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Com a urgência dominando seus sentidos, Sakura havia conseguido dominar a gigantesca moto de Kiba pelos corredores do trânsito de Kyoto. Levou uma série de buzinadas por ter infringido algumas leis e princípios de boa convivência entre motoristas, dando sorte de não ser parada por nenhum policial ou guarda de trânsito. Ela não tinha tanta familiaridade com veículos de duas rodas, exceto sua antiga bicicleta, mas no final das contas sua habilitação tinha sido colocada a prova e Sakura tinha conseguido vencer.

Chegou ao hospital estacionando o veículo na vaga mais próxima à entrada que encontrou. Uma coisa boa sobre motos é que elas cabiam em quase todos os lugares, então não teve que perder tempo numa busca improdutiva por uma boa vaga, apenas largou a moto no lugar mais próximo e saiu correndo com seus cabelos flutuando emaranhados devido ao trajeto feito sem proteção devida.

Não se importou com isso, sequer havia percebido, apenas entrou apressada na recepção colocando suas mãos em cima do balcão branco que ocupava uma boa parte daquele lugar. Haviam três atendentes, uma delas Sakura conhecia de suas visitas intermináveis à Tsunade, e foi ela quem percebeu seu semblante dolorido antes de simplesmente perguntar o que havia acontecido.

As palavras tinham saído tão depressa, tão urgentes. A frase toda soou como uma só palavra pela velocidade absurda que os fonemas eram emitidos de sua boca. Seus olhos eram suplicantes e tudo nela soava como se estivesse prestes a desabar. Sakura sentia-se no limiar de tudo o que estava passando nas últimas semanas, como algum tipo de contagem regressiva estivesse prestes a acabar.

Tinha segurado a barra durante aquelas semanas de maneira quase metódica, sustentando sua sanidade se concentrando plenamente nas coisas que importavam e que a faziam feliz. Estudou como nunca, aproveitou seu tempo com os amigos, arrumou novos hobbies para se ocupar, tudo porque sabia que assim que sua mente parasse por um momento, assim que pensasse sobre o que estava acontecendo, então tudo desabaria.

Sequer sentiu as lágrimas caindo de seus olhos enquanto o elevador subia ao andar indicado pela moça, sequer percebeu seu pé batendo insistentemente no chão enquanto seus pensamentos giravam sobre o suposto acidente que Kakashi havia sofrido, porque além de tudo que envolvia a saúde e segurança dele, também havia a questão de determinar se havia sido criminoso ou não.

Sasori.

Tudo soava como o ruivo e seu olhar fatal. Lembrou das palavras dele, do último recado dado. Ela era dele e apenas dele. Qualquer tentativa que fizesse de se envolver com outro homem daria nesse tipo de resultado desastroso, porque era assim que Sasori resolvia as coisas. Apertou a mão num punho quando as portas de abriram, deu passos apressados na direção do quarto, olhando as placas com urgência enquanto se orientava pelos corredores.

Kakashi...

O bolo já estava em sua garganta enquanto lembrava das palavras de Rin ao telefone, do tom de voz contido e solene. Será que ela a culpava? Será que Rin sabia que era tudo culpa sua e de sua incapacidade de ser altruísta uma só vez em sua vida? Ela tinha que ter arrastado Kakashi para aquele limbo perigoso onde vivia, não é mesmo?

Os passos apressados produziam um ruido característico de seus tênis amarelos surrados enquanto as lágrimas pingavam em sua roupa. Alcançou a porta com sua mente em completo curto, colocando a mão no trinco de forma tão firme quanto alguém que tinha certeza de tudo, mas Sakura não tinha nenhuma certeza naquele momento, e por isso sua mão agarrou aquele trinco completamente incerta sobre tudo o que viria a seguir.

E foi muito mais do que ela poderia aguentar.

Sakura desabou.

Começou a chorar enquanto mordia seu lábio inferior com tanta força, sentindo a for percorrer seu corpo como um sinal elétrico passando por suas terminações nervosas e lentamente tudo era aquilo. Dor, culpa, egoísmo e arrependimento. Abraçou a si mesma enquanto seus joelhos fraquejavam, indo ao chão enquanto tentava manter o controle de seus ruídos chorosos.

Saber que Kakashi, novamente, tinha sido alvo das tramoias de Sasori fazia seu peito doer. Se antes ele atacou os sentimentos dele, agora estava dando seu recado de maneira física, ameaçando a vida do homem que não se importava se ela o amasse de um jeito egoísta. Sakura chorou por medo, por angustia. Chorou porque era gentil demais para, de fato, amá-lo de um jeito egoísta. A verdade é que ela nunca amou alguém de maneira tão altruísta, a ponto de sempre pensar em abrir mão de Kakashi por achar que ele estaria melhor sem ela.

Finalmente cedia a tudo, não é? Era como se todo mundo já esperava aquilo dela, afinal ela era fraca de dependente de todos, e uma vez sozinha, tudo vinha como cascatas violentas no silêncio mórbido daquele corredor onde nenhum deles poderiam alcançá-la... Ninguém entraria ali para tentar salvá-la, e isso a confortava de um jeito sóbrio, porque em seu interior, ela queria se castigada pelo seu egoísmo.

Sim, porque ela era responsável por todos esses eventos trágicos que estavam acontecendo de maneira sequenciada. Ela estava transformando a vida tranquila de todos num caos completo, e se em algum momento ela pudesse livrar todos dessa dor, se por um segundo ela pudesse simplesmente encontrar Sasori e dizer que a levasse...

Então ela o faria.

Todo mundo estaria melhor sem ela e seu peso enorme. Todo mundo teria uma boa vida sem alguém tão passivo quanto ela dependendo de todos ao seu redor. Ela queria que Ino pudesse se concentrar nas coisas dela, como sempre fazia. Queria que Shikamaru não tivesse trabalho extra por conta de um caso que deveria sequer existir. Queria que Naruto não precisasse se deslocar de tão longe apenas para assistir um filme qualquer consigo, ou que Kakashi continuasse em sua vida tranquila sem o temor de estar sendo stalkeado por um psicopata.

E tudo isso doía dentro dela, tudo isso a fazia querer tomar uma decisão e acabar com tudo aquilo. Ela queria simplesmente encontrar Sasori e dizer a ele, com todas as letras, que estava pronta para ir onde quer que ele quisesse levá-la, e que daria a ele tudo o que quisesse desde que isso significasse que seus amigos e família, que seu namorado, que todos ficariam em paz e longe dele.

Ela até daria uma desculpa a todos, assim ninguém a procuraria, ninguém os incomodaria. Sakura seria de Sasori como ele sempre quis, e aceitaria isso de uma maneira tão profunda que nada poderia salvá-la. Sakura estava disposta aceitar todo um destino malfadado se isso significasse que todos aqueles que amava estariam seguros.

Estava disposta a sacrificar tudo.

Porque ela não aguentava mais, ela não conseguia mais lidar com tudo aquilo. Ela não conseguiria entrar naquele quarto e ver Kakashi num sono cruel, e mesmo que estivesse acordado àquela altura, ela não conseguiria lidar com aquele olhar de amor que ele sempre lhe dava, porque ela não o merecia.

— V-você está bem?

A voz arranhada soou pelo espaço trazendo Sakura de volta ao presente. Ela esfregou seus olhos enquanto sentia a presença de alguém se aproximar, viu os sapatos pretos de bico fino lustrados e subiu seu olhar embaçado para o rosto do homem, que lhe olhava de maneira preocupada com os braços meio levantados, incerto sobre tocá-la ou não.

Suas sobrancelhas negras estavam franzidas e seu cabelo baixo era tão escuro quanto seus olhos. Ele lhe lembrava, vagamente, Sasuke e sua família. Parecia estranhamente familiar, estranhamente convidativo, estranhamente acolhedor.

Talvez fosse apenas carência, mas Sakura apenas se jogou nos braços dele em lágrimas dolorosas enquanto o homem lhe abraçava sem dizer uma palavra sequer. Parecia como um filme estranho onde duas pessoas que de alguma forma estão destinadas uma à outra se encontram quando mais precisam.

Ele era alguém que não sabia nada sobre sua vida cheia de problemas, e isso era de alguma forma satisfatório. Só precisava chorar um pouco, só precisava que alguém a tirasse daquele vão por um momento para enxergar um panorama mais amplo que a levasse a tomar uma única decisão.

Precisava sumir.

Foi um pensamento breve, mas lembrou das palavras de Kakashi sobre fugir. Sasori não conseguiria rastreá-la fora do Japão se ela tomasse os devidos cuidados. Tudo bem que ficaria longe de todos, tudo bem que tudo seria deixado para trás. Ela só precisava saber que eles não seriam mais importunados pela sua presença.

E como um filme, sua vida passou diante dos seus olhos, com seus amigos rindo para si, com as promessas que foram feitas, com os olhares de amor de Kakashi e seus sorrisos-casa que ela tanto amava.

Quis chorar um pouco mais, porque não queria mesmo abrir mão de tudo. Não queria, mas...

Ela se afastou do homem depois de um momento se sentindo constrangida por seus pensamentos e por sua reação exagerada. O cheio amadeirado do perfume dele ainda estava em suas narinas quando ela o olhou confusa, incerta e ferida.

Realmente, ele lembrava os irmãos Uchiha de alguma forma.

— Tá tudo bem? – Ele perguntou e maneira gentil com sua voz arranhada. Não era rouca e suave como a de Kakashi, mas sim grave e arranhada, como se um disco velho fosse colocado para tocar.

..h-hai. — Ela disse passando as mãos em seus olhos, sentindo que deveria dizer um pouco mais além disso — Meu namorado, ele... – Engoliu seco com o gosto amargo das palavras em sua voz — Sofreu um acidente. – Disse por fim olhando para a porta e depois para o chão.

Acidente.

A palavra soava tão esquisita em sua voz, porque Sakura sabia que não tinha sido nenhum acidente.

— Ele tá nesse quarto? – O homem perguntou olhando para a porta com uma interrogação no olhar — Porque um amigo meu sofreu um acidente também, e me disseram que ele está aqui – Apontou.

— Kakashi? – Sakura disse por reflexo — Você conhece Kakashi?

— Sim, nós somos amigos de infância. – Sorriu e Sakura se sentiu estranha, ele não parecia em nada com os irmãos Uchihas. — Mas eu tô aqui à trabalho. Sou policial e parece que o acidente dele foi, na verdade, um ato criminoso.

É claro que foi.

Sakura riu brevemente com amargura ao receber a confirmação que sequer precisava. Ela olhou para a porta e depois se resignou, constrangida com o fato de ter desabado daquela forma e se deixado levar por um abraço com alguém que era íntimo de Kakashi de alguma forma. Se sentiu exposta num nível que geralmente não ficava na frente de estranhos e se levantou vagamente.

