Capítulo 33 – A Coisa Certa a Fazer

A fresta da janela permitia que um pouco de luz entrasse, iluminando levemente o corpo deitado na cama de hospital.

Os olhos se abriram levemente, tentando se acostumar à claridade já esquecida. O corpo doído assustou-se com a cama de hospital e a voz, ainda fraca, expressou-se, rouca:

- Onde eu estou?

O corpo moveu-se, ficando sentado na cama, e viu-se sozinho no triste quarto de hospital. A voz, agora mais alta, chamava:

Por favor, alguém. Alguém me ajude.

No momento seguinte a porta se abriu e uma cabeça com cabelos ruivos apareceu, ela entrou no quarto, seguida por outras pessoas e por último por um rapaz, de aparência cansada, cabelos claros e olhos azuis tristes. A memória da mulher pareceu voltar, e ela perguntou:

- O que houve?

Foi a ruiva que respondeu:

- Linny, você quase morreu. Estava a uma semana dormindo, ninguém esperava que você fosse acordar.

- O que houve? – a mulher insistiu.

O homem de cabelos escuros e olhos azuis respondeu:

- Durante o ataque ao ministério, você lançou um feitiço muito forte, que consumiu grande parte da sua energia, você morreu por causa dele, mas por alguma razão você voltou da morte.

- Sirius? – a mulher perguntou.

- Sim, sou Sirius, Linny.

- Meu nome é Linny?

- Ou Nimue. – Dumbledore pronunciou-se pela primeira vez.

A memória começou a voltar e ela disse:

- Não, eu não sou mais Nimue. Nimue morreu. Linny ficou, isso que ela disse, uma parte de mim tinha que ficar.

- Não querida, isso deve ser um delírio, não pode ter ocorrido. – Dumbledore disse.

- Pode sim. – a mulher agora chorava. – Eu perdi meu dom, Nimue fez um sacrifício, eu fiz um sacrifício, troquei meu dom, por aquele feitiço, eu não sou mais uma profetisa.

Ninguém falou nada, apenas ficaram olhando para a mulher, sentada na cama, os olhos entre lágrimas.

- Mas isso é impossível. – Dumbledore disse.

- É sim professor. Ela disse, a voz disse, que uma parte de mim ia ficar. – Linny estava chorando.

- Eu acho que ela precisa descansar, eu estou falando isso com enfermeira e amiga. – Lílian disse.

- Não ... eu preciso saber, o ministro, o que aconteceu? – ela disse.

- Linny, não fique chateada, mas o ministro, ele morreu. – Arabelle disse.

- Então foi em vão? Tudo em vão? – ela disse, chorando ainda mais. – Quem é o novo ministro? Não é Crouch?

- Não. É Emilia Bagnold. – Arabelle disse.

Linny ficou quieta e por fim disse:

- Eu agradeço por terem vindo, mas eu gostaria de ficar sozinha um pouco.

- É melhor mesmo. – Lílian disse, conduzindo todos para a porta.

- Eu preciso falar com ela. – Remo se manifestou pela primeira vez.

- Remo, é melhor não. – Lílian disse.

- Não, Lily, eu quero resolver logo isso. – foi Linny quem disse.

- Mas se acontecer qualquer coisa, que eu como enfermeira, vou intervir. Isso é pra você, Remo. E você sabe por que.

- Eu sei. – Remo disse.

Lílian se retirou e Remo e Lily ficaram sozinhos, ele disse:

- Linny eu quero me desculpar. Eu fui um idiota, eu não acreditei em você, eu falei o que não devia, me desculpe. Eu quero outra chance.

- Eu não posso, Remo. Você disse que queria que eu morresse, isso doeu.

- Foi um erro, Linny. Um erro, me entenda.

- Eu queria poder, Merlin sabe o quando eu amo você, mas eu não posso, isso me machucou muito, você não acreditou em mim, que motivos, em todos esses anos eu dei para que você não acreditasse em mim?

- Nenhum, e isso só me faz ver o quão estúpido eu fui. Eu sinto muito.

- Eu aceito suas desculpas, mas só isso.

- Eu não tenho nenhuma chance?

- Talvez, Remo. O tempo é o melhor remédio, algumas feridas levam tempo pra cicatrizar, mas cicatrizam.

- Certo. – ele saiu do quarto, deixando-a sozinha com seus pensamentos.

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Sirius virou-se para professor e disse:

- Professor, ela me pediu isso. Tudo o que ela queria era um tempo pra ela, fugir um pouco disso.

- Eu não acho que seja a melhor hora pra ela fazer isso, Sirius.

- Professor, deixe-a ir, ela vai voltar. Mas depois do que ela passou, ela precisa ficar um pouco longe da guerra, e de Remo.

- Eu vou pensar nisso, Sirius. Pode deixar que eu vou pensar.

- Eu sei que o senhor tomara a decisão mais sábia.

Dumbledore assentiu com a cabeça, e pensou que gostaria de deixar que Linny escapasse um pouco, mas ele precisava dela lá, precisava mantê-la sobre seus olhos para evitar problemas.

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Linny ficou sozinha, envolta nos seus próprios pensamentos, ela queria Remo, mas seu orgulho impediu-a de aceitar as desculpas dele.

Ela queria sumir, fugir da guerra, pelo menos um pouco. Sentiu-se cansada, e queria dormir, mas algo a impediu, Sirius entrou no quarto, e encarou-a, por alguns instantes:

- Linny, como você está?

- Cansada, Sirius, eu quero sumir. Descansar. Eu preciso de um tempo pra pensar, relaxar, é difícil, mas eu preciso.

- Eu já conversei com Dumbledore sobre isso, ele vai tomar as providências.

- Obrigado.

- Você e Remo, se acertaram?

- Não, dói demais pra aceitar desculpas agora. Não me julgue por isso, por favor.

- Eu não vou julgá-la, Lílian disse que você deve sair daqui a três dias, eu venho buscá-la para levá-la até sua "fuga".

- Certo. Obrigado, Sirius.

Ela fechou os olhos, cansada, adormecendo num sono sem sonhos.

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- Você tem certeza que podemos entrar, Lily? – Arabelle perguntou.

- Claro que sim, Belle. Eu sou curandeira, lembra? Eu estou acompanhando a Linny.

- Que bom, eu quero vê-la. – Lena disse.

- Então vamos, mas silêncio. – Lílian orientou.

As três mulheres concordaram e seguiram a enfermeira até o quarto. Linny repousava sobre a cama, os cabelos espalhados sobre o travesseiro, uma expressão de tédio no rosto. Assim que viu as amigas, ela disse:

- Graças a Merlin, alguém veio me visitar. Vocês não sabem como é horrível ficar numa cama assim.

As amigas riram e Narcisa tirou um pacote da bolsa e passou-o as mãos da amiga.

- O que é isso? – Linny perguntou curiosa.

- Abra, mas esconda da Lily, eu não podia trazer isso aqui.

Linny abriu o pacote, uma caixa de doces que ela adorava. Lílian olhou para Narcisa, repreensiva, e disse:

- Eu não acredito, Cys. Achei que como curandeira você respeitasse as regras do hospital.

- Vai, Lil, ela vai sair amanha, não tem problema.

- Ah, certo então. Mas quem disse isso foi a Lily amiga, não a responsável por você.

- Entendido. – Linny respondeu.

- Então, como você está? – Lena perguntou.

- Indo, Lena. Tirando o tédio, até que está tudo bem. Eu consegui descansar bastante, mas eu queria viajar um pouco, descansar mais, mas Dumbledore não autorizou.

