Notas:
1. Essa fic pode conter linguagem inadequada, pois descobri que não consigo escrever o Sirius e (ocasionalmente) o Remus sem usar alguns palavrões. Crianças, por favor, não repitam esta minha falha de caráter.

2. Vocês já haviam parado para pensar como todos os bruxos descobriram tão rápido que Voldemort se foi e que o Harry sobreviveu? Eu só comecei a pensar agora, e foi o único jeito plausível que eu achei... Espero que não pareça muito louco

3. Demorei, me desculpem por isso, está bem difícil achar tempo para escrever, mas aqui estamos nós. Espero que gostem

Capitulo 2 – Olhai os lírios dos campos

Sirius acordou apertando os olhos, havia um sol insistente entrando por algum lugar, ferindo suas córneas já doloridas. Ele não havia chorado ainda, não propriamente, sua mente vagueou a noite toda por Lily e James, ele reviu milhares de vezes o sorriso da sua amiga, sempre acompanhado por um maior, de James, ele vagueara nestas imagens até que por fim adormecera, quase já raiando o dia. Sirius pigarreou, sentia sua garganta dolorida, ele temia que não aguentasse por muito mais tempo. Ele fechou os olhos novamente, tentando se esconder do dia, como se ele não acordasse não tivesse que passar por nada daquilo. Mas isso era uma mentira.

Sirius, resignado, abriu os olhos lentamente, acostumando aos poucos com a claridade, e encontrou a sala simples de Remus, a cortina leve balançava com a brisa do início de novembro, e um sol brilhante insistia em entrar pela fresta da janela, ignorante a dor e tristeza dos atuais habitantes daquela casa. Ao olhar para baixo, onde Remus teimara em dormir, já que havia concedido o outro quarto ao corpo de Lily, não o achou. Confuso, Sirius se levantou derrubando um cobertor ralo no chão.

A casa de Remus era simples e bem arejada, estava mais para uma cabana de caça do que uma casa propriamente dita. Os móveis eram espartanos, nada mais que o essencial, e estavam velhos. Sirius tinha certeza que nunca foram alterados desde que os pais de Remus haviam falecido, anos atrás, pouco tempo depois do filho se formar em Hogwarts. Sirius esteve dormindo em um sofá puído, já havia dormido lá antes, quando o Sr e a Sra Lupin ainda estavam vivos, ou logo depois que eles faleceram quando os três amigos acamparam na casa de Remus por uma semana, até terem certeza que o amigo estava bem. Além do sofá havia uma poltrona com uma única almofada e sobre a lareira dois porta-retratos, um do casamento dos pais, a foto era trouxa, já que eles não se mexiam, mas o outro estava deitado, com a foto virada para baixo, deveria haver um retrato deles quatro e Lily, Sirius só não sabia se Remus havia derrubado a foto para não ver o sorriso de Lily, que nunca mais teriam, ou Peter, que havia os traído.

Com este pensamento, Sirius olhou para a porta ainda fechada, onde James estava dormindo com Harry. O outro quarto também estava fechado, mas Sirius não olhou para lá. Um leve som de outra porta se abrindo fez Sirius se virar em direção a cozinha. Remus estava entrando, parecia muito cansado, seus olhos estavam fundos e vermelhos. Ele também devia ter passado a noite chorando, pensou Sirius.

- Já de pé? - Remus perguntou colocando uma sacola de papel sobre a pia, um sorriso leve nos lábios - Você está horrível.

Sirius bufou e foi até a cozinha.

- Não pior que você, companheiro – Remus bufou em retorno, soando minimamente divertido – O que você tem aí?

- O básico – respondeu Remus dando de ombros – Ovos, salsichas, aveia e leite para Harry. Estava sem nada por aqui.

- Você tinha dinheiro? Posso te pagar...

- Eu tinha o suficiente – Remus devia ter visto o olhar desconfiado que Sirius achou que estava transmitindo – Sobrou do meu último emprego, não roubei estas coisas, Sirius.

- Não disse que roubou – Sirius suspirou respondendo e arregaçando a manga para ajudar Remus a preparar o café - Só estou e dizendo que vou te pagar pelo café, não tem motivo para você gastar suas últimas economias conosco.

- Eu convidei vocês - Remus retrucou.

- Eu sei – disse Sirius – Somos muito gratos por isso. Mas você também tem que deixar a gente te ajudar. Somos tudo que cada um de nós tem agora. - Sirius não disse, mas achou que ficou implícito que o fato de Remus se afastar deles, por se considerar um fardo, foi justamente um dos motivos que eles o consideraram espião. - Não quero perder mais amigos, Remus, por favor não me deixe perder mais amigos.

Remus parou o que estava fazendo e olhou para Sirius profundamente, este último evitou desviar o olhar. Algum entendimento multou passou por eles, pois a atmosfera mudou drasticamente, o assunto voltaria algum momento, mas não por agora.

- O que você está tentando fazer com estes ovos?

- Café da manhã? - Sirius respondeu confuso. Mas Remus riu e retirou os ovos da mão dele.

- Você literalmente não sabe fazer nem um ovo mexido – Remus disse com um sorriso – Você só vai desperdiça-los. Faça o chá - Remus entregou uma chaleira para ele.

- Eu sei cozinhar! – Sirius resmungou.

- Misturar o leito no chá não é o que eu chamaria de refeição, Padfoot

Sirius riu um pouco antes de encher a chaleira de água e colocar na boca do fogão, que foi acendido com um aceno da varinha. Remus fritava o bacon e os ovos e tinha um mingau de aveia em uma panela, sendo mexido por uma colher de pau que fazia seu trabalho sozinha.

