Capítulo 31 – Para Encontrar um Espião
Marlene deixou a sala de Dumbledore tranqüila, faziam duas semanas de seu rompimento com Severo e ela havia conversado com o professor, incentivando-o a procurar Severo e tê-lo como aliado . No coração dela, Severo ainda era bom, e podia sair daquele meio onde vivia.
Aparatou no Ministério, para resolver algumas coisas no Departamento de Mistérios e conversar com Linny.
Quando bateu na porta da sala de Linny, Marlene esperou que fosse atendida, mas tudo o que aconteceu foi o Ministro, seguida de dois aurores, a secretária de Linny e ela saírem correndo sem perceber sua presença.
Marlene encarou a cena toda surpresa, mas entrou na sala escrevendo um bilhete para Linny, dizendo que precisava falar com ela e saiu em seguida.
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Jonas largou a revista sobre a mesa orgulhoso, naquela revista estava sua primeira reportagem publicada. Em seguida se viu envolvido por dois braços, que o puxavam para um beijo. Olivia.
- Como foi seu dia, querido ? – ela perguntou.
- Bom. E o seu ?
- Também, eu estava com saudade.
Jonas sorriu, mas seus pensamentos fugiram para Lena, como sempre. Apesar de estar casado, sempre que Olivia fazia algo que não o lembrava de Lena, seus pensamentos voltavam-se para ela. Lena nunca demonstraria seus sentimentos sem extrema necessidade. Nunca. E Olivia fazia isso o tempo inteiro.
- Então, o que nós vamos fazer pra comemorar sua primeira reportagem ?
Se fosse Lena perguntando, ele diria para passarem a noite na cama, e ela aceitaria, com Olivia, a mulher teria tido um ataque, de tão recatada que era.
- Que tal sairmos para jantar ? – ele sugeriu.
- Claro, eu vou trocar de roupa e podemos ir.
- Certo.
Jonas viu a mulher indo para o quarto e suspirou, quantas vezes ele pensaria se fizera a coisa certa ?
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Lena entrou em casa cansada. Naquele dia, havia tido o dia de aulas práticas, e estava esgotada. Atirou-se na cama, querendo dormir, mas algo a impediu.
Ela sentia o cheiro de Jonas no quarto. A presença dele estava ali, impregnada nos cantos daquele quarto, instigando-a, provocando-a, fazendo com que ela se revira-se na cama, sem conseguir dormir, como sempre ocorria.
Levando-a a pensar de fizera a coisa certa, se não estava errada, e mais uma vez deixando-a sem conclusões.
Lena continuava revirando-se na cama, o sono dominando-a, mas sem conseguir dormir.
Mais uma noite em claro. Ela pensou enquanto se virava tentando encontrar uma posição mais cômoda para passar sua noite.
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Marlene entrou no seu apartamento cansada, tentara falar com Linny, mas não conseguira. Estava com medo, desde a advertência de Severo, sentia cada vez menos protegida.
Falara com Dumbledore dos seus medos, mas ele lhe garantira que tomaria as devidas providências, mas nem isso lhe acalmara os temores.
Estava um pouco cansada quando entrou no apartamento que nem percebeu a presença de outras pessoas lá. Bellatrix Black, agora, Bellatrix Lestrange, deixou as sombras, encarando uma Marlene surpresa. Logo outros comensais deixaram as sombras, eram quatro ao total.
Marlene sentiu um tremor em todo o corpo quando os viu, e soube que era o fim. Ela levantou a cabeça, procurando por Severo entre eles mas não o encontrou, soube então que morreria feliz, por que ele não estava lá. Ainda havia esperanças para ele. Ela ouviu a voz feminina falar:
- Ele não está aqui, McKinnon. Você achou que o Lord seria idiota o suficiente para mandá-lo pra cá e matar você ?
Ela encarou Bellatrix, que falara aquelas palavras, óbvio que não, tudo o que ele menos faria seria mandar Severo pra lá. Mas algo ainda intrigava Marlene, e ele resolveu tirar a teima.
- Além de estar contra seu Lord, Bellatrix, há alguma outra razão pra que ele me queira morta ?
Bellatrix encarou a mulher por alguns segundos, talvez aquele fosse o último desejo dela, pra que não satisfazê-lo ?
- Sim. Por sua causa Snape quase desistiu, mas o Lord o convenceu a ficar, ele é muito valioso para nós. Enfim, está na sua hora, McKinnon, diga tchau para esse mundo. – Bellatrix disse, enquanto apontava a varinha para ela e dizia as palavras mortais.
Marlene sentiu uma alegria intensa antes de morrer, ele quase desistira, talvez com os apelos de Dumbledore, sim ainda havia uma chance. Bellatrix murmurou as duas palavras e ficou observando o corpo inerte ao chão. Garota estúpida. Em seguida aparatou de lá com os outros comensais.
