Capítulo 40 – O Primeiro Natal de Harry Potter
Era tarde quando Linny chegou ao apartamento. Estava escuro e Remo não estava em casa. Estavam na lua cheia. Acendendo a luz, ela encostou-se na parede e fechou os olhos. Odiava a lua cheia, odiava chegar em casa e não encontrá-lo. Era por isso que sempre trabalhava até tarde nesses períodos, para evitar ao máximo ficar sozinha em casa.
O Natal estava chegando e isso a animava um pouco. Tentaria sair mais cedo no dia seguinte para comprar os presentes e depois, apenas mais um dia e teria Remo de volta. Pelo menos até a próxima lua cheia.
Tentou não pensar nisso, pensar numa coisa de cada vez. O relacionamento deles havia melhorado ainda mais, depois da conversa esclarecedora que haviam tido. Não era a mesma coisa de quando estudavam em Hogwarts, mas ela havia concluído que era impossível ser daquele jeito novamente. Eles não eram mais adolescentes, eram adultos, mais maduros, com mais responsabilidades. Eles haviam amadurecido e o relacionamento também. E Linny também entenderá, que para a situação em que se encontravam, no meio de guerra, no meio de tanta violência, eles estavam se saindo muito bem. Muito bem apesar de todas as dificuldades.
Era por isso que agora ela estava se sentindo tão sozinha. Era a primeira lua cheia depois da conversa e da noite que eles haviam tido quando as palavras já não foram mais necessárias. E desde aquela noite, haviam dormido quase agarrados um ao outro, aproveitado cada momento junto, tentando estar sempre presentes e demonstrar aquela presença, nem que fosse num toque de mão, num rolar de lábios, num abraço apertado.
Apesar de não gostar de pensar aquilo, Linny sabia que a tragédia dos Prewett acabou por reaproximá-los. Ter visto tão de perto como era a grande a possibilidade de perder seu amor, como Arabelle havia perdido Fábio, fez com que resolvessem aproveitar cada momento.
E de alguma forma, ela sabia que eles estavam mais parecidos com a Linny e o Remo de Hogwarts do que com os dois estranhos em que quase se transformaram.
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Quando Tiago chegou em casa, viu que a mulher estava acompanhada. Sentada no sofá, ao lado de Lily, estava Arabelle. Tiago teu um sorriso para as duas e disse:
-Boa noite, garotas.
-Boa noite, Tiago. – a morena responde num fio de voz.
-Oi, querido. – Lily disse. – Belle veio jantar aqui hoje. Talvez ela fique para dormir.
-Sem problemas. – ele forçou um sorriso, evitando olhar muito para a morena para não deixá-la desconfortável. Arabelle sempre fora a mais ingênua e a mais frágil do grupo, a que todos tentavam proteger. "Mas havia certas coisas que era impossível evitar", pensou, desgostoso, sobre a morte dos Prewett. –Você precisa de ajuda na cozinha?
-Tiago Potter, nós não queremos que a Belle nunca mais apareça aqui para jantar. – Lílian disse e riu baixinho, Arabelle acompanhou a amiga numa risada sem emoção. – Pensei em pedirmos algo. Essa é a vantagem de morar na Londres trouxa.
-Pizza? – ele perguntou.
-Pizza está ótimo. – foi a morena que respondeu.
-Já estou ligando. – o homem disse e foi em direção ao telefone.
Lílian voltou-se novamente para a amiga. Arabelle estava muito mais que apática. Todos eles já haviam perdido pessoas próximas na guerra, nenhum tão próximo como um noivo, mas mesmo assim conheciam a dor da perda. Todos esperavam que Arabelle fosse dar sinais de melhora depois de um tempo, já faziam duas semanas da morte dos Prewett e ela não parecia apresentar nenhum sinal de melhora, pelo contrário, parecia cada vez pior.
-Ei, Belle, queria dar uma olhada no Harry. Vem comigo?
-Sim. – respondeu numa voz apática.
Lily não disse nada, por que não haviam palavras suficientes, e ela sabia bem disso, para fazer aquela dor passar. Apenas se levantou e foi até o quarto do bebê. Arabelle a seguiu, numa passada mecânica, sem vida.
Harry dormia no berço e a ruiva não pode conter um sorriso. Virou-se para a amiga e falou bem baixinho:
-É um milagre ele estar dormindo. – parou e deu mais uma olhada no bebê de revoltos cabelos escuros – Por outro lado, isso é péssimo. Ele provavelmente vai acordar a noite. – mas mesmo assim não conseguia tirar o sorriso do rosto.
-Você não se cansa? – a morena perguntou, encarando o bebê.
-Um pouco, mas não importa. Só que o importa é como o meu coração bate mais forte quando estou com ele. Acho que é o maior amor do mundo. – falou, reflexiva, a ruiva.
-Maior que o que você sente por Tiago? – a outra perguntou, curiosa.
-São dois tipos de amor diferente, acho difícil os laços que te ligam a um filho, eu não sei, parecem indestrutíveis.
A outra apenas assentiu, sem dizer mais nada. Não entendia nada sobre e aquilo e talvez nunca fosse entender. A mera perspectiva de encontrar outro homem e de construir uma família com ele esbarrava na sensação, que a consumia por dentro, de que nunca seria capaz de deixar de amar Fábio. Mesmo sabendo que nunca mais o veria pessoalmente.
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Mais tarde, depois de ter dado um jeito na louça e acomodado Arabelle no quarto de hóspedes, Lílian foi para o quarto, não sem antes dar uma última olhada em Harry.
Tiago já estava deitado na cama, mas ainda permanecia acordado. Seus olhos fitaram a mulher com carinho, quando ela ingressou no recinto.
Murmurando um "volto logo", a ruiva foi até o banheiro, colocou uma camisola e escovou os dentes. Assim que voltou ao quarto, o marido se mexeu na cama, dando espaço para que ela se deitasse também.
Com um pequeno sorriso nos lábios, Lily ocupou o espaço que Tiago deixou, mas ele logo veio para perto dela, envolvendo-a em seus braços. Permaneceram em silêncio por alguns instantes, enquanto ele passava os dedos por entre os fios vermelhos do cabelo dela.
-Me desculpe por não ter avisado sobre Arabelle. – ela falou primeiro.
-Está tudo bem, Lily. Foi uma surpresa, mas não de um jeito ruim. Simplesmente algo inesperado.
-Estou preocupada com ela. Parece que ela simplesmente não vive mais, entende? O corpo dela está aqui, mas o resto...