- Isso é realmente uma pena, Lin. Você merece um descanso. – Arabelle disse.

- Eu concordo. – Narcisa falou. – Será que eu e a Lily, como curandeiras, não podemos indicar algum repouso pra você?

- Eu gostaria, mas Lily acha melhor seguir Dumbledore, na verdade eu também acho, Cisa. Imagina se acontece alguma coisa comigo? Acho que ninguém gostaria.

Narcisa concordou silenciosamente, e por fim, Linny disse, a voz bem mais animada do que antes.

- Mas vamos mudar de assunto, me contem alguma fofoca, me fale de você e o Fábio, Belle. Falem de coisas alegres.

As cinco sorriram e voltaram a conversar amenidades, recordando os tempos de Hogwarts.

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Lílian olhava pela janela de casa com um ar preocupado, Tiago observava de longe, e aproximou-se dela, abraçando-a com um ar protetor.

- O que houve?

- Eu estou com medo.

- Medo de que?

- De você fazer o que Remo fez com a Linny comigo....

- Eu nunca faria isso com você, Lílian. Eu amo você mais do que tudo.

- Remo dizia que amava Linny assim. E olha no que deu.

- Lílian – ela segurava o rosto dela, forçando-a a encará-lo – eu não sei o que houve com Remo, mas eu nunca faria nada assim com você, nós estamos casados, você é minha mulher, a única com quem eu realmente me envolvi e que realmente significou algo pra mim. Entende?

- Eu entendo. Desculpe por pensar que você poderia fazer isso.

Tiago não disse nada, abraçou-a com carinho, e permaneceu daquele jeito.

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Sirius abriu a porta com cuidado, e encontrou Linny vestida e pronta pra ir pra casa.

- Você que veio me buscar, Sirius?

- Vim.

- Certo, vamos pra casa.

- Quem disse isso?

- Dumbledore disse.

- E quem disse que eu obedeço Dumbledore? Você está indo para a Itália, patrocinada por mim e pela Dynha.

- Eu não acredito! Sem ninguém saber?

- Ninguém. Duas semanas sem ninguém saber e longe dessa guerra.

- Meu deus! Eu adoro você! – ela disse abraçando-o.

- Só por isso? – Sirius disse com uma cara de cachorro sem dono.

- Não. Por muitas outras também.

- Que bom! Vamos então!

Os dois saíram furtivos do hospital em direção ao aeroporto.

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Assim que desceu do avião, Linny seguiu as orientações de Sirius e procurou pelo parente de Dynha que estaria no aeroporto esperando por ela. Não foi muito difícil, o homem que a esperava era alto, de cabelos lisos e castanhos e com os mesmos olhos de Dynha, além disso, tinha em mãos um cartaz escrito, Lini Holmes. Provavelmente o entendimento italiano de seu nome.

Ela se aproximou e disse, em inglês:

- Linny Holmes, e você é?

- Marcus Fontanetti, meio irmão da Dynha.

- Prazer. Você que vai me acompanhar?

- Isso mesmo. Primeiro nós vamos ao hotel. Depois eu montei um passeio turístico para que eu possa apresentar a cidade para você.

- Você não precisa me acompanhar.

- Mas claro que eu preciso, Dynha me pediu que eu fizesse isso.

- Então ta. – Linny concordou.

- Então vamos. – Marcus passou o braço em torno dos ombros dela, e conduziu-a ao carro.

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Quando chegaram ao hotel, Linny nem percebera a passagem do tempo, Marcus a mantivera entretida o caminha inteiro. Falara das belezas de Roma, de tudo que mostraria pra ela. E ela sentira encantada.

Poderia mesmo descansar nessa curta viagem.

Entraram no quarto, era lindo. Haviam destinado a ela a cobertura.

Marcus postou-se atrás dela, e disse, no ouvido dela:

- O que você achou?

Ela virou-se rapidamente, assustada com o contato dele, e disse:

- É lindo. Eu não mereço tanto.

- Claro que merece, amigas da Dynha merecem o melhor tratamento que se pode dar.

- Obrigada.

- As suas ordens. Eu vou descer, qualquer coisa é só me chamar na recepção.

- Obrigada mais uma vez.

Marcus deixou-a sozinha, e Linny atirou-se na cama macia, apreciando o contato do corpo com as cobertas macias.

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Naquela segunda-feira, Remo chegou cabisbaixo na Arena para ter suas aulas de reforço.

Linny estava viajando fazia uma semana e ele sentia a falta dela.

Mas, quando entrou na arena, não pode deixar de se surpreender ao ver que Miriam não estava de pé, alta e imponente, mexendo no equipamento preparado para a aula.

Ela estava sentada nas arquibancadas, próxima a ele, e tinha uma expressão um tanto quanto estranha no rosto.

Ele Aproximou-se cauteloso,e perguntou:

- Está tudo bem, professora?

- Sim, tudo bem comigo.- disse ela, mas não em seu tom autoritário de sempre. Ela falava baixo, em uma voz quase rouca, com um tom extremamente preocupado

- Mas você não está bem.

Ele surpreendeu-se. Miriam normalmente não se preocupava com os alunos, mas para Remo, ela parecia ter se afeiçoado ele um pouco mais do que a pose de durona permitia. Ele disse:

- Sim, eu não estou bem,

- Muito menos ela, Remo.- e, surpreendendo Remo mais ainda, Miriam colocou a mão sobre seu ombro, uma coisa que, ele sabia, ela nunca faria em sã consciência.

Como ela teria descoberto, Remo pensou. E ela parecendo ler seus pensamentos, disse:

- Não, eu não sei ler pensamentos... Mas Lena contou-me o que aconteceu... E, eu não devo ser a única a dizer isso, mas você não poderia ter dito isso para ela.

- Eu não queria ter feito aquilo, mas eu sou inseguro, eu sou um lobisomem e bem, Sirius é bem mais bonito e interessante que eu.

- Se deixar levar pelas emoções sempre é o maior erro de um ser humano. Não seja ridículo.- ela disse, ríspida - Por que você acha que ela ficou tanto tempo assim com você? Apesar de, particularmente, eu não acreditar nisso, se ela sabia do seu segredo e mesmo assim continuou com você, é por que ela te AMA!!!

- Ela disse que me ama, mas que não dava para superar o que eu disse, eu não sei mais o que fazer, eu não queria que ela sofresse, eu não sei o que seria de mim, se ela tivesse morrido.

Miriam, que estava cada vez mais exaltada, de repente suspirou e se sentou, fitando melancolicamente o vazio.

- Se ela morresse, Remo, a sua vida continuaria. Você ia ficar a sua vida inteira se arrependendo de ter dito aquilo para ela, se arrependendo de não poder salvá-la... De ter feito a sua estupidez estragar tudo... Então, você acabaria sozinho e amargurado, preso às lembranças de seu corpo inerte, sonhando com seus gritos desesperados à noite... assim como eu.- a voz da professora não passava de um sussurro quase inaudível.

De tudo que ele já havia presenciado naquela tarde, aquilo foi o que mais o surpreendeu.Ele pareceu enxergar uma nova Miriam Dragonheart, sozinha e frágil, que estava sentada a sua frente. Então, ainda surpreso com a própria atitude, abraçou a professora, que deixou uma lágrima escorrer pelo rosto, e disse:

- Eu devo ir atrás dela? Eu não posso mais me torturar assim?

Rapidamente, ela se desvencilhou do abraço, como se estivesse queimando. Ele assustou-se com a mudança dela, mas não disse nada. Ela endireitou suas costas, e retomou sua voz habitual, como se nada tivesse acontecido. Remo não pode deixar de notar que seu rosto agora parecia mais amargo do que nunca.

