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Permitir que o aplicativo tenha acesso a sua localização?

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Sendo a aluna número um de sua turma, todos esperavam um nível de organização que ela nunca conseguiu alcançar, mesmo assim não era como se seus colegas e professores soubessem que quase sempre acordava atrasada, e que tinha um estoque de suco de caixinha na geladeira porque nunca conseguia tomar café da manhã decentemente. Sempre antes de sair pela manhã, ela colocava uma maçã grande dentro da bolsa, porque antes mesmo da primeira aula do dia terminar, sua barriga já sinalizava a fome eminente.

Foi assim naquela manhã também, quando ela escapuliu da cama muito atrasada, fez sua higiene do jeito mais rápido que conseguia, colocou algumas roupas quaisquer e saiu de casa tão rápido quanto podia. Morar sozinha era caótico e se seus pais soubessem que a moça tinha esse nível de organização, então certamente revogariam seus privilégios e ela teria que voltar pra casa deles.

Mas mesmo com todos os imprevistos e problemas de se morar só, Sakura não se via dividindo apartamento com ninguém. Morava sozinha desde os 16 anos, quando seus pais precisaram se mudar da cidade para a Coréia para expandir os negócios da família e ela se recusou a ir, porque havia esse momento da vida que você precisa lutar pelo caminho que quer seguir, e ela não sabia bem o que queria aos dezesseis, mas sabia que queria estar naquele lugar.

Foram longos meses tentando mostrar aos pais que era responsável o suficiente para morar sozinha. Sempre tirou notas altas, nunca foi de causar problemas, então seu histórico como boa filha já falava por si só. Seu único problema era ser preguiçosa para atividades domésticas, mas isso ela resolvia toda sexta com uma faxina rápida dentro de casa e comendo fora sempre que podia.

Com o coração na mão, seus pais compraram aquele apartamento de 32m² para ela e foram embora para a Coréia, e sim, alguns imprevistos haviam acontecido, alguns problemas típicos de quem mora só, outros típicos da idade, e alguns que acabaram sendo inevitáveis a ponto de fazer seus pais quererem que ela fosse imediatamente para a Coréia, mas no final ela tinha conseguido ficar ali por todo esse tempo.

Terminou a escola, estava nos últimos anos da faculdade, nunca trabalhou na vida e se dedicou inteiramente a seguir o sonho da medicina. Porque ela não queria ser apenas a herdeira das Transportadora Haruno, ela queria ser alguém que podia andar com as próprias pernas porque o mundo dos negócios era tão bagunçado que ela não tinha certeza se podia lidar com ele, então pra garantir queria ser essa médica de sucesso, tal como sua madrinha Tsunade.

Mas para isso ela precisava muito parar de chegar atrasada na faculdade.

Depois das duas primeiras aulas do turno da manhã, finalmente tinha um intervalo longo o suficiente para uma refeição na praça de alimentação da faculdade. Sentou-se numa mesa vazia depois de pedir um sanduiche natural, suco de limão e um café com leite e muito açúcar.

— Sakura, você vai morrer diabética desse jeito.

Girou o rosto na direção da voz que surgia. Yamanaka Ino em seu lindo vestido roxo sentava numa das cadeiras desocupadas, colocando a bolsa e livros na outra cadeira vazia e suspirando pesadamente enquanto Sakura apenas terminava de adoçar com a última colher de açúcar aquele café que parecia se recusar a ficar doce.

— Provavelmente – Disse dando os ombros depois de largar a colher no pires e bebericar um pouco do líquido — Mas assim fica bem mais gostoso.

— Oh, claro – A outra comentava com deboche — Você tem um paladar infantil pra café. Quem te olha pondo essa quantidade de açúcar acha que você tem 14 anos.

— Deixe que achem – E tomou mais um gole sentindo o corpo esquentar — O importante é que continua gostoso!

Ino riu balançando a cabeça negativamente, desistindo da discussão porque era perda de tempo. Sakura sempre iria super-adoçar seu café daquele jeito, mesmo quando fosse velha e tivesse que tomar insulina por conta da diabetes que iria ter.

Aproveitou que estava ali e também pediu um café, preto com três gotas de adoçante. Bem mais madura na opinião de qualquer pessoa que apreciava café da maneira certa, mas quem se importa quando está diante de Haruno Sakura fazendo uma careta para o celular após ler uma mensagem que havia acabado de chegar.

— É ele? – Ino perguntou apoiando o rosto na mão.

— Sim... – A outra respondeu num suspiro, desligando a tela do celular — Fica insistindo sabe? Quer me ver o tempo todo! Ele é legal sabe? Fode bem, mas... Eu não quero sair com ele.

A loira maneou a cabeça vendo a expressão conflitosa de Sakura.

— Mas você disse isso pra ele? – Perguntou — Digo, disse que não quer sair com ele? Eu lembro que você havia deixado as coisas claras.

— Ino, eu disse desde o começo! Disse que queria sexo e só. – Ela suspirou — Quando eu percebi que ele tava apegado demais. Eu me afastei, você sabe...

— É, se afastou, mas continuou de papo. – E tomou um longo gole de seu café — Disse pra ele que queria ser apenas amiga dele?

— Sim! – E a rosada fez um barulho característico de sua frustração — Droga, eu acho ele legal! Ele sempre foi um bom amigo, não quero ter que cortar ele.

— Ai, me dá teu telefone aqui – Ino disse por fim pronta para resolver o drama da vida de Haruno Sakura com apenas uma mensagem de texto.

— Ino... – A outra hesitou olhando para a amiga com cautela. — Eu não quero magoar ele.

— Pelo amor de Kami, Sakura – A loira resmungou com a mão ainda esticada — Quantas vezes eu já te coloquei em situações complicadas? – E não esperou a resposta — Eu sou a pessoa que te salva das merdas. Me dá isso ai!

Oh sim, Ino era esse tipo de amiga que você liga em qualquer situação, e que salva mesmo das merdas, principalmente das que ela colocava Sakura, que ficou encarando a loira por um longo momento até que ver seus dedos e unhas bem feitas fazerem aquele movimento característico de quem está esperando por algo ser entregue.

Sakura suspirou derrotada, entregando o aparelho desbloqueado para a mulher a sua frente que lhe sorriu satisfeita, virando o corpo lateralmente enquanto digitava algo que a outra não conseguia enxergar pela distância.

— Pronto – disse depois de um momento admirando sua obra de arte na tela do celular da amiga — Agora o Lee com certeza vai entender que vocês são só amigos, e dessa vez sem os benefícios.

— Deixa eu ver! – A outra disse esticando o braço por cima da mesa na direção do telefone, recebendo o aparelho de uma Ino com um ar de sabichona. Ela deu uma olhada na tela e franziu o cenho — Pelo amor de Kami, Ino! Eu quero ser amiga dele e você fala aqui que ele fode bem?

Seu massagista, Rock Lee, um cara que tinha sido contratado pela clinica de estética que Sakura frequentava, tinha mãos mágicas e fazia a melhor massagem que ela já tinha recebido. Já fazia um ano que o conhecia, e depois de poucas semanas trocaram contatos. Tinha que admitir que o estilo dele era um pouco estranho, mas tinha caráter e era um fofo.

Ficaram amigos, mas Sakura se sentia excitada todo final de massagem. Foi ela quem propôs sexo porque desde o seu último namorado que ela não transava e Ino ficava sussurrando no seu ouvido que tudo iria se resolver na vida dela com sexo.

