XI. Segredos do Passado
Na periferia de Tóquio, um luxuoso carro preto de vidros escuros entrecortava as ruas e chamava a atenção de todos. O que alguém tão importante iria querer ali? As crianças haviam parado as brincadeiras na rua e os adultos saíam de casa, curiosos com o veículo e o destino que ele teria. Assim que parou perante uma das casas, os moradores começaram com burburinhos, comentários maldosos ou inconvenientes. Alguns se arriscaram numa aproximação casual.
Dentro do carro, incomodados com a atenção que estavam chamando, estavam Aiolia, Ikki e Shun. Ao desligar o veículo, o grego perguntou ao amigo, que estava ao seu lado:
"Vai descer agora ou prefere ver se ela está em casa primeiro?"
"Não queria que ela me visse saindo do carro, mas já sei o quão trabalhosa é essa operação."
"Para mim não é nada de mais..." – Shun falava, ameaçando a abrir a porta de trás.
"Se for comparar o dia que você foi ao santuário, Shun tem razão." – Aiolia relembrava sorridente.
"Não precisa apelar também!" – Ikki cruzava os braços, aborrecido.
"Oh que bonitinho... vai chorar!" – Aiolia divertia-se, bagunçando os cabelos dele e arrancando sorrisos dos dois irmãos.
"Falando sério... Já estamos chamando muita atenção. Antes de qualquer coisa, acho melhor ter certeza que ela está... Por que não verificam?"
Aiolia e Shun confirmam com um aceno de cabeça e um sorriso e saem do carro. Ao parar perante o portão, um menino de cabelo azul-petróleo e olhos verdes correu em direção a eles. Ikki imediatamente reconheceu o garoto e sentiu-se feliz ao perceber que o menino que salvara estava completamente sadio, sem nenhuma sombra do acidente. Devido à distância, ele não pôde ouvir a conversa que ele tinha com Shun e Aiolia.
"Oi, eu moro nessa casa. O que vocês querem?"
"Eu gostaria de falar com a senhora Keshi Matisui." – Shun respondia serenamente, abaixando-se para encarar o garoto.
"É a minha mãe. Vocês não responderam... O que querem?"
"Temos uma notícia para dar a ela. É importante..." – Shun falava.
Ikki abaixou o vidro e debruçou-se na janela. O menino, ainda curioso com o carro e com medo dos visitantes, viu e o reconheceu. Ele olhou novamente aos dois rapazes à sua frente e perguntou:
"São amigos dele?" – dirigia a cabeça na direção de Ikki.
"Na verdade eu sou irmão do Ikki."
"Ah! Pensei que ele tivesse morrido... Bom, se é assim, podem entrar. Ela deve estar no quarto."
"Obrigado."
Shun agradece sorridente e vai ao porta-malas do carro, seguido de Aiolia. Ikki entende a reação do irmão e do amigo, fecha o vidro e abre a porta o máximo que consegue. O menino fica observando tudo, desconfiado e intrigado. Os dois estranhos montavam uma cadeira de rodas enquanto o rapaz que havia salvado a sua vida continuava sentado, sem fazer nenhuma menção para levantar-se. Respirou fundo e foi até o banco do carona.
"Oi, foi você que salvou a minha vida..."
"Ah o menino que quase virou paçoca! Quantas vezes venceu o desafio nesse tempo que fiquei ausente?"
"Eu... eu nunca mais fiquei nos trilhos. Pensei que você tivesse morrido..."
"Foi quase, mas sou muito cabeça-dura para isso."
"Você vai descer? Vai... entrar na minha casa também?"
"Anh?"
"Eu moro naquela casa. Sou filho da Keshi..." – apontava a casa onde Shun e Aiolia haviam ficado na frente do portão.
"Filho? Você é filho dela?" – Ikki perguntava de forma alterada.
O menino fechou os olhos e começou a afastar-se lentamente, assustado com a forma com que Ikki havia feito a pergunta. Ao ouvir o som do porta-malas ser fechado, o garoto ficou ainda mais temeroso, mas antes que pudesse correr e se esconder em algum canto da casa, ouviu a voz de Ikki, num tom carinhoso e desesperado:
"Espere! Não vou machucar-lhe..."
