DEAN & FILHO
SUPERNATURAL ALTERNATIVE UNIVERSE
CAPÍTULO 4
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- Obrigado por vir, Dean.
- É um dia importante na vida do Ben. O que significa que é um dia importante para mim também. Mesmo que ele não acredite nisso.
- Se ele fizer alguma provocação, Dean, releve. Ele se apegou demais a você no ano em que ficamos juntos e se sentiu traído quando você sumiu das nossas vidas por anos. Ele ainda não perdoou você.
- Eu fui transformado num vampiro. Só Deus sabe o quanto foi difícil me controlar. Eu podia ter matado vocês dois. Quando voltei ao normal, vi que não tinha o direito de colocar as vidas de vocês em perigo. Comigo perto, vocês nunca estariam seguros. Achei que a solução seria cortar todos os laços.
- Talvez se você tivesse conversado com ele na ocasião, revelado toda a verdade e só então se afastado, as coisas teriam se ajeitado com o tempo. Mas, você simplesmente desapareceu. Não voltou nem mesmo para pegar as suas roupas. Não deu nenhuma explicação. Ficamos semanas sem saber se você estava vivo ou morto. O Ben sofreu muito. Ele se recusava a acreditar que você pudesse simplesmente ter partido. Ele chorou a sua morte por semanas. E você estava vivo e bem. Por isso essa revolta.
- Eu fiz o que me pareceu certo na ocasião. Foi uma época muito confusa para mim. Mas, eu entendo a reação do Ben. Não foi diferente da minha ao descobrir que o Sam estava vivo e não me procurou. Você sabe o quanto eu chorei a morte do Sam. Um ano inteiro. Quando ele voltou, estava diferente. Estranho. Meu irmão estava fora de controle. Demorou para eu descobrir que o Sam tinha voltado do Inferno sem a alma. Ele precisava de mim.
- O Benjamin também precisava de você. Muito mais do que você imagina.
- Lisa, eu sinto muito. Eu queria ter fei ..
- O QUE ESSE SUJEITO VEIO FAZER AQUI?
- Ben, eu vim comemorar como você essa sua vitória e tentar mais uma vez me desculpar com você.
- Aceitaram a minha inscrição. Ainda vou ter que passar por uma bateria de testes e, é claro, vai depender do meu desempenho. Mas, eu vou me esforçar ao máximo. Vou estudar, vou treinar e vou me tornar um agente de campo do FBI. É algo que eu quero muito. E sabe porque eu quero tanto me tornar um agente, Dean?
- Filho, por favor, não faz isso!
- Eu não entendo você, mãe. Continua defendendo esse sujeito depois de tudo que ele te fez. Você sabe, Dean, quantas noites eu acordei e vi minha mãe chorando por sua causa?
- Ben, eu queria muito ter construído uma família com vocês. Eu gosto muito de você. Gosto como um filho. Você não imagina o quanto eu estou orgulhoso vendo você se graduar. Tenho certeza que vai conseguir o que quer. Você sempre foi um garoto determinado.
- Sim, eu sou determinado. E estou determinado a fazer você PAGAR pelos seus crimes.
- Crimes?
- Crimes! Hoje eu vejo com clareza. Você não é apenas um péssimo marido e pai. Você é um assassino serial, Dean. Um lunático que crava facas no peito de homens que acredita estarem possuídos por demônios. Quantos inocentes você matou nesses anos todos?
- Eles ESTAVAM possuídos. Muitos nem mesmo estavam vivos. Eram apenas cascas mortas animadas por demônios.
- Digamos que estivessem possuídos. Precisava mesmo matá-los? Já estavam mortos? Quantos? Quais deles? Como pode ter certeza se apenas cravou a faca e seguiu em frente?
- Você era um garoto, mas viu. Viu o efeito da faca de Ruby num demônio. Eles não sangram. Eles queimam de dentro para fora. Não negue o que viu.
- Eu vou descobrir os nomes e as histórias de cada um desses homens que você afirma serem monstros ou demônios. Vou acusar você de assassinato em primeiro grau e pedir investigação. Uma única morte não justificada e você vai terminar seus dias numa penitenciária de segurança máxima. Ou, o que é mais provável, num manicômio judicial.
- Ben, não faça isso. Se não for por mim, por você mesmo. O Dean é um bom homem. Você foi sequestrado e ele salvou você de ser morto. Vocês precisam se entender. Eu errei escondendo a verdade de você. De vocês dois, na verdade. Eu devia ter contado há muito tempo. Ben, o Dean é o seu pai.
- Não, mãe. Ele não é. Eu não tenho pai. Nunca tive.
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- Emma, faz isso por mim.