- É óbvio que você deve ir atrás dela. E você vai AGORA. EU posso retomar a lição com você quando você voltar, mas você não pode deixar isso passar. Abraçe-a, beije-a, implore por perdão... Antes que seja tarde demais para você, Remo...

- Mas eu não sei onde ela está...

Miriam suspirou novamente, mas desta vez, com impaciência.

- Procure pelo mundo inteiro, revire cada país... Mas encontre-a! Se você quiser, eu arrumo as malas agora mesmo, e vou com você.

Ele surpreendeu-se novamente, ante a proposta dela e disse, um pouco envergonhado:

- Eu gostaria que você fosse comigo professora, eu acho que irei mesmo precisar da sua ajuda, se nós não tivéssemos tido essa conversa, eu estaria até agora pensando o que teria acontecido se eu não tivesse ido atrás dela.

Miriam deu seu raro meio-sorriso, e foi saindo da Arena, dando sinal a Remo para acompanhá-la.

Remo seguiu-a, envolto em novas esperanças.

Ao chegar no portão, Miriam parou, abruptamente. Encarando Remo com uma tamanha intensidade que o fez tremer, ela disse:

- Agora, vamos para meu apartamento. Mas eu juro pela minha Sofie, que se você contar o que viu lá, você não vai sair vivo.

Ele concordou com a cabeça, pensando no que veria no apartamento da professora e quem seria a tal Sofie.

Ao chegarem no apartamento de Miriam, Remo não notou nada de anormal nos bem-decorados aposentos, até que Miriam exclamou a altos brados:

- Pode vir, Theo, ele está sob juramento. É urgente!

De repente, vindo do nada, uma estranha criatura apareceu, voando pela sala postando-se ameaçadoramente ao lado de Miriam. O queixo de Remo caiu. Diante dele, ele viu um réptil enorme e preto, que chegava a ser um pouco mais alto do que a professora. Seu corpo era inteiro escamado e preto, e enormes espinhos prateados cresciam por toda a extensão de seu longuíssimo rabo e suas costas, só parando à altura do pescoço. Suas pernas e braços musculosos terminavam em enormes garras prateadas, mas o que mais assustava na criatura eram os seus olhos prateados que brilhavam levemente, encarando Remo com uma extrema desconfiança, e a sua bocarra entreaberta, por onde brilhavam presas prateadas. A criatura não era de um todo feia - podia-se até enxergar uma certa beleza em seus traços, mas, sem dúvida, a criatura impunha um enorme respeito, até mesmo pavor, em quem o via pela primeira vez. A criatura era obviamente mágica, e, ficou imediatamente ficou claro para Remo do que se tratava a criatura: era um dragão, e com certeza era ilegal. Afinal, o ministério nunca permitiria que um animal daqueles vivesse em um apartamento...

Remo encarou o dragão ao lado da professora:

- Meu Deus, isso é um dragão!!!- sem poder conter uma exclamação, Remo recuou alguns passos para trás, quase encostando na parede

Miriam encarou e riu, como quase nunca fazia, dizendo em seguida:

- Este aqui é Prometheus, e, sim, ele é um dragão.

E, para a surpresa maior de Remo, o dragão abriu a enorme bocarra, e falou, em uma voz estranhamente grave e rouca:

- E onde estão as suas maneiras, garoto... Diga pelo menos um olá...

Remo, ainda surpreso, e gaguejando disse:

- Oh .. oh .. olá. Re-Re-Remo Lupin.

Em um movimento brusco, o dragão voou até ficar a poucos centímetros da cabeça de Remo, seus enormes dentes brilhando mais do que nunca.

- Miriam me falou de você, Lobisomem... E dizem que lobisomens tem carne bem

macia...

Remo tentou ir mais para trás, mas somente encontrou a parede, então Miriam olhou para o dragão e disse, um pouco ranzinza:

- Pare de assustá-lo THEO... Não estamos aqui para brincar...

A contragosto, o dragão voltou para seu lugar aos pés da professora, para o alívio de Remo. Mas ele não pode deixar de estremecer em pensar na idéia que a criatura fazia de brincadeiras...

O dragão disse, sarcástico, :

- Qual é o problema, Miriam? A tempos eu não vejo você nesse estado.

Ele ia continuar a falar, mas calou-se imediatamente diante do olhar grave de Miriam.

- Temos que achar alguém, Theo... É realmente muito importante.

- O LOBISOMEM se meteu em confusão e precisa de sua ajuda? Você está realmente me surpreendo Miriam seu coração está amolecendo de novo? Isso não é do seu feitio.

- Ah, agora eu entendi..- Miriam fitou a criatura maliciosamente. -Você está com ciúmes, Theo...

O dragão ficou irritadíssimo, e apenas bufou, e um leve calor encheu a sala.

-E- eu...

Remo olhava o dialogo dos dois, pasmo.

- OK, Miriam, você venceu. Mas você nunca, nunquinha, trouxe um HOMEM para cá...

E, de repente, o dragão pulou para cima de Remo, fazendo-o bater a cabeça com força no chão.

- Quais são as suas intenções para com MINHA Miriam?

-THEO, PARA COM ISSO, AGORA!!!

Rápida como um raio, Miriam correu até onde estavam os dois e puxou o enorme lombo negro do dragão obrigando-o a sair de cima de Remo.

Ela jogou-o no chão, e imediatamente pulou em cima dele, imobilizando a criatura com as mãos enluvadas.

-Você sabe que eu não faria isso... Nem que eu quisesse, não conseguiria...

Remo não estava atento a conversa, ainda deitado no chão questionava-se se havia feito a coisa certa ao pedir ajuda para a professora.

Deixando o dragão estatelado no chão, Miriam estendeu a mão para o aluno e ajudou-o a se levantar.

- Me desculpe por ele, Remo... Ele não está muito acostumado com pessoas estranhas...

Remo aceitou a mão de bom grado.

-Mas não se preocupe com o dragão, ele pode ser muito útil... E, também, você é o primeiro homem que pisa neste apartamento desde que eu me mudei para cá...- disse ela, um tanto quanto sem-graça.

E, virando-se para o dragão, Miriam abaixou-se e começou a falar em uma língua estrangeira com ele, que Remo identificou como sendo alemão.

Por alguns minutos, ela continuou falando, com eventuais respostas do dragão. Apesar de não estar entendendo nada do que era dito, Remo prestava atenção na conversa dos dois. Depois de algum tempo, o dragão pareceu finalmente ceder, e dirigiu-se a Remo, emburrado:

- Tudo bem, eu vou te ajudar. Mas você não vai encostar nem um dedinho na MINHA Miriam.

-Muito bem, agora vamos parar com o falatório, e partir para a ação.

Miriam buscara uma mala na sala, e tinha um pergaminho nas mãos.

-Vou mandar um bilhete para o Diretor da Escola de Aurores dizendo que eu não estou muito bem... E entre na mala, Théo.

Obdientemente, o dragão se espremeu na mala, que era magicamente ampliada e parecia ter sido feita para o uso da criatura, e, assim que Miriam voltou, ela se encaminhou para a lareira.

Mirian jogou o pó de flú na lareira e Remo seguiu-a, logo os dois se encontravam no apartamento onde ele morara com Linny.

Remo não pode deixar de ficar mais triste ainda ao ver novamente o apartamento. Seu cheiro, suas coisas, tudo lembrava a ele sua namorada. Ou seria sua ex...

Miriam percebeu o olhar dele e disse, tentando confortá-lo:

- Não se prenda a lembranças. Elas só trazem dor e saudade. Ninguém vive feliz no passado...

