DEAN & FILHO
SUPERNATURAL ALTERNATIVE UNIVERSE
CAPÍTULO 6
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- Você não tinha o DIREITO de usar o rosto do meu irmão para me arrancar informações. Só isso já seria motivo suficiente para eu ACABAR com a tua raça.
- Essa faca ...
- É a sua. Usa sempre ou foi só para compor o disfarce?
- Então, quando me abraçou .. ?
- Eu peguei a faca. Eu queria muito acreditar que o Sam estava vivo. Mas, mesmo vendo o Sam na minha frente, a sensação de pesar persistia. A estranheza persistia. Eu SENTIA que tinha algo errado. Por outro lado, se tudo não passasse de paranoia minha, ter uma arma comigo me faria me sentir mais seguro e não prejudicaria ninguém.
- Foi mal, Dean. Entendo que esteja irritado. Desculpe por ter montado essa farsa. Mas, foque no que realmente importa. Você está bem. E isso graças a mim. EU salvei sua vida. Não se esqueça disso. Quanto à farsa .. achei que a visão de um rosto conhecido, de alguém que você confiasse, reduziria seu grau de estresse e apressaria a sua recuperação.
- Isso porque você se importa muito com a minha saúde.
- Somos amigos, não somos? Devo muito a você. Sua intervenção evitou que a minha família entrasse em guerra com a família da Violet. Se hoje eu sou um homem realizado e feliz no casamento é, em parte, graças a você.
- Quem garante que esse meu salvamento não faz parte do seu teatrinho? Você é um metamorfo. Iludir é a sua especialidade.
- Você foi capturado por djinns. Estava indefeso. Se eu tivesse alguma intenção maligna, por que me daria ao trabalho de resgatá-lo? Por que cuidar de você até que estivesse totalmente recuperado? Não seria mais lógico manter você fraco e vulnerável?
Era um argumento forte. Dean reduz a pressão da lâmina contra a garganta do metamorfo enquanto considera suas opções e reflete sobre o que ouviu.
- Entendo que a visão do seu irmão morto o perturbe. Permite que eu reassuma minha verdadeira aparência?
Antes que Dean responda, a porta se abre com estardalhaço e entram o médico e o enfermeiro com cara de poucos amigos. E, em seguida, uma mulher loura de meia idade que Dean conheceu muitos anos antes.
- Ah! O casalzinho apaixonado mais uma vez reunido. Como vai, Violet?
- Dean, por favor, largue essa faca e liberte o Dave. Eu estou pedindo EDUCADAMENTE.
- Ou ... ?
Em resposta, o médico e o enfermeiro desenvolvem presas e garras e se aproximam de Dean por lados opostos, acuando-o. Eles mostram os dentes e rosnam baixo, como fazem cães e lobos quando querem intimidar um adversário. Ao mesmo tempo, assumem posturas corporais que indicam iminência de ataque. Posturas que denunciam suas intenções. Um atacaria o braço com que Dean empunhava a faca e o outro avançaria sobre o seu pescoço. Violet também assumira um aspecto animalesco e seus olhos brilhando em vermelho pareciam soltar faíscas. Ela parecia prestes a explodir em fúria assassina. Estava verdadeiramente assustadora.
- Não deem nem mais um passo ou eu CORTO a garganta dele.
- Faça qualquer coisa com o meu marido, arranque um fio do cabelo dele que seja, e eu juro que o seu coração será o primeiro que eu devorarei na vida.
- Calma, querida. Nada disso era necessário. Eu tinha tudo sob controle. O Dean acordou confuso, ficou irritado, mas eu tenho certeza que conseguiria convencê-lo de que ele não tem nada a temer de nossa parte. Dean, essas pessoas aqui SALVARAM sua vida. Cuidaram para que você se recuperasse. Não se esqueça disso. O bom doutor cuidou de você com muita dedicação e tenho certeza que ele detestaria ser obrigado a rasgar sua garganta com os dentes. Ele é um excelente médico. Odeia perder um paciente.
- Essas PESSOAS? Nenhum de vocês é uma "pessoa". São todos MONSTROS.
- Dean, sabe que "monstro" é um termo altamente depreciativo e preconceituoso. Você está sendo inj ..