- James? - Remus perguntou ainda sem olhar para Sirius.

- Não o vi ainda – Sirius suspirou enquanto ia para a mesa onde colocou xicaras e pratos – Mas logo ele terá que levantar, Harry sempre foi madrugador.

- Dumbledore deve chegar logo também - suspirou Remus. - Ele deve querer falar com James.

- Me admiro que ele não tenha vindo ontem mesmo.

Remus então foi até o saco de papel onde estavam as demais compras e retirou de lá o Profeta Diário, que estendeu para Sirius. Ele pegou meio tremulo. Havia uma foto do saguão do Ministério onde a primeira ministra sorria, cercada de vários assessores. O título da manchete cobria quase metade do jornal: "A GUERRA ACABOU", logo abaixo os dizeres "Aquele que não deve ser nomeado desaparece e gera caos no Ministério, dezenas de pessoas são liberadas da maldição Imperius e Ministra declara que isso significa o fim de uma era de mortes, estamos livres do Lorde das Trevas."

- Aparentemente toda Suprema Corte passou a noite reunida. - Remus disse resumindo a matéria - Bagnold disse que após a deliberação eles concluíram que de fato Voldemort desapareceu. Alguns especulam que ele morreu. Não só no Ministério as pessoas foram libertas da Imperius, vários outros lugares, no Profeta, St. Mungus, Gringotes, Azkaban, um caos...

Sirius que estava lendo enquanto Remus falava identificou o caos que tudo se transformara, dentre as várias pessoas confusas, libertadas de maldições Imperius ou Cofundus, haviam Comensais da Morte que apareceram loucos de dor. Muitos já comemoravam o fim evidente de Voldemort, aparentemente, o Minsitério tinha desistido de coibir as manifestações ainda nas primeiras horas da manhã, entre encobrir os festeiros e pôr ordem no ministério, eles teriam muito trabalho nas próximas semanas, Sirius tinha certeza.

- Mas alguém sabe o que aconteceu? - dsse Sirius levantando os olhos – Como ele sumiu assim?

O semblante de Remus se fechou completamente, e ele demorou um pouco a responder Sirius, enrolando no ato de apagar o fogo das panelas. E se sentando com Sirius na mesa.

- Página cinco – Remus respondeu cansado. Sirius abriu o jornal e encontrou o chalé de James estampando a página, faltava uma parte do telhado e a Marca Negra brilhava no céu. - Devem ter chegado logo depois que saímos. Foi o último lugar que Voldemort foi visto, uma criança trouxa o viu caminhando em direção a casa de James, minutos antes do início do caos no Ministério.

- Eles falaram sobre Lily? - Sirius questionou baixinho, ainda com os olhos fixos na foto.

- Não sobre a morte dela - Remus suspirou – disseram que ela, James e Harry estavam desaparecidos – Remus deu uma pausa e Sirius olhou para ele, seu semblante estava preocupado, ele estava bastante sério e olhava para Sirius como se o avaliasse - Estão chamando Harry de o "menino-que-sobreviveu", de "salvador". Ninguém realmente tem certeza que Harry esteja vivo, mas presumiram que Voldemort tentou ataca-lo, já que só o quarto dele estava destruído e um vizinho garante que ouviu choro de um bebê, logo depois da explosão. O Fidelius deve ter ido embora depois da destruição da casa.

Sirius arregalou os olhos para Remus espantado.

- Você acha que... - Sirius balbuciou – Harry é só um bebê. Ele não poderia... Nem magia acidental seria capaz.

- Eu sei – disse Remus frustrado – Mas nós vimos a cena, Sirius, Harry sobreviveu de alguma forma, não consigo pensar em nenhuma outra explicação.

Sirius procurou alguma outra hipótese, ele amava Harry de todo o coração, e assim como James, achava Harry extremamente especial, mas em coisas simples, ele era um bebê experto e corajoso, mas era só um bebê, nunca foi mais que isso. Ele não teria como acabar com Voldemort, um feito que nenhum adulto havia se quer chegado perto de fazer

Um barulho vindo do quarto de James tirou Sirius dos seus pensamentos e, aparentemente, Remus também. O choro de Harry chegou até eles, diferente do que havia acontecido ontem, este choro era irritadiço, quase reclamão. Sirius e Remus se encararam novamente e, de uma forma que Sirius se surpreendia as vezes, ele soube o que o amigo estava dizendo. Então ambos levantaram, Remus para terminar o café da manhã e Sirius em direção ao quarto.

Não estava ansioso para encarar James, mas precisava fazer isso, ele bateu na porta e abriu logo em seguida, sem esperar a resposta. Sirius encontrou um James mais descabelado do que o normal, uma cara horrível de quem quase não dormira, tentando trocar a frauda de Harry, que parecia, por sua vez, impaciente.

- Droga, Harry, você não é assim – disse James tentando segurar o filho quieto a fim de tentar colocar uma falda. Sirius achou que James estava prestes a um ataque ou de nervos ou de choro.

- Quer ajuda? - Sirius sussurrou. James o olhou completamente perdido e deu um aceno.

- Segura ele, enquanto eu pego outra fralda, está ele conseguiu sujar inteira.

Sirius foi em direção a Harry que sorriu quando o viu. Ele segurava a varinha de James e Sirius tremeu que aquilo não poderia sair bem, mas ele não era louco de tentar tirar ela do afilhado antes que ele estivesse pelo menos arrumado, ou James surtaria.

- Remus fez o café da manhã - disse Sirius assim que James retornou com uma nova fralda e uma roupa nova para Harry – Posso dar o café para ele, se você quiser. Você poderia dormir mais um pouco.

