É com muita alegria e um pouco de nervosismo que aviso que criei um T3mblr para postar sobre essa fic. Ali vai ser possível ver as cartas e o diário da Petunia, vou postando a medida em que as coisas vão acontecendo na fic para não dar spoiler. É só colar sem os espaços na barra do navegador. Espero que gostem!
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10. O QUE VOCÊ TANTO VÊ NAS EVANS?
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- Podemos conversar? – Marlene perguntou assim que Sirius se aproximou da entrada do Salão Comunal. O garoto suspirou e colocou as mãos no bolso.
- Claro.
Marlene deu a senha à Mulher Gorda e acenou para que o maroto entrasse primeiro. Sirius percebeu que ela o observava com atenção, como se temesse que ele saísse correndo e fugisse da conversa, o que era completamente absurdo. Talvez o Sirius Black de quatorze anos fugisse, mas não o Sirius Black de dezessete. Ele já era um adulto, estavam prestes a lutar em uma guerra, treinavam todos os dias incansavelmente e em breve não seriam mais estudantes. Não, Sirius Black não fugia de nada. O rapaz caminhou calmamente até um sofá e se sentou, aguardando que a garota seguisse o seu exemplo e se sentasse ao lado dele, e assim ela o fez. Marlene abriu e fechou a boca três vezes antes de tomar coragem de falar.
- O que ela tem que eu não tenho? – a garota perguntou, e ele levantou as duas sobrancelhas, definitivamente não esperava essa pergunta.
- O quê?
- A irmã de Lily – a garota explicou – ela me contou o que você disse, mas eu não entendo! Nós estivemos nesse relacionamento-não-relacionamento por três anos! Você a conhece nas férias e de repente está apaixonado por ela? O que ela tem que eu não tenho?
- Marls... – Sirius penteou os cabelos com os dedos nervosamente, não sabia como responder a essa pergunta sem a magoar. Resolveu, no fim, ser brutalmente honesto. Afinal, Marlene era sua amiga, e ele gostava dela. Só não do mesmo jeito que gostava de Petunia – Você é incrível. Você é minha amiga desde que entramos para a Grifinória, nós temos os mesmos amigos, nós fazemos parte do mesmo grupo de duelos – ele sussurrou a última parte – E você é definitivamente a garota mais bonita dessa escola.
- Então o que eu tenho de errado?
- Você não tem nada de errado! – ele exclamou – Marls... eu não sei como responder isso. Eu sequer esperava que as coisas mudassem tanto em menos de um semestre, mas elas mudaram. Não tem nada de errado com você, eu só... eu só me apaixonei por outra pessoa.
Marlene tinha lágrimas se formando nos cantos dos olhos e Sirius se odiou por isso, mas sabia que deveria ser honesto. Ele já havia errado tanto com tantas garotas, mas não queria errar com Marlene, e muito menos com Petunia. Ele queria se provar digno de tê-la ao seu lado, ele queria mostrar a todos que ele podia, sim, ter algo sério com a pessoa que gostava.
- Como? – ela perguntou, secando as lágrimas.
- Como o quê? – ele questionou, não entendendo a pergunta.
- Como você soube que estava apaixonado por ela?
- Eu não sei... Eu só... Senti – ele respondeu, bagunçando os cabelos nervosamente – Eu simplesmente soube, eu acho.
Ele não havia parado para pensar em quando exatamente percebeu que estava apaixonado por ela, pois todos os momentos que viveu com ela se misturavam em suas lembranças. Era como se, desde o início, ele estivesse apaixonado. As memórias se fundiam umas às outras e ele só conseguia visualizar todos os fragmentos juntos, como se todos completassem um único cenário. Lembrava dela o arrastando em meio à chuva no festival, e logo a lembrança o levava àquela noite em que ela também o arrastou pela mão no meio da noite. Lembrava dela sorrindo para o seu patrono e logo o cenário mudava e ela estava sorrindo escorada na cama, olhando para ele, que estava deitado ao chão. Lembrava de correr até ela e grudar sua boca na dela em frente à varanda da casa, e logo era arrastado ao beijo na estação de trem. Ele não sabia quando havia se apaixonado por ela, mas sabia – e sentia – que era louco por ela. Ele só sabia. Marlene se ajeitou no assento e Sirius voltou sua atenção ao presente.
- Desculpe, Marls – ele pediu com sinceridade – eu nunca quis magoar você. Você sabe disso, não sabe? Você é minha amiga, eu gosto de você. Gosto muito. Não gostaria de perder a sua amizade.
- Eu... Eu acho que preciso de um tempo – a garota respondeu, limpando as lágrimas – Você é um bom homem, Sirius. E eu também não quero perder a sua amizade. Mas preciso de um tempo, porque eu sinto mais do que amizade por você nesse momento. Não acho que seja uma boa ideia nós ficarmos próximos, pelo menos por um tempo.
