Spring Time: The Blossom of a New Beginning

Era primavera. Já tinham se passado quatro meses desde o momento mais doloroso da vida de Lina. Parecia que tudo tinha sido um sonho. De volta a sua vida normal, ela não encontrava motivos para se alegrar. Mesmo entre amigos, aulas, atividades, sorrisos e conversas, por dentro ela sentia uma tristeza e uma dor no coração que simplesmente não desapareciam. Sabia que tudo aconteceu porque devia ser assim, não havia como duas pessoas de mundos diferentes estarem juntas. Ela tinha que esquecer, que seguir em frente, entender que era o passado. Mas não conseguia. Ficou tão perdida em pensamentos que não reparou quando chegou em sua casa. As delicadas flores amarelas do jardim lhe causavam um misto de alegria e pesar. Eram belas e radiantes, mas eram as mesmas flores que recebera de presente do seu amado antes de partir. Tinha que mudar de lugar o mais rápido possível, para evitar tantas lembranças. Entrou em sua casa, fechou a porta. Não reparou que alguém a observava de longe.

...

Kazuo escrevia em seu caderno. Desde uma noite de trovoadas, há quatro meses atrás, tem tido sonhos entranhos e muito reais. Sonhava que era um lutador na Era Meiji, que conhecera pessoas, mas que uma em particular lhe era especial. Ele gostava particularmente dessa parte. Sempre que recordava dela nos sonhos, sentia sua alma completa. Ele nunca teve muito interesse em relacionamentos e nunca na verdade amou ninguém, mas com ela era diferente.

- ahh isso é besteira – cortava os sentimentos rapidamente – é só um sonho

Naquela noite, porém, ele viu o rosto dela pela primeira vez com clareza. Era linda. Sabia que estava apaixonado. Acordou de madrugada querendo encontrá-la, até lembrar que não era realidade. Mas não entendia como podia ter tantos sentimentos assim por uma ilusão. Olhou pela janela. A lua cheia brilhava. Ele resolveu desenhar seu rosto. por algum motivo, sentia um carinho muito grande por ela, e algo como.. saudades. Voltou a dormir, reprimindo os sentimentos. E viu uma casa, com um jardim de flores amarelas. Escutou uma voz suave o chamando

- venha até mim. estou te esperando

De manhã, tentou ignorar os pensamentos, mas essa frase se repetia em sua cabeça. E a casa, parecia uma casa moderna, mas como iria encontrar? E porque também iria achar? Ele não sabia muito bem, mas não conseguia esquecer essa visão. Tinha que fazer algo, para pelo menos tirar da mente que poderia ter algo o esperando mesmo. Pesquisou os bairros residenciais da cidade. E escolheu aleatoriamente um. Iria cada dia em um diferente, e quem sabe algum dia, conseguiria achar. Sim, se achava louco, mas não conseguia evitar. Precisava entender tudo aquilo. Decidiu ir imediatamente.

Passou toda a manhã percorrendo um bairro, e depois a tarde seguiu em outro. Já estava quase anoitecendo. Queria interromper toda aquele loucura, mas era movido por uma força que não entendia. Por sorte, ou destino, quando estava a ponto de voltar, encontrou a casa de flores amarelas, a mesma casa do sonho. E viu a garota, a mesma garota do sonho. Seu coração disparou como nunca havia acontecido antes. Ficou sem palavras e sentiu uma emoção que jamais sentira. Como um flashback, se lembrou dela, percebeu que os sonhos foram apenas lembranças de outra vida, se lembrou de como ele nunca deixou de amar essa garota e esse amor sobreviveu ao tempo. Se lembrou que desde que ela partiu prometeu a si mesmo encontrá-la, onde quer que ela estivesse e quanto tempo demorasse. A promessa fora cumprida.

...

Lina estava deitada em sua cama. Observava o colar que a levara pro outro mundo. Estava opaco, como se tivesse perdido seu poder. Sentia gratidão por tudo que havia vivido naquele mundo, foi feliz pela primeira vez na vida, havia encontrado o amor verdadeiro. Mas estava triste por o ter perdido. Como uma lágrima, lançou o colar pela janela, e se virou, enxugando seu rosto. Não reparou que o colar não caiu no chão, mas se desfez no ar como cinzas e despareceu. Havia cumprido sua função.

Já ia se deitar novamente quando ouviu baterem a porta. Não eram seus pais, pois estavam viajando. Achou estranho, ninguém a visitava. Se recompôs e foi ver. Quando desceu as escadas, sentiu uma ansiedade estranha. Seu coração disparou e ela não entendia porque. Aquilo não fazia sentido, então ignorou. Abriu a porta.

Silêncio. êxtase.

Os olhos imediatamente se reconheceram. O coração não se enganava. Lina se jogou nos braços de Kazuo, que antes havia sido seu amado Sanosuke. Ele a apertou contra si. Aquele abraço, o toque, o som da voz. Não havia dúvidas. Tinham se reencontrado através do tempo e espaço. Seus lábios se encontraram, se beijaram delicadamente, saboreando o outro. Kazuo acariciou o rosto dela.

- eu nunca deixei de te amar

Lina sorriu, seu olhar dizia o mesmo. Pegou as mãos dele e o levou para seu quarto. Nunca mais se separariam.

- eu te amo.