Capítulo 32 – Caos no Ministério da Magia
Quatro Meses Depois
Linny levantou-se da cama cedo naquele sábado, ela podia sentir, como se cada partícula do seu corpo lhe transmitisse aquela sensação, que algo errado iria acontecer. Chovia. Ela parou na janela, observando a chuva que cai de modo instigante. Algo estava errado.
Virou-se, ficando de costas para a janela, e sentiu uma lágrima escorrer ao ver Remo. Eles não eram mais os mesmos, toda aquela guerra, violência, seu trabalho, agora vital para o Ministério, fizera com que eles se distanciassem muito, talvez tanto que não haveria volta.
Sentiu os olhos encherem de lágrimas mais uma vez, e controlou-se para não fazer barulho e acordar o namorado.
Ela queria que tudo voltasse ao normal, queria estar novamente nos braços dele, como a muito tempo não estava, queria esquecer de tudo, da guerra, das mortes, do desespero, e estar com ele de novo.
Pois ela não estava feliz, e não sabia se conseguiria ser feliz de novo. Gostaria de ser outra coisa, pela primeira vez desde de que entenderá seu papel como descendente, amaldiçoou seu dom, querendo não possuí-lo mais. Sonhava em ser diferente. E sonhava se um dia seria feliz, mais uma vez.
Sentindo-se que não ia conseguir mais controlar as lágrimas, vestiu-se e saiu do apartamento, deixando um bilhete para Remo.
"E quando a chuva caía
Eu somente olhei para fora da janela
Sonhando com o que poderia ser
E se no fim eu estivesse feliz. "
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A chuva estava gelada e ela já começava a sentir frio, mas o caminho que ela seguia, para a casa de Andrômeda, encurtava conforme seus passos, o que fez com que ela seguisse o caminho mas rápido.
Quando finalmente parou em frente a casa onde Andrômeda morava, bateu na porta, esperando que a abrissem. Esperou pouco, logo o rosto de Andrômeda apareceu na porta e encarou Linny curioso.
- Lin, o que houve? Você está bem? Aconteceu alguma coisa? Remo está bem? Sirius?
Linny sentiu os olhos encherem de lágrimas a menção do nome de Remo e Andrômeda puxou rapidamente para dentro da casa, dizendo:
- Depois você me conta tudo, eu vou buscar uma toalha e roupas limpas pra você.
Alguns minutos depois, já seca e vestida, Linny sentou para conversar com Andrômeda.
- O que houve, querida? – Andrômeda perguntou.
- Remo e eu, não está mais dando certo, e eu sei que a culpa é minha, eu preciso de conselhos.
- Primeiro, a culpa não deve ser só sua, Linny. Remo deve estar de alguma contribuindo com isso. Mas me explique melhor o que aconteceu.
- É o meu trabalho, eu não paro mais em casa e Remo não está aceitando isso muito bem.
- E você não pode mudar isso?
- Não. Mas gostaria que pudesse. É que o meu trabalho é muito exigente, a hora que eles precisam de mim, eu tenho que ir.
- O que você faz é de tamanha importância?
- Sim, não só para o ministério, mas para a Ordem também.
- Linny, eu não sei o que dizer para você. Eu acho que vocês devem conversar, e talvez tudo se resolva, mas talvez vocês só precisem dar um tempo. Vocês são jovens, comprometidos a um bom tempo, morando juntos dividindo obrigações de marido e mulher e cada um com um algo sério em si, então isso pode estar prejudicando o relacionamento de vocês.
- Obrigada, Drô.
- Que nada, querida. Não agradeça.
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Quando voltou para casa, Linny encontrou Remo sentado na sala, com uma cara de brabo. Perguntou, calmamente:
- O que houve, querido?
- Como assim o que houve, Linny? Você some do nada, me deixa um bilhete e chega em casa à noite. O que esta acontecendo, você tem outro? É isso?
- Você me ofende assim, Remo. Eu só tenho olhos pra você.
- Não parece, você não sai mais daquele ministério, só está em casa no fim de semana e nem olha direito pra mim, e quando está enfiada em casa só pensa no trabalho, nem parece estar aqui.
- Remo, eu entendo que você esteja com ciúmes, mas você tem que entender a im...
- Importância do seu trabalho! Eu já conheço essa história, só que eu não quero entender. Você só me faz acreditar que tem outra pessoa.
- E o que te leva a pensar isso?
