V. O MOLETOM

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"Sally, pegue a minha mão

Viaje para o sul através da terra

Apague o fogo

Não me ignore"

(Baba O'Riley– The Who)

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Dezembro de 1976

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- Eu continuo achando que essa é uma péssima ideia – Remus alertou, pela quarta vez naquela última meia hora.

- Relaxa, Aluado – James piscou ao amigo e bagunçou mais uma vez os cabelos, como se fosse possível deixá-los mais bagunçados do que já naturalmente eram – quando eu entregar o presente de Natal da Cereja, ela vai perceber que quer ficar comigo.

- Almofadinhas, você não vai me ajudar aqui? – o loiro pediu com um olhar suplicante ao terceiro rapaz.

- Você sabe que é contra os meus princípios impedir que Pontas passe vergonha em público – Sirius se defendeu, tragando a fumaça do cigarro que fumava e logo depois assoprando no rosto de Remus – Qual o presente, mesmo?

Os três atravessavam um grande parque público, tiveram que usar meios de transporte trouxas já que ainda eram menores de idade e não podiam aparatar desacompanhados. James, em sua afobação, sugeriu que fossem em suas formas animagas, levando um tapa na nuca de Sirius que resmungou "claro, ninguém vai achar esquisito um cachorro correndo ao lado de um cara montado num veado". Sendo assim, caminharam até um bar bruxo próximo e utilizaram a rede flu até o centro de Londres, de onde pegaram um trem. Terminaram o trajeto a pé. Já fazia mais de duas horas que haviam saído da casa dos Potter e finalmente estavam chegando ao destino.

- O meu ódio por caminhar longas distâncias como um trouxa é diretamente proporcional à atração que tenho por garotas trouxas de biquini – Sirius reclamou, jogando a bituca de cigarro no chão – você teve que andar tudo isso da última vez que veio aqui? – o moreno perguntou ao loiro.

- Eu ainda não acredito que você é um traidor que já veio na casa da Cereja e nunca me disse – James cortou Remus antes que ele pudesse responder à pergunta do Black.

- Eu não disse por temer que acontecesse exatamente o que está acontecendo agora! – Remus suspirou – Lily vai me matar quando souber que eu te trouxe até aqui.

Os três chegaram até uma vizinhança relativamente simpática. Aquela rua, coberta de grandes árvores verdes e cheia de praças, contrastava muito com o quarteirão industrial que haviam passado alguns minutos antes, todo cinza e sujo. Ouviram risadas femininas não muito longe e Sirius, com um sorriso no canto dos lábios, ajeitou a jaqueta que usava. Havia se vestido de maneira trouxa, como já era de costume, para o desespero de sua mãe. Trajava uma calça jeans grossa, botas marrom-escuro surradas, sua camiseta favorita dos Rolling Stones (que estava infelizmente coberta pelo suéter preto graças ao frio) e uma jaqueta grossa também marrom. Remus usava seu já conhecido sobretudo cinza com as pontas puídas, enquanto James havia se vestido da forma habitual e praticamente mergulhado num vidro de perfume. O cheiro forte do Potter deixava Remus, que tinha o olfato aguçado, enjoado.

Aproximaram-se do barulho e pararam em frente à uma casa de tamanho médio, revestida por tábuas horizontais de madeira muito bem pintadas de amarelo-claro. Tinha uma grande varanda com cerquinha branca, quase que completamente coberta por galhos das mais diversas espessuras, ressecados pelo frio. Sirius pensou que a varanda deveria ficar bem bonita na primavera e no verão, tomada de flores. O quintal frontal era bastante grande e contava com uma enorme figueira, adornada por um balanço de cordas verdes. A madeira do assento, no entanto, estava úmida e manchada, e provavelmente seria substituída uma vez que o inverno acabasse. Havia cinco garotas no quintal e a grama meio acinzentada era visível. Aquele ano ainda não havia nevado, mas choveu praticamente todos os dias. O dia, no entanto, estava atipicamente ensolarado, sendo inclusive possível ficar sem bater o queixo quando debaixo do sol morno. James reconheceu de longe a juba ruiva esvoaçante de Lily.

Lily brincava de chutar uma bola com uma garota de cabelos castanhos pouca coisa mais baixa que ela. A ruiva usava um suéter branco, tênis igualmente brancos e uma calça jeans lavada. Sentadas em local próximo, em duas espreguiçadeiras, havia duas garotas: uma morena e uma loira com cabelos quase tão prateados quanto os de Lucius Malfoy. As duas riam sem parar de algo que a quinta e última garota dizia: uma garota com longos e lisos cabelos dourados, trajando um moletom rosa-claro manchado com algumas gotas de tinta azul e verde. Ela estava sentada em cima de uma toalha no chão, rabiscando algo em um caderno e tapando os raios de sol dos olhos com uma das mãos. Os três garotos não conseguiam enxergar o rosto dela, já que era a única virada de costas para a entrada da casa, mas Remus sabia quem ela era.

Lily foi dar uma cabeçada na bola que a castanha lhe chutou, mas parou na metade do movimento, cruzou os braços e fechou o rosto ao avistar os três rapazes.

