Capítulo 37 – Harry Potter
Após um exaustivo dia de trabalho no Ministério e o expediente noturno na Ordem, Tiago Potter finalmente pôde chegar em casa, tomar um banho e passar um tempinho com sua esposa, Lílian... Ou pelo menos era isto o que ele pensava que ia fazer. Ao sair do banheiro, já de pijama e pronto para se deitar, ele encontrou sua esposa encolhida de dor na cama e com uma expressão estranha no rosto.
-Tiago... O bebê... Está vindo... – ela conseguiu dizer, apertando o enorme barrigão com as mãos.
-Merlin! – foi tudo o que ele conseguiu dizer, estupefato. – Merlin! O nosso filho vai nascer! O nosso filho vai...
-Me leve para o St. Mungus logo, antes que eu exploda aqui! – ela vociferou, tirando o marido de seu atordoamento.
Sem perder mais nem um instante, Tiago mandou uma coruja para seu melhor amigo para este avisar os outros, ajudou a esposa a aparatar até o saguão do St. Mungus, e logo ela foi levada até ala da maternidade, com um ansioso e nervoso Tiago correndo atrás da maca flutuante.
Enquanto isso, Sirius Black chegava ao apartamento que dividia com Dynha, também exausto depois de um dia de trabalho, e ansioso para cair nos braços da namorada e esquecer do mundo exterior pelo resto da noite, pelo menos...
Da cozinha saía um delicioso cheiro de macarrão ao molho sugo, e Sirius rumou para lá, sorrindo de orelha a orelha. Ao localizar a namorada, mexendo com uma colher de pau no molho, ele a abraçou por trás, sobressaltando-a.
-De onde saiu toda essa paixão? - Dynha perguntou.
- Hm... Só estava com saudades de você assim... - ele respondeu, virando- a para poder encontrar seus lábios.
-Eu também estava pensando nisso. - ela falou beijando-o.
Pouco a pouco eles começaram a se afastar da cozinha, e quando estavam já caminhando em direção ao quarto, Sirius comentou:
- Você sabia que você fica linda de avental? E ainda mais linda sem ele... - Mas, logo que ele começava a tirar o avental, alguma coisa dura e emplumada bateu em sua cabeça. -Ai! – ele exclamou, virando-se abruptamente para encarar o que quer que fosse: à sua frente voava uma coruja, um tanto quanto atordoada com a queda, trazendo um bilhete curtíssimo, em uma letra apressada, de seu amigo Tiago.
O bebê está nascendo. Vá para St. Mungos e avise o resto do pessoal.
Tiago
Curiosa, Dynha, espiou por trás do ombro do namorado, e, ao ver o teor do bilhete, também sorriu.
-Sirius, vá agora mesmo ao St. Mungus, eu tenho que avisar os outros... E tirar o molho do fogão! – ela exclamou. Sirius assentiu com a cabeça e aparatou para o Hospital.
-Tiago, por favor, entre lá comigo, não me deixe sozinha... – Lílian implorou, segurando com firmeza a mão do marido.
-Tudo bem, amor eu acompanho você... – embora estivesse realmente nervoso, Tiago foi para a sala de parto junto com a esposa, decidido a ficar ao seu lado. Mas infelizmente, sua inexperiência foi maior do que sua vontade: Assim que ele viu o que estava acontecendo com sua esposa, ele não agüentou e desmaiou no meio da sala de parto, fazendo duas enfermeiras mal humoradas carregarem ele para fora, deixando-o na sala de espera.
No momento em que as enfermeiras o deixaram deitado em um dos bancos de madeira de lá, Sirius aparatou, e, ao ver o estado em que o amigo se encontrava, não conseguiu conter o riso.
-Enervate! Pontas, meu amigo, o que você está fazendo aqui dormindo?
-Hã? O que? A Lily! Sirius, o meu filho está nascendo!
-Sim... E você está tirando uma sonequinha enquanto isso? – Sirius disse em um tom de troça.
-Não, eu... – de repente, Tiago pareceu extremamente desconfortável. – e-eu acabei desmaiando...
Ao ouvir isto, Sirius desatou a rir.