- Não vou conseguir – disse James negando enquanto enfiava Harry em macacão fofo.

- Você dormiu um pouco, pelo menos? - disse Sirius fazendo, com um aceno de varinha, as meias de Harry sapatearem sozinhas na tentativa de distrair seu afilhado.

- Acho que cochilei quando amanheceu – James suspirou desanimado.

- Harry?

- Dormiu, mas estava agitado, acho que teve pesadelos. Pelo menos ele se acalmou quando o abracei - James terminou de vestir Harry e o ajudou a sentar na cama – Agora devolva a varinha do papai.

Harry supreendentemente colocou a varinha de James na mão estendida dele, o menino estão enfiou mão na boca e aguardou ser erguido pelo pai. Sirius se adiantou e pegou o menino.

- Passe uma água no rosto – disse Sirius balançando Harry e interrompendo o protesto de James – Eu dou o café para ele.

Sirius assistiu James vacilar, mas por fim ele acabou concordando, saindo atrás de Sirius. Remus apareceu como se convocado, uma toalha e uma muda de roupa na mão que ele depositou nos braços de James sem falar nada. James nem tentou argumentar, e Sirius assistiu o amigo ir em direção ao banheiro resignado.

- Espero que ele não tente se afogar – disse Sirius preocupado.

- Ele não vai. – Remus respondeu. indo até a mesa, onde os pratos já estavam dispostos e uma vasilha pequena junto com uma colher descansava ao lado do prato de Remus. - Você também faria um bom uso de um banho.

- Estou bem! – retrucou Sirius sentando e colocando Harry sentado em uma de suas pernas de modo que ele ficasse na altura da mesa. Remus não respondeu, mas ficou o encarando enquanto mordia a própria bochecha – Estou bem, Moony, para de fazer esta cara para mim, uma hora eu vou despencar, acredite, mas não enquanto James e Harry precisarem de mim inteiro.

Remus lhe deu um sorriso triste, mas não disse mais nada. Encheu o potinho destinado a Harry com o mingau de aveia e entregou a Sirius dizendo que estava quente. Sirius transfigurou o guardanapo em um babador e entregou para Remus que amarrou no pescoço de Harry.

- Certo, filhote, tio Moony fez este mingau gostoso só para você, então ajuda seu padrinho e coma tudinho, ok? - Sirius disse para Harry meio nervoso. O menino só olhou para ele parecendo meio intrigado, Sirius percebeu a cicatriz brilhando na testa dele, bem menos vermelha, e aquilo apertou suas entranhas, Harry não podia ser o salvador, podia? Sirius resolveu ignorar este temor por agora, ele levou a colher com um pouco de mingau perto dos lábios e soprou antes de oferecer a Harry – Olha a goles vindo em direção ao aro...

Harry tentou pegar a colher que Sirius estava tentando alimenta-lo e com isso derrubou o mingau em seu novo babador. Sirius tentou novamente, mas foi interceptado pelas mãos de Harry que tentavam pegar a colher, causando só sujeira.

- Isso definitivamente não está dando certo, filhote – Sirius resmungou tentando pela terceira vez sem sucesso. Ele deu um olhar para Remus que só o assistia divertido. - Alguma ideia?

Remus negou ainda com o sorriso debochado nos lábios.

- Dê uma colher para ele – a voz de James fez com que Sirius virasse o rosto e visse o amigo saindo do banheiro, os cabelos molhados e uma roupa folgada em seu corpo – Ele está aprendendo a comer sozinho, não vai deixar você em paz enquanto não der a colher para ele.

Remus então pegou uma das colheres da mesa e estendeu para Harry que pegou animado, ele deu um sorriso com os poucos dentinhos aparecendo e colocou a colher dele no potinho com mingau. Quando Sirius tentou novamente, Harry aceitou empolgado, enquanto tentava quase inutilmente comer com sua colher nova. Sirius sorriu também animado, Harry era muito fofo, mesmo todo sujo de mingau e, em geral, era muito bonzinho, sendo fácil até para Sirius, que não tinha experiencia nenhuma. Mas então olhando para James, ele enxergou o amigo muito mais velho do que jamais vira. Estava ficando cada vez mais difícil ver que James só tinha vinte e um anos. "E vai piorar" – pensou Sirius – "Vinte e um anos, viúvo e pai. Nem o vidente mais cruel preveria isso".

- Sente-se, James – disse Remus - Coma alguma coisa.

- Não estou com vontade – respondeu James, mas sentou-se mesmo assim. Virando para Sirius ele questionou – Quer que eu assuma?

- Nem pensar. Eu e Harry estamos nos entendendo agora. Certo, filhote? - Sirius olhou para Harry que sorriu, havia mingau em se nariz e em parte de sua sobrancelha esquerda, ele estava adorável - Excelente! - Sirius sorriu junto com o afilhado.

A mesa ficou em um silencio agradável. Remus comia divertido olhando a interação de Sirius e Harry. James apanhou uma xicara de chá e também olhava para os dois, mas seu semblante não estava tão alegre quanto o de Moony.

- O que foi, Prongs? - Sirius perguntou depois que Harry demostrou não querer comer mais nada. Seus olhos caíram em James, após limpar o rosto de Harry com um guardanapo.

- Ele não está falando mais – disse James com a testa franzida. Sirius ficou confuso por um momento e James pareceu entender, pois explicou melhor – Harry. Ele geralmente é falante, costumava me chamar ou a... ou a Lily. Mas ele está quieto...