Ao abrir os olhos, ao invés de ver Ikki ao seu lado, como esperava, o viu dentro do carro, ainda sentado. O jovem de cabelos verdes estava empurrando uma cadeira de rodas ao lado do carro e o homem de cabelos castanhos já estava ao lado do amigo. Assustado com a cena, ele ainda viu Ikki ser colocado na cadeira de rodas com a ajuda do homem e entendeu o que estava acontecendo. Sentia pena e culpava-se pela condição física do rapaz. Sentiu os olhos arderem e percebeu que a visão estava turva diante da imagem de Ikki.
Ikki, por sua vez, aproximava-se do garoto, aproveitando o fato da calçada ser plana e não ter obstáculos. Ficou ao lado dele e o olhou nos olhos, lembrando-se mais uma vez do acidente, da impressão que teve do garoto e do rosto da menina que tanto o encantara. Sorriu para ele, enquanto apertava a mão infantil e gelada, carinhosamente.
"Está com medo... de mim?"
"Eu... fui eu que te deixei assim, não foi?"
"Foi um acidente. Eu te machuquei?"
"Não. Saí sem um único arranhão."
"Ótimo! Fiquei um pouco preocupado... Você não vai nos levar até a sua casa? Preciso falar com a sua mãe."
O menino sorri e abraça Ikki. Shun e Aiolia ouviam a conversa e já haviam notado quem era o garoto. Andrômeda chorava silenciosamente com a cena que estava presenciando. Inconscientemente, Ikki quase sacrificara a própria vida para salvar o irmão, mesmo sem saber os laços de sangue existentes entre eles.
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"Bom dia. Antes de tudo, devo agradecer por ter salvado a vida do meu filho e ao mesmo tempo desculpar-me pelas seqüelas que isso lhe causou." – Uma senhora de cabelos verdes e olhos azuis falava com Ikki.
"Tudo bem, em nenhum momento o culpei por nada, mesmo porque eu acho que vacilei na última hora. Não lembro como escapei dos trilhos e da morte, mas... bem, não vim aqui para falar nesse assunto."
"Você vai ficar assim para sempre?" – O menino perguntava, cabisbaixo.
"Temos grandes esperanças do Ikki voltar a andar normalmente. Na verdade, ele havia ficado tetraplégico com o acidente e através de um tratamento rigoroso, conseguiu superar." – Aiolia respondia.
"O que é tetra... er... isso que você falou?" – Novamente o garoto perguntava.
"Yuki, pare de importunar as visitas!" – A mãe esbravejava.
"Ele não está nos incomodando..." – Shun falava docilmente e respondia, com um sorriso nos lábios – "Tetraplégico é quando uma pessoa não pode mover nenhum músculo do pescoço para baixo."
"Nossa! Como alguém pode sobreviver só movendo a cabeça? Não tinha problemas na hora de tomar banho, comer, respirar..." – Yuki espantava-se.
"Era meio complicado fazer algumas coisas. Na verdade, eu só conseguia comer ou me vestir com a ajuda do meu irmão ou de outra pessoa, mas agora já estou melhor. Posso mover o corpo da cintura para cima."
"Ah! E o resto?"
"Yuki!" – Keshi novamente chamava a atenção.
"Deixe-o!" – pedia Ikki – "Eu não sinto nem posso mover nada da cintura para baixo. Posso dizer que estou paralítico, ou melhor, paraplégico."
"Paralítico é mais fácil... mas, se você não consegue sentir nada abaixo da cintura, como sabe quando tem que ir ao banheiro?"
"Yuki, vá para o seu quarto!" – Ordenava a mulher, ao ver a situação constrangedora em que Ikki estava.
"Eu posso te explicar algumas coisas... Por que não me leva ao seu quarto?" – Aiolia perguntava de forma fraternal, numa tentativa de deixar os irmãos a sós com a mãe.
Yuki sorri e leva o grego para dentro da casa, curioso com o estado físico de Ikki. Queria saber o que o rapaz estava passando e como tinha ficado por causa do acidente. Quanto mais refletia, maior era a tristeza e o sentimento de culpa em seu interior, seu arrependimento, sua revolta pelo ato infantil e impensado que ele havia feito. Nunca se perdoaria!
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"Agora que estamos a sós, eu queria perguntar... Você se lembra de ter tido algum filho antes do Yuki?" – Ikki perguntava.
"Por que a pergunta?" – Keshi assustava-se.