-Você desmaiou? Eu não acredito... É, pelo jeito sou eu quem vai ter que acompanhar a sua esposa no parto... – Sirius disse, e foi andando com passos imponentes até a sala de parto... Para ser carregado inconsciente pelas mesmas enfermeiras de volta para a sala de espera cinco minutos depois.
Após ser reanimado com um feitiço executado por Tiago, Sirius arregalou os olhos.
-Você tem razão, Pontas... Eu não sei como as mulheres agüentam isto! É horrível! Elas são verdadeiras heroínas!
Assim que disse isto, ouviu-se um grito de dor vindo da sala, e Tiago deu um pulo na cadeira, agonizado.
-Ai meu Merlin, o que estão fazendo com ela... Eu vou tentar entrar de novo!
-Para desmaiar de novo? Isto só vai piorar as coisas! – disse Sirius, obrigando o amigo a se sentar novamente. – Vamos lá, espere aqui que logo a Dynha chega e vai acompanhar a Lily no parto dela...
-Ou talvez eu possa acompanhá-la... – disse Linny, que acabara de aparatar com Remo na sala de espera. – Eu espero que ela esteja bem... – disse a bruxa, e logo entrou para acompanhar a amiga. Enquanto isso, Remo foi sentar-se ao lado de Tiago.
-E então, papai, você não quis acompanhar a sua esposa no parto? – ele perguntou, com um ar divertido.
-Ele até que tentou... – respondeu Sirius maliciosamente. – Mas ele não agüentou e acabou desmaiando.
-Assim como você, Sirius, não se esqueça disto! – interrompeu Tiago, mal humorado, enquanto começava a andar de um lado para o outro na sala. –Mas pelo menos agora a Lily está acompanhada...
-Sim, já que as mariquinhas não agüentaram... – disse Remo, sem poder conter as gargalhadas.
-Isso, pode falar agora, vai... – disse Tiago, fazendo uma careta. – Mas quando for a sua vez de ter um filho, eu quero só ver se você dura mais de cinco minutos naquela sala de partos...
Remo apenas encolheu os ombros.
-Até lá eu tenho ainda que ter filhos para saber se eu vou ou não agüentar...
-Há! Como se você e a Linny não estivessem tentando... – acrescentou Sirius, maliciosamente, fazendo Remo corar.
- Na verdade, sou eu que me surpreendo por você ainda não ter um time de quadribol inteiro de Blackzinhos...
Sirius ia responder quando outro grito de dor ecoou pela sala de espera, sobressaltando os três marotos.
-Merlin, ela grita como se os portões do inferno tivessem abertos! – disse Sirius, com os olhos arregalados.
- Você também gritaria se estivesse tendo um filho... – observou Remo.
-Ai, minha Lilyzinha, será que ela está bem? – perguntou Tiago, aflito.
-Cala este bocão e senta Tiago, você não tem mais nada para fazer do que isto... – disse Sirius, impaciente, puxando o amigo de volta para o banco.
Assim, pelas próximas horas, eles esperaram: Remo quase dormindo de tão cansado que estava, Sirius contando as lajes do teto e Tiago andando de um lado para o outro, suando frio, e esperando por alguém que lhe desse notícias de sua esposa e seu filho. Logo Dynha veio lhes fazer companhia também, seguida, alguns minutos depois, por Rabicho, que tinha trazido um enorme saco de sapos de chocolate para comer enquanto esperava.
E tudo correu assim até às três da manhã, quando, finalmente, Linny apareceu na porta, com um sorriso triunfante nos lábios.
-Parabéns, Tiago... – ela disse, enquanto todas as cabeças lá presentes se viravam em direção a ela. – O seu filho é um menino lindo!
Todos os Marotos deram tapinhas nas costas de Tiago, que quase caiu para trás tamanha era sua felicidade.
-Ela está descansando, você já pode vê-la... – ela disse, levando Tiago até um quarto com a porta fechada, deixando ele entrar sozinho.
O quarto estava na penumbra, iluminado apenas por algumas velas acesas nos cantos da sala, e assim que ele entrou, ele se deparou com dois pares de olhos verdes fitando-o.
-Olá Tiago... – Lílian sussurrou. Ela estava suada, pálida e parecia exausta, mas Tiago nunca a tinha visto tão serena e feliz. – Harry, diga oi para o papai...
