DEAN & FILHO
SUPERNATURAL ALTERNATIVE UNIVERSE
CAPÍTULO 5
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- Saaaam?
- Eu estou aqui, Dean. Está tudo bem.
- Áaa .. gua!
- Aqui! Calma! Goles pequenos! .. Isso! .. .. Mais?
Dean acena com a cabeça e Sam enche mais um copo. Dean bebe o copo todo e volta a fechar os olhos, exausto.
- Onde .. eu .. estou?
- Num hospital, isso não é óbvio?
- Como .. eu vim .. parar .. .. aqui?
- Eu trouxe você para cá depois de resgatá-lo quase morto num armazém da zona portuária. Não fale. Você está ainda muito fraco. Perdeu muito sangue.
- Sam, você ... ?
- Não fale. Fique quietinho que eu vou chamar o médico.
Sam volta acompanhado de um médico e de um enfermeiro, que, após examinarem o prontuário digital de Dean e os registros dos equipamentos que monitoram seu estado clínico, tomam sua temperatura, medem sua pressão, examinam suas pupilas, testam suas respostas a estímulos e fazem perguntas simples com o objetivo de avaliar o grau de transtorno mental em que se encontrava. Ao final, registraram dados e observações no sistema informatizado de controle do hospital.
- E então, doutor?
- Ele é forte e está reagindo bem. Mas, precisa de um tempo maior de repouso. A confusão mental que ele apresenta é uma condição esperada de quem passou dias em um coma agravado por severa perda de sangue, desidratação extrema e intoxicação aguda.
A um sinal do médico, o enfermeiro injeta medicação na mangueira da bolsa de soro injetável. Sam acompanha a movimentação com evidente preocupação, mas sem questionar o médico.
Dean, muito fraco, ainda tenta dizer alguma coisa, mas é rapidamente dominado pelo sono.
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- Saam?
- Ah! Finalmente acordou. Já não era sem tempo! Foram doze horas desde a última vez que você abriu os olhos e disse algo coerente. O médico esteve aqui há pouco. Voltou a examiná-lo, disse que a sua recuperação superava as expectativas mais otimistas da equipe e que você logo despertaria. Como está se sentindo?
- Se quer mesmo saber, eu me sinto péssimo. Dolorido, tonto, enjoado, com gosto ruim na boca e, principalmente, faminto. Mas, sem a exaustão de antes e com a mente menos enevoada.
- Você precisou receber sangue e está há mais de quarenta horas no soro. É bom que você beba bastante água, mas duvido que já esteja em condições de ingerir alimento sólido. Vai precisar ter um pouco de paciência. O importante é que desta você escapou. O que não me surpreende. Já passamos por coisas bem piores, não é mesmo?
- Sam, é você mesmo? Como é possível você estar VIVO? Isso aqui .. é real?
- É claro que é real, Dean. E eu estou vivo .. desde que nasci. Mas, eu entendo essa sua estranheza. Devem ser lembranças do que você sonhou. Você foi capturado por djinns e eles o drenaram quase até à morte. Tive medo que você não sobrevivesse.
- Você disse djinns? É! Lembro de terem me capturado na entrada de Chicago e me levado vendado para uma câmara escura e fria. Lembro do meu braço arder quando um deles me agarrou na altura do punho e dos olhos brilhando em azul. O veneno dos djinns induz a pessoa a sonhar e é como se ela passasse a viver numa realidade alternativa onde os seus maiores desejos se tornaram realidade.
- É como costuma ser. Mas, quando o resgatei, você não parecia estar tendo um sonho agradável.
- Não mesmo. Estava mais para pesadelo. Ou para a vida real. O NOSSO tipo de vida normal. Nossa vida sempre foi uma sequência de pesadelos entremeados de uns poucos momentos felizes e muitos dias de tédio.
- Definiu bem o nosso estilo de vida.
- Sam, se você está vivo e foi tudo um sonho, esse sonho pareceu estender-se por anos. Foi como se eu realmente tivesse vivido cada dia dos vinte anos que se seguiram à sua morte. Sua morte no sonho. Um sonho bastante elaborado, diga-se de passagem. Elaborado demais para ter sido apenas um sonho, eu diria.
- É essa a habilidade dos djinns. Ou melhor dizendo: esse é o efeito do veneno dos djinns na mente de suas vítimas. O sonho é realista o bastante para a pessoa acreditar que está vivendo de fato aquelas situações.
- Se fosse um filme e eu fosse um crítico, eu diria que teve um enredo complicado e várias reviravoltas. Era tudo muito real. Muito cheio de detalhes, de nuances, de emoções. Lembro do quanto sofri com a sua morte. Um luto que durou anos. Lembro da solidão na estrada. Eu tentando tocar minha vida em frente sem você no banco do carona. Teve os anos de parceria com o Cole. O Cole Trenton. As voltas que a vida dá. Acredita que, depois de tudo, eu e ele viramos parceiros? Foi um período bom. Mas, ele também morreu e eu desisti da estrada. Fixei-me em Los Angeles. Lembro de uma sequência de sonhos perturbadores: com o Ben, com a Emma e com o Rhodes já adulto. Só que esses, ao contrário, de todo o resto, estavam fora da cronologia. Estranho isso. .. .. Essa sua cara .. não sabe de quem estou falando, não é mesmo? Não sabe quem é o Rhodes.
