Luz e Esperança
"Isso é um Grande Erro...".
Esse foi o último pensamento racional que TK se permitira. Antes que percebesse, ele estava com Kari na cama, beijando-a, puxando-a para si, deslizando seu corpo no dela. Sem permitir que nada o impedisse, ele coloca as mãos por dentro vestido de Kari e a puxa ainda mais para si, cada toque contra a pele dela fazia percorrer eletricidade por seu corpo, instigando-o cada vez a se entregar à loucura.
Kari aproveita a iniciativa dele e coloca os braços por dentro do vestido, se preparando para retirá-lo. Entretanto, ao ver isso, TK para o que fazia e segura as mãos dela. Lutando contra a falta de ar para falar, ele a alerta:
-Depois daqui... Não tem mais volta...
-Eu sei...
A voz de Kari, fraca pelos inúmeros estímulos que seu corpo recebia, tanto internos quanto externos, foi a última coisa que ele precisava ouvir. Ele solta as mãos dela e começa a morder seu pescoço, descendo pelo ombro, afastando a alça de seu vestido no processo.
Cada vez mais embriagada pelas sensações, Kari remove desajeitadamente seu vestindo, quase rasgando a outra alça. No final, TK é obrigado a se afastar dela para que ela terminasse de removê-lo.
A visão que atingiu o loiro o paralisou momentaneamente: mesmo que um pouco pequenos, a forma como os seios de Kari pontuavam seu sutiã arrebata o jovem. Isso dá a oportunidade perfeita para que ela erguesse seu corpo e retirasse a camiseta dele, mantendo-a sobre os olhos dele e o vendando temporariamente. O envolvendo com os braços, a jovem o beija enquanto suas mãos começam a arranhar de leve as costas do loiro.
Cedendo o controle para ela, TK contorna o corpo dela e se deita contra a cama, retirando o que sobrara da camiseta no processo. Kari se coloca sobre a cintura dele e posiciona suas pernas ao redor, se inclinando para continuar beijando o rapaz.
Sem aviso, os braços de TK envolvem o corpo dela e vão em direção a seu sutiã; todavia, ele acaba descobrindo que tinha muito pouca habilidade para aquilo, seus dedos lutando impotentemente contra o fecho. Kari interrompe um pouco os beijos para dar uma leve risada dele, o que deixou o rapaz ainda mais determinado.
-Como vocês, garotas, conseguem usar isso?! - pergunta TK, frustrado enquanto seus dedos chegaram até doer um pouco pela força que ele fazia para soltá-lo.
-Sem pressa... Temos o tempo do Tai aparecer aqui e te matar...
Não se passou um segundo do comentário de Kari e ele completou a tarefa. Alegre, ela pensa "Só precisa do incentivo certo...".
TK retira lentamente o sutiã dela e começa a massagear os seios de Kari, deixando-a mais excitada. Ela coloca as mãos por trás da cabeça dele e o trás para si. Entendendo o que ela queria, ele começa a beijar o espaço entre os seios dela, mordendo de leve, e depois desliza para o esquerdo, chegando finalmente ao mamilo.
Cada vez mais incentivado pelos gemidos que ela já não mais fazia questão de esconder, ele continua a usar sua língua para brincar com eles por mais alguns segundos antes de ela o puxar pelo cabelo para cima novamente e o beijar com intensidade.
Ele desliza as mãos para as costas dela novamente e percorre seu corpo até colocar suas mãos sobre a cintura dela, e ela percebe um pouco de hesitação da parte dele. Sem quebrar o beijo, ela coloca suas mãos sobre as dele e a conduzem pelo resto do caminho abaixo.
Se permitindo um pouco mais de liberdade, TK faz com que seus dedos se enrolem nas laterais da calcinha de Kari, e lentamente ele a faz deslizar pelas pernas da garota. Percebendo que o momento estava chegando, foi a vez dela de enrolar seus dedos por entre a cueca do rapaz e retirá-la.
Houve mais um momento de hesitação entre os dois. Mesmo que nenhum pretendesse voltar atrás agora, eles ficaram se olhando, admirando os corpos um do outro. Não era exatamente vergonha, era como se eles explorassem cada detalhe que eram capazes, ou um possível lapso de consciência, ou a estranha sensação de finalmente ter algo que há muito desejavam sem saber e agora não saber mais o que fazer agora que conseguira.
Após alguns segundos, TK decide que o mais natural seria beijá-la novamente. Conforme a hesitação novamente desaparecia, ele a desliza em direção à cama e se coloca entre suas pernas.