Logo que Tiago chegou, Lílian lhe entregou o pequeno bebezinho, o qual ele segurou como se fosse feito de cristal.
O bebê era rechonchudo e tinha a pele rosada, e um minúsculo tufo de cabelo preto sobressaía da cabeça lisa. Dois olhos intensamente verdes, tais quais os da mãe, o encaravam, e Tiago teve que conter as lágrimas que ameaçavam cair.
-Ele é lindo... – ele murmurou, sem conseguir achar mais palavras.
Naquela manhã de sábado, Lena acordou com alguma coisa que batia em sua janela. Tonta de sono, ela lentamente abriu os olhos para lentamente tentar focalizar as paredes de seu quarto, que estava na penumbra. Mas, ao invés de ver as paredes pintadas de branco e a janela de seu quarto ela viu um par de olhos azuis cintilando em sua direção. De início ela se assustou, mas logo seus ombros relaxaram: Era só Erwin, que também tinha acordado com o barulho.
Desde que chamara o alemão para morar em seu apartamento, a vida de Lena tinha mudado consideravelmente: Para começar, o pequeno quarto de despejo em que ela costumava guardar as coisas que não usava fora transformado em um quarto para as revelações das fotos que Erwin tirava, e uma grande parte das paredes estavam cheias de fotografias pregadas com fita adesiva trouxa, com uma variedade de pessoas, paisagens e ocasiões impressionantes. A pouca mobília do apartamento fora incrementada com uma estante de mogno cheia de livros, tanto em alemão como em inglês, e mais pilhas de álbuns de todos os tipos e tamanhos.
Como Erwin também passava mais tempo na casa, se antes ela tinha um aspecto abandonado, se ele não arrumava tudo por si mesmo, ele acabava fazendo Lena tirar um tempo para tornar o apartamento mais "habitável", levando os dois a re-arrumarem todo o apartamento.
Agora, mais do que o aspecto da casa, era a peculiar maneira de encarar as coisas de Erwin que acabava mudando muitas coisas na vida da auror: Enquanto ela era dinâmica e ativa, ele era calmo e paciente, sempre tentando enxergar a beleza por trás de todas as coisas. Muitas vezes eles discutiam por causa da profissão turbulenta de Lena ou pela passividade submissa de Erwin, mas Lena nunca se arrependera de tê-lo chamado para morar consigo.
-O que é isso? – ele perguntou, olhando para a janela, despertando Lena de seus devaneios.
-Não sei... – ela disse, ainda sonolenta. – Eu já vou ver... – ela completou, mas logo que ela começou a se levantar ela sentiu uma mão em sua cintura, puxando-a novamente para a cama.
-Deixa que eu vou... – Erwin murmurou, sentando-se na cama e afastando seus cabelos relativamente compridos dos olhos. Enquanto ele se levantava, ainda tonto, Lena voltou à suas reflexões.
Normalmente, ela nunca deixaria alguém fazer algo por ela se ela o podia fazer. Uma infância passada em um orfanato lhe ensinara o valor da independência. Mais do que qualquer mudança física, a estadia de Erwin havia provocado a maior mudança no interior de Lena. Mesmo que menos do que alguns meses se tivessem passado, lentamente ela passara a depender do rapaz, depender de sua voz tranqüila lhe recebendo sempre que chegava do trabalho, depender de seus estranhos olhos azul-escuros observando cada movimento seu... Mesmo que contra a sua vontade, ela já começava a pensar em nós, e não mais em eu, começava a pensar com carinho na hora em que sairia do trabalho e chegaria em casa... Enfim, ela estava começando a se envolver seriamente com alguém novamente... E não estava se importando nem um pouco mais com isto. Mas novamente seu amado a interrompeu de seus devaneios, e, assim que abriu os olhos, ela viu que Erwin tinha um pergaminho em mãos.
- Notícias interessantes... – ele disse, sentando-se na borda da cama e estendendo o pergaminho para Lena. À medida que ela lia, um sorriso apareceu em seus lábios.
-Finalmente ele nasceu! – ela disse, pulando da cama e abrindo o armário para pegar suas roupas.