"Calma! Viemos em paz. Não nos apresentamos corretamente. Eu sou Shun Amamiya e esse é meu irmão, Ikki."
"Amamiya? É o sobrenome da família do meu pai e... espera! Eu sou filha única e ele também era."
"O nome Mitsumasa Kido lhe traz alguma lembrança?" – Ikki pergunta.
Keshi encara Ikki e depois Shun compulsivamente, como se visse fantasmas. Começa a sentir-se nervosa e é tomada por imagens há muito perdidas em sua memória. Sente seu corpo tremer, as dores e tristezas do passado brotando em sua mente. Ela parecia fitar o nada, como se sua alma fosse despedaçar-se a qualquer momento, agora era um corpo vazio. Para Ikki, aquela parecia uma reação de alguém que levasse seu poderoso Golpe Fantasma de Fênix e por isso sentiu-se muito preocupado, ainda mais quando ela se ajoelhou no chão e começou a chorar. Devido à posição dos móveis, ele não poderia chegar a ela e sentiu-se frustrado por sua incapacidade. Sorriu internamente ao ver Shun ao lado dela, a acariciando, abraçando e passando forças.
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"Desculpem pela minha reação, mas tinha certeza que estivessem mortos..."
"Nós também pensamos que você estava morta." – Shun falava.
"O canalha do Mitsumasa Kido conseguiu enganar a todos... Chegou a mentir dizendo ser pai de todos nós. Aquele porco imundo!"
"Graças às pesquisas do meu niisan a gente descobriu que você era a nossa mãe e onde estava vivendo. Quanto ao nosso pai... Bom, você se lembra de alguma coisa?"
"Seu pai é um suíço chamado Roger Keller. Da última vez que soube, ele havia se mudado para Londres."
"Nosso pai é um suíço? Eu sabia! Sabia que não era filho daquele nojento!" – Ikki comemorava.
Keshi olha para Ikki e fica cabisbaixa. Ela caminha até ele e se ajoelha perante o moreno, acariciando o rosto dele com as costas das mãos. Depois de respirar fundo, ela finalmente encara o filho nos olhos, pedindo:
"Ikki, você me perdoa?"
"Você não tem culpa de nada, mãe. Posso chamá-la assim, não posso?"
"Eu ficaria muito feliz, mas não sou digna do seu amor, do seu carinho..."
Keshi sabia que aquele seria o pior momento de sua vida, o dia que teria que dizer a verdade sobre a origem de Ikki. Ela não sabia por onde começar, como dizer a verdade. O rapaz estava tão feliz... Não queria tirar esse sorriso ainda mais agora, que ele estava paraplégico e não merecia mais dores ou sofrimentos. Podia mentir, mas sabia que ele descobriria tudo mais cedo ou mais tarde e isso só iria piorar a situação. Ela falou com a voz falha e triste:
"Você e Shun não são filhos do mesmo pai, embora o Roger sempre tenha lhe tratado como um filho. Tanto que, para ele, seu nome sempre foi Richard, ou Ricky, como ele lhe chamava... Ele sempre lhe amou muito, como se tivessem o mesmo sangue, mesmo antes de você nascer ou depois que descobriu que eu estava grávida de um filho biológico dele."
"Sinceramente, eu já esperava por algo assim. Eu e o Shun somos muito diferentes fisicamente... Certamente meu pai deve ser um japonês, pois eu tenho traços orientais. Na verdade, isso nunca importou... Você nunca seria menos digna por ter tido filhos de pais diferentes e nós não temos nada a ver com o seu passado, não temos nenhum direito de julgar uma pessoa que não conhecemos, mas que nos deu a vida e certamente nos amou como só uma mãe consegue amar."
Ikki acariciava os cabelos dela e mostrava uma expressão serena, confiante. Keshi se emocionou ainda mais com o depoimento, o voto de confiança e novamente sentiu-se suja, desvencilhando-se do afago do filho mais velho. Sem perceber, ela foi caminhando para trás, numa direção onde Ikki ficaria impedido de segui-la devido à cadeira de rodas. Sem poder aproximar-se fisicamente, ele chamava:
"Mãe, espere!"
"Mamãe... confie em nós..." – Shun dizia, já a abraçando por trás.
"Se não quiser falar o nome do meu pai eu entenderei. Não vim aqui obrigá-la a nada. Queria conhecer-lhe e falar que estamos vivos... que confiamos e apoiamos você."