-Você sabe se ela deixou algum bilhete, alguma coisa pela casa?

Abafada pela mala, a voz de Prometheus podia ser ouvida. Remo parou, esperando ouvir a voz do dragão.

-Muito bom, Theo, começou bem- Miriam deu um tapinha amigável na mala, e, dirigindo-se a Remo, falou:

-Não tem mais ninguém por aqui, não...

- Ela não deixou nada, apenas uma pessoa deve saber onde ela está, ela é esperta demais para dar pistas do seu paradeiro. - Remo disse.

-Quem- imediatamente, o dragão saiu da mala, chegando novamente perigosamente perto do rapaz.

- Provavelmente Sirius ou Lily, mas deve ser Sirius, Lily não aprovaria que ela fugisse sem a permissão de Dumbledore. Mas ele nunca contaria.

-Black.- Miriam fez uma careta de desgosto.

Remo observou a reação da professora e encarou o dragão, esperando por alguma idéia.

- Bem, diante disso, temos duas opções:

Theo se equilibrava na ponta do rabo, e segurava uma balança imaginária.

-OU nós vamos falar com ele, diretamente... ou eu vou aterrorizá-lo um pouquinho.

-Então não temos opção- com um suspiro, Miriam voltou-se para o dragão.

Remo suspirou, de volta ao ponto de partida. Nada.

-Vamos agora mesmo falar com Black.

Miriam consultou seu relógio de pulso.

- As aulas já acabaram. Ele costuma ir para casa depois?

- Depende, às vezes ele tem que ir pro ministério.

-Então reze para ele estar em casa.- Miriam pegou a mala novamente, fazendo sinal para o dragão.

E, novamente pela lareira, os dois foram em direção ao apartamento do maroto.

Por sorte Sirius estava em casa e ficou surpreso ao ver os dois em sua porta. Direta, Miriam tomou a dianteira.

- Black, você sabe onde está Linny?

Sirius disse:

- Não.

-Ela te disse alguma coisa antes de ir...

- Não. - Sirius disse sem querer entregar a amiga.

De repente, para o enorme espanto de Sirius, a mala que estava ao lado de Miriam se mexeu incomodamente.

Sirius olhou e disse:

- O que é isso? Eu acho melhor vocês irem, já fizeram o que vieram fazer.

- Black, isso é sério.- a voz de Miriam não passava de um sussurro.

- Você sabe onde ela está, e com certeza ela te disse para não contar a ninguém. Mas, por favor, eu não quero ser violenta com você.

- Eu acho que a senhora não é a melhor aqui pra dizer o que é sério ou não. - Sirius disse. Eu não tenho medo de você, professora. E se ela tivesse me dito, eu não contaria para você e nem pro Remo, por que ele traiu a minha confiança e a dela.

Por um momento, ela fechou os olhos, mordendo seus lábios.

E, de repente, Remo sentiu uma voz estranha e sussurrante dentro de sua cabeça.

- Me deixe sair... Eu cuido dele...

Remo não queria deixar o dragão sair, mas algo o impeliu e ele abriu a mala, deixando que Theo aparecesse.

Mas, ao invés de sair de lá uma criatura lacerticínea do tamanho de um homem, prorrompeu de lá uma criatura enorme, que tinha que se abaixar para não perfurar no teto.

Com pavor estampado nos olhos, Sirius recuou para a parede. Com um movimento brusco de sua enorme mão, o dragão pressionou Sirius contra o chão, e chegou com a cabeçorra perigosamente perto do rapaz, os enormes dentes a mostra.Evidentemente, a criatura estava com raiva.Theo mal conseguia falar entre bufos indignados, mas, mesmo assim, com clareza, ele proferiu sua ameaça:

- Você é quem não sabe o que é sério, garotinho. Eu já tinha mil anos nas costas bem antes de você nascer, e eu não admito que você fale assim com ela!! Eles estão tentando ajudar esta garota, seja ela quem for, e você só está prejudicando a ela e a todos.Você nunca ouviu a palavra perdão, ou arrependimento... ME RESPONDA!

Agora o dragão estava realmente furioso, seus olhos faiscavam, e centelhas de fogo saíam por suas narinas. Sirius tentou não demonstrar medo, e disse:

- Ela será muito feliz sem que ele apareça pra fazê-la sentir-se mal, pra humilhá-la, pra machucá-la. Você não viu como ela estava, o que sentiu, não viu nada. Então não me peça pra trair a confiança dela.

- Mas você não viu como ela ainda sofre... ainda agora, pergunte-se onde ela está... está sofrendo mais do que nunca, garoto...

- Você não entende nada de sentimentos humanos, bichinho de meia tigela.

Mas, ao invés de urrar, como Sirius esperava, o dragão sussurrou em seu ouvido, sua voz transbordando em veneno:

- Mas você ainda pensa nela, não é... Essa arrogância destruiu o que havia entre vocês dois, mas você ainda sonha com ela... Se não há esperanças para você e Narcisa, deixe pelo menos eles serem felizes...

- Você não sabe nada sobre Narcisa, nada. E eu posso fazer Linny bem mais feliz como amigo dela do que Remo, eu nunca vou desapontá-la como eu desapontei Narcisa, mas agora eu tenho Dynha e a amo mais que tudo. Não será da minha boca que você saberá onde Linny está.

- Na defensiva agora... Isso dói, não é - com um sarcasmo cortante, o dragão percebia que se saía cada vez melhor.

- CHEGA!! - Sirius explodiu, essa é minha casa, e eu não quero mais vocês aqui, vão embora. - ele disse, lutando para sair de baixo das garras do furioso dragão. Quando finalmente se desvencilhou, ele empurrou-os para fora, batendo a porta na cara dos três. - E eu não vou contar, dragão insolente, eu nunca vou trair minha amiga.

As veias do dragão pulsavam com ódio, e seus dentes estavam arreganhados, mas ele simplesmente olhou para Miriam, como se esperando o sinal parar atacar.

- Debulhar os podres dos outros na frente deles é golpe sujo, Theo...- como se nada tivesse presenciado, Miriam olhava para o dragão com um olhar reprovador.

Lentamente, como um balão que se esvazia, Prometheus foi diminuindo de tamanho, ao mesmo tempo que se acalmava.

- É melhor irmos. - Remo disse. - Não vamos conseguir nada aqui. Sirius é o maior cabeça dura que eu já vi.

- Espere...- de repente, Miriam empacou. – O Black não tem uma namorada, que ele berrou para Theo, uma tal de Dynha? Com certeza ela deve saber...

- Pode ser. - Remo disse.

- Podemos perguntar a ela... Ela deve entender... - Miriam andava de um lado para o outro, pensativa.

- Ela trabalha no Profeta Diário – Remo disse.

- E ela chega tarde- agora em sua forma habitual, se é que alguma forma de dragão seja habitual, Theo se intrometeu na conversa.

- Mas VOCÊ vai ficar quietinho na mala, ou vamos acabar tocando fogo neste prédio... -disse Miriam, apontando para a mala, que ainda trazia consigo.

- Uf! Certo, Mimi, se você diz. - Theo disse provocando com o apelido babaca.

- Ótimo.- disse Miriam, em tom conclusivo. Bem, você pode ir até a redação do Profeta, Remo, e chamar a Dynha.

- Uhm.. pode ser. - Ele aparatou em seguida no Profeta Diário.