- QUER CALAR ESSA MALDITA BOCA POR UM MINUTO QUE .. AAAAAAAAAAAAAAI.
Dean não consegue completar a frase. David Lassiter aproveitou que a atenção de Dean estava dividida entre vários oponentes e mudou de forma inesperadamente. Tornou-se uma criatura que parecia ter saído de um pesadelo. Ou de um antigo seriado japonês de monstro. Um réptil humanoide encouraçado coberto de protuberâncias pontiagudas. A couraça dura como casco de tartaruga o protegia da faca e os espinhos, igualmente duros, ao crescerem rápido, penetraram fundo na carne de Dean, fazendo-o sangrar nos braços e no peito. A reação instintiva de Dean, de afastar-se da criatura, facilitou a ação coordenada dos lobisomens que o agarraram pelos braços e o empurraram violentamente contra a parede, forçando-o a largar a faca.
Livre da chave de braço e da ameaça de ter a garganta cortada, David volta à forma humana e ele e Violet se abraçam, aliviados. Com Violet também na forma humana, os dois trocam um longo beijo apaixonado.
- Você está bem, querido? Está ferido?
- Estou ótimo, docinho. Não precisava se preocupar. Seu maridinho sabe se defender.
- Viu o risco que você correu? Eu cansei de dizer que não era seguro ficar sozinho com o caçador. Ele não é como você, sempre preocupado com os outros. É um assassino frio. Um psicopata. Ele não teria hesitado em matar você. Em matar qualquer um de nós.
- Ah! ENTENDI! O MONSTRO AQUI SOU EU!
- MALDITO CRETINO PARANOICO! Devíamos ter deixado os djinns drenarem você até a última gota de sangue. A vontade que eu tenho é de RETALHAR você com as minhas garras e só parar quando eu estiver exausta. Depois, jogar o que restou num picador de carne e dar para os porcos comerem.
- Menos, docinho. Menos. Assim o Dean vai achar que você não gosta dele.
- Pois eu vou dar bons motivos para esse cretino ingrato reforçar essa impressão. .. VOCÊS DOIS AÍ! SÃO LESADOS POR ACASO? ESTÃO ESPERANDO O QUÊ? O CAÇADOR SE SOLTAR E MATAR UM DE VOCÊS. PONHAM LOGO ESSE INFELIZ PARA DORMIR.
- Calma, querida. Você sabe que não pode se exaltar dessa maneira. Não faz bem para a sua saúde. Vamos! Você precisa relaxar. Se estressou demais. Eu vou cuidar de você. Que tal um banho quente de imersão? Com bastante espuma? Enquanto você relaxa, eu preparo uma comidinha especial só para nós. Depois, a gente bebe um bom vinho e aproveita a lua cheia para namorar. Vem, minha lobinha.
- Já falei que você é o melhor marido do mundo?
Dean se debate furiosamente, mas não consegue evitar que o médico lobisomem aplique uma injeção em seu pescoço. O forte sedativo o derruba na hora. O metamorfo e a lobiswoman, de mãos entrelaçadas, observam o caçador inconsciente ser deitado na cama, com ferimentos pelo corpo todo.
- Cuidem dos ferimentos dele.
- ACORRENTEM-NO. Se ele escapar, serão VOCÊS que vão se ver COMIGO.
O casal deixa a sala trocando carícias e juras de amor. Quando os dois anunciaram às respectivas famílias que se casariam, ninguém acreditou que aquela união pudesse dar certo. No entanto, mais três meses e eles comemoram bodas de prata. Uma prova que o amor pode superar quaisquer barreiras. Mesmo a barreira entre espécies.
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Quando desperta, Dean descobre que está completamente imobilizado, preso por fortes correias de couro bruto a uma cama de metal reforçado firmemente aparafusada ao piso. Faixas de couro de larguras diferentes o prendem pela testa, queixo, pescoço, tórax, abdômen, antebraços, braços, coxas e pernas. Os ferimentos causados pelos espinhos do David réptil tinham sido suturados e estavam cobertos por gaze. Uma toalha cobria sua nudez.
- Esse hospital é gerenciado pelo clã Duval. Atende lobisomens. Alguns despertam confusos e mostram-se violentos. As correias são para garantir que não se machuquem e não machuquem os médicos.
- O que vão fazer comigo?