- Tudo bem – ele concordou tristemente. Não era o cenário ideal, mas entendia. Se fosse o contrário, ele também precisaria de um tempo.
Marlene assentiu positivamente e se levantou do sofá, ajeitando a saia com as mãos. Deu uma última fungada e virou as costas, deixando-o sozinho no Salão. Sirius se jogou para trás no sofá e inspirou fundo, soltando o ar logo em seguida.
- É um tremendo pé no saco ser uma boa pessoa e ter sentimentos – ele murmurou para si mesmo, e catou o recorte de jornal dentro do bolso da calça. Pegou a foto entre os dedos e não conseguiu evitar sorrir – O que você está fazendo comigo, Petunia Evans?
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O restante do mês de novembro foi bastante tranquilo, especialmente se comparado às semanas que se seguiram até o feriado de Natal. Durante a semana em que Petunia ficou com o espelho, ela e Sirius conversaram por horas a fio, e ele sempre a esperava pegar no sono para encerrar a ligação. Somente após visualizar o conhecido teto do quarto dela, e ouvir a respiração ritmada dele, que ele sussurrava um "boa noite" e guardava o espelho embaixo do travesseiro. Isso, obviamente, rendeu inúmeras piadinhas por parte dos outros marotos, principalmente James.
- Boa noite, Túnia! – o garoto de cabelos espetados exclamou alto ao sair do banheiro enrolado em uma toalha. Remus se aproximou do amigo e James se ajoelhou à sua frente, tomando a mão do loiro na sua.
- Boa noite, Sirius! – Remus respondeu teatralmente.
- Oh, Túnia, eu te amo!
- E eu te amo, Sirius! – Remus exclamou alto. Peter rolava de rir na cama e Sirius cruzou os braços.
- Há há há, muito engraçado! – Sirius retrucou – Quem é você para falar algo, Pontas? Pensa que eu não vi você e Lily saindo de uma sala de aula vazia?
James ficou vermelho feito um tomate e se levantou rapidamente do chão, ajeitando a toalha na cintura.
- Nós somos monitores-chefes! – ele respondeu – Estávamos em ronda!
- Eu não sabia que fazer ronda bagunçava tanto a saia da Evans e fazia com que sua gravata parasse pendurada no seu bolso – Sirius provocou, e Remus e Peter abriram a boca em surpresa, trocando olhares significativos.
- VOCÊ E EVANS? – Remus gritou, e se jogou ao lado de Sirius na cama do maroto.
- Quando pretendia dividir com o grupo? – Peter questionou.
- Eu... eu... não é isso! – James gaguejava, e bufou ao perceber os olhares inquisidores dos amigos – OKAY! Mas, pelo amor de Merlin, não contem para ninguém! Lily vai me matar se descobrir que alguém sabe.
Sirius caiu na gargalhada e os outros três o encararam.
- Oh, querido Pontas – o moreno ria – EU SABIA! Na verdade, eu não sabia. Mas já deveria saber.
- Você jogou um verde? – Remus perguntou e Sirius deu de ombros – Merda, você é bom! E eu não acredito que agora devemos quinze nuques em dinheiro trouxa para Túnia!
- VOCÊS APOSTARAM? – James gritou, mas não conseguiu refrear a gargalhada – PETUNIA APOSTOU? Lily vai ter um troço.
- É claro que ela apostou! Ela está com Sirius Black! – Sirius respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, e Remus deu uma risada. James apontou o indicador de um garoto para o outro.
- Dele eu esperava isso, mas de você? – ele olhava para Remus com os olhos apertados – Oh, Godric, a quem eu quero enganar? Eu ajudei você a criar essa fachada de bom moço! Não acredito que os aprendizes superaram o mestre!
- Você não é o mestre! – Sirius reclamou – Claramente eu sou o mestre! Eu sou o idealizador, vocês são meus peões!
- Isso quando você não age sozinho – Peter respondeu de forma amarga, e silêncio se fez no quarto. Ele nunca iria superar o incidente com o Ranhoso? Até Remus já o havia perdoado, e ele foi o que mais sofreu com a inconsequência de Sirius.
- Vá se foder, Rabicho – Sirius respondeu entredentes.
- Ei, ei – Remus interveio, levantando-se da cama – Peter, você pode, por favor, esquecer isso? Sério caras, eu e James não aguentamos mais vocês dois se bicando.
Sirius se levantou da cama com a cara amarrada, calçou os sapatos e se dirigiu à porta.
- E onde você vai? – James perguntou.
- Na cozinha.
- Mas nós já jantamos!