- Eu não acredito! – ela gritou, caminhando a passos largos até a cerca da casa – você vai me perseguir até nas férias, Potter?

As três garotas – a castanha e as duas das espreguiçadeiras - esticaram os pescoços para ver do que se tratava, e Sirius percebeu quando a morena ajeitou a blusa após colocar os olhos nele. Ele sorriu satisfeito e murmurou para Remus que era hora de seduzir algumas trouxas, levando um cotovelaço do amigo nas costelas. A loira sentada ao chão terminou pacientemente de rabiscar algo no caderno e, só então, virou-se para trás e pressionou os lábios fechados, como se estivesse contendo uma risada.

- Cerejinha, como eu poderia não vir e lhe entregar o seu presente de Natal? – James respondeu piscando um olho e arrancando suspiro de duas das meninas. Lily revirou os olhos.

- O Natal foi há dois dias, Potter – ela reclamou – e pare de me chamar de Cereja. Eu sou monitora, para você é Evans.

James caminhou para frente e quase ficou colado a Lily, estavam separados somente pela cerca baixa que mal chegava ao umbigo dele. Ele jogou o rosto para o lado e suspirou.

- Você é monitora em Hogwarts, ruivinha. Fora de Hogwarts o único cargo que você ostenta é o de amor da minha vida.

As outras quatro garotas caíram na gargalhada, assim como os marotos, e Sirius notou que a loira havia se levantado do chão e batia um pouco de terra da sua calça jeans com uma mão, enquanto a outra segurava o caderno. A garota morena, que trajava um suéter justo e azul, aproximou-se deles na cerca com um sorriso no rosto. Os cabelos escuros caíam muito lisos e brilhantes pelos ombros dela, balançando à medida que a garota caminhava. Quando ela parou ao lado de Lily na cerca, Sirius percebeu que ela tinha os olhos mais azuis que ele já havia visto na vida, mais do que os de Marlene. A garota grudou os olhos nele assim que o avistou e o maroto deu um sorriso charmoso.

- Você nunca mencionou que no seu internato havia garotos tão bonitos, Lily – a garota comentou, com os olhos em Sirius. Remus tinha as mãos nos bolsos e olhava para baixo, um pouco desconcertado.

- Se essa é a sua definição de beleza... – Lily debochou, com os braços cruzados.

- Ah, vai Cerejinha, você me acha lindo – James comentou, escorando-se na cerca e fazendo com que Lily desse um passo para trás rolando os olhos. O garoto tirou do bolso um pequeno pomo de ouro, que abriu e saiu voando em volta da cabeça dela. Com os olhos arregalados e visivelmente alarmada pela surpresa da amiga, Lily apanhou o pomo nas mãos e fuzilou James com os olhos.

- Você é um inconsequente, Potter! – Lily sussurrou muito brava, empurrou o pomo já fechado contra o peito de James, que o segurou, sem perder, no entanto, a oportunidade de encostar na mão da ruiva. A garota virou as costas e saiu andando, deixando a amiga desentendida e os marotos para trás. James pulou a cerca e saiu correndo atrás dela.

Sirius, fazendo jus à sua reputação de maior mulherengo de Hogwarts, devorou a morena com os olhos e não conseguiu evitar imaginar como ela ficaria vestida em roupas curtas de verão que se grudassem mais ao corpo e revelassem as curvas escondidas pela vestimenta grossa e pesada. O maroto estava tão absorto pela garota que mal percebeu quando a loira de moletom manchado havia se aproximado.

- Já que meu querido amigo não fez as honras... – o moreno se adiantou, estampando um sorriso sedutor no rosto, aproximou-se da cerca e tomou a mão da morena na sua, depositando ali um beijo desnecessariamente demorado, sem nunca tirar os olhos dela – meu nome é Sirius Black.

- Então você é o famoso Black – a loira, que havia se aproximado comentou, escorando os cotovelos na cerquinha e abrindo um sorriso zombeteiro. Ela olhou do moreno para o loiro – oi, Remus.

Ela havia cumprimentado o lobisomem de forma doce, e Sirius observou com curiosidade o amigo ficar com as bochechas vermelhas e tirar as mãos do bolso nervosamente, somente para coçar a nuca de forma desajeitada.

- Oi, Túnia – ele respondeu sem graça.

- Eu sou Margaret – a morena respondeu a Sirius – e essa é Petunia, irmã da Lily. Sou vizinha delas.

- Muito prazer, Margaret – o maroto respondeu sedutoramente – Então eu sou famoso. Evans já falou sobre mim? – ele perguntou ajeitando o cotovelo na cerca de forma desajeitada, que acabou escorregando pela madeira úmida e fazendo com que o rapaz quase protagonizasse uma cena cômica. Remus riu alto e Sirius fechou o rosto. Ajeitou-se como se nada tivesse acontecido, penteou o cabelo para trás com os dedos, do jeito que sabia funcionar com as garotas em Hogwarts, e escorou novamente o cotovelo na cerca. Dessa vez, de maneira cuidadosa.