- Sirius e você! Feliz agora. Você pode estar tendo um caso com ele, ele foi o auror escalado para trabalhar no Ministério, é com ele que você almoça todos os dias, e Dynha disse que ele some sem dar satisfação. E eu até entendo, Sirius é mais bonito que eu, mais rico que eu, não é um lobisomem. Você combina bem mais com ele do que comigo.
- Cale a boca, Remo. Eu amo você, eu nunca olhei para Sirius como olhei pra você, eu não ligo se ele for mais bonito ou rico do que você, eu amo você do jeito que você é.
- Isso não me convence mais, Linny. Eu vou embora, vou ficar com um amigo por enquanto, eu venho buscar o resto das minhas coisas quando você estiver trabalhando.
- Não faça isso. – ela disse, chorando. – Por favor. Eu não sobreviverei sem você.
- Então eu espero que morra. – ele disse, virando-se e saindo porta a fora.
Linny escorregou pelo chão, chorando, caindo e ficando lá, entre lágrimas, dores e perdas.
"E se no fim eu estivesse feliz
Eu rezaria."
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Sirius bateu várias vezes na porta do apartamento de Remo e Linny, antes de arombar a porta. Surpreendeu-se ao encontrar Linny encostada na parede, chorando. E se aproximou devagar, temendo assustá-la.
Ele ergueu o queixo dela, de modo que ela o encarasse, e perguntou:
- Lin, o que houve?
- Remo ... terminou tudo.
- Por que?
- Ele disse que nós dois temos um caso, que eu não ligo pra ele... – ela chorava muito.
- De onde ele tirou isso? Eu vou falar com ele, ele vai ter que pedir desculpas ..
- Não! – a voz saiu bem firme. – Remo vai ter que lidar com tudo sozinho.
- Linny, o que eu posso fazer pra ajudar? – ele disse, resignado.
- Ninguém pode. Só Dumbledore pode, mas ele não fará. Eu quero ir embora por uns tempos, descansar, só isso. Eu não agüento mais.
Isso será difícil, mas eu vou conseguir pra você. Por toda essa confusão.
Ele aproximou-se dela, envolvendo-a nos braços de modo carinhoso, deixando que ela chorasse livremente.
"Eu poderia fugir?"
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Remo resolvera voltar, talvez ele pudesse estar errado, certo?
Mas ele não estava, quando chegou lá, a porta se encontrava aberta, e Sirius abraçava Linny.
Ele pensou com raiva, em como estava certo e como fora burro em voltar, ele não precisava ver aquilo. Ele queria ir bem longe, longe, longe. Ele havia sido traído pela mulher que amava e por seu amigo. Maio desgraça que isso, só ser lobisomem.
"E ir pra bem longe. "
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Sirius abriu a porta do apartamento e Dynha encarou-o por alguns instantes, um pouco depois, Linny apareceu por trás dele,o rosto ainda inchado devido as lágrimas derramadas.
- O que houve? – Dynha perguntou, enciumada. Ela não pode negar que a primeira coisa em que pensou era que ele ia mandá-la embora e admitir que estava a traindo com Linny.
- Remo deixou-a . Eu não quis deixá-la sozinha. Eu preciso tomar um banho, você pode cuidar dela?
- Claro. Mas eu não entendo por que você tem que estar sempre cuidando dela. – ela respondeu sem saída.
Sirius não disse nada, foi para o banheiro, e Dynha aproximou-se de Linny, que estava parada ainda na porta, sem saber o que fazer.
- Entre.
Linny seguiu-a e as duas sentaram no sofá.
- Linny, está tudo bem? O que aconteceu?
- Remo terminou comigo. Ele me deixou, eu amo tanto ele. Eu não queria isso. – e chorou novamente.
- Oh, eu não sabia. Desculpe. – Dynha disse.
- Não tem problema. Eu só gostaria de poder continuar sem ele, eu não sei se vou conseguir.
- Tem algo que eu possa fazer?
- Só não ache que Sirius está te traindo, eu e ele somos apenas amigos, e só isso.
- Certo. – Dynha falou envergonhada.
"Tenho que continuar, e continuar."
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Dynha entrou no quarto em silêncio, e aproximou-se na cama, onde Sirius estava deitado.
Ela deitou-se sobre ele, beijando-o em todo o rosto, a por fim tomando os lábios dele, que correspondeu com paixão ao beijo.
- Desculpe, querido, eu sinto muito por ter duvidado de você.
- Não peça desculpa. Apenas me beije.
Ela obedeceu, continuando a beijá-lo. Entre os beijos dele, Dynha sentia-se no céu, e ela faria qualquer coisa para continuar lá.
