Capítulo 39 – Sobre Segredos, Amizade e Mortes

Linny voltou para casa alguns dias depois, a situação entre Remo e ela não era a mesma do início do namoro, mas não estava tão complicada quanto antes do acidente. O homem estava realmente preocupado, mimando-a incessantemente, de um modo que ela considerava até irritante as vezes.

Ela havia ganho alguns dias de férias do ministério, mas não conseguia ficar afastada. Todo dia dava jeito de ficar apenas alguns minutos lá. Ficar somente em casa estava deixando-a mais irritada que o normal. Fora isso, longe da "proteção" de sua casa, a situação ficava cada vez mais complicada: as mortes aumentavam e o desespero das pessoas também, e de modo proporcional, aumentava também o tempo que Remo passava longe de casa.

Naquele instante ela estava sozinha, havia pedido comida chinesa. A tele-entrega, para Linny, era uma das melhores invensões dos trouxas. O fato é que ela estava envolta em tédio e sentia falta de Remo. O comportamento carinhoso dele nos últimos dias por vezes era exagerado e ela não conseguia aproveitar e ao mesmo tempo sentia que não conseguia perdoá-lo completamente. Mas não aquele dia.

Naquele dia, sentiu-se muito só e lembrou-se dos tempos de escola, onde as preocupações deles eram tão simples e ela nunca ficava sozinha. Tinha o tempo para si quando precisava, mas sempre podia procurar as amigas se precisasse. Pensou em como gostaria de poder voltar aquele tempo, onde tudo se resolvia mais fácil e as brigas eram tão bobas.

Ela costumava saber muito sobre as outras pessoas, mas era tão difícil saber sobre si mesma. Ter o dom de ver o futuro, não fazia mais fácil encarar o presente. Se ela tivesse visto onde a situação com Remo chegaria, o modo como a relação entre os dois se desintegrava, ela teria feito as coisas diferente. Se pudesse apagar todas aquelas brigas, ela também faria isso. Mas não havia como mudar o que aconteceu, apenas tentar melhorar o que acontecia agora.

Começou a chorar baixinho, abraçando seus joelhos, quando a porta se abriu. Linny soube que era Remo sem nem precisar olhar, tentou segurar as lágrimas, mas ele já havia percebido. Num movimento, Remo estava ao lado dela, abraçando-a com carinho.

-Ei, o que houve? Você está sentindo dor? – ele perguntou, cuidando para não machucá-la.

Linny não conseguiu falar, chorava com mais intensidade agora e apenas pressionou seu corpo contra o dele.

-Shhh... Se acalme, eu estou aqui. Vai ficar tudo bem. – o homem passou as mãos pelo cabelo dela com carinho.

Linny foi se acalmando e quando finalmente parou de chorar, sentia vergonha de olhar para ele.

-Ei, olhe pra mim. – Remo pediu com carinho, mas ela não disse nada.

Ele colocou sua mão no queixo dela e delicadamente virou o rosto dela para que seus olhos se encontrassem.

-Agora sim. Posso olhar bem fundo dentro dos seus olhos. Seus olhos sempre foram um mistério pra mim, sabe? – ele falou em tom de confissão. – Foi a primeira coisa que reparei em você. Esses delicados, brilhantes, olhos cor-de-chocolate.

-Remo... – ela falou em voz baixa. – Como nós ficamos assim?

-O que você quer dizer? – ele parecia curioso.

-Por que estamos brigando tanto? – perguntou.

-Eu não sei, querida. – ele beijou a testa dela com carinho. – Acho que ambos andamos impacientes demais. E temos motivo para isso, claro. A guerra e todas as dificuldades...

-Mas isso não justifica, Remo. Eu não quero perder você para essa guerra.

-E você não vai me perder. Eu amo você. – ele manteve o contato visual firme, enquanto falava as últimas três palavras.

-Eu também amo você. Me desculpe, Remo. – a mulher disse, encostando sua cabeça no peito dele.

-Você não fez nada errado, Lin.

-Eu fiquei te pressionando, pedindo por filhos quando não era a hora. Você estava certo, eu não estou preparada pra isso ainda.

Remo olhou para ela e finalmente entendeu:

-Linny, eu também te devo desculpas. É normal querer ter filhos, tenho certeza que se não fosse minha condição, eu também ficaria entusiasmado por filhos.

-Não fale isso, Remo John Lupin! Sabe por que eu me apaixonei por você?

Ele negou com a cabeça, os dois nunca haviam falado sobre isso antes.

-Por que nós dois éramos diferentes. Nós dois tínhamos algo obscuro para lidar. Eu quero filhos, com certeza, mas não é a hora. E quando for, espero que você esteja pronto pra se arriscar comigo.

Remo ficou calado, não queria dizer nada para ela agora, por que a mulher definitivamente não gostaria da resposta.

-Está tudo bem. Nós temos bastante tempo. – ela disse, num tom de voz que não refletia tristeza ou frustração.