E voltou algum tempo depois com Dynha, ela e Miriam pareceram se estranhar, mas a professora disse:

- Eu não sei se conheço você, mas, você realmente precisa ajudar Remo... ah, me desculpe, esqueci de me apresentar... Miriam Dragonheart, e com certeza, seu namorado deve ter dito horrores sobre mim...

Dynha não disse nada, apenas encarou a mulher,e respondeu, irritada:

- EU não estou entendendo isso, e não quero entender. Eu não acredito nisso Remo, eu confiei em você quando você disse que Sirius estava mal, e por raios e trovões o que essa mulherzinha está fazendo aqui?

Miriam respirou fundo, parecendo demorar um pouco para absorver tudo o que fora dito.

Ela lançou um breve olhar para Remo, como se dissesse 'O que você andou aprontando", e, em seguida, disse.

- Não espere me atingir com isso, já fui mais pisada do que qualquer pessoa possa imaginar... Mas o que Remo disse não é de todo mentira.

- Eu não quero saber e tenho esse direito. – Dynha retrucou.

Ela lançou um olhar desesperado para Remo, como se procurando ajuda, mas, de repente, se fez luz em sua cabeça

- Eu não estou namorando Remo, se é o que você está pensando. Estamos justamente aqui por causa de Linny...

- Não era isso que eu estava pensando. - Dynha disse, tentando disfarçar que a mulher adivinhara exatamente o que ela estava pensando. Eu só não quero ajudá-la. Miriam Dragonheart de Colônia.

- Voc-você não tem parentes na Alemanha, tem?

Pela primeira vez na vida, Remo pode entrever um pouco de medo na voz da professora.

- Meus pais possuem uma rede de hotéis, incluindo Colônia, eles conheceram os seus pais.

- Não os Fontanetti...- a face de Miriam se contorceu em uma careta de desgosto.

- Os Fontanetti sim. Meus pais.

- Então eles devem ter dito horrores a meu respeito...- ela deu um meio-sorriso derrotado

- Mas até que ponto você acha que as histórias são verdadeiras.? Remo ouvia Theo praguejar baixinho na mala, e começou a ficar realmente curioso. Afinal, o que ela estava querendo dizer com tudo isso?

- Eu não sei. Apenas ouvi dizerem que eu não devia ser como você.

- Sim, sim... Eu devo ter virado uma espécie de lenda por lá... - a voz da professora estava mais cansada do que nunca.

E, falando mais para si mesma do que qualquer outra coisa, murmurou

- Mas com ELE não aconteceu nada...

- Na verdade ele está divorciado, trai-a a esposa e ela desmascarou-o publicamente a uns dois meses.

- Faz bem o feitio dele. - Remo se assustou com o ódio que pode perceber na voz de Miriam, mas,como sempre, permaneceu calado.

- Mas para a nossa querida sociedade hipócrita, é bem mais fácil citar o exemplo da vadia irresponsável e imoral, que, como castigo, acabou na sarjeta, amaldiçoada do que aquele...

- Bom. Eu acho que não estamos aqui só pra isso. - Dynha desconversou ante o ódio da professora.

- Sim. - ela pareceu se recompor, respirando fundo - Estamos aqui para procurar Linny.- ela meneou com a cabeça para Remo.

- E o que te leva a pensar que eu te direi onde ela está?

- A mesma lógica que leva alguns a acreditar que existe o perdão. A mesma lógica que me leva a acreditar que ainda existem pessoas que cometem erros neste mundo, e que querem consertá-los.

- Eu até poderia contar, mas Sirius me mataria.

- Se ele souber disso, ele pode te matar, mas e se ele não souber?

- Você não contaria?

- Eu dou a minha palavra de honra que nunca contaria isso para ele.

E, ante a expressão estranha na cara da garota, continuou:

- Mesmo que muitos acreditem que eu não tenho honra nenhuma, você pode confiar em mim.

- Certo. Eu vou contar. Ela está em Roma, num dos Hotéis da minha família.

- Os olhos da professora se iluminaram, e ela deu um de seus raros sorrisos.

- Muito obrigada mesmo, Dynha, e, não se preocupe, nem que eu quisesse contar, seu namorado não iria nem querer olhar para a minha cara... - ela estava prestes a se virar para ir embora, quando, de repente, ela se lembrou de uma coisa.

- Ah, sim, e você poderia transmitir um recado?

- Que recado?

- Se encontrar meus pais, o que deve acontecer se você for a Colônia, diga a eles que, infelizmente, eu ainda estou viva

- Eu avisarei seus pais. Confie em mim.

- Ok...- disse ela, e, sem dizer mais nada, se

virou e saiu.

/-/-/-/-/-/-/-/

Assim que eles saíram do prédio para a rua movimentada, Miriam se virou para Remo, e disse:

- Bem, então o que temos a fazer agora é ir para o Subterrâneo Bruxo e pegar um trem para Roma. – ela concluiu energicamente, enquanto caminhava pela rua a passos largos.

- Certo, como fazemos isso?

- Eu não acredito que você nunca pegou um trem? - Miriam parou e ergueu as sobrancelhas, virando-se para Remo.

- Claro que já peguei, mas nunca no subterrâneo.

- Olha, é o seguinte: para não ter perigo de se aparatar em países estrangeiros, existe uma rede subterrânea de trens, com a velocidade magicamente ampliada, é óbvio, que vão de um país ao outro.

- Interessante. Vamos?

- Agora mesmo!- ela continuou a andar, até que chegaram à um beco imundo, onde só havia uma estação de ônibus desativado e em pedaços.

Miriam tocou a parede e, da dentro da estação de trem um buraco surgiu, revelando um elevador onde eles entraram.

Quando este parou, eles entraram em uma enorme plataforma, cheia de trens em diversas cores, onde vários bruxos iam de um lugar para o outro. Os dois se dirigiram á um guichê, e, antes que Remo pudesse sequer piscar, Miriam tomou a palavra.

- Eu quero duas cabines para o próximo trem para Roma.

- Tem certeza que são duas, mocinha? – o velho atendente disse.

- Sim, duas cabines. Separadas- ela sublinhou a última palavra, um leve tom de irritação começando a surgir em sua voz.

- Mas eu não tenho duas cabines.

Ela fechou os olhos e mordeu os lábios, e virou-se para Remo.

- Por mim não há problemas professora, eu prometo não fazer nada.

E, como um novo suspiro, ela disse:

- Tudo bem. Ficamos com esta.

- Certo. Divirtam-se!

Remo viu Miriam agarrar o cabo de sua varinha fortemente dentro de seu bolso, mas, graças a Merlin, ela não fez nada.

Theo se sacudia de tanto gargalhar na mala, o que só aumentou a irritação da professora

- SEU RÉPTIL ESTÚPIDO, PARE DE RIR AGORA!!!!- e ela deu um chute na mala, fazendo várias pessoas olharem espantadas na direção dos dois.

Remo sorriu envergonhado, e disse:

- Ela me adora, o que eu posso fazer? - as pessoas desviaram os olhos e começaram a rir.

Miriam emburrou-se e seguiu em passos rápidos para o trem.

/-/-/-/-/-/-/-/

Ao chegarem na dita cabine, o humor de Miriam, se é que era possível, piorou ainda mais: Tratava-se de um aposento realmente MINÚSCULO, apenas com espaço para uma cama de casal, um espaço para as malas, e uma portinha que dava para um banheiro. Cansada, Miriam Jogou-se na cama.

Theo começou a rir.

-Pare de rir agora, Theo...- Miriam disse ameaçadoramente, apesar de sua cabeça estar enterrada no travesseiro.

Remo inesperadamente também começou a rir, e Miriam ergueu a cabeça do travesseiro, irritada.