Petunia encarou Remus com um olhar questionador, e ele deu de ombros revirando os olhos, arrancando um riso baixo da loira. Sirius e Margaret se olhavam de forma quase obscena, o que deixou a loira desconfortável e fez com que ela convidasse os dois para entrar. Os dois rapazes assentiram positivamente e a garota caminhou três passos até chegar ao pequeno portão branco e abrir para que os dois adentrassem o quintal. Ela caminhou na frente e Remus a acompanhou, sendo seguido por Sirius e Margaret, que já trocavam flertes embaraçosos. Pararam em frente às outras garotas. A garota castanha havia tomado o lugar de Margaret na espreguiçadeira. A loira prateada não havia se mexido, apesar de encarar os novos convidados com curiosidade por cima de seus óculos de sol.

- Essa é minha prima Mary – Petunia apontou para a castanha, que sorriu tímida e acenou aos meninos – e essa é Rose, minha amiga.

Remus cumprimentou as duas educadamente, e Sirius sentiu-se estranho por ficar tão desajeitado para cumprimentar garotas tão bonitas. Todas eram diferentes das garotas de Hogwarts, se vestiam de forma mais despojada, mais a seu gosto. Ele lamentou ter de escolher somente uma para flertar. James chegou correndo com um sorriso no rosto, quase escorregando na grama úmida.

- Ela nos deixou passar a tarde aqui se eu ficar de boca fechada por meia hora – ele comunicou, e todos caíram na risada.

- Se eu soubesse que precisava só disso, teria falado com a Evans antes – Sirius debochou, ganhando a atenção de todas as garotas. Margaret ajeitou o cabelo olhando diretamente para ele, e ele não perdeu a oportunidade de dar uma piscadela à garota, que ruborizou.

Rose recolheu as pernas um pouco na espreguiçadeira e acenou para que Remus se sentasse, o que ele fez visivelmente nervoso. Petunia voltou à posição que estava antes, sentando-se na toalha ao chão e empurrando levemente o caderno e as canetas para o lado, liberando espaço. Petunia percebeu que Margaret olhava para os lados procurando onde se sentar. Remus havia se sentado com Rose, dividindo uma espreguiçadeira, enquanto Mary estava confortável na outra. A loira conhecia a amiga o suficiente para saber que ela, apesar de claramente flertar com o garoto, não pediria que Mary saísse para dividir o assento com ele.

Cogitou se levantar e arranjar outro lugar, talvez o balanço, para liberar a toalha aos dois. Olhou para o balanço e constatou que a madeira estava quase podre da umidade, então resolveu deixar a amiga se virar sozinha. Suspirando derrotada, Margaret pediu licença a Mary e dividiu a espreguiçadeira com ela. Sirius olhou para os lados e viu que o único lugar livre era ao lado da irmã de Lily, e acabou se sentando no chão ao lado dela, recebendo um olhar debochado de Remus. James se agachou em frente aos dois e encarou Petunia.

- Okay, Lily vai voltar logo com o baralho de cartas, então você tem aproximadamente cinquenta segundos para me dizer como eu conquisto a sua irmã – ele falou muito rápido e Petunia deu uma gargalhada.

- Eu acho que você está se saindo bem – ela respondeu, e ele abriu um sorriso gigante.

- Está querendo dizer que tenho chan...

- O que eu disse, Potter? – a voz de Lily surgiu da porta, e James se levantou rápido, gesticulando a todos como se tivesse fechado a boca com um zíper. Logo após, gesticulou como se segurasse uma chave, abriu a boca e fingiu engolir o objeto imaginário.

- Como você vai engolir a chave se a usou para fechar a boca, seu idiota? – Remus perguntou incrédulo, arrancando risadas de todos. Lily não conseguiu segurar o riso também, e James a encarou com o olhar bobo. Mary se levantou da espreguiçadeira que dividia com Margaret e chamou Lily para continuar jogando bola, e a ruiva largou o baralho de cartas ao lado de Remus antes de se juntar à prima. Petunia aguardou que Sirius se levantasse e fosse dividir o assento com Margaret, mas ele não o fez. James seguiu a ruiva e a prima como um filhote, gesticulando de maneira engraçada. Era visível que Lily fazia força para não rir.

- Você deu falsas esperanças a ele – Sirius comentou.

- Eu conheço Lily – ela respondeu, e apontou para os três com um aceno de queixo. Lily estava ensinando James a chutar a bola. Sirius conhecia aquela jogada dele. Ele fingia não conseguir fazer algo, só para que Evans se aproximasse e lhe ensinasse. A ruiva instintivamente, como qualquer pessoa faria, acabou se apoiando na cintura do maroto enquanto mostrava o movimento de chute. Você vai realmente usar essa jogada, não é seu bastardo?, Sirius pensou sorrindo sozinho – ela gosta dele, só é teimosa demais para admitir a si mesma.

