Notas da Autora

O embate termina e...

Yuugi e Kisara ficam...

Capítulo 33 - Queda

Após o Faraó terminar de entoar as palavras antigas em forma de um cântico, o corpo de Raa no Yokushinryuu se torna flamejante, assumindo uma forma que remetia a uma gloriosa fênix e avança contra a dragoa com o corpo repleto de chamas, sendo este o pior elemento contra Yukiko.

Eles se chocam e ocorre uma grande explosão que desloca grandes quantidades de ar e de areia. Ao se dissipar, revela o Ka em toda a sua superioridade e glória, voando alto, enquanto que a dragoa havia sofrido grandes danos pelo fogo, caindo com estrondo nas areias, sendo visível as queimaduras e seu estado debilitado, com a mesma arfando, enquanto demonstrava o focinho contorcido em dores intensas.

O povo começa a comemorar, quando observam que ela se levantava precariamente, rosnando furiosamente, conforme concentrava os seus poderes, enquanto lutava para se erguer.

A albina consegue invoca várias lanças de gelo, além de criar várias feras aladas que avançam contra Raa no Yokushinryuu, que os dissipa com um movimento vigoroso de suas asas flamejantes, fazendo gerar uma leve névoa, com todos ficando surpresos ao verem que a dragoa havia avançado contra ele ao criar, novamente, asas de gelo imensas, após liberar uma rajada de gelo da boca em direção aos olhos do ser, o incomodando demasiadamente, fazendo-o piscar freneticamente a área dos olhos e aproveitando o ensejo, ela continua o seu avanço contra o corpo flamejante do seu oponente, acabando por transpassa-lo, enquanto a albina gerenciava as dores lacerantes em sua pelagem ao entrar em contato com as chamas.

Prontamente, conforme o plano dela, as chamas do Ka derretem as suas asas de gelo quando elas se chocaram contra ele, fazendo com que o gelo se tornasse água e em uma quantidade suficiente para infligir danos consideráveis, até que o líquido evaporasse em virtude do calor escaldante do seu corpo flamejante, com ela confirmando a sua suposição de que a água provocava danos em seu adversário.

O Deus não havia sofrido qualquer dano pelo impacto, pois não tinha um corpo sólido naquele momento, sendo que o único dano que havia sofrido foi por causa da água que surgiu ao derreter o gelo.

Após ponderar rapidamente em suas escolhas, sentindo que não teria forças remanescentes se continuasse com os ataques próximos ao corpo de chamas do seu adversário, Yukiko decide usar os seus últimos poderes para puxar o ar congelante da Mesosfera, sendo uma habilidade que ela descobriu quando ascendeu ao céu, em uma altura que nunca antes havia ascendido.

Claro que o ar aquecia ao descer em direção ao solo e para evitar que aquecesse, a albina tinha que puxar essa coluna de ar, fazendo-a descer de forma brusca e igualmente rápida para que ele não se aquecesse, permitindo assim o congelamento instantâneo, uma vez que a albina não conseguia, ainda, gerar uma temperatura gélida o suficiente para congelar algo em questão de segundos.

Enquanto isso, o Faraó decidiu que não permitiria que ela se concentrasse, visando evitar a prolongação da batalha, pois se isso acontecesse, a dragoa iria sofrer ainda mais, sendo algo que o soberano não desejava.

Portanto, Atemu se concentra e faz as chamas de Raa no Yokushinryuu se intensificarem, visando dificultar a concentração dela.

Então, o Deus recua ligeiramente para trás, no céu, ascendendo gradativamente, para depois avançar com o seu corpo flamejante contra a dragoa como se fosse uma flecha de fogo, enquanto que a albina lutava arduamente para terminar de conduzir a corrente de ar gelada da Mesosfera em direção ao solo, visando congelá-lo abruptamente.

Porém, o Ka foi mais rápido e alcança a albina, a atingindo com as suas chamas, sendo que como era a primeira vez que ela executava aquela técnica, Yukiko não sabia que iria prejudicar a sua esquiva, a deixando vulnerável a um ataque direto.

A técnica dela cessa quase que instantaneamente quando ela é atingida por chamas intensas que provocavam dores lacerantes e consequentemente, danos.

Os egípcios começam a comemorar a vitória do seu Faraó, quando notam que Yukiko se erguia, apesar de estar ofegante, com todos ficando estarrecidos ao verem ela no limiar da consciência, se preparando para atacar Raa no Yokushinryuu, usando apenas a sua determinação para se levantar, considerando os danos visíveis em seu corpo.

Mahaado, Mana, Seto, Isis, Shimon, Jounouchi, Mariku, Honda, Shizuka, Ryou, Rishidi, Diiva e o próprio Atemu estavam chocados por verem ela se erguer, mesmo estando extremamente debilitada e a beira da inconsciência.