- Sinto muito, pai. Nada nem ninguém vai me obrigar a fazer sala para o "tio" Samuel.
- Você devia dar uma chance pro seu tio. Ele fez o que fez para me proteger.
- Ele ATIROU em mim. Por pouco não me matou. Toda vez que eu me lembro, sinto vontade de matá-lo. Mas, antes, eu quero vê-lo se contorcendo no chão. Sangrando. Agonizante. Sentindo a dor que eu senti. E, sabendo disso, você quer que eu fique aqui e sorria para o bastardo que tentou me matar?
- Se o Sam realmente quisesse matar você, meu anjo, ele miraria na cabeça. Ele quis apenas impedir que você me matasse. Sei que foi horrível, mas aquele tiro nos deu a oportunidade de sermos hoje pai e filha. Eu conheço o Sam. Tenho certeza de que ele faria diferente se pudesse voltar atrás. Ele não gosta de ver ninguém sofrer. Ele está arrependido, acredite.
- Eu acredito que ele esteja arrependido .. de não ter mirado na minha cabeça. Ele me ODEIA. Eu vejo nos olhos dele. Não me espere para o jantar.
- Emma .. ! Oh, my Chuck! Dê-me forças!
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- Não desista da Emma, Sam. Ela é sua sobrinha. É minha filha. É família. Ela é parte da nossa família.
- Tem certeza que é assim que ela se sente? Acredita mesmo que ela nos reconhece como sendo a família dela? A mim certamente ela não reconhece.
- Ela só precisa de um pouco mais de tempo, Sam. Ela está aqui comigo, não está?
- Até quando?
- Se sabe de alguma coisa que eu não sei, me fale. Se não, é melhor que não diga nada. Eu faço o que posso para aproximar vocês dois. Mas, não é só a Emma. Você também não colabora.
- As amazonas surgiram do nada, mataram dezenas de homens e desapareceram sem deixar pistas. A Emma ficou para trás para cumprir um ritual de iniciação: matar você, o pai dela. Ela não pode retornar para elas sem ter realizado o ritual. Emma ficou com as amazonas uns poucos dias e está com você há quase três anos. Mas, não se engane: o vínculo que Emma tem com elas é muito mais forte que o que quer que ela venha a sentir por você.
- Você acredita que a Emma seria capaz de me matar agora que me conhece? Agora que sabe o quanto eu a amo?
- É da natureza dela.
- É possível vencer a própria natureza. Conhecemos monstros que conseguiram. A Emma não é nenhum monstro. É só uma garotinha que cresceu rápido demais. Ela vai conseguir. Estar aqui comigo prova que ela está tentando.
- Você está se deixando enganar, Dean. Emma não é uma garotinha de 3 anos como o calendário diz. Eu atirei numa garota que tinha poucos dias de vida e aparentava ser uma adolescente de dezesseis. Hoje, ela não apenas aparenta. Ela já é uma mulher feita. E uma mulher não é diferente de um homem quanto às suas necessidades básicas.
- Está falando de sexo? Está insinuando que a minha garotinha, que ainda não completou 3 anos de vida, faz sexo?
- Eu não estou insinuando, Dean. Estou afirmando. Eu segui a Emma e a vi entrando num motel com um homem que ela conheceu horas antes num bar mal frequentado da região do porto.
- Ela pode não parecer, Sam, mas apenas é uma menina. Se eu pego esse desgraçado aproveitador, eu juro que mato com requintes de crueldade.
- Ele está morto.
- Morto?
- Emma o matou. Eles transaram e depois ela o matou. Crânio esmagado. Ela fez isso com as mãos nuas. Depois simplesmente saiu e deixou o corpo lá. Você notou algo diferente no comportamento dela? Por acaso lembra de tê-la visto nervosa? Abalada?
- Não que eu tenha notado. Quando foi exatamente que isso aconteceu?
- Há três dias. Você não notou porque a Emma NÃO FICOU abalada. E ela não ficou abalada porque matar é algo natural para a espécie dela.
- A polícia .. ? Eles sabem?
- Eu removi o corpo e limpei o lugar. Completamente. Removi impressões digitais, marcas de sangue, qualquer coisa que pudesse fornecer material para um exame de DNA. Na sequência, deixei o corpo do homem em seu próprio apartamento. Depois destruí os registros de quinze diferentes sistemas de monitoramento. Os da boate, do estacionamento próximo à boate, do motel, do prédio onde a vítima morava e dos prédios das vizinhanças destes lugares que tinham câmeras de segurança voltadas para a rua. E só então liguei para a polícia.
- Obrigado, Sam. Eu vou ter uma conversa séria com a Emma. Isso não vai se repetir. Eu garanto que não.