- Sim, Pontas, mas eu estou com vontade de comer bolo de chocolate – Sirius respondeu malcriadamente – posso ir, monitor-chefe?
James deu de ombros e observou o amigo sair do quarto. Colocou as mãos na cintura e suspirou.
- Dois sicles que ele vai no corujal mandar carta para ela.
- James, eu não tenho mais dinheiro! Não posso contrair mais dívidas! – Remus reclamou, e o amigo o encarou com um sorriso no rosto.
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Petunia sentia falta de ouvir a voz de Sirius e passar horas conversando com ele. Os dois seguiam se correspondendo todos os dias, mas não era a mesma coisa que conseguir ver o rosto dele e engatar um longo assunto. Faltavam poucas semanas para o feriado de Natal, e ela estava uma pilha de nervos. Sirius já havia garantido, por inúmeras vezes, que faria de tudo para vê-la, e o simples pensamento de o ter em sua presença após todas as confidências que trocaram por carta a deixava com o coração na boca.
A garota apanhou sua caderneta e passou a anotar alguns pensamentos. Era a última folha livre, e ela ainda não tinha outro caderno para as novas anotações. Petunia gostava de se sentar no parapeito da janela e escrever apreciando a vista de seu bairro, mas a neve já caía abundantemente e o frio era de cortar, então ela se contentava em ficar no quarto com o aquecedor ligado, observando os flocos de gelo que se grudavam aos telhados da casa. Não demorou muito para que a já conhecida coruja cinzenta aparecesse tremendo e bicando a janela. A loira abriu a janela rapidamente e aqueceu o animal com uma toalha de rosto limpa antes de desamarrar o pergaminho. A coruja piou satisfeita e se aninhou nas cobertas da cama dela, o que arrancou uma risada da garota.
- Fico feliz que você se sinta confortável aqui – ela comentou ao animal, enquanto abria o pergaminho.
"Oi linda,
Hoje o dia foi mais difícil que o esperado. Nós ganhamos o último jogo, o que é ótimo (James cometeria suicídio se caíssemos de posição. Ele quer terminar o ano letivo com a Taça do Campeonato).
O clima anda cada dia mais estranho nessa escola, Dumbledore parece ausente, como se simplesmente não se importasse o suficiente. Reg segue com as companhias duvidosas e eu já não tenho dúvidas de que Bella e Cissa estão com a marca. Andrômeda fugiu de casa, até onde eu sei ela também foi queimada da tapeçaria. Confesso que é bom não ser o único Black desertor. Eu sempre gostei da Andy.
Mas e você? Como você está? Merlin, eu não vejo a hora de poder ver você! É a primeira vez em sete anos que eu fico ansioso para sair de Hogwarts no Natal. O que você fez comigo, hein?
Eu sinto a sua falta. Queria poder enviar o espelho novamente e ver o seu rosto, mas as coisas andam complicadas por aqui. James e eu usamos os espelhos para comunicação, principalmente em relação aos grupos de duelo. Nunca o vi tão focado em alguma coisa, mas ele está dando conta de tudo. Sua irmã está evoluindo muito, ela é minha dupla algumas vezes. Lily é uma ótima bruxa, e uma ótima duelista.
Você pode me responder pela manhã, a gordinha deve estar exausta da viagem. Ficarei esperando ansiosamente a sua carta.
O homem mais bonito, charmoso e inteligente que você já conheceu,
S.B."
Petunia sentiu uma gama enorme de sentimentos ao ler a carta da Sirius. Ela amava que ele dividisse o que acontecia em seu dia com ela, mas não conseguia evitar ficar preocupada. Sua irmã e o garoto por quem era apaixonada estavam treinando para uma guerra. Uma guerra de verdade. Isso arrepiava a espinha da garota. A família de Sirius estava realmente ao lado de Voldemort, e Voldemort estava matando pessoas. Pessoas como sua irmã!
Desde que soube de Voldemort, Petunia sempre ficou tranquila ao embarcar a irmã para Hogwarts. Ela sempre considerou que a irmã estaria segura dentro do castelo, sob a proteção de Dumbledore e dos outros professores. Mas agora? Sirius mesmo havia dito, em mais de uma oportunidade, que a escola não estava a mesma. Petunia agradecia com todas as forças que James estivesse sempre ao lado de Lily, mas isso não sanava todas as suas preocupações. Deus, como ela se sentia impotente! James, Sirius, Remus e sua irmã estavam se preparando para uma guerra enquanto ela vivia seus dias normalmente, como se nada estivesse acontecendo!
Encarou a coruja aninhada em sua cama, com os olhinhos fechados, e a tapou com um pedaço de coberta. O pequeno animal piou baixinho e suspirou, e Petunia sorriu. O Natal estava próximo, então tudo estaria bem. Lily estaria em casa, a salvo, e Sirius viria vê-la. Tudo estaria bem.