Claro que o Faraó ocultava a sua preocupação, sendo plenamente ciente dos riscos de continuar a batalha, pois ela iria morrer se continuasse lutando e isso era algo que não podia permitir que acontecesse, tanto pelo fato dela estar lutando em nome da amizade que sentia por eles, sendo um motivo nobre, movido pelo amor, quanto pelo fato do seu amado Yuugi sofrer, demasiadamente, com a perda da dragoa.

Ademais, nunca aceitaria a morte de um inocente ou de alguém com motivações nobres, sendo que bastavam a seu ver, os casos em que ele era obrigado a condenar pessoas à morte ou a castigos imensuráveis, apenas por causa do peso da sua coroa e título.

Portanto, para evitar que ela morresse em virtude dos ferimentos, o soberano teria que encerrar a batalha o quanto antes e a única forma de fazer isso era neutralizá-la de modo que não se erguesse para lutar novamente, sendo plenamente consciente de que não podia atingi-la com a forma flamejante de Raa no Yokushinryuu novamente, pois as consequências podiam ser fatais.

Então, ele desfaz a forma flamejante do seu Ka, enquanto ela invocava uma lança de gelo contra o Deus, o atirando através de sua cauda, mais precisamente próximo da base do seu apêndice, com o mesmo desviando facilmente, enquanto avançava nela com a sua pata dianteira fechada em um punho, a golpeando fortemente na cabeça, fazendo-a tombar inconscientemente em virtude do impacto.

Kisara cai de joelhos e lágrimas caem de seus olhos, sendo que Mana estava junto dela e tentava falar algumas palavras de conforto ao ver o estado da jovem.

Yuugi, que mesmo naquele estado, acompanhou a batalha, havia chorado, tanto por fora, quanto por dentro, pelo esforço que a sua amiga fez, ficando de pé, após ter sido abatida e que continuava a se erguer, apenas por ele e pela prateada.

Inclusive, o jovem não queria mais ver um amigo se ferir por causa dele, fazendo-o verter lágrimas de dor e pesar ao ver o estado debilitado de Yukiko, apenas para salvá-lo.

Afinal, era a sua amiga de infância e sempre cuidou dele, além de sempre ser gentil, com ambos se apoiando mutuamente, sendo a sua força para aguentar o sofrimento, sempre estando lá para confortá-lo e protegê-lo.

Agora, estava caída e extremamente ferida, incapaz de se erguer novamente, conforme olhava para a dragoa caída no deserto, incapaz de mexer qualquer parte de seu corpo, sendo que durante a batalha, seus olhos recuperaram um pouco do brilho, que logo foi povoado pela dor e desolação do extremo que ela chegou por ele, embora fosse o esperado, considerando o passado de ambos, fazendo-o chorar copiosamente e agora, chorava ainda mais, enquanto era solto pelo sumo sacerdote.

Após alguns minutos de silêncio, os egípcios comemoram a vitória de Raa no Yokushinryuu ao perceberem que a albina não iria se levantar novamente e após alguns segundos, o Deus começa a esmaecer no céu, voltando a sua Placa de pedra dentro do Ueju no Shinden que continha às placas dos Deuses e de outros monstros, pertencentes à linhagem do Faraó, para depois, Atemu erguer o braço, exclamando de forma autoritária e firme com a sua voz barítono profunda:

- Os Deuses demonstraram a superioridade de Kemet (Egito) perante todos os outros reinos! O império continuará ascendendo, se tornando o mais poderoso a cada dia! Eu sou o Deus Sol, Senhor e Deus de todo o Kemet! Eu sou o próprio nascer e o por do sol! Reconheçam-me perante ti! Reconheçam-me como o Deus Sol que guiará Kemet a um futuro de glória e poder, como o Sol flamejante que se eleva na abobora celeste!

O seu tom de autoridade, superioridade divina e de poder implícito em sua voz e postura, juntamente com os seus atos e discurso, inflama o coração dos egípcios e consequentemente, a adoração por Atemu que era ovacionado entusiasmante, até que ele faz um gesto imperativo, erguendo o braço, fazendo todos os egípcios se prostrarem em direção a ele, aproximando as suas testas do chão e enquanto subjugava o povo em um frenesi de adoração, Yuugi se afastava dali, seguido de Kisara.

Mana tentou segui-los, mas foi detida pelo seu sensei, Mahaado, quando o mesmo a segurou no braço, fazendo um movimento de negação com a cabeça, sendo evidente o pesar em seus orbes ao olhar para os jovens e a dragoa, com a jovem de pele ocre profundo colocando o punho esquerdo em seu tórax, enquanto exibia tristeza em seus orbes lacrimosos e ao perceber que ela não iria até eles, o shinkan solta o seu braço.

A prateada e o jovem de orbes ametistas continuam correndo até a sua amiga caída e a abraçam no pescoço felpudo, enquanto observavam todos os ferimentos e queimaduras. O adolescente a afaga e murmura com a cabeça apoiada em sua pelagem:

- Me perdoe... me perdoe, por favor.