-Deve ser difícil passar pelo que ela está passando, Lily. Mas ela vai melhorar. Tudo que Arabelle precisa agora é de tempo e do apoio dos amigos dela. E posso assegurar que o segundo, principalmente, ela está tendo. – falou Tiago para confortar a esposa.
-Ela me pediu para dormir aqui, disse que não consegue ficar sozinha no apartamento deles. Eu deixei. – a ruiva contou ao marido.
-Você fez o certo. – o moreno disse beijando a testa da mulher.
-Tiago, eu não sei o que faria sem você... – ela falou baixinho.
-Não pense nisso, Lílian! – ele falou com vontade. – Não pense nisso, querida. Eu estou aqui e você não vai me perder.
-É que antes, apesar de tudo, as mortes pareciam distantes. E foram se aproximando... Primeiro Marlene e agora os Prewett, membros da Ordem. É difícil não ficar assustada.
-Lily, eu sei que a situação é complicada. Quer dizer, estamos no meio de uma guerra, mas a riscos em qualquer lugar. Veja Linny, ela foi atropelada por uma daquelas coisas trouxas. – ele disse, para acalmá-la.
-Um carro, Tiago.
-Não importa, Lílian. O que eu quero dizer é que há perigo sempre e não podemos deixar que isso nos domine. Precisamos continuar, seguir em frente, até por que agora temos Harry também. Não somos mais só nós dois, temos um filho agora. E você precisa ser forte por ele. – Tiago pausou a fala e olhou intensamente dentro dos olhos verdes da mulher. – E por mim também, Lily. Você precisa ser forte por mim também. Porque sempre que eu saio para uma missão, sempre penso que preciso voltar. Voltar para você, pra nossa família. Por que do mesmo jeito que você não sabe o que faria sem mim, eu também não sei o que faria sem você. – a fala dele terminou num murmúrio baixo.
Lílian olhou fundo nos olhos do marido e apertou seu abraço em torno dele, deixando seus corpos mais próximos.
-Eu te amo, Tiago Potter. - ela sussurrou e sorriu. - E desde quando você se tornou tão sábio?
-Desde que me apaixonei por você, Lílian Evans Potter. - ele falou e colou seus lábios num beijo delicado.
O beijo desfez-se tão suave como começou. O casal ficou em silêncio por alguns instantes, até que a mulher falou:
-Tiago, o Natal está chegando. Vai ser o primeiro Natal de Harry. - ela demonstrou animação pela primeira vez naquela noite.
-Eu sei, querida. - disse e beijou a bochecha dela com carinho. - Você acha que é muito cedo para dar uma vassoura para ele? - perguntou. - Mal posso esperar para ver se ele herdou meu talento para voar.
-Tiago! Harry ainda não tem cinco meses! - ela exclamou, rindo da idéia do marido.
-Mas eu realmente gostaria de saber... - começou, mas foi interrompido.
-Espere um pouquinho, vamos curtir nosso bebê. - a ruiva falou sabiamente. - E quanto a voar, espero realmente que ele herde os seus talentes, por que se herdar os meus... - nem teve tempo de concluir, pois Tiago começou a gargalhar e disse:
-Eu prometo que nunca o deixarei subir numa vassoura! - disse, rindo. - Se isso acontecer. - concluiu.
-Que maldade, Tiago Potter! Eu não era tão ruim assim. - ela resmungou, fazendo bico.
-Lily, você era horrível. - ele continuava a rir. - Não esqueço de quando você confundiu a frente da vassoura com a parte de trás. - e explodiu em outra gargalhada.
As bochechas da riva ficaram vermelhas, num misto de raiva com vergonha e ela acabou beliscando levemente o braço do marido.
-Ai! - o moreno deu um grito de dor. - Isso dói, Lils.
-Era para doer. - ela mostrou a língua para ele.
-Você é malvada, Lílian Evans. - ele disse, olhando fixamente para os olhos verdes dela.
-E você adora isso em mim. E foi por isso que casou comigo. - ela retrucou.
-Bom... - ele disse e pausou, como se estivesse parando pra pensar. - Definitivamente não foi pelo seu talento com vassouras. - provocou-a mais uma vez.
Lílian ia beliscá-lo mais uma vez, mas ele segurou a mão dela e tocou-a com os lábios, desmontando qualquer reação da mulher.
-Eu te amo, Lily. - disse em seguida.
Toda a irritação dela sumiu e não pode conter um sorriso.
-Eu também te amo. - respondeu, beijando-o rapidamente. - Tive uma idéia. - continuou. - Que tal se fizessemos uma festa de Natal? Não para muita gente. - ela começou a explicar. - Apenas nós, Sirius e Dynha, Linny e Remo, Lena, Belle e Pedro. Acho que seria uma ótima oportunidade de juntar todo mundo.
-Por mim não tem problema, Lils. Sinto falta dos Natais em Hogwarts. Seria ótimo poder juntar todo mundo.
-Cuidarei disso. - ela falou.
-Eu sei que vai. Vem aqui! - ele puxou-a mais para perto.
-O que? - ela perguntou. - Está tarde. - resmungou, sem vontade.
-Não venha me dizer que está tarde. - ele sorriu maroto. - Tenho planos para nós.
-Pois eu tenho planos para o meu sono de beleza. - provocou-o.
-Não, não, Lílian Evans. - ele respondeu.
-Não o que? - ela fez-se de inocente.
-Nem pense em dormir. - ele beijou-a rapidamente. - Pelo menos não agora. - e com mais um sorriso maroto nos lábios, puxou-a para outro beijo.
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Era tarde quando Lena chegou em casa e ela esperava que Erwin já estivesse dormindo. Se ele estivesse acordado, a mulher sabia o que viria em seguida: um sermão sobre a hora que havia chegado.
Abriu a porta tentando ser o mínimo possível barulhenta e o máximo possível silenciosa. Não havia luz na sala e ela se permitiu um sorriso aliviado que não durou muito. A luz da cozinha estava acesa e logo o homem saiu de lá e veio em sua direção.
-Trabalhando até tarde? – ele perguntou.
-Pois é. – respondeu. – Só quero um banho quente e uma boa noite de sono.
-Eu fiz o jantar. Você precisa comer.
Lena quis xingá-lo e dizer que ele não era seu pai, mas não disse nada. Se reclamasse a discussão se estenderia por muito mais tempo e ela realmente queria dormir. Apenas se dirigiu a cozinha e serviu um prato da sopa que ele havia feito.
-Você não está falando muito hoje. – parecia um resmungo dele.