- Qual é a graça?

Remo não conseguia responder, apenas ria mais ainda.

Miriam já estava começando a ficar vermelha, e olhava do dragão para o lobisomem, extremamente irritada.

- Alguém neste mundo pode me dizer por que os "madamos" aqui estão rindo?

- A situação. - Remo disse entre risos, ainda maiores acompanhado pelo dragão.

Miriam jogou suas mãos para o céu, como se pedindo clemência.

- Meu Deus, o que foi que eu fiz de tão mau assim para merecer isso...

- Você não devia dizer isso Miriam, você nunca se diverte, divirta-se agora. - Theo disse, ainda rindo.

- Me divertir, não é - disse ela, sorrindo marotamente.- então tome!!!- e jogou o travesseiro com toda a sua força na cara do dragão, que o acertou em cheio e o fez cair no chão.

Remo gostou da brincadeira, estava afim de relaxar um pouco, jogou então mais uma almofada na professora.

- Ah é...- -ela pegou uma outra almofada ao seu lado, e logo os dois humanos e o dragão estavam envolvidos em uma sangrenta guerra... de travesseiros.

-Ei, jogar com o rabo não vale!!!- bradou Miriam, ao se desviar de uma almofada certeira, lançada por Theo.

Remo se atirara na cama, em toda confusão e agora respirava com dificuldade, nem se lembrando da antiga Miriam.

Alguns minutos depois, os três se sentaram na cama, ofegantes e suando (a não ser, claro, o dragão, que não suava).

Miriam encarou Remo e a cama, depois o chão, e a cama de novo, surpreendendo-o de novo, e disse:

- Quem vai dormir primeiro, você ou eu?

- Os dois, e eu fico de guarda,. e não me venham com cara feia, eu não me importo onde durmo e o lobisomem deve estar bem pra garota dele, e você Miriam tem que estar bem pra alguém olhar pra vocÊ. – Theo disse.

-Theo - Miriam o repreendeu - acho que você se esqueceu da parte do espaço, temos aqui uma cama de casal.

- Miriam eu acho que, mesmo que você quisesse, o senhor aqui não ta interessado em você, e não tentaria nada.

- Miriam fuzilou o dragão com o olhar e lhe disse alguma coisa em alemão, o que deixou Remo mais confuso ainda.

Ao fim de uma discussão de alguns minutos, o dragão parecia ter saído vitorioso, e, por fim, Miriam dirigiu-se a Remo.

- Certo, mas não tente nada Lupin, eu vou estar alerta.

Lentamente, Theo veio flutuando até Remo, sussurrou:

- Sim, sim, ela é paranóica com isso, não é você não...

Remo sorriu sem graça e disse:

- Professora, façamos o seguinte, Theo fica no meio de nós dois.

Tudo bem.- e, lançando um olhar desconfiado aos dois, deitou-se na cama, sem cerimônias, e virou-se para o lado.

Com um sorrisinho, o dragão se esticou inteiro no meio da cama, e, com a ponta do rabo, apagou a luz.

/-/-/-/-/-/-/-/-/

No outro dia ...

Remo acordou com o sol batendo em seus olhos. Sem saber direito onde estava, ele tentou se espreguiçar, mas notou que havia algo que o segurava. Algo frio e forte estava envolvendo seu braço,e, apavorado, Remo viu um enorme espinho de prata a sua frente. Totalmente assustado, ele pulou da cama. Para dar de cara com uma cena um tanto quanto... diferente.

Miriam dormia a sono solto, seus cabelos se espalhando por todo o travesseiro. Inconscientemente ela se abraçava a Prometheus, o dragão, que também dormia, e sua cauda havia se enroscado em Remo enquanto ele dormia.

Com o pulo de Remo, o dragão acordou. Delicadamente ele se desvencilhou dos braços da mulher, e deu um enorme bocejo, expondo seus dentes prateados e sua língua bifurcada.

- Dormiu bem?- perguntou ele, baixinho, para não acordá-la.

- Ah ... ah .. acho que sim.

- Ela parece outra pessoa quando dorme, não é... -ele olhava com uma expressão doce para Miriam.

- É ...

E, realmente, ela não lembrava nada a professora autoritária e amargurada que ela era. Sua expressão se suavizara, e ela tinha um sorriso estampado nos lábios.

- Deve estar sonhando com Sofie...- murmurou o dragão para si mesmo, fitando a professora com pena.

- Quem? - Remo perguntou tomado por uma onda de curiosidade.

Theo lançou a Remo um olhar severo.

- Sofie era alguém muito importante para Miriam. E ela não gosta de falar nisso. Aconteça o que acontecer, nunca, ouviu, NUNCA lhe pergunte quem era ela. Talvez você não entenda este seu modo estranho de agir, mas ela foi duramente traumatizada. Não gosta que toquem nela... Raramente sorri... Nunca chora...- o dragão continuava a fitar sua

"dona", com uma expressão triste. - Não confia em homem algum...

- Por que?

-Todos os homens com quem ela cruzou a fizeram sofrer. Se ela é amarga e ranzinza, é por causa deles.

- Ela não consegue olhar para a sua cara, ou de qualquer outro, sem pensar nos homens que arruinaram a sua vida. Tudo que ela já amou foi tirado dela bruscamente... E eu temo que ela não vá amar nunca mais.

Remo parou quieto e encarou o dragão por algum tempo.

- Mas não comente isto com ela, Remo.- era a primeira vez que o dragão falava o seu nome.

- Certo.

- Bem - disse ele, suspirando, e retomando seu tom brincalhão - agora vamos á parte mais difícil. Acordá-la sem sair aleijado...

Remo riu um pouco, e encarou o dragão.

- Você ri agora, mas ela nunca tentou te estrangular antes, não é...

- Não e espero que nunca tente. Mas com o seu tamanho você não deveria ter medo, Dragãozinho.

- Ah é... Então tenta você acordar ela.

- Não obrigada, não pega bem para um homem comprometido.

- Sempre sobra para o dragão- murmurou ele, emburrado. E depois, como se estivesse pisando em um campo minado, se dirigiu até a cama onde a professora dormia.

Remo observou o cuidado do dragão para acordar a professora.

- Miriam...- falou ele, baixinho, a princípio. MIRIAM!!!!-ele gritou no ouvido dela, mas ainda sim não surtiu efeito. Vamos lá. você está sendo observada... Estamos em um trem, indo para Roma, e tem um aluno seu te olhando...

Miriam não se movia. Remo disse:

- Professora Dragonheart, Remo Lupin, estou aqui lhe esperando.

De repente, Miriam se moveu. E, para o desespero do dragão, sua mão voou até seu pescoço escamoso.

Remo se aproximou rapidamente e tentou soltar as mãos do pescoço do dragão.

- Reações.. violentas... inconscientes...- Theo olhava para Remo, desesperado.- cuidado com o seu pescoço... -Miriam, é o Theo... por favor... me...solta...

E, assustando Remo profundamente, Theo começou a urrar. Remo encarou, encarou e pensou em fazer algo. Mas ficou parado,

sem fazer nada. Já quase morrendo sufocado, Theo chicoteou seu rabo espinhento na mão de Miriam, o que a fez largar pescoço da criatura e olhá-la com seus profundos olhos azuis. Respirando com dificuldade, o dragão se aprumou.

- Eu não disse...

Ambos ficaram alguns minutos em silêncio, quando de repente, as cobertas se mexeram, e, lentamente, Miriam emergiu de lá, com o cabelo todo bagunçado e os olhos entreabertos.

- Estou realmente me sentindo uma ave rara por aqui... Por que estão todos me olhando assim...