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Linny chegou a sua sala no Ministério e já passavam de meia noite, havia sido muito cansativo. Acontecera um problema e ela, o ministro e Bruna haviam passado a tarde correndo atrás de uns papéis perdidos no Ministério, agora ela fora pegar suas coisas para poder ir para casa.
Porém algo que lhe chamou atenção, um pequeno bilhete, em letra caprichada sobre a mesa, apanhou-o e leu as seguintes palavras :
Linny
Preciso falar com você. É urgente. Estive em sua sala, mas você não estava.
Marlene McKinnon.
Linny olhou para o bilhete e resolver ir ao apartamento de Marlene antes de ir para casa, Remo estava na Casa dos Gritos, em meio a uma transformação, então não havia horário de chegada.
Juntou suas coisas e foi até a casa da garota.
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Linny bateu várias vezes na porta da casa de Marlene e ninguém atendeu, então ela empunhou a varinha, murmurando baixo o feitiço:
- Alorromorra !
A porta abriu-se lentamente e Linny foi entrando, gritou assim que estava dentro do apartamento. O corpo, inerte de Marlene McKinnon jazia no meio da sala. Linny tentou raciocinar, mas não conseguiu, tudo o que pensava escapava deu sua mente ao ver o corpo no meio da sala.
Acalmou-se, tentando entender o que devia fazer. Ordem. Avisar. Lareira. Aproximou-se, cambaleante e chocada da lareira, e falou:
- QG da Ordem da Fênix !
A imagem de Edgar Bones apareceu na lareira, era ele o escalado para ficar no QG naquele dia. Ele perguntou :
- Linny ? Está tudo bem ?
Idiota, ela pensou. Se ela estava com cara de quem estava bem, mas juntando toda a sua paciência, respondeu :
- Marlene McKinnon foi assassinada, eu estou no apartamento dela. Mande alguém.
Bones assentiu, virando-se para dar o alerta aos membros da Ordem.
E Linny respirou fundo, esperando que eles chegassem logo.
Logo alguns plocs encheram a sala. Gideão Prewett, Moody, Sirius e Lena. Eles se viraram e encararam Linny, então Moody perguntou:
- O que houve?
- Marlene deixou um bilhete pra mim, dizendo que precisava me ver. Eu vim pra cá, não tive tempo de falar com ela antes, nós tivemos um problema no Ministério.
Gideão olhou para Linny e disse :
- Você matou-a ? Não é ? Você ... ao pode ter sido você... você chegou antes aqui .. matou-a e nos chamou.
Linny viu que ele estava alterado e disse:
- Não, Gideão, eu não fiz nada a Marlene. Foram os comensais.
Ele encarou e disse:
- Por que ela? Por que ela se apaixonou pelo maldito comensal? Isso só trouxe coisas ruins pra ela?
- Não se manda no coração, Prewett. – Lena disse seca.
Gideão encarou Lena com o olhar perdido, Moody disse então, percebendo que Linny estava à beira de lágrimas:
- Black, deixe que eu, o Prewett e a Adams acabamos aqui e leve-a daqui.
- Sim. – Sirius respondeu, abraçando Linny e aparatando com ela dali.
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Sirius aparatou com Linny no QG, e encarou a amiga, que agora chorava. Ele abraçou-a protetoramente, esperando que ela se acalmasse.
- Linny – ele disse, quando ela estava mais calma – eu vou te levar pra casa.
- Eu prefiro ficar aqui, Remo não esta em casa e eu não quero ficar sozinha.
- Ah. É noite de lua cheia. – Sirius disse. – Então vá lá pra casa.
- Não. Eu fico aqui, amanha posso falar com Remo.
- Se você diz. Mas amanhã eu venho te pegar para irmos ao enterro da Marlene.
- Sim. – ela disse, abraçando-o mais uma vez e sentando-se no sofá.
Sirius aparatou mais uma vez, ainda preocupado com a amiga.
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Dumbledore foi surpreendido com a morte de Marlene McKinnon, ele achou que ela estava segura. Ele observou todos que se reuniam para dar um último adeus aquela mulher, que ajudara-os muito passando informações sobre o Departamento de Mistérios.
Alguém falava palavras bonitas, e ele correu os olhos observando os outros membros da Ordem.
Tiago e Lílian Potter, Remo Lupin e Linny Holmes, Sirius Black e Dynha Fontanetti e Arabelle Figg e Fábio Prewett, casais em meio a uma guerra onde um pode morrer a qualquer hora.
Olhou para Héstia Jones e Dorcas Meadowes, as amigas de Marlene, que haviam a perdido para sempre.