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Finalmente o dia de embarcar para casa havia chegado, e Sirius estava ansioso. Petunia não iria até a estação, ela havia avisado em sua última carta que teria uma entrevista com seu professor do curso de escrita para pegar uma carta de recomendação. Aparentemente, era um dos pré-requisitos para que ela conseguisse ingressar em uma faculdade. O maroto não entendia a necessidade de se fazer faculdade após finalizar a escola, porque no mundo bruxo isso não existia, era só escolher uma profissão dentre as habilidades comprovadas nos NEWT's e pronto.
Lily e James estavam sendo péssimos escondendo que estavam juntos, chegava a ser ridículo. Remus e Sirius reviravam os olhos cada vez que um dos dois anunciava que iria ao banheiro, ou que buscaria varinhas de alcaçuz, ou qualquer outra desculpa esfarrapada, e chamava o outro para ir junto. Peter, Marlene, Mary e Dorcas pareciam estar se divertindo, davam risada do casal de amigos a cada uma das desculpas. As coisas haviam melhorado entre Marlene e Sirius. A bruxa havia, aos poucos, voltado a conviver com ele, e era quase como se nada – além das sessões de amasso e das transas pelo castelo – tivesse mudado entre eles. A garota estava sentada ao lado do maroto na cabine e, em um determinado momento, pegou no sono apoiada no ombro dele. Peter direcionou um olhar indagador ao moreno.
- Cala a boca – Sirius rebateu, num sussurro, e Peter revirou os olhos.
Pouco antes do trem chegar à estação, Lily e James retornaram à cabine. A ruiva tinha a boca inchada e vermelha, e os cabelos de Pontas estavam mais bagunçados que o normal. Sirius abriu um sorriso de canto e levantou uma sobrancelha à garota.
- O quê? – Lily perguntou, fazendo-se de desentendida. Sirius deu de ombros, mas seguiu sorrindo de forma debochada.
- Nada, mal posso esperar para saber o que Túnia tem a dizer sobre isso.
Lily ficou vermelha feito um tomate e cutucou Marlene, chamando-a e as outras meninas para trocarem os uniformes por roupas informais antes de chegarem à estação. Sozinhos no vagão, os quatro marotos também trocaram de roupas. Sirius lamentou que estivesse tão frio e não pudesse usar somente uma camiseta e sua jaqueta de couro, e James revirou os olhos quando o garoto reclamou que o inverno sempre "arruinava seu estilo".
O garoto não deixou de perceber o roçar de dedos entre o amigo e a ruiva antes que ela caminhasse até o Sr. e a Sra. Evans, que a esperavam ao lado da plataforma com sorrisos no rosto.
- Tem certeza de que não quer passar o Natal conosco, Aluado? – James perguntou.
- Ah, você sabe que não gosto de deixar meu pai sozinho nessas datas – o garoto deu de ombros – além do mais, é lua-cheia essa semana e em casa eu tenho as coisas mais sob controle.
James assentiu positivamente e dirigiu um sorriso cúmplice ao loiro. Olhou para Peter.
- E você, Rabicho?
- Eu não posso... Mamãe está doente, sabe como é – o mais baixo deu de ombros, e se despediu dos amigos, caminhando em direção à saída da plataforma apressadamente puxando seu malão. Sirius o encarou intrigado, e Remus deu um tapa em seu ombro.
- Não comece.
- Eu não ia dizer nada! – Sirius se defendeu.
James jogou o braço por cima do ombro do moreno e o puxou para a saída também, acenando para Remus. O loiro riu ao assistir os amigos indo embora e resolveu seguir o seu caminho para casa.
- Então... – James começou, com um sorriso zombeteiro brincando em seus lábios – agora que você já sabe sobre Lily e eu... Qual seu plano para hoje a noite?
Sirius encarou o amigo e sorriu marotamente, piscando um olho enquanto bagunçava os cabelos espetados de James.
- Querido Pontas... Eu estou pronto para não fazer nada de bom, e você?
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Petunia chegou em casa segurando a carta de recomendação de seu professor. Tinha um sorriso grande nos lábios e cumprimentou sua família animadamente, jogando-se em cima de Lily, que estava deitada no sofá. A ruiva reclamou, mas começou a rir logo em seguida e abraçou a irmã mais velha.
- Oh, eu senti sua falta, Túnia! – Lily exclamou, arrancando risadas da loira.
- Senti sua falta também! – Petunia respondeu, e logo em seguida encostou os lábios no ouvido da irmã e sussurrou – Meu quarto, agora. Precisamos conversar.