Remo caiu na risada e Theo olhou irritado para ele.

- Digamos que você tem hábitos estranhos para acordar, professora. - Remo falou.

- Só então que a professora percebeu que sua mão sangrava, e que Theo massageava seu pescoço, fuzilando-a com o olhar.

-Ah Theo, eu fiz isso de novo...- disse ela, dando seu tão característico meio-sorriso. – por quanto tempo eu apertei o seu pescoço??

- O suficiente par ame deixar sem ar- disse ele, ainda emburrado.

- Céus, a quanto tempo eu não dormia tão bem – Miriam disse.

Remo sorriu e todos arrumaram-se para ir embora. para ir embora.

/-/-/-/-/-/-/-/

Você se importa de carregar o Theo agora, Remo? - Miriam estendeu a mala para o rapaz. - eu não devia ter dado ovos mexidos a ele... parece mais pesado do que nunca!!!!

- Claro - Remo disse pegando a mala. – você sabe onde ela tá?

- Bem, Dynha disse que ela está em um dos hotéis da família dela. É só achar gente me olhando feio e você vai saber que é ali.

- Certo. Hóteis Fontanetti, que tal se a gente comprasse um guia da cidade? - ele disse apontando uma pequena banca.

- Você tem dinheiro?

- Algum.

-E... você fala italiano?

A mala tremia com as gargalhadas abafadas de Theo.

- Nada que uma mágica não possa resolver, não me diga que a senhora não conhece nenhum feitiço de entendimento múltiplo?

-Ih... só se eu aprendi isso na escola, eu acabei esquecendo- Miriam suspirou, e deu de ombros

- Certo. Eu falo italiano, mas não me pergunte por que. - Ele disse.

- Por que? - perguntou ela, provocativa.

- Não tenho por que contar, você não me conta nada.

- O que você já me perguntou?

- Nada, mas fiquei curioso sobre a Alemanha.

- Bem, eu nasci lá... Apaixonei-me... e engravidei. Quando soube disso, meu pai me expulsou de casa, e me amaldiçoou. Eu não poderia estar sob o mesmo teto que um parente meu, sem que meu pai permitisse. Até hoje as mães amedrontam suas filhas com o meu nome. Dizendo: "cuidado com ele, ou você quer acabar como Miriam Dragonheart?".

- Desculpe, professora. Bom eu sei italiano por que minha família tem origens italianas, apesar de minha mãe ser escocesa. E eu fui obrigado a aprender italiano, mas se quer saber, eu odeio isso aqui.

Ela riu brevemente.

- As pessoas ficam um pouco chocadas quando sabem do que aconteceu comigo.

- Além de haver uma maldição com os Lupin, os guardiões da magia, provavelmente você deve ter ouvido falar algo assim.

- Entreouvi algumas coisas nos bares em que fui...

- Conte-me talvez eu consiga esclarecer o pouco que sei sobre isso.

- Falavam sobre fadas e tempos antigos... Mas eu estava mais ocupada em evitar que a minha cabeça fosse estourada do que nos boatos.

- Tem haver com um juramento feito por antepassados e com fadas, mas eu não sei muito dessa história, apenas sei que um dos filhos de qualquer casal com sangue Lupin nasce com poderes para guardar uma magia poderosa, que eu não sei o que é.

- Mas agora, vamos nos preocupar com coisas úteis. Afinal, se demorarmos tanto, ela vai acabar se mudando.

Assim, os dois se dirigiram para a banca e compraram o mapa da cidade.

O hotel ficava no lado oposto de onde eles estavam e Remo disse que eles poderiam pegar um táxi, ele pagava.

- Estou me sentindo uma inútil aqui- murmurou Miriam, assim que eles entraram no carro e o motorista perguntou o destino dos dois.

- Por que, professora? - Remo perguntou, depois de avisar para onde queriam ir.

- Ora... Você fala italiano. Você paga o táxi.Você está carregando o Theo... E eu estou de inútil aqui...

- Quem fez Sirius morrer de medo? Quem fez Dynha contar a verdaDE? Quem enfrentou seus medos, nem que seja um pouquinho? Eu acho que nós dois estamos aprendendo algo.

- Ok... ok... Chegamos. Agora, respire fundo, e tente não se estressar demais.

- Vai ser difícil. Você desce comigo?

- Ok... ok...Só não sei o que ela vai pensar quando te vir acompanhada. Então vamos?

- Não vejo por que ficarmos aqui enrolando - ela abriu a porta e saiu.

Remo seguiu-a, chegou ao balcão e foi informado que Linny se encontrava na cobertura.

- Bem, eu posso subir com você. Mas você vai ter que entrar lá, e eu espero do lado de fora.

- Certo

- E, qualquer coisa, eu compro um caixãozinho bem bonito para você.

O elevador subia lentamente e o nervosismo e Remo só aumentava. Ele ficou mais nervoso com o comentário da professora.

- Theo se mexia na mala, mas, ao invés de rir, ele disse apenas: Boa sorte, garoto. Se precisar, é só chamar....

- Okay.

Remo bateu na porta e Linny atendeu depois da segunda batida, ela olhava para ele,e disse, nervosa:

- Saia da minha frente, Remo Joseph Lupin!

- Viemos até aqui para ela nos dizer isso!- Theo falou, ainda de dentro da mala, para Miriam, que estava do outro lado do corredor.

- Cale a boca, Theo. Eles ainda vão se acertar...-ela sussurrou, sem ser notada por Linny.

- Eu não vim até aqui pra isso, você vai me deixar entrar ai, calar a boca e me escutar, e se não for por bem vai ser por mal. - ele disse decidido. - Eu tenho ajuda.

- Olha lá, ele está nos chamando- Theo forçava o cadeado mágico da mala, inquieto

-E depois era você quem não queria ajudar. - Miriam sussurrou, chutando de leve a mala.

Ela abalou-se, mas voltou a pose inicial:

- Pois traga sua ajuda,nem Merlin, nem minha Senhora Rowena, minha parente permissão que você entre aqui.

-Então venha você aqui fora!!!- berrou Theo, antes que Miriam pudesse contê-lo.

Linny assustou-se, e gritou para o corredor:

- O que é isso, Remo? Eu vou matar Sirius, aquele idiota sentimental que contou onde eu estava.

- Eu quase o esmaguei e ele não contou!!!- agora, Theo não podia mais ser contido

- Cale a boca ser ignóbil que fala, meu assunto não é co você, mas eu mato quem contou igual.

- Se não tivesse esta maldita mala, eu já estará voando no seu pescoço, humanazinha!!!! – Miriam tremia. A tempos Theo não ficava tão irritado.

- Venha então, eu não tenho medo. Você não conhece o meu poder, Dragão dentro da mala.

Theo rugia e urrava, mas Miriam tinha protegido-na com todos os feitiços que conhecia, e a mala não cedeu.

- Estou cansada, me dêem licença. – Linny virou-se e ia entrar no apartamento, quando Remo irritou-se, e puxou, forçando-a a encará-lo e disse:

- Eu não saio daqui sem falar com você nem que tenha que ser sujo pra conseguir isso, eu vou mostrar como você sente minha falta ele disse.

- E como? - ela perguntou, com sarcasmo na voz.

- Assim. - ele disse, colando seus lábios aos dela de forma violenta e possessiva, impedindo que ela se soltasse.

Remo quebrou o beijo tão rápido como começou, mas manteve a mão no pulso dela, e o sorriso malicioso no rosto ao ver como tão pouco, fizera tanto com ela.

- Me diga, que você não sentiu nada, Linny.