Sirius olhou em direção à Margaret, mas a garota havia tido a atenção tomada momentaneamente por Remus, que embaralhava as cartas com facilidade enquanto Rose comentava algo aparentemente engraçado, já que tanto o amigo quanto a morena riram. Bufando, resolveu puxar assunto com Petunia para ter o que fazer ao invés de ver James fazendo gracinhas para Lily de forma completamente ridícula.

- Petunia – Sirius comentou, colocando as duas mãos apoiadas no chão atrás de si, apoiando-se nelas. Sorriu de canto – não é um nome de uma estrela como o meu, mas suponho que seja considerado bonito no mundo trouxa.

- A constelação da sua estrela é um cachorro – ela provocou, também apoiada nas próprias mãos, parecendo levemente ofendida – mas suponho que seja considerado bonito no mundo bruxo.

- Não gosta de cachorros? – ele perguntou.

- Eu prefiro gatos – ela respondeu implicante.

- Você tem um péssimo gosto – ele pontuou, rindo. Encarou Margaret e suspirou frustrado. Ela havia iniciado um jogo de cartas com os outros dois. Como mestiço, Remus sabia alguns jogos trouxas e parecia extremamente à vontade conversando com elas sobre diversos assuntos enquanto distribuía as cartas. O loiro fazia a linha de certinho, mas, no fundo, era tão maroto quanto os outros. Sirius sabia que ele não perderia tempo em tentar algo com alguma das duas, e só conseguia torcer para que fosse com a loira. Seria bem chato ficar disputando atenção de alguma garota com o amigo.

- Eu vou trocar de lugar com Marge, vocês dois claramente estavam no meio de algo e todos nós atrapalhamos – Petunia comentou de forma tranquila, recolhendo as canetas e o caderno do chão. Sirius percebeu que ela tinha os dedos finos manchados de tinta preta, que supôs ser o resultado de ter ficado rabiscando no papel.

Ele a viu se levantar e caminhar até os outros três. A loira cochichou algo no ouvido de Margaret, e a morena o encarou, dirigindo-lhe um sorriso. A garota se levantou da espreguiçadeira e caminhou até ele, sentando-se ao seu lado e jogando os longos cabelos pretos para o lado.

Ao contrário do que Sirius esperava, no entanto, Margaret não era tão interessante quanto aparentava ser. Em Hogwarts, isso não seria nenhum problema, já que lá ele podia simplesmente levar garotas a um armário de vassouras e dar alguns amassos, ou até mesmo uma rapidinha, e depois seguir seu rumo. Ali, no entanto, estavam em meio a trouxas, na casa de Lily e com um público relativamente grande. Sirius tentou, por mais de uma vez, capturar os lábios da garota, mas ela sempre se esquivava, o que acabou deixando o maroto irritado. Estava frustrado e irritadiço por ter ficado o dia inteiro flertando com uma garota com quem não conseguiu sequer dar um beijo.

Remus, pelo contrário, parecia se divertindo bastante com aquele jogo estúpido, e até mesmo Lily e James se juntaram ao carteado. Sirius ouviu mais de uma vez gritos de comemoração de Petunia e Mary ao ganharem as partidas em dupla. O maroto escutou quando Mary comentou ser bem melhor jogar com Petunia como dupla ao invés de enfrentar a garota em uma partida, já que, aparentemente, a irmã de Lily era bastante competitiva. E barulhenta. Sirius revirou os olhos mais vezes do que conseguiu contar todas as vezes em que a garota gritou e tirou a atenção de Margaret dele.

Quando Remus anunciou que os três deveriam ir embora, Sirius bufou frustrado e se levantou do chão batendo a terra úmida para fora de sua calça. Fez o trajeto de volta inteiro em silêncio e de cara amarrada, o que contrastava muito com os amigos, especialmente James, que tinha um sorriso bobo no rosto.

- O que diabos há de errado com você? – James perguntou quando já estavam perto de descer do trem. Havia passado o trajeto inteiro falando animadamente de como Lily estava finalmente cedendo às suas investidas e só naquele momento havia percebido que o amigo não abriu a boca desde que saíram da casa das Evans.

- Ele está puto porque não conseguiu pegar ninguém – Remus respondeu.

- Cala a boca, Aluado – Sirius rosnou – e você com a irmã da Evans? Sempre se interessa pelas sem graça.

- Ela não é sem graça – Remus defendeu a garota – ela é muito legal, e você teria percebido isso se não estivesse focado em dar uns amassos na vizinha.

- Falou o cara que nunca pega ninguém – Sirius debochou.

- Na verdade... – Remus tirou um papelzinho do bolso e o desamassou, dando de ombros – Rose me deu o telefone dela, quer que eu ligue e a chame para sair. Só não sei como vou fazer isso, não pude dizer que não usamos telefone porque somos... bem, bruxos e tal.

- Almofadinhas está perdendo o charme, é isso o que estou escutando? – James debochou, rindo.

- Isso nunca vai acontecer. Você está começando a alucinar, Pontas. De novo – Sirius respondeu emburrado, cruzando os braços.

- O que você achou dela? – James perguntou a Remus animadamente.