Tinha algumas opções além dele, mas Lee era um fofo, tinha um bom papo, era animado. Achou que ele saberia lidar com sexo casual, mas ele se apaixonou, e ai a vida dela se tornou um inferno. Bem, não um inferno de verdade, mas Lee se tornou chato, insistente. Estava tratando-a como sua namorada, foi quando ela deixou bem claro que não queria um namorado.

E aí pararam de se encontrar, ela até parou de frequentar aquela clínica, mas nunca cortou contato cem por cento porque ele era um bom amigo, só que era visível que ele ainda queria algo com ela, e teve algumas vezes que ela quase cedeu, porque ele fodia bem de verdade, mas pouco depois Kakashi surgiu em sua vida e suas necessidades sexuais foram preenchidas devidamente.

— Você não entendeu... – Começou com um ar de quem era muito entendida do assunto, gesticulando — Primeiro você massageia o ego dele, pra mostrar que sua decisão não foi por conta do desempenho sexual dele, e aí você diz que está em outra, porque realmente está, e finaliza mostrando que valoriza a amizade dele e só isso.

— Kami... Eu só espero que você não tenha ferido os sentimentos dele. – Resmungou.

— Sinto lhe informar, mas se alguém o magoou foi você – Ino disse dando os ombros, afinal, a mensagem tinha sido enviada em nome de Sakura — E além disso, seu namorado te mandou uma mensagem.

— Ele não é meu namorado – Sakura disse, de repente, deixando todo o assunto de Lee no fundo de sua mente enquanto abria aquele aplicativo que só usava para falar com ele. Era uma foto de uma maquina de chá em cima de uma mesa de madeira, que ela sabia que ficava no trabalho dele.

"A maquina de café sumiu e foi substituída por isso!"

— Seu webnamorado – Disse a outra dando os ombros — Que seja.

Sakura revirou os olhos para a amiga e voltou para a tela do celular, quase sentindo a indignação de Kakashi. Eles conversavam por mensagem o tempo todo, e ela achava engraçado que o homem achava que de alguma forma ela trabalhava, perguntando coisas como que horas você sai do trabalho hoje. Ela sabia que ele ficava confuso com isso porque às vezes ela estava em casa muito cedo, outras muito tarde, mas era tudo por conta da grade das aulas, estágios, monitoria...

"Quem ousaria tirar de você sua máquina de café?" Respondeu colocando um emoji zangado ao lado, juntamente com uma mão formando um ok.

"Aparentemente ela foi pra manutenção." Ele disse logo em seguida "Parece que vou ter que sair do prédio para conseguir café"

"Que manhã difícil, hein?" Completou com uma figurinha de um pack de memes que tinha baixado, mostrando o visível deboche de suas palavras.

— Eu ainda to aqui, sabia? – Ino disse de repente, largando a caneca de café em cima do pires com um ruído. – Como vão as coisas com o Senhor Espantalho?

Revirou os olhos com humor para a amiga. Ino sabia de sua vida paralela desde o dia em que tivera essa ideia de se tornar camgirl, e mesmo receosa, fora a loira quem a apoiara nessa empreitada, orientando a amiga sobre os cuidados que devia tomar com esses pervertidos na internet. A verdade é que suas atividades como camgirl eram resultado de alguns problemas que tivera, e só depois de assumir a identidade de Healer que Sakura se sentiu novamente no controle de sua vida.

Nunca foi sua intensão ser famosa nesse meio, mas de alguma forma sua performances tinham se popularizado e de repente o site lhe dava incentivos cada vez maiores para retornar. Ela era uma das estrelas daquele site, alguém muito rentável no seu nicho, e dessa forma tinha que se preocupar cada vez mais com a segurança de sua pessoa no mundo real. Sakura tinha estabelecido algumas regras próprias para continuar com aquilo, como a de nunca revelar quem de fato era, onde morava, ou dizer qualquer coisa que pudesse denunciar sua localização.

Grande parte das suas histórias eróticas eram mentiras cabeludas, até mesmo seus orgasmos eram mentiras, mas ela não se martirizava por isso. Estava ali como um personagem, alguém sexy e ousada que fazia tudo por uma foda boa. A realidade era muito broxante. Ninguém queria saber da vida de uma estudante de medicina que tinha tido dois namorados em toda a vida (um deles onde sexo sequer acontecia) e transava casualmente com outro.

Com o tempo conversar com os homens sem revelar nada sobre si mesmo ia ficando mais fácil, as vezes mentindo sobre seus gostos ou o que fazia, evitando shows privados quase sempre porque era o lugar mais propicio para a insistência das pessoas, que sugeriam orgias e pagamentos ainda maiores por um simples encontro. O site, no entanto, incentivava que o botão para show privado estivesse sempre disponível, por isso ela havia estabelecido um preço abusivo, assim mantinha quase todos afastados, sobrando apenas alguns super fãs que as vezes se arriscavam para ter uma parte do seu tempo.

Mas pra sua surpresa, numa noite despretensiosa, um convite de show privado lhe chegou de um novo usuário. Quase recusou. Usuários novos quase sempre são problema, mas por algum motivo desconhecido acabou aceitando, e logo o conheceu. No começo tímido, digitando aquelas coisas de maneira tão séria... Ela quase encerrou aquele chat por puro tédio quando ele finalmente resolveu falar com ela do jeito certo, por voz.

E tudo mudou.

E se você não gostar da minha voz? Ele perguntou naquele dia e a mulher ainda conseguia se lembrar do jeito que sua mente parou por um segundo. Foi como magnetismo. Se sentiu insegura porque era uma reação tão atípica a si mesma, mas àquela altura era impossível voltar atrás. Segurou firme em seu papel de camgirl e continuou falando com ele daquele jeito, lento, sexy... E quando achou que poderia lidar com aquilo, ele lhe deu aquele nome.

Sakura.

Ela sentia arrepios quando lembrava da voz dele pronunciando o nome que de fato era seu. Como ele podia saber? Teve medo por um instante de que ele a conhecesse, mas logo em seguida percebeu o quão inseguro estava, e ai ficou claro para ela que estavam no mesmo nível. Se a voz dele, o jeito que as palavras soavam naquele timbre delicioso a tinha pego desprevenida, então a falta de experiência dele com aquele tipo de relação o deixava no mesmo patamar.

Novamente pensou que poderia lidar com aquilo, que seria fácil como todas as outras vezes, mas uma vez que começaram... Foi tudo real. Não era Healer ali, não era ela performando aquele seu personagem, mas sim Sakura, como se toda vez que ele falasse seu nome, cada vez mais ele evocava seu ser. Ela se sentiu entregue de uma forma que jamais se permitiu.

Kakashi a fez gozar.

De verdade.

Nunca em sua carreira de camgirl um daqueles pervertidos a tinha feito gozar, mas ali estava o novato Hakuken lhe fazendo perder o controle diante da câmera apenas com sua voz rouca, seus gemidos eróticos e o jeito com que chamava seu nome. Foi inevitável querer ficar sozinha após perceber o que tinha acabado de acontecer, porque nunca antes algo assim tinha sido possível.

Mas ele estava ali, com aquela voz meio desesperada, meio que implorando que ficasse, e depois de lhe dar um prazer tão íntimo, Sakura deu a ele o beneficio do pillow talk. Foi breve, mas ele parecia tão sincero e nervoso em tudo que falava que inevitavelmente o achou fofo. Se despediu quando sentiu que ele estava mais calmo, relaxado, e honestamente foi incapaz de cobrar um centavo dele quando percebeu que aquilo tinha sido muito mais para ela que para ele.