Olhou mais uma vez para a porta do quarto e sentiu que não podia entrar lá e encarar Kakashi, e ao mesmo tempo não queria mais encarar o homem a sua frente. Que tipo de pessoa ela parecia? Alguém no mínimo miserável, com certeza.

— Aliás, se você é a namorada dele... Então você é a Sakura, não é?

— É, sim. – Disse de repente incomodada com o fato de ele não parar de falar — Haruno Sakura. – Completou olhando para ele um tanto mais séria enquanto tentava puxar da memória algum amigo de Kakashi que se parecesse com aquele homem.

— É um prazer finalmente conhece-la. Ouvi falar muito sobre você. – Ele disse com um daqueles sorrisos que a deixavam com uma sensação estranha. Nada parecido com os sorrisos de Sasuke ou Itachi. — Na verdade, é até conveniente que você esteja aqui, já que o carro está no seu nome – Falou em seguida passando a mão nos cabelos como se estivesse pedindo desculpas — Tenho algumas perguntas para você.

Eles ficaram em silêncio por um momento. Sakura queria se livrar dele, queria sair do hospital, queria vagar por toda Kyoto até encontrar Sasori e fazê-lo parar de uma vez por todas. Ela não queria falar com um policial qualquer que achava ter poder para resolver qualquer caso na sua vida.

— Você pode falar com meu advogado – Ela disse de maneira que soava quase como Ino, sabendo que ser ríspida com alguém que estava sendo no mínimo legal era exatamente descortês, mas naquele momento seu humor variava, e a única coisa que ela sabia que precisava fazer era sair daquele hospital.

Ela não podia ver Kakashi, ela não podia fazê-lo correr mais riscos.

— Claro – Ele disse em seguida como quem acaba de perceber alguma coisa — Que indelicadeza a minha. Você ainda nem o viu, não é? — Perguntou coçando os cabelos por um momento — Depois eu falo com você sobre o carro, mas antes, me deixe te acompanhar até o banheiro para você lavar o seu rosto. – Disse apontando para ela — Você não vai querer que a primeira coisa que ele veja quando acordar seja sua cara de choro, não é?

— Hm? Eu... – Esfregou o rosto por mais um momento. Sua maquiagem devia estar arruinada, e a sugestão do policial era provavelmente a melhor a se fazer. Jogar água fria no rosto iria ajudá-la a manter sua sanidade, nem que fosse apenas o suficiente para pelo menos tentar organizar seus pensamentos e talvez se livrar dele. — Certo – Concordou por fim, ainda como se isso soasse como mais um motivo para adiar a entrada naquele quarto onde Kakashi jazia — Mas não precisa me acompanhar – Ela informou tentando afastá-lo — Posso fazer isso sozinha.

— É claro que pode, mas eu não vou deixar a namorada do Kakashi sozinha – Ele disse com um semblante quase teimoso — Principalmente depois de te encontrar chorando. – E a olhou por um momento.

Sakura não tinha forças para discutir, na verdade ele soava um pouco como Naruto, quase insistente demais. Quando chegasse ao banheiro feminino, poderia simplesmente se livrar dele por um momento e ceder aos seus pensamentos. Não queria estar na companhia de um dos amigos de Kakashi, principalmente quando estava tão vulnerável a ponto de querer apenas encerrar todo aquele capítulo de dor.

Além disso, aquele era um amigo que ela não conhecia, e apesar de ele lhe transmitir certo nível de conforto, o homem também lhe transmitia em mesma medida um certo nível de alerta. Ela não sabia explicar, mas algo a fazia querer ficar longe dele.

Talvez estivesse ficando louca.

— Quem é você, aliás?

— Ah, é! Eu nem me apresentei – Ele disse andando ao lado dela na direção dos banheiros do andar — Meu nome é Uchiha Obito, muito prazer.

... Uchiha?

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Morto? – Ela repetiu a palavra sendo pega de surpresa pelo significado de toda a frase. — Como assim morto? – Perguntou piscando aturdida, olhando para Genma ao seu lado que parecia tão confuso quanto ela.

Eu vou te explicar. – A voz preguiçosa de Shikamaru soou mais técnica, mais presente, como se ele estivesse se empertigando naquela cadeira preta de escritório. — Meus caras não acharam nada aqui em Kyoto, e isso foi logo na primeira semana. Tudo indicava que ele não pisava aqui desde aquela época em que você o baniu da cidade, mas eu sabia que você não ia se contentar com isso e fui atrás dele em Tóquio, afinal ele estava perturbando Sakura.

É claro que Shikamaru conhecia Ino bem demais para saber que qualquer resultado que não fosse o que ela queria seria problemático demais para se lidar. Ino era uma pessoa que sabia o que queria e não aceitava menos, por isso ele se adiantou e mandou seus caras atrás do alvo na grande capital enquanto organizava o que sabia até então, que não era muito além de que Sakura estava sendo stalkeada por um homem que se dizia Sasori.

Ino lhe disse que haviam fotos da rotina de Sakura durante todo um mês, com uma clara ameaça para que ela e Kakashi terminassem aquele relacionamento, além disso tinha aquela imagem especial do sextape de Sakura, e nada além. Ele colocou um período de no mínimo um mês para Sasori ter retornado a Kyoto ou mandado alguém para atazanar Sakura.

Enquanto seus homens seguiam o rastro dele lá, Shikamaru se adiantou em Kyoto e foi atrás dos seus contatos para conseguir a gravação das câmeras que ficavam na rua da menina, já que as internas do prédio estavam desligadas no dia. Não era como se fosse um material fácil de arrumar desde que eram protegidos por leis e etecetera, mas ele só precisava do vídeo correspondente ao dia que o pequeno apartamento fora invadido, e ainda que demorasse um pouco, ele poderia finalmente encontrar uma pista decente da pessoa que estava executando os planos.

Pediu ao seu contato e esperou por qualquer próximo movimento.

Antes de eu obter o vídeo, meus caras acharam um contato de Sasori disposto a falar. – Informou e a essa altura Ino deslizava o dedo pelos lábios focando em qualquer coisa a sua frente enquanto prestava total atenção nas palavras de Shikamaru, tensa. — Sasori parecia ser uma lenda urbana àquela altura. Não vou entrar em detalhes. – E Ino olhou para Genma tentando permanecer calma, porque quando Shikamaru falava algo como aquilo, então a coisa tinha sido complicada.Mas com o incentivo certo, eu consegui achar um cara chamado Kabuto que parecia ter sido um dos últimos a ter tido contato com ele antes o sumiço.

— Eu quero saber quem é Kabuto? – Ela perguntou engolindo seco.

Humpf – Shikamaru riu dela. Kabuto era o homem que dopava as garotinhas mais agitadas durante o translado para o encontro com seus compradores. — Não me faça esse tipo de pergunta. – Respondeu porque ela sempre fazia isso, como se estivesse imaginando o pior — Vamos focar no que interessa.

E o que interessava era a informação básica e primordial para tudo aquilo: Sasori estava morto.

Foi isso que Kabuto lhe disse depois de uma sessão de tortura e ameaças. É claro que antes fora oferecido uma boa quantia em dinheiro para que a informação fosse dada sem grande demora, mas o homem resistiu e Shikamaru não teve muita escolha além de apelar, porque tudo aquilo não lhe cheirava bem, e Sakura ainda estava em perigo.

Kabuto, é claro, só falou quando achou que estava prestes a morrer, e parecia inteiramente amedrontado pela possibilidade de alguém descobrir. Naquele momento, Kabuto finalmente lhe deu a informação que mudaria o rumo de tudo. Sasori estava morto a mais de sete meses, e aparentemente tinha morrido de maneira misteriosa.

É claro que Shikamaru não acreditou de primeira, porque só a palavra de Kabuto não lhe era suficiente para eliminar Sasori dessa equação, por isso ele mesmo viajou a Tóquio, mas não antes de conseguir as imagens de segurança.

Quando as imagens de segurança chegaram, eu peguei o rosto de todos que entraram no prédio naquele dia. Inicialmente não havia ninguém sequer parecido com Sasori, mas mesmo assim eu fiz um arquivo e deixei tudo pronto. Também consegui a relação de moradores do prédio dela, dos que tinham se mudado recentemente, tudo. Não descartei nenhuma possibilidade, afinal nada estava fazendo muito sentido àquela altura.

Genma ouvia o relato e se sentia atordoado. Era como estar num daqueles filmes onde existe alguém que tem um cérebro tão avançado que é quase impossível acompanhar. O homem sentia como se Shikamaru fosse algum tipo de maníaco que não conseguia pensar em outra coisa além de resolver o caso. Ele olhou para Ino completamente concentrada que apenas concordava com ele, absorvendo as informações.

Eles estavam num nível completamente diferente, e esse tal de Shikamaru soava assustador aos seus ouvidos. Alguém que tinha acesso a tantas coisas podia fazer o que quisesse. Agora ele entendia um pouco mais sobre o poder do dinheiro, e das conexões com todos.

Mas mais ainda, Genma estava completamente assustado com o teor de toda aquela investigação. Ino tinha lhe contado a história de Sakura e sobre o ex-psicopata que era um criminoso procurado, mas ouvir tudo aquilo da loira era muito diferente de ouvir Shikamaru e seu tom de voz bizarramente profissional que relatava o caminho até chegar numa informação que obviamente fora difícil de ser conseguida.

Dai eu também peguei a lista de visitantes que tiveram naquele dia no prédio da Sakura. Eles são bem organizados e havia nome e número de identificação do registro geral apesar de eles não terem acesso ao sistema para conferirem a informação. De todo modo, eu consegui dar nome a todos os rostos, mas descobri que Sasuke fez uma visita a Sakura naquele dia, entretanto não havia nenhuma imagem dele na câmera.

— Céus! Alguém se passou por Sasuke! – Ino exclamou gesticulando para o celular antes de olhar para Genma de maneira involuntária, como se quisesse que ele confirmasse sua afirmação, mas este só pode lhe encarar de volta com o cenho franzido em pura tensão.

Sim, mas não havia ninguém exatamente parecido com Sasuke no vídeo. – Shikamaru disse de maneira quase desleixada — Você sabe: Cabelo preto, olhos pretos... Pode ser qualquer um.

Apesar de Ino alegar que Sasuke era especialmente bonito, noventa porcento da população de Kyoto tinha as características padrão-Uchiha, e as câmeras não eram exatamente de alta resolução, mas discutir isso era irrelevante, o ponto era que ele tinha uma pista de como o apartamento tinha sido invadido sem causar nenhum rebuliço. Alguém sabia que Sasuke tinha acesso livre ao apartamento e usou isso para subir. Algo simples e um pouco arriscado, mas para um prédio regular como o de Sakura com baixa segurança... Foi o suficiente.

Depois disso, finalmente foi a Tóquio resolver o mistério número um: A morte de Sasori.