- Ela é bonita, e inteligente – o loiro deu de ombros – mas nunca vai rolar nada. Ela é uma trouxa e nem sabe que eu sou bruxo e... tem o meu problema.

- Você sempre coloca a desculpa no seu problema, Aluado – James reclamou – não é como se você fosse casar e colocar seis lobinhos no mundo...

- Shhh, cala a boca Pontas! – o loiro ralhou num sussurro e olhou para os lados preocupado, mas absolutamente ninguém no trem parecia prestar atenção aos três adolescentes – mesmo que eu não tivesse o... problema... ela é trouxa.

- De qualquer forma, em Hogwarts há garotas o suficiente para nós dois, meu caro Aluado. Todas bem mais interessantes que Petunia, Margaret ou Rose, por quem você ficou ridiculamente babando, ou pensa que eu não vi? – Sirius comentou - Ela não tem nada de especial, aposto que ainda é virgem. Não sei o que vocês tanto veem nessa família. Pontas é completamente obsessivo, mas de você eu esperava outra coisa, Aluado.

Antes que James pudesse responder, Remus se levantou e acenou para os outros dois. O trem parou na estação e os três desembarcaram. Caminharam algumas quadras batendo o queixo de tanto frio, já que havia escurecido e a temperatura caído de forma vertiginosa. Adentraram um bar bruxo e pagaram alguns nuques ao bartender para usar a rede flu até a casa dos Potter.

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Dois dias depois Remus voltou para casa, mas Sirius seguiu na casa dos Potter. Os dois haviam combinado de passar a virada de ano juntos e o retorno a Hogwarts juntos. Na noite do dia 30 de dezembro, Sirius saiu do banheiro e adentrou o quarto de James. Ele sempre dormia em uma cama improvisada no chão, ao lado da cama do amigo. A casa era grande e tinha mais de um quarto de hóspedes, mas o garoto estava tão acostumado a dividir o quarto com o amigo durante o ano inteiro, que não se sentia totalmente confortável dormindo em um dormitório separado nas férias. O moreno estava vestindo uma camiseta preta do Led Zeppelin e secava os compridos cabelos pretos com uma toalha. James estava deitado na cama lendo uma revista sobre quadribol, mas tirou os olhos de sua leitura para encarar a vestimenta do amigo.

- Qual é o nome daquela outra banda trouxa que você gosta? – perguntou James, dobrando a revista e a largando em cima da mesinha de cabeceira.

- Eu gosto de várias bandas trouxas, mas acredito que você se refira aos Stones.

- Rolling Stones! Eu sabia! – James exclamou – eles vão tocar em um festival amanhã.

- O QUÊ?

- Sim, eles vão tocar em um festival amanhã, antes da virada do ano – James explicou – Petunia que disse.

- Pontas, nós temos que ir.

- Eu acho bem difícil que a mãe nos deixe ir.

- Bobagem! Nós temos quase 17! – Sirius reclamou, batendo com a toalha nas pernas do amigo.

- Sirius, você fez 16 mês passado.

- Mero detalhe – o moreno reclamou – Pontas, nós temos que ir! Você não quer ver sua Cerejinha? Dar um beijo nela durante os fogos?

Os olhos de James brilharam e Sirius sequer se sentiu culpado por manipular o amigo daquela forma. Era óbvio que Evans jamais o beijaria à meia-noite, mas ele simplesmente precisava ir ao festival. Que outra oportunidade ele teria de ver ao vivo sua banda preferida? O mundo bruxo estava instável e, mesmo que nada de muito significativo tenha acontecido, Sirius sabia que algo não estava certo. Os Potter passaram todos os dias ausentes das atividades dos garotos, sempre em reuniões no escritório e sob feitiços silenciadores. Os pais de Sirius não estavam muito diferentes. Ele ouvia os sussurros pela casa, os assuntos parando na metade sempre que ele adentrava o recinto. Até Regulus estava esquisito. O rapaz sentia que precisava viver sua vida ao máximo antes da escola acabar, porque sentia dentro de si que talvez não fosse viver muito mais do que isso.

- Você me pegou nessa – James respondeu, levantando-se de cama. Colocou a toalha úmida do amigo entendida em cima de uma poltrona – provavelmente os velhos nem devem lembrar que amanhã é a virada do ano, estão sempre nessas reuniões.

- Sobre isso, o que você acha que é?

- Não faço ideia – James confessou – mas papai mencionou algo sobre os tempos estarem mudando. Foi bem assustador, se quer saber. Disse que temos que permanecer juntos.

- Walburga e Orion andam estranhos também – Sirius comentou, e James levantou uma sobrancelha – mais estranhos do que o normal.

Não foi novidade para os garotos quando tiveram que jantar sozinhos. Os elfos domésticos haviam preparado uma boa refeição, mas nem Euphemia nem Fleamont os acompanharam. Após comerem, os dois voltaram ao quarto e começaram a bolar um plano para escaparem no dia seguinte. No meio da noite, no entanto, foi possível ouvir barulhos de raios anunciando uma grande tempestade. Sirius exclamou um "você só pode estar brincando!" antes de fechar as janelas do quarto. Os dois demoraram a dormir e desejaram que a chuva passasse antes da tarde do dia que se seguiria.

