Comemoração Arruinada
TK P.d.v.
Mas que droga está acontecendo comigo?! Por quê?! Por que não consigo mais olhar pra Kari sem me sentir mal?! Eu achei que esse sentimento ia parar quando comecei a ficar com a Mirato, mas ele só piorou! Desde que cheguei aqui, o jeito que me sinto quando olho pra ela... Está ficando insuportável!
Tenho certeza que o Ken deve estar me dizendo algo importante, mesmo assim, não tenho como perguntar algo pra ele; ele mal consegue falar com a Yolei sem gaguejar! Como posso dizer pra ele que estou gostando da minha melhor amiga, que, aliás, está namorando o melhor amigo dele? E que tipo de conselho que ele me daria? "Vá falar com ela"? Como se já não tivesse tentado, mas, na hora, é tão mais difícil!
Agora que percebi... Ela tá indo embora! Por quê?! Ela tá chorando... Por que ela tá chorando?
Droga, será que ela tá chateada comigo?! Não aguento ver ela chorando... Certo, está na hora de colocar as cartas na mesa! Já chega de dor por causa da minha covardia! Finalmente ela tá sem o Davis por perto e eu, sem a Mirato. Vou apostar tudo!
-Ah, Ken, acabei de lembrar que tinha que fazer uma coisa lá no quarto. Vou lá e já volto...
-Ok, TK...
Tenho certeza que ele não acreditou em mim, mas não tenho tempo! Tenho que conseguir falar com ela antes de ela subir no elevador!
Normal P.d.v.
TK sai do salão de festas sem se despedir de ninguém, salvo Ken. Quando tem certeza que ninguém mais o enxergava, ele corre o mais rápido que pode pelos corredores do hotel, tentando chegar o quanto antes nos elevadores.
Ele chega a tempo de ver a porta do elevador fechando na frente da digiescolhida da Luz. Amaldiçoando sua própria sorte, aperta o botão de todos os elevadores. Quando um chega, alguns minutos depois, ele pula para dentro e aperta o botão para o 6º andar.
Chegando no andar, ele vai direto para o quarto de Kari e Tai. Encarando o número 606, acontece de novo: ele sente o coração acelerar, o corpo inteiro começa a tremer e suor começa a escorrer por todo seu corpo. Paralisado, incapaz de se mover um centímetro sequer, ele permanece parado olhando para o número do quarto, sem coragem de bater na porta.
Suando frio, ele estende a mão para a porta e se prepara para chamá-la, mas seu braço abaixa alguns segundos depois.
"Realmente... Eu sou um covarde... Mas... Eu... Eu não posso fazer isso! Se eu fizer isso, posso estragar não só a minha amizade com ela, mas com o Davis e o Tai... Sem dizer, eu já assumi um compromisso com a Mirato, como eu poderia explicar isso pra quem quer que fosse? Eu... Não posso fazer isso... Tenho que reconhecer a perda...".
Uma lágrima se forma no rosto de TK, entretanto ela não chega a cair. O som da tranca se abrindo assusta o loiro, fazendo com que ele se livrasse dela o mais rápido possível. Kari se assusta ao ver o amigo parado na sua porta, e alguns segundos depois o susto se torna em constrangimento.
-TK... O que você está fazendo aqui?
-Vim aqui te ver, Kari... Preciso co-conversar - "Droga, agora não é hora de gaguejar" - Preciso conversar com você.
-Bom... Entra...
TK entra e fecha a porta atrás de si, trancando-a logo depois.
-Bom...Quer alguma coisa? - pergunta Kari, evitando ao máximo algum contato visual com TK. "Que estranho... Nunca me senti desconfortável com ele, por que as coisas estão tão diferentes agora?!".
-Pode ser.
-Certo, vou pedir agora!
Aliviada por poder evitar contato visual, Kari pega o telefone e pede à recepcionista uma garrafa de refrigerante, agradecendo por cada segundo da conversa pra poder fazer com que seus pensamentos se arranjem em algo coerente.
-*Qual o quarto, senhorita*?
-*606, por favor*.