-Quem são os pais mesmo? – Erwin perguntou, desorientado, enquanto arrumava a cama.
-A Lílian e o Tiago, aquela outra ruiva que está na foto...
-Ah, sim... – ele disse, enquanto prendia os cabelos em um rabo de cavalo frouxo.
-Vamos visitar eles agora mesmo, eu estou tão feliz por Lílian, eu aposto que ela...
-Lena...
-Com certeza os outros também devem estar lá, é bom não nos demorarmos muito quando chegarmos...
-Lena...
-Eu só espero que o Moody não resolva me chamar para substituir o Potter nisto! – ela estava quase saindo pela porta quando ela viu Erwin parado em frente a porta, com os braços cruzados.
-Calma, linda, você não precisa logo sair voando para a maternidade... – ele disse, lentamente puxando-a de volta para o meio da sala até chegar na pequena cozinha.
-Agora, vamos agir como gente civilizada, pentear seus cabelos direito, tomar café da manhã e, de preferência, não vestir preto para ir a uma maternidade... –ele continuou, em um tom divertido, enquanto colocava alguns pães em uma torradeira.
-Ah, 'Vin, você cuida de mim como se eu fosse um bebê... – ela disse, um tanto quanto impaciente, mas sentando-se na pequena mesa.
- E você simplesmente não cuida de si mesma... Assim você precisa de alguém para fazer isto por você... Você pode fazer o chá ou vai querer ficar sentada enquanto eu faço tudo?
-Eu estava me virando muito bem antes... – ela retorquiu, pegando o bule que, por um milagre, estava limpo e dentro do armário.
-Mas o que você prefere? – ele perguntou, colocando um prato cheio de torradas na mesa.
-Ponto para você... – ela murmurou, e assim, depois do café da manhã, Lena trocou de roupa e os dois aparataram na maternidade, onde a maior parte dos amigos do casal já estava esperando para visitar Lílian ou simplesmente conversando com os outros e felicitando Tiago.
Ao chegarem lá, imediatamente todos se viraram para encarar os dois, e muitos ficaram surpresos com a vinda de Erwin. Lena não pode deixar de ficar um pouquinho nervosa ao ver os olhares das pessoas pousando sobre os dois. Ela simplesmente se esquecera do fato de que ninguém conhecia o seu namorado...
Linny foi a primeira a levantar-se para cumprimentar a amiga,
-Lena, que bom que você veio também!- ela exclamou, abraçando-a, e sussurrando em seu ouvido: - Hm... Então é ele aquele de quem você tanto falou no chá de bebê da Lílian?
Lena assentiu ficando corada.
-E você é... - Linny perguntou, prestando bastante atenção no rapaz. - Estes olhos não me são estranhos - ela pensou, buscando uma imagem em sua memória.
-Erwin...
-Dragonheart - Lena completou, com firmeza. -Não sei se você chegou a conhecer a minha ex-professora...
-Conheci sim. Numa situação engraçada. – Linny comentou.
-Em uma situação engraçada que acabou inclusive levando ao nosso casamento. - Remo, que ouvira o que Linny dissera a abraçou por trás, encarando o rapaz.
Erwin encarou os dois sem saber o que falar, enquanto os outros lançavam olhares inquisitores.
Um silêncio tenso se seguiu, até que, com um lampejo de compreensão, Erwin deu um sorriso torto. –Então eu suponho que ela deve ter falado a vocês sobre como a família dela era horrível... E vocês estão me incluindo na lista.
-Na verdade, Miriam foi uma graça nessa situação.
Ao observar o estranho diálogo, Lena viu que seu namorado estava tenso: Apesar de já terem se passado alguns anos, falar sobre a irmã ainda doía para ele.
-E o bebê? - ela perguntou mudando de assunto.
-Está no quarto com a Lílian... – Linny respondeu, sorrindo. -O parto demorou muito, e ela ainda precisa descansar...
-Eu vou lá falar com a Lílian... – Lena disse, segurando as mãos de Erwin. - Você consegue se virar sozinho por alguns minutos?
-Acho que sim. - ele respondeu com as mãos tremendo.
-Não se preocupe, eles não mordem... – ela sussurrou, e, rindo, ela encaminhou-se para o quarto onde Lílian estava.