Ele era um criminoso de alto nível, então Shikamaru fez o caminho mais curto e mais óbvio: Quis o arquivo dele na delegacia.

Um criminoso como Sasori certamente tinha registros sigilosos dentro da organização de segurança distrital, que apesar de ser corrupta principalmente na região de Akihabara, também tinha que prestar contas a fiscalização federal, e, portanto, tinham que registrar as mortes de pessoas importantes dentro do crime organizado, como a de Sasori, para não levantar suspeitas.

Demorou três dias inteiros para conseguir o tal arquivo e nesse meio tempo o cachorro de Kakashi morreu, com mais uma pista confusa. Fez o mesmo procedimento de solicitar ao seu contato a gravação da rua de Kakashi enquanto estava em Tóquio ainda, olhando os registros de Sasori, que eram anexados a um registro bem maior sobre as investigações de pornografia infantil e tráfico de crianças.

Sorte grande.

Ali estava a data e a hora da morte de Sasori, com fotos do ocorrido e, como Kabuto disse, foi em um beco em Akihabara, morto a facadas. O corpo foi levado para o interior de Osaka, enterrado no cemitério local juntamente ao seus pais. Poético. Mas não havia muito tempo para ser empático com o criminoso, por isso Shikamaru continuou lendo tudo aquilo.

Porque se Sasori estava morto, então quem estava atrás de Sakura?

Revisou o que sabia: Alguém estava se passando por Sasori para separar Sakura de Kakashi. Essa pessoa estava a um mês monitorando o casal, tinha acessado o apartamento dela através do nome de Sasuke no dia do aniversário de um mês de namoro dos dois, usou a foto do sextape de Sakura e deixou uma clara mensagem para assustá-la e fazê-la terminar o namoro. Além disso, o cachorro de Kakashi tinha sido morto por ele, com uma mensagem óbvia dizendo para que ele ficasse longe dela.

Enquanto lia aquele arquivo gigantesco, Shikamaru pensava no que estava deixando passar, tentando fazer as perguntas certas. Porque alguém iria querer separar Kakashi de Sakura? Na verdade, Sakura tinha aquele peguete fixo que durou algum tempo e não foi perturbada por isso.

Lee. Era o nome dele, não é?

O que Lee tinha de diferente de Kakashi? Os dois tiveram uma relação com ela a nível sexual, e os dois alegavam estarem apaixonados por ela. Lee era até mais emocionado, mandando flores durante as aulas.

Foi aí que eu pensei que talvez Sakura não fosse o alvo.

— O que? – Ino exclamou claramente confusa — Não faz sentido! – Disse mais imperativa — Shikamaru, não tá fazendo nenhum sentido! – E estava cada vez mais agoniada com o relato do outro, que só gerava mais dúvidas. — Você sabia disso a semanas! Porque não me disse!?

A loira estava tão tensa que o ar na pequena cozinha de Genma estava pesado. Ela ouvia o relato atentamente porque sabia como Shikamaru era detalhista com seu trabalho. Mesmo que ele tenha dado a informação pseudo mais relevante naquele caso logo de cara, aquilo não respondia muita coisa, mas a incomodava que ele não a tivesse atualizado em tempo real.

Ele simplesmente optou por tomar todas as decisões naquele caso sem que ela pudesse opinar, e ela odiava isso em Shikamaru. Odiava que ele fosse tão autossuficiente a ponto de girar seu pensamento de tal forma.

Kakashi sendo o alvo? Isso não fazia nenhum sentido, ele era apenas um cara normal com uma vida normal.

— Ino... – Genma disse colocando a mão no ombro dela, porque visivelmente ela estava prestes a ter um ataque de nervos. Se olharam por um momento até ela desviar o olhar um pouco irritada, um pouco constrangida.

Porque você ficaria histérica e Sakura sentiria isso, e talvez nosso enigmático stalker percebesse qualquer mudança de comportamento. Eu precisava manter vocês agindo conforme a dança dele para conseguir as informações que precisava. – O homem explicou brevemente. Ele conhecia Ino desde que nasceu, e sabia como a mulher poderia agir quando se tratava da melhor amiga, e definitivamente Shikamaru precisava manter as coisas calmas para prosseguir com tudo, porque ele achava que, naquela altura, ele estava perto de desvendar um grande mistério.

Shikamaru voltou para Kyoto ainda sem ter terminado todo aquele gigantesco arquivo que fora conseguido em Tóquio. Dessa vez, ele queria saber se Sakura poderia conhecer o assassino de Bisuke e lhe dar uma pista sobre o que estava acontecendo. Não foi uma surpresa quando ela apontou para o vídeo e disse que aquele homem não se parecia com Sasori.

Então ele fez uma comparação com as imagens que tinha da rua do apartamento de Sakura, e encontrou algumas correspondências, mas nada conclusivo. Parecia estar num beco sem saída e nada naquele arquivo aprecia ser de grande ajuda, até ele resolver seguir seus instintos e investigar Kakashi.

Não que ele já não tivesse feito, porque foi a primeira coisa que Ino pediu para ele quando Sakura se mostrou interessada, e Kakashi não passava de um homem comum com uma vida tranquila. Veterinário, dois empregos, uma boa casa herdada de seu pai, que também tinha uma fazenda de arroz. Não tinha inimigos, morou em Kyoto a vida toda... Não havia nada estranho.

Mas Shikamaru estava deixando passar uma coisa: O stalker era alguém que conhecia Kakashi e conhecia Sakura profundamente, a ponto de saber de uma história que foi apagada da maior parte dos registos policiais depois de muito escoamento de dinheiro. Talvez o stalker até conhecesse Sasori também.

Aí estava seu ponto de encontro, achar uma pessoa comum entre os três, ou pelo menos entre Kakashi e Sasori, ainda que a motivação para separar um casal aparentemente inofensivo não fosse tão clara, Shikamaru tinha certeza que poderia encontrar algo.

O arquivo da polícia era bem completo, então eu consegui descartar muitas pessoas rapidamente até o ponto que não havia ninguém que o ligasse a Kakashi. Sakura tinha algumas ligações mais óbvias, como Kakashi ser o veterinário da Kore e professor do Kiba. – Ele informou de maneira didática — Mas aí eu percebi que o policial que havia achado o corpo de Sasori tinha um sobrenome bem conhecido. – E deu uma pausa dramática sem sequer perceber — Uchiha Obito.

— Obito?

Ino virou-se para Genma com o cenho franzido quando o homem disse aquilo por reflexo. Ele conhecia aquele nome, ficou muito óbvio.

— Quem é Obito, Genma? – Perguntou de maneira urgente, esquecendo que Shikamaru não tinha terminado sua história.

Oh, então seu namorado o conhece? – Shikamaru perguntou genuinamente interessado antes que o outro pudesse sequer pensar naquela resposta.

— Ele não é meu namorado. – A outra resmungou por reflexo, pois ainda que sua mente estivesse focada nos fatos, Ino ainda tinha todos os seus neurônios funcionado plenamente em segundo plano.

Seu namorado é amigo de Kakashi, não é? – E Shikamaru completamente ignorou porquê de repente tudo ia se formando na cabeça dele e o Nara estava mais que pronto para desvendar esse mistério por completo.

Genma, no entanto, parecia atordoado pelo diálogo, pela conversa, por toda a situação. Ele ainda não conseguia assimilar tudo que estava sendo dito com tanta calma. Shikamaru parecia ser um misto de monge budista com detetive, falando aquelas coisas como se estivesse fazendo um relatório sobre algum caso hipotético.

Era tudo tão assustador... E Obito?

— Genma! – A voz de Ino soou mais exigente — Você tá bem? – Ela perguntou em seguida percebendo que ele poderia estar pirando um pouco. Quando Shikamaru ligou, ela sequer pensou em como ele se sentiria ouvindo tudo aquilo, apesar de confiar plenamente naquele homem, ele podia não ser tão forte para ouvir.

Estava tão focada em Sakura que esqueceu que Genma era um dos amigos íntimos de Kakashi.

— Eu... – Ele olhou para ela hesitante e ouviu um ruído de teclado vindo dos autofalantes de Shikamaru. Precisava se recompor. Pigarreou brevemente forçando sua mente a funcionar corretamente — Obito é o melhor amigo de infância de Kakashi. Ele se mudou para Tóquio a anos para seguir como policial. Honestamente, eu nunca falei muito com ele, mas sei que ele foi renegado pelos Uchiha. – Disse pensando sobre o que sabia — Ele é o cara daquela história que eu te contei, sobre Kakashi ter uma namorada que o deixou para ficar com o melhor amigo na época – Completou olhando para Ino sem hesitar.

Ah! – Shikamaru exclamou de repente, mas Ino não desviou o olhar de Genma e eles pareciam trocar confidencias mudas. Havia um nível de cumplicidade e carinho ali, era apenas o que o momento permitia, porque logo em seguida Shikamaru continuava — Isso explica muita coisa. — E ao ouvir isso, ambos apenas olharam para o telefone prontos para dar um fim àquela história.

Ainda que Genma já soubesse o final.

— Shikamaru! Fale! – Ino exigiu impaciente.

Ok, me deixe resumir então. – E deu uma breve pausa, fazendo o barulho do teclado ficar evidente por um segundo antes de continuar— Meu arquivo do Kakashi não ia tão longe a ponto de ter uma lista com os amigos de infância dele, mas eu pedi a um contato que me arrumasse o relatório de produção de Uchiha Obito dentro da polícia, afinal não é todo dia que se vê um Uchiha policial. Eu já tinha pesquisado o nome dele na internet antes e descobri que ele estava em Kyoto e tinha ligação com Kakashi, então minha curiosidade só aumentou.

Além disso, Shikamaru também achava que alguém com o mesmo sobrenome de Sasuke poderia facilmente se passar por ele, e sendo policial, ele teria conhecimento para conseguir o número de identificação social de Sasuke sem muito esforço. Não demorou para conseguir o registro de produção e encontrar a informação de que ele estava suspenso da corporação fazia pouco mais de dois meses.

É claro que ele procurou saber o motivo da suspensão que batia com a época que o stalker começou a perseguir Sakura. A informação completa demoraria muito tempo para ser conseguida, mas naquele dia, poucos minutos antes, Shikamaru recebeu um pequeno relatório que alegava o motivo da suspensão do homem: Envolvimento com pornografia infantil.

O mais engraçado é que seu contato tinha lhe dito algo que estava fora dos registros. Os Uchiha queriam evitar um escândalo, por isso interferiram na investigação e tentaram fazer com que ele fosse mandado para um interior sem relevância, mas o próprio Obito se recusou a tal e permitiu que a investigação seguisse, quase como se quisesse desafiar a autoridade de Fugaku e toda família Uchiha.