-*Certo, estarei levando em alguns minutos, senhorita... *- a recepcionista rapidamente checa a lista de hóspedes antes de completar a frase - Kamiya.
...
Na festa, Matt e Sora estavam se beijando numa mesa relativamente escondida. Eles se separam rapidamente antes de Matt propor:
-Sora... Que você acha de subir?
-Achei que você nunca ia sugerir... - ela responde, já inebriada pelos lábios do loiro.
Envolvendo a cintura da namorada, Matt anda rapidamente até o elevador e vai até seu quarto. Assim que chega lá, Sora se joga na cama, mas Matt vai até o telefone e liga para a recepcionista:
-Oi, eu gostaria de pedir uma garrafa de vinho.
-*Qual o quarto*?
-909.
-*Certo, senhor... Ishida. Levarei em breve*.
-Por favor, traga rápido!
Matt desliga o telefone e rapidamente se vira para Sora, beijando-a ardentemente, ansioso para que a garrafa chegasse.
...
A recepcionista chama um funcionário e lhe dá duas garrafas negras com um bocal vermelho, ambas com o logo do hotel.
-*Esta garrafa está com refrigerante, e deve ser enviada para o quarto 606. Esta outra está com vinho, foi o quarto 909 que pediu. Vou anotar para que você não esqueça* - o recepcionista coloca papéis com os números dos quartos sob as garrafas - *E leve-as rápido*.
Enquanto avançava com certa velocidade pelos corredores do hotel, o funcionário bate com o carrinho numa parede, derrubando os papéis. Rapidamente pegando-os do chão, ele os coloca no lugar e continua seu caminho.
Ao chegar no quarto 606, o funcionário aperta a campainha e se vira para o carrinho, pronto para pegar as garrafas. No entanto, algo estranho acontece: tanto a garrafa de refrigerante quanto a de vinho estavam com um papel escrito 606 embaixo de si. Ele imediatamente percebe o erro: quando os papéis caíram, eles devem ter virado e 909 virou 606, impedindo que ele identificasse qual era das garrafas devia ir pra qual quarto.
A porta começa a se abrir e ele rapidamente pega a garrafa da esquerda, a entrega para o loiro que estava no quarto e vai embora. No meio do caminho, ele resmunga:
-*Seja o que Deus quiser*...
...
TK pega a garrafa e a serve em dois copos, um para ele e uma para Kari.
Cada um bebe um pouco e Kari é a primeira a comentar:
-Nossa, esse refrigerante tá com um gosto diferente, não acha?
-Verdade... - TK percebe que discutir sobre o gosto do refrigerante não era exatamente seu objetivo para estar lá e responde despreocupadamente - Ah, deve ser alguma marca americana.
-Tem razão. Saúde! - Kari propõe um brinde.
-Saúde! A um feriado inesquecível!
...
-Fufufu... Então aqui estou de novo... Como sinto falta de você, Digimundo! - fala uma voz obscura nas trevas.
Utilizando um manto negro, uma sombra observava o Digimundo acima de um desfiladeiro em ruínas, com uma ampla vista da escura planície abaixo. Ódio, desejo e malícia se unia numa amálgama de sentimentos, moldando-se e transformando-se numa única frase. Uma única frase que havia anos que desejava pronunciar.
-Está na hora de começar...
A presença distorcida desparece. Em poucos segundo, o próprio desfiladeiro começa a rachar e se abrir. Uma avalanche de entulho e cascalhos deslizava pela encosta pedregosa e íngreme, destruindo a paisagem e perturbando o silêncio do local isolado.
No meio do entulho, uma grande rocha se revela. Ela era esférica e envolta dela havia um anel dourado, com escritos no alfabeto digimon. Esse anel começa a rachar.
A Pedra Sagrada, realocada para um local oculto após os ataques de BlackWarGreymon, havia sido descoberta pela misteriosa entidade.
Em alguns instantes, junto com as outras Pedras Sagradas ao redor do Digimundo, ela começa a rachar. Sua estrutura se desestabiliza e ela começa a ruir.
Simultaneamente, todas as Pedras Sagradas se desfazem, diminuindo a Luz no Digimundo.
Continua...