No entanto, o dia seguinte ainda estava chuvoso. Isso não desanimou Sirius, que arrastou James consigo até o local do festival. Uma vez lá, o herdeiro dos Black parecia no paraíso. Nunca havia visto tantos trouxas reunidos, tanta música, bebida e diversão em um só lugar. Sequer se importou em pisar recorrentemente em poças d'água, já que veria sua banda preferida. James não descansou até avistar a juba ruiva de Lily junto à uma barraca de chocolate quente, e Sirius aproveitou a deixa para se dirigir até mais perto do palco. James que lidasse sozinho com Evans. A chuva molhava seus cabelos e sua roupa estava ensopada, mas ele não se importava.

Olhando para os lados, percebeu que a maioria das pessoas tinham bebidas na mão e, revirando os bolsos, bufou por não ter dinheiro trouxa consigo. Ficou na ponta dos pés e girou em seu próprio eixo, procurando por James, mas não o avistou. Caminhou entre a multidão até mais perto do palco, e parou no meio do caminho quando visualizou uma pessoa trajando uma capa de chuva amarela com uma camiseta dos Stones por cima. Achou ridículo, mas entendeu que talvez a pessoa quisesse mostrar que usava a camiseta e ao mesmo tempo se proteger da chuva. Não demorou a perceber que se tratava de uma garota, e sorriu intrigado ao perceber que ela segurava dois copos de cerveja, um em cada mão. A pessoa que a acompanhava sussurrou algo em seu ouvido e ela assentiu positivamente, ficando sozinha ali ao passo em que o acompanhante se distanciava em busca de algo.

A garota virou para o lado e apertou os olhos em direção a Sirius. Ele levantou uma sobrancelha e resolveu se aproximar.

- Sirius Black? – a garota perguntou, e o maroto percebeu que se tratava da irmã de Lily.

- E você é...

- É sério isso? – ela fechou o rosto – eu não sabia que eu era tão "esquecível" assim.

O garoto sorriu de canto e se aproximou dela.

- Eu estava brincando – ele explicou, piscando um olho para ela – Petunia.

- Quer uma cerveja? – ela perguntou, estendendo um dos copos para ele, que aceitou e deu um gole na bebida. Estava gelada e levemente aguada pelas gotas que chuva que caíram no copo.

- Você tem idade para beber? – ele perguntou.

- Não – ela respondeu, sorrindo – mas como você não é o meu pai e também está bebendo, acho que podemos manter isso entre nós.

- Confesso que é a primeira vez que uma garota me compra uma cerveja, e não o contrário – ele brincou.

- Own, um virgem! Eu prometo que sua primeira vez vai ser especial – ela debochou e ele deu uma gargalhada alta. O capuz da capa de chuva dela cobria parcialmente seu rosto, mas ele conseguia ver que ela sorria.

Remus tinha razão, Petunia parecia uma garota legal e, de fato, se ele não tivesse passado a tarde tentando arrancar um beijo da vizinha, teria percebido. Ela era uma cabeça mais baixa do que ele, e ele desconfiava que a diferença de altura dos dois ainda aumentaria, já que ele ainda estava em crescimento. Os tênis amarelos estavam completamente embarrados e a camiseta encharcada por cima da capa de chuva. Ela era, definitivamente, uma figura interessante. Antes que conseguisse responder à brincadeira da garota, a multidão gritou e a voz de Mick Jagger se fez ouvida do palco. Petunia deu um berro e pegou Sirius pelo pulso, arrastando-o para mais perto do palco. O garoto derramou quase que todo o conteúdo do copo no chão, enquanto ela parecia uma expert com o braço livre esticado para cima, segurando o copo acima da cabeça de todos e prevenindo o líquido de derramar.

Quando chegaram perto do palco, a garota o encarou com uma sobrancelha levantada e catou algumas notas no bolso do casaco. Estavam amassadas e molhadas, mas um rapaz que passou por eles com algumas garrafas de cerveja não pareceu se importar quando ela lhe ofereceu algum dinheiro pelas bebidas. Antes que Sirius percebesse, já tinha a cerveja em mãos. O show de sua banda preferida fora melhor do que ele tinha imaginado que seria, mas se pegou, vez que outra, tirando sua atenção do palco para encarar Petunia com curiosidade. Ela dançava, gritava, e segurava sua mão com naturalidade sempre que queria chamá-lo para pular junto. Ela não tentava nenhuma aproximação com o interesse de seduzi-lo, apenas o convidava para curtir o momento junto com ela. Ela pulava tanto que o capuz da capa de chuva escorregou para trás e, em poucos minutos, os fios dourados dela estavam tão encharcados quanto os negros dele. A chuva parou em um determinado momento e ela olhou através de Sirius e abriu um sorriso, apontando para algo atrás dele. Quando o rapaz se virou, viu que havia um enorme arco-íris atravessando o parque em que estavam e também abriu um sorriso.