O Nara também perguntou sobre o conteúdo da investigação mais a fundo, e a resposta foi muito simples: Havia a suspeita que ele era o cabeça de todo o esquema. Ou seja, ele era o Tobi que aparecia em massa nos registros de Sasori.

Foi quando ele pensou num motivo que poderia levar Tobi a Kyoto para amedrontar Sakura: Vingança.

Sakura tinha sido uma peça chave na investigação, já que Sasori repassou muitas informações na frente da mulher. Foi a partir da denuncia dela que a policia tinha conseguido encontrar tantas outras coisas, e Obito sabia disso uma vez que era policial, e poderia culpá-la por sua ruína.

Mas ao mesmo tempo, Ino, não fazia muito. Para um criminoso no nível de Tobi, ficar assustando uma garota com fotinhas e matar o cachorro do outro parecia ser muito... irrelevante. – Disse com aquela voz de quem pensa demais — Digo, se dar ao trabalho de fazê-la pensar que Sasori estava na cidade apenas por vingança não parecia producente, principalmente quando ele só queria que ela terminasse o namoro com Kakashi.

Genma passou a mão no rosto completamente enjoado. Uma coisa era ver reportagens sobre criminosos achando que jamais estaria tão próximo disso, outra era saber que um colega de infância era um criminoso procurado e provavelmente doente a ponto de torturar o psicológico de uma garota apenas para separá-la de Kakashi porque...

Porque ele...

Ele...

...

Mas agora com essa informação do seu namorado... – Shikamaru disse de maneira mais certa — Ino, a foto de Uchiha Obito bate com o perfil da pessoa que matou o cachorro de Kakashi. Ele pode ter se passado por Sasuke facilmente também, e como um policial, não deve ter sido difícil ter acesso ao sextape de Sakura, que é uma prova no caso dela. Além disso, agora ele tem um motivo mais claro para fazer isso.

Ino olhou para Genma por um longo momento sem saber como ele estava se sentido. Parte dela queria confortá-lo de algum modo, mas ela precisava que Shikamaru dissesse tudo que tinha para dizer, e precisava fazer algo sobre tudo que fora lhe contado, afinal era para isso que toda essa investigação fora feita. Ela mordeu o lábio inferior antes de recuperar toda sua atitude imperativa.

Genma precisava aguentar. Ino precisava agir.

— A ex de Kakashi foi para Tóquio com esse cara tem anos, ela voltou para Kyoto e voltou com Kakashi, mas eles voltaram a terminar quando Sakura apareceu. Eu imagino que ela tenha ficado péssima.

— Ela ficou. – Genma disse de repente de maneira séria, e Ino nunca tinha visto aquela expressão no rosto dele. — Ela ficou muito mal, afinal Kakashi foi o único namorado dela em toda sua vida. Uma amiga me contou esses dias que Obito e ela se viram nessas últimas semanas. Eu não sei se ele seria capaz disso, mas...

Uchiha Obito quer separar Sakura e Kakashi porque a ex dele e pessoa que ele ama, Nohara Rin, foi profundamente magoada. – Shikamaru disse sem nenhum rodeio — Na cabeça dele, se ele tirar Sakura do caminho, então Kakashi e Rin podem ficar juntos novamente.

— Céus... – Ino soltou recostando na cadeira enquanto apoiava a cabeça em sua mão de maneira pensativa. Era absurdo. Era uma história de filme. Nunca imaginou que estaria ouvindo algo daquele gênero relacionado a seus amigos.

Relacionado a Sakura!

Ela se sentia irritada de repente, porque era um motivo tão bizarro e mesquinho. Ela esfregou seu rosto calculando seus próximos passos e tudo a levava a um só caminho, um que apenas Shikamaru poderia fazer por ela.

Olhou para Genma que parecia tão chocado e sem chão, muito mais que ela. Para ele deveria ser pior, afinal Obito era alguém que ele conhecia.

— ... Ei. – Ela chamou esticando seu braço para tocá-lo — Confie em mim, ok? – Pediu sem saber exatamente porque disse aquilo, mas parecia certo garantir a ele que faria o melhor para todos.

— Eu confio – O homem respondeu e não estava mentindo.

Tudo era tão surreal e ele não fazia ideia de como isso se resolveria, principalmente porque na cabeça dele a policia deveria lidar com tudo, mas ali estava o tal do Shikamaru, que parecia uma mistura de Yakuza com Máfia Italiana, e provavelmente qualquer solução que viesse daquilo seria algo bem mais drástico.

Olhou para Ino por um longo momento e ambos pareciam buscar algo um no outro para se manterem firmes naquela história. Shikamaru esperou paciente enquanto o barulho do teclado ficava mais frenético. Ino assentiu com a cabeça num sinal que estava pronta para continuar, e Genma se preparou.

— Shikamaru – Ino chamou — Você sabe o que tem que fazer – Disse de maneira tão enigmática que Genma até quis rir. Não precisava saber o que isso significava ao pé da letra.

Nem pensar. – O outro retrucou — Você está louca? Ele é um Uchiha.

— Eu to cagando pra isso! Eu tomo a responsabilidade!

Você não quer comprar briga com os Uchiha!

— Eles que compraram briga comigo vindo na minha cidade! Itachi deveria arrumar a bagunça dele! Eu não vou permitir que-

Os Yamanaka podem ser donos de Kyoto, Ino, mas os Uchiha são donos de Tóquio. – Ele disse voltando seu tom de voz para o habitual — Além disso, seu pai pode relevar muito do que você faz, mas ele não vai gostar de saber que você anda mexendo com os Uchiha. Tóquio é importante para o seu pai, lembre-se disso.

— E o que você sugere que eu faça? – Ela rugiu ao telefone.

Medo de Uchiha? Ela era Yamanaka Ino, e tinha sido criada para não abaixar a cabeça para ninguém. Se um Uchiha cruzasse o caminho dela, então ela não hesitaria em acabar com ele, mas infelizmente, o negócio entre o trio Ino-Shika-Chō não funcionava de maneira unilateral. A trindade só funcionava tão bem por quê um confiava no outro, e Ino precisava confiar no julgamento do Nara, ainda que estivesse tão furiosa.

No momento? Bem... – O Nara estalou a língua — Eu recomendo que você ache a Sakura e a deixe a par do que está acontecendo. É bom que Kakashi também fique ciente das coisas. Você precisa confirmar a motivação do Uchiha Obito e e saber se a Nohara Rin tem algum envolvimento com o "projeto" dele. Confirme também se Obito seria capaz de algo assim com Kakashi quando ele estiver recuperado.

Shikamaru tinha razão. Ainda haviam buracos nessa história e eles não podiam afirmar com cem por cento de certeza que apenas Obito estava envolvido nisso. Talvez Rin estivesse junto com ele, apesar de seu instinto falar que ela estava limpa de toda essa bagunça, sendo tão vítima quanto Sakura e Kakashi.

Mas o que chamou atenção, além do Nara não falar absolutamente nada do que iria fazer com Obito, foi a frase final referente a Kakashi.

...?

— Recuperado? – Ino franziu as sobrancelhas, já furiosa de todos aqueles enigmas de Shikamaru, de todo seu respeito pela hierarquia das famílias abastardas do Japão. Nem parecia que ele era um importante Nara, que abria caminhos em qualquer lugar que fosse, e agora lançava outro enigma sem nenhuma explicação clara.

Você não soube? Ele sofreu um acidente agora na parte da manhã. Foi internado no hospital Regional de Kyoto, quarto 302. Sem ferimentos graves. – Informou como se lesse algum relatório.

Ino e Genma pularam de suas cadeiras pegos de surpresa pela quinquagésima vez naquela manhã. Céus, as emoções não paravam em nenhum momento.

— O que aconteceu? – Genma perguntou antes que Ino pudesse processar a pergunta. A voz de Genma era urgente e ele buscava o próprio telefone na bancada da cozinha.

As coisas estavam ficando cada vez mais perigosas, e Genma sentia-se pressionado do nada, como aquela sensação de estar vivendo algo para o qual não tinha nenhuma preparação sequer, e as informações chegavam tão aleatoriamente, bombardeando sua mente.

Ele bateu com o carro contra um poste na avenida principal. Não houve vítimas, e repito, ele está bem. – Disse com mais ênfase na última parte — Entrei em contato com um dos meus lá na perícia, e parece que... uh?

— Uh? – Ino repetiu impaciente, sentindo-se um pouco aliviada em saber que o namorado da amiga passava bem, mas ainda terrivelmente inquieta com tudo o que estava girando em sua mente. Uma interrupção como aquela nunca era boa. — O que foi? Diga de uma vez!

Ino, Kakashi estava no carro de Sakura. – Disse brevemente, escutando uma exclamação logo em seguida vindo da loira — E não, Sakura não estava com ele. Kakashi estava sozinho no carro dela, e aparentemente os freios foram sabotados.

— O quê?

Isso só confirma minha hipótese. O centro disso tudo é Kakashi. – Shikamaru disse de forma firme — Ino, escute bem. – Pediu de maneira séria — Até agora o Obito só tinha feito jogadas controladas, mas esse acidente é algo grande. Algo deve ter acontecido e agora ele quer se livrar da Sakura o quanto antes. – Disse fazendo uma pausa breve, mas sem demorar a continuar para não ser interrompido — A situação mudou, e você precisa encontrar Sakura imediatamente, porque esse acidente vai chamar atenção e ele vai tentar algo mais efetivo contra ela a qualquer momento.

— Você acha que ele pode tentar-

Sim. – Shikamaru respondeu antes que a mulher pudesse terminar — Ele vai tentar matar a Sakura. Você precisa encontrar ela agora, Ino!

— Hai! – Ino respondeu fixando o significado daquela frase na sua mente. Não teve espaço para choque ou desespero. Não teve espaço para qualquer sentimento que não fosse o foco na atividade que precisava realizar. Era assim que sua mente funcionava, e se Sakura estava em perigo, então Ino precisava agir.

A coisa mudou – Shikamaru disse novamente — Dane-se se ele é um Uchiha, nos resolvemos com Itachi depois. Eu to tentando rastrear ele agora, pode demorar um pouco, por isso você precisa achar a Sakura. Vou deixar isso nas suas mãos.

— Deixo Obito nas suas então. – Ela disse finalmente, com seus olhos sérios e por um momento todos ficaram em silêncio.

Era aquele silêncio breve onde o pensamento de cada um tomava um rumo, como se estivessem sintonizando suas mentes para um só propósito. Era assim com Ino e Shikamaru, e Chouji quanto esse estava inserido nas situações. Todos os três eram pessoas que faziam o que era preciso. Não havia espaço para hesitar.

Então Shikamaru desligou.

— Genma, você está bem? – Foi a primeira coisa que Ino fez quando o tempo de seu relógio interno começou a correr. Precisava achar Sakura, mas tinha que garantir que Genma não estava surtando com tudo. Precisava ter certeza que ele aguentava o que quer que fosse acontecer a partir daquele momento.