Só que ela não imaginava que ele voltaria.

E não imaginava que ficaria.

Transaram de novo e de novo. Haviam reclamações por todos os lados de que ela não dava mais atenção aos outros. Sua receita caiu, suas visualizações também, mas quem se importa? Sakura se sentia bem na companhia daquele homem que sempre estava a postos, todos os sábados, para conversar com ela e transar gostoso. E ela sempre achou que ficariam nisso, sexo e conversas eventuais, até aquele dia onde ele ligou a webcam e...

Eles só conversaram.

Não houve sexo, não houve insinuações. Só eles dois, na sua versão de cara-a-cara, conversando sobre coisas tão aleatórias quanto o clima ou suas preferencias por cores. E ficaram por horas daquele jeito até irem dormir e ela percebeu que tinha perdido totalmente o controle. Aquela relação não era só sexo e tudo mudou, porque ela não podia se permitir ficar intima de alguém daquela maneira. Ela não sabia quem ele era, não sabia o que fazia, não sabia nada sobre a vida daquele homem que apenas aparecia ali eventualmente.

E quando ele apareceu naquele show fora da agenda lhe pedindo um show privado aos 45 do segundo tempo, Sakura sentiu que precisava tomar o controle novamente. Precisava por aquela relação no lugar de onde ela pertencia, e a primeira coisa que fez quando o viu foi convidá-lo a uma sessão de sexo a sua maneira.

Não podia negar, tudo nele era intenso. O jeito que fechava os olhos com força, como sua respiração se tornava mais presente à medida que os movimentos da mão se intensificavam enquanto ela comandava o ritmo daquele ato. Ele era tão obediente... Via nos olhos dele que mal se aguentava e mesmo assim não ousou seguir sozinho. Esperou por ela, esperou pelo comando da mulher, que se deliciava com os sons dele, imaginando como seria tocar aquele peito que se contraia na sua tela, como seria o cheiro dele e a sensação de suas mãos nos seus quadris.

E não foi difícil gozar daquele jeito, imaginando-o abaixo de si. Ouvindo-o pelo seu fone de ouvido, com a voz dele penetrando todo seu corpo, vibrando junto das sensações de prazer que lhe dominavam, e quando sentiu seu corpo voltando a si, Sakura sabia que tinha que desligar, dizer adeus daquele jeito impessoal, ser Healer.

Mas a única coisa que conseguiu foi se sentir sozinha. Saiu daquele lugar para colocar uma roupa porque se sentia vulnerável, como se ele tivesse muito poder sobre ela, voltou acuada, pensativa. O que aquilo tinha se tornado? Como ela deixou tudo isso acontecer e chegar nesse ponto? O que tinha mudado? Foi quando ela entendeu que precisava afastá-lo.

Se sentia usada de alguma forma, mesmo sabendo que aquele sentimento era unicamente dela, resultado das experiencias de merda que tinha vivido. Ele não tinha nenhuma culpa, mas ainda assim era ele ali. O homem que tinha uma vida toda fora daquele espaço, que tinha uma namorada, um trabalho, amigos e tudo mais. Ele tinha tudo. Então por que estar com ela? Por que se dar ao trabalho? Ela não era nada para ele.

Nada.

Mas mesmo sendo nada, ele a pediu para ficar. Do seu jeito atrapalhado, meio apressado, e talvez nem estivesse entendendo o que estava acontecendo, mas mesmo assim ele estava ali dizendo que não impostava que não tivessem mais aquilo, que só queria tê-la ali com ele de alguma forma e descobrir o que tinha para ser descoberto. Diante daqueles olhos sinceros, ela cedeu completamente, porque também queria saber onde tinha se metido.

Daí em diante se falavam todos os dias por aquele aplicativo. Ele tinha 8 cachorros e era surpreendente como conseguia tempo para cuidar de todos eles, quase diariamente ele enviava vídeos de algo que havia acontecido com seus filhos, conversavam por áudio geralmente a noite, quando estavam ambos em casa, trocavam mensagem de texto ao longo do dia nos horários vagos, reclamando de coisas, trocando ideias tão profundas que parecia que se conheciam a anos.

E do nada Kakashi aparecia lhe perguntando se sabia que namorava, se achava que ele estava traindo a moça... Naquele dia ela achou que ele finalmente tinha se dado conta do caminho que estavam seguindo. Que estava perdendo seu tempo com ela, porque não seria uma relação com um futuro além daquilo, e quando ele parou de responde-la, achou que seria para sempre.

É claro que ela passou o dia ansiosa, olhando o celular a todo instante, tentando entender para si que a resposta não viria mais, que jamais o veria novamente, até que o desgraçado apareceu com a cara mais cínica diante dela, pedindo um show privado. Ela aceitou, só de raiva, mas aí ele simplesmente lhe disse com aqueles olhos tranquilos que tinha terminado seu namoro de anos!

E como se não bastasse, ainda a chamou pra sair! Céus!

— Para de chamar ele assim – Sakura disse a Ino com um revirar de olhos.

— Ué! É o nome dele – E deu os ombros, afinal Kakashi tinha a mesma grafia de espantalho. Era um nome estranho pra se dar, mas talvez fosse algum apelido pessoal. Tanto faz. — Me conta, ele já voltou com a namorada?

Sim, ela tinha contado tudo para Ino, desde o começo, e no dia seguinte àquele convite para sair que foi devidamente negado, Sakura fez um longo relato e Ino chegou à conclusão que ele provavelmente voltaria para a namorada em duas semanas.

— Não – Sakura respondeu com uma risada — Diz ele que não. – Completou olhando para a amiga.

Já faziam 5 semanas.

— Ele me surpreende. – A loira disse maneando a cabeça, como se pensasse — E ele continua te chamando pra sair?

— Sempre que pode ele tenta. – Sakura deu uma risada, gesticulando ao vento — Falei que queria tomar um suco de manga esses dias, ele falou que conhece uma ótima casa de sucos e que podia me encontrar lá dependendo.

— Ele nem sabe onde você mora!

— Pois é. – E deu os ombros — Ele diz que pega um avião para qualquer lugar, é só eu dizer o local. – E riu um pouco mais, jogando a cabeça para o lado.

— Oh, o que homens não fazem por uma buceta. – E fez uma cara de santa quando Sakura lhe lançou um olhar reprovador — Desculpe, não quis falar mal do seu namorado.

— Ai, deus... Não dá pra conversar com você, porca. – Resmungou olhando o celular mais uma vez, vendo a foto de um copo de isopor com café e um joinha da mão de Kakashi. Sorriu respondendo que faltava leite no café.

— Ok. – A outra disse se levantando — Tô cansada de segurar vela. Nos vemos no intervalo, testuda – E passou pela outra dando um peteleco amoroso na testa dela. — Te vejo depois da aula.

— Hai! – A outra disse tomando o café já meio frio num só gole e enfiando o sanduiche intocado na sua bolsa, iria comer na sala durante a aula de psiquiatria. Olhou para o celular uma última vez antes de se levantar e correr para sua aula, vendo a mensagem de Kakashi lhe dizendo que um dia a ensinaria a tomar café como uma adulta.

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Quando o sinal tocou, Hatake Kakashi reuniu seu material e saiu da sala logo após seus alunos. Tendo um período vago naquela manhã, ele se encaminhou para a sala dos professores sem muita pressa. A máquina de café estava na manutenção, o que significava que teria que sair do prédio se quisesse tomar mais uma xícara. Naquele dia, seu humor estava bom e seus alunos cooperaram para que se mantivesse assim.