- Vou saber quanto você contar com mais detalhes. Dean, você ficou a mercê dos djinns por quase uma semana. Isso me preocupa. Precisamos ter certeza que a toxina não deixou sequelas psicológicas.
- Não teve sequela nenhuma. Eu vou ficar bem. Eu já estou bem. Eu só preciso de um bom e suculento hamburguer para ficar ótimo. No sonho, no futuro imaginário que eu vivia, a comida não tinha gosto.
- Dean, no nosso ramo, não basta estar 90% bem. Quando sairmos daqui e retomarmos as caçadas, você tem que estar 100%. Nem que seja para me proteger. Você não quer que eu acabe morto como no sonho, ou quer? Um dia a mais aqui não vai matar você.
- Você está certo, Sam. Você está aqui e só isso já me deixa feliz. Você não imagina o quanto eu me sinto aliviado de descobrir que foi tudo um sonho ruim. Você não morreu, eu nunca tive filho algum e eu não estou rejuvenescendo.
- Foi isso que você sonhou? Uau! Fora a parte em que eu morro, o resto não parece tão mal assim. Rejuvenescer parece ótimo. Ter um filho então .. é o máximo. Eu adoraria ganhar um sobrinho.
- Dito assim parece bom, mas, na verdade, não foi.
- Eu conversei com o médico e ele me aconselhou a forçar você a puxar pela memória. A falar do que você vivenciou em sonho. Mas, não precisa ser já. Se você estiver cansado ...
- Tudo bem. Acho que falar vai me ajudar a entender o que é verdadeiro e o que é falso destas minhas lembranças. Eu sinto um .. estranhamento - é exatamente essa a palavra - por estar aqui falando com você. Eu lembro de ver você morrendo e essa sensação de perda ainda é muito vívida para mim.
- É natural que você faça confusão entre sonho e realidade. Você acabou de sair de um coma. Eu acho até que você está melhor do que seria esperado de alguém que passou pelo que você passou.
- Vem aqui, Sam! Deixa eu dar um abraço apertado em você.
- Está certo. Para mim, não existiu esse tempo todo afastados. Foram só alguns dias. Mas, estou feliz de ver você bem de novo.
Sam se debruça sobre a cama e os dois dão um abraço meio atrapalhado, mas, ainda assim, emocionado.
- Eu precisava ter certeza que você é real. Que posso tocá-lo. Que você está realmente aqui.
- Eu entendo, Dean.
- Vamos lá então. Quanto antes eu botar a cabeça em ordem, mais rápido eu deixo esse hospital. E isso é o que eu mais quero neste momento.
- Está certo. Você conta de como lembra que as coisas aconteceram, me fala do que viveu no sonho, e eu te digo o que é ou não verdade. Vamos começar do começo.
- Antes, me diz uma coisa. Você pegou os desgraçados?
- Tinha apenas um djinn com você no armazém. Dei cabo dele.
- Lembro de no mínimo quatro. Quando eu estiver totalmente recuperado, voltamos lá e pegamos o bando todo.
- Cada coisa no seu tempo. Tratamos desse assunto quando você estiver fora deste hospital.
- Mais uma coisa .. minhas armas. Eu me sinto nu sem elas.
- Você ESTÁ nu, Dean. Esse .. avental que você está vestindo é aberto na parte de trás e não tem nada embaixo. Preocupe-se em ficar bom. Eu garanto a sua segurança.
- Eu posso cuidar de mim mesmo, Sam. Com ou sem armas. Fiz isso .. eu ia dizer por cinquenta e cinco anos .. mas, não faz tanto tempo, não é mesmo?
- Não, Dean. É só você se olhar no espelho.
- No sonho, eu me olhava no espelho. E me via cada dia mais jovem.
- E, no sonho, isso tinha explicação ou era uma dessas coisas absurdas que a gente vive nos sonhos e neles parece natural?
- O sonho avançava no futuro. Esse futuro tinha coisas que, mesmo no sonho, eu achava absurdas. Acredita que eu troquei o Impala por um Tesla? Os carros eram todos elétricos. Os motores não faziam barulho algum. Era irritante. Acho que isso é maior prova de que nada daquilo foi real.
- Vamos lá! Do começo. Na ordem em que aconteceu.
- Eu diria que tudo começou ... com você morrendo.
- Estou curioso quanto a isso. Me diz: como foi que eu morri?