Quando os Stones se despediram do palco, os dois ouviram uma voz ao longe gritando o nome de Petunia. A garota virou para trás e ficou na ponta dos pés tentando encontrar a origem do chamado.

- Sobe aqui – Sirius falou bem próximo ao ouvido dela, já que o lugar era bastante barulhento. Petunia o encarou sem entender, e ele deu duas batidinhas no próprio ombro – sobe aqui, fica mais fácil de você enxergar.

Ela assentiu positivamente com a cabeça e Sirius se agachou, estendendo as mãos para que ela se segurasse nele enquanto posicionava as próprias pernas sobre os ombros dele. Ele se levantou sem muita dificuldade e ficou com as mãos para cima, segurando firmemente as de Petunia enquanto ela apertava os olhos em direção a multidão. Em poucos segundos, avistou Lily embaixo de um toldo acenando e gritando para ela. James estava ao lado da ruiva. Petunia soltou uma das mãos de Sirius e o cutucou no ombro, avisando que havia encontrado quem a chamava. Desceu da garupa do maroto.

- Vem! – ela falou alto, agarrando-o pela mão e o arrastando entre a multidão para longe do palco.

- Você sempre costuma arrastar as pessoas assim? – ele perguntou enquanto esbarrava em absolutamente todas as pessoas em seu caminho. Ela virou o rosto rapidamente para trás e lhe mostrou a língua, arrancando uma risada dele.

- Finalmente! – Lily exclamou quando Petunia e Sirius pararam à sua frente. A ruiva desceu os olhos até as mãos da irmã e do maroto e levantou uma sobrancelha incrédula. Foi somente quando a loira soltou a mão de Sirius de forma brusca que ele percebeu que os dois atravessaram toda a multidão com os dedos entrelaçados.

Sirius ficou curioso com o fato de que ele parecia mais sem graça com o ocorrido que Petunia. Em verdade, a garota sequer esboçou qualquer indicativo de que tivesse sentido qualquer fio de qualquer sentimento que fosse pelo garoto. Ela não havia ruborizado, ela não havia desviado o olhar do dele, ela não havia flertado ou ficado envergonhada. Ela só seguiu agindo muito naturalmente, e o maroto se sentiu ridículo por ter sentido falta do calor da mão dela contra a sua enquanto a garota seguia completamente indiferente.

No entanto, a atenção da loira voltou a Sirius quando ele bateu os dentes de frio. Ela arregalou os olhos ao ver que o garoto tinha os lábios roxos e pediu que Lily lhe alcançasse uma mochila rosa que a ruiva carregava nas costas. Petunia agarrou a mochila com um braço e, com o outro, apanhou um moletom azul que estava ali dentro.

- Tire a sua blusa – ela falou, olhando nos olhos cinzas do garoto. Ele, apesar de ter os dentes batendo de frio, esboçou um sorriso sedutor.

- Normalmente eu pediria um jantar antes, mas já que você pagou as cervejas... – ele respondeu sorrindo de canto com os lábios roxos, e Lily revirou os olhos.

Petunia seguiu o encarando, segurando o moletom, completamente imune a tentativa de sedução dele. Envergonhado, ele bufou e retirou a jaqueta que usava e, logo após, o blusão grosso encharcado. Sirius apanhou o moletom da garota e o vestiu, colocando sua jaqueta de couro novamente por cima da peça de roupa. Sentiu-se imediatamente mais quentinho, e gostou do cheiro da peça de roupa da garota.

- Melhor? – Petunia perguntou, apanhando o blusão molhado dele e o colocando dentro de uma sacola plástica. Enfiou a sacola dentro da mochila.

- Melhor – ele confirmou, sorrindo, dessa vez agradecido.

- Quem está com fome? – James perguntou, tomando a atenção de todos.

- Eu estou faminta! – Petunia exclamou antes que Lily tivesse a chance de negar. A loira já sabia que a irmã passara a enxergar James diferente desde que brigou com Severus, mas era muito teimosa para admitir e seguia tratando o garoto como um pedaço de lixo – há uma padaria aqui perto, poderemos chegar lá sem problemas agora que parou de chover.

- Guie o caminho! – James respondeu, com um sorriso de orelha a orelha.

Petunia cochichou algo no ouvido de Lily e puxou James pelo cotovelo. A loira passou a conversar com o garoto animadamente sobre algo que Sirius não conseguia ouvir. Petunia conseguia perceber que o garoto alto de óculos genuinamente gostava de sua irmã e queria conhecê-lo melhor. Quem sabe, assim, poderia ajudar Lily a deixar de ser teimosa e perceber que retribuía os sentimentos dele.

- E você nem pense em jogar seu charme na minha irmã, Black – Lily cochichou para Sirius, e o garoto riu.

- Como se eu quisesse – ele respondeu sorrindo, mas acabou bufando sob o olhar duvidoso da ruiva – okay, mesmo que eu quisesse... Sua irmã não me deu a mínima.

- Ela é uma garota inteligente – Lily sorriu orgulhosa e aliviada. Não queria que Petunia virasse mais uma conquista de Sirius. Sendo trouxa, ela seria menos do que um nome na lista de garotas dele. Seria um caso de um dia para nunca mais, e não queria isso para a irmã mais velha.