Ela quis gritar e dizer que estava comendo, mas mais uma fez calou-se e não disse nada. Continuou comendo e pensando em como eles haviam chegado àquele ponto. Ela sentia-se sufocada pelo jeito super-protetor dele, mas não sabia o que fazer respeito, então acabava sempre ficando em silêncio. Nunca havia sido adepta da conversa em seus relacionamentos anteriores e isso acabava deixando-a perdida no relacionamento atual. Acabou seu prato e agradeceu:
-Obrigado. Estava ótimo. – apesar de tudo, a preocupação dele fazia com que ela se sentisse amada. Erwin deu um sorriso para e disse:
-Vamos dormir?
-Só vou tomar um banho antes. Você pode me esperar na cama. – e deu um sorriso fraco.
-Arabelle não vem hoje? – ele perguntou.
A mulher negou com a cabeça e viu uma expressão aliviada tomar conta do rosto de seu companheiro. Arabelle havia passado os dias seguintes a morte de Fábio no apartamento de Lena. No início Erwin havia lidado bem com a situação, mas chegou a um ponto em que a presença dela o deixou a beira de um ataque de nervos. Lena havia conversado com ele e o homem não reclamou e sequer demonstrou à Arabelle o que sentia, tratando-a muito bem. Apesar de tudo, aquela expressão no resto dele acabou irritando-a.
-Arabelle está passando por um momento difícil. – ela disse, de modo agressivo.
-Eu sei. – respondeu Erwin, surpreso com a reação dela. – Ela só estava me deixando agoniado, sabe? Toda aquele energia negativa, parecia que ela não ia melhorar nunca.
-E talvez não vá. – a voz dela saiu novamente em tom agressivo e Lena buscou controlar-se na próxima fala. – É difícil perder alguém.
-Eu sei, Lena. Não precisa ficar irritada. – ele pareceu magoado.
-Me desculpe. – ela disse, sinceramente. – Tem muita coisa acontecendo e isso está me incomodando. – explicou, omitindo um pouco das informações.
-Eu entendo. Vou te esperar na cama, certo? Tome um banho e vamos descansar. – Erwin deu um beijo na testa da mulher e foi para o quarto.
Lena deu um suspiro profundo quando ele saiu e com um movimento de varinho limpou seu prato e guardou tudo. Foi então para o banheiro, uma pergunta ainda ecoando em sua mente: como eles haviam chegado naquele ponto?
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No Dia Seguinte
Linny chegou em casa carregando muitas sacolas. Tão logo Lílian avisou-a sobre a festa de Natal, ela sentiu-se entusiasmada e saiu atrás de enfeites natalinos para o apartamento. Iria deixar tudo decorado para esperar Remo.
Abriu a porta e foi colocando as sacolas pelo chão. Depois correu até o quarto, colocou uma roupa confortável, água para aquecer e fazer um chá e voltou para a sala.
Na sala, começou a esvaziar as sacolas, espalhando tudo que havia comprado pelo chão para ter uma visão melhor.
Enquanto formava imagens da decoração em sua mente, pegou a varinha e, magicamente, começou a colocar tudo no lugar.
Ficou um bom tempo naquela tarefa, cantarolando músicas natalinas em voz baixa, surpresa com seu estado de espírito animado. Foi interrompida quando estava terminando, por uma batida na porta.
Surpresa, por que não estava esperando ninguém, foi até a porta e abriu-a. Era Arabelle que estava do outro lado.
De repente Linny não ficou mais surpresa. Já sabia que Arabelle estava dormindo na casa das amigas e de certa forma estava esperando que batesse em sua porta.
-Boa noite, Belle. – cumprimentou, um sorriso simpático no rosto. – Você quer entrar?
Arabelle não disse nada, foi logo entrando.
-Você estava decorando. – ela observou, apontando os enfeites natalinos.
-Sim. – Linny confirmou. – O Natal está chegando.
-Não tinha me dado conta. – observou, num tom de voz sem vida.
-Lily e Tiago vão dar uma festa. Ela disse que te mandou uma coruja.
-É? Ainda não vi. Não passei em casa hoje.
Linny fez um esforço para não demonstrar sua surpresa. Apenas ofereceu:
-Quer um chá? Eu estava fazendo para mim.
-Eu aceito. – respondeu formalmente.
Linny foi até a cozinha e preparou o chá. Voltou à sala com a bandeja e colocou-a sobre a mesinha de centro. Pegou sua xícara e ficou observando a amiga fazer o mesmo.
-Então, como você está? – perguntou Linny.
-Tudo bem. – respondeu no mesmo tom de voz arrastado e sem vida. Como se falar fosse difícil. – Posso ficar aqui hoje? – perguntou rapidamente.
-Se você quiser. – Linny respondeu delicadamente. –Você tem tudo que precisa? Não quer buscar nada em casa? – perguntou com cuidado.
-Não preciso ir para casa. – disse tão rápido como se quisesse evitar aquilo. - Tenho tudo que preciso aqui. – apontou para sua bolsa.
-Belle... – Linny começou e pegou a mão da amiga entre a sua, com carinho. –Você não acha que está na hora de começar a reagir?
Arabelle encarou Linny com um olhar raivoso. A intensidade do olhar dela fez com que a outra não falasse mais nada, mas evitasse desviar os olhos.
-Posso ir embora se você quiser. – Arabelle falou em tom alto e com raiva.
-Não, você pode ficar. Não quero te mandar embora. É só que todas nós estamos preocupadas com você. Já faz quase duas semanas, Belle. Você precisa reagir.
-É fácil falar. Você não perdeu ninguém. – a voz de Arabelle era pura agressividade.
Linny colocou as mãos sobre o ventre, num movimento quase automático e abaixou os olhos. Sentiu-se envolvida por uma tristeza súbita e não conseguiu assimilar as palavras.
-Lin, me desculpe. – Arabelle disse, a voz suave dessa vez. –Eu só não sei mais o que fazer. Sinto tanta falta dele.
Linny elevou os olhos e voltou a segurar as mãos da outra.
-Está tudo bem. Você tem todo o direito de se sentir assim. E nós temos todo o direito de querer nossa amiga de volta, Belle. Nós amamos você, por isso, leve o tempo que quiser, mas volte pra gente.
Arabelle deu um meio sorriso verdadeiro e que Linny comemorou intimamente. Comemorou ainda mais quando sentiu os braços da outra envolvendo-a num abraço e o som abafado das lágrimas e do choro da amiga. Finalmente Arabelle estava colocando suas emoções para fora. Ficaram assim por alguns minutos, até que Arabelle se afastou.
-Acho que está na hora de eu ir para casa. – ela disse, sem raiva ou mágoas dessa vez.
-Se você quiser pode ficar. – Linny ressaltou.