Com um único movimento, ela a penetra, adentrando-se inteiro no corpo dela. E imediatamente ela solta um pequeno grito de dor, perdendo a voz momentaneamente enquanto seus olhos tremiam um pouco. TK prontamente se xinga mentalmente: em sua euforia, ele esquecera da possibilidade de que Kari fosse virgem, rompendo sua virgindade de forma bem dolorida e bem menos gentil do que o necessário.
-Kari! Você está bem?!
-Estou... Só me dá... Uns segundos pra eu me recuperar...
-Mil perdões, eu deveria...
-Não, tudo bem... Eu também esqueci de falar...
Fazendo com que a culpa que sentia aumentasse ainda mais, ele sente um pequeno filete quente descer por suas pernas.
Demorou quase um minuto, mas Kari retoma um pouco o ritmo de sua respiração e faz um sinal silencioso com a cabeça. Ainda um pouco inseguro, mas confiando nela, TK começa a se mover bem lentamente sua cintura para frente e para trás.
Não demora mais do que dez segundos para que ambos deixassem a preocupação e a cautela para trás; TK a penetrava com cada vez mais força e vontade, fazendo com que seus gemidos e os de Kari se misturassem em uma cacofonia que domina o quarto, suas mentes perdendo todo o controle sobre seus corpos e emoções.
A experiência, entretanto, não dura tanto. Demorou um pouco mais de três minutos, mas logo as vozes de Kari e TK se juntam em uníssono com o clímax de ambos:
-EU TE AMO!
TK ejacula no interior de Kari e cai sobre ela, encostando sua cabeça sobre os seios dela, ambos muito suados. Ao perceber seu descuido, ele fala ainda muito ofegante:
-Droga, desculpa, Kari...
-Não, tudo bem... - ela fala, um pouco ofegante, seu corpo reagindo violentamente a cada sensação - Afinal, nenhum de nós pensava que a noite ia acabar assim...
TK se retira dela, mas continua na posição em que estava, não vendo motivo para o contrário. Eles ficam descansando por alguns segundos em absoluto silêncio, quando TK decide provocar Kari:
-Então... O Davis não teve coragem? Concordo plenamente... Você acabou comigo...
-Quer dizer que você nunca fez isso? - retruca Kari, levando a pergunta na brincadeira, mesmo que um pouco de surpresa pela mesma - Conhecendo a Mirato... Achei que vocês já...
-Não, não - TK faz questão de dar ênfase ao "não" - Não faria isso com ela... Não gosto dela pra fazer isso...
Kari escorrega para o lado de TK, o olhando nos olhos enquanto passava a mão pelo tórax do rapaz.
-Estranho... Por que fez comigo então?
-Não é óbvio ainda?
-Não, você não me disse nada... - Kari se vira para TK, fazendo com que seu rosto ficasse próximo ao dele.
-É porque eu te amo - TK dá um beijo na cabeça de Kari - E você, me ama?
-Não! - Kari fala, com sarcasmo, se virando de costas pra TK e falando com voz infantil - Você perdeu esse direito quando começou a namorar a Mirato... - a jovem se vira novamente para TK e segura a mão direita dele e aponta o dedo com o anel - Esse anel no seu dedo não devia ser dela!
-Me desculpa... Eu sei que não devia ter feito isso... Mas você não devia usar esse anel!
TK pega o anel do dedo de Kari e o tira, a confundindo.
-TK? O que está fazendo?
-Esse anel no seu dedo. Não devia ser do Davis! Devia ser meu!
Kari entende e retira também o anel que estava na mão de TK.
-Você tem razão... Nossos dedos deviam ter nossos anéis e os de ninguém mais!
TK beija Kari e rola para cima dela, tomando distância do rosto dela enquanto se apoiava nos braços, evitando colocar seu peso sobre o corpo dela.
-Você é tão bonita...
-Você também é bonito, TK... - esse elogio, entretanto, não faz TK ficar feliz, deixando-o com um semblante triste - O que foi? Fiz algo de errado?
-Sim... Você ainda não me respondeu... Você me ama?
-Sim, TK... Para todo e todo o sempre... Não importa o que aconteça, esse sentimento nunca vai mudar!
Os dois se beijam novamente, um beijo tão doce e tão apaixonado quanto o primeiro.
-Então... Quer mais uma vez? - pergunta TK, meio se jeito de perguntar aquilo de forma tão descarada.
-Acho melhor não... Melhor você voltar pra festa. O pessoal deve estar preocupado...