- Lembra dos gêmeos Banes, Alicia e Max? De quando enfrentamos aquela bruxa que animava bonecos de palha e os fazia parecer humanos. No final, a Alicia morreu e Max pareceu aceitar o fato. Só que não. Ele colocou o anel da bruxa. Fez um pacto com o demônio que dava poderes à megera e usou seus novos poderes para criar um simulacro da irmã. Mas, isso não o satisfez. Não tinha como satisfazer. Não era a irmã que ele amava. Era apenas uma marionete que dizia sim a tudo que ele pedia.
- E aí ele aumentou a aposta?
- É! Um novo pacto. O desgraçado do demônio era exigente. Mil vidas sacrificadas pela vida de Alicia. Da mesma maneira que a bruxa extraia a força vital de uma pessoa para animar um boneco de palha, Max deveria roubar a força vital de mil pessoas e armazenar essa energia no cadáver de Alicia. A energia preservaria o corpo da decomposição e, eventualmente, o despertaria.
- Agora entendo o que você quis dizer quando disse que o sonho era elaborado. Haja imaginação.
- Mil sacrifícios. Pessoas começaram a desaparecer e isso chamou nossa atenção. Observando vídeos de segurança da vizinhança dos locais onde se deram os desaparecimentos, vimos - em vários - a falecida Alicia Banes vendendo saúde. Ficou óbvio que o Max tinha passado para o lado escuro da Força.
- Star Wars! Um clássico.
- Nós fomos atrás do Max e ele capturou você. Eu cheguei quando ele estava começando o ritual para absorver a sua essência vital e direcioná-la para o cadáver da Alicia. Eu nocauteei o Max antes que ele completasse o ritual, mas não antes que a sua essência vital fosse arrancada do seu corpo. Max já era um bruxo poderoso antes de colocar o anel. Mas, o poder de transferir energia vital de pessoas para animar objetos vinha do demônio e era canalizado pelo anel. Eu não podia deixar tamanho poder com o Max. Eu arranquei o anel do dedo do Max e estava com ele nas mãos quando senti a energia entrando no meu corpo. E você não apresentava mais nenhum sinal de vida.
- E você não conseguiu reverter o feitiço?
- Se eu ainda tivesse o anel, quem sabe? Mas, o anel e o próprio Max explodiram em chamas. Só tive tempo de tirar você - seu corpo - de lá antes que o incêndio consumisse o local. Eu levei seu corpo para um hospital, onde eles atestaram morte cerebral e me deram o atestado de óbito. Samuel Winchester estava oficialmente morto.
- Você tentou me trazer de volta?
- Nos três primeiros dias o seu corpo não apresentava quaisquer sinais de decomposição e isso me dava esperança. O problema é que eu não tinha a quem apelar. Depois do lance com o Jack, o filho do Lúcifer, Castiel nunca mais atendeu às minhas preces. Nunca mais encontrei qualquer outro anjo. Crowley morreu e o novo Rei do Inferno ordenou que os demônios se mantivessem afastados de mim. A destruição do bunker nos privou não só de todo o acervo dos Homens de Letras como também de todo material reunido pelo Bobby e pelos Campbell. No desespero, eu cheguei a apelar aos Starks, mas Don e Maggie estavam na Itália e, soube depois, em meio a uma nova guerra conjugal.
- Três dias. Então, a partir do quarto dia .. ?
- O que quer que estivesse mantendo o seu corpo íntegro começou a perder o efeito. Eu não podia manter por muito mais tempo o seu corpo na mala do Impala. Dar a você um enterro de caçador poderia tornar impossível trazer sua alma de volta. Eu não sabia o que fazer, então decidi retornar a Lawrence. É onde está o pai. E, então, eu ..
- Um minuto, Dean. Preciso atender a uma chamada.
Sam tira do bolso o aparelho celular, pede licença a Dean com um gesto e sai do quarto para falar com mais privacidade. Quando retorna, seu primeiro espanto é ver a cama vazia. O segundo é ter a lâmina de uma faca pressionada contra a sua garganta.
- Q-cells não existiam quando o Sam, o verdadeiro Sam, estava vivo. Foram lançados em 2030. Deixe-me adivinhar: metamorfo?
- Dean, eu não sou seu inimigo. Se fosse, apenas o deixaria lá para que os djnns o matassem.
- Mas, assim não saberia o porquê da minha vinda a Chicago e se tem mais alguém a caminho. Foi só por isso que me salvou, não é mesmo, Lassiter?
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO: COMO QUISER, DOCINHO!
ESCLARECIMENTOS:
1. Max e Alicia Banes aparecem nos episódios 12x6 (Celebrating the Life of Asa Fox) e 12x20 (Twigs & Twine & Tasha Banes). O personagem Max é interpretado pelo ator Kendrick Sampson.
2. Os bruxos Don e Maggie Stark aparecem no episódio 7x05 (Shut Up, Dr. Phil) e Don Stark salva os Irmãos Winchester da esposa rancorosa e do leviathan Chet.
3. Mary Winchester foi enterrada (primeira morte) em Greenville, Illinois. Não consegui confirmar a localização do túmulo de John Winchester no seriado. Nesta fic, ele encontra-se enterrado em Lawrence.
28.09.2017