— Não, mas não importa – Ele disse tão sério quanto ela, com seu celular na mão — Shikamaru está certo. Kakashi sofreu um acidente e tá no hospital. Rin e Aoba estão com ele no quarto. Ele ainda não acordou.

— Certo – Ino disse confirmando com a cabeça — Então é lá nosso primeiro destino. – Informou enquanto o homem colocava uma camisa.

— Você acha que a Sakura já tá lá? – Perguntou enfiando os pés num tênis de corrida velho antes de saírem de casa com passos apressados. Ino martelava a tela do seu celular furiosamente.

— O GPS do celular dela indica que ela chegou no hospital. – Disse com irritação — Mas ela deu um perdido no segurança. Gai está a caminho ainda. – E enfiou o celular no bolso chegando no estacionamento no prédio de Genma antes de destravar o carro para entrarem — Pergunte aos seus amigos se Sakura está com eles.

Ela disse dando partida no Saab vermelho enquanto Genma respirava fundo sem saber o que esperar a partir dali.

.

.

.

Olhava pela janela com uma expressão que não combinava com suas roupas. Estava numa blusa lilás com mangas soltas e short moletom. Tinha calçado um chinelo de dedo horrível e se tivesse uma bolsa a tiracolo, então facilmente poderiam dizer que ela estava pronta para um passeio na praia antes de ir à casa de alguma prima.

O dia era quente como em qualquer verão no Japão. O sol brilhava de maneira tão intensa que ela podia sentir o asfalto escaldante mesmo a metros de distância. Tudo parecia estar na temperatura perfeita para se assar ovos sem a necessidade de fogo ou óleo, mas no local onde estava, Rin não dispensaria um casaco.

Era um quarto frio demais e ela não achava o controle do ar-condicionado em lugar nenhum. Pensou em abrir a janela num ato desesperado, mas era de conhecimento geral que o encontro brusco do calor com o frio podia deixar as pessoas gripadas com mais facilidade, e um resfriado era tudo o que Rin não precisava, apesar de achar que em breve perderia o movimento dos dedos dos pés caso não achasse uma meia.

Houve uma época em que pensou em seguir a carreira da medicina. Naquele tempo, ela até mesmo fez um curso rápido de primeiros socorros. Ser médica parecia algo natural já que ela gostava tanto de cuidar das pessoas, mas algo lhe fez mudar de ideia no meio do caminho e ela não sabia exatamente o que, mas o jornalismo parecia a profissão de todo protagonista de uma grande história.

Pode parecer um motivo bobo, mas toda boa história tem uma boa jornalista envolvida, seja nos grandes mistérios ou nos romances mais tórridos, ou até mesmo nas comédias bobas. Não que seja uma regra, é claro, mas o jornalismo parecia ser tão múltiplo e ousado ao mesmo tempo, e ela queria isso. Ser múltipla e ousada.

Naquela altura, Rin tinha certeza que a medicina não era para ela, principalmente se a mantivesse tanto tempo em um quarto tão gélido quanto aquele, sentindo aquela pressão tão estranha sobre seus ombros. É claro que seus pacientes não seriam seus amigos, ela imaginava, mas seria muito diferente a sensação de ter alguém bem do seu lado desacordado, e ainda que você soubesse que nada de grave tinha acontecido (já que os exames preliminares atestavam isso), o fato daquela pessoa não ter acordado ainda a deixava ansiosa como nunca.

No final das contas, naquele exato momento, Rin queria ser uma médica apenas para ter certeza absoluta que Kakashi ficaria bem.

Só por isso.

Maldito frio.

Soltou um ruido tremulo enquanto passava as mãos nos braços de maneira frenética até sentir a presença de Aoba atrás de si. Ele a olhou como se pedisse permissão para algo e ela não entendeu muito bem o que ele queria até que o abraço chegou antes que ela pudesse fazer qualquer coisa. Oh, céus.. Ele era quente.

Ainda que parecesse errado estar abraçando o cara com quem ela estava dando uns amassos a não muito tempo na frente do seu ex-namorado de anos que estava desacordado devido a um acidente, Rin não hesitou. Aoba era quente de um jeito confortável e diante de todo o frio, da sua falta de roupa e incapacidade de achar o controle do ar-condicionado, a mulher apenas ficou ali deixando sua pele aquecer um pouco antes de ter que soltá-lo.

— Me deixe te aquecer um pouco – Ele disse daquele jeito usual, meio sério, meio desligado. Era o Aoba-amigo ali, sem nenhum interesse em sexo ou flertes, e isso era um pouco confuso para Rin apesar da situação em que estavam.

— Obrigada – Respondeu com o rosto afundado no pescoço dele, sabendo que não era só o calor que ele estava compartilhando. Aoba era um homem tranquilo por natureza, apreciador de chás e observador de pássaros. Tudo bem que ele tocava numa banda de música alternativa que soava mais como hard rock às vezes, mas Aoba emitia uma vibe completamente soft rock.

Ele se afastou por um momento colocando as mãos nos braços dela com firmeza, era seu jeito de dizer tenha fé, e Rin apenas sorriu com a gentileza se sentindo um pouco mais quente. Por sorte, ele estava com ela quando recebera aquela ligação que a deixou completamente atordoada. Ele quem a levou para o hospital e disse que ficaria ali com ela até quando fosse necessário.

É claro que ela estava uma pilha de nervos quando recebeu a notícia daquela maneira, mas Aoba aguentou seu nervosismo e a fez focar no que importava. Quando chegaram no hospital, rapidamente foram informados de que ele não havia sofrido nada tão grave além de uma concussão leve, o que na cabeça de Rin soou milagroso, mas os 7 airbags do carro minúsculo além do uso do cinto de segurança o salvaram de problemas mais graves.

Só faltava ele acordar.

E ela odiava a sensação de saber que ele estava bem, mas que ao mesmo tempo não havia certeza de que ele realmente estava bem. Enquanto ele não abrisse aqueles olhos preguiçosos e soltasse meia dúzia de "yare-yare's" Rin não conseguiria ficar cem por cento tranquila.

O carro havia sido levado para a perícia e eles precisavam que Sakura ligasse para o seguro para fazerem uma investigação conjunta com as autoridades para saberem o causou o acidente, já que as testemunhas só disseram que ele se jogou contra o poste, e era isso. Ninguém sabia ao certo o que iria acontecer a partir daí, mas sendo Sakura uma pessoa abastarda, Rin não se preocupou muito com a parte financeira.

Mas ela parecia simplesmente péssima ao telefone.

Na verdade, Sakura já deveria ter chegado.

— Aoba, que horas são? – Ela perguntou e já deveria ser a vigésima vez que o fazia. Tinha esquecido seu celular na mesa do centro depois de falar com a enfermeira e simplesmente começar a hiperventilar imaginando a situação de Kakashi.

— Quinze para meio-dia. – Disse com toda a paciência do mundo — Está com fome? – Ele perguntou em seguida percebendo o olhar vago dela em Kakashi, que parecia apenas estar dormindo depois de um dia cansativo.

— Minha fome evaporou horas atrás – Rin deu os ombros de maneira meio séria — Estou preocupada com a Sakura – Revelou finalmente virando seus olhos castanhos para ele — Ela já devia ter chegado, não é?

— Bem, sim. – Disse passando as mãos nos cabelos de maneira hesitante — Eu ouvi barulhos vindo do corredor, achei que pudesse ser ela, mas a voz era masculina.

— Talvez esteja presa no trânsito... – Considerou com aquela sensação estranha dentro de si — Espero que ela estava dirigindo de maneira segura, não precisamos de outro acidente.

— Gai provavelmente está dirigindo para ela – E a olhou mais cumplice — Ela está bem e logo vai estar aqui. É até possível que ele já esteja acordado quando ela chegar, então não fique imaginando coisas. — Completou.

Rin o olhou por um momento antes de suspirar em confirmação. Nessas horas era fácil simplesmente supor que tudo de pior poderia acontecer, mas precisava se ater a realidade, e naquele momento tudo que ela queria era que Kakashi acordasse logo. Desviou por um instante para ver o rosto calmo do homem, que tinha apenas uma marca do cinto avermelhada no ombro e um machucado na testa que poderia ser proveniente do airbag.

Ela não sabia.

— Droga, eu odeio quando ele não fala comigo – Disse mais pra si do que para qualquer outra pessoa na sala, porque ela sempre ficava preocupada e ansiosa nesses momentos em que ele não atendia ao telefone, e agora ele simplesmente não acordava.

Aoba deu uma risada contida fazendo a atenção dela retornar para ele.

— Vai ficar tudo bem – Ele falou com aquela certeza que ela não sabia de onde vinha, e ainda que estivesse hesitante, tão preocupada, Rin apenas confirmou com a cabeça, aceitando que precisava ser firme e aceitar aquela energia que Aoba lhe passava.

O abraçou.

Não porque se sentia com frio, mas sim porque precisava do conforto que estranhamente ele estava lhe dando de maneira tão genuína.

Era estranho estar abraçando o cara que era seu amigo, apesar de ela não saber exatamente se ainda estavam nesse campo, mas que ela queria transar loucamente apesar das indefinições, na frente do seu ex, que era o amor da sua vida, mas que ela havia aceitado que não dava mais para continuar?

Sempre uma bagunça.

Ela deu uma risadinha quando os pensamentos aleatórios vieram daquela forma, porque era nesses momentos que os pensamentos vinham tão simples, mas ao mesmo tempo tão complexos. Parecia que sua vida era uma completa bagunça sempre, mas dessa vez ela sentia que conseguiria lidar com aquele caos de maneira mais madura.

Na verdade, ela meio que sentia que era uma bagunça boa.

Afinal, não havia nenhum drama apesar de Kakashi ainda não ter acordado.

...

Já pensou ele acorda agora e nos pega abraçados? – Ela sussurrou no ouvido de Aoba sentindo-o mexer os ombros com uma risada contida, como quem fora pego desprevenido pela pergunta. A verdade é que ela sentia que precisava continuar falando sobre qualquer coisa, porque ai o tempo passaria mais rápido e, quem sabe, Kakashi não acordava de verdade?

Ele sempre foi ótimo com os timmings.

Qual o problema disso? – Perguntou logo em seguida, com a voz bem humorada.

.. B-bem, nenhum. – Ela respondeu apressada, sentindo que estava levando a conversa prum campo complicado — Sei lá. Quer dizer... Eu não sei.

Oh, céus...

Não posso te abraçar na frente dele porque? – Aoba perguntou num sussurro mais baixo, mais próximo da sua orelha. Que descarado! Ela pensou completamente atordoada, olhando de soslaio para Kakashi em coma logo ao lado. — Você tá preocupada com o que ele vai pensar ou não quer que ele saiba?