Sirius ia dizer que Harry só estava assustado, mas uma batida na porta o interrompeu. Ele viu pelo canto de olho James erguer a varinha e Remus se colocar de pé também com a varinha em punho. Sirius apertou Harry no seu colo, varinha também levantada. Remus abriu a porta divagar, e Sirius só conseguiu ver uma veste roxa, presumiu que seria Dumbledore.

- Olá, Remus, como vai? - Remus não respondeu só ergueu a varinha, mas Dumbledore não pareceu incomodado – Acredito que se recorde da primeira vez que nos encontramos, aqui mesmo nesta casa, quando perguntei o que você queria ser quando crescesse você disse que não importava desde que tivesse sua própria figurinha de sapo de chocolate.

- Jura, Reminho? - disse Sirius debochado deixando a varinha de novo na mesa – Eu adoraria ver a sua figurinha...

- Cala a boca, Sirius – resmungou Remus – Entre, Professor, desculpe por isso.

- Naturalmente, meu menino, não se preocupe, estivemos muito acostumados nestes últimos anos, eu presumo. – Dumbledore deu um sorriso triste - Sirius, James – o sorriso de Dumbledore morreu em seus lábios. - Desculpe por não vir antes. Muitas coisas para resolver.

James ficou quieto e parado, enquanto Sirius acenou, olhando bem para Dumbledore, pareceu que para alguém que havia passado a noite sem dormir ele estava muito bem. Ocorreu a Sirius então, que o semblante de Dumbledore não estava ausente de cansaço físico e sim mental, o alivio de não ter Voldemort fungando em seu cangote depois de anos devia ser ímpar, como tirar, depois de muito tempo, um peso de suas costas.

O velho diretor sentou-se na cadeira indicada por Remus com uma elegância invejável. Sirius observou o professor olhar para James com certa tristeza nos olhos, seu amigo ainda estava perdido, seu chá estava metade na xicara e ele não havia comido nada, algumas vezes seus olhos olhavam para a porta fechada do quarto de hospedes, mas logo voltavam a ficar perdidos. Quando Sirius voltou a olhar Dumbledore, este por sua vez havia abandonado a observação a James e encarava Harry sem pudor, como se Harry houvesse desafiado a sua lógica inabalável.

- Chá, professor? - Remus disse quebrando a aura nebulosa que tomava conta da sala. Dumbledore despertou com um sorriso e agradeceu Remus. Isso pareceu descongelar Sirius também, que percebeu estar apertando Harry em seus braços. O menino não pareia estar ligando, só olhava o diretor com certo fascínio enquanto ainda brincava com a sua colher.

- Então, professor, o que aconteceu? O que o jornal falou está certo? Voldemort se foi? - Sirius questionou rapidamente, mas se arrependeu, pois quase pode ouvir o pescoço de James estralando para olhar para ele.

- Eu chegarei lá, Sr. Black – Dumbledore respondeu com um sorriso triste – Mas então eu estaria começando pelo final e tudo ficaria um pouco confuso demais. Além disso, acredito que vocês saibam mais do começo do que eu. Sei que é tudo muito dolorido, mas se puder me contar o que aconteceu, James?

Sirius olhou para o seu melhor amigo. James estava assustado, completamente fora de si, Sirius quis tirar dele esta responsabilidade, ele contaria a Dumbledore, mas James foi mais rápido. Ele encarou o diretor, e com uma coragem que fazia o peito de Sirius se encher de orgulho, começou sua história.

- No dia em que o senhor nos sugeriu o Feitiço Fidelius fomos para casa e contatamos Sirius, conversamos muito sobre isso, acabou que no fim nós decidimos que Peter era uma escolha menos óbvia. Todo mundo saberia que Sirius seria minha escolha, obviamente Vol... Voldemort iria atrás dele assim que soubesse do feitiço.

- Se eu não fosse o fiel então eu não poderia contar de forma alguma – interrompeu Sirius vendo o melhor amigo começar engasgar de tristeza – Mesmo sob tortura, Voldemort poderia fazer o que quisesse comigo, eu não poderia contar. Enquanto Peter fugia, eu serviria de isca. Era para ser o plano perfeito.

- Era... - James concordou enxugando os olhos com as costas da mão - Era perfeito. Peter havia concordado, montamos um esconderijo para ele, só nós três tínhamos acesso. Mas ontem... ontem ele me chamou, disse que precisava falar comigo urgente, fiquei preocupado, achei que ele tivesse visto alguma coisa, que ele estivesse em perigo. Então eu fui, eu fui e deixei Harry e... e.. Lily sozinhos. Oh, Céus, é tudo minha culpa, não é? Eu não deveria ter ido – James começou a chorar profundamente. Sirius se levantou e colocou um Harry de olhos esbugalhados no colo de Remus.

- Ei, Prongs, não foi sua culpa, eu sugeri Peter, fui eu que errei. - disse Sirius o abraçando - Quanto a deixar Lily, se você tivesse ficado lá, eu acho, acho que você também teria morrido, e o que seria de nós? O que seria de Harry?

James não parou de chorar, mas pareceu se acalmar, segurando-se em Sirius como se sua vida dependesse disso, ele murmurou que não conseguia continuar. Então Sirius tomou a palavra, ele contou a Dumbledore sobre como acharam Peter e o que ele havia dito, contou sobre o alerta de Lily, e como eles voltaram correndo. Dumbledore foi minucioso, perguntando quanto tempo eles haviam demorado, como estava a casa quando chegaram, o quarto e até o próprio Harry. Quando Sirius contou que o menino havia saído quase incólume, exceto pela fina cicatriz na testa, Dumbledore levantou-se num átimo e analisou a testa do menino, usando além de seus olhos sua varinha para isso.

