa de vinho bruxo de melhor qualidade, Linny não pode reprimir um riso, quem imaginaria Alastor Moody, o rei da vigilância constante bêbado ?

- Bom dia . – ela falou . – Tem mais alguém aqui além de dois dos únicos homens que eu nunca esperaria ver bêbados ?

- Assim você faz um mau juízo de nós, pequena . – Moody falou . – Mas se você quer saber os Longbottom estão na cozinha .

- Ok . Eu vou ver se eles precisam de ajuda com alguma coisa . – e saiu em direção a cozinha, deixando Remo com os dois .

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Quando entrou na cozinha, Linny viu Frank, atrapalhado, tentando ajudar a mulher a colocar o peru no forno . Linny cumprimentou – os :

- Frank, Alice, bom dia .

Eles olharam para ela e retribuíram o cumprimento, Alice ainda falou :

- Você está bonita, Linny .

Linny usava um vestido vermelho que ia até a altura dos joelhos, de gola que cobria o pescoço . Os cabelos, que antes eram compridos e ondulados, estavam lisos e cortados dois dedos abaixo do ombro, com uma leve franja .

- Obrigado, Alice, você também está . – ela respondeu .

Alice sorriu . Ela usava uma saia branca, um palmo acima do joelho, e uma blusa azul bordada com fitinhas coloridas . Prendera o cabelo num coque frouxo com algumas mechas caindo no rosto .

Um barulho veio da sala e Linny se dirigiu para lá, apenas para constatar que Sirius e Dynha haviam chegado .

Sirius encarava Moody e Aberfoth incrédulo, e Dynha levantava – se, um pouco suja de fuligem divido a chegada via flú . Linny pegou uma escovinha e foi ajuda – la a limpar – se, enquanto Sirius se aproximava de Remo.

Dynha usava uma saia de cetim grafite e uma blusa cinza clara, com bordados prateados, ela agradeceu Linny polidamente pela ajuda e foi juntar – se ao namorado, no momento em que Linny ia abrir a porta para o recém chegados, Lílian e Tiago .

Lílian e Linny foram arrumar a mesa, enquanto Tiago e os outros dois marotos conversavam animadamente .

Em instantes a casa estava cheia, todos os membros da Ordem já haviam chegado, mas Pedro havia sido o último .

Para Pedro tudo ia as mil maravilhas . Como comensal, agora ele já se encontrava no alto escalão, devido a ser um espião . Ele rira muito quando recebera o convite para a Ordem, dois meses depois de receber a Marca Negra .

O trabalho duplo não o incomodava nem um pouco, ele agia com extrema naturalidade no seu jogo duplo, achando pela primeira vez que era melhor que os amigos .

Quando Tiago, Sirius e Remo, aproximaram – se dele para conversar, Pedro afastou sua mente dos assuntos das Trevas, tentando focar – se apenas nos assuntos da Ordem .

Quando Dumbledore chegou, todos sentaram – se a mesa para desfrutar do almoço de Natal antecipado, afastando suas mentes da guerra que se realizava lá fora .

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Sirius sorria bestamente enquanto todos posavam para uma foto da Ordem . Na sua tentativa de aparecer bem na foto, ele havia empurrado os amigos para o canto .

A máquina fotográfica piscou automaticamente, tirando a foto, por um momento, enquanto ouviam o barulho da máquina, todos pensavam no fim da guerra, numa época de paz, de alegria, para alguns aquilo significava casamento, para outros filhos, mas para todos significava união .

Dumbledore murmurou algumas palavras antes despedir – se, mas algumas marcaram os que as ouviram :

"Não importa o que aconteça, o vínculo formado entre nós permanecera na eternidade . Nós somos a ponte para o sempre, a união de eterna amizade . "

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Linny abraçou Remo enquanto eles andavam pela rua de Hogsmeade, o vento frio do inverno fazia com que ela quisesse ficar ainda mais perto dele, e ele estava adorando aquilo .