Erwin ficou parado, quieto.
Logo que Lena desapareceu com Linny pela porta da enfermaria, Erwin se se encostou a uma das paredes, apenas observando as pessoas que conversavam na sala de espera, animadas.
Mesmo vendo a postura do alemão, Remo acabou deixando a curiosidade tomar conta de si, e perguntou:
-Miriam me contou que sua família era da Alemanha... Você é de lá também?
-Sim... – ele respondeu, simplesmente, com o olhar longínquo. – Para falar a verdade, eu vim para a Inglaterra apenas para acompanhar os meus irmãos aqui, e acabei ficando, mais por causa de Lena do que qualquer outra coisa
- Mas você tomou a decisão assim, de repente? Como você está vivendo por aqui assim...?– Remo perguntou, surpreso.
- Eu sou fotógrafo, e já estava com dificuldades para conseguir qualquer coisa na Alemanha... E enquanto não acho algum emprego fixo, eu apenas disponho meus serviços para fotos de família, propagandas e afins...
-Não deve ter sido muito fácil achar algum lugar para morar por aqui...
-Na verdade, eu estou morando com a Lena... - Erwin disse, e observou, surpreso, o queixo do outro cair.
-Você está morando junto com a Lena?
-Sim... Algum problema?
-Não, nada, só é estranho... – Remo disse coçando a cabeça. – A Lena sempre foi muito independente, e nunca deixou ninguém morar com ela antes... De fato, acho que você anda mexendo muito com a cabeça dela...
Erwin apenas sorriu, e, antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Sirius e Tiago vieram em sua direção.
-Olá, Aluado, com quem você está falando? - perguntou Sirius, lançando a Erwin um olhar desconfiado.
- Com o namorado da Lena... – ele respondeu, e tanto Sirius como Tiago arregalaram os olhos.
-Parabéns, garoto, você domou uma das garotas mais difíceis de toda a Inglaterra...
-Olha, acho que domar não é exatamente a palavra certa... Não é preciso domá-la, apenas compreende-la...
-Puxa, você tem vocação para filósofo...
-Na verdade, eu sou um fotógrafo... – ele disse, estendendo a mão para Sirius. – Ah, sim, esqueci de me apresentar, eu sou Erwin Dragonheart.
-Irmão da professora – completou Remo, e desta vez, Sirius deu quase um salto para trás.
-Você era irmão dela? Agora eu entendo como você agüenta a Lena... Eu vou te contar uma coisa, a professora era uma CÓPIA da Lena, só que bem mais velha...
Talvez você já tenha uma grande experiência com mulheres assim, tendo ela como irmã mais velha...
-Mais nova – Erwin interrompeu. – Ela era um ano e dois meses mais nova do que eu...
-Pois não parece... – ele disse. – Mas eram só os dois?
-De jeito nenhum... Nossa família era daquelas grandes cerimoniosas... Parecia uma política de família ter muitos filhos para passar adiante o sangue "nobre"...
-Céus, se eu entendo disso... A minha família também era um horror com estas histórias de sangue ruim para cá, sangue nobre para lá...
Enquanto isso, Lena e Linny andavam pelos corredores, querendo chegar ao quarto aonde Lílian estava repousando com o bebê, e enquanto não chegavam ao seu destino, as duas conversavam.
Linny estava curiosa a respeito de Erwin, mas esperou que Lena falasse alguma coisa antes de perguntar.
- Eu só espero que eles não peguem pesado com o Erwin... - Lena disse, suspirando. - pelo que eu vi, a primeira impressão que Remo teve dele não foi das melhores...
-Você realmente gosta dele?
-Por que eu ficaria com alguém se eu não amasse? - ela respondeu com uma pergunta, erguendo as sobrancelhas.
-Eu só... não esperava vê-lo aqui...
-Por quê? - Lena disse, confusa, encarando a amiga.
-Não sei. Tirando Jonas, nós nunca soubemos quem eram seus namorados.
-Talvez porque eu não tenha tido nenhum depois dele...? - Lena disse, suspirando novamente - Além do mais, eu passo tanto tempo trabalhando... Eu gosto de aproveitar o tempo livre que tenho com ele.
-Eu digo antes de Jonas...
