O Retorno ao Japão!
Durante o café da manhã, os digiescolhidos estavam juntos ao redor de uma grande mesa circular. Mesmo que tentassem disfarçar, todos eram capazes de perceber que havia algo de estranho entre Kari e TK, a forma como eles sentaram conscientemente distantes um do outro, sem se olhar e sem conversar quase que todo o tempo. Yolei, muito curiosa a respeito, cutuca Ken de leve e lhe suspira no ouvido:
-Hey, Ken, você não acha que tem algo estranho entre nós? - Ken engasga com um pedaço de pão ao ouvir a pergunta, ficando muito vermelho. Ele bebe um copo de água e fala, muito vermelho:
-O-O que você que-quer dizer com isso?
-Quero dizer, olha o TK e a Kari, eles estão muito estranhos! Antes eu diria que eles estavam morrendo, mas agora, parecem que estão mortos e enterrados.
-Bem, agora que você falou, é verdade... Isso me lembra, o TK não me disse o que aconteceu ontem.
-Hum? - os olhos de Yolei brilham, percebendo que uma pista podia estar próxima - Como assim?
-É que, quando eu tava falando ontem com ele, parecia que ele não estava me ouvindo. Depois eu vi a Kari saindo do salão e, segundos depois, ele saiu também, depois não vi mais ele até hoje de manhã.
-O QUÊ ?! - grita Yolei, rubra de raiva, derrubando a cadeira e começa a estrangular Ken pelo colarinho, chacoalhando sua cabeça - POR QUE VOCÊ NÃO ME CONTOU ISSO ANTES?! QUAL O SEU PROBLEMA?!
-Yo... Lei... Me... Lar... Ga... - Ken tenta responder enquanto seu pescoço era cada vez mais comprimido, ficando cada vez mais sem ar.
-Hey... Yolei... - Cody chama a atenção de Yolei discretamente.
-QUE FOI?! - a garota se vira, sem soltar o pescoço de Ken.
-Você tá chamando a atenção de todo mundo...
Yolei então nota que todo o refeitório havia parado para observar sua tentativa de assassinato contra Ken, curiosos para saber o que acontecia. Ela fica vermelha de vergonha e solta Ken, que cai no chão roxo de falta de ar. Ela se senta emburrada e extremamente irritada. Sora, para tentar acalmar a situação, pergunta:
-O que ele tinha que ter contado pra você?
-Ah, não era nada não... – Yolei percebe que todo o resto do refeitório ainda estava olhando para ela e grita novamente – QUE FOI?! NUNCA VIRAM UMA GAROTA ESTRANGULANDO ALGUÉM?!
Todos os curiosos se voltam para suas próprias mesas, com um pouco de medo da garota.
-Na verdade, acho que não... - fala Mimi, sorrindo.
Ken se levanta do chão e se senta bem cautelosamente ao lado de Yolei, sentindo os olhos da garota lhe fuzilando intensamente. Pelo resto do café, ele sentia que cada garfada furiosa de Yolei contra a comida era direcionada a ele.
...
Algumas horas depois do incidente no refeitório, parte do grupo fora para a cidade, deixando apenas TK, Sora, Matt e Tai no hotel. Estes desceram até a piscina, para conhecê-la.
TK ainda refletia sobre o ocorrido da noite passada, tentando pensar no que pudera ter causado tal desastre. Ao ver Sora e Matt se beijando em duas cadeiras, toma uma decisão: "Eu tenho que contar pra ele...".
TK anda até Matt e sussurra para ele:
-Matt, posso falar com você um pouco?
-Não pode ser mais tarde, meu querido TK? - apesar de sorrir, a intenção assassina de Matt por ter seu momento interrompido era bem clara.
-É importante...
-Então tá - Matt fala, um pouco irritado pelo seu clima com Sora ter sido interrompido - Me desculpa, Sora, posso falar a sós com meu irmão?
-Claro, vou lá perguntar pro Tai se pelo menos algum dos novos amigos deles quer fazer algo comigo...- ao ver que sua tentativa de provocar Matt havia tido êxito, ela sorri e dá um selinho no namorado, se despedindo - Só estou brincando, até mais.
TK se senta no lugar de Sora e olha para o irmão, curioso pela situação.
-O que foi? Parece que aconteceu alguma coisa...
-Bem, é que ontem, depois da festa, eu e a Sora pedimos um pouco de vinho pro serviço de quarto e eles nos mandaram refrigerante, então a noite não foi tão boa assim... - de repente, Matt percebe que estava dividindo detalhes de sua vida sexual para seu irmão caçula, que fica tão perplexo quanto ele.
-Pera, Matt... Você e a Sora já transaram? - Matt fica ainda mais vermelho pela pergunta nada sutil de TK, tentando achar uma forma de escapar da vergonha.
-Bom... Eh... Tá, eu e ela já transamos, faz um tempo. Fica quieto que eu não espalho alguns segredinhos de quando você era criança pra todo mundo... - fala Matt, tentando chantagear TK, porém o loiro estava com seus pensamentos direcionados para outro assunto.
-Então se o refrigerante foi para o seu quarto... - TK começa a pensar alto, deixando seu irmão confuso.
-O que foi? Rolou alguma coisa?