Se deparou com seu amigo brigando com a máquina de chá que tinham colocado ali temporariamente. Aoba sempre foi fã de chás, sendo do tipo que contava os minutos para a infusão de ervas, então para ele, ver aquela máquina simplesmente colocar o mesmo tempo de infusão para todas as ervas era quase como a morte.

— Se você quebrar essa aí também vamos ficar sem bebida quente por aqui – Kakashi disse colocando sua pasta dentro de um armário.

— Estaria fazendo um favor livrando o mundo dessa porcaria – O homem resmungou jogando fora o chá que tentava prepara.

Com uma risada baixa, Kakashi virou e convidou o amigo para buscarem alguma bebida fora do prédio. Aoba era professor especialista em aves, um dos únicos na faculdade, mas nas horas vagas cantava numa banda indie que nunca fez muito sucesso, mas que era muito conhecia no meio underground de Kyoto. Estudaram na mesma escola, mas acabaram se aproximando durante a faculdade, e agora trabalhavam juntos.

O homem era muito mais amigo de Genma, mas tinha um bom convívio com todos os outros, sempre estando presente nas reuniões com o pessoal nos bares da vida.

— Então você e a Rin... – Disse depois de pegar seu chá earl grey, cuidadosamente infundido por 4 minutos.

— É – Kakashi respondeu sem muita importância, bebericando o café que estava realmente quente — Nós terminamos mesmo.

— Duvido – Disse arrumando os óculos juliet que eram inseparáveis desde o colégio — Ela sempre termina contigo, e você sempre volta pra ela depois de algumas semanas. Vocês vão acabar é casando.

Kakashi riu comedido. Sim, era a expectativa de todos e ele não os julgava. Incontáveis vezes ela terminou com ele pelos mais diversos motivos e depois de algumas semanas, sim, eles voltavam como se nada tivesse acontecido. A verdade é que Kakashi sempre achou que ela fazia isso porque queria que ele prestasse mais atenção nela, mas acabava percebendo que a atenção dele era suficiente, o que a fazia pedir para voltar.

No fundo ele nunca se importou muito com essa inconsistência de seu relacionamento desde a primeira vez que terminaram. A primeira vez foi bruta, triste e crua. Foi o período mais longo que passaram separados, e isso fez Kakashi perceber que ele era uma boa companhia para si mesmo, foi quando passou a valorizar seu tempo livre, a ler mais, assistir mais. Ele estava pronto para dar o próximo passo naquela relação mas acabou percebendo que era novo demais, e que dividir uma vida era o tipo de compromisso que ele não estava pronto para assumir.

Pelo menos não depois que ela foi para Tóquio com Obito.

Ele nunca entendeu exatamente porque ela o deixou, e a medida que o tempo passava essa dúvida foi ficando cada vez mais insignificante. Se antes ele não tocava no assunto porque não queria magoá-la, agora ele só não lhe perguntava porque não se importava. Muito tempo já havia passado, muita coisa já havia mudado.

No final das contas ele aceitou que nunca iria entender o que tinha acontecido com ela para lhe deixar, e mais ainda, jamais iria entender porque ela tinha voltado. Mas relacionamentos são coisas estranhas, podem ser fortes como os cabos que sustentam embarcações, ou tão frágeis quanto uma linha puída de uma roupa velha.

— Confia em mim quando eu digo, não vai ter volta – Kakashi falou por fim, certo de suas palavras como nunca antes.

Aoba o olhou pelo canto do olho, bebericou um pouco do liquido âmbar e ficou em silêncio por um breve momento como se estivesse decidindo se diria algo ou não.

— Eu não encontrei com a Rin nos últimos dias, mas esbarrei com a Kurenai no supermercado – E maneou a cabeça — Parece que ela tá bem mal com o termino. – Confessou de uma vez — A Kurenai me disse que a Rin dormiu na casa dela a primeira semana porque não parava de chorar.

— Ela vai superar – Ele falou absorvendo aquela informação. Poderia parecer frio e distante, mas a verdade é que ele se preocupava com ela e sabia que ir vê-la só pioraria a situação. Rin precisava entender que tinha acabado, e mais ainda, precisava de um detox dele em sua vida.

— Sei lá. É a primeira vez que você termina o relacionamento. Das outras vezes era sempre ela sendo superior, mas agora tá ai chorando pelos cantos – E deu um longo suspiro — Kurenai tá preocupada com ela, então...

— Então o quê? – Kakashi perguntou notando para a onde a conversa estava indo. Ele olhou para o homem diretamente, com seus olhos negros bem afiados num visível alerta para o outro.

— Então se você tiver tentando dar uma lição nela, acho que já deu – O homem disse por fim, ignorando o olhar duro sobre si.

Kakashi tomou um longo gole do seu café olhando para frente. Sim, estava incomodado com as palavras do outro porque parecia que ninguém o conhecia o suficiente para saber que ele não estava brincando quando disse a Rin que precisavam terminar aquele relacionamento. Ninguém o estava levando a sério.

Kurenai o havia ligado várias vezes para ser advogada de sua ex, apelando sempre para o quanto a mulher estava sofrendo e como as coisas poderiam ser diferentes se ele a desse mais uma chance. O ponto era que estavam juntos a mais de dez anos, não havia mais espaço para segundas chances porque desde o momento em que a aceitou de volta na primeira vez, desde aquele momento Kakashi tinha fechado as portas para ela sem sequer notar.

Gai tinha razão quando dizia que o que ela tinha feito era algo difícil de perdoar, e não é como se ele simplesmente tivesse esquecido isso, como se não o tivesse afetado. Ele a aceitou de volta porque achou que estivesse fazendo a coisa certa, mas o tempo que ficaram separados foi crucial para que Kakashi tirasse Rin da lista de prioridades da sua vida. Porque apesar de nunca ter sido apaixonado por ela, ele aprendeu a amá-la, e havia aquele carinho incondicional que o fazia querer que ela estivesse bem o tempo todo, mas depois do que aconteceu, aquilo foi sumindo lentamente.

Rin era uma ótima amiga, e apenas isso. Ele tinha transformado sua relação numa amizade com benefícios sem nem perceber, e se negou a aceitar isso até o último instante, até o momento em que sua mente gritou que aquilo não fazia mais nenhum sentido, e é claro que ele não era nenhum santo, aquela situação ter chegado naquele ponto também tinha sido sua culpa, porque ele tinha ficado desleixado, indiferente.

Além disso ainda havia sua traição, seu envolvimento com Sakura, seus sentimentos confusos que o afastavam cada vez mais daquela mulher que ele um dia chamou de sua namorada.

Ele podia ter esperado, no entanto, alguns dias antes de finalizar de vez aquela etapa tão duradoura de sua vida, porém Rin já havia perdido muito tempo por causa dele, ele já havia aguentado demais aquela situação, e uma vez aberta a caixa de pandora, aquilo não podia ser ignorado. Então ele agiu como um babaca, transou com ela e colocou um fim em tudo.

Ainda se sentia culpado quando lembrava do olhar dela, do jeito que a mão dela tremia enquanto ela tentava dizer a ele que ainda havia amor, mas ele estava decidido o suficiente. Sim, ainda havia amor, ele concordava, mas não era o tipo de amor que ela merecia. Rin era sua amiga, talvez sua melhor amiga, e só isso.