- Acredito que vocês não tenham visto nenhum vestígio de Voldemort depois disso. - Dumbledore questionou depois de largar Harry.

- Não - Sirius respondeu contundente, se Voldemort ainda estivesse lá eles estariam mortos este horário. Remus negou também. O professor pareceu concordar e com um suspiro voltou a sua cadeira pensativo.

- Professor – Remus quebrou o silencio depois de um tempo - Você não acha que Voldemort morreu depois de matar Lily, acha?

- Ah, eu não acho que ele tenha morrido, Sr. Lupin – o velho diretor respondeu parecendo animado – Nem que o que quer que tenha acontecido com ele foi depois de matar Lily.

- Não? - Sirius resmungou – Mas o jornal dizia...

- Os jornais nem sempre estão certos, Sr. Black. Apesar da teoria do Profeta ser bastante coerente.

- O que aconteceu então? - a voz de James saiu rouca e assustou a todos.

- Bem, creio que entraremos em uma parte da história incerta, nada mais que uma teoria da minha parte... Mas creio fielmente que, mesmo assim, ela deve se aproximar da verdade. Acredito que Voldemort tenha aparecido em sua casa, Sr. Potter, logo após o senhor a deixá-la. Por experiencia própria, acredito que as amizades tem um poder estranho em influenciar as pessoas, e o Sr. Pettigrew sentiu a obrigação de tentar tira-lo de casa na noite que Voldemort iria ataca-lo.

- Ele não é meu amigo – James vociferou largando Sirius – Ele entregou o segredo, ele deixou que meu filho fosse atacado, ele matou minha esposa, ele acabou com a minha família. ELE NÃO É MEU AMIGO.

- Sim, James – Dumbledore continuou nem um pouco abalado – Mas acredito que Sr. Pettigrew ainda o considere assim, mas veja bem, o conceito de amizade dele é tão conturbado que se restringe apenas a você, e não seu filho e esposa. Quando ele te tirou da casa, provavelmente ele o salvou da morte, por mais que você não encare desta forma, James. Sabemos, que Voldemort estava unicamente atrás de Harry e ele não mediria esforços para passar em cima de quem fosse para conseguir isso.

- Eu não quero nada de Peter, nada! - disse James nervoso – Eu confiei nele, eu confiei... Meus maiores tesouros... ele matou...

- E nós vamos matar ele – disse Sirius concordando - Nós vamos peg...

- Isso não importa – interrompeu Remus – Peter não importa, não agora, vamos pegar o desgraçado e envia-lo a Azkaban - Remus olhou seriamente para Sirius em um alerta de que era isso que fariam - Mas primeiro precisamos saber se James e Harry estão seguros. Se Voldemort não morreu, precisamos garantir que ele não nos ache...

- Ah, meu caro Remus, isso não seria possível. Veja, quando eu disse que acreditava que ele não morreu, eu realmente acho isso, mas ele deve estar muito fraco, tão fraco que não poderia fazer nada no momento. Estamos finalmente livre dele... - Dumbledore disse em misto de tristeza e alivio. - Acredito que podemos dizer que ele se foi.

- Mas como? - Remus questionou.

- Harry – Dumbledore respondeu com um sorriso – E LIly obviamente.

- Você está dizendo que LIly acabou com ele? - Perguntou Sirius assustado.

- Sim e não - Dumbledore respondeu.

- Professor, por favor, não é momento para respostas enigmáticas - James resmungou sofrido.

- Oh, me desculpe se pareceu enigmático. O que eu quero dizer é que foi não foi LIly que afugentou Voldemort, não diretamente, pelo menos. Vejam, esta é uma teoria apenas, acredito que quando Voldemort entrou na sua casa, LIly fez de tudo para proteger Harry, e quando eu digo de tudo, eu presumo que ela literalmente colocou sua vida na frente da do filho. Este ato de amor acarretou uma proteção tão forte em Harry, que Voldemort, cuja ignorância desconhece sentimento tão nobre não pode tocar nele. Então, ao tentar matar o menino, o feitiço deve ter ricochetado e atingido Voldemort

- E o senhor elaborou esta teoria em uma noite? - Sirius questionou boquiaberto.

- Sirius! - Remus repreendeu-o, mas Sirius viu que ele também encarava aquilo tudo de forma incrédula. Sirius olhou para James que olhava para o chão, a mão apertando a varinha com força, Lily ter se sacrificado por Harry não era nenhuma impossibilidade, pelo contrário, era a coisa mais provável que Dumbledore havia dito, James parecia estar ponderando isso, e isso fez o estomago de Sirius embrulhar, ele sabia que o professor deveria estar perto da verdade.

- Modéstia à parte, minha mente chega há algumas conclusões rapidamente, confesso – Dumbledore disse com um meio sorriso e olhos brilhantes – Mas depois que vocês me contarem o que havia acontecido, tudo se encaixou perfeitamente. Depois de ver a cicatriz na testa de Harry, tive um pouco mais de certeza, não é uma cicatriz comum.

- Então o que o senhor propõe, Professor, é que Voldemort foi afugentado por um bebê? - Remus questionou.

- Por um bebê banhado pelo sacrifício de amor de sua mãe - disse Dumbledore – Sim é exatamente isso que eu proponho.

- Então, se Voldemort se foi, estamos seguros novamente? - Sirius perguntou.