"Eu irei fazer qualquer coisa para tocar o céu."
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Sirius deixou Dynha na redação do Profeta Diário, e depois seguiu com Linny para o Ministério, a aparência dela era cansada, e olhos não brilhavam como normalmente, ele sentia pena dela naquele momento.
Ele fez questão de deixá-la na sala e de dizer que a buscaria para o almoço, mas ela nem deu bola.
Sentou-se na mesa, estava sozinha naquele dia, Bruna estava de férias, e começou a trabalhar.
Ela só queria esquecer de Remo, mas não conseguia.
"Mas eu não irei esquecer daqueles que eu amei."
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Um barulho tirou Linny de seu devaneio sobre Remo, algo estava acontecendo. Ela podia ouvir gritos, pessoas gritando, podia sentir o medo, tentou se concentrar para entender algo do que gritavam. "Comensais!" Ela ouviu, então sem pensar mais nada, pegou sua varinha e saiu correndo da sua sala.
Ela tinha que fazer algo, chegar ao ministro, ver se ele estava bem protegido, era isso que ela faria, ela não podia fugir, não agora.
"Eu poderia fugir?"
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Quando ouviu os gritos, Sirius automaticamente, tomou as providências para que fora treinado, avisou Moody e depois chamou a Ordem pela lareira, quem apareceu em sua frente foi Remo.
- O que houve, Black?
Sirius pensou em retrucar, mas não era hora.
- Está acontecendo um ataque aqui no Ministério, há poucos aurores, avise Dumbledore e mande reforços, eu já chamei Moody na Escola.
Remo parou um pouco, ataque no Ministério será que Linny estava lá?
- Black?
- O que, Remo? Eu tenho que ir.
- Holmes... Linny está no Ministério?
- Sim. – foi a última coisa que Sirius disse antes de dar as costas e sair porta a fora, para a batalha.
Na Sede da Ordem, Remo baixou a cabeça, pensando seriamente se havia feito a coisa certa, ele dissera que queria que ela morresse, agora ela podia morrer, e ele não sabia o que faria se isso acontecesse.
O que ele havia feito? Queria ser feliz, apenas isso, e pra isso acreditara na razão e não ligara para o que o seu coração falará, ele podia perdê-la agora, e não queria. Ele só queria ser feliz, por que isso parecia cada vez mais difícil?
"Tentando o máximo alcançar a felicidade."
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Linny corria entre as portas e janelas do Ministério, ficando cada vez mais confusa, ela não se lembrava mais de nada. Corria sem direção, por entre as portas, abrindo-as, fechando-as, não sabia para onde estava indo. Ela não podia desistir, não mais, tinha que continuar.
Ela não queria mais morrer, não queria mais desistir, não lhe importava mais que ela nunca tocasse os lábios de Remo novamente, que nunca fizesse amor com ele novamente, só lhe importava a vida agora.
Segurou firme o medalhão vermelho sangue que pendia em seu pescoço e fez um pedido, proteção e força, nada mais importava além disso.
No instante seguinte, os cabelos cresceram, a roupa tornou-se a túnica azul de sacerdotisa, e Linny Holmes sumiu, Nimue Sienna estava lá.
"Construções com milhões de andares
Milhares de portas em todo lugar
Talvez eu não sei para onde eles irão me levar, mas
Tenho que continuar, e continuar."
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Remo avisara Dumbledore, que logo repassara o aviso para os outros membros e agora seguia com Lílian, Lena e Héstia, para o Ministério.
O coração batia descompassado, o medo o dominava, o medo de perder, de perder Linny, para sempre.
Lílian e Lena também pareciam bem preocupadas, as mãos delas, envolta de algo que pendia do pescoço, apenas assustava Remo, ele sabia o que elas queriam, conhecia algo sobre o colar. Elas tentavam sentir a energia vital das outras que o usavam, Linny e Arabelle.
Quando finalmente se viram dentro do Ministério, os quatro empunharam a varinha, e partiram para a batalha.
Ele tentou controlar-se tudo daria certo, no momento ele só podia lutar e rezar.
"Então eu rezaria."
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Nimue ouviu algumas vozes, e parou. Ela não podia se arriscar, então voltou a forma de Linny, e parou, esperando que as vozes se fossem.
Mas elas não iam e uma agonia estava tomando conta dela, o ar parecia estar sendo tirado dela, e tudo começou a rodar, rodar, rodar... e ela caiu.
O barulho chamou a atenção de alguns comensais que se encontravam conversando e foram ver o que acontecia.