Eles caminhavam sem saber para onde, já que deviam voltar ao quartel general logo, pois haviam sido escolhidos para a passar a noite lá .

Enquanto caminhavam, abraçados, lembravam de todos os momentos que haviam passado naquele vilarejo, dos beijos, carícias e sentimentos que continuavam vívidos na memória .

Linny parou quando encontravam – se bem na frente do Três Vassouras, e beijou – o passando as mãos pelo pescoço dele .

Remo sorriu, ao sentir os lábios quentes dela, sobre os seus gelados e abraçou – a forte, deixando seus corpos colados .

Linny finalizou o beijo, ainda ofegante e um pouco corada, puxou Remo pela mão, até a entrada do quartel general, esperando por alguns momentos a sós .

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Quando entrou no apartamento de Fábio, Arabelle sentiu – se em casa, apesar de ser a primeira vez em que ia ao apartamento do namorado, ela parecia conhecer tudo lá .

O cheiro de Fábio, que ela sentia a cada passo que dava dentro do apartamento, só lhe aumentava a sensação de conhece – lo cada vez mais .

Ela parou olhando pela janela a cidade no horizonte, e sentiu que o namorado colocava – se as suas costas, ele era muito mais alto que ela, mas naquele momento encontrava – se com a cabeça encostada na dela, questionou - a observando o olhar dela fixo ao horizonte:

- Algum problema ?

- Nenhum, é que a beleza, tanto do momento, quando do lugar, só torna tudo mais imperfeitamente perfeito .

Ele olhou os olhos dela, expressivos até o último instante e falou :

- Como algo pode ser imperfeitamente perfeito, Bellinha ?

Ela suspirou, como se procurasse as palavras certas para explicar aquilo para ele, e disse, ainda incerta do que desejava fazer :

- Por que tudo, apesar da beleza e da simplicidade do momento, tudo pode escapar num suspiro .

- Na verdade acho que não devemos nós preocupar com isso, apenas viva o momento, entende, esqueça de tudo . Abra os braços e sinta como se você fosse voar . – ele disse enquanto abria os braços dela .

Arabelle deixou – se levar pela voz envolvente do namorado, que induzia – lhe os mais secretos sentimentos e pensamentos, escutando atenciosamente as palavras que se seguiram :

- Agora, respire fundo como se fosse a última coisa que você quer fazer. E imagine que você está voando .

Arabelle estava voando . Ela sentia – se nas nuvens, era como se não houvesse descrição entre o céu e o solo, entre o dito e não dito, entre o imaginada e o inimaginável . Ela sentiu que Fábio girava seu corpo de encontro ao dele, e suspirou ao sentir ao sentir os lábios dele apossando – se violentamente dos seus .

Quando abriu os olhos, viu que os dois levitavam suavemente, e observou o sorriso matreiro do namorado . Ele segurou – a bem próxima a ele, e retirou algo do bolso, sorriu, olhando para ela e pediu :

- Arabelle Eleanor Figg, você aceita se casar comigo ?

Arabelle queria chorar, a emoção a dominando, tudo o que sempre esperava desde que Frank a machucara, era diferente agora, por que Fábio parecia ser a pessoa perfeita para ela .

- É claro que sim . – ela respondeu emocionada .

Ele sorriu colocando o anel de compromisso no dedo dela e beijando – a enquanto os dois voltavam ao chão . Ele complementou dizendo :

- E não quero esperar até o fim da guerra, seu eu pudesse me casava com você agora, para sempre . Para nunca se separar .

Arabelle sorriu, era tudo o que queria .

- Eu quero isso . Mesmo . Pra Sempre . – ela respondeu .

"Eu queria que você soubesse que eu amo seu jeito de sorrir "

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A noite caiu, um breu cobrindo a Casa dos Gritos, Remo caminhou até o lugar onde se ligava a ecleticidade que Dumbledore instalara na casa . Linny apenas riu do espanto dele no momento em que tudo ficou iluminado .