- Infelizmente, meu rapaz, tenho que dizer que não. - Dumbledore deixou sua simpatia morrer e assumiu uma expressão de pura seriedade - Voldemort se foi, mas seus partidários ainda estão vivos, e duvido que o ministério tenha todos sobre controle. Harry agora é famoso. Todos estão colocando na conta dele o desaparecimento de Voldemort e a teoria mais divulgada é que Harry sobreviveu a maldição da morte. Tenho certeza que alguns partidários de Voldemort vão atrás dele na intenção de vingar seu mestre. E é por isso, James, que eu vim aqui.

Sirius encarou Dumbledore confuso, pelo canto do olho ele viu James fazer o mesmo. O silêncio era cortado apenas pelos resmungos quase musicais de Harry, que ainda se divertia com sua colher no colo de Remus. Mas Dumbledore não parecia mesmo estar esperando alguma resposta deles, pois continuou:

- Como eu disse, a chave da proteção de Harry contra Voldemort é o sangue de sua mãe. Lily deu sua vida por Harry, enquanto o sangue dela estiver correndo no filho ele estará protegido contra Voldemort, mas não diria contra demais perigos. Eu poderia estender esta proteção na casa onde Harry estivesse morando, mas somente se houver uma ligação de sangue. Harry estaria protegido enquanto pudesse chamar o lugar de lar e até se tornar um bruxo adulto.

- James e Lily eram casados, mas não possuem uma ligação sanguínea – Remus disse parecendo pensativo.

Este pensamento despertou a desconfiança de Sirius, que não conseguiu guardar somente para si.

- O que você está pensando, Dumbledore?

- Lily tinha uma irmã, Petúnia, se Harry pudesse morar com ela, eu tenho certeza que eu poderia criar uma proteção impenetrável.

- O Senhor só pode estar maluco, Dumbledore!

- Sirius! – Remus disse em tom de censura.

- O que? - Sirius resmungou – Você sabe que eu estou certo, Remus. O pai de Harry está vivo. Harry tem que ficar com James, ficar conosco. Nós damos conta de proteger ele. Porra! Eu sou o padrinho dele, o mínimo que eu tenho que fazer é proteger ele.

- Sirius! - Remus resmungou de novo, com seu típico tom de censura. Desta vez tapando os ouvidos de Harry, que parecia encarar aquilo como um jogo.

Dumbledore, porém, ignorou Sirius, apenas olhava para James. Sirius sentiu medo ao se virar para James, seu melhor amigo olhava perdido para horizonte, desolado, quebrado. Sirius, pela primeira vez, não sabia o que o amigo iria dizer a Dumbledore, pela primeira vez depois de muito tempo, Sirius não poderia prever a reação de James.

- Ele estaria seguro? - Perguntou James olhando para Dumbledore – Completamente seguro?

- Sim – Dumbledore respondeu, os olhos brilhando.

- Não! - Sirius interrompeu - Você perdeu a cabeça, Prongs. É de Harry que estamos falando, ele não estaria seguro longe de você.

- Harry precisa de uma mãe - James disse em um suspiro – E de toda proteção que puder arranjar. Se algo pode garantir isso, então...

- Harry precisa do pai dele – Sirius disse revoltado – Petúnia não liga para Harry, você sabe disso, James. Quantas vezes você precisou consolar Lily por conta disso? E quando Harry começar a demonstrar magia, hein? Acha que Petúnia vai perdoar por isso?

James ficou calado, assim como Dumbledore que olhava para James como se aguardasse a sentença final. Isso irritou Sirius, que iria começar a gritar novamente, mas foi interrompido por Remus.

- Isso não pode esperar, Professor? - perguntou Remus a Dumbledore - James ainda está abalado, sem dormir, ainda temos que nos preparar para o... o funeral de Lily, não é uma decisão fácil.

- Desculpe, Remus, mas não podemos esperar, cada minuto que passa Harry está mais desprotegido.

- Podemos fazer o Fidellius, com a pessoa certa dessa vez – Sirius disse desesperado. Ele encarou seu amigo perdido sozinho, em um lugar que Sirius não conseguia alcançar. Lily era sua amiga, sua irmãzinha querida, mas para James, Lily era o sol, ela era que dava a vida, aquecia, desabrochava James. Ela era insubstituível, Sirius sabia, e ninguém poderia trazer esta luz de novo para James, exceto Harry, por isso era tão importante que o menino ficasse com James. - Por favor, Prongs!

- Você me promete que ele vai ficar seguro? - James ignorou Sirius e olhava apenas para Dumbledore.

- Sim, meu menino, prometo – Os olhos de Dumbledore pareciam faiscar, mas seu rosto era sereno quase pesaroso.

James assentiu. Os olhos vermelhos de lágrimas não derrubadas. Ele foi até Remus pegando o filho no colo, por um segundo Sirius achou que Remus agarraria HArry e não permitiria que James cometesse esta barbaridade, mas o segundo passou. Remus não era este tipo de pessoa, não era Sirius, que faria isso sem nem ao menos pensar.

- Você vai com Dumbledore, Harry, ficar seguro – James sussurrava no cabelo do menino - Obedeça a sua tia e fique bem, bebê.

- Não faça isso, James, não faça... - Sirius protestava - Não vou deixar... Eu... - Sirius parou, uma mão de ferro segurava seu braço, seus olhos subiram e encararam os olhos de Remus. Sirius havia visto este olhar poucas vezes na vida, mas sabia o que significava, não era o olhar de "deixa para lá, essa briga não é sua", que Remus costumava lançar na escola, nem o de "você está errado e sabe disso", que Sirius sempre ignorou. Era o olhar de quem dizia "vamos perder esta batalha, mas não esta guerra". Sirius gostava deste olhar, e, talvez por isso, tenha parado de se debater e falar.

