85 – The Night of Waning Moon. Life and Light Fading Away

I – The Legend of Tsuki no Hime. The Irresistable Force of Destiny

Era madrugada. Todos dormiam tranquilamente. No quarto de Kaoru, a cama ao lado estava desarrumada, sem ninguém.

Lina estava no dojo, em frente ao armário que a ligava ao outro mundo, silenciosa. Abre ele. Estava como sempre, vazio, escuro. Lina simplesmente olha, tentando achar alguma resposta.

Lina (pensando): o que é isso que ta acontecendo? essa sensação que desapareci.. deve ter sido só um pesadelo.. mas.. estou com um mau pressentimento..

Lina então repara num objeto brilhante que estava jogado no canto do armário. Era o colar de meia lua que tinha visto da primeira vez que apareceu la. Lina pega, e com ele entre os dedos, pensa

Lina: esqueci completamente desse colar. Porque ele estava aqui? não é o tipo de colar que existiria numa era dessas. mas é belo– e repara que o pingente estava rachado – vou ficar com ele. – e volta ao quarto.

...

Já era dia, Lina andava pelas ruas de Tokyo, se espreguiçando.

Lina: ai tenho que ganhar dinheiro pra comprar um novo arco.. buaa nunca vou conseguir um tão bom como aquele.. mas quem sabe eu ainda posso voltar pra Shibawa! aaah mas eu nem sei onde fica

Pára de repente. aquela sensação de novo. era como se um uma luz branca passasse com um flash apagando sua existencia. Lina ignora

Lina: ah não deve ser nada de mais.. – e olha pro lado, a casa de jogos onde foi escondida uma vez. Resolve entrar

Lina abre a porta la num estrondo. Os homens la dentro se assustam e logo a esnobam

-ei o que voce ta fazendo aqui?

-vai embora aqui não é lugar pra mulher

Lina, com uma cara de determinação, fala provocando eles

Lina: estão com medo de perder de mim?

...

Sano para na porta da sala de jogos, animado

Sano: sinto que é meu dia de sorte! Vamos la!

E abre a porta. Bem na rodinha da frente, vários homens aplaudiam Lina, que ganhava todas

Sano: Lina? O que voce ta fazendo aqui?

Lina: como assim o que eu to fazendo? To ganhando muito dinheiro! Cho! – e jogam os dados – acertei obaaaa – e arrasta varias moedas pra perto

Sano estava abismado. Aparece um amigo dele, e diz a seu lado

-essa moça tem muita sorte! É sua namorada Sano?

Sano (sem jeito): Q? lógico que não

-ela é bem kawaii..e vocês andam sempre juntos.. sempre me pareceu que ela gosta de voce. porque voce não faz nada?

Sano (irritadíssimo, envergonhado): grrr ora seu! Quer parar de falar o que voce não sabe?

Outro amigo de Sano, que estava ouvindo a conversa, diz

Eiri: bem, já que vocês não tem nada vou tentar conquista-la

Sano diz tímido, tentando mostrar indiferença

Sano: voce não ia agüentar, ela é bem chata e. EI! – seu amigo estava ao lado de Lina cortejando, e ela respondia sorridente

Lina: obrigada pelo chá, Eiri san!

Sano para pra observar a garota, olhando com certa ternura, mas logo sai de seus devaneios quando escuta

Eiri: voce não quer sair comigo dep.. - Eiri é puxado pela orelha por Sano, extremamente nervoso

Lina olha confusa aquilo, mas logo a chamam pra jogar, e ela volta.

Sano: o que voce pensa que ta fazendo?

Eiri: voce disse que ela não era nada sua

Sano: eu sei mas.. aaaaf – e sai do dojo com ódio

Lina vê isso, e resolve ir atrás.