Ela estava atirada num pufe, segurando um livro de um autor trouxa nas mãos . Havia começado a ler o livro naquela tarde assim que todos deixaram a casa para seus próprios compromissos, na verdade apenas ela e Remo não possuíam família para passar o Natal, de modo que foram os escolhidos para ficar aquela noite no quartel general .

Linny pensava na mesma coisa, família, uma coisa que ela sequer possuíra, ela tivera o carinho do Sr. Holmes, mas não o amor de um mãe e de um pai .

Até Lena, que não queria falar sobre sua família nos Estados Unidos, rumara para lá após o almoço da Ordem, para ver suas tias e afastar – se das lembranças de Jonas .

Linny viu que Remo abraçava – a carinhosamente, como se adivinhasse o que ela estava pensando, e entregou – se ao abraço dele, pensando nos detalhes do livro que lera .

Cem Anos de Solidão ... uma família envolta em loucura, paixão, mistério, misticismo, tragédias pessoais . A última frase do livro ainda ecoava ma mente dela : ... " e que tudo o que estava escrito neles era irrepetível desde sempre e por todo o sempre, por que as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a terra ."

Estaria ela condenada a nunca conhecer sua família, descobrir seus pais ? Seria ela uma boa mãe, sem ter exemplos a que seguir ? Todas aquelas dúvidas, martelavam em sua cabeça, envolvendo – a numa aura de profunda tristeza e solidão .

Ela sorriu ao sentir que ele abraçava – a mais forte, tirando dela toda a tristeza que uma noite daquela não podia aspirar .

No momento seguinte ela sentiu como se tudo evaporasse e restasse apenas a certeza de que aquele amor seria inesquecível e eterno . E de que ela nunca estaria sozinha, por que ele estaria com ela em todos os momentos .

"Eu queria que você soubesse que eu amo seu jeito de sorrir

Eu quero te levantar bem alto e levar sua dor embora "

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Algo incomodou Narcisa enquanto ela ordenava aos elfos domésticos que arrumassem a mesa para o almoço de Natal, algo parecia que ia dar errado .

Na verdade tudo estava errado, ela com Lúcio, Sirius com Dynha . Como ela pudera deixar que ele se fosse . Ela estava tão arrependida, que parecia corroer – se por dentro, tamanho seu arrependimento . Um barulho tirou – a do seu profundo devaneio, e ela foi ver o que acontecera .

Lúcio encontrava – se na sala e havia derrubado uma enorme quantidade de caixas pelo chão . Narcisa olhou para ele curiosa, antes de perguntar :

- Querido, está tudo bem ? O que é tudo isso ?

- Tudo ótimo, Narcisa . Eu comprei alguns presentes de Natal pra você .

Narcisa encarou – o surpresa, Lúcio não costumava agrada – la .

- Obrigado . – ela murmurou ainda surpresa .

Lúcio sorriu para ela e disse :

- Você quer subir para abri – los ?

- Pode ser . Eu acho que dá tempo, antes do nossos pais chegarem .

- Claro que sim . Os elfos podem acabar tudo aqui sem bagunça e sem sujeira . – ele completou .

Enquanto Lúcio fazia um feitiço e flutuava os presentes a suas costas, Narcisa subia as escadas, sentindo o braço do marido em volta de sua cintura .

Odiava aquilo . O toque dele em sua pele, os momentos onde era obrigada a cumprir seu papel de esposa e deitar – se com ele . Cada vez mais ela sentia nojo de si mesma, e a única coisa que a impedia de fazer alguma besteira, eram seus planos de vingança . Por que ela ainda se vingaria, de todos . Não haveria alguém que tivesse brincado com ela que se daria bem, todos pagariam por te – la feito sofrer, todos .

Por que ela era poderosa, ela era maldosa, ela era dominadora e manipuladora . E por todas as vezes que a vida brincara com ela, ela decidira que nunca mais ninguém brincaria com ela .