A ruiva riu e as duas correram ao subir as escadas, fazendo com que o Sr. Evans revirasse os olhos e murmurasse um "adolescentes...". Assim que chegaram ao quarto de Petunia, Lily se jogou na cama e a loira fechou a porta atrás de si, escorando-se contra o pedaço de madeira.
- Então...
- Eu estou namorando James – Lily soltou de uma só vez, e Petunia abriu a boca em surpresa. A ruiva deu de ombros timidamente e a mais velha começou a dar pulinhos e bater palmas.
- Eu sabia! Oh, Lily! Já estava na hora! Estou tão feliz que poderia gritar na janela!
- Por favor, não! – a ruiva gargalhou – Mas e você e Sirius?
- O que tem eu e Sirius?
- Ah, Túnia! Vocês estão juntos! Quem diria que as irmãs Evans estariam namorando dois marotos. Os dois piores, diga-se de passagem.
Petunia riu nervosamente e começou a mexer nas pontas de seu cabelo, que já quase passavam da altura de seus seios. Haviam crescido bastante desde o verão. A loira havia trançado o cabelo e tinha a trança jogada para frente, usava um grande e grosso blusão de lã verde, uma calça preta grossa e botas igualmente pretas. A ponta de seu nariz estava vermelha por ter passado frio voltando para casa.
- Eu não estou namorando, Lily – Petunia explicou, trocando o peso do corpo de uma perna para a outra.
- Você definitivamente está – a ruiva teimou, e se levantou da cama somente o suficiente para puxar a irmã pela mão, acenando para que ela se sentasse também – Túnia, eu nunca pensei que diria isso, mas... Sirius está mudado. Ele realmente gosta de você, e você claramente gosta dele também.
- Ele disse algo a você? – a loira questionou, levantando uma sobrancelha.
- Bem... Eu posso ter confrontado ele publicamente e ele ter dito uma coisa ou outra em alto e bom som.
- Lily... – Petunia começou, em tom acusatório. A ruiva sabia que a irmã estava se corroendo de curiosidade.
- Toda escola sabe que ele está louco por você, Túnia. Bem... Não toda a escola, só o nosso grupo de amigos. Mas todos sabem que ele está apaixonado. É engraçado ver que todos tentam descobrir quem é a "garota misteriosa que capturou o coração de Sirius Black".
As duas riram e Petunia relaxou os ombros.
- Você acha que ele está apaixonado por mim? – ela perguntou.
- Eu tenho certeza – Lily garantiu, e Petunia abriu um sorriso.
As duas ficaram até o horário da janta colocando o assunto em dia. Petunia não compartilhou várias das conversas que teve com Sirius por carta e pelo espelho, considerava aqueles momentos muito pessoais e algo somente dos dois. Lily, igualmente, fez questão de deixar de fora que já não era mais virgem. Havia perdido sua virgindade com James de uma forma menos romântica do que gostaria de admitir. Afinal, era o resultado inevitável de anos de tensão sexual acumulada, uma ronda noturna e uma discussão boba. Antes que desse por si, Lily já estava dentro de uma sala de aula vazia se agarrando com James Potter em cima de uma mesa. A lembrança arrancou uma risada da garota.
Não demorou muito para que a Sra. Evans batesse na porta e as chamasse para jantar. Lily contava animadamente sobre as novidades do semestre, e Petunia sorria à cena. Finalmente os jantares voltaram a ser daquele jeito: vozes altas, bagunça, risadas... Ela sentia tanta falta de Lily durante o ano!
- E como vão as aplicações para a faculdade, Túnia? – a Sra. Evans perguntou.
- Não sei se estou pronto para a minha garotinha ir para outro país! E do outro lado do oceano! – o Sr. Evans reclamou, e Petunia sorriu ao pai.
- Na verdade, eu estava pensando em cursar Literatura em Oxford – Petunia respondeu e Lily se virou rapidamente à irmã, abrindo um sorriso – minhas notas são boas, estou conseguindo boas recomendações, e Oxford fica perto.
- Oh, Túnia! – Lily jogou os braços em volta do pescoço da irmã e deu três beijos estalados na bochecha da mais velha, arrancando risadas de todos – Essa é a melhor notícia!
- Eu obviamente me mudaria daqui – Petunia continuou, e o sorriso do Sr. Evans murchou – Papai, eu já tenho dezoito anos! E eu alugaria um lugar perto do campus, fica somente a meia hora de carro daqui.
- Nossas meninas cresceram, querido – a Sra. Evans sorriu ao marido, e depois às filhas.
Lily entreteu a família fazendo alguns feitiços, já que agora era maior de idade no mundo mágico, e todos se divertiram muito. Petunia nem desconfiou que a garota ocupou os pais com o objetivo de deixá-los cansados. Após recolher a mesa, Lily lavou rapidamente os pratos e anunciou que iria dormir. A loira seguiu o exemplo da irmã e se dirigiu ao próprio quarto, fechando a porta.