-Não, Lin. Está na hora de ir para casa. Fábio não gostaria de me ver assim.
-Com certeza não, Belle. Fábio a amava e odiaria vê-la assim.
-Eu sei. Estou indo então. Obrigado por tudo.
-Eu sou sua amiga. Não precisa me agradecer. Amigas são para isso. – Linny envolveu-a novamente num abraço.
-Diga para Remo que deixei um oi. – Arabelle falou antes de acenar um 'tchau' e aparatar.
Linny sorriu, olhando para o espaço onde a amiga antes estava e depois voltou seu olhar para a decoração de Natal que ainda não estava completamente pronta.
Sorrindo e novamente cantarolando, retomou sua tarefa.
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Sirius e Dynha estavam no Beco Diagonal fazendo suas compras de Natal. O moreno encarava fixamente a vitrine de uma loja de presentes para crianças. Ali, em destaque na vitrine, uma mini-vassoura se destacava.
-O que você está olhando aí? – a mulher perguntou, curiosa.
-Só um presente para Harry. Você acha que ele é muito novo para ganhar uma vassoura?
-Sirius! – ela exclamou, rindo. – Harry ainda não tem cinco meses. O que você acha que Lílian faria se Harry ganhasse uma vassoura?
-Lílian não gostaria, mas Tiago... Tiago adoraria. – ele falou, um sorriso maroto nos lábios.
-Nem pense nisso, Sirius Black. Compre para Harry um presente adequado para uma criança da idade dele.
-Mas Dy... Qual é a graça se seguirmos todas as regras? – o homem perguntou.
-Não tem graça. – ela disse simplesmente. – Mas também não tem fúria de Lily. – completou, levantando os braços como se imitasse uma balança imaginária. – Graça ou fúria de Lily? – perguntou, olhando para dentro dos olhos azuis dele.
-Definitivamente não quero ver a fúria de Lily. As beliscadas de Lily são dolorosas.
-Ótimo. Compre um presente que vá deixar Lily feliz e assim eu fico com você inteiro. – ela disse, ficando na ponta dos pés e sussurrando no ouvido dele. – Sirius Black é sempre Sirius Black, mas um Sirius inteiro é melhor que um Sirius debilitado. E eu com certeza quero um Sirius inteiro para mim.
-Menina safada. – ele respondeu, também num sussurro, colocando suas mãos na cintura dela e trazendo-a para si.
Dynha apenas riu e beijou-o, sem se importar que os dois estavam no meio da rua.
Sirius afastou seus corpos, levemente ofegante, e correu seu dedo pela bochecha corada dela.
-Por mais que eu quisesse te levar pra casar e terminar isso lá. – ele começou. – Ainda temos presentes para comprar.
-Eu sei. – ela assentiu. – Mas só por que precisamos comprar os presentes, não quer dizer que tenhamos que demorar.
-Com certeza não. Vamos nos separar? – ele sugeriu. – Nos encontramos em uma hora? – sugeriu.
-Quarenta e cinco minutos? – Dynha diminuiu o tempo.
-Quarenta. – ele disse, rindo. E puxou-a para um beijo rápido, antes de entrar na loja para escolher o presente do afilhado.
Dynha ficou um tempo parada, um sorriso bobo e satisfeito no rosto e saiu. Ainda precisava encontrar o presente perfeito para Sirius. E tinha apenas 40 minutos para isso.
Dentro da loja, Sirius procurava um presente. Era difícil, ele pensou, escolher um presente tendo que pensar em agradar não só Harry, mas também Lily. Ficou um bom tempo parado e quando se deu conta, já havia perdido quinze minutos do seu tempo e ainda precisava escolher o presente de Dynha.
Sirius tomou então uma decisão, uma vez maroto sempre maroto. Se fosse depender da opinião de Lílian não daria nenhum presente legal para o afilhado. Daria um livro ou algo assim. E Harry era filho de um maroto e precisava ser preparado para isso. Satisfeito consigo mesmo, Sirius levou apenas mais cinco minutos para escolher o que queria e depois de pagar, foi atrás do presente de Dynha.
O presente de Dynha era realmente a maior dúvida dele. Não podia ser simplesmente um presente, tinha que ser o presente. Sirius nem sabia explicar como Dynha havia se tornado parte tão importante da sua vida, mas agora ela era. E o presente tinha que traduzir exatamente isso: como ela era única e especial na vida dele.
Saiu andando pelo Beco Diagonal, um olho no relógio e o outro nas vitrines. E então, ao passar na frente da joalheria, Sirius viu o que procurava. Com um sorriso confiante, entrou na loja e saiu com o presente que queria. E Sirius sabia, simplesmente sabia, que não haveria como Dynha resistir.
Dynha também encontrava dificuldades para escolher o presente do companheiro. Apesar de já estarem namorando há um bom tempo, em alguns aspectos Sirius ainda era um mistério para ela. E isso era um dos incentivos no namoro. A possibilidade de se descobrir era sempre estimulante.
Estava passando em frente a Floreios e Borrões quando viu um enorme cartaz de publicidade, onde o que mais chamou atenção dela, não foi o título do livro ou o nome do autor, mas a figura estampada: era Veneza. Uma idéia surgiu na mente dela, que sorriu para si mesma e foi logo encontrar o namorado. Seu presente não seria comprado ali.
Quando se encontraram na frente da loja de brinquedos, os dois sorriam. Deram uma olhada rápida para o relógio de Sirius e não puderam evitar uma risada. Haviam levado apenas trinta e quatro minutos.
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Linny acabou adormecendo no sofá. Sabia que Remo só chegaria pela manhã, mas estava tão ansiosa que achou que se dormisse na sala acordaria no momento em que ele chegasse. Sempre ficava animada quando a lua cheia acabava, mas nunca havia sentido tanta falta e saudade dele quanto dessa vez. Do mesmo modo, nunca havia ficado tão ansiosa para tê-lo de volta.
Demorou para adormecer, mas finalmente acabou pegando no sono quando a madrugada já se desenhava.
Assim que parou na porta do apartamento, Remo viu a guirlanda natalina presa na mesma. Curioso, abriu logo a porta procurando evitar fazer muito barulho, Linny provavelmente já estaria dormindo e ele não queria acordá-la. Ficou surpreso quando viu que ela dormia desajeitada no sofá, entretanto não pode evitar um sorriso. Se Linny estava ali provavelmente era por que estava esperando por ele. A decoração de Natal também saltou aos seus olhos. Havia muito dourado, vermelho e verde, uma árvore num canto, com uma enorme estrela no topo e bolinhas pendentes do teto.