- Nada, Dean. Acredite quando digo que está entre amigos. Apenas prometa agir de forma razoável e o libertamos. Seja lá qual for o problema, acredito que podemos nos entender conversando civilizadamente. Você conta o que o trouxe a Chicago. Nós escutamos o que você tem a dizer e você ouve as nossas ponderações. Daí, buscamos juntos uma solução aceitável para ambas as partes. Eu prometo ajudá-lo desde que isso não signifique abalar o delicado equilíbrio de poder entre os clãs. Um equilíbrio que lutamos duramente para manter esses anos todos. Então, temos um acordo?
- Eu quero o garoto. Me entregue o garoto e eu deixo a cidade.
- Que garoto?
- Samuel.
- Samuel? Está falando do MEU Samuel .. do meu FILHO?
- Ele não é seu filho. É um garoto humano.
- Tem razão quanto a ele ser humano. Mas, ele É meu filho. Foi legalmente adotado por mim e por Violet. Está conosco desde que era um bebê. Nós o amamos. É nosso filho e nada nos fará entregá-lo a você ou a quem quer que seja.
- Então, não tem acordo. Eu vou sair daqui e vou levá-lo comigo. E ai de quem ficar no meu caminho.
- Quero vê-lo tentar. Essas correias foram projetadas para conter lobisomens furiosos. Duvido muito que mesmo alguém com as SUAS habilidades consiga escapar. Mas, não vou arriscar. Você ficará sob monitoração constante. Muito antes que consiga se libertar e fugir, um enfermeiro virá e o porá para dormir.
- Já fiz o impossível antes.
- Dean, o melhor para o Samuel é ele ficar conosco, que o amamos. Somos a única família que ele conhece. Vou dar a você um tempo para que se acostume com a ideia. Até lá, você fica aqui, em segurança. O repouso forçado vai ajudar na sua recuperação. Você disse que acordou do coma com fome e eu falei com o médico. Eles já tiraram o soro e vão trazer comida, mas terá ser algo pastoso. Em algumas horas, um enfermeiro virá para trocar seus curativos. Aqui, ao alcance da sua mão direita, há uma botoeira para que chame o enfermeiro se precisar de algo. Enquanto isso, acalme-se e pense com carinho na minha proposta.
- Não pode me manter aqui para sempre.
- Você não está me dando escolha, Dean. Não me force a fazer algo que eu não gostaria. E, se preza sua vida, não repita a ameaça de levar o Samuel na frente da minha esposa. Você não ia gostar de vê-la furiosa. Vou desligar a luz. Descanse.
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Dean empenhou-se ao máximo para livrar-se das correias. Mas, era absolutamente impossível. Jamais conseguiria sem ajuda. Estava ferrado. Ninguém viria salvá-lo. Não avisara ninguém que viria para Chicago e desligava os dispositivos de rastreamento quando estava em missão. Fazia muito tempo que trabalhava sozinho. Sem apoio de campo. Podia contar apenas consigo mesmo. E acreditar em Chuck.
- Oh my Chuck! Faz tempo que não Lhe peço nada. Estou pedindo. Faça que apareça alguém.
Como que em resposta às suas preces, a porta se abre e um homem negro, vestindo preto e usando óculos escuros, entra e se detém ao lado da cama onde Dean é mantido prisioneiro. A correia sobre sua testa impede Dean de girar a cabeça e, daquele ângulo e com o ambiente na penumbra, ele não enxergava o rosto do estranho.
Minutos intermináveis se passam num silêncio exasperante. O estranho parecia ter todo o tempo do mundo. Já Dean estava impaciente e irritado com tudo aquilo.
- Quem é você? O que quer comigo?
- É realmente você. Não um metamorfo. O temível Dean Winchester. O caçador supremo. A mesma arrogância de antes. Sempre querendo fazer parecer que está no controle da situação. Você disse que mandaria reforços. Eles nunca chegaram. E agora você está aqui. Veio pessoalmente. Com vinte e cinco anos de atraso, mas veio. Sozinho. Resta saber com que intenções. Me diga: o que o trouxe aqui?
- Você .. é aquele rapaz que perdeu a noiva para o caçador maluco. Seu nome é .. ? Eric?
- Ennis. Ennis Ross. Surpreso em me ver?