"Eu... eu preciso contar a verdade..."
"É algo tão horrível assim?"
"Para você, Ikki, será o pior pesadelo de sua vida."
Ikki olhou para a mãe sem saber como se expressar, o que demonstrar... Não tinha palavras para reconfortá-la e não poderia aproximar-se fisicamente. Desde que recuperara os movimentos da parte superior do corpo não se sentia tão fragilizado, tão incomodado com a paralisia. Desistindo de qualquer loucura que se passara em sua mente, ficou observando-a, esperando que ela começasse a falar.
"Eu tinha 16 anos na época. Era jovem, bonita e muitos rapazes se diziam loucamente apaixonados por mim. Haviam alguns homens mais maduros que tentavam me conquistar e um deles era Mitsumasa Kido, mas eu já estava perdidamente apaixonada pelo Roger. Na época eu acreditava não ser correspondida... O tempo passou a minha amizade pelo Roger só aumentou, mas eu queria mais!... O senhor Kido usou da sua experiência e da minha inocência para dar uma de amigo confidente e conseguiu que eu confessasse todos os meus pontos fracos, meu segredos... Quando eu já havia perdido as esperanças, 2 anos depois, o Roger se declarou e nós começamos a namorar. Adivinhem quem foi a primeira pessoa a quem eu contei? Ao meu grande amigo Mitsumasa..."
"O que ele fez?" – Ikki perguntava com os olhos cheios de ódio.
"Mostrou-se feliz. Mas... começou a me envolver, parecia um pai, um irmão mais velho, talvez. Como acontece com todo casal mais jovem, eu e o Roger brigamos e eu nem lembro o motivo, mas fui diretamente chorar no peito do Mitsumasa, que me acalmou, com a ajuda de drogas e bebidas alcoólicas. Eu nem percebi quando tudo aconteceu... Eu acordei no dia seguinte, com uma incrível enxaqueca e nua, dolorida. Estava marcada para o resto da vida. Não física, mas moralmente, pois eu era virgem e ele me possuiu a força, num momento de fraqueza e solidão, num impulso de adolescente..."
"Ah mamãe! Deve ter sido horrível... Chore que lhe fará bem..." – Shun falava, emocionado, abraçando-a firmemente.
"Foi assim que eu fui gerado? O canalha é o meu pai?" – Ikki continha-se para não chorar, explodir de ódio e nojo de si mesmo, de seu sangue.
"Eu confessei tudo ao Roger e ele viu! Viu a violência à qual fui exposta viu o grau de crueldade daquele monstro. Desde esse dia, nós nunca mais brigamos e ele fez de tudo para me afastar do homem que tanto me humilhou... Algumas semanas depois, eu comecei a passar mal e descobri estar grávida. Pensei em tirar, mas o Roger me impediu e disse que esse seria o nosso filho, nosso Richard. Aliás, ele deu o nome do pai dele para você, Ikki. Um homem que ele sempre venerou e amou, um homem que eu tive o prazer de conhecer e provar de seu caráter e generosidade... é uma grande honra receber esse nome! Ele fez com que eu acreditasse que o bebê havia vindo de uma linda e perfeita noite amor, mas essa doce ilusão durou pouco tempo, pois o Mitsumasa descobriu e teve certeza quando você nasceu... Tinha fortes traços orientais e não poderia ser filho do Roger... Usando de sua influência, ele passou por cima de mim e de todos para registrá-lo como Ikki Amamiya. Até hoje eu não entendo o motivo dele não ter lhe dado o sobrenome dele, mas acho que foi melhor para você... Me desculpe, Ikki! Eu não queria..."
Keshi desaba sobre seus joelhos e soluça, de tanto chorar, abraçada a Shun. Ikki não agüenta e se comove também. Agora entendia todas as desgraças de sua vida. Até a sua concepção foi feita de forma errada, suja, maldita! Veio dum ato de violência e não do amor. Ao mesmo tempo, começou a refletir em tudo o que sua mãe contara sobre o Roger, seu pai, seu verdadeiro e único pai! Ele foi amado como um filho por esse homem que nem teve tempo de conhecer. Teve a oportunidade de ser feliz por algum tempo e tentou concentrar-se nisso, chamando-se internamente de Ricky, numa inútil tentativa de ver a imagem do suíço.