Controlou-se para não acordá-la e abraçá-la, por que era isso que queria fazer, mas olhou para suas roupas, sujas e rasgadas, além da sua falta de banho e desistiu. Primeiro iria tomar um banho, depois acordaria a mulher e a levaria para a cama.
Passou pela sala em silêncio e chegou ao banheiro. Deu outro sorriso lá. Linny já havia deixado uma toalha separada para ele. Resolveu deixar a porta aberta, caso ela acordasse e ouvisse algum barulho, veria que não era um estranho no seu banheiro.
Tirou as roupas rasgadas e deixou-as acumularam-se no chão. Não havia salvação para elas, daria um jeito depois. Ligou o chuveiro, deixando a água bem quente e moveu seu corpo para baixo do jato de água. Sentiu seus músculos relaxarem e continuou seu banho.
Linny acordou logo depois que Remo havia chegado. Ouviu o som de água correndo e por um momento se assustou. Depois de pensar claramente, concluiu que dificilmente alguém invadiria sua casa apenas para tomar banho e provavelmente deveria ser Remo, que havia chegado e por algum motivo não quis acordá-la.
Ficou meio decepcionada com aquilo, mas resolveu que ainda tinha tempo para surpreendê-lo. Levantou-se do sofá e foi até o banheiro. Deu um meio sorriso ao ver a porta aberta e pensou em entrar logo e pegá-lo de surpresa, mas desistiu ao ver o montinho de roupas pelo chão e algumas manchas de sangue sobre elas. Era por isso que Remo havia ido direto para o banho. Sentiu um aperto no coração ao imaginar que ele podia estar muito machucado e não pode se conter, acabando por perguntar, do lado de fora do banheiro:
-Remo, como você está?
Remo ouviu a voz de Linny e ficou surpreso, feliz também.
-Você acordou. – ele disse. – Onde você está? – perguntou tentando localizá-la através da voz.
-Estou aqui do lado da porta. – ela respondeu, confusa com a pergunta. Você está bem? – insistiu.
-Só cansado. – ele respondeu. – E um pouco dolorido. A água quente está ajudando.
-Senti muito a sua falta. Parecia que o tempo não passava nunca.
Ele sorriu e sentiu-se mais tranqüilo. Simplesmente saber que ela estaria lá quando ele voltasse, que ela sempre o apoiaria, tornava aquela situação complicada um pouco mais fácil.
-Também senti sua falta. – falou num tom apaixonado. – Entre aqui. – completou.
-Certo. – Linny concordou e entrou no banheiro. Remo virou-se para ela, um pouco embaraçado e meio preocupado com o que ela pensaria dos seus machucados, mesmo assim sorriu.
A mulher retribuiu o sorriso e aproveitou para avaliar as condições físicas dele. Remo tinha vários arranhões espalhados pelos braços e pernas e um maior e mais profundo no peito. Talvez ele ficasse com alguma cicatriz, ela pensou, triste.
-Eu não estou tão machucado dessa vez. – Remo falou, percebendo o olhar dela.
-Eu não estava olhando. – ela negou com uma resposta automática.
-Estava assim. – ele afirmou. – Mas não tem problema.
-Só fiquei preocupada com você. – Linny afirmou.
-Eu sei, Lin. Não fiquei chateado. Vi que você decorou para o Natal. – ele mudou de assunto.
Ela riu baixinho, olhando para ele:
-Por que todo mundo parece ficar surpreso com isso? – perguntou, num tom brincalhão. – O Natal está chegando e decorar é uma tradição.
-Eu gostei. Quem mais ficou surpreso?
-Arabelle. Ela esteve aqui.
-Ela está melhor? – Remo perguntou.
-Acho que vai ficar. – a mulher respondeu.
Ficaram em silêncio por alguns instantes, até que Remo disse:
-Eu ia te acordar quando acabasse meu banho. Já estou terminando, quer me esperar no quarto? – perguntou.
-Não. – negou Linny – Tive uma outra idéia. – disse, sorrindo misteriosamente.
-E qual é? – o homem perguntou, curioso.
-Posso me juntar a você? – ela questionou.
A expressão dele refletiu um misto de surpresa, alegria e expectativa. Assentiu positivamente e Linny se livrou da camisola e entrou embaixo do chuveiro com o marido. O espaço não era muito grande, o que fez com os corpos dois ficassem muito próximos.
-Oi. – ela disse, passando seus braços em torno do pescoço dele e encostando suas testas.
-Oi. – ele respondeu, um sorriso bobo no rosto. – Queria que tivéssemos uma banheira. Teríamos mais espaço.
-Eu gosto assim. Ficamos tão pertinho. – Linny disse e pressionou seu corpo contra o dele.
-Você esta tentando me seduzir, Sra. Lupin? – Remo perguntou, erguendo a sobrancelha.
Ela sorriu ao ouvi-lo chamá-la daquele jeito. Dando um olhar ousado para o corpo dele, disse:
-Não sei. – provocou. – Está funcionando? – indagou, piscando o olho para ele.
-Com certeza. – confirmou Remo, colocando suas mãos na cintura dela e puxando-a para perto.
-Eu te amo, Remo. – Linny declarou-se e complementou – E realmente senti sua falta.
-Eu também te amo. – beijou-a rapidamente nos lábios. – E também senti sua falta.
Linny deu um último sorriso para ele e puxou-o para mais um beijo.
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A festa de Natal celebrada por Tiago e Lily seria na véspera do Natal. Naquela noite do dia 24 de dezembro, Lílian conferiu os últimos detalhes da decoração e do jantar da festa e foi tomar seu banho. Tiago já estava pronto e vestido e brincava com Harry, que parecia animado, vestido com seu suéter verde, "para combinar com os olhos", segundo Lily. Tiago não discordou da mulher. Apenas ficou olhando enquanto ela arrumava Harry como se ele fosse um bonequinho, Tiago às vezes se pegava imaginando o que Lily faria se tivessem tido uma menina.
Harry estava fascinado com os enfeites da árvore de Natal. Parecia completamente atraído pelas bolas penduradas. Estava sendo difícil conter as mãos do garotinho, ansiosas para puxar as bolas.
Tiago sabia que se algo acontecesse com a decoração ou com o filho, Lily encarnaria seu espírito de monitora furiosa de Hogwarts. Ele riu baixinho somente de lembrar.
Foi só se distrair um pouquinho, que o filho puxou seus óculos. Aparentemente, Harry havia achado outra coisa para brincar.
-Ei, devolva os óculos do papai! – Tiago falou, mas sem conseguir enxergar direito não conseguia alcançar os óculos da mão do filho.