Ficaram calados e abraçados por um tempo, apenas aproveitando o calor que emanava de seus corpos. Foi a mulher que cortou o silêncio:

-Remo, me beije.

Ele foi pego de surpresa pelo pedido dela e apressou-se em negar:

-Não, Lin, você ainda está fraca. – foi a pior desculpa que podia dar, ele percebeu em seguida, mas no fundo estava com medo, medo de tocá-la de novo, medo de sentir tudo novamente.

-Eu estou bem, amor. Por favor, Remo, me beije. – ela aproximou seus lábios dos dele, tentadoramente.

-Lin, não faça isso. – ele passou as mãos pelo cabelo, nervoso. – Eu estou com medo.

A mulher parou. De todas as respostas que ela esperava, "eu estou com medo" não estava na lista.

-Medo? – perguntou, ainda incrédula.

-É só que tudo que conversamos hoje, eu sinto como se fosse um recomeço. E estou com muito medo de estragar tudo.

-Remo, você não vai estragar nada. Lembra da primeira vez que fizemos amor? Nós dois estavámos com medo e nem por isso não foi bom. Se isso é realmente um recomeço, por favor, vamos fazer da maneira certa. Só me beije.

E ele beijou. Colou seus lábios aos dela com vontade, com força. O beijo acendeu neles a mesma que chama que havia aceso quando fizeram amor pela primeira vez.

Ele foi deitando o corpo dela no sofá, ainda beijando-a, tentando ficar o mais perto dela possível.

-Eu te amo, Linny Holmes. – ele sussurou no ouvido dela, afundando seu rosto na pele macia do pescoço dela em seguida.

-Eu também te amo, Remo John Lupin. – ela respondeu, suas mãos passeando pelas costas dela.

E pelo menos naquele momento, nos minutos e horas que se seguiram, eles agiram novamente como jovens apaixonados e despreocupados, redescobrindo o amor.

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Tiago chegou em casa quando já eram quase oito horas da noite. Lily não estava na sala e nem na cozinha, então provavelmente estaria no quarto do bebê.

Harry estava agora com 2 meses, crescendo muito rápido. Os dois estavam ansiosos pelo primeiro Natal com seu filho. Os dois estavam ansiosos pelo primeiro Natal com seu filho.

Silenciosamente, abriu a porta do quarto do pequeno Harry, com medo de acordá-lo, caso já estivesse dormindo. Mas não era o caso. Harry estava deitado no berço, os olhos verdes bem abertos, fixos na mulher ruiva que se curvava sobre ele, fazendo cócegas.

-Boa noite, Tiago. – Lily falou, enquanto tomava o filho nos braços. – Vamos dar boa noite pro papai, Harry. – ela falou baixinho, beijando a testa do filho.

Tiago se aproximou e passou a mão com cuidado nos cabelos escuros e espessos do bebê.

"Que nem os do papai", ele pensou, sorrindo para si mesmo.

-Boa noite, filho. – o homem disse, tocando a bochecha do bebê carinhosamente.

-Eu vou colocá-lo pra dormir e aquecer o jantar. – Lily falou, dando um rápido beijo nos lábios do marido.

Tiago deixou o quarto e foi esperar na sala. Lily demorou alguns minutos até ir encontrá-lo. Não foi difícil para Tiago perceber que a esposa estivera chorando. Seus olhos estavam avermelhados e havia marca de lágrimas secas em suas bochechas. Ele se levantou e foi logo abraçá-la.

-Ei, Lily, o que houve? – ele envolveu-a em seus braços e apertou-a contra si. A ruiva começou a chorar novamente.

Tiago sabia que perguntar qualquer coisa agora não adiantaria então apenas continuou mantendo-a em seus braços, balançando-a com carinho, esperando que ela se acalmasse. Demorou um pouco, mas Lily parou de soluçar.

Esquecendo o jantar, Tiago sentou-se no sofá, trazendo a mulher com ele. Segurando as mãos dela, perguntou novamente:

-Lily, o que aconteceu? Você está com medo?

-Sim. Eu... – ela começou a falar mas não conseguiu terminar.

Atenciosamente, Tiago depositou um beijo na testa dela e disse:

-Não precisa ter medo. Eu vou te proteger, vou proteger vocês dois.

-Eu não estou com medo disso. Quer dizer, estou, mas não é meu maior medo agora.

-Lily, você sabe que pode confiar em mim. Eu sou seu marido. Por favor, me conta. – o homem olhou para ela, para aqueles orbes verdes que às vezes pareciam hipnotizá-lo.

-Eu tenho medo que Linny nunca vá me perdoar.

-E por que ela não te perdoaria? – Tiago perguntou confuso.

-Eu menti pra ela. – a ruiva parecia realmente envergonhada, chegando a desviar os olhos do marido.