- Contente em vê-lo. Contente em constatar que sobreviveu.
- Quem disse que eu sobrevivi?
- O que significa essa afirmação? O que houve com você?
- Os clãs ainda dominam a cidade. De uma forma ainda mais abrangente do que antes. ELES estão em toda parte. Em todos os níveis de poder. Sem que ninguém se oponha a eles. Sabe porquê? Porque ninguém acredita que monstros existam. Porque muitos acham conveniente ou lucrativo servi-los.
- Eu reconheço que pisei na bola. Deixei você na mão. Sei que um pedido de desculpas não muda os fatos, não apaga o sofrimento. Mas, acredite quando digo que sinto muito.
- Não tanto quanto eu senti.
- Veio me libertar?
- Isso depende.
- Depende .. do quê?
- Depende das respostas que você me der. O que veio fazer em Chicago?
- Vim resgatar um garoto. Um garoto humano. Eu prometi aos pais biológicos do garoto que o protegeria.
- O garoto Lassiter? O herdeiro dourado dos clãs Duval e Lassiter?
- Herdeiro? Que eu me lembre, com a morte do irmão mais velho de David, o clã passou a ser controlado pela irmã dele, uma mulher determinada e ambiciosa; e Violet, por ser mulher, não tinha qualquer influência no clã dos lobisomens. Mulher, nos dois casos, não é o termo exato, mas você me entendeu.
- Em vinte e cinco anos muitas coisas mudam.
- Está falando de você?
- Também. Se eu libertá-lo, o que pensa fazer?
- Quero primeiro falar com o garoto. Saber como foi criado. Descobrir o que ele sabe sobre sua origem e sobre seus pais adotivos. O que pensa deles. Mas, principalmente, quero saber que tipo de pessoa ele está se tornando.
- Eu escutei dizer que você pretendia LEVAR o garoto com você. TIRÁ-LO da cidade. E só existe uma maneira de conseguir isso. MATANDO David Lassiter e sua esposa lobisomem. Eu quero ajudá-lo nesta empreitada.
- Você não quer me ajudar. Quer que eu mate o casal Lassiter para você. Qual seu motivo para querê-los mortos?
- Um caçador que precisa de um motivo para matar monstros? E estamos falando dos monstros que o estão mantendo prisioneiro aqui.
- Podemos discutir isso DEPOIS que me libertar. Quando estivermos FORA daqui.
- Posso libertar você. Mas, somente se me ajudar a matar os Lassiter. Meus motivos interessam apenas a mim.
Dean respira fundo. Queria muito sair dali. Mas, não ao preço de virar uma marionete de alguém que não sabia se podia confiar. Como o próprio Ennis dissera pouco antes, muita coisa muda em vinte e cinco anos. No passado, Ennis fora uma vítima. A vida fez dele um sobrevivente. O que mais ele se tornara?
- Não sou assassino de aluguel. Se eu vier a matá-los, será pelos motivos certos.
As correias que prendem a testa e o queixo de Dean são soltas. Finalmente, Dean pode examinar o rosto de Ennis Ross. Para sua surpresa, era o mesmo rosto de vinte e cinco anos atrás. Para seu horror, a boca do rapaz se escancara num sorriso forçado que mostra um número exagerado de dentes, sendo a primeira fila composta por dentes finos e afiados.
- VAMPIRO!
- Sinto que acabe assim, Dean. Mas, quem não está do meu lado .. está contra mim. Se não me serve como aliado, que sirva para matar minha sede.
Imobilizado, Dean não tem como se defender dos dentes que se cravam em seu pescoço.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO: EU VAMPIRO
ESCLARECIMENTOS:
1. A personagem Violet Duval, agora Duval-Lassiter, é interpretada pela atriz Melissa Roxburgh.
2. David Lassister é capaz de mudar de forma instantaneamente sem trocar de pele. É assim no seriado.
3. Dean conheceu Ennis Ross, um rapaz comum que sonhava apenas casar e ser feliz, no episódio 9x20 (Boodlines). Ennis ignorava a existência de seres sobrenaturais até testemunhar a morte do metamorfo Sal Lassiter, irmão mais velho de David. O personagem, interpretado pelo ator Lucien Laviscount, torna-se caçador no final do episódio.
10.10.2017