O tom de voz do homem era bem humorado, mas ela sabia que a pergunta era capiciosa. Não importava o que respondesse, basicamente Aoba estava sugerindo que Rin não havia superado Kakashi, e não era bem essa linha que ela queria seguir numa conversa naquele momento, principalmente porque ela não queria complicar as coisas nesse nível.

Porque ele tá em coma e eu não quero que a primeira coisa que ele veja quando acordar seja eu e você abraçados no quarto dele. – Ela respondeu finalmente, recuando brevemente para olhar a expressão de tanto faz que Aoba lhe lançava, sem perder aquela aura divertida. Talvez ele estivesse mesmo apenas provocando, mas ela não queria arriscar. Optou pela resposta exagerada que não era bem mentira.

— Ele não tá em coma – Aoba retrucou ainda mantendo uma das mãos apoiadas na cintura dela, voltando a sua voz tranquila de sempre — Ele tá bem, você ouviu o médico.

— Mas ele não acordou.

— E vai acordar a qualquer momento, segundo o médico.

— E se ele for daquele tipo de pessoa que vai passar anos desacordado e ninguém vai saber direito o motivo?

Pelo amor de deus, Rin. – Ele disse apoiando suas mãos nos ombros dela — Ele vai acordar completamente dolorido, mas vai acordar.

— Aoba, eu sou o contato de emergência dele. Se passar de um mês, eles vão perguntar pra mim se eu quero... céus!

— Rin, isso não é Grey's Anatomy. – Aoba disse com seu ar divertido — Ele vai acordar.

— Eu tava pensando em Chicago Med.

— Não importa, ele vai acordar.

Ela sabia que estava tagarelando sem parar porque sua mente ansiosa já estava explodindo em mil coisas, e se não começasse a tagarelar, Rin iria apenas imaginar essas coisas na sua cabeça e deixar sua imaginação a levar em mil lugares.

A verdade é que ela estava apavorada, e pensar em ter que tomar decisões sobre a saúde de Kakashi também não lhe agradava. Na verdade, a única decisão que ela queria tomar era de levá-lo para casa e fazer uma torta de morango tamanho G para que ele ficasse confortável enquanto via algum tokusatsu naquela televisão enorme para se recuperar devidamente.

Sentia-se grata por Aoba estar ali de maneira tão paciente, suportando suas idas e vindas entre a impaciência sobre a horas, as conversas aleatórias, os abraços de tempos em tempos, a reclamação sobre o frio... Só tinham passado pouco mais de duas horas que estavam ali, mas Rin sentia como se estivesse confinada por dias, e cada minuto olhando para Kakashi numa cama soava como uma eternidade que não queria viver.

E logo agora que eles estavam se dando bem novamente...

Suspirou resignada, voltando a se confortar em Aoba, rezando para que ele acordasse logo, torcendo para que...

— ... Rin?

A mulher abriu os olhos de repente, recuando rapidamente para olhar diretamente o acamado. O rosto de Kakashi estava virado na direção dele e ele parecia meio molenga, com seus olhos preguiçosos piscando freneticamente, adaptando-se a luz.

Céus!

— Kakashi! – Ela disse alto demais, deixando Aoba por puro reflexo para encurtar a distancia não tão grande entre ela e o recém desperto Kakashi. — Você acordou! – Ela disse já inclinada sobre ele, abraçando-o antes de qualquer coisa.

— Rin, calma – O homem pediu com uma voz tão rouca que parecia que estava a dias dormindo — Minha cabeça tá me matando – Resmungou emitindo ruídos de dor.

— É mesmo! Desculpe! – Ela recuou brevemente, olhando para o homem enquanto sentia nada além de alivio. — Como você se sente? Alguma dor a mais? O que você se lembra?

— Rin, pega leve – A voz de Aoba se fez presente com uma voz suave — Ele acabou de acordar.

Kakashi olhou para Aoba, depois para Rin e depois para o ambiente ao seu redor. Sua expressão confusa ficava cada vez mais... confusa. Com seu cenho franzido ele via Rin e seu rosto num misto de preocupação e alivio, ao passo que Aoba parecia como sempre.

Como ele se sentia? Hm... Cada parte do seu corpo doía, como se tivesse corrido uma maratona de repente e suas articulações não tivessem aguentado. Havia ainda sua dor de cabeça insistente, e tinha o acesso que levava soro para seu organismo lhe incomodando.

Fora isso?

Bem...

Ele se lembrava de ter uma emergência na clínica e precisar do carro de Sakura. Lembrava de ter perdido o controle por conta do freio que parecia ter parado de funcionar e de achar que iria atropelar uma criança na faixa de pedestres. Foi uma decisão consciente bater no poste e se ferrar todo no processo, mas confiou no carro de Sakura, fechou os olhos e rezou para sobreviver, e bem... Pareceu ser uma decisão bem pensada, já que apesar de tudo, estava vivo.

Era estranho lembrar de tudo isso de maneira tão prática, porque na hora foi tudo muito rápido, mas talvez a adrenalina tivesse feito o tempo ficar maior. Ele se lembrava de estar consciente sobre tudo, de cada decisão, cada pensamento. Considerou a possibilidade de morrer pouco antes da batida. Em algum momento, se perguntou quando Sakura teria feito a ultima revisão naquele carro de brinquedo. Pensou que talvez fosse o destino o colocando ali ao invés dela, e só por isso assumiu que não podia se arrepender.

E ai ficou tudo escuro.

— Querida, eu preciso ligar pra clínica. – Ele disse depois de um momento enquanto Rin não tirava os olhos dele — Tinha um cão que tinha engolido um objeto cortante e-

— Eu não acredito. – Ralhou incrédula — Você acabou de acordar e a primeira coisa que pensa é no trabalho?

— ...

— Eu vou perguntar a sua atendente, ok? – Aoba interferiu antes que Rin explodisse com ele — Mas antes vou chamar seu médico. – E se dirigiu até a placa cheia de botões na parede para clicar no que solicitava a visita de alguém da equipe.

— Você é impossível – Rin resmungou fechando seus olhos de maneira aliviada.

Foi quando Kakashi percebeu que era Rin ali, que ele havia sofrido um acidente, que Rin provavelmente foi a primeira a saber, e ele tinha acordado e estava agindo como um babaca. Ele podia usar o crédito do acidente, mas sabia que estava sendo babaca por reflexo. Ela deveria estar morrendo de preocupação.

— Querida – Ele a chamou vendo-a abrir os olhos um tanto cansada — Eu estou bem, só sinto dores por todo o corpo – Falou dando os ombros com um sorriso — Mas estou bem e obrigada por estar aqui comigo.

Rin o olhou por um longo momento antes de seu rosto, lentamente, ir assumindo aquela expressão de quem está se segurando inutilmente para não começar a chorar. As lágrimas escaparam enquanto ela fungava em vão. Esse idiota... Pensou enquanto ria de repente, se jogando nos braços que ele abria num claro convite.

Ela esqueceu por um minuto que ele estava com dores pelo corpo, mas Kakashi segurou a onda e a manteve num abraço longo. Rin chorava enquanto murmurava coisas sobre estar preocupada enquanto ele não tinha pressa em deixá-la ali, pedindo desculpas por estar dando a ela tanto trabalho.

Em um momento, Kakashi ergueu os olhos e viu Aoba ali atrás, tão tranquilo quanto em qualquer outro dia. O acamado levantou seu polegar nas costas de Rin num sinal discreto de joinha e o amigo retribuiu com um sinal de OK feito com a mão direita, dando um sorriso de canto bem esperto.

A verdade é que depois de todo o susto e vendo Kakashi aparentemente bem daquela maneira, Aoba só queria chamá-lo de atrapalha foda e zoar a cara dele de alguma forma. Não sentia nenhum ciúmes vendo aquela cena, porque ele sabia que Kakashi e Rin seriam eternamente ligados por um sentimento que nenhum dos dois tinham muito controle sobre, afinal, mesmo não havendo uma relação romântica, ambos nutriam um carinho e respeito um pelo outro.

E também não era como ele e Rin estivessem num campo romântico ainda. Na verdade, vendo os dois ali naquele momento, ele começava a ficar receoso sobre a maneira que Rin o estava vendo em meio a todo aquele flerte descarado. Ele tinha essa fama ridícula de come quieto e talvez ela tivesse com a ideia de que ele queria apenas comê-la, quando na verdade ele tinha outros tipos de interesse.

Talvez ela não estivesse disponível no campo do romance ainda, ou talvez ele devesse dar em cima dela de uma maneira menos sexual.

De toda forma, vê-los ali daquela forma era satisfatório de alguma maneira, porque ele sabia que tinha sido tão difícil para ela percorrer todo aquele caminho até um ponto em que estava bem consigo mesma. Ele sabia que Rin tinha tido tantos dias ruins depois que Kakashi terminou aquele relacionamento, e que seguir em frente não tinha sido nenhum pouco fácil, mas ela claramente tinha chegado naquele ponto onde podia abraçá-lo daquela forma sem iludir a si mesma, onde Kakashi ainda a chamava por aquele apelido que soava cheio de cuidado sem que ela pensasse que ele estava dando algum tipo de sinal. Eles ainda eram Kakashi e Rin, mas agora eram ex namorados.

E Aoba realmente esperava que Rin, em algum momento, se fizesse disponível num campo não apenas sexual, e que notasse que ele era o primeiro da fila.

No final das contas, vê-la bem já era uma vitória para Aoba.

Foi quando o médico entrou no quarto e Rin saiu de cima do homem passando a mão no rosto para se recompor. Kakashi respondeu algumas perguntas enquanto o doutor de aparecia jovem apenas realizava alguns procedimentos de rotina, verificando os reflexos dele e outros parâmetros.

— Você tem alguém que possa passar a noite com você, senhor Hatake? – O homem perguntou guardando uma pequena lanterna em forma de caneta no bolso do jaleco branco.

— Hã, sim. – Ele disse depois de um segundo imaginando que poderia persuadir Sakura sem muita dificuldade, afinal ele tinha sofrido um acidente!

— Ótimo, então posso lhe dar alta já que seus exames estão dentro do normal. – Informou de maneira profissional — Você teve muita sorte, senhor Hatake – Completou olhando de maneira séria — Mas se sentir qualquer coisa nas próximas 24 horas deve voltar ao hospital. Eu vou receitar remédios para dor e você vai utilizar um protetor de cervical nos próximos dias apenas por garantia. Daqui a uma semana espero o senhor novamente aqui para mais uma rodada de exames.

— Hai. – Kakashi apenas concordou. — Muito obrigado.

— Tudo bem. Vou providenciar sua alta, as prescrições e claro, um atestado médico. Então espere aqui que uma enfermeira vai avisar quando você puder sair.