Tiago tocou o rosto dela, fazendo com que ela mantivesse o contato visual.

-Lilían Potter, fale comigo. Eu não vou julgá-la.

-Certo. – ela disse de forma mais corajosa. – Quando Linny esteve no hospital depois do atropelamento eu escondi uma coisa dela. Não só dela, de todos vocês.

Tiago não conseguiu conter um olhar meio censurador que também não passou despercebido pela ruiva a sua frente.

-Me desculpe, Tiago. – Lily ficou nervosa novamente.

-Não posso desculpá-la sem saber por quê. – ele foi meio frio.

-Linny estava grávida. – a mulher falou rapidamente. – Ela perdeu o bebê no acidente.

-Lily, como você escondeu algo assim dela? – a voz de Tiago estava carregada de crítica.

-Eu achei que ela não soubesse, por que se ela já soubesse, com certeza teria me contado ou contado para Remo, mas ele não disse nada. E ela estava sofrendo tanto, o relacionamento dos dois não era mais o mesmo... eu só achei que isso evitaria algum sofrimento. Eu só estava...

-Você só estava tentando protegê-la. – a voz dele voltou ao mesmo tom amoroso do início da conversa.

Lilían apenas assentiu.

-Você precisa contar a verdade pra ela. – Tiago disse sério, trazendo-a para si novamente.

-Eu sei. – ela respondeu, enquanto encostava a cabeça no peito dele. – Eu só espero que ela me perdoe.

-Querida, no meio dessa guerra toda, acho que ninguém está disposto a perder uma pessoa importante, se puder evitar.

-Tiago Potter, de onde saiu toda essa sabedoria? – ela falou, marota.

-Digamos que foram os anos de convivência com a aluna mais inteligente que Hogwarts já viu. – ele piscou o olho pra ela, que sorriu. – E uma das mais implicantes também. – falou baixinho.

-Eu ouvi isso! – ela resmungou.

-Eu sei. – e beijou-lhe os lábios com carinho.

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O bebê emitiu um som que parecia um leve resmungo e uma atenta Narcisa Malfoy levantou-se imediatamente para ver o estava acontecendo com seu pequeno Draco.

O pequeno Draco Malfoy já com nove meses de idade e que no momento brincava no chão da sala, sob os atentos olhos da mãe. O resmungo fora conseqüência de um brinquedo que ele havia quebrado.

Narcisa estendeu os braços para o garotinho que virou a cara para ela na primeira vez. Ela sorriu, mas tentou permanecer séria e disse:

-Draco!

O menino voltou o rosto para ela e dessa vez, sorriu e correu para os bracinhos da mãe:

-Mamy. – ele disse, fazendo Narcisa sorrir. Draco estava começando a caminhar de forma mais segura e agora começava a arriscar as primeiras palavras. – Quebou. – e apontou para o brinquedo.

-Mamãe viu, Draco. Vou pedir para que sei pai compre outro.

-Outo! Outo! – o menino começou a gritar, batendo palminhas.

-Quer comer alguma coisa, Draco? – Narcisa perguntou, passando a mão no cabelo loiro do filho.

O menino apenas assentiu com a cabeça. Narciso pegou-o no colo e foi até a cozinha.

A criada mexia uma enorme panela e assim que patroa entrou no recinto assumiu uma postura de servir. Narcisa dispensou com um aceno de cabeça e ela voltou a mexer a panela. A loira foi atrás de um pacote que guardava para aquelas ocasiões. Lúcio controlava quase tudo sobre a vida de Draco, até o que o menino comia. A mãe tinha escondia cremes doces para mimar o filho.

Pegou um potinho, sabor chocolate e uma colher e sentou com o filho no colo. Os olhinhos acinzentados do menino brilhavam enquanto Narcisa colocava colheradas em sua boca.

Quando acabaram, o rosto do bebê estava todo sujo. Pequenas manchinhas de chocolate rodeavam a boca dele. Narcisa riu.

-Mamy ri. – o bebê falou, batendo palminhas.

-Sim, mamãe ri por que Draco ficou sujinho. – ela sorriu para o filho, pegando um guardanapo de pano que estava sobre a mesa.

-Limpa Draco! – ele disse, passando o dedo envolta da boca e se sujando ainda mais.

Narcisa apenas sorrius e limpou o filho. Quando terminou, levantou-se e deixou a cozinha, ainda segurando o bebê.

-Eu te amo, filho. – disse baixinho e beijou-o na bochecha.

Draco não respondeu, havia fechado os olhos e adormecido. A loira foi até o quarto, colocou-o e no berço e ficou apenas observando-o por um tempo. Draco seria o seu menino, seu filho querido e era no momento seu maior tesouro.

Seu filho era o motivo pelo qual ela resistia silenciosa, não desistia e continuava esperando, pois uma coisa que ela tinha certeza era de que um dia se vingaria. Um dia Narcisa Elizabeth Malfoy daria a volta por cima. E levaria seu filho com ela.