Lúcio alcançava os pacotes para Narcisa, que os abria numa fingida empolgação, pois se havia alguma coisa que ela aprendera fora nesse quase um ano de casamento fora fingir para agradar o marido, e desse jeito talvez ser um pouco mais feliz .

Felicidade era para Narcisa algo que não existia mais, apenas aqueles incontáveis dias que passavam sem parar, envolvendo numa teia de tristeza, ódio e raiva .

Ela abriu o último pacote alcançado pelo esposo e viu um vestido azul, de modelagem semelhante aos usados pelas gregas, e de uma cor azul céu de mais pura beleza . Normalmente ela vibraria com um vestido, mas agora era simplesmente mais um pedaço de pano . Então, dando seu falso sorriso mais alegre, ela olhou para Lúcio e disse :

- São lindos, todos os presentes, Lúcio .

- Que bom que você gostou, querida . – ele disse passando a mão pelo rosto dela, de uma maneira carinhosa em si tratando de Lúcio Malfoy .

Ela sorriu um pouco, escondendo a repulsa de si mesma, enquanto ele tocava seu rosto .

- Por que você não usa o vestido no nosso almoço de Natal ? – ele perguntou para ela .

- Claro que sim . Eu vou me vestir então .

- "timo . Eu vou descer e ver se meus amigos já chegaram .

- Claro .

Narcisa ia se virar, mas no momento seguinte foi puxada pelo braço e sentiu que Lúcio tomava posse dos seus lábios de uma maneira violenta e inesperada, sem que ela pudesse sequer se preparar para sentir os beijos dele .

Quando ele soltou, Narcisa virou – se, lutando para conter as lágrimas que teimavam cair, tamanha era o seu desgosto por si mesma naquele momento .

"E eu não sinto que sou forte o suficiente "

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Para Lena, voltar aos Estados Unidos era tudo o que ela não queria, mas no momento parecia a melhor maneira de fugir de Jonas e do fantasma do romance deles que perpetuava em sua memória, minuto após minuto .

Helena Adams, nascera nos Estados Unidos, na cidade bruxa de Salém . Conhecida pela caça as bruxas, Salém era uma cidade predominante bruxa, até o momento que permitiram aos trouxas o acesso a ela .

Fora lá que criada no velho orfanato da cidade, Lena conhecera a maldade no seu estado mais puro . E foi por isso que não teimou duas vezes em fugir num velho navio, quando recebeu a carta de Hogwarts .

Naquele momento, aspirando o ar da cidade novamente, todas as lembranças voltaram a sua mente de uma vez sós . As vezes em que apanhara no orfanato, suas fugas que eram frustradas e que como punição recebia mais surras, e toda a humilhação por que passara naquele lugar amaldiçoado .

Ela apenas voltara, para ver, que apesar de todo o sofrimento a que fora exposta lá, ela era a mulher forte da história, ela que fugirá, se tornara uma bruxa forte e agora treinava para ser auror .

Ela transformara todo o sofrimento a que fora exposta em incentivo para crescer e mudar . E conseguira .

Talvez aquilo fosse sua maior conquista, seu enorme poder de superação de si mesma e do meio em que vivia .

Ela já vira algumas de suas conhecidas dos tempos de orfanato, e não pode deixar de rir, quando as viu . Casadas, desvalorizadas, presas a homens, que provavelmente as traiam a todo o instante . Tudo o que ela não era .

Seus pés levaram para o único lugar onde ela se sentia em casa em Salém, a praça onde ocorriam as execuções .

Sempre que ela fugia, ela ia para lá, como se esperasse encontrar algo que a lembrasse dos pais, ou do seu propósito de vida .

Naquele lugar que emanava magia e misticismo, e que os trouxas achavam ter apagado de lá, persistia o poder das bruxas, que escaparam da fogueira com sua magia .