E com isso Kakashi estava oficialmente de molho por alguns dias e também seguro de que não tinha nenhum problema grave devido ao acidente. Rin suspirou aliviada, colocando suas mãos na cintura para olhar o homem enquanto Aoba avisava no grupo que já estava tudo ok.

Vaso ruim não quebra – Asuma disse num áudio numa óbvia brincadeira, completamento que era um alivio que ele estivesse bem e que depois o faria uma visita.

Filho da mãe – Kakashi resmungou com humor antes de se virar para Rin — Você avisou a Sakura?

Oh!

Rin havia se esquecido completamente da menina.

— Ah, sim – Confirmou içando o telefone de Kakashi do bolso frouxo de seu short — Já faz algum tempo na verdade. Ela já devia estar aqui – E franziu o cenho — Tome, ligue pra ela. – Sugeriu entregando o celular ao homem, que deu alguns toques na tela procurando o número da moça.

Ela devia estar uma pilha de nervos.

Aliás, ele tinha batido o carro dela, não é mesmo? E tinha certeza que o freio havia falhado. Será que Sasori tinha sabotado a baratinha azul que ela chamava de carro? Franziu o cenho enquanto tais questões surgiam em sua mente.

Sakura adorava aquele projeto de carro.

Fez uma careta quando a chamada caiu na caixa de mensagens, procurando o número de Gai em seguida, porque ele era o segurança dela afinal. Se ela não atendia, então poderia encontrá-la através do outro.

Quanto mais pensava no acidente, mais ele queria falar com Sakura. Estava meio disperso, é verdade, mas lentamente sua mente ia entrando em um estado de urgência, principalmente porque o tom de discagem se prolongava e Gai não atendia o celular.

Kakashi precisava acalmá-la, porque certamente Sakura estaria com todos os seus pensamentos a flor da pele, e devido às conexões que tinha, provavelmente a menina já sabia aquela altura o que tinha acontecido com seu carro, se fora sabotagem ou não.

Foi quando a porta do quarto se abriu e Gai apareceu olhando para os lados com sua expressão de segurança. Perguntou onde estava Sakura de maneira muito séria, muito focada. Por um segundo, ele demorou seu olhar em Kakashi e pareceu brevemente aliviado, porque provavelmente já estava ciente do acidente enquanto Rin, Aoba e Kakashi pareciam espelhos um do outro com os cenhos franzidos em confusão.

— Ela não está com você? – Kakashi perguntou um pouco mais agressivo — Você é o segurança dela! – Disse erguendo o corpo, sentando na cama de uma vez e ignorando seu corpo reclamar com o gesto abrupto.

Não havia tempo para cumprimentos e perguntas padrões sobre sua saúde. Ele estava bem. Ponto. O médico havia dito isso, então não importava se ele ainda estava naquela cama e se seu corpo reclamava de cada movimento que fazia. Kakashi estava mais preocupado com aquela expressão de Gai, com a pergunta latente com a qual ele invadiu aquele quarto.

Sakura havia sumido? Era isso?

— Ela fugiu de mim para vir correndo até você – Ele disse depois de um momento com seu tom sério — Ela veio pilotando uma moto, inclusive. – Completou olhando para Rin — Ela não deu as caras?

Se ela tinha vindo de moto, então deveria ter chegado a muito mais tempo do que Rin imaginava. Ela deveria ter chegado em meia hora, ou até menos. Olhou para Kakashi e depois para Gai, finalmente lembrando de algo essencial: Sakura tinha um ex stalker que estava causando problemas.

Merda.

— Eu liguei para ela já faz um tempo, ela disse que estava a caminho, mas não chegou até agora – Ela informou olhando para Kakashi, imaginando se aquele acidente tinha sido mesmo um acidente, e pelo olhar que ele devolveu a ela, Rin soube que as coisas estavam ficando cada vez mais perigosas.

— Calma gente, ela vai aparecer a qualquer momento – Aoba disse de repente e todos viraram para ele. É claro... Ele não fazia nenhuma ideia do que estava acontecendo. Rin colocou a mão sob o ombro dele e sorriu de forma significativa. Foi quando ele entendeu que havia algo que ele não estava a par e apenas assentiu para a mulher na sala.

— Gai, ela pode estar com a Ino. – Kakashi disse tentando não pensar no pior — Eu vou ligar para ela.

— Não é necessário.

Todos viraram na direção da porta enquanto a loira se fazia presente no recinto trazendo um preocupado Genma a tiracolo. Ela deu passos firmes para dentro da sala e Genma fechou a porta logo após entrar. Houve um pequeno momento em que ela varreu seu olhar pelo quarto, fazendo uma breve identificação de todos que estavam ali presentes.

Não sabia se tinha sido o acidente ou qualquer outra coisa, mas Kakashi sentia-se enjoado de repente, por que quando Ino lhe olhou daquela forma tão afiada, ele soube que tinha algo muito sério acontecendo. Colocou as pernas para fora da cama e viu Genma com uma expressão muito rara em seu rosto. Muito sério, muito preocupado, quase como se estivesse assustado de alguma forma.

— Vejo que acordou e está bem, Kakashi – Ino começou vendo-o assentir com a cabeça — Eu tenho o resultado da sua perícia. – Informou logo após e novamente olhou para todos na sala, demorando seu olhar em Nohara Rin antes de olhar Aoba brevemente. Pelo tom de voz dela, Kakashi soube exatamente qual seria o resultado.

— Ino, antes disso, você sabe onde está Sakura? – Ele perguntou mais urgente — Rin ligou para ela horas atrás e ela ainda não chegou.

A loira arqueou uma sobrancelha.

— A Rin ligou? – Quis confirmar de modo que sua mente estava cheia de suspeitas, ignorando a suplica de Kakashi.

— Sim, eu liguei – Rin disse sentindo algum tipo de pressão no ambiente, como se algo estivesse muito errado — Ela tinha que saber que Kakashi..-

— Rin, quando foi a última vez que você esteve com Uchiha Obito?

Todos pararam em pura confusão, exceto Genma.

Obito?

O que ele tinha a ver com tudo o que estava acontecendo? Porque isso era relevante?

Rin queria perguntar tais coisas, mas o olhar azul que Ino lhe direcionava não deixava espaço para perguntas, mas apenas para respostas.

Eu- hã... – E viu Gai encará-la daquele jeito que não queria dizer nada — Três ou quatro dias atrás. No dia da morte de Bisuke.

Kakashi arqueou uma sobrancelha juntamente a Aoba, e era exatamente essa última sobrancelha que Rin gostaria que não tivesse sido levantada. Mesmo assim, ela continuou olhando para Ino que mantinha sua expressão dura.

— E qual foi o conteúdo da conversa? – Perguntou sem hesitar.

— E o que isso tem a ver com o sumiço de Sakura? – Retrucou se sentindo acuada de repente. Ela não queria falar sobre seu bate-boca com Obito na frente de Kakashi e Aoba. Já era constrangedor demais que Gai tenha estado presente na hora.

— Tudo – Ino respondeu impassível enquanto avaliava as expressões de Rin — Porque o seu amigo Obito está se passando pelo ex de Sakura para separar Kakashi e ela. – E Rin parecia ter recebido um soco no estomago enquanto escutava aquelas palavras — Estou tentando determinar se você pediu para ele fazer isso ou se ele está nessa por conta própria.

Choque era uma palavra pequena demais para descrever a reação de Rin diante das palavras de Ino. Não apenas ela, mas Kakashi também pareceu completamente pego de surpresa pela declaração assertiva da loira que em todo momento mostrava uma propriedade absurda sobre o que falava.

Genma, no entanto se limitava a simplesmente resignar-se diante de tudo. Parecia tão atordoado que Kakashi imaginava o que diabos tinha acontecido, enquanto que Ino exalava uma agressividade de quem está pronta para fazer qualquer coisa.

— O que você está dizendo? – Rin retrucou sentindo-se ofendida — Eu posso ser muitas coisas, Yamanaka Ino, mas eu não mataria meu cachorro ou faria Kakashi bater o carro para separar ele da Sakura, isso nem faz sentido! – Ela ralhou em raiva — Eu posso ter demorado a aceitar esse termino, mas eu aceitei. Eu sou uma adulta! Não me acuse como se soubesse quem eu sou!

— Oe, Ino! – Kakashi interviu antes que Rin começasse um discurso — Eu não sei quanto a Obito, mas Rin tem minha completa confiança, então não a insulte desse jeito.

Aoba permanecia calado com um ar atônito. Ele não estava entendendo absolutamente nada enquanto os outros na sala tinham reações e conversas cada vez mais confusas. Como assim Obito fingindo ser o ex-stalker da Sakura? Tinha sido ele quem matou o cachorro do Kakashi? Foi ele quem provocou esse acidente? Porque estavam acusando Rin?

Ele se sentia perdido, como se não pertencesse àquela conversa.

Ino, no entanto apenas ignorou a presença de todos os outros e encarou Rin de maneira profunda, olhando seus olhos castanhos em fúria enquanto a analisava internamente. Sua intuição não falhava, mas Ino sempre gostou de ter confirmações mais práticas, como provas concretas de um crime. A loira ficou um momento em silêncio incapaz de intimidar Nohara Rin, que parecia a cada momento mais furiosa.

Ela não sabia de nada. Pensou sem demonstrar estar aliviando a barra da mulher.

— Preciso conversar com você aqui fora – Disse por fim, porque as perguntas que faria seriam todas de cunho pessoal.

— Você não vai levá-la a lugar nenhum – Kakashi retrucou — Rin não tem culpa de nada.

— Kakashi, com todo respeito, Sakura desapareceu e eu não tenho tempo para seus surtos de herói. – Ela disse de maneira direta e sem nenhuma hesitação. Kakashi cerrou o cenho pronto para revidar, mas a loira apenas continuou — Genma vai te deixar a par da situação, enquanto isso... Podemos? – Perguntou a Rin sem tentar nenhuma simpatia.

— Rin... – Aoba surgiu atrás da mulher colocando uma mão na cintura dela. A jornalista virou-se brevemente percebendo que ele estava em completa confusão e tinha sido pego num vendaval que não estava incluído. Na verdade, nem mesmo ela sabia muita coisa além do que Kakashi tinha lhe contado por alto.

— Tá tudo bem, Aoba – Ela disse aliviando um pouco de sua raiva para falar com o homem de maneira mais gentil. — Fique com os meninos. Você não tá no meio disso, mas já que está aqui, eles vão explicar o que está acontecendo.

Aoba olhou para Rin que parecia certa do que estava dizendo e em seguida olhou para Ino que obviamente não estava sequer enxergando-o naquele quarto. Assentiu brevemente, hesitante sobre deixa-la ir com Ino enquanto a via virar-se de costas, indo na direção de uma loira que estava pronta para um interrogatório com direito a ameaças e sessão de tortura.