-Narcisa! – a voz de Lúcio ecoou nos seus ouvidos, vindo da sala.

A mulher respirou fundo antes de deixar o filho no quarto e rumar para a sala. Hora de brincar de esposa submissa.

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Linny saiu do banho e depois de vestir-se foi até a cozinha tomar café. Era o primeiro dia que voltaria oficialmente ao seu trabalho, depois do acidente.

A mesa ja estava posta e ela deu um pequeno sorriso ao ver Remo com um avental. Ele trazia um bulê de chá.

-Você preparou o café. – ela disse, sorrindo.

-Eu queria fazer uma surpresa. – falou simplesmente.

-Você fez. – a morena se aproximou, passando seus braços envolta do pescoço dele e colando seus lábios gentilmente.

Sentaram-se a mesa e começaram a comer em silêncio, até que ele perguntou:

-Quer que eu te encontre para voltarmos junto para casa?

-Se você não se importar, eu adoraria. – a jovem sorriu novamente.

-Eu vou ficar no QG da Ordem hoje, mas te encontro para virmos pra casa.

-Ótimo.

-E o almoço? – perguntou preocupado. – Não queria que você ficasse sozinha.

-Remo. – ela colocou a mão sobre a dele, com carinho. – Eu entendo que você se preocupe, mas eu não vou estar sempre com alguém. Mas quanto e hoje não se preocupe, Lily ligou ontem a noite e me convidou para almoçar.

A expressão dele demonstrou alivio e ele perguntou, curioso:

-Ela usou o teclofone?

Linny riu, corrigindo-o em seguida:

-É telefone, amor.

-Não importa, só estou preocupado com sua segurança.

-Eu estou segura, Remo. Irei trabalhar e nos encontraremos pra voltar junto pra casa. Podemos assistir um filme, comer pipoca, algo assim. – tranquilizou-o.

-Trouxas fazem isso, Lin.

-Eu sei. É só que seria bom, sabe, por alguns instantes, esquecer tudo que tem acontecido e ter um momento de casal. Mesmo que inspirado por algum costume trouxa.

-Faremos isso então. – Remo afirmou. – Estou ansioso para que tenhamos vários momentos de casal. – piscou maroto para ela.

-Preciso ir então. Que horas você vai pro QG?

-Posso sair agora. Que tal? – sugeriu ele.

-Mas e a louça? – ela perguntou.

Ele ergueu a varinha e murmurou um feitiço, os dois deixaram a casa de mãos dadas enquanto a louça se arrumava sozinha.

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Lena chegou cedo ao quartel general dos aurores. Observou a lista de quem estaria em serviço naquele dia, além dela: F. Prewett, G. Prewett, Longbottom, Dawlish. Eles eram a equipe de emergência, os outros já estavam na rua.

Os quatro homens estavam sentados perto da lareira, o frio do inverno começava a chegar e aquela sala era realmente fria.

-Ei, Adams, bom dia! – Frank cumprimentou-a. Os outros apenas acenaram com a cabeça.

-Bom dia. Temos café?

-Ainda não, estavámos esperando você chegar. – Dawlish falou, num tom debochado.

"Idiota", ela xingou baixinho. "Mais um idiota que achava que ela não era boa o suficiente por que era mulher".

Lena simplesmente ignorou-o, mas foi fazer o café. Tinha planos para ele. Alguns minutos depois voltou a sala, levando uma garrafa térmica com café, enquanto se aproximava das poltronas onde estavam sentados, fingiu tropeçar e acabou por derramar o líquido quente nas calças de Dawlish:

-Merda! – ele gritou. – Você não olha por onde anda? Isso está queimando!

-Acqua! – uma outra voz falou e Lena levantou a cabeça para ver Fábio com a varinha apontada para as calças do outro e um sorriso quase imperceptível nos lábios.

-Adams, você vai me pagar. – o auror disse, irritado.

Lena não disse nada, levantou-se graciosamente e sentou-se numa poltrona vaga. Foi a voz de Frank que encheu o lugar:

-Ei, Dawlish, você deveria secar essa calça. Não queremos que ninguém pense besteiras. – e segurou um risinho.

Dawlish ia responder, mas foi interrompido pela voz de Olho-Tonto-Moody, que vinha da lareira:

-Ei, mexam suas bundas daí. Temos uma confusão no Beco Diagonal.

-Droga! – Gideão disse. – O Beco é muito movimentado.

-Eu sei disso, Prewett. – a voz de Moody veio em tom de censura. – Mexam-se daí e façam-se úteis. Longbottom, fique aí. Os outros quatro, já estão atrasados. – e sumiu.

-Bom, Frank, acho que o dia já não está tão bem. – Lena falou, antes de aparatar.

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O Beco Diagonal parecia uma trincheira. Poeira havia levantado e a visibilidade era extremamente prejudicada. Lena estava com a varinha em punho, assim como os Prewett e também Dawlish.