Lena abaixou – se apanhando um punhado de terra no chão, e sentindo a energia fluir naquela terra . Como se tudo se baseasse numa questão de compreensão, ela entendeu que certas marcas permaneciam para sempre, sem poder ser apagadas, sem poder ser esquecidas, marcadas a ferra nas memórias e no coração de seus donos .

E a marca que as bruxas haviam deixado em Salém era o seu poder correndo em cada canto da cidade, assombrando e espalhando – se, encontrando merecedores daquele dom, que era a magia .

Então Lena entendeu, que não importava quem fossem seus pais, ou sua família, a magia a escolhera por alguma razão e ela devia cumprir os desígnios dessa mágica .

Por que no seu sangue fluía o poder de fazer a diferença . Viu que não importava chorar a perda de Jonas, por que ele não voltaria para ela e ela não se curvaria aos preconceitos machistas, por que não fora feita mulher para render – se a preconceitos machistas .

De um modo ou de outro, a volta para Salém a fizera se lembrar da sua força, da sua persistência, da razão para que fugira, se tornar poderosa e forte, e ser diferente .

Ela fora presenteada com um dom, e aprendera com ele .

Observou a praça mais uma vez, levantando – se e voltando para a pousada onde passava as noites, pensando mais uma vez, que não devia haver arrependimento, por que tudo o que ela fizera, ela fizera com o propósito de lutar pela sua felicidade . E apesar de seu coração lutar contra aquele fato, Jonas não era o único homem sobre a face da Terra .

"Ainda há muito que aprender, e ninguém mais para brigar

Eu quero te levantar bem alto e levar sua dor "

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Lílian vestiu o vestido verde se preparando para sair para o almoço de Natal com os pais de Tiago .

A vida de casada revelara – se melhor do que Lílian podia esperar, Tiago era um marido carinhoso, presente, preocupado, tudo o que ela desejara e esperara dele .

Tudo o que ela queria agora era um filho, mas Tiago insistia que o melhor era esperar o fim da guerra, ela concordava não queria um filho crescendo no meio de tamanha degradação humana e trevas .

Mas ao mesmo tempo lutava com a vontade de ter um filhinho em seus braços, de abraça – lo e envolve – lo com amor e paixão, e de agradar aos sogros, e ao marido, que apesar de querer esperar, adoraria um filho .

Tiago esperava na porta, o sorriso maroto nos olhos enquanto a mulher acabava de arrumar os cabelos, ele segurou o casaco dela, vestindo – a co carinho e roubando um beijo em seguida .

Para Tiago, o casamento fora a perfeita consumação de uma paixão eterna, que ele devotaria a Lily até o fim dos seus dias, por que ela era tudo o que ele queria .

A união dos dois, o casamento, não representara muitas mudanças no modo como se viam, mas levou – os a conviver um com o outro de uma maneira mais profunda e intensa que suas almas e corpos já haviam vivido .

Almas interligadas, sentimentos compartilhados, momentos divididos, descobertas, mistérios, romance e paixão, coroando a vida de dois jovens unidos para sempre por uma ligação mais forte do que a própria vida material, uma ligação de vida espiritual, e eterna, inacabável, mais forte que as raízes que nos prendem a esse mundo .

Mais forte que a Morte .

"Eu queria que você soubesse que eu amo seu jeito de sorrir "

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Marlene observou o lugar que Severo escolhera, para aquele que ela sabia, seria o último encontro dos dois .

Era um bar de aspecto sujo e velho, que nada se comparava aos belos lugares onde ele a levara quando estavam no auge de seu relacionamento, sem Ordem, sem ele ser um comensal, sem empecilho nenhum para que consumassem a paixão .

Ela observou enquanto ele entrava no bar, e acenava para que ela o seguisse .

Marlene o fez sem duvidar, sem pensar nas conseqüências, na possibilidade de ser uma armadilha, por que ela confiava nele acima de tudo .

Ele levou – a para uma sala reservada, e sentou – se, pedindo que ela sentasse . Marlene obedeceu . Encarou os olhos escuros dele profundamente, e esperou que ele começasse .