— Aoba, escute com atenção – Kakashi disse depois de coçar o nariz brevemente — Eu e Rin terminamos nosso relacionamento. Eu lamento que ela esteja tão mal, mas não vou voltar com ela. Também lamento que ela esteja dando trabalho pra Kurenai, e entendo que você esteja preocupado, mas me pedir pra voltar com ela não vai resolver os problemas que nós tínhamos no nosso relacionamento.

— Kakashi, eu não quis..-

— Eu sei. – O outro interrompeu quando notou o desconforto de Aoba. — Só estou falando que não, não estou fazendo isso pra dar uma lição nela. Estou fazendo isso porque ela merece ser feliz com alguém que realmente queira estar com ela. Eu mereço ser feliz com alguém que eu realmente quero estar junto. Eu espero que ela supere logo esse termino e possa se dar uma chance. Também espero que possamos ser amigos como um dia fomos, mas não vai ter volta.

Aoba concordou com a cabeça resignado. Kakashi era assim duro com as palavras quando precisava ser. Odiava que se metessem na vida dele apesar de nunca ficar com raiva dos amigos por conta disso, desde que ouvissem o que ele tinha a dizer. No final das contas, o homem sabia que o relacionamento do casal era tão confuso que nem os envolvidos entendiam direito, mas ele tinha que confessar que odiava ver Rin tão desesperada daquele jeito, principalmente porque ela era pura gentileza com todos.

Havia mentido quando disse que não a encontrou. A verdade é que a viu no supermercado e ela praticamente o implorou para dar aquele recado a Kakashi. Kurenai estava com ela, é claro, e lhe disse para não o fazer, mas ele não pôde evitar querer ajudar a amiga. No final das contas, aquilo foi o máximo que ele pôde fazer.

— Só espero que vocês sejam civilizados o suficiente para estarem juntos sem bater boca no mesmo espaço físico – Disse por fim — Eu vou tocar no Icon daqui duas semanas – Lembrou quando Kakashi o olhou confuso.

— Ah, merda... – E deu um longo suspiro — Ela tá com meu ingresso.

Eles se olharam por um longo momento e Aoba entendeu o recado, revirando os olhos por trás das lentes alaranjadas de seus óculos escuros.

— Toma aqui – E deu um par de ingressos para ele após tirá-los do bolso da jaqueta jeans.

— Tem dois aqui. – Disse olhando confuso.

— Vai que você arruma companhia – E sorriu de canto.

Kakashi riu abaixando a cabeça. Ele tinha mesmo os melhores amigos.

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Um de seus locais favoritos no mundo era o jardim botânico de Kyoto. Era um lugar amplo com grama verde e arbustos bem podados. Tinha uma enorme estufa com as mais diversas flores de todos os lugares do mundo, e mais para trás tinha um labirinto de folhas verdes que levavam até a mansão Yamanaka. O terreno onde ficava o jardim botânico era propriedade da família Yamanka, que dividia custos com o governo local para tornar o lugar aberto ao público.

O terreno ficava no meio da cidade e era uma das principais atrações turísticas da cidade, podendo ser alugado para festivais e eventos privados desde que os idealizadores assinassem um termo de compromisso em manter a propriedade limpa e as plantas seguras. A família Yamanka era conhecia pelo trato com as flores e pela franquia de floriculturas em todo o Japão.

Todo ano, no começo da primavera, a herdeira daquele complexo dava uma festa em comemoração à chegada da temporada das flores. Não era nenhuma festa enorme, mas Ino fazia uma lista vip com todos os seus melhores amigos, decorava a casa de hospedes de sua mansão, chamava uma banda ou dj, lotava os freezers com bebidas, as mesas com comida e tinha uma festa que era lembrada com uma das melhores na cidade.

Ino era uma influencer, trabalhava com seu perfil no Instagram com mais de 20 milhões de seguidores de todo o mundo. Ela ganhava produtos, passe livres para festas, fazia propagandas, e tudo que usava virava moda de alguma forma, e quando descobriram a festinha que ela dava todos os anos, o local começou a lotar com penetras e todo tipo de gente.

Foi quando a festinha de primavera virou um dos eventos mais desejados de todo Japão. A lista vip da Ino era uma das mais concorridas, sendo que até cantores famosos começaram a se oferecer para cantar de graça na festa, desde que ganhassem alguns nomes para pôr na lista. Era caótico de diversas maneiras, mas Ino adorava tudo aquilo.

Ela nasceu para a fama e sabia disso.

— ... Então galera, eu vou ficar meio sumida até o domingo por conta dos últimos preparativos para a festinha, mas vai ter cobertura vip de tudo o que acontecer por lá hein? Por enquanto eu e a Sakura vamos nos certificar que tudo vai está perfeito para o domingo! – E riu para a câmera do celular — Até depois seguimores!

— Nem sei porque você dá esses avisos – A outra disse enquanto Ino jogava o celular na bolsa — Sempre tá lotado os seus stories.

— Ah, porque vai que acontece algum imprevisto – E deu os ombros arrumando os cabelos. — Aliás, a hashtag "Sakura realmente existe?" voltou pros trends essa semana – Completou com uma risada — As pessoas acham que você é minha amiga imaginária.

Devido à natureza de seu hobby, e outras situações, Sakura evitava ter redes sociais, se limitando ao seu Instagram privado e ao Line, o aplicativo de mensagens que todo mundo tinha. Muito raramente ela aparecia nas fotos com Ino, que tomava cuidado para não marcar ela e revelar sua identidade, mas como sempre estavam juntas, era inevitável que Sakura fosse filmada de costas, ou sua voz saísse nos vídeos, ou até mesmo aparecesse só sua mão na câmera com um joinha.

E é claro que os 20 milhões de seguidores de Ino ficavam arredios querendo descobrir quem diabos era Sakura.

— De novo? – Resmungou — Diz que eu vou tá na festa, quem quiser me ver é só ir lá – Disse com deboche.

— Mas é esnobe. A fama tá te subindo à cabeça!

— Claro. – Ironizou.

As aulas da manhã tinham acabado e estavam livres para irem no centro para comprarem suas fantasias para a festa, que teria o tema festa a fantasia. Óbvio e simples, Ino instituiu que quem fosse de havaiano não entraria no local, porque ela queria que as pessoas se empenhassem, e kami! Quando a loira colocava algo na cabeça, não havia ninguém que pudesse mudar sua opinião.

Foi quando o celular de Sakura vibrou e Ino imediatamente revirou os olhos. Sakura sorriu quando viu o nome de Kakashi em suas notificações e riu mais ainda quando viu a mensagem dele.

"Tenho ingressos prum show pra daqui duas semanas, quer ir comigo?"

— Ele não desiste – Resmungou divertida enquanto respondia que ele podia fazer uma live do show para ela assistir junto a ele.

— Deixa eu ver – Ino encostou a cabeça perto da de Sakura e suspirou — Sabe, ele até que é fofo. – Disse dando os ombros — Vocês tão conversando há meses, talvez você devesse vê-lo.

— Você tá louca? O cheiro do formol da aula de anatomia fritou teu cérebro? – Sakura perguntou exageradamente enquanto Ino cruzava os braços na frente do corpo, assumindo aquele ar de sabe tudo — Eu não sei nada sobre ele. Ele pode morar do outro lado do mundo até.

— Não exagera – A loira resmungou — Ele fala japonês muito bem pra quem mora no ocidente. Tem um sotaque perfeito. – Disse — Podemos dizer que sabemos que ele mora no Japão.

— E daí? Ele pode morar aqui, em Kyoto! Não muda nada! Ainda não sei nada sobre ele.