Havia alguns gritos ao fundo,vidro quebrado no chão e também madeira espalhada. Lena fez um feitiço para dissipar a poeira e pode ver, ao longe, alguns comensais já duelando com outros aurores.

Ela e Dawlish correram naquela direção, prontos para ajudar. Os Prewett ficaram atrás para dar cobertura. Logo ela havia perdido os outros de vista, enquanto ajudava Tiago que estava lutando com dois comensais. Dawlish foi ajudar Sirius. Lena não viu Remo, então supôs que aquele era o dia de folga dele.

Logo ela e Tiago haviam conseguido desarmar um dos comensais. O outro desaparatará. Foi quando ambos ouviram gritos. Os Prewett, que haviam ficado para trás para dar cobertura, estavam cercados. Com uma olhada rápida, Lena constatou que todos os comensais com quem os aurores duelavam haviam sumido e aparecido de novo, em torno dos Prewett.

-Droga, Tiago! – ela exclamou. – Era uma cilada! Eles queriam atingir algum de nós, qualquer um.

Tiago apenas assentiu e os dois, juntamente com os outros aurores começaram até o ponto onde os comensais cercavam os Prewett. Conforme se aproximavam, passaram a lançar feitiços contra os comensais, mas eles pareciam ricochetear.

-Eles estão num escudo! – Sirius gritou.

-Avada Kedrava! – eles ouviram o grito. Para em seguida ouviram mais uma vez. E então todos souberam o que aconteceu.

Alguns pareciam não querer acreditar, mas logo todos os comensais começaram a aparatar e eles puderam ver os dois corpos caídos no chão.

Lena tropeçou e foi aparada por Tiago, enquanto os outros aurores chegavam mais perto. Mas era tarde demais. No fundo todos eles sabiam que era tarde demais.

-Belle... – Lena murmurou baixinho, olhando para o corpo inerte de Fábio.

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Linny ainda estava sentada em sua mesa quando Lílian chegou para o almoço. Havia passado a manhã organizando as pilhas e mais pilhas de documentos que haviam sido entregues enquanto estava de licença. Mas assim que a amiga entrou na sala e chamou-a, ergueu os olhos esquecendo de tudo aquilo por uns instantes.

-Lily! – falou animada, mas Lílian respondeu com um sorrisinho amarelo que não passou despercebido.

Lílian tremeu levemente, embaixo de todas as suas roupas de inverno, quando viu a animação da morena em vê-la. Dentro dela, o peso das palavras que sua revelação podia trazer, tornava ainda mais difícil encarar a amiga tão animada.

-O que foi? – Linny perguntou, notando que a ruiva estava apreensiva.

-Podemos conversar no almoço? – Lily respondeu com outra pergunta.

-Claro. Onde vamos? – Linny foi logo apanhando suas coisas. O comportamento da melhor amiga a deixara curiosa.

-Que tal aquele restaurante italiano do lado trouxa?

-Ótimo. – a morena disse, já completamente vestida para o frio do inverno inglês.

As duas seguiram até a saída de visitantes, que levava para a Londres trouxa. O pequeno restaurante ficava numa rua pouco movimentada e havia sido uma descoberta de Remo.

O lugar pequeno e aconchegante. Havia uma mesa próxima à janela e foi para lá que as duas foram.

Livrando-se dos pesados casacos, as duas sentaram-se, uma de frente para a outra. A linguagem corporal de Lily demonstrava que ela continua apreensiva e até um pouco desconfortável, mas Linny decidiu que não iria pressioná-la. Seja lá o que ela quisesse falar, sairia bem mais fácil se ela não fosse pressionada.

-Então, como está meu afilhado favorito? – a morena perguntou, para relaxar o ambiente.

-Oh, Harry está ótimo. Tão pequeno, mas já me faz temer pelo futuro. – a ruiva riu baixinho.

-Por quê?

-Acho que vai ser tão maroto quanto Tiago ou até mais, se depender de Sirius. Ontem mesmo, ficou puxando meu cabelo e só parou quando Tiago pegou-o o no colo e ficou brincando que estavam voando de vassoura. – um sorriso real apareceu nos lábios de Lílian.

-Bom, quem mandou você se casar com um maroto e ainda escolher outro maroto de padrinho pro seu filho? Não é uma mistura muito recomendável. – a morena riu baixinho.

-Ah, amor! – Lily debochou. – Faz coisas pra você que você nunca faria sozinha.

As duas riram, pois apesar do deboche, Lílian não deixava de estar certa.

Quase sem ar, as duas aproveitaram a chegada do garçom para fazer seus pedidos e recuperar o fôlego. Assim que ele se afastou, a morena disse:

-Lily, muito obrigado. Eu realmente precisava disso. Rir sem pensar em mais nada.