Shun ouviu o pranto de Ikki e a expressão dolorida que ele exibia. Aproximou-se e olhou em seus olhos, vendo a batalha interna que ele travara. Abraçou-o como se fosse um filho, um pai. Alguém que precisasse de conforto, de consolo, de amor!... O moreno retribuía o abraço, mantendo o rosto de Andrômeda em seu peito, demonstrando que precisava daquilo. Keshi presenciou a cena emocionada e entristecida. Levantou-se e ameaçou a adentrar a casa, mas foi impedida ao ouvir o pedido de Ikki:
"Fale mais sobre o Roger, o nosso pai. Por favor, mãe... e... aproxime-se!... Eu gostaria de tocá-la."
"Você não tem raiva de mim?" – Ela perguntava, enquanto se aproximava.
Ikki não respondeu, apenas deu um tímido sorriso a ela e abriu os braços discretamente, convidando para um abraço. Keshi sorriu e ficou ao lado dele. Shun levantou-se e deu espaço para que a mãe abraçasse o mais velho, que chorou. Ficaram conversando por um bom tempo, se conhecendo, se descobrindo e aprendendo a amar.
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"Como vocês já conheceram, esse é o Yuki e essa é a Keiko. Eles são os seus irmãos. Filhos de um casamento que tive depois de perder a memória."
"Então o meu herói é meu irmão?" – perguntou a menina de cabelos cor de mel e olhos castanho-esverdeados.
"Isso mesmo, minha princesa!" – Ikki falava entre sorrisos.
"O Yuki disse que você está dodói e por isso não pode andar... Olha, eu assim como eu rezei pra você viver, vou rezar pra você se curar, ta bom?" – Keiko dizia de forma alegre e inocente, pegando a mão esquerda de Ikki.
"Certo! Agora estou até mais confiante!" – Ikki tentava ser o mais alegre que conseguia e tocava no rosto da menina com a mão livre.
"Eu ainda não acredito que perdi o posto de niisan da Keiko... O que é pior: terei que agüentar 2 irmãos mais velhos e mais um agregado pelo visto." – Yuki fingia indignação.
"Não fique triste, Yuki, você pode ter perdido o posto de mais velho, mas certamente não será um dos mais novos. Afinal, mesmo com essa aparência e esse tamanho todo, o Shun ainda é mais infantil do que você. Não é mesmo, Ikki?" – Aiolia falava, tocando no ombro do menino.
"Ei, eu sempre fui muito responsável..." – Shun protestava.
"Quanto a isso, sem discussão, mas acho que o Aiolia pode ter razão se a gente for considerar infantil o hábito de chorar... O Shun é uma verdadeira manteiga derretida." – Ikki brincava.
"Isso já virou complô!... Vocês viram como eles me tratam?"
"Eles são bobos! Não liga... Eu gosto de você, Shun!" – Keiko falava e corria para abraçar o irmão de cabelos verdes.
Keshi acompanhava a brincadeira dos filhos em silêncio, mas com um brilho especial nos olhos. Depois de tanta mágoa e sofrimento, ela tinha seus filhos mais velhos à sua frente e já tinha muita admiração por eles. Ficou emocionada com o carinho do estranho que já era tão íntimo de seus filhos que muitas vezes parecia ser mais um irmão, formando uma numerosa e alegre família. A única coisa que a deprimia e deixava angustiada era ver a debilidade física de Ikki, contrastando com a sua alegria e inteligência. A senhora de cabelos verdes achava que era um desperdício ver alguém tão jovem e belo naquela situação, mas tentava não transparecer aqueles pensamentos negativos. No final da visita, recebeu de bom grado a notícia de que os três iriam à Londres para visitar Roger e que voltariam a vê-la assim que fosse possível.
CONTINUA
Desculpem por não responder às reviews, mas fiquei um pouco temerosa ao saber que poderia perder a minha conta caso fizesse isso. Também não estou muito bem, mas para compensar, vou liberar esse capítulo antes mesmo de escrever o 12.
Isso mesmo! Eu tenho tido muitas idéias e pouco tempo para escrever. Não sei direito tudo o que colocarei no próximo capítulo, por isso não há prévia nem de título e nem de conteúdo. Obrigada pelo apoio e espero que continuem me acompanhando. Ah! Não esqueçam que eu estou sempre aberta para sugestões e críticas. Beijão!