Apanhou um livro em sua estante e, ao terminar o primeiro capítulo, ouviu os pais se fechando em seu quarto e o barulho do interruptor de luz sendo desligado. Leu ao total três capítulos do livro até resolver fechá-lo e desligar a luz, deixando o quarto fracamente iluminado somente pelo abajur ao lado da cama. Estava de férias! Somente após a virada do ano que voltaria ao colégio e podia, portanto, descansar dos estudos um pouco.
Vestiu seu pijama e se ajeitou entre as cobertas. O quarto estava quentinho do aquecedor e a luz do abajur deixava tudo mais aconchegante. Assim que fechou os olhos, escutou uma batida em sua janela. Levantou-se rapidamente e colocou a cabeça para fora, avistando Sirius com algumas pedrinhas na mão, pronto para lançar a próxima. O maroto sorriu quando a viu e acenou.
- Isso está se tornando um hábito, Sr. Black – Petunia sussurrou, sorrindo. Sirius acenou para que ela abrisse a porta dos fundos, e a menina obedeceu, descendo silenciosamente somente de meias.
Sirius estava prestes a tomá-la em um beijo saudoso quando Petunia colocou o indicador sobre seus lábios, sussurrando que Lily ou seus pais poderiam acordar. Sirius abriu um enorme sorriso e sussurrou de volta à loira.
- Petunia, querida, Lily está bem acordada nesse exato momento, já que James está com ela.
- O QU... – Petunia exclamou, surpresa, e Sirius tratou de tapar a boca dela com a mão e fazer um "shhhh". Petunia, de olhos ainda arregalados, sinalizou que faria silêncio e puxou Sirius rapidamente até seu quarto. O garoto lançou um feitiço nos degraus para evitar que eles rangessem e os dois correram até o andar superior da casa. O maroto fechou a porta do quarto atrás de si e lançou um feitiço silenciador na porta, para que os dois pudessem falar em voz alta. Sinalizou para Petunia que estavam seguros.
- Lily e James no quarto? Desde quando? Eu não acredito! Minha irmã é uma transgressora! – Petunia exclamou, mal conseguindo controlar a risada. Sirius riu com ela.
- É, o galhudo finalmente conseguiu conquistar a sua irmã – Sirius explicou, tirando a jaqueta de couro e deixando-a apoiada na cadeira de Petunia – para ser honesto, eu já estava desconfiado que os dois estavam trocando alguns beijos, mas fiquei surpreso ao saber que eram mais do que isso. Pensei em contar a você em primeira mão.
Petunia levantou uma sobrancelha em descrença e cruzou os braços na frente do corpo, mas mal conseguia refrear o sorriso.
- Bem... não em primeira mão, já que provavelmente Lily te contou – ele explicou, dando de ombros – mas você entendeu.
- Você veio até aqui para me contar que Lily e James finalmente estão namorando? – Petunia perguntou, sorrindo de canto. Sirius deu passos decididos em direção a ela, com um sorriso maroto nos lábios. Ele estava lindo, como sempre, e isso fez com que o coração dela batesse freneticamente. Ele finalmente estava ali com ela, depois de meses de cartas e conversas à distância.
- Não – ele confessou, e levou uma mão à nuca de Petunia, enquanto a outra a enlaçava firmemente pela cintura – eu vim fazer o que eu não consigo parar de pensar desde o dia na estação.
Sirius, então, colou os lábios nos dela. Eram macios e famintos. Sentiu quando ele pediu que ela abrisse passagem com sua língua e enroscou sua própria língua na dele. Ela envolveu os braços ao redor do pescoço dele e enterrou seus dedos nos cabelos macios e escuros, colando seu corpo no corpo dele. Sirius apertou Petunia pela cintura contra si e explorou a boca dela intensamente. Como ele queria fazer aquilo! Por meses sonhou com o momento em que conseguiria beijá-la de novo, com o momento em que conseguiria estar em local privado o suficiente para colar o corpo dela no seu e sentir o calor dela.
Relutantemente, ele quebrou o beijo em busca de ar e a encarou, ofegante, nos olhos. Deslizou a mão que segurava a nuca dela para a curva da mandíbula da garota e acariciou o rosto dela com o polegar.
- Petunia Evans, você me enfeitiçou – ele disse, com a voz grave e entrecortada pela respiração pesada.
- Eu não sou uma bruxa – ela sussurrou, sorrindo de canto. Ele sorriu de volta e capturou os lábios dela mais uma vez.