Ele torna a repetir o pedido de perdão, sendo que a jovem buscava afagá-la, se lastimando pelos ferimentos, sendo que ambos se encontravam com um pouco de vida em seus olhos, indicando que não estavam mais totalmente quebrados, sendo que a diferença era bem significativa.

Atemu se aproxima da dragoa caída que respirava com dificuldade, vendo Yuugi abraçado com ela e Kisara ao lado da mesma, que parecia não dar sinais de despertar tão cedo, algo que o soberano já esperava, pois mesmo demasiadamente ferida e com graves queimaduras, havia se levantado, resistindo a dois ataques flamejantes diretos, o obrigando a golpear a cabeça dela violentamente.

Afinal, Atemu teve receio que ela lutaria até a morte, se ele não a fizesse ficar inconsciente.

Mesmo se lastimando internamente pela sua decisão e atos que haviam sido necessários por causa da sua coroa, status e responsabilidades, pois não gostava de ferir um ser que se levantou contra ele, apenas por amor aos seus amigos, ele conseguiu manter a sua máscara de Faraó, sendo esta a mesma máscara que o seu pai o ensinou a manter, com o monarca falando em tom autoritário, sem olhar para a sua shinkan Isis:

- Invoque Hourii Erufu (Mystical Elf).

- Sim, Per'a'ah.

Ela se concentra e começa a murmurar um cântico de palavras indecifráveis, enquanto surgia uma placa de pedra atrás dela, sendo que ao término das suas palavras, surge o contorno da Ka, com a sacerdotisa exclamando:

- Hourii Erufu, apareça!

O monstro sai da placa de pedra ao tomar a sua forma original, para depois, concentrar os seus poderes e ao se aproximar de Yukiko, começar a curar os seus ferimentos.

Porém, Isis percebeu que eram demasiados ferimentos e que estavam acima da capacidade de cura total de sua Ka ao sentir que os poderes mágicos da Hourii Erufu estavam se esgotando em um ritmo intenso e que em breve, ela teria que retornar a placa de pedra para poder se recuperar.

Então, ela fala em um tom respeitoso, enquanto se dirigia ao seu soberano:

- Os danos foram muito massivos, meu Faraó. Hourii Erufu vai curar os mais perigosos. Os menores e alguns internos terão que ser curados por outro método. Somente poderei invocar Hourii Erufu novamente, amanhã.

- Ela conseguirá se levantar?

- Sim.

Nisso, Yukiko abre os olhos e sente as lágrimas de seu amigo que chorava próximo do seu pescoço, com a cabeça afundada em sua pelagem, sendo o mesmo para Kisara ao vê-la pelo seu outro olho.

Concentrando os seus poderes restantes, ela toca a mente de ambos, sendo que no caso da prateada, isso ocorria através da sua pulseira, com a dragoa se focando na parte da mente deles que havia conseguido preservar, visando confortá-los ao mesmo tempo em que os abraçava delicadamente com as suas patas dianteiras, ignorando as dores que sentia e que haviam sido reduzidas drasticamente.

Ao olhar para cima, avista o Ka e percebe que a curava, fazendo-a arquear o cenho.

Conforme sentia a cura em seu corpo, a albina decide pensar no futuro e no fato de serem escravos, decidindo que iria dividir a atenção de sua mente para encontrar uma solução para a situação deles, pois era inevitável o fato de que eles estavam presos aos egípcios.

Portanto, uma parte da sua mente seria responsável por pensar nos próximos passos, considerando a situação atual deles e a outra se dedicaria a confortá-los.

Era outra habilidade que ela aprendeu recentemente e que achava bem útil quando precisava ter atenção em mais de um assunto ou para mais de uma pessoa ou ser, sendo algo semelhante ao que os peixes e outros seres marinhos faziam ao colocar uma parte do cérebro para dormir, enquanto que a outra parte controlava o nado deles para que não afundassem.

A outra metade da mente dela se dedicaria a confortar as seus amigos que choravam, sendo que começa a afaga-los gentilmente e no caso de Yuugi era de forma maternal, sendo que ela fala em um sussurro amável:

- Está tudo bem. Não precisam chorar. Eu sou um dragão. Portanto, consigo lidar com danos e dor.

O jovem de cabelos tricolores fala cada palavra imersa na mais pura tristeza, afundando o seu rosto ainda mais na pelagem dela, visando sufocar os seus soluços, enquanto Atemu controlava a dor maciça e intensa em seu coração ao ver o seu amado naquele estado e que ele havia provocado isso em decorrência do seu status e obrigações oriundas do peso da sua coroa e manto:

- Não está nada bem! Você foi ferida por minha causa! Por causa da minha tendência de acabar sendo capturado por eu ser demasiadamente exótico, você está sentindo muita dor e sofreu graves ferimentos. É tudo minha culpa!