Lena apenas deu de ombros, continuando a caminhar.
-Lena... eu não gosto quando você se fecha.
-Eu não estou me fechando! - ela disse, na defensiva.
-Lena... - Linny disse simplesmente balançando a cabeça em negação.
-Tudo bem... - ela disse. - O que você quer que eu diga, então?
-Eu não sei. Você tem que me dizer, eu só quero que você saiba, que eu estou aqui pra ajudar.
-Tudo bem, Lin, eu entendo você.
Seguiram em silêncio até chegarem a porta do quarto de Lily. Linny abriu a porta, entrou e deu passagem a Lena.
Lílian sorriu quando viu Lena. O pequeno Harry repousava em seus braços, a pequena boquinha no seio da mãe, mamando avidamente. Lena se aproximou devagar, como se temesse desconcertar o bebê.
-Lena, que bom que você chegou. O pequeninho aqui é faminto, mas depois eu mostro direitinho o rostinho dele pra você. Ele é uma cópia perfeita de Tiago.
-Exceto pelos olhos. - Linny disse - Os olhos são de Lily.
Lílian afastou o bebê do seu seio e com cuidado, mostrou a feição gorducha para a amiga. Lena deu um sorriso sincero e moveu a mão na direção do pequeno rostinho.
Tocou a pela macia da criança e fechou os olhos. Imaginou então sua própria criança, um filho seu e de Erwin.
-Então? - ela foi despertada pela voz de Lily - Sonhando com a sua criança também?
Lena se assustou, mas acabou por confirmar o pensamento da amiga.
-E quem será o pai? - Linny perguntou. - O jovem senhor Dragonheart?
-Talvez. Com certeza acho que ele seria um pai melhor que Jonas. - ela murmurou baixinho.
-Então, você superou Jonas? - Lílian questionou.
-Superei. Eu estou muito bem com Erwin.
-Fico feliz por você. - Lily disse, no instante em que uma enfermeira adentrava no quarto.
-Senhora Potter, acabou de chegar para você. - ela estendeu um pedaço de pergaminho azul marinho, onde se delineavam palavras escritas em dourado com a delicada caligrafia de...
-Narcisa? - Lílian falou alto, começanco a ler o que estava escrito no pergaminho.
Linny e Lena se viraram interessadas. Narcisa não mandava notícias a tempos, e na última carta que haviam recebido, ela dizia estar difícil fugir de Lúcio. Algum tempo depois receberam a noticia de que ela havia tido um filho, que fora chamada de Draco Lucius Malfoy.
"Lily,
foi uma correria escrever essa carta. Lúcio aumentou a vigilância sobre mim desde que Draco nasceu. Agora eu tenho certeza que vivo apenas por meu filho. E para vingar o que me foi feito.
Mas não é hora nem momento apropriado para discutir isso.
Esse pequeno bilhete é para se parabenizar pelo nascimento de seu filho.
Que a melhor sorte do mundo esteja destinada a ele.
Mande meus cumprimentos as garotas.
Beijos da amiga,
Narcisa Winford Malfoy."
Linny ia falar alguma coisa quando a porta foi aberta bruscamente e Sirius entrou no quarto seguido por Tiago, Remo, um Erwin meio assustado, Dynha e Arabelle, que havia acabado de chegar.
-E o meu lindo afilhado, como está? - Sirius falou e sem cerimônias sentou-se ao lado de Lily na cama e tomou a criança dos braços dela.
-Ei, Almofadinhas, cuidado com meu filho. Você não pode prejudicar os futuros dotes de jogador de quadribol do pequeno Harry. - Tiago reclamou.
O pequeno quarto se encheu com o som das risadas dos presentes.
-Tiago, você só liga pros futuros dotes de quadribol do Harry? E pra sua mulher, você não liga? - Lílian disse fazendo bico.
-Ligo sim, amor. - e dizendo isso ele roubou um beijo dela.
O quarto se encheu novamente de risos.
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Na sua sala em Hogwarts, Dumbledore encarava o pergaminho que comunicava o nascimento do filho dos Potter.
Murmurou baixinho:
-Espero, minha cara criança, que os seus dias sejam melhores que os que vivemos agora.
Ele não podia prever o que estava por vir.