Para complicar ainda mais a situação, foi nessa hora que tocaram a campainha da casa. Tiago levantou-se do sofá, o filho nos braços, e sem conseguir enxergar direito, bateu na porta antes de abri-la. Sirius e Dynha estavam do outro lado.
-Ei, Pontas. – Sirius cumprimentou. – Onde estão seus óculos? – perguntou, sabendo que o amigo era praticamente cego sem eles.
-Harry pegou e não consigo pegar de volta.
Sirius deu uma gargalhada, que foi acompanhada por um riso discreto de Dynha.
-Não tem graça, Almofadinhas. Só me devolva meus óculos antes que esse pestinha faça alguma coisa que vá deixar Lily de mau humor.
As palavras "Lily" e "mau humor" fizeram Sirius agir rapidamente. Dynha apanhou Harry dos braços de Tiago e Sirius pegou os óculos, colocando-os no rosto do amigo.
-Então... – Sirius disse, olhando para o afilhado e depois para Tiago. – Já é um maroto honorário. – e riu.
-Ou está no caminho para ser. – Tiago sussurrou. – Só não deixe Lily te ouvir. Nós dois não queremos o espírito da monitora certinha encarnado hoje. – completou baixinho.
-Com certeza não. – Sirius assentiu.
Foi nesse instante que Lílian voltou a sala. Havia tomado banho e posto um vestido verde, de mangas compridas, que tinha um laço amarrado nas costas. Tiago não deixou de notar que era o mesmo verde do suéter do filho e deu um risinho baixo. A voz da ruiva encher o ambiente:
-Tiago, você não vai convidá-los para entrar?
-Vou sim, Lily. É que os dois acabaram de chegar. – explicou, caminhando até o sofá, seguido de perto por Sirius e Dynha, que ainda segurava Harry.
Lílian foi buscar alguns aperitivos na cozinha enquanto os três começavam a conversar na sala. Assim que a ruiva retornou, Dynha comentou:
-Ele é tão calmo, Lílian. Peguei-o no colo e ele nem reclamou.
A ruiva deu um sorriso sincero e disse:
-Eu sei. Até me surpreendo às vezes. Logo que ele nasceu era terrível. – ela trocou um rápido olhar com Tiago, que concordou.
-Chorava todas as noites, mas dormia durante o dia como se não houvesse amanhã. – o moreno disse. – Acho que posso dizer por nós dois, que estamos mais que aliviados que ele cresceu.
Os quatro riram da afirmação de Tiago e Sirius aproveitou para segurar um pouco o afilhado. A campainha tocou mais uma vez e Lílian se levantou para atender. Haviam combinado de não usarem meios bruxos para chegar a festa, uma medida de segurança para não atrair comensais.
Linny e Remo que haviam chegado dessa vez. As duas mulheres se abraçaram e Lílian guiou o casal até onde os outros estavam. Remo não pode deixar de perceber como os olhos da esposa brilharam ao ver Harry e colocou a mão sobre o ombro dela, carinhosamente.
-Sirius, me deixe segurá-lo. – Linny pediu.
Sirius concordou e alcançou a criança para Linny. Sorrindo, a morena acomodou Harry em seus braços. Lílian já havia sumido novamente, buscando mais aperitivos.
-Aproveitando que Lily não está aqui. – Sirius disse, atraindo olhares curiosos sobre ele. – Qual foi o grau de dificuldade de vocês para encontrarem o presente desse pestinha com todas as restrições da nossa adorada Lily? – ele bagunçou os cabelos de Harry, ao dizer aquelas palavras.
Um riso baixo escapou do grupo e foi Remo que respondeu:
-Foi um pouco complicado. Cada vez que escolhíamos algo, olhávamos a lista e víamos que não era indicado. Deve ser difícil ser trouxa... – os outros olharam para Remo curiosos. – Quer dizer, é preciso ter muito tempo ocioso para perder tempo elaborando listas de presentes para cada idade. – O lobisomem se referia ao livro que Lily havia mandado junto com a lista e que explicava os melhores brinquedos para cada idade.
Outro rodada de risadas tomou conta deles.
-Eu queria dar uma vassoura para ele. – Tiago começou. – Mas Lily não deixou.
-Ei, eu também queria dar uma vassoura. – Sirius disse e os dois trocaram um olhar cúmplice.
-Quem bagunçou o cabelo do meu filho? – a ruiva perguntou, ao retornar ao recinto.
-Ninguém bagunçou, Lily. – foi Linny que respondeu. – É bagunçado assim naturalmente.
-Mas parecia mais arrumadinho antes. – a ruiva permanecia desconfiada.
-Lily, meu amor, essa é a minha maior herança na aparência do nosso filho. Se você gosta em mim, gosta nele também. – Tiago falou, passando o braço em torno dos ombros da mulher que ficou sem palavras.
Os seis adultos se envolveram em conversas amenas, enquanto brincavam com o pequeno Harry. A campainha tocou mais uma vez e Lena e Arabelle haviam chegado.
Arabelle parecia bem melhor. Havia cor nas suas bochechas e ela já não lembrava tanto um zumbi, pelo menos na opinião de Tiago que ele tratou de guardar para si. Lena estava vestida de preto, mesmo sendo Natal e estava sozinha, o que chamou atenção. As duas mulheres se juntaram ao grupo e depois de alguns minutos de conversa, Sirius perguntou:
-Lily, o que falta pra você nos servir o jantar? Eu estou morrendo de fome.
-Estou esperando o Pedro. – ela disse.
-Pedro não vem, Lily. – Remo respondeu. – Ele me avisou hoje, mas disse que também já tinha avisado o Tiago.
Lílian lançou um olhar fulminante para o marido e ia começar a reclamar quando Tiago antecipou-se e beijou-a. Lily não esperava aquilo e ficou meio aturdida quando Tiago soltou-a. Levantou-se e caminhou até a cozinha, seguida por Linny que foi ajudá-la.
O jantar transcorreu sem muitos acidentes, a maioria deles acontecia quando algo chamava a atenção de Harry a ponto de o menino esticar suas mãozinhas para pegá-lo. Isso aconteceu com os cabelos de Sirius e o cordão de Linny.
Depois do jantar veio a sobremesa e acabaram se dividindo em grupos para conversar. Logo seria meia noite e eles celebrariam o feliz Natal.
As mulheres sentaram-se no sofá, enquanto os Marotos permaneceram na mesa. Duas garrafas de vinho, uma vazia e a outra bem perto disso, estavam na frente deles, que riam sem parar entre uma fala e outra. Harry havia finalmente adormecido, cansado dos acontecimentos da noite e Lily havia colocado-o no berço.