Harry deve ter percebido o clima tenso na sala, pois começou a se mexer no colo de James, querendo descer.

- Não agora, Harry, por favor – James suspirou.

- Mama? – o menino disse confuso.

- Sinto muito, Harry – James parecia que ia se desmanchar em lágrimas a qualquer momento – Sem a mamãe por enquanto. - Harry se calou olhando para James confuso. Quando foi passado para Dumbledore o menino deu um sorriso brilhante e gentil, típico do filho de Lily Evans. Mas logo pareceu querer o pai de novo, pois estendeu os bracinhos e chamou por James.

- Encaminharei ele direto a Petúnia – Dumbledore disse – Peço que evitem de procurá-lo, pelo menos até termos certeza de que não estamos sendo seguidos.

Sirius bufou, se Dumbledore achava que iria impedi-lo de ver Harry ele estava enganado. James assentiu, assim como Remus. Dumbledore ficou olhando para Sirius que continuava com a cara amarrada, mas balançou a cabeça em sinal de concordância forçada.

Dumbledore fez um sinal de despedida e girou. Eles ainda ouviram um último papa de Harry antes que não houvesse mais ninguém. Além dos três amigos na sala. Sirius grunhiu olhando acusadoramente para James, os dois amigos se encararam, as lágrimas não caídas inundavam os olhos de James. Sirius não disse nada, resignado, ele saiu batendo a porta de entrada, antes de apoiar-se nela, precisava de ar puro. Ele ainda ouviu uma conversa no chalé.

- Você também, Moony?

- Não. - A voz de Moony respondeu cansada – Eu te entendo, James, mas isso não signifaca que eu concorde com você.

Sirius suspirou aliviado, sabia que Moony era essencial para que James percebesse a merda que fizera. Sirius era insistente e venceria qualquer um pelo cansaço, se não fosse James. James funcionava melhor com jogos mentais, e nisso, Remus era mestre.

Não durou muito tempo, e Sirius se percebeu sentado no degrau, as costas coladas a porta, suas lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Ele chorou, seus soluços abafados pelo seu braço, as mãos tremulas agarrando seu próprio corpo, o medo assumindo cada nervo, cada musculo e a solidão fria. Sirius chorou, como nunca havia chorado antes.

"Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?
Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?
E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?
E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam"*
O bispo, provavelmente um aborto, recitava incansavelmente, James não sabia quanto tempo estava lá, sabia que estava cansado, cansado de ficar lá, cansado da vida, cansado de todos. Havia muita gente, LIly foi uma pessoa muito querida, ele sempre soubera disso. Professora MInerva McGonnagall chegou chorosa, acompanhada por Dumbledore, James nunca vira a sua professora mais composta tão abalada. Slughorn também estava lá, inconsolável, em suas vestes bonitas e suntuosas. O que restou da Ordem também apareceu, parecendo perdidos, finalmente havia acabado a Guerra, mas ainda estavam ali chorando as últimas baixas.

James fungou, não conseguia parar de chorar. Já deveria estar seco a esta hora, entorpecido, mas não estava, ainda doía, ainda sentia falta de Lily ao seu lado. Uma mão parou em seu ombro, firme e confortadora. James olhou para cima e enxergou Sirius. Seu melhor amigo não olhava para ele, mas estava lá ao seu lado, seu rosto parecia inchado, mas ele não chorava ou tremia.

James sentiu outra presença, na cadeira ao seu lado sentou Remus, que ao contrário de Sirius, chorava, uma rosa branca pendente em sua mão tremula.

James olhou para as próprias mãos, não havia levado nenhuma flor, como poderia ter esquecido?Lily amava flores, todas elas, e James não havia trazido nenhuma. Alguma coisa o cutucou em sua lateral, ao virar James se deparou com o caule de uma rosa vermelha. Sirius lhe estendeu a flor, James percebeu que ele também segurava uma outra, branca como a de Remus. Os olhos de James pinicaram de novo, então ele não disse nada, apenas pegou a flor sabendo que seus amigos entenderiam que ele estava agradecido.

O pastor terminou de falar, então um bruxo em vestes cintilantes de um roxo quase negro tomou o lugar. Com a varinha ele abriu a cova de Lily e, com outro aceno, ele delicadamente colocou o caixão de Lily lá. O pensamento de toda esta magia extravagante fez a mente de James lembrar-se de Petunia, ele buscou a sua cunhada, assim poderia dar um vislumbre em Harry, mas não a achou em nenhum lugar, ao invés disso, seus olhos caíram em Snape.

O ex sonserino estava no canto mais longe, escondido nas sombras de grande carvalho, o estomago de James revirou enjoado com seu próprio ciúme. "Lily se foi" - James pensou - "E ela gostaria que ele estivesse aqui, ela gostaria que ele se arrependesse do que fez... ela gostaria". Com este pensamento James, com muito custo abandou seu olhar do velho amigo de sua esposa, e recaiu novamente na cova, agora algumas pessoas levavam suas flores até lá e depositavam seus punhados de terra. Alguns paravam e murmuravam alguma coisa, outros apenas saiam. James seria o último.

Quando Dumbledore depositou um buque de lírios, Remus se levantou, e, quase sincronizado, Sirius agarrou seu braço o puxando para cima. Era chegada a hora. Remus foi o primeiro a se aproximar, ele depositou a sua rosa delicadamente e disse algumas palavras murmuradas, estava sério e choroso, antes de sair, ele ainda agachou e depositou um punhado de terra. Suas lágrimas voltaram a cair e ele, imperceptivelmente, as secou com mão que estava suja de terra, deixando um rastro escuro em sua bochecha. James inesperadamente quis rir com isso, mas antes que sua risada saísse ele sentiu a mão de Sirius se desprender de seu ombro.