- Não é necessário, Dean. Eu já fiz o que precisava ser feito.
- Fez? O que foi que você FEZ, Sam?
- O que eu deveria ter feito da primeira vez. O que nós fazemos com monstros. Eu MATEI a Emma com um tiro na testa.
- Você não podia ter feito isso, Sam. VOCÊ NÃO TINHA ESSE DIREITO. Eu nunca vou perdoar você. NUNCA! A Emma era minha filha. A minha garotinha. Eu a amava. MUITO.
- Sinto muito, Dean, de verdade. Mas, precisava ser feito. O corpo dela está na mala do Impala. Você decide o que fazer com ele.
Dean sente as pernas fraquejarem. Ele cai de joelhos e deixa as lágrimas escorrerem, silenciosas. Sua expressão, inicialmente de dor vai mudando para ódio.
- Eu não quero NUNCA MAIS olhar para sua cara, Sam! Não considero mais você meu irmão. SUMA DA MINHA VIDA PARA SEMPRE!
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- Você é o ... ?
- Dean. Meu nome é Dean Winchester.
- Eu te conheço? Você é um dos convidados da Odette?
- Não, a Odette não me conhece. Eu estou aqui por você, Rhodes. Quero parabenizá-lo pelo seu casamento. A Odette parece ser uma excelente garota. E ela está linda de noiva. Fico contente por você, FILHO.
- O que disse?
- Eu disse .. "Fico contente por você, FILHO".
- Eu escutei. Mas, por que me chamar dessa maneira? Se você fosse mais velho, eu até entenderia. O atendente da loja de conveniência do posto onde costumo carregar as baterias do carro, um senhor já bem idoso, chama todo mundo de "filho". Ser chamado de "filho" por um garoto como você é, no mínimo, estranho.
- Eu sei que é estranho, mas eu sou mais velho que pareço.
- Eu dou para você uns doze, treze anos no máximo. Você veio com seu pai. Ele é alguém que eu conheço?
- Eu chamei você de filho porque é isso que você é: MEU FILHO.
- Escuta aqui, garoto. Hoje é o dia do meu casamento. Eu não sei quem é você e não posso deixar que uma brincadeira mal intencionada me deixe mal com a garota que acabou de tornar-se a minha esposa. Eu não dei nenhuma pulada de cerca e, portanto, tenho a mais absoluta certeza que não sou seu pai.
- Eu não disse que você é meu PAI. Eu disse que você é meu FILHO. Um exame de DNA vai provar.
- Some daqui, garoto. Ou eu chamo a segurança. Eu vou viajar de lua de mel e, na volta, eu começo vida nova em outra cidade. Bem longe daqui.
- Filho, eu preciso que você acredite em mim. Eu sei que não é a forma ou o momento de revelar algo tão bombástico, mas eles estão atrás de mim. Eu vim aqui pedir que você me ADOTE. Ou eles vão me levar para uma instituição para menores. Eu não aparento ter idade legal para viver por conta própria. No ano passado, eu ainda aparentava ter dezessete. Agora, treze. O processo está se acelerando. Eu não sei como vou estar daqui a um ano.
- CHEGA! Eu não sei se você é maluco ou o quê. E nem quero saber. Apenas fique longe de mim e da minha esposa.
- Filho, por favor, eu não tenho mais ninguém. Eu PRECISO de você. Preciso que faça o exame de DNA.
- SEGURANÇA! Por favor, tire esse garoto daqui. E avise as autoridades.
- Filho, não faz isso. POR FAVOR, NÃO FAZ.
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- Onde está o caçador? Eu quero vê-lo.
- No bunker, sob a Mansão. Acompanhe-nos.
- Bunker? Isso aqui está mais para uma masmorra.
- Nós achamos o lugar bastante aconchegante.
- Acredito. Vocês, djinns, adoram lugares amplos, escuros, úmidos e insalubres.
- É um lugar tão bom quanto qualquer outro para se morrer.
- Há quantos dias ele está aqui? Quanto sangue dele vocês já beberam?
- Nós o capturamos há seis dias. Ele está sendo drenado há cento e quarenta horas. Gota a gota. Ele é excepcionalmente forte. Ninguém antes tinha resistido mais de oitenta horas. Mas, tem sido frustrante. Todo esse sangue e não podemos usufruir dele.
- Por que não?
- Com sabe, o que nós, djinns, buscamos bebendo sangue humano não é o sangue em si. É a mistura, na proporção correta, dos neurotransmissores que o cérebro humano produz e lança na corrente sanguínea quando a pessoa se encontra em condições de extremo prazer e bem estar. Sabemos como extrair os neurotransmissores do sangue e criar um elixir muito apreciado pelos da minha espécie.