- Mas você me enfeitiçou – ele continuou falando contra os lábios dela – você grudou sua imagem na minha cabeça e agora é só o que consigo pensar. Sempre que deito é o seu rosto que eu vejo, o seu perfume que eu respiro, a sua voz que eu escuto. E, por meses, o seu gosto é o único que eu quero sentir – ele pontuou, e Petunia correu seu próprio polegar pelos lábios entreabertos do rapaz.
- Você sabe que eu estou apaixonada por você, não sabe? – Petunia perguntou, corajosamente, e Sirius assentiu, confirmando. Era uma pergunta óbvia, mas cheia de significado. Era o pedido de confirmação de um combinado entre os dois. Era ela deixando claro que tinha sentimentos por ele, que o queria, mas que não seria feita de boba. Que aquilo era sério, que aquilo significava tudo e mais um pouco.
- Eu estava torcendo que você fosse. É assustador, é inesperado e é confuso, mas eu sou irrevogavelmente apaixonado por você, Túnia – ele respondeu e colou os lábios nos dela.
O beijo ficou mais intenso e Petunia suspirava enquanto sentia as mãos frias de Sirius contra seu corpo quente, deslizando a blusa de seu pijama para cima. Ela arqueou as costas quando o polegar dele tocou seu umbigo e os demais dedos dele apertavam a carne em volta de sua cintura. Os lábios dele beijavam seu lóbulo da orelha e a outra mão do rapaz puxou a coxa dela para cima delicadamente, fazendo com que ela enroscasse a perna em volta da cintura dele. Ele a suspendeu no ar, pegando-a de surpresa. Ela não tinha noção de que ele era tão forte.
Sirius a deitou contra a cama, e se posicionou em cima dela, mas não foi além. Estava louco por ela, queria ela mais do que tudo, e isso era perceptível pelo volume dele contra o ventre de Petunia. Mas ele não queria estragar tudo, não com ela. Se ele tivesse que agir como um cavalheiro, ele o faria, por mais difícil que fosse. A garota percebeu a hesitação dele e desceu as mãos até desfazer os botões da calça dele.
- Eu não sou virgem, Sirius, e eu quero isso – ela o tocou por dentro da cueca, sentindo toda a extensão dele, e pensou ter ouvido um rosnado do rapaz junto ao seu ouvido.
Com o consentimento dado, Sirius se afastou somente o suficiente para arrancar a blusa de Petunia, e a beijou novamente, acariciando os seios dela com os dedos enquanto a sentia tocá-lo onde ele estava mais impaciente. A garota gemeu baixo e percebeu que o rapaz sorriu com isso. Sirius correu com a boca até um dos seios dela e desceu até o umbigo, fazendo com que a garota arqueasse as costas contra a cama.
- Sirius, você quer me enlouquecer? – ela perguntou, arfando.
- É exatamente isso que eu quero – ele respondeu, baixando a calça de pijama dela, junto com a calcinha branca.
Sirius puxou as pernas de Petunia para cima e passou a distribuir beijos pelo interior da coxa dela, traçando um caminho até a intimidade dela, que acabou por abocanhar sem aviso algum. Petunia gemeu alto e agradeceu internamente por Sirius ter silenciado a porta. Ela se contorcia e gemia enquanto ele a beijava lá embaixo e introduzia alguns dedos dentro dela. Não demorou muito para que Petunia tivesse sua primeira onda de prazer e, quando a teve, quase gritou. Ofegante e impaciente, Petunia puxou Sirius para cima e girou seus corpos, ficando por cima.
Sirius sorriu, sacana e surpreso, e tomou a boca dela contra a sua, gemendo enquanto a garota o guiava para dentro dela. Eles tinham os corpos colados, movimentando-se em sincronia e de forma intensa, e a loira não tinha vergonha alguma. Eles encaixavam perfeitamente, Petunia se sentia totalmente preenchida por ele e cavalgava nele enquanto ele percorria todo seu corpo com as mãos, os lábios colados no seu. As respirações ofegantes e os gemidos cada vez mais altos. Petunia vez ou outra quebrava o beijo para gemer o nome de Sirius, e percebeu, ao abrir os olhos e encará-lo, que as pupilas dele dilatavam e preto tomava conta do cinza todas as vezes em que ela dizia seu nome. Os dois tiveram o ápice juntos, um sentimento completamente novo para o rapaz. Sirius derramou-se dentro dela e ela levou seu corpo, agora mole, para o lado dele. Ele a tomou nos braços firmemente.
- Você definitivamente me enfeitiçou, Petunia Evans – ele suspirou, sorrindo e beijando o topo da cabeça dela, que estava apoiada em cima de seu ombro, na curva de seu pescoço – e não há contrafeitiço que resolva.