TK sabia bem que o pessoal deveria estar sentindo sua falta, mas ainda assim, não queria ter que deixar aquele quarto nunca, querendo para sempre viver aquele momento. Ao olhar novamente para Kari, no entanto, percebe o quão cansada a garota estava. Ele lentamente se veste, ajudando Kari a repor o vestido. A última coisa que ambos queriam era que Tai encontrasse a irmã de qualquer forma que não fosse a que ele a tivesse deixado, o medo de ele aparecer a qualquer momento reaparecendo e fazendo com que ambos não quisessem sequer pensar naquela possiblidade e suas consequências.
TK vai até a porta quando Kari o segura por trás e o beija lentamente mais uma vez, falando:
-Nunca vou me esquecer desse momento maravilhoso...
-Nem eu, Kari, nem eu...
TK abre a porta lentamente, se certificando de que ninguém o veria saindo. Ele começa a andar desajeitadamente pelo corredor, sem controle sobre suas pernas. Cambaleante, ele chega até o elevador. Invés de voltar para a festa, no entanto, ele vai para seu quarto, estando totalmente exaurido de forças.
Ao chegar em seu quarto, abre a porta e se joga sobre a cama, adormecendo instantes depois. Kari também dorme rapidamente.
...
No dia seguinte, TK acorda sentindo uma grande dor de cabeça. Ele vê Ken acordado, olhando para ele, curioso. Estranhando a atitude do garoto, ele pergunta com a voz bem baixa:
-Ken? Que foi?
-Hey, TK, onde você foi ontem?
-Hum? Como assim? - TK estava muito sonolento, sem conseguir processar nenhum pensamente e passando a mão em sua cabeça, rezando para que seu cérebro não explodisse de tanta enxaqueca.
-Bom, ontem você disse que tinha esquecido de algo, e depois não voltou pra festa. Aconteceu alguma coisa, cara?
-Ontem? Deixa eu pensar... - TK força sua cabeça a funcionar. Alguns segundos depois, como uma bola de demolição, a verdade lhe atinge o estômago e a cabeça de tal forma que desespero não resumiria bem o que sentiu. Se lembrando de que não podia perder a postura, pois não podia permitir que Ken desconfiasse de algo, ele sorri forçosamente, talvez o sorriso mais forçado de sua vida - Ah, acho que eu acabei apagando sem querer! Hehe, que mancada!
-É... - Ken reflete sobre o quão péssimo mentiroso TK era e como pateticamente tentava esconder seu nervosismo, mas achar melhor não questionar - Bom, eu vou descer pro café da manhã, você vem comigo ou vai esperar um pouco?
-Ah, já vou indo, pode ir na frente...
-Certo, então estou indo.
Ken deixa o quarto, porém TK fica espiando pela porta, esperando que ele entrasse no elevador. Certo de que ninguém estava perto, ele fecha a porta, se joga sobre o centro do quarto e grita a plenos pulmões:
-MAS QUE DIABOS ACONTECEU?! COMO EU FIZ AQUILO?!
Depois de finalmente soltar aquilo que estava travado em seus pulmões, ele desaba no chão, ficando de quatro; o desespero em sua cabeça se somando à culpa e ao arrependimento.
De repente, algo mais se soma. Ele corre até o banheiro, por pouco conseguindo chegar até a privada e vomitar. Depois de alguns segundos para se recuperar, ele se levanta e vai até o quarto, sentando na cama e segurando sua cabeça, que doía demais para que ele pensasse em algo efetivo. Uma batida na porta interrompe seu descanso e ele responde:
-Já estou indo, Ken!
-Sou eu...
-Kari?!
Depois de alguns momentos, diferentemente da noite anterior, os dois agora estavam sentados um de costas para o outro, incapazes de se olharem.
-Nós... - Kari não é capaz de terminar a frase, tamanho era seu arrependimento.
-Sim, Kari, nós fizemos... - algumas lágrimas começam a cair do rosto de Kari - Você contou para o Tai?
-Não, assim que acordei eu vim aqui - Kari enterra seu rosto nas suas mãos, as lágrimas escorrendo por entre os dedos - Droga, a culpa é minha! Se eu não tivesse te segurado... Eu tive a chance de impedir aquilo, mas não parei...
-Kari, a culpa não foi sua. Com certeza devem ter mandado algo errado para o seu quarto, porque eu acordei hoje sentindo uma dor horrível. Se nos mandaram alguma coisa com álcool, tudo se explica. Por favor, se acalme...