Sirius foi o próximo, ele beijou sua rosa e sussurrou algo, como sua voz era mais estrondosa que de Remus, James conseguiu ouvir algumas palavras entrecortadas. Seu nome e de Harry, eram repetidos constantemente, Remus apareceu também no discurso inflamado de Sirius. Quando de repente ele parou, aparentemente, embargado demais para continuar. Sirius levantou sem depositar a terra no caixão e foi até James, para empurra-lo gentil e carinhosamente até a cova de Lily.

James foi até o local, já quase não conseguia ver o caixão onde sua esposava repousava, inúmeras flores ocupavam o tampo, todos os tipos, frescas e brilhantes, como Lily sempre fora. James agachou, a rosa vermelha ainda presa na mão.

- Eu não sei viver sem você - ele sussurrou – Eu deveria estar indo no seu lugar, você sabe disso. Você é tão melhor que eu, Lily, tão melhor, por que você tinha que ir?

Um vento bateu despenteando os cabelos de James, ele olhou para cima, o carvalho onde antes Snape estivera escondido, estava agora sozinho, sua frondosa copa brilhando vermelha acobreada, a cor do outono, a cor dos cabelos de Lily. A dor consumiu o peito de James, ele nunca mais veria os cabelos dela, o sorriso. Não ouviria a voz ou sua risada.

- É culpa minha, não é, Lily? Foi tudo culpa minha. Se eu não tivesse acredito em Warmtail, se eu não tivesse insistido em sair com você, se não tivéssemos nos casado, se não tivéssemos tido Harry. Você estaria viva, não é?

Então James chorou, mais e mais, não conseguia enxergar, pois suas lágrimas obstruíam sua visão, não conseguia respirar. Ele sentou as mãos firmes de Sirius agarrando seu ombro e o levantando. Ele abraçou seu amigo, que correspondeu, não dizendo nada, mas estando ali para ele. Assim que sua respiração voltou ao normal, Sirius o soltou. Remus estava ao seu ado e apertou seu ombro, James só queria que aquilo acabasse, então depositou sua rosa na cova de Lily e acenou para o bruxo sacerdote. Que jogou toda a terra sobre o caixão.

As pessoas começaram a se dispersarem, algum abraçavam James ou diziam algo em voz baixa, o deixando ali com um tapa nas costas. James viu a lápide em mármore branco de Lily ser colocada, s nome dela e as datas de nascimento e morte brilhando, ele havia cedido a frase sugerida por Dumbledore: "Ora, o ultimo inimigo a ser vencido é a morte". James sonhava em vence-la, assim como Lily havia feito, mas ela, ao contrário do marido, havia abraçado a morte como uma igual e James ainda tinha quer perdoar a morte por levar sua vida e deixá-lo vivo.

Enfim todos se foram, restando apenas o choroso Remus, o estoico Sirius e desolado James parados na brisa fria de novembro, no cemitério milenar de Godric's Hollow. James sentia o cheiro eminente da chuva, mas o céu se recusava a cair, deixando o clima feio, nuvens negras de chuva faziam sobras assustadoras e o vento sacodia as árvores de folhas vermelhas e marrons. "Lily merecia um céu azul" - James pensou triste - "Ou uma chuva torrencial", mas nem o dia se recusava a seguir, era como se estivesse parado no tempo, preso em uma pré-tempestade que nunca chegaria.

- Eu não te perdoo – disse Sirius cortando o silêncio.

James girou o pescoço para olhar para o amigo. Sirius era alguns centímetros mais alto, seu cabelo comprido estava solto, cobrindo parte do seu rosto impedindo que James conseguisse enxergar sua expressão. Porém sua confusão logo foi sanada, pois Sirius continuou:

- Eu estou aqui para o que você precisar, James, qualquer coisa, eu sempre estarei aqui para você. Mas eu não te entendo, nem te perdoo pelo o que fez com Harry – Sirius suspirou finalmente olhando para James – Eu lembro quando você me contou que Lily estava gravida, eu lembro do brilho nos seus olhos, lembro do orgulho que você estava sentindo, mesmo por traz de todo o medo de ser pai, de ter um bebê no meio da guerra, mesmo todo mundo dizendo que era loucura, você estava sorrindo, Prongs. Você não pode ter mudado tanto... Lily se foi, mas Harry ficou. Você é o pai dele, e ele precisa de você. Desculpa por isso, mas você perdeu a esposa, já Harry perdeu a mãe, e você fez com que ele perdesse o pai também.

James abriu a boca sem fala. Nunca tinha visto Sirius tão sério, tão... magoado, pelo menos não, com a mágoa dirigida a James. Porém antes que James pudesse responder uma fênix prateada surgiu na calmaria do cemitério. Ela abriu o bico e de dentro dela saiu a voz de Dumbledore ecoou.

- Atacaram os Longbottons, quatro comensais. Se esconda, James.

A fênix desapareceu e um relâmpago cortou o céu. Começaria finalmente a chover.

*Mateus 6:25-28

Agradecimentos:

Gauccy Volpi – Que bom que você gostou. Eu tenho um fraco por história de pais e filhos, e sou meio carente com este tipo de Fic, então, porque não, não é mesmo. Espero que goste deste capitulo também. Obrigada pelo comentário, é sempre bem-vindo e muito querido.

Obrigada também a: Diogo Ribeiro Martins, Miih Mcgonagall, LeeBlinger e Gauccy Volpi por seguirem e favoritarem a Fic. Vocês são uns fofos!