Ela riu e se aninhou mais contra ele, sentindo o contraste de temperatura da pele dos dois. Sirius a apertou mais contra si e passou a acariciar as costas dela com a ponta dos dedos. Ele nunca havia ficado assim depois do sexo, nem mesmo com Marlene. Mas tinha algo em Petunia, algo que o chamava, que o atraía para perto dela, como um ímã. Ele a queria colada a si o tempo inteiro. Imaginou tantas vezes esse momento e, agora que sabia como era tê-la em seus braços, não havia mais volta. Ele nunca mais ficaria separado dela.
- Eu realmente espero que Lily tenha se lembrado de silenciar a porta também – Petunia comentou, e Sirius deu uma gargalhada.
- Eu também espero – ele respondeu – Seria bastante constrangedor se os seus pais pegassem os dois no flagra e depois resolvessem conferir o seu quarto. Definitivamente não seria a maneira ideal de conhecer os pais da minha namorada.
Petunia se remexeu contra ele e apoiou um cotovelo na cama, deitando a bochecha contra a palma da própria mão, um gesto muito parecido com aquele que ela fez na primeira noite em que Sirius dormiu ali naquele quarto. Ele colocou uma mecha de cabelo dela para trás da orelha, a fim de enxergar melhor aqueles olhos azuis.
- Eu sou sua namorada? – ela perguntou, sorrindo de canto, e Sirius abriu um sorriso. Não estava mais nervoso, estava confiante. Sabia o que queria, e faria o que fosse preciso para ter o que queria. O garoto repetiu o gesto da loira, e encostou seu nariz na ponta do nariz dela, encarando-a naqueles olhos azuis feito o mar.
- Você quer ser minha namorada? – ele retrucou, sorrindo marotamente – Porque eu quero ser o seu namorado.
Petunia sorriu e deu um selinho nos lábios dele, que correspondeu.
- Eu quero – ela respondeu, e ele girou os corpos dele até ficar por cima dela novamente.
- Ótimo – ele comentou, distribuindo beijinhos estalados por toda a extensão do pescoço dela, arrancando algumas gargalhadas da garota – Agora não há mais volta, Túnia. Você nunca mais vai conseguir se livrar de mim! Você tem um segundo para desistir. Opa, já passou. Como você não apresentou objeções, está fadada a mim.
- Você é ridículo, Sirius Black! – ela gargalhou.
- E você é linda – ele respondeu, beijando-a nos lábios – Eu acho que é uma boa hora para confessar que nunca tive uma namorada antes.
- Eu também nunca tive um namorado antes – ela respondeu, acariciando o rosto dele com a ponta dos dedos, e ele levantou uma sobrancelha.
- Mas você disse que não era mais virgem, não disse?
- Ué, você também não era – ela retrucou, também levantando uma sobrancelha – Algum problema?
Ele uniu as sobrancelhas e olhou para algum ponto na parede, atrás da cabeceira da cama, e pareceu pensar por alguns segundos.
- Touché – ele finalmente respondeu – Bom... Pouco importa quem foi o seu primeiro. Provavelmente ele foi ruim – ele falou de forma convencida, e Petunia riu – O que importa é o seu último. E é isso, senhorita Evans, que eu pretendo ser: seu último e único... E melhor.
- Você é tão convencido! – ela respondeu rindo – E romântico também.
- Por favor não conte a ninguém – ele pediu dramaticamente, beijando os lábios dela – Eu tenho uma reputação a zelar. Se souberem que eu estou tão entregue a você, minha imagem vai por água abaixo.
- Eu prometo pensar no seu caso – Petunia respondeu e Sirius fingiu se sentir ofendido. Começou, então, a fazer cócegas por todo o corpo da namorada e distribuir beijos estalados por todo o rosto dela. A loira gargalhava e se remexia embaixo do corpo dele, o que causou algumas sensações no baixo ventre dele. Em poucos minutos, os dois estavam transando novamente.
Quando finalmente o sono derrubou Petunia, Sirius a segurou firme contra si e dormiu com o nariz enfiado nas mechas loiras do cabelo dela. Da sua namorada. Sirius Black tinha uma namorada. E, de alguma forma, ele percebeu que aquilo era tudo o que ele não sabia que desesperadamente queria. Finalmente ele entendia James e, sorrindo, lembrou-se da pergunta que havia feito ao amigo naquele fatídico dia em que passaram a tarde naquela mesma casa: o que ele tanto via na família Evans? Bom, agora Sirius sabia a resposta.
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Resposta aos reviews:
Gabi: A Lily é uma fofa, né? Eu amo muito ela e o James! Fico muito feliz que essa história esteja cativando você, porque vou ser sincera: ela martela na minha cabeça há anos. Eu escrevi o esboço há oito anos! Postei, apaguei, postei de novo, apaguei. E agora finalmente estou dando a atenção que essa fic tanto merece. Obrigada como sempre pelos comentários! Você faz o meu dia mais feliz com seu feedback.