-Lena, onde está Erwin? – Linny perguntou.
Lena mexeu-se, meio desconfortável e respondeu:
-Ele foi passar o Natal com a professora Dragonheart.
-Está tudo bem com vocês? – dessa vez foi a ruiva que perguntou.
-Defina estar bem. – foi a resposta curta da outra.
As três mulheres trocaram olhares e foi Arabelle que respondeu:
-Então não está bem.
As três permaneceram encarando a amiga, que sem outra opção, acabou explicando:
-Eu me sinto muito presa. Parece que ele está me sufocando.
-E você já tentou conversar com ele sobre isso? – Dynha perguntou, fazendo parte da conversa pela primeira vez.
Lena negou com a cabeça e depois falou:
-Nunca fui de manter diálogos nos meus relacionamentos. Eu realmente gosto de Erwin, mas não sei nem como tocaria nesse assunto com ele.
-Você deveria tentar. Se você realmente gosta dele, não vai querer vê-lo escapar das suas mãos. – Arabelle disse e uma sombra de tristeza passou por seus olhos.
Nenhuma das outras três conseguiu pensar em mais nada para dizer. Acabaram, então, pegando Arabelle de surpresa ao lhe darem um abraço. Dynha permaneceu apenas olhando, aproveitando a oportunidade de observar o que era uma verdadeira demonstração de amizade.
Da mesa, os Marotos observavam atentamente a conversa das mulheres. Depois daquele abraço, as cinco começaram uma conversa que parecia bem mais animada.
-Acho que elas estavam falando sobre Arabelle. – Sirius disse. – Ela parece bem melhor, né?
-Com certeza. Você tinha que ver como ela estava quando apareceu aqui essa semana. Parecia um zumbi. – Tiago falou.
-Ela esteve lá em casa também. – Remo comentou. – Mas eu não estava em casa.
-É mesmo. Era lua cheia. Correu tudo bem? – Sirius perguntou.
-Só fiquei muito cansado. – o lobisomem respondeu. – Minhas transformações são bem mais complicadas do que eram em Hogwarts. – ele deu um sorriso nostálgico.
Sirius e Tiago colocaram a mão sobre o ombro do amigo e não disseram nada. A ausência deles nas transformações de Remo era uma situação que eles tentaram evitar, mas não conseguiram. Com a vida adulta vieram as responsabilidades e eles não estavam mais disponíveis quanto nos tempos de escola.
-Vamos, está tudo bem. Vai ser Natal em poucos minutos. Não fiquem chateados. – Remo disse. – Como vocês estão esses últimos dias? Quer dizer, como você está, Sirius? Tiago eu já vi que anda bem ocupado cuidando de Harry.
-Bom, já que estamos falando de filhos. Eu e Dynha estamos tentando. – ele falou, fixando seu olhar na mulher sentada no sofá e sorrindo.
-Uau, Almofadinhas! – Tiago exclamou. – Estou realmente surpreso. Filhos são uma grande responsabilidade.
-E eu quero dividir essa responsabilidade com ele. – Sirius soou apaixonado.
-Estou feliz por vocês. – Tiago disse. – E ficarei ainda mais feliz quando souber que vou ganhar um afilhado.
-E quem disse que você vai ser o padrinho? – Sirius provocou.
-Você não faria isso comigo, Almofadinhas. – Tiago retrucou.
-Descobriremos num futuro próximo, se tudo der certo. – Sirius falou em tom de mistério.
-E vocês, Remo, tem tentado? – Tiago perguntou para envolver o amigo na conversa.
-Não. Linny quer filhos, mas minha condição impede.
Tiago não disse nada, ficou em silêncio pensando sobre o que Lílian havia contado, do bebê que Linny havia perdido. Pelo jeito ela não havia contado nada para Remo e aquela opinião dele justificava. O moreno voltou a conversa quando ouviu Sirius perguntar:
-Então vocês não terão filhos nunca?
-Não enquanto minha condição atrapalhar, então acho que nunca.
Vendo que a conversa não levaria a nenhum lugar, Tiago interrompeu:
-Já é quase meia noite! – falou em voz alta, conseguindo a atenção das mulheres também.
Todos se levantaram e foram para o centro da sala. Tiago foi para perto de Linny, Sirius enlaçou Dynha pela cintura, Remo abraçou Linny e Arabelle segurou a mão de Lena. Quando deu meia noite os oito se cumprimentaram com um Feliz Natal e celebraram o primeiro Natal de Harry Potter.
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Lena sentiu algo quente próximo de seu curso e procurou sua varinha, que sempre deixava na mesinha ao lado da cama. Segurando firmemente a varinha, virou-se na cama e estava pronta para atacar o "invasor", quando viu que era apenas Erwin.
-Droga! – exclamou. – Você me assustou demais. – reclamou.
-Desculpe. – ele disse. – Às vezes me esqueço que você é uma auror. Vigilância contante! – brincou.
A expressão dela era de poucos amigos e Erwin se calou.
-Continuo com sono. Acho que vou dormir mais um pouco. – a mulher disse.
-Tem certeza? Já é quase meio dia.
-Meio dia? – Lena perguntou surpresa. – Como dormi até essa hora?
-A festa estava boa? – ele sugeriu.
Ela assentiu com a cabeça e mudou de assunto:
-Falando nisso, que horas você chegou? – perguntou.
-Faz pouco tempo.
-Uhm...
-O que foi? Ficou com ciúme? – brincou novamente.
-Só fiquei meio decepcionada que você não estava em casa. Estava te esperando. Mas como foi seu Natal?
-Faltou você. – sorriu, passando as mãos nos cabelos dela. – Miriam e eu ficamos bêbados. – ele gargalhou com a lembrança. – E não foi só nós. O dragão também.
-Eu não sabia que dragões podiam ficar bêbados. – Lena observou.
-Nem eu. Foi divertido. Tem uma língua e tanto aquele dragão. Foi bom, mas preferia ter ficado com você. – concluiu.
-Eu sei. Mas gosto do fato de você e Miriam estarem se falando novamente. Mostra que você não é como seus irmãos.
Erwin deu um grande sorriso e abraçou-a com força.
-Ei, eu não consigo respirar. – ela murmurou.
Erwin afrouxou o abraço, mas ainda manteve-a em seus braços.
-Aproveitando que estamos conversando e pelo jeito não vou voltar a dormir, eu queria te pedir uma coisa.
Ele olhou-a num misto de curiosidade e apreensão:
-O que? – acabou perguntando.
-Eu gosto quando você cuida de mim, mas também preciso respirar. Eu sempre fui muito independente, às vezes acabo me sentindo sufocada.