As palavras dela atingiram a ruiva. Por um momento, ela desejou não ter que contar nada, não estragar aquele momento feliz e provavelmente raro, na rotina das duas. Mas no fundo, ela sabia que não conseguiria ficar perto de Linny por muito tempo se não contasse a verdade, se não fosse perdoada pelo segredo que guardava.

-E como estão as coisas com você e Remo?

-Muito melhores que antes. Não como eram na escola, mas definitivamente melhores que mês passado. – um brilho cintilou nos olhos de Linny.

-Fico tão feliz por vocês, Lin. – a ruiva colocou sua mão sobre a mão da amiga. – Vocês foram feitos um pro outro, ia ser horrível ver vocês separados.

-Eu sei. – ela suspirou baixinho. – Não consigo me imaginar longe dele. É como eu disse pra Remo, nós fomos feitos um pro outro por somos diferentes. Não somos o que a grande maioria considera normal.

O silêncio tomou conta delas enquanto o garçom trazia seus pratos.

-Estou realmente com fome. – Linny disse. – Remo estava cuidando até o que eu comia. Só sopas e coisas assim.

-Então eu estou te levando pro mau caminho? – Lily perguntou com um meio sorriso.

-Está sim, Srta. Certinha Evans. – a morena debochou.

-Pode parar com isso ou eu vou te dedurar pra Remo. – ameaçou.

-Já parei. Pode acreditar que quero muito esse prato de massa. – e voltou a comer.

Lily suspirou, observando-a a amiga. Aqueles poucos minutos haviam feito com ela lembrasse os ótimos momentos das duas em Hogwarts. Por que ela teria que acabar com aquilo? Porque ela precisava de perdão. Perguntou e respondeu mentalmente para si mesma.

Ficaram em silêncio enquanto comiam e depois quando o garçom veio retirar as coisas da mesa, Linny ia abrir para bolsa para pegar dinheiro e pagar, quando a ruiva a interrompeu:

-Espere... eu queria conversar antes de irmos.

A morena ergueu a sobrancelha e não disse mais nada, largou a bolsa no lugar e encarou-a amiga. Por um instante, temeu o assunto da conversa. Mas não era ela que havia ficado curiosa alguns minutos atrás?

-Eu sinto muito, Linny. – ela falou antes de tudo. – Espero que você possa me perdoar.

-Perdoar por quê? – a morena perguntou, a curiosidade ainda mais aguçada.

-Deixe eu falar e você vai saber. – e respirando fundo, Lílian Evans Potter começou seu relato. – Quando Remo te levou ao Saint Mungus, depois do seu atropelamento, eu estava na equipe que te atendeu.

A morena assentiu, o rosto da amiga era uma das poucas memórias do que havia acontecido naquele dia.

-Eu acabei não te contando uma coisa. – Lily falou, baixando o rosto.

-O que, Lily? O que você não me contou? – Linny começava a perder a paciência e pensar sobre o que seria tão ruim para que a amiga tivesse omitido dela.

-Você estava grávida e perdeu o bebê. – Lílian falou rápido e em voz baixa, desviando seus olhos da amiga em seguida.

Mesmo assim, Linny ouviu tudo e sua primeira reação, instintiva, foi levar as mãos até a barriga. O peso daquela informação atingiu-a em cheio. Não era o fato de Lílian não ter contado que a machucava, mas a constatação do que havia sido tirado dela: um filho. Seu primeiro filho.

-Lin, me desculpe. Me desculpe mesmo. – a voz da amiga despertou-a.

-Tudo bem. Está tudo bem. – falou aquelas palavras sem acreditar nelas. – Mas eu preciso saber, por que você não me contou antes?

-Eu não planejava contar. Achei que se você suspeitasse que estava grávida teria me dito e daí eu contaria. Como achei que você não sabia, quis te proteger. Eu sabia como as coisas estavam complicadas e não queria te fazer sofrer mais.

Tudo que a ruiva falava tinha lógica e mesmo não tendo gostado da omissão, Linny suspeitou que teria feito a mesma coisa se estivesse na posição da outra.

-E por que mudou de idéia?

-Eu não sei. – Lílian pausou e finalmente encarou a amiga. – Acho que eu percebi que não podia continuar com esse segredo, eu ficava agoniada só com a possibilidade de te ver novamente. Não sabia como iria encará-la.

-Lily. – dessa vez foi a morena que colocou a mão sobre a da amiga. – Está tudo bem. Não estou chateada com você, só surpresa. Eu suspeitava antes do acidente, mas não era nada certo. E estava morrendo de medo de contar para Remo... Então no fim, acho que tudo se resolveu.

-Como assim se resolveu?

-Agora eu não preciso contar para Remo. É como ele disse, nós não somos como você e Tiago, não daríamos conta de ter um filho no meio dessa guerra.

-Linny, você realmente não vai contar pra ele?

Ela negou com a cabeça. Os olhos sem brilho expressando que apesar de tentar bancar a forte, estava destruída por dentro.