— Você sabe um monte de coisas sobre ele – A outra retrucou — Outro dia você disse que ele tinha um sinal no pinto.

— Quem ainda fala pinto? – Sakura perguntou fazendo uma careta.

O celular vibrou novamente antes que Ino pudesse responder, ambas olharam no mesmo momento com a cabeça unidas.

"Sakura, eu sei que pode parecer absurdo para você, mas eu estou falando sério quando digo que quero sair com você. É, você não tem como saber se está segura comigo, e eu entendo isso, mas eu estou disposto a te encontrar onde você quiser que eu vá, no horário que você quiser. Pode ser na frente de uma delegacia até... Mas eu sinto que preciso ver você."

Ino olhou para Sakura com uma sobrancelha arqueada, bem inquisitiva, como se estivesse provando um ponto. A outra suspirou revirando os olhos. Desde quando Ino tinha virado pró-Kakashi?

— Olha, eu acho que você devia aceitar – A loira disse novamente, colocando a mão na cintura e assumindo a pose de quem estava pronta para um debate.

— Ino! – Sakura suplicou — Você sabe que eu não vou me arriscar desse jeito. Ele é legal, conversamos faz meses, mas eu não posso me arriscar – Disse com seus olhos sérios, Ino tinha que entender seus motivos — Eu já passei por muita merda e não to disposta a dar outra oportunidade pro destino me foder!

Sakura tinha um ponto e Ino reconhecia isso. Tinha esse cara que ela havia namorado por um tempo que a deixou cheia de traumas. Ele tinha sido um completo babaca e a expôs da pior maneira possível, desde então Sakura não teve nenhum outro relacionamento sério, sendo o mais próximo disso esse sexo casual com Lee, e claro o webnamoro com o tal Kakashi.

— Me dá seu telefone – Ino pediu estendendo a mão.

— O que você vai fazer?

Me dá seu telefone. – Enfatizou com seu olhar sério.

Ino... – A outra disse em alerta.

Sakura... – E movimentou os dedos como quem espera.

Argh!

Fora vencida.

Droga de confiança cega que ela tinha na outra! Ino pegou seu celular e deu as costas para ela, digitando fervorosamente enquanto a amiga ficava tentando ver o que ela estava fazendo sem muito sucesso. A verdade é que Ino nunca errava, e até quando estava errada estava certa.

— Agora a gente espera... – Ino disse olhando para a tela do celular, desviando das mãos de Sakura com habilidade — Olha, nem demorou!

Foi quando a outra simplesmente agarrou o telefone e olhou furiosamente para a tela, arregalando os olhos enquanto lia a mensagem enviada por Ino.

"Você me diz isso dessa forma, mas não faz nada para que eu acredite nas suas palavras. Eu não sei seu nome de verdade, não sei o que você faz ou onde mora. Eu sei que é justo que você faça isso desde que eu não revelo muito sobre mim, mas lembre-se que é você quem tá propondo esse encontro, então que tal me dar um voto de confiança e se apresentar devidamente? Talvez mude minha opinião."

— INO! – Sakura gritou aflita — Isso nem se parece com algo que eu diria! Kami-sama! – Resmungou por fim sabendo que não tinha nada a ser feito desde que já estava sinalizado como lido.

Seu coração estava a mil. Encontrar Kakashi era uma dessas coisas com o qual ela sonhava e ao mesmo tempo sabia que nunca ia acontecer. Sim, ela tinha lhe dito aquilo naquele outro dia, sobre também querer estar com ele, mas apenas porque achou que ele iria deixa-la. Foi estranho, mas ela sentiu que queria que ele soubesse que ela também pensava nele daquela forma.

Era inevitável estar envolvida com o homem que estava presente na sua vida diariamente. Seja em suas live-cams, ou por mensagem de texto, Sakura e Kakashi conversavam muito, riam e faziam coisas juntos ainda que estivessem a possíveis quilômetros de distância. Ela gostava da companhia dele, de como Kakashi a fazia se sentir especial, gostava da voz dele e também de quando ele ficava nervoso perto dela.

Ele era alguém que ela gostava como um todo, mas haviam outras coisas que ela não podia ignorar e que a faziam ter medo de vê-lo. A primeira de tudo era que não sabia quem ele era. Como estar em qualquer lugar com um homem que ela não sabia nem o nome? Tudo bem, ela sabia que ele trabalhava, sabia que ele lia livros com frequência e tinha vários cachorros, também morava numa casa enorme, mas isso não significava nada no mundo prático. Se ele quisesse sequestra-la não poderia nem dizer que sabia o número do telefone dele.

Também tinha o fato que não estava disposta a dar uma chance ao acaso. Já tinha tido um namorado psicopata e não estava muito afim de conhecer alguém com um enorme potencial para ser qualquer coisa, afinal, tinha que lembrar que o conheceu num site adulto, um local tóxico por natureza onde você acha as mais diversas bizarrices, ainda que ele tenha se explicado do porquê parou por ali.

E é claro, ele já tinha visto ela rebolando, nua, se tocando... Como ela iria encarar esse homem depois de tudo o que ela já fez na câmera para ele? Como ela poderia olhar nos olhos dele? E se ele só quisesse transar com ela e larga-la! E se ele percebesse que ela não era nada como ele achava que era?

Haviam tantos e se...

Além disso, também havia Rin. Porque na cabeça de Sakura, eles podiam voltar a qualquer momento.

— Confia em mim, Sakura – Ino disse mais afável quando viu a inquietação da outra — Você sabe que eu tenho intuições muito fortes.

Quando ia responder sentiu o celular vibrar. Ela engoliu seco e olhou para a amiga com apreensão. Ino acenou com a cabeça, incentivando a outra a continuar, e foi quando viram a mensagem juntas.

"Você tem toda razão, então... Muito prazer, eu sou Hatake Kakashi – Sim, você sempre soube meu nome de verdade – e eu moro no subúrbio de Kyoto, numa casa de muros altos. Sou veterinário, trabalho numa clínica num petshop em Shijo Kawaramachi e sou professor do curso de veterinária na Universidade de Kyoto... E... Hm... Não sei mais o que posso dizer... Talvez que frequento o Icon com os amigos, mas não sei se você conhece esse bar. Nem sei se mora em Kyoto na verdade..."

Sakura virou para Ino e elas se olharam por um longo momento em puro silêncio, até que a loira começou a rir enquanto Sakura engolia a seco com o pensamento em branco.

— Caramba! – Ino disse rindo — Pelos deuses! Ele trabalha aqui! – Disse de repente animada — Ele é professor do Kiba!

— Eu nem o que dizer – Sakura falou pasma, com seu pensamento a mil.

— Ah, mas eu sei – Ino se empertigou — Tá preparada para o melhor? – Perguntou fazendo suspense.

— Diz logo!

— Você já o viu! – Revelou jogando a cabeça para trás.

— O que?! Não... Eu... Ino?

— Ele é o veterinário da Kore!

Sakura colocou as mãos na boca chocada com a revelação. Ela olhou para os lados de repente desnorteada ainda assimilando os dizeres de Kakashi e a informação de Ino.

Veterinário da Kore!

A gata maine coon dos Yamanakas que tinha um caroço gigante no pescoço e passou por uma cirurgia para remoção. Sakura tinha acompanhado Ino numa consulta uma vez a muito tempo, e ela lembrava mais ou menos do veterinário, porque ele estava usando capote, touca cirúrgica e máscara. Só dava para ver os olhos e Sakura não reparou muito nisso, já que estava na recepção e ele a metros de distância dando atenção exclusiva a sua paciente: Kore.