Caminharam uma pequena distância até chegarem ao destino, e Petunia abriu a porta para que todos entrassem. Foi a última a se sentar na mesa, ao lado da irmã, que havia rapidamente empurrado Sirius para o lado de James. No entanto, a ruiva não havia contado com o fato de que agora estava bem em frente ao castanho de cabelos espetados. Petunia conteve o riso e se sentou ao lado da irmã, de frente para Sirius.

O moreno passou a observar a garota enquanto os outros faziam os pedidos. Ela havia tirado o capuz da capa de chuva, revelando o cabelo loiro completamente encharcado e embaraçado. Tinha os olhos de um azul muito claro e a pele muito branca, com poucas sardas na ponta do nariz e abaixo dos olhos. Os lábios dela não eram muito finos, tampouco grossos, e estavam roxos. Ela não tinha absolutamente nada demais quando comparada às garotas que Sirius já havia se relacionado em Hogwarts, mas ele não conseguia negar que algo nela chamava a sua atenção. Talvez fosse o fato de ela ser de um mundo completamente diferente do seu, ou o fato de ela não ter dado a mínima atenção a ele, ou a combinação de roupas extremamente duvidosa que ela usava, ou os dedos que – ele percebeu – estavam sempre riscados de tinta. Petunia era extremamente ordinária e, ao mesmo tempo, extraordinária. O garoto foi tirado de seus pensamentos por Lily, que ralhava com a irmã.

- Túnia! Você não pode comer nada com queijo, lembra? – a ruiva exclamou.

Petunia não teve tempo de abrir a boca para responder, pois Sirius ficou curioso e resolveu perguntar:

- Por que ela não pode comer queijo?

- Eu sou intolerante a lactose – a loira deu de ombros, e o garçom voltou à mesa trazendo quatro cappuccinos, uma fatia de cheesecake para Petunia, um muffin para James e uma torta de maçã para Lily. Sirius estava tão distraído que não conseguiu fazer o seu pedido, mas o amigo foi atencioso o suficiente para pedir um café para ele.

- Intolerante ao quê? – Sirius perguntou.

- Lactose. É uma proteína do leite e, portanto, está presente no queijo também – Petunia explicou, dando uma garfada na sua cheesecake – isso basicamente quer dizer que assim que eu terminar de comer, tenho aproximadamente meia hora para voltar para casa antes que eu acabe cagando nas minhas próprias calças.

James, que estava bebericando de seu cappuccino se engasgou e cuspiu parte do líquido para frente, o que faz com que Lily exclamasse indignada e limpasse o rosto com um guardanapo. Sirius deu uma gargalhada tão alta que chegou a jogar a cabeça para trás.

- Túnia, você realmente sabe como ser desagradável quando quer – Lily comentou, ainda limpando o rosto – é por isso que você não foi convidada para ser madrinha de casamento da Emma.

Petunia largou o garfo sobre o prato, apoiou um cotovelo na mesa e levou a mão até o queixo, encarando a irmã com um sorriso zombeteiro.

- Você sabe muito bem por que eu não fui convidada para ser madrinha, ela nunca superou o fato de eu ter usado o mesmo vestido que ela no aniversário da vovó.

- Ela foi tão infantil! – Lily exclamou, olhando para a irmã.

- Ela é infantil! – Petunia respondeu, levantando as mãos ao alto e depois batendo-as com pouca força na mesa – Graças a Deus concordamos em algo!

As duas começaram a rir e os dois garotos não estavam entendendo nada do que se passava ali, mas James não deixou de sorrir ao ver a ruiva gargalhando abertamente enquanto conversava com a irmã. De alguma forma muito estranha, era como se Lily e Petunia fossem ele e Sirius. Só que, é claro, com altas doses de responsabilidade por parte da ruiva. A loira fez inúmeras perguntas sobre Hogwarts, muito curiosa sobre o mundo deles. Lily, por vezes, ruborizou com as perguntas absurdas de Petunia como "um bando de adolescentes trancados em um castelo, eu duvido que todos se formem virgens" ou "vocês sabem de passagens secretas, mas não conseguem entrar no dormitório feminino?" e "se as vassouras voam, por que vocês não entram pela janela? Aposto que as janelas não são protegidas". Sirius olhou incrédulo para James, já que os dois nunca haviam pensado em entrar pela janela.

Conforme anunciado antes por Petunia, as duas terminaram de comer e se despediram dos garotos. Antes que James pudesse reagir, as duas já haviam acertado os pedidos de todos e ido embora. Depois desse dia, Sirius não voltou a ver Petunia pelo resto do ano letivo, e somente notou que ainda tinha o moletom dela quando fez seu malão para embarcar a caminho de Hogwarts.

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E agora? Será que a narrativa voltando ao passado vai explicar o que aconteceu entre Sirius e Petunia?

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Resposta aos reviews:

Irina: obrigada novamente pelos reviews! Fico muito feliz que você esteja gostando da história.