Bellatrix Lestrange surgiu, seguida do marido, Rodolfo e de Snape, que encararam o corpo caído, que começava a se reerguer. Bellatrix ostentava um sorriso frio nos lábios, e disse:
- Se não é a profetisa Holmes, nosso mestre pediu que nós a levássemos a ele. Nossa caça está feita, só falta que eu encerre a missão. Você pode cuidar dela sozinho, Snape?
- Sim, Bellatrix.
- "timo. Vamos, Rodolfo.
Os dois saíram, deixando Snape e Linny sozinhos, ela havia se erguido, e segura a varinha firme, mas não de modo convincente.
Snape encarou-a por alguns segundos, e disse:
- Não se preocupe, eu não vou fazer nada com você.
- Por que? – ela perguntou, uma centelha de esperança surgindo nela.
- Eu não sei mais o que quero pra minha vida, Holmes. São tantas mudanças, que eu acabo me perdendo nisso tudo. Eu não quero mais matar, mas não posso renegar meu passado.
- Não, não pode. Mas você pode mudar seu futuro.
- Talvez, mas nesse momento as marcas do passado são mais profundas que as chances do futuro. É difícil deixar tudo em que você sempre acreditou pra trás de uma hora pra outra.
- Eu sei disso. É difícil perder a pessoa que se ama, é difícil perceber que talvez tudo o que você tenha feito a vida inteira estava errado. É difícil ver, é difícil entender, somente o tempo pode ajudar.
- Do que você está falando?
- Nada, apenas divagando. Mas eu acho que entendo você. Eu não posso falar muito, posso agradecer por você ter me poupado e posso garantir que a proposta de Dumbledore ainda está de pé.
- Não agradeça, apenas suma daqui. Você não deve querer perder sua vida nesse conflito.
Ela não queria morrer, mas não podia ir embora. Levantou-se e saiu, deixando Snape perdido nos próprios pensamentos.
Snape parou, algo estava mudando e ele sabia, ela estava certa, conseguira expressar exatamente o modo como ele se sentia, por que ele não conseguia tomar logo sua decisão? Por que parecia tão difícil se arriscar e deixar as trevas? Por que era tão difícil? Por que Marlene estava sempre com ele? Por que ele podia sentir a dor dela quando havia morrido? Ele queria poder esquecer, mas ao mesmo tempo queria a lembrança dela para sempre.
"Saindo da escuridão tentando alcançar o sol
Mas eu não irei esquecer daqueles que eu amei
Irei me arriscar, ter uma chance, mudar."
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Assim que saiu das vistas de Snape, Nimue reassumiu o corpo de Linny, ela tinha que chegar a sala do ministro, e salvá-lo, ela sabia a que missão Bellatrix se referia.
Ela tinha forças agora, ela tinha um objetivo, ela chegara.
Abrira a porta magicamente, sem se preocupar com nada, e encontrara o ministro ao chão, sendo torturado pela Lestrange. Apenas ergueu o braço e num movimento, Bellatrix foi jogada contra a parede.
Os comensais voltaram-se para ela, e rapidamente ela construiu um escudo mágico em sua volta. Os feitiços se desfaziam quando batiam no escudo e agora os comensais pareciam alarmados. Então ela ouviu uma voz:
- Priminha, você por aqui?
Voldmort.
- Eu não esperava que tivesse que capturá-la sozinha, mas se você quer algo bem feito, faça você mesmo. – ele disse.
No momento seguinte, Nimue sentiu algo quebrando seu escudo, e sua forças desaparecem, e Linny reapareceu.
Voldmort sorriu, os comensais agora cercavam a profetisa, que parecia estar perdida, ele apontou a varinha para ela, mas um feitiço chegou antes do seu.
- Crucio! - era a voz de Bellatrix.
Ela havia se levantado e lançara o feitiço, Voldmort deixou que ela se divertisse um pouco, desde que não a matasse estava tudo bem.
A dor era terrível, cada partícula do corpo de Linny reclamava da dor, e dentro das profundezas da mente, ela tentava trazer Nimue a tona mais uma vez, mas não conseguia. A vontade de gritar era enorme, mas a voz não saia. Ela já não via mais o ministro, e nem sabia o que havia acontecido. Então tudo parou. E ela pode ouvir o feitiço sendo pronunciado, o prazer na voz do que o dizia, o prazer na voz de Lúcio Malfoy:
- Avada Kedrava!