Eu não posso negar que me senti abalada com isso. - ela disse.

- Agora nós vamos conversar, ou eu vou beijá-la novamente.

Miriam apenas observava os dois, nostálgica, enquanto Theo ainda se debatia na mala.

Ainda bem que ninguém me notou aqui- pensou ela.

- Vamos. - ela disse sem resistir mais.

Remo sorriu, entrando pela porta sem nem lembrar da professora.

/-/-/-/-/-/-/-/-/-/

- Fale Remo. Estou a ouvidos. – Linny disse sentando-se numa poltrona próxima.

- ME perdoe. Eu sinto muito. Eu viajei muito atrás de você, eu daria tudo para ficar com você de novo. Você pode me dar essa chance?

- É difícil. Eu já lhe disse.

- E você acha que não é difícil pra mim? Sonhar com você, esperar por você, lembrar de você? Você povoa meus sonhos, minha vida. E quer que eu não faça nada? Eu te disse para morrer, mas se você não ficar comigo, quem vai morrer sou eu.

- Eu .. eu não sei o que dizer. Você me afeta, sua presença me afeta, mas eu ainda sinto que não posso me render, que eu não quero ter a chance de sofrer de novo. –

- Eu não posso prometer que você não vai mais sofrer, mas eu posso prometer tentar fazê-la o mais feliz possível.

- Se só promessas bastassem ...

- CASE-SE COMIGO! Agora, nesse momento, e eu prometo, para sempre, que eu nunca vou te deixar novamente.

- Você nunca me deixou. Você sempre esteve me rondando.

- Então aceite, e eu prometo fazê-la a mulher mais feliz do mundo.

- Você acha que é tão fácil? Simplesmente você vem, pede para casar comigo e eu aceito?

- É. Nós que fazemos as coisas difíceis. Isso pode ser muito mais fácil se você disser uma pequena palavra, apenas três letras.

- Sim...

- Isso mesmo, sim. E eu prometo...

- Eu aceito, mas não faça promessas. Nem tudo pode ser cumprido.

- Você aceita? Você vai casar comigo?

- Vou, vou sim. Por que eu não consigo tirá-lo da minha cabeça, por que eu não consigo esquecer de você. Por que você está marcado em mim de um jeito inapágavel. E não se pode ir contra o coração, eu pelo menos não.

- Eu amo você! – ela disse aproximando-se dela e cobrindo-a de beijos.

- Eu também amo você, seu cabeça dura. – ela disse fugindo de um dos sedentos beijos dele.

E aquilo era o que eles precisavam. Apenas aquilo.

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Enquanto Isso, do Lado de Fora ...

- Me solte agora, Miriam, por favor...

- Só se você me prometer que não vai entrar lá...

-Dou minha palavra de honra.

Miriam soltou o cadeado, e o dragão deslizou pra fora, encostando nela.

- Uhhhh.... O que aqueles dois estão fazendo por lá- disse ele maliciosamente, encarando a porta fechada.

- Não é da nossa conta!- disse Miriam, batendo em seu focinho.- e se falar besteira, eu te tranco na mala novamente!

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No Outro Dia ...

Remo abriu a porta de manha bem cedo e viu a professora dormindo no chão, com Theo ao seu lado. Uma pontada de remorso o atingiu: ele havia se esquecido totalmente da professora!!

Linny saiu em seguida, observando a mulher no chão, e gritou enciumada, acordando a professora:

- REMO JOSEFH LUPIN VOCê VIAJOU COM UMA MULHER ???

- Quem, o que...- Miriam acordou sobressaltada, acordando Prometheus, que imediatamente mostrou os dentes para Linny.

- VOCÊ VIAJOU COM UMA MULHER? FALE HOMEM!

- De repente, Miriam compreendeu o que tinha se passado.

E tentou consertar as coisas.,

- Eu o ajudei a vir aqui. Mais nada.

- Quem pediu sua opinião, mulher? E quem é você?

- Ah, lá vamos nós de novo.... - disse Theo, se enroscando nos pés da dona.

- Posso atacar ela, vai, posso...

- Theo, cale a boca, AGORA!!! OU eu te mando de volta para a mala.

- Me desculpe. Miriam. Miriam Dragonheart e Prometheus sem sobrenome.

- A professora?

- Sim. -disse ela, estendendo a mão enluvada.

Linny aceitou a mão e disse:

- Como essa criatura convenceu-a a vir aqui?

- Qual das duas? - ela deu um meio sorriso.

Linny riu.

- Remo.

- Ah sim. Ele me veio tão despedaçado para a aula, que não conseguia nem segurar a varinha direito.

- Eu deixo você assim? - ela disse, colocando as mãos no rosto dele.

- O que eu posso fazer? Minha vida depende de você. - ele falou, beijando-a rapidamente.

- Parem com a agarração aí que tem idosos no recinto.

- Desculpe. - Linny disse vermelha.

- Theo!!!! -Miriam olhou para ele, indignada. - eu vou te mandar de volta para a mala!!

- Certo, Miriam, eu calo a boca.- disse ele, esticando a língua comprida para a dona.

- Quer tomar café com a gente? – Linny perguntou. - Nós resolvemos voltar hoje mesmo a Londres e preparar o casamento.

- Nossa, já? Bem, vamos lá...

- Mas que nós vamos segurar vela aqui, nós vamos... - já dentro da mala, Theo resmungava.

Miriam fechou a mala com estrondo.

- Eu só espero que não me barrem no restaurante.

Linny e Remo sorriram, e saíram com Miriam e Theo.

/-/-/-/-/-/-/-/

Lá Remo e Miriam se revezaram para contar tudo o que tinha acontecido, com eventuais interrupções de Theo.

Voltaram ao hotel e pegaram as malas, para retornar a Londres.

/-/-/-/-/-/-/-/-/

A música suave enchia o ambiente. Alguns casais dançavam, algumas pessoas conversavam. Remo e Linny dançavam abraçados, sobre o olhar atento de grande parte dos convidados. Era quase impossível de acreditar que após tudo o que ocorrera eles estivessem casando.

Miriam, vestida de preto num canto, envolvia-se nas lembranças de seu antigo romance, ainda surpresa de ter sido convidada para madrinha do casamento.

Sirius dançava perto de Dynha, embalando-a no ritmo da música, mas cada vez que olhava para Miriam, lembrava-se das palavras do dragão. Ele ainda amava Narcisa? Sim. A resposta era SIM. Sempre seria sim.

Lílian sorria abraçada a Tiago, no fim tudo dera certo. Era sempre assim, as pessoas complicavam as coisas, mas no fim tudo se resolvia. O amor resolvia.

Arabelle sorria, enquanto Fábio fazia graça para ela. Tudo parecia tão diferente, tão bom. Inimaginável em meio a uma guerra. Tudo que ela sempre quisera.

Lena conversava um pouco com a Professora Dragonheart, umas das únicas com que se identificava naquela festa. Ela via todos aqueles casais juntos dançando, amando, e sentia falta de Jonas. O homem a quem seu coração pertenceria para sempre.

Remo trouxe Linny o mais perto possível de seu corpo, ele podia sentir os olhos de todos sobre eles, e podia sentir o corpo dela reagindo a seus toques, e podia sentir seu próprio corpo reagindo a proximidade do dela. Ele surpreendeu-a colando seus lábios rapidamente.

Ele havia feito a coisa certa. Ela também.

N/A: Aproveitem esse capítulo enorme, escrito com a ajuda da Lily Dragon. E obrigada pelas reviews.

Próximo Capítulo: Medidas Extremas são tomadas com mais uma assassinato.