TK imediatamente se interrompe e responde:
-Não, não aconteceu nada... - entretanto, TK continua a refletir sobre o assunto, percebendo que mais uma peça do quebra-cabeça havia se encaixado.
-Então... O que você queria falar comigo? - pergunta Matt, estranhando o comportamento do irmão.
-Ah, nada, deixa, não era tão importante assim. Obrigado, vou lá chamar a Sora pra voltar.
TK se levanta quase que correndo, deixando o digiescolhido da Amizade ainda mais confuso.
...
Os próximos quatro dias da viagem, inicialmente voltada para diversão, se tornam torturantes para TK e Kari. Em uma verdadeira competição para se manterem o mais afastado possível, eles combatiam da melhor forma possível seu constrangimento.
Entretanto, o destino é um ser muito caprichoso, e ele julgou de bom grado colocar juntos na viagem de volta para o Japão TK e Tai. Poucos momentos depois de alçar voo, Tai decide conversar com o loiro:
-Certo, TK, tá na hora de parar de fingimento. Que diabos aconteceu entre você e a Kari?! - a pergunta do digiescolhido da Coragem pega TK de surpresa, que sente seu coração parar com aquela pergunta repentina.
-O... O que você quer dizer, Tai?
-Vocês sempre foram melhores amigos desde Hikarigaoka, mas nessa viagem inteira, vocês se evitaram como se estivessem com medo de pegar alguma peste. Quero saber se está tudo bem com minha irmã, e se um dos dois fez algo pra machucar o outro...
O loiro se encontra em um verdadeiro dilema: ele odiaria mentir para Tai, um de seus melhores amigos, além de ser péssimo em mentir; entretanto, se contasse a verdade, seus restos mortais teriam que ser retirados do avião com um esfregão.
-Não tem nada errado, Tai... - TK tem absoluta certeza que Tai não acredita, pois ele quase gagueja enquanto respondia.
-Não mesmo?
-Não...
-Certo... - Tai não estava nem um pouco convencido com aquela resposta, entretanto decide que se TK não estava pronto para contar ainda, talvez fosse melhor deixar o assunto quieto.
...
As próximas três semanas se tornam extremamente dolorosas para TK e Kari. Mesmo incapazes de sentarem um próximo ao outro, eles eram totalmente incapazes de se olhar ou mesmo trocar alguma palavra. O rapaz até tentara trocar de lugar, mas o professor não concedeu seu pedido.
-Seja qual for o problema, você e a Kari serão capazes de resolver sozinhos; vocês são muito amigos, não?
Ao passo que o relacionamento de Kari e Davis se tornara cada vez mais instável, o de TK e Mirato já não existia. Poucos dias depois de voltar para o Japão, TK terminou com a menina, sem que ninguém soubesse ao certo o porquê.
Para piorar a situação, Kari andava com sua saúde debilitava, alarmando principalmente Tai, que a toda hora perguntava se ela estava bem, chegando ao ponto de falar com o diretor do colégio para alertá-lo se algo ocorresse.
No dia em que quatro semanas desde o retorno deles se completaram, uma prova estava sendo aplicada. Devido ao seu peso na nota, toda a sala estava sob tensão, e por seu estado, a digiescolhida da Luz encontrava grande dificuldade em realiza-la. Totalmente incapaz de se concentrar na prova, seu nervosismo só aumentava dado o fato dela sentar ao lado de TK.
Repentinamente, ela sente falta de ar e desmaia, caindo sobre a prova. Sua última memória antes de afundar na escuridão por completo é ouvir TK gritando:
-CHAMEM UMA AMBULÂNCIA!
Algumas horas se passam antes que ela acorde. Despertando lentamente, ela se vê rodeada por Tai, TK, Davis, Yolei, Cody, Ken e seus pais. Ainda atordoada, ela pergunta:
-Mas o que aconteceu?
Tai imediatamente se levanta e segura sua mão, evidentemente assustado.
-Oi, como você está? Você desmaiou no meio da sala. Nós ficamos muito preocupados.
-Nossa, eu não lembro de nada... - a menina passa a mão em sua cabeça, pouco depois se sentando e usando a cabeceira da cama como encosto.
Poucos minutos depois, Joe entra no quarto, branco como um cadáver. Imediatamente ele é questionado pela Sra. Kamiya, abraçada pelo marido.
-Então, Joe, o que nossa filha tem?
Joe P.d.v.
Droga, droga, droga, como isso pôde acontecer... Como vou contar a eles isso?! Isso?! Bem que nessas horas, um daqueles residentes novatos podia entrar e falar: "Não, espera, houve um erro, ela teve apenas pressão baixa", mas eu sei que isso não é possível... Eu mesmo fiz o teste, repeti ele tantas vezes quanto possível, e o resultado era o mesmo. Por favor, Tai, não surte...
-Joe, você tá me assustando, o que eu tenho?
É, Kari, você tem muitos motivos pra sentir medo.
-O que eu vou dizer não vai ser fácil de ouvir, então é melhor você se preparar, Sra. Kamiya... - droga, todos tão olhando pra mim, isso só tá ficando pior!
-Está bem... - droga, a Sra. Kamiya tá quase chorando! Nunca pensei que ia ter que contar isso da Kari! Não adianta tentar enrolar mais...
-Bom, deve fazer umas 2 ou 3 semanas... - certo, está na hora - A Kari está grávida...
Continua...