Fechou os olhos, como se esperasse calmamente pela morte, mas ela não veio, então juntou todas as forças e virou-se para tentar ver o que acontecera, o corpo do ministro jazia inerte no chão. Ela havia falhado, não conseguira proteger o ministro. Sentiu os olhos enchendo-se de lágrimas, e num momento pareceu retomar as forças e Nimue voltou. Ela ergueu-se com força, e pensou que não havia mais nada que a prendesse ali agora, nada. Então concentrou-se, enquanto pensava que agora já não havia nada a perder, e juntou todas as suas forças, e lançou um feitiço que envolveu grande parte dos comensais, e ela mesma.
No momento seguinte o corpo caiu ao chão, sem vida. Ela queria ter falado mais, ter explicado para Remo tudo, mas não conseguira, queria ter salvado o ministro, ter desafiado Voldmort, mas não conseguira, ela tentara falar, mas ninguém quisera escutar, ela perdera tudo. A morte era o consolo agora.
"Mas quando eu tentei falar,
Senti como se ninguém pudesse me ouvir."
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Lílian apertou firme o medalhão, e estancou no caminho, caindo em lágrimas no momento seguinte. Remo parou ao lado, encarando-a, e pensando no pior.
- O que houve, Lily?
- Linny. – a voz saiu fraca, sem emoção.
- O que houve com ela? – Remo disse, segurando Lílian e machucando-a. – O que houve com ela?
- Ela está morta, morta ... Remo.
- Não! Isso é mentira. Mentira! – ela sacudia-a agora, de modo que a machucava mais. Num momento ele foi afastado dela violentamente, por Tiago, que chegará acompanhado de Sirius e Lena.
Lena chorava, Tiago acalmava Lílian e Sirius se aproximara de Remo, e tentava acalmá-lo.
Algum tempo depois, Arabelle apareceu, amparada por Fábio, ela também tinha o rosto marcado por lágrimas.
Remo batia me Sirius, e gritava desesperado, enquanto todos que passavam olhavam, aquela cena. Lena perguntou:
- Remo, nós sabemos que você amava Linny, nós também amávamos, mas isso não é motivo para o que você está fazendo.
- Você não sabe de nada, Lena! Nós brigamos, estávamos separados, eu disse que queria que ela morresse.
Todos o encararam nesse momento. E ele disse:
- Eu fiz tudo errado, tudo errado. Eu não sei o que fazer mais. Eu não sei viver sem ela. Eu não vou ser feliz sem ela.
Ninguém disse nada. Apenas ficaram encarando Remo por algum tempo, até que Sirius disse:
- Vamos procurar o corpo dela.
E com aquela frase tão mórbida, a procissão seguiu atrás do corpo de Linny.
"E se no fim eu estivesse feliz."
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Narcisa apertou o pingente com força, e chorou. Aquela guerra era uma insanidade. Linny estava morta, ela podia sentir. E seu marido metido no meio dela.
O que ela queria, fingindo ser forte, fingindo poder, e na verdade era fraca, era nada.
A amiga estava morta, e ela não podia fazer nada, nada. Ela estava no lugar errado. Como sempre estivera.
"Mas algo me fazia sentir que eu estava no lugar errado."
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Ela seguia em direção à luz, estava tranqüila, tudo iria melhorar. Ela poderia descansar, mudar, queria apenas um tempo.
Ela queria ter feito tantas coisas, queria ter tido tanto tempo, e perdera aquilo.
Ela queria ter tido uma vida divertida, queria ter sentido a brisa, o agito do oceano, ido mais a praia, ter tido filhos. E não teria.
Mas não teria mais que se preocupar, agora ela apenas relaxaria.
Uma voz preencheu o vazio, e disse:
- Volte não é sua hora ainda.
- Mas eu não quero voltar.
- Isso não é uma escolha sua. Volte!
- Eu não quero voltar. Eu quero ficar aqui. Pra sempre.
- Volte!
- Não!
- Volte, apenas uma parte sua deve ficar aqui.
As vozes sumiram.
"Quero sentir a brisa quente
Dormir embaixo de uma palmeira
Sentir o agito do oceano
Entrar num trem que corra muito
Viajar numa nave espacial."
N/A: Não me matem, ainda! Esperem o próximo capítulo que tudo será explicado bem direitinho. Tudo teve um motivo, uma razão.
Dedicatória: Pra todo mundo que me deu apoio nesse tempo que eu fiquei sem escrever, mas principalmente pra BM e pra AC, gurias , eu adoro vocês!
Os trechos em itálico são da música Breakaway da Kelly Clarkson.