— Eu não acredito. – Falou de repente com seu coração ainda a mil.

— Doutor Hatake! Que safado! – Ino disse ainda rindo — Ele deve ter uns trinta anos, não mais que isso – Falou e parecia tão em choque quanto a outra, mas de uma maneira muito mais explosiva — Bem, sabemos que ele não é um psicopata.

— Ino... – Disse com uma voz miúda.

— O que foi? – A loira parou com sua histeria — Tá tudo bem? – Perguntou logo em seguida, colocando a mão nas costas da amiga — Quer sentar?

— Ino... Eu to com medo – Disse por fim buscando um abraço.

— Eu sei, eu sei – A loira disse apertando a amiga, porque sabia que ela tinha passado por muita coisa e sabia o quão assustador podia ser encontrar uma nova pessoa, principalmente daquele jeito confuso e absurdamente próximo — Olha, confia em mim, tá bom? Vai dar tudo certo...

Sim, porque Ino sempre tinha as intuições certas e Sakura nunca teve motivo para duvidar dela. As vezes que foi contra a intuição de Ino, Sakura acabou se arrependendo. Foi assim quando ela quis pintar o cabelo de preto, ou quando se apaixonou por Sasuke na escola mesmo que Ino insistisse que ele era gay, ou quando se aproximou daquele namorado psicopata e a loira lhe disse que ele era problema.

Ino sempre estava certa, e acreditava que sua intuição não ia falhar agora.

— Olha, vamos fazer o seguinte – Disse afastando a amiga levemente, passando a mão gentilmente em suas bochechas — Ele é professor daqui, então vamos no prédio da veterinária e descobrir se ele tá dando aula agora a tarde.

— Pra que? – Sakura perguntou ainda com sua voz miúda.

— Pra gente ter certeza que ele não é nenhum esquisitão – Ino disse com convicção — Eu sei que isso não é garantia de nada, mas não custa nada ir olhar. A gente pode achar o Kiba por lá e saber alguma coisa dele.

Sakura olhou para a amiga por um longo momento, hesitante em continuar, mas no fundo sabia que queria fazer aquilo, porque agora sabia que as chances de ele ser um louco eram muito menores, e aquilo mudava tudo, porque seus motivos para não vê-lo tinham sido consideravelmente reduzidos.

— Tem um problema – Disse encolhendo os ombros — Ele não pode me ver... Meu cabelo é um holofote gigante.

— Vamos dar um jeito nisso. – Ino disse sorrindo — Vem!

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Passaram pelo prédio de medicina até o prédio vizinho. Medicina veterinária ainda ficava no quadrante dos cursos de ciências biológicas, o local onde todos usavam branco e moda era uma coisa que inexistia. No caminho para lá, Ino achou um de seus fãs que a cedeu um boné, fazendo deste item a peça chave para que Sakura pudesse esconder o seu cabelo.

Encontraram Kiba por acaso na entrada do local, ele estava com a namorada, Hinata, que confirmaram sua presença na festa de Ino e aproveitaram para dar as informações que Ino precisava sobre Kakashi, deixando as coisas ainda mais bizarras, porque Kiba era o aluno monitor da disciplina de Kakashi e falou tão bem do homem que parecia ser até um crime falar tão bem de um professor, reclamando apenas que ele chegava muito atrasado.

Depois de descobrirem a sala que ele estava dando aula naquela tarde, elas desbravaram os corredores daquele prédio desconhecido na surdina, e Sakura sentia que seu coração podia pular pela sua boca a qualquer momento. O que estava fazendo? Se ele a reconhecesse? Oh, Kami... Estava tendo uma crise de ansiedade, sentindo o suor começar a surgir pelo seu corpo.

Ino segurou a sua mão o tempo todo, olhando para dentro de todas as salas que passavam pela pequena janela das portas só por mera curiosidade. Segundo Kiba, Kakashi estaria dando aula para o quinto período, na sala antes do banheiro no primeiro andar. Elas estavam cada vez mais perto e Sakura já podia ver a plaquinha sinalizando o banheiro se aproximar.

Sua respiração ficava mais acelerada a medida que chegavam perto, e quando Ino parou a um passo antes da porta, a loira olhou bem nos seus olhos e sorriu, passando aquela energia de que tudo vai ficar bem, pedindo com sua voz suave que mantivesse a calma. Foi então que ambas colocaram o topo da cabeça naquela janela minúscula, dividindo o espaço, e lá estava ele.

Hatake Kakashi, ao vivo e a cores.

Ele era alto. Seu cabelo prateado era exatamente como na webcam, e ele usava uma calça jeans escura com uma camisa branca de botões com mangas arregaçadas, tinha um colete preto abotoado e uma gravata torta azul com listras brancas. Por trás da porta, as meninas conseguiam ouvir a voz dele como um eco, falando qualquer coisa sobre o sistema digestivo dos cães.

Sakura não conseguia tirar os olhos dele. O jeito que ele se mexia, como andava para lá e para cá. Tinha uma espécie de fascínio surgindo ali enquanto ele ministrava a aula. Apontou para alguém no fundo da sala e colocou as mãos na cintura enquanto ouvia pacientemente. Era tão estranho vê-lo assim, tão perto, ao alcance de uma mão. E tinha que concordar com ele, já o achava bonito pela câmera, mas pessoalmente... Mudava tudo.

Foi quando Ino simplesmente bateu na porta e Sakura quase teve um infarto quando ele virou na direção do som.

— Porca! – Sussurrou indignada, pulando para trás, tentando se esconder por trás do boné enquanto a loira se empertigava.

— Hm? – Kakashi disse abrindo a porta e olhando para a pessoa a sua frente. — Yo?

Sakura engoliu seco antes de simplesmente abaixar rapidamente para fingir estar amarrando seu tênis, não queria que ele direcionasse o olhar para seu rosto de maneira alguma.

— Ahn, Doutor Hatake? Acho que não lembra de mim – Ino falou maneando a cabeça — Yamanaka Ino, a irmã da Kore! A gata branca.

— Ah, sim! – Ele disse saindo um pouco mais da sala — Aconteceu alguma coisa?

E ouvir a voz dele assim, tão de perto... A mulher sentia seu coração martelar, como se a qualquer momento pudesse ter um infarto. Mesmo assim, arriscou uma breve olhada por baixo do boné, e ele estava parado ali, tão lindo!

— A Kore tá soltando muito pelo... – Disse obviamente inventando alguma coisa na hora — Será que é algo da cirurgia? Eu sei que devia ter marcado uma consulta, mas é que eu estudo aqui do lado e a gente só ficou preocupado... – Se adiantou em explicar.

— Tudo bem – Ele disse gentil — Não deve ter nada a ver com a cirurgia, mas por garantia a gente pode fazer alguns exames. Vocês não trocaram a ração dela, não é? – Perguntou.

— Ah, na verdade sim... Estamos dando alimentação caseira, sabe? Algo mais natural.

— Bem, pode ser isso. – Considerou brevemente — Leve ela no consultório, vamos dar uma olhada na pequena Kore.

Se levantou novamente quando notou que já estava a tempo demais amarrando o tênis, em tempo de ver o homem sorrir polidamente para Ino, fazendo seu rosto queimar enrubescido.

— Ok, Doutor Hatake! – Ino disse sorrido de volta — Obrigada e desculpa atrapalhar sua aula!