-Só faço isso por que gosto de você. – ele rebateu.
-Eu sei. Por isso estou conversando. Não quero a que a gente perca o que temos de especial por não termos conversado. – Lena disse e beijou-o.
-Não vamos perder. – ele disse quando finalizou o beijo.
Ela sorriu e abraçou-o com força.
-Feliz Natal, Erwin. – disse, no pé do ouvido dele.
-Feliz Natal, Helena.
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Dynha acordou e aproveitou para aproximar ainda mais seu corpo de Sirius. Neve caía na rua e a temperatura deveria estar muito baixa, mas no quarto ela sentia calor mesmo que não usasse nada por baixo do cobertor que cobria seu corpo.
Sorriu para si mesma ao lembrar da atitude do namorado na noite anterior quando haviam voltado da festa. Sirius disse que o melhor presente de Natal que ele poderia ganhar era um filho e havia sugerido que passassem a noite tentando. Ela Havaí concordado e os dois passaram a noite fazendo amor.
-Bom dia. – a voz de Sirius encheu o ambiente. – Você já está acordada. E corada.
Dynha riu baixinho, as lembranças da noite anterior invadindo sua mente e deu um beijo rápido nos lábios dele.
-Assim vale a pena acordar. – Sirius disse.
-Aproveite. É só por que é feriado. – ela disse, divertida.
-Uhm... Nenhuma chance de você repetir isso amanhã. – perguntou o moreno.
Ela assentiu negativamente, só para provocá-lo e deu um sorriso maroto. Sirius apenas puxou-a para si e depois de dar um beijo no pescoço dela, perguntou:
-Nem se eu fizer isso? – e mais uma vez beijou a pele macia do pescoço dela.
-Assim eu posso pensar duas vezes. – Dynha disse, quando pela terceira vez ele beijou-a no pescoço. Ela deu um suspiro baixo e ele voltou sua atenção para o rosto dela.
-Você está mais corada agora. – o homem disse. – Eu adoro suas bochechas vermelhas.
Dynha sorriu e acabou dizendo:
-Eu sei que você falou qual era o presente que você queria, mas eu te comprei outra coisa.
-Eu até diria que não precisava, por que seria educado, mas não seria sincero. Também te comprei um presente, se importa se eu der primeiro?
-Não. Você acabou de me deixar curiosa, Sirius Black.
Ele sorriu e estendeu a mão. Havia deixado a caixinha na gaveta da mesinha de cabeceira. Era uma caixinha azul, forrada de veludo. E ele pode perceber como os olhos da mulher brilharam de curiosidade e antecipação ao vê-la.
-Ainda não é um pedido de casamento, mas um comprometimento. Meu com você. – ele disse e estendeu a caixinha para ela.
Dynha abriu-a e um sorriso tomou conta de seu rosto. O colar prateado era adornado com um pingente em formato de estrela e chamava atenção pela delicadeza.
-É lindo, Sirius. – ela balbuciou e entregou a ele para que colocasse no pescoço dela. – Obrigado.
-Isso é uma pedra da lua. – ele explicou. – Muda de cor com a luz. E está enfeitiçada também. Sempre que você quiser me sentir próximo, segure o pingente e pense em mim. Ele ficará azul. É a minha forma de comprometer a estar sempre com você.
Lágrimas tomaram os olhos dela, que passou seus braços pelo pescoço dele.
-Não chore, Dy. Sou péssimo com mulheres chorando. Me deixa agoniado.
-Bom... – ela disse, a voz ainda embargada pelo choro. – Meu presente não chega nem aos pés do seu, mas é o que eu tenho. – e estendeu um envelope para ele.
Curioso, Sirius pareceu frustrado ao retirar dois pedaços de papel do envelope.
-O que é isso? – ele perguntou.
-Passagens de avião. – a mulher respondeu e recebeu um olhar curioso dele. – O que você acha de passar o ano novo em Veneza?
-Isso é um convite? – o homem perguntou, sacudindo os pedaços de papel.
-É mais ou menos isso. Isso é quase nosso meio de transporte.
-Chave de portal? – Sirius perguntou.
-Não... Pense um pouquinho mais como um trouxa.
-Aviões?
-É. É nisso que os trouxas voam. – ela explicou.
-Uma vassoura gigante? – um brilho passou pelos olhos dele.
-Um pouco mais fechada. E segura. – ela riu.
-Bom, acho que descobrirei logo. – Sirius disse.
-Iremos então? – Dynha perguntou animada.
-Se eu pudesse já estaria lá, ainda mais se você for junto. – Sirius falou. – Mas tem uma coisa que eu quero fazer antes e não precisamos estar em Veneza pra isso. – provoco-a, ao beijar-lhe a nuca quando fechou o colar.
-Acho que já sei o que é. – ela respondeu.
E ouviu a risada marota dele ao mesmo que sentia as mãos do moreno em sua cintura.
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Arabelle puxou a capa um pouco mais para cima, apertando o tecido. Estava ao mesmo tempo nervosa e abatida. Ainda não havia ido visitar o túmulo de Fábio depois do enterro e estava com medo. Mas sabia que precisava fazer aquilo. Precisava dizer adeus e seguir em frente, ou pelo menos tentar.
A lápide de Fábio estava ao lado do irmão, Gideão. A mulher nem prestou muita atenção nos dizeres. Palavras poderiam dizer muito sobre Fábio, mas a convivência dos dois havia dito muito mais. Ela realmente o conhecia, assim como ele a conhecia.
Com um sorriso triste no rosto, ela se ajoelhou em frente à lápide e começou a falar, em voz baixa, só para ela. E para ele, que de certa forma Arabelle sabia, estava olhando por ela.
-Eu sinto muito sua falta, Fábio. – começou, uma lágrima solitária escorrendo pelo seu rosto. - É tão difícil continuar. Parece que tudo me lembra você. Passei dias sem conseguir entrar no apartamento, indo de casa em casa das minhas amigas, sendo apenas fraca. Mas sei que preciso ser forte. Preciso ser forte para que você tenha orgulho de mim. Afinal, sei que você não me deixou por quis. Você foi tirado de mim por que estava lutando por algo melhor, por que você era forte o suficiente para te quererem morto. E eu sei que pode parecer besteira, mas eu vou continuar te amando. Por toda a minha vida. Eu te amo, Fábio Prewett. – ela finalizou e limpou as lágrimas do rosto com a palma da mão.
Depositou uma única rosa vermelha em frente a lápide e despediu-se:
-Feliz Natal, Fábio. Eu voltarei. Prometo.