TK se vira e coloca sua mão no ombro de Kari por trás durante alguns instantes, mas depois a solta, percebendo que talvez já a tivesse toca mais que o suficiente para aquela viagem.
-O que vamos fazer quando tomo mundo descobrir? O Davis, a Mirato, o Tai, nossos pais... - repentinamente, o desespero de Kari se agrava ainda mais - Nossos pais! O que eles vão fazer com a gente quando souberem que a gente...
-Kari - TK não aguenta mais ver Kari sofrer tanto, tentando transmitir o máximo de tranquilidade que conseguia reunir - Nós devemos manter isso entre nós. Ninguém mais pode ficar sabendo do que aconteceu! Vamos tentar evitar mostrar que tem algo errado, e, com sorte, nunca mais teremos que tocar no assunto.
-Como você pode tratar desse assunto assim, tão calmo?! - pergunta Kari, encarando TK, indignada por ele não estar mostrando o mesmo desespero que ela - Será que não consegue ver a gravidade do que fizemos?!
-VOCÊ ACHA QUE TÁ SENDO FÁCIL PRA MIM TAMBÉM?! ACEITAR QUE FIZ SEXO COM MINHA MELHOR AMIGA, QUE SEMPRE ESTAVA DO MEU LADO?! A IRMÃ DAQUELE QUE SEMPRE CONFIOU EM MIM?! - TK se levanta, finalmente perdendo a compostura calma que estava mantendo até o momento, chegando a assustar Kari com sua explosão - EU ME SINTO HORRÍVEL POR ISSO! ESTOU AINDA PIOR QUE VOCÊ, TRAÍ MINHA NAMORADA, FIZ VOCÊ TRAIR O SEU, E TUDO ISSO NÃO TERIA ACONTECIDO SE EU NÃO TIVESSE AGIDO QUE NEM UM CRETINO! - TK respira fundo antes de desabar na cama, abaixando a cabeça e encarando o chão - Não sei como vou poder encarar a Mirato ou o Davis sem sentir uma culpa enorme, ou mesmo você, sem sentir nojo de mim mesmo... Isso pode acabar destruindo pra sempre nossa amizade, e isso é o que eu tenho mais medo! Você sempre foi minha melhor amiga e companheira para todas as horas... Eu... Só estou tentando lidar com isso do melhor jeito possível, sabe?
-TK... Me... Me desculpa - Kari também abaixa a cabeça - Eu... Isso tudo... É tão confuso... Não estou conseguindo pensar direito... Eu vi você calmo e aí... Me desculpa, de verdade. Também valorizo nossa amizade demais! Não vamos deixar ela acabar, não vamos mais conversar sobre isso - fala a garota, se virando para o loiro e forçando um sorriso, colocando uma mão em seu ombro.
-Certo... Você acha melhor reclamar do hotel?
-Não, se nós comentarmos algo, os outros vão começar a perguntar e alguém pode perceber que algo está errado. Mas, TK... - agora Kari fica um pouco vermelha, mas sabia que era necessário perguntar - O que você disse ontem... Sabe, depois que nós fizemos... Bem, você realmente pensava nisso?
TK engole em seco, pego totalmente desprevenido pela pergunta. Ficando nervoso por não saber o que responder, ele agradece quando a conversa é interrompida por alguém batendo na porta. Kari ia responder, mas TK tampa sua boca e sussurra para ela:
-Ninguém pode saber que você está aqui... Fique quieta... - TK se vira para a porta, não percebendo quão vermelha Kari fica ao sentir a mão do rapaz lhe tocar novamente - QUEM É?!
-SOU EU! - grita Tai, do lado de fora - A KARI SUMIU, VOCÊ VIU ELA POR AÍ?!
-NÃO! - TK sabia que mentir para Tai era uma má ideia, mas ele não podia permitir que nada parecesse estranho - POR QUÊ?
-É que ela saiu do quarto correndo e sumiu! Se você ver ela, fala que ela vai acabar perdendo o café da manhã!
-Pode deixar!
Ao ouvirem Tai se afastando, TK e Kari suspiram de alívio, permitindo que o primeiro se faça de esquecido e diga:
-Vamos indo, senão o Tai vai notificar a polícia do seu sequestro...
-Certo...
TK solta um suspiro mental ao perceber que Kari não insistira na pergunta. Entretanto, ele estava certo de algo: essa pergunta voltaria, e algo dentre dele lhe informava que seria obrigado a respondê-la quando viesse.
Continua...