Lina (pensando) o que será que deu nele? (disfarçando) bem pessoal, acho que já ganhei o suficiente por hoje, ate mais ! – junta seu dinheiro e sai atrás de Sano

Lina: aquele baka onde ele foi... mas.. porque eu to preocupada com isso? (puxa os cabelos) grrrrr não tem porque eu ficar me importando assim nós não temos nada e.. (desanimo) aaah mas porque ele me deu aquela flor no Tanabata,e depois ficou todo preocupado quando eu fui envenenada, e se desculpou aquele dia, e sempre tenta me proteger.. será que ele é muito timido pra falar que gosta de mim? (se bate na cabeça) aaah Lina para de pensar besteira! ahn? Que lugar é esse?

Lina estava tão distraída que tinha parado num beco, desolado e silencioso. Fica com receio. Da meia volta pra voltar quando escuta um barulhinho de um sino de vento. Olha pro lado. Era uma loja cheia de bugigangas na frente. Lina se lembra do colar e tira ele do bolso

Lina: hmm será que posso consertar esse colar aqui?

Entra na loja pela portinha. Era um lugar escuro, abafado, com um forte cheiro de incenso, cheio de enfeites pendurados, e muitas objetos com desenhos de lua. Lina vê no fundo do balcão um senhor, velhinhos, de óculos, que lia um livro. A garota se aproxima.

Lina: olá senhor. Queria saber se voce pode consertar esse colar pra mim, ele ta rachado

Lina mostra o colar pro velho. Ele ajeita seus óculos, pega o colar, observa, com extremo interesse, sem nada falar, deixando Lina desconfortável

Lina: ah não tem problema se não der, é um material estranho

O velho de repente a interrompe, com a voz áspera e direta

Tenbun: Menina, você é de outra era?

Lina leva um enorme susto. Tenta disfarçar

Lina: hahaha claro que não isso é impossível, hahaha. (pensa preocupada) como ele descobriu, ninguém alem do pessoal do dojo sabe

Tenbun: de que ano voce é? – pergunta seca e calmamente

Lina (nervosa, defensiva): eu não sei do que voce ta falando, devolve meu colar – mas para de repente. era a sensação da luz branca apagando sua existência novamente. Antes que ela pudesse falar

Tenbun: então voce já ta sentindo. Que vai desaparecer

Lina se irrita, inconscientemente tinha medo de ouvir o resto, e fala nervosa

Lina: quem é voce pra ficar me falando essas coisas sem sentido? Devolve meu colar, estou indo embora

Tenbun, como se nem tivesse ouvido ela, começa a falar, olhando o colar.

Tenbun: este colar é uma peça magica, nunca achei que fosse ver de perto um. Tem um forte poder da Lua sobre ele. Existe uma lenda dizendo que a Princesa da Lua um dia veio a Terra. Ela foi encontrada num bambuzal e adotada por um casal do campo, que a batizou de Kaguya Hime. Mas a princesa não pertencia a esse mundo, por isso não podia continuar la por muito tempo. Percebendo que seu tempo estava chegando, ela entrou em depressão. Seus pais perguntaram o que acontecia, ela lhes contou a verdade, que fora enviada para ser a filha do casal por um motivo que ela ainda não conhecia, mas não seria para sempre. No 15o dia do 8o mês ela voltaria para a Lua.

Lina respirava ofegante. A cada palavra que aquele velho falava, era como se uma mão apertasse mais seus coração. Queria pedir pra ele parar, queria parar de ouvir e recusar a todo custo a verdade, mas não conseguia ter nenhuma reação. E ele continuava a narrar.

Tenbun: no fatídico dia, ela estava destinada a partir. Os pais dela estavam extremamente tristes, pois um forte laço de amor tinha se formado entre eles. Vendo que estavam desolados, Kaguya decidiu dar um presente, uma poção da imortalidade, e partiu. Mas os pais se recusaram a beber, não queriam a vida eterna com o sofrimento da saudade. Morreram pouco tempo depois, e ate o ultimo momento, se lembraram daquela filha. Kaguya, da lua, observava tudo, com imensa tristeza. Quando seus pais partiram, ela derramou quatro lagrimas, que caíram da Lua, tomaram no céu a forma das 4 fases da Lua e se cristalizaram, caindo em diferentes cantos da Terra. Esses colares conseguem ligar dois mundos diferentes, e quem é amaldiçoado ou abençoado com esse colar, repete a historia de Kaguya.