- Bom, McKinnon, eu acho que você sabe por que eu te chamei aqui .

- Sabe, Severo, pra tudo que nós passamos juntos, McKinnon é muito impessoal .

- Momentos que não deviam ter ocorrido .

- Não venha dizer que as coisas não deviam ter ocorrido, Severo . Por que você aprovou todos os momentos .

- Foi um erro, Marlene . – ele disse, acabando por pronunciar o nome dela . – Eu me rendi aos seus encantos e com certeza, eles não são poucos . Mas agora por causa disse você está na mira de Voldmort, e eu não suportaria vê – la morrer .

- Eu morrerei se você me deixar, Severo . Por que você se tornou uma parte de mim, que eu não quero deixar pra trás .

- Você acha que está sendo fácil isso pra mim, Marlene ? Isso é difícil, muito difícil . Por que apesar de todos os meus esforços contra, que amei você .

- Eu também amo você, Severo . E você pode sair do mundo onde você está . E eu estarei lá para te ajudar, amparar suas crises e tudo mais, por que eu também amo você .

- Eu não posso . Por que o poder ainda me fascina . Eu não quero perde – la, você sabe que não . Mas algumas decisões devem ser tomadas para que possamos seguir nossa vida .

Marlene sentiu as lágrimas escorrendo pelo rosto e murmurou, sabendo que agora não havia mais saída :

- Então é o fim ?

- Sim . – ele disse, não querendo acreditar em seu próprio conceito de fim .

- Certo . – Marlene murmurou, os olhos agora cheios de lágrimas peroladas .

Ela ergueu – se, dando a entender que deixaria o lugar, mas jogou – se nos braços dele, beijando uma última vez . Para guardar na memória . Severo não pode deixar de corresponder, pois a amava .

Antes de sair, Marlene disse :

- Você ainda pode sair dessa, você é bom . E sabe disso .

Em seguida deixou a sala, rumando para um lugar onde pudesse esquecer de suas mágoas . Severo fez a mesma coisa .

"Pois eu fico despedaçado quando estou sozinho

E eu não me sinto bem quando você vai embora"

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Sirius olhava a velha fotografia que trouxera da casa de Andrômeda, onde almoçara no Natal . Na foto estavam ele, seu irmão, Régulo e os pais, e aquela imagem trouxe de voltas lembranças que ele preferia esquecer, lembranças da época em que ele era feliz com sua família .

Ele estava tão entretido na observação da figura, que não percebeu que Dynha chegara da visita a casa dos pais, e o encarava de forma confusa e carinhosa .

- Que foto é essa ? – ela perguntou curiosa, observando por cima do ombro dele .

- Você já chegou ?

- Eu estou aqui, não estou ? – ela disse sentando no colo dele .

- É . – ele murmurou simplesmente .

- Então que foto é essa ? Você parece tão diferente aqui .

- Deve ser a idade .

- Sirius, mas você era lindo . Ainda é .

- Bom .- ele disse apático .

- O que houve, é só uma foto .

- Não, não é . São lembranças de uma época que eu preferia esquecer .

Então Dynha entendeu .

- Você sente falta deles, apesar de tudo você sente falta deles .

Sirius encarou os olhos dela, e disse, ainda sem crer nas próprias palavras :

- Sinto . Apesar de tudo, das decepções, da dor, do desespero, eu sinto falta deles .

- Eu entendo . Eu queria poder ajudar com isso, mas não posso . Só você pode, entende ?

- Eu sei disso . Eu só não queria sentir essa falta deles, dessa coisa cruel e insípida que foi o nosso relacionamento .

- Eu não posso arrancar isso de você . Mas posso fazer a dor diminuir .

- Então faça isso .

Ela sorriu, aproximando – se dele e colocando a mão sobre o coração dele, murmurando em seguida :

- Você me disse uma vez, que o que importa é o que está aqui, então pense em todos os momentos felizes que você guarda aqui, pense nas pessoas a que você ama e esqueça de tudo que te entristece, pois a felicidade pode estar ao seu alcance agora .