-Remo realmente falou isso? – Lily perguntou.

Agora a morena assentiu.

-Mas ele estava certo, Lily. Você e Tiago foram feitos pra isso, entende? Eu tenho tanto orgulho de ser madrinha de Harry, por que sei que ele vai ter um futuro brilhante. Mas eu e Remo estamos tão perdidos em nos encontrar como um casal que com certeza não estamos prontos para ser pais.

-Oh, Lin. – Lily apertou a mão da outra ao ver que lágrimas começavam a escorrer dos olhos dela. – Mas vocês terão filhos.

-Eu sei. Na hora certa. – ela falou firme. – É melhor nos irmos. Preciso voltar ao trabalho.

-Certo. E eu preciso ir despachar a babá. É a terceira esse mês. Harry está deixando-as louca.

Linny sorriu levemente.

-Me conte sobre ele. – a outra sorriu.

Lily devolveu o sorriso e enquanto as duas levantavam e pagavam, para voltar ao ministério contou as últimas peripécias do filho.

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As duas mulheres fizeram o caminho de volta ao Ministério da Magia falando sobre Harry. Em meio à guerra, o bebê era o tópico de conversa mais animado.

Mas tão logo entraram na rua onde se localiza a entrada, tiveram uma surpresa. Remo estava parado próximo à cabine telefônica que servia de entrada. As duas trocaram olhares confusos e Linny logo perguntou, ao se aproximar dele:

-Remo, está tudo bem?

Ele assentiu, abraçando-a. Pressionou-a contra si, como se quisesse ter certeza que era ela. Linny notou que algo estava errado e ia perguntar novamente, mas Lílian tomou a iniciativa.

-Oi, Remo. – cumprimentou antes. – O que aconteceu? Foi alguma coisa com Tiago?

Remo finalmente falou, mas sem soltar Linny, ainda mantendo-a em seus braços:

-Tiago está bem, assim como Sirius e Lena. Mas houve um ataque. – ele parou de falar por um instante. – Mais um ataque. – sua voz agora estava carregada de tristeza. – Os Prewett foram mortos no Beco Diagonal.

As duas mulheres trocaram olhares tristes e murmuraram baixinho:

-Belle...

-Remo, a Belle já sabe? – Linny perguntou.

-Não sei. Moody me informou, eu estava na Ordem. Levaram os aurores para o Saint Mungus. Acho que ela não sabe de nada.

-Ela está no Ministério, vou falar com ela. – Linny tomou a iniciativa.

Lílian assentiu e informou:

-Vou para o Saint Mungus, ver como Tiago está. – e dando um rápido abraço na morena, tomou outra direção.

Quando os dois ficaram a sós, Remo trouxe Linny para seus braços novamente. Beijou-a na testa e enterrou seu rosto na pele macia do pescoço dela, murmurou, então, baixinho:

-Não vá. Vamos pra casa, venha comigo...

-Eu preciso ir trabalhar, Remo. E alguém precisa contar à Arabelle.

-O Ministério está um caos, ninguém vai notar se você não voltar. E outras pessoas podem contar para Arabelle. Venha comigo, por favor. – a voz dele era suplicante. E apertou-a com mais força.

-Arabelle vai precisar das amigas, é melhor receber essa notícia das amigas. – a mulher não conseguia entender por que ele parecia tão desesperado.

-Lílian foi ver Tiago, ela não pensou em contar para Arabelle.

Ela sentiu que ele a machucava, mas não reclamou. Por mais que parecesse ciúme, ela sentia que não era apenas isso.

-Você não está com ciúmes, certo? – ela perguntou.

Ele negou com a cabeça, soltando o abraço, mesmo assim, ela não se afastou. Continuou mantendo seu corpo próximo ao dele.

-O que foi, amor? – Linny perguntou, preocupada.

-Eu estou com medo. – ele falou tão baixo que ela quase duvidou do que havia ouvido. E dessa vez foi ela que abraçou-o com toda a força que pode reunir.

-Está tão perto, cada vez mais perto de nós. Nós tínhamos mais contato com os Prewett do que com os que já haviam morrido. Eu tenho medo, Lin. Medo de perder você. – ele disse, olhando bem fundo nos olhos dela.

-Remo, você não vai perder. Eu te amo tanto. – a mulher se declarou.

-Eu sei, eu sei... Mas tenho medo igual. Não sei como eu ficaria sem você. – parou um pouco e beijou-a rapidamente nos lábios. – Sei que as coisas talvez não tenham sido como você imaginou depois que saímos de Hogwarts, talvez eu não tenha sido o melhor namorado, mas você nunca desistiu de mim. E eu não quero desistir de você. Eu te amo.

Ela beijou-o com mais vontade não agora, não apenas um simples roçar de lábios, mas um beijo realmente apaixonado. Quando acabou, permaneceram abraçados por alguns segundos, em silêncio, apenas apreciando a companhia um do outro. Até que Linny disse:

-Nós deveríamos ir para casa.