O velho deu uma pausa. E continuou

Tenbun: o seu é o da lua minguante, e está rachado. Significa que seu tempo está acabando, assim como o da princesa terminou. Quando ele se desfacelar totalmente.. voce vai desaparecer deste mundo

...

Lina estava estática. Sentia um enorme aperto no coração. Não conseguia se mover. Desaparecer? Simplesmente desaparecer? Depois de tudo, voltar pra sua vida normal, como se tudo aquilo nunca tivesse acontecido? Se separar.. se separar dele?

O vento bate no sino de fora. Tenbun quebra o silencio

Tenbun: fecharei agora senhorita. – e coloca o colar nas mãos da garota – eu sinto muito em te dizer mas.. voce nunca pertenceu a este mundo

Essas ultimas palavras atingem Lina como um enorme soco. Ela vai, vagarosa, sem perceber, ate a porta da loja, se encosta na parede. Leva a pulseira a altura do coração. Lagrimas começam a descer involuntariamente

Lina: é verdade .. eu..nao.. pertenço a este mundo

Sente suas forças desvanecerem. Fica repetindo essas palavras, e parece que cada silaba a esgotava mais. Lina vai desfalecendo, escorregando pela parede, ate que cai sentada, chorando, com imensa tristeza e aflição. Mas nada adiantava, por mais que as lagrimas caíssem, não conseguiam limpar a dor que ela sentia, o desespero de perceber que tudo iria acabar, que ela nunca veria ninguém novamente, nunca poderia rir de novo de Yahiko, escutar os oros de Kenshin, apanhar de Kaoru, brigar com Sanosuke.

Lina: Sanosuke..

Ele..com certeza era de quem sentiria mais falta. Porque deveriam se separar agora? Porque? Lina sente o coração mais apertado ainda, sente que vai explodir de tanta dor. Porque ela não poderia ter nascido na época deles? Porque tantos anos de distancia? Olha para o colar. Mexe nele

Lina (pensa): pelo menos.. eu pude vir. Mas.. se nada tivesse acontecido, não seria melhor?

Nesse momento escuta a porta da loja abrir e o velho falar

Tenbun: porque voce não aproveita o tempo que te resta? Já estamos na lua minguante, quando ela mudar de fase..bom.. boa sorte pra voce – e fecha a porta

Lina (pensando): é verdade, não posso perder tempo com lagrimas agora. Não sei quantos dias me restam, então tenho que aproveitar ao maximo com meus amigos.

Lina se recompõe, enxuga as lagrimas. Felizmente daquele beco ninguém poderia a ver. Ela da um enorme suspiro, se levanta, guarda o colar no bolso e sai.

Enquanto andava ate o dojo, pensava nas cenas memoráveis que tinha vivido até la. Em como admirava, a dedicação de Yahiko em busca de seu sonho, a gentileza de Kenshin, que sorria mesmo carregando o peso enorme do seu passado, a bondade de Kaoru, o senso de justiça, a persistencia e força de Sanosuke.

...

Finalmente chega ao dojo, já ao entardecer. Tinha dado voltas e voltas antes de chegar, pra ganhar tempo e parecer normal a todos. Só ela sabia o esforço que tinha feito pra conseguir dar um passo a frente do outro, segurando pra si toda a dor e o desespero, sem poder mostrar. Não queria contar nada a ninguém, e como disse o velho, o melhor era aproveitar o momento, ficar bem alegre com todos, ate a ultima hora. Lina ficou um momento parada na porta, perdida. Cada minuto que passava era como uma correnteza a levando pro seu destino final, longe de tudo. Lina hesitava em abrir a porta. Até que escuta um grito, que a trás de volta a realidade

Sano: Lina!