— Não tem problema. Cuide bem da Kore. – Falou acenando para ela, mas seus olhos miraram na pessoa ao lado da loira. Ele encarou aquela figura por um momento e quando percebeu que estava olhando para ele, Kakashi sorriu e enfim voltou para dentro da sala.

Sakura se curvou com a mão no peito. Sentia que estava prestes a desmaiar. Sugou o ar com força enquanto sentia a mão de Ino lhe erguer, arrastando-a para o banheiro.

— Você tá bem? – A loira perguntou muito preocupada.

— Você é louca! – Sakura retrucou incrédula — Você chamou ele! Ele tava... Ele tava...

— Respira! – A outra ordenou abanando um caderno na frente da amiga, para produzir mais vento — Foi só pra saber se era ele mesmo...

— Eu já sabia que era ele mesmo! – Sakura disse sentindo o coração acalmar lentamente — Por deus, Ino!

A loira deu uma risadinha enquanto assistia o rosto vermelho da amiga, seus olhos verdes ansiosos como se tivessem descoberto algo completamente novo. Particularmente, Ino achava as reações de Sakura tão fofas. Era como se ela fosse uma garotinha ainda, vendo o cara que ela gostava sorrir para ela daquele jeito despretensioso. Mesmo com todas as merdas que tinham acontecido na vida dela, Sakura ainda tinha esse espírito de menina, e Ino amava isso.

— E ai, tá mais calma? – Perguntou quando a mulher já respirava melhor.

— Uhum – Sakura disse parecendo menos atordoada — Eu achei que ia enfartar.

— Eu também. - Elas riram por um longo momento. — O que você vai fazer agora? – Perguntou por fim, lançando um olhar gentil para Sakura.

— ... O que você acha? – E aqueles olhos verdes estavam encolhidos, quase que implorando. Ino abriu um sorriso travesso antes de responder.

— Acho que ele é gostoso. – E elas riram mais um pouco depois que Sakura revirou os olhos.

— Eu sei que ele é gostoso – Disse com humor — To perguntando se você acha que ele me reconheceu... Porque ele sorriu pra mim ali no final e...

— Não, Sakura. – A outra disse com toda certeza do mundo — Se ele tivesse te reconhecido não teria voltado pra terminar a aula. — Completou vendo a amiga concordar com a cabeça, silenciosamente. — E aí... O que você vai fazer? – Perguntou novamente.

— Eu não sei. – Confessou. — Eu to com tanto medo. – E riu — Tudo bem, ele não é um psicopata. Pelo menos não parece ser, mas... E se ele voltar com a namorada? E se ele não gostar de mim? E se...

— Para, Sakura – Ino interrompeu — Relacionamento é se arriscar. É tudo ou nada. – Falou enquanto se escorava na pia — Na minha opinião você devia arriscar. Eu sei que muita coisa pode acontecer e que você pode se magoar no processo, mas ele parece valer a pena. – E deu os ombros — Sei lá, eu to com essa intuição de que você devia pelo menos dar uma chance e se encontrar com ele.

Sakura a olhou por um longo momento, absorvendo as palavras de Ino, entendendo o que ela estava lhe dizendo ali. Relacionamento é se arriscar. E que rico ela estava correndo? Porque ela já tinha sido ferida de formas que ninguém deveria ter sido. Porque ela não queria colocar aquele homem na sua lista de decepções. Porque ela já não sabia se queria colocar seu tudo em jogo.

O sinal tocou fazendo-as perceber que passaram tempo demais ali. Sakura passou uma água no rosto e ambas fizeram seu caminho até a saída com a mulher dos olhos verdes mergulhada em seus pensamentos, ainda processando aquele Kakashi parado bem na sua frente, lhe sorrindo com seus olhos.

No caminho para o estacionamento, sentiu seu celular vibrar.

"Eu realmente quero ver você, mas só se você quiser isso também. No final das contas, eu só não quero que você saia da minha vida, então... Se quiser continuar por aqui, ficamos aqui, mas eu queria muito que você pensasse sobre o próximo passo, porque eu quero tanto que haja um próximo passo pra nós dois... Parece besta, não é? Talvez eu só esteja ansioso porque você ainda não me respondeu"

Sorriu quando viu a mensagem dele, de repente entendendo que não era só ela colocando seu tudo em jogo ali.

— Ino – Chamou antes de entrarem no carro — Eu quero encontrar com ele. – Disse com certeza e viu a amiga sorrir — Mas... Eu...

— Eu sei – A outra disse antes que Sakura pudesse formular qualquer frase — Você ainda tá com medo. Tudo bem. Vamos fazer isso cem por cento seguro, ok?

— O que você tem em mente?

— Confia em mim.

.

.

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Quanto tempo ela ia fazê-lo esperar? Kakashi suspirou olhando para o celular enquanto rolava o dedo passando sua central de notificações para cima e para baixo. Já tinham se passado duas horas inteiras e ela ainda não havia respondido. Talvez tivesse achado seu facebook e tivesse odiado. Será que ela o achava hipócrita por ser veterinário e adorar churrasco?

Ele se escorou na cadeira jogando a cabeça para trás. Mentalizava responda repetidas vezes, imaginando se foi assim que ela se sentiu quando ele passou o dia todo sem responde-la. Tortura! Vingança!

Acabou rindo dos seus próprios pensamentos porque provavelmente ela só estava ocupada. Ela havia avisado que seus horários eram confusos, mas que sempre apareceria a noite para bater papo, assim só restava a ele reunir seu material e voltar para casar, porque já tinha encerrado suas aulas naquele dia e...

Seu celular vibrou.

Mais rápido do que achou que poderia ser, Kakashi desbloqueou com o dedo e abriu as notificações, vendo lá o nome dela estampado. Sorriu ansioso abrindo a mensagem e sorrindo mais ainda.

"Veterinário? Agora seus oito cachorros fazem total sentido!"

Foi a primeira, mas o aplicativo ainda sinalizava que ela estava digitando, então ele se conteve e continuou esperando.

"Aliás, muito prazer Kakashi! Eu desconfiei que esse pudesse ser seu nome de verdade, e ainda bem que estava certa, não sei se conseguiria me adaptar a te chamar de outro nome! Combina com você de alguma forma!"

Ele riu imaginando a cara dela, a expressão que tinha feito quando descobriu seu segredinho, mas o melhor ainda estava por vir.

"Você é mesmo insistente... Sabe, eu também moro em Kyoto... Então acho que podemos sim nos ver, eu vou dizer o local e a hora, e se você não puder ir então não vai ter uma segunda chance, Kakashi... Acho que como um morador de Kyoto você sabe da festa anual que rola lá no jardim botânico. Eu vou dar um jeito de colocar seu nome na lista, então nos vemos no domingo, a partir das 22 horas. Lembrando, é sua única chance."

Kakashi não sabia que podia sorrir mais do que já estava sorrindo. Kyoto é? Ele se sentiu vitorioso porque já sentia que ela estava tão perto! E apesar de nunca ter ouvido falar da tal festa do jardim botânico, Kakashi com certeza apareceria lá e ninguém poderia evitar isso!

"Sakura... Você não vai se arrepender... Com certeza nos vemos lá!"

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OLÁ AMÉRICA LATINA!

América esta que não me deixa comentários ):

Uma fic sem comentários é uma autora infeliz, já dizia Clarice Lispector. ):

Espero que vocês estejam bem, com muita saúde hein!

EEEEE... CONTINUEM COMIGO! ESSA HISTÓRIA AINDA TEM O QUE DAR!