Remo apenas assentiu.

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Assim que foi liberada pelo Medibruxo para ir para casa, Lena decidiu que aquele era o lugar para onde ela definitivamente não iria. Ela sabia para onde devia ir. Devia ir até o apartamento de Arabelle.

Não fazia idéia se a amiga já sabia da morte de Fábio, mas mesmo que ela já soubesse, queria oferecer seu ombro amigo e caso ela ainda não soubesse, ela contaria e ajudaria no que fosse preciso.

O senhor e a senhora Prewett já haviam sido informados, mas Lena achava quase impossível que algum deles tivesse avisado a amiga.

Sem nem trocar de roupas, aparatou perto do apartamento de Arabelle. O caminho até o prédio, foi feito devagar, por que no fundo, ela não queria fazer o que iria fazer. Mas sabia que precisava.

Quando chegou a porta, apertou o botão para avisar que estava lá embaixo e logo ouviu a voz da amiga:

-Sim? – ela parecia animada, Lena notou. Numa palavra de três letras ela pode sentir que a voz da amiga estava animada e aquilo cortou seu coração.

-Belle, sou eu. Lena. – disse simplesmente.

-Lena? – a voz perguntou confusa. – Você quer subir?

"Não, não quero", ela pensou, mas forçou-se a dizer:

-Sim. Se não houver problema.

-Não, pode subir. Você pode ficar comigo até Fábio chegar. Vou apertar o botão que abre a porta.

"Droga", Lena pensou. "Ela está esperando Fábio e eu vou chegar e dizer o que? Vou dizer que ele nunca vai chegar".

Subiu as escadas até o terceiro andar, sem pressa nenhuma. Sentia cada vez mais o peso da sua tarefa e Arabelle parecia querer tornar tudo mais difícil, ela pensou, ao ver a amiga sorrindo em frente a porta aberta de seu apartamento.

Arabelle não percebeu, pelo menos não até que Lena estivesse dentro do apartamento, iluminado, que havia sangue nas roupas dela. Num misto de curiosidade e medo, ela perguntou:

-Lena, o que houve com suas roupas?

Lena respirou fundo e soube que era a hora de contar. Não havia jeito, ela precisava fazer o que viera fazer ali.

-Eu estava trabalhando. Ocorreu um ataque no Beco Diagonal hoje.

-Será que é por isso que Fábio se atrasou? Talvez ele tenha se ferido e esteja no Saint Mungus. Eu devia ir pra lá. – Arabelle parou de falar e pareceu pensar em algo antes de continuar. – Lena, por um acaso você viu Fábio?

-Belle. – Lena respirou fundo e pegou a mão da amiga antes de continuar. – Fábio não vai voltar. Ele morreu.

Entre todas as reações que Lena havia previsto para a amiga, a que ela teve não foi uma delas. Num movimento raivoso, Arabelle arrancou sua mão da de Lena e disse:

-Por que você está mentindo pra mim?

-Belle, eu não estou mentindo. – ela falou devagar, buscando acalmar a outra. – Eu estava lá. Fábio e Gideão, os dois estão mortos.

-NÃO MINTA PRA MIM! – Arabelle gritava agora, a voz carregada de raiva. – Por que você está mentindo pra mim? Fábio só esta atrasado, certo? Ele vai chegar. Você vai ver. Daqui a pouco ele vai entrar por essa porta e você não vai saber onde se enfiar já que vai sentir vergonha por contar mentiras.

Ao contrário do que Lena pensará, Arabelle não havia se acalmado, ao contrário, havia ficado ainda mais instável. Se dando conta que não adiantaria tentar falar com ela, apenas sugeriu:

-Tudo bem, vamos esperar Fábio então. Eu fico aqui até ele chegar, por segurança, sabe? É perigoso você ficar sozinha tão tarde.

Arabelle deu um olhar desconfiado, mas não conseguiu rebater aquele argumento. Apenas deu de ombros e disse:

-Você pode ficar, mas eu não ficarei contigo. Vou esperá-lo no quarto, assim que ele chegar, vá embora. – a voz dela era fria e refletia mágoa.

Lena apenas suspirou e não ousou discordar, concordando num aceno de cabeça. Enquanto Arabelle ia até o quarto, ela se acomodou num dos sofás da sala e esperou.

Algumas horas depois, quando já estava quase adormecida, ouviu um grito de dor vindo do quarto e correu para lá. Agora a amiga precisaria dela.

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N/A: Retomando essa fic depois de anos, queria primeiro me desculpar pela demora e assegurar que vou acabá-la e espero que logo. Eu devo isso aos leitores e também preciso fazer isso por mim. Agradecimentos a Dynha Black pelo apoio incondicional e que se não fosse por ela, essa fic já estaria perdida pra sempre.