Era Sanosuke. Aquela voz.. que tanto gostava de ouvir, sumiria pra sempre. A presença dele, a simples presença que tanto a confortava, não existiria mais. Ele se aproximava, contente e sorridente, com dois peixes pendurados numa varinha

Sano: peguei dois peixes pro jantar de hoje, olha. Lina?

Seu rosto estava escondido pelos cabelos, ela estava parada, com uma mão na porta, imóvel, e parecia estar sofrendo. Sano se aproxima, preocupado, mas quando está a dois passos dela, a garota vira seu rosto com um grande sorriso

Lina: otimo! vamos comer muito bem hoje!

Sano fica desconcertado com a reação, mas logo chega Megumi

Sano: ah a raposa também veio, que chato

Megumi: a Kaoru me chamou. Ao contrario de voce que entra sem ser convidado

Sano: sua raposa

Megumi: voce deveria ser mais gentil pra quem ta te tratando de graça

Antes que a briga continuasse, Lina tinha aberto a porta e entrado. Os dois olham meio surpresos

Lina: vocês dois vão ficar ai pra sempre?

Sano entra rapidamente

Sano: vou levar o peixe na cozinha, estou morrendo de fome.

Megumi fica pra trás, e enquanto está andando, Lina a chama, timidamente.

Lina: Megumi

Sim, era o que ela devia fazer. Doía imensamente ter que fazer isso, mas ela não podia ser egoísta, já que não poderia estar perto de Sanosuke..

Megumi: o que foi?

Lina: é que.. bem.. – diz com a cabeça baixa, sem olhar pra médica

Megumi com certeza tinha algum sentimento por ele, desde quando se encontraram.. podia ser só gratidão, ou simples amizade, mas quem sabe não cresceria se ela não estivesse por perto

Megumi (impaciente): fala logo.

Lina: voce..voce..poderia cuidar de Sano, quando eu não tiver mais aqui?

Lina usou todas as forças que tinha pra conseguir dizer essa ultima frase. Não só estava abrindo mão do seu grande amor, mas o impacto dessa frase, ela soando com sua própria voz, era como o impacto da verdade, do destino que ela seria incapaz de mudar

Megumi ficou extremamente surpresa. Não sabia o que pensar. Mas logo responde, séria

Megumi: não diga besteiras enquanto ainda está aqui – e sai

Lina olha de frente pra médica, indo embora. Não esperava essa resposta.

Lina: ainda.. estou.. aqui..

Logo escuta vozes a chamando

Kaoru: Linaa, vem jantar!

Yahiko: pode ficar ai, sobra mais pra gente

Kaoru: Yahiko, tenha modos

Lina sorri. Não podia ficar desanimada assim, tinha que aproveitar a companhia deles enquanto ainda estava la. Ela vai a sala, com um sorriso, fazer parte da mesa barulhenta

Sano: ei o melhor pedaço é meu, eu que pesquei – dizia levantando um pedaçao de peixe com o hashi

Yahiko: bakaaa, eu peguei primeiro – tentando alcançar

Lina: hmm.. – diz mastigando, quando vai por trás de Sano (que estava sentado) e pega o pedaço sem ele notar, enquanto ele e Yahiko olhavam sem acreditar

Lina: (engole) oishiiiii ^_^

Yahiko (revoltado): voce comeu o melhor pedaço sua monstra

Sano: foi golpe baixo

Lina se senta na mesa e continua a comer, e a discussão continua

Yahiko: vou roubar seu ohagi também

Lina: o queee? então vou pegar seu misso

Sano: ei esse era meu, devolve

Kaoru: parem de brigar, a gente nunca come em paz com vocês três

Megumi observava Lina, pensativa. Mas logo resolve provocar Kaoru, mimando Kenshin. E tudo parece normal.

...

No meio na noite, Lina está novamente parada em frente ao armário. Silenciosamente, tira o colar de seu bolso e o coloca la dentro. Fecha a porta.

Da janela, a lua minguante brilhava, iluminando a escuridão noturna.