E estava, Sirius estreitou Dynha em seus braços, querendo nunca mais solta – la .

"Eu queria que você soubesse que eu amo seu jeito de sorrir

Eu quero te levantar bem alto e levar sua dor embora "

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Marlene molhou – se com a chuva que caia enquanto se dirigia ao apartamento de Gideão, ele fora o único em quem ela pensara e talvez, fosse o único a quem ela não devesse recorrer .

Ela sabia que ele amava desde o momento em que a vira pela primeira vez, e se havia algo que a corroia mais que deixar Severo, era não poder retribuir o amor de Gideão .

Ela tocou a campainha do apartamento dele, e a porta foi aberta por Gideão surpreso e curioso ao vê – la naquele estado .

- Marlene o que houve ? Foi Snape não foi ? Eu vou matar aquele bastardo por ter te feito sofrer .

Ela não podia mentir, não podia, não para ele :

- Foi sim . Mas não ligue, apenas me abrace e me deixe chorar . – ela falou antes de abraçar – se forte a ele, que não pode negar retribuir aquele abraço .

Ele levou – a para dentro da casa, e continuou abraçando – a enquanto ela derramava suas lágrimas sobre ele .

Gideão não sabia explicar o que sentia, queria acabar com a raça de Snape por ter feito aquela mulher sofrer, pois se havia alguém que merecia a felicidade, esse alguém era Marlene .

- Aconteceu algo que você queira me contar ? - ele perguntou ao ver os soluços dela diminuírem .

- Ele acabou tudo . Eu nunca deveria ter me envolvido . Ele acabou tudo dizendo que não quer que eu morra, por que agora eu sou um alvo .

- Marlene, você apenas seguiu seu coração . Você fez a coisa certa .

- Claro, eu fiz a coisa certa ao me apaixonar por um maldito comensal da morte .

- Você o amou antes dele ser comensal, você o amou em Hogwarts .

- E já era algo impossível, uma lufa – lufa e um sonserino . Merlin sabe como eu queria me apaixonar por você .

- Eu sei disso, você não precisa me dizer . Você não precisa provar isso pra mim . Marlene, pode ter sido o fim, mas lembre – se apenas das coisas boas por que vocês passaram .

- Eu sei . Eu só preciso do apoio de um amigo e de uns bons abraços .

- Isso eu posso garantir .

E dizendo isso abraçou – a mais vez .

"Eu quero te levantar bem alto e levar sua dor embora"

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Snape largou a capa molhada de chuva sobre o sofé e apanhou o porta retrato onde ele e Marlene estavam juntos .

Arrependia – se até o último fio de seus cabelos olhosos do que fizera com ela .

A fotografia, além das lembranças, seriam suas únicas memórias, de tempos, que ele sabia, não voltariam .

Fechou os olhos, respirando fundo e sentindo as lágrimas, que lutara para esconder caindo em seu rosto . As palavras dela ecoando em sua mente, você pode sair desse, você é bom .

"Eu guardo sua fotografia; eu sei que ela me faz bem "

"Você se foi

Você não me sente aqui, não mais"

N/A : Essa N/A é pra situar vocês quanto à época em que a fic ta se passando . Os Marotos e as garotas se formaram em julho de 1975, começaram a trabalhar em setembro de 75. Daí deu uns seis meses que a Linny fala do Rockwood . Seria março de 76, agora vão passar nove meses, vai ser dezembro de 76 . As datas do site estão erradas, elas serão concertadas quando eu tiver tempo .

Dedicatória : Pra Dynha, que aturou minha crise de inspiração e minha vontade de abandonar tudo e pra Sara Miguel, que eu não sei onde se meteu, mas de quem to sentindo muita falta .

Os trechos entre aspas são da música Broken, do Seeter com a Amy Lee. Os versos estão fora da ordem original .