Viu Gideão Prewett, que ele sabia, amaria Marlene até seu último suspiro.
Viu todos os membros da Ordem, envoltos em seus medos, despedindo-se da um deles. Sentiu que uma lágrima escorria pelo seu rosto, enquanto pensava em quantos mais teriam que perder a vida naquela guerra.
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Linny desfez-se do abraço protetor de Remo, a que estivera presa durante todo o enterro,e se aproximou de Dumbledore:
- Professor .... – ela disse, e ele virou-se para ela.
- Linny! Como você está, minha querida, eu fiquei preocupado quando soube que foi você que encontrou o corpo de Marlene.
Ela sorriu fracamente, ante a preocupação dele, e disse, num tom quase inaudível:
- Está tudo bem professor, eu vim perguntar se Marlene, em algum momento falou de Severo Snape com você.
Dumbledore encarou a antiga aluna por alguns instantes e perguntou:
- Falou sim, ela lhe contou também ?
Linny balançou a cabeça negativamente, e explicou em seguida :
- Eu tive uma visão, com os dois. E Marlene me procurou no dia que morreu, mas eu estava ocupada com alguns problemas envolvendo Bagman, Dolohov e Rockwood. Além disso, Crouch está começando a nos dar muito trabalho ...
Ela não terminou, pois Dumbledore sinalizou para que ela se calasse e disse:
- Tem algo que você queira me falar a respeito do Sr. Snape? Outros assuntos nós discutimos depois.
- Marlene confiava nele, de uma chance para a confiança dela. Eu senti que Snape ainda pode ser bom, e Marlene sabia disso. Converse com ele professor, eu acredito que agora, fragilizado com a morte dela, Snape pode passar para o nosso lado e nós precisamos de um espião lá dentro.
Dumbledore fitou a antiga aluna, acreditava nela, acreditava no dom dela, e agora ela lhe dizia para infiltrar um comensal na Ordem da Fênix, ele não podia tomar aquela decisão agora, então disse:
- Eu prometo que pensarei nisso, mas não posso garantir nada.
- Obrigado professor. – ela disse antes de voltar para Remo.
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Severo Snape observou toda a movimentação do enterro, escondido entre as árvores do cemitério, mas ainda assim, achava que alguém o havia percebido lá.
Ele estava em pedaços, perdera a única mulher que amara e sentia-se perdido em meio aquela guerra, e pela primeira vez contestava se escolhera o lado certo para participar dela.
Lembrava-se das palavras de Marlene no último encontro do dois, ele ainda podia ser bom. Podia? Ele sabia que se pudesse mudar de lado, não seria por ser ou não, seria por vingança, e valeria a pena mudar de lado para se vingar?
Ele aparatou assim que o enterro acabou, e sabia que deixara muito naquele lugar, seu coração fora enterrado junto com Marlene, para sempre.
Assim que chegou no apartamento, sentiu a Marca Negra queimando em seu braço e observou-a por alguns instantes. Havia valido a pena, perder a mulher que amara, por uma marca e pelas ilusões de poder?
Naquele momento ele não tinha resposta, e nem sabia se algum dia teria. Apenas de arrependia de ter se envolvido com Marlene e desse jeito, a envolvido naquela guerra, que naquele momento, lhe pareceu completamente irracional.
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Dumbledore sentou-se em sua cadeira esgotado, a conversa que tivera com Severo Snape apenas o deixara mais confuso. Snape deixara claro que não se uniria a eles por força de vingança, apenas se fosse realmente bom. E ainda não descobrira se era ou não bom.
Não pode negar que aquele fato o surpreendera, esperava que se houvesse algo que incentivasse Snape a juntar-se a eles, fosse o sentimento de vingança em relação a morte de Marlene. E a visita dele o provara o contrário.
Ele pensou se havia feito a coisa certa ao ter falado com aquele homem, e tê-lo deixado a par de tantas informações, mas no fundo ele acreditava nas duas mulheres que haviam pedido que o chamasse.
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Snape desabou ao chegar em casa. Deixara claro a Dumbledore que só se uniria a ele se fosse pela bondade, e não pela força da vingança.
Apesar de onde vivia, de quem se envolvia, ainda havia certos princípios a que ele se mantinha preso.
Ele pensou se estava certo em se manter preso aquilo, o que ele era além de um simples mercenário, assassino, cruel ?
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N/A : Desculpe a demora desse capítulo, mas eu não estava com seguindo escrevê-lo. Em todo o caso, ele está ai. Me digam o que acharam. Beijinhos, Thaís.
Eu vou dedicar esse capítulo pra Ari, minha priminha querida.
Próximo Capítulo : Caos na Ordem da Fênix.
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