- Esse elixir é a droga que vocês traficam para todo o país e que rende fortunas para o seu clã.
- Exatamente. Pena que o elixir não faça efeito em humanos, o que é estranho considerando a origem do produto. Imagine o lucro fantástico que teríamos. Pena que também não sirva para shapeshifters como vocês, metamorfos, ou lobisomens, como sua amada esposa. Mas, para nós, djinns, bem como para ghouls e wendigos, é viciante. Traz um prazer indescritível.
- E por que deu errado com o Winchester?
- Não sabemos. Acontece com alguns humanos. Ao invés de sonhos felizes, sonhos que rapidamente descambam para situações de extrema angústia.
- Sonhos induzidos pela toxina que vocês liberam pela pele.
- Mais especificamente pelos pigmentos azuis da nossa pele. Muitos acreditam que são tatuagens. Mas, não. São marcas de nascença. Padrões de pigmentação típicos da minha espécie. Como o rajado da pelagem dos tigres ou as manchas de um leopardo.
- Se não serve para vocês, por que continuar extraindo o sangue do caçador?
- Sangue é uma mercadoria valiosa em Chicago. Costumamos vender o sangue que não aproveitamos para nossos parceiros vampiros. Para eles, o que importa são as hemácias. O sangue para eles é alimento. Para nós, é uma especiaria. Refinada, torna-se uma droga de enorme valor.
- O caçador parece estar nas últimas.
- Reconhece o homem?
- Reconheço. É ele mesmo. Dean Winchester. Mas, tem algo errado. Eu o conheci antes de me casar com a Violet e isso já faz mais de vinte anos. Ele deveria estar bem mais velho. Mas, parece não ter envelhecido nada. Estranho.
- Pode ser outra pessoa? Um filho?
- Não! É ele mesmo. Nós, metamorfos, podemos reconhecer as pessoas com quem já tivemos contato físico. Basta um aperto de mão. Podemos sentir a composição do DNA das pessoas ao tocá-las. Permite que copiemos sua forma num nível superficial. Para uma cópia convincente precisamos ingerir material genético da pessoa. Uma gota de sangue é o bastante.
- O que quer com ele?
- Eu vou levá-lo comigo. Ele e as bolsas de sangue que extraíram dele. Não servem mesmo para vocês. Façam seu preço.
- O que pretende fazer com o caçador? No estado em que está, ele não vai durar muito.
- Ele veio atrás mim. Quero saber porquê. O que pretendo fazer com ele depois, é assunto meu.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO: HORA DE ACORDAR
ESCLARECIMENTOS:
1. Apesar de tudo indicar que Benjamim Braeden é filho de Dean, a mãe do garoto sempre negou que ele seja.
2. Emma nasceu de uma gravidez de apenas dois dias e horas após o nascimento já aparentava ter dois anos e falava. Mais uns poucos dias e aparentava ser uma adolescente de dezesseis anos, idade que manteve até ser morta. Emma é filha biológica de Dean com a amazona Lydia. A Emma adolescente é interpretada pela atriz Lilah Fitzgerald.
3. O filho do Dean desta fic finalmente ganha um nome: Rhodes, escolha de seus pais adotivos. Arrow Rhodes é o nome da FILHA mais nova de Jensen Ackles, gêmea de um menino de nome Zeppelin Bram. Adotei Rhodes por ser um nome masculino e, na minha opinião, menos estranho que Zeppelin. Já Odette Elliott é o nome da filha mais nova de Jared Padalecki.
3. Vimos no episódio 8x20 (Boodlines) que a Chicago do Universo Padrão de Supernatural é secretamente controlada por 5 clãs mafiosos, sendo que cada clã é composto por uma espécie diferente de criaturas sobrenaturais: vampiros, lobisomens, ghouls, metamorfos e djinns.
4. Djinns (gênios) são seres da mitologia árabe que supostamente concedem desejos a humanos. Em Supernatural, os djinns envenenam as pessoas com um toque e as colocam num estado semelhante ao coma. A pessoa sonha estar realizando seu desejo mais profundo. Os Irmãos Winchesters encontraram djinns nos episódios 2x20 (What Is And What Should Never Be), 6x01 (Exile on Main Street), 6x10 (Caged Heat), 8x20 (Pac-Man Fever) e 9x20 (Bloodlines).
5. A raça de djinns do episódio 8x20 induz pesadelos onde a pessoa vivencia seus piores temores enquanto a toxina liquefaz seus órgãos internos. O processo causa febre alta.
6. O metamorfo David Lassiter é interpretado pelo ator Nathaniel Buzolic.
19.10.2017