Ele nunca teve apreço por blogueiras e agora isso diminuía drasticamente.

Quando elas saíram do quarto e a porta de fechou, os olhares de voltaram para Genma que parecia tão aquém de si mesmo. Era sério e taciturno, como alguém que tinha voltado de alguma experiencia cruel. O homem olhou para cada um de uma vez e suspirou profundamente, reunindo alguma força para começar a falar.

Particularmente, ele sequer sabia por onde começar. A história era tão longa e ao mesmo tempo tinha tantos detalhes que ele não podia determinar se eram ou não relevantes para serem ignorado. Na verdade, Genma ainda estava processando tudo em sua cabeça e se forçando a ser forte o suficiente para acompanhar Ino nessa jornada, porque ele não a deixaria sozinha para enfrentar um criminoso que, além de ser o chefe de uma organização que lidava com pornografia infantil, era também um Uchiha.

Contou tudo no final das contas, da maneira que lembrava, da maneira que sabia. Revelou sobre Obito, sobre a morte de Sasori, sobre Sakura ter sido um dos pilares para a derrubada do esquema, sobre a possível vingança que não fazia muito sentido, sobre a hipótese de Shikamaru sobre a real motivação... Genma despejou tudo sentindo-se cada vez mais enjoado de tudo aquilo.

Ele era só um produtor de vídeo clipes musicais hoje de manhã. Um cara que estava mais preocupado em fazer seu relacionamento virar de fato um relacionamento do que em encontrar um ex amigo de infância que estava protagonizando um filme policial como vilão.

Céus... Sakura podia morrer. Quando ele pensava nisso daquela maneira, todo seu corpo arrepiava num tremor estranho, porque era tão surreal imaginar que o pateta do Obito pudesse matar alguém por um motivo tão estupido.

Fazer Rin e Kakashi voltarem? Pff... Isso era enredo de comédia romântica.

Mas Obito tinha transformado aquela história em um drama policial.

Kakashi estava pasmo. Sua pupila tremia enquanto ele ouvia tudo aquilo daquele jeito tão agoniado com o qual Genma contava aquela história. Obito tinha sido seu melhor amigo por muito tempo, alguém que ele compartilhou boa parte de sua vida e seus sonhos. O Uchiha era totalmente diferente dele, era preguiçoso e relaxado, tinha um bom humor que Kakashi jamais tivera, mas mesmo assim eles conseguiam se dar bem de alguma forma.

Ele sabia que Obito gostava de Rin de um jeito especial ainda na escola, sabia que o amigo tinha um crush na amiga porque ele só vivia falando dela, mas Rin gostava de Kakashi e o destino os fizeram ficar juntos. Kakashi gostava de pensar que tinha feito Rin feliz pelo menos nos primeiros anos. Gostava de pensar q apesar de tudo, ele e Rin tiveram um relacionamento bom e que ela genuinamente guardava algum carinho por esses primeiros anos, assim como ele.

É claro que em algum momento ambos se perderam dentro de suas vidas. Kakashi não enxergou Rin e Rin se fechou para ele, mas se abriu com Obito, e Kakashi sempre achou que fosse uma amizade saudável, porque Obito era divertido e Rin precisava de alguma distração. Ele confiou nos dois de uma maneira que só um namorado seguro o faria e que só um grande amigo poderia fazer.

Ele nunca poderia imaginar que Obito faria a cabeça de Rin daquele jeito. Ele nunca pensou nem por um segundo que Obito fosse capaz de fugir com ela para Tóquio. A traição de Rin não era nada perto da traição de Obito, porque em teoria, a amizade vem antes de qualquer relacionamento amoroso, e Obito era o seu melhor amigo.

Talvez Kakashi o tivesse perdoado se ele não soubesse do pedido de casamento que pretendia fazer, mas Obito sabia de tudo e o incentivou como se estivesse tudo bem, como se Rin não tivesse uma série de dúvidas sobre o relacionamento deles. Se Obito tivesse lhe dado uma dica sequer, Kakashi poderia ter feito alguma coisa. Se Rin tivesse se aberto para ele, então Kakashi poderia ter sido mais sensível.

Mas tudo aconteceu da forma que foi.

E ele lembrava da última conversa que teve com Obito, e não tinha sido bonito. Foi a primeira e única vez que bateu em alguém, porque ele estava sendo tão cínico dizendo aquelas coisas... Mas, no final das contas, Kakashi confiou em Obito quando ele disse que faria absolutamente tudo para ver a Rin feliz.

Quando ele lembrava dos olhos de Obito naquele dia, da força daquelas palavras, tudo o que Genma dizia se tornava mais crível. Obito levou Rin porque ela estava infeliz, porque ele achou que poderia fazê-la feliz de verdade, mas deixou que ela voltasse assim que percebeu que Rin sempre o amaria, e agora ele voltava à Kyoto bem na época em que eles terminavam seu relacionamento de verdade e de repente tudo isso acontecida...

E ele tinha feito todas aquelas coisas para Sakura usando como justificativa estar lutando pela felicidade de Rin?

— Aoba, você sabe onde estão minhas roupas? – Kakashi perguntou sério assim que Genma terminou seu relato.

O homem parecia tão confuso quanto Genma, perdido no meio de um furacão, mas diante da pergunta, Aoba apenas respondeu.

— No armário – Apontou.

— Eu vou achar o Obito agora. – Disse levantando e dando passos firmes enquanto ignorava toda a condição adversa do seu corpo, juntamente com a tontura que lhe invadia assim que levantou. Puxou o acesso do braço enquanto apenas pensava que precisava achar Sakura.

Precisava achar Sakura.

Era sua bagunça afinal.

Sua.

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.

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Enquanto isso, Rin fazia um longo relato sobre todos os contatos que teve com Obito desde que ela e Kakashi terminaram. Ino a havia chamado para um local reservado porque sabia que Rin teria que chafurdar no passado, e não queria que ela fizesse isso na frente de Kakashi e dos outros. No final, Ino também era uma mulher empática, mesmo que a situação exigisse outro tipo de foco.

Diante do que Rin falava tudo ia fazendo mais sentido, todas as datas iam batendo. O dia que eles se encontraram no bar fora o dia em que Kakashi apresentou-as para o grupo de amigos. Aquele dia podia ter sido mera coincidência, mas a desolação de Rin com certeza despertou Obito, porque o que se seguiu foi apenas o homem se preparando para dar o bote.

No dia do aniversário de um mês de Sakura e Kakashi, Rin esteve na parte da tarde com Obito para aliviar sua raiva, naquele mesmo dia Sakura recebeu a primeira visita de Sasori. Demorou um tempo para que ele fizesse seu movimento seguinte, provavelmente avaliando as consequências do seu primeiro ato, mas o fato de Rin tê-lo encontrado nos arredores da casa do homem no dia seguinte, completamente animado com a possibilidade de eles terem reatado era um indicio de sua motivação.

Segundo Rin, ele também demonstrou sentir-se culpado quando ela disse que o cão também era dela. Claro que ele não faria nada para magoá-la, então ele assumiu que tinha errado o cálculo, mas se o resultado fosse a retomada daquele relacionamento, então ele não se arrependeria, o problema é que ele não previu que Rin fosse descobrir tudo sobre o noivado com Kakashi. Acabaram discutindo e ela deixou claro que não queria mais vê-lo.

Então ele ficou desesperado e quis descontar em Sakura, que continuava firme e forte em sua relação inabalável com Kakashi.

Era incrível como Shikamaru nunca errava.

Rin, no entanto, não pareceu muito surpresa quando Ino revelou todo o esquema de pornografia infantil no qual Obito estava relacionado. Ela pareceu taciturna, mas revelou que desconfiava de algum envolvimento ilício da parte do homem, porque havia movimentações estranhas em sua casa quando ela morava em Tóquio com ele, falou inclusive de alguns telefonemas e visitas em horários estranhos, apesar de não saber com certeza do que se tratava.

No final das contas, Rin tinha usado tais comportamento como uma desculpa a mais para voltar à Kyoto.

A única coisa que realmente surpreendeu Rin em toda essa história foi saber que ele era capaz de agir daquela maneira doentia, porque ela jamais acreditou que Obito tivesse essa fixação nela. Na verdade, achava até que ele jamais feriria uma mosca sequer. Ele era tão dócil de alguma forma.

Se sentia enojada por todas as vezes que permitiu que ele entrasse na sua vida. Se sentiu culpada. Se sentiu... Idiota.

— Não é sua culpa, entendeu? – Ino disse como se estivesse lendo os pensamentos dela. — Obito, Sasori... No momento em que você se sente responsável pelas merdas dele, então eles vencem. Não os deixe vencer. – A loira falou de uma maneira tão séria, tão certa. — Você não pediu por isso.

—... h-hai. – A mulher disse engolindo a seco.

Sim, Ino tinha razão.

Tinha que se recompor. Parar de ter pena de si mesmo, parar de agir como vítima.

— O que vai acontecer agora?

Ino deu uma pausa.

— Agora você me diz onde aquele desgraçado pode ter levado a minha amiga, porque eu sei que ele já está com ela em algum lugar. – Disse completamente focada — Vamos, pense!

...

Um lugar...?

Em que lugar ele poderia manter alguém em cativeiro?

Obito seria capaz disso mesmo?

...

É o que você quer? Kakashi de volta é o que você precisa?

...

Merda...

— Complexo Uchiha. – Rin disse como um estalo, torcendo para que no fundo tudo fosse apenas um mal entendido — A casa dos pais dele é lá, mas está abandonada desde a morte dos dois. Também tem a casa da avó dele, mas ele não faria nada desse gênero lá, porque ele tem memórias muito boas com a avó. – Informou rapidamente. — Ele tá no Complexo Uchiha.

Complexo Uchiha.

Um conjunto habitacional de responsabilidade de Uchiha Fugako, que na verdade tem outro nome, mas que pela quantidade de Uchihas que viviam ali, todos conheciam o local como Complexo Uchiha. A verdade é que só a parte secundária da família vivia ali, os da casa principal moravam em lugares melhores localizados e mais luxuosos.

— Não é possível. Ninguém ousaria fazer algo assim dentro daquele lugar. – Ino disse de maneira séria. Quem seria louco de cometer qualquer delito dentro do território dos Uchiha?

— É um único lugar vazio que ele tem que eu conheça – Rin informou de maneira prática — É longe de tudo, privativo o suficiente e ninguém consegue entrar senão conhecer alguém de dentro. – Ela completou ainda pensativa — Ele odeia aquele lugar.

Ino olhou para Rin por um momento. Quais eram a possibilidade de ela estar certa?

...

Puxou o telefone do bolso enquanto abria a porta sem falar com a mulher. Kakashi tinha se levantado e todos os outros pareciam meio chocados e inquietos.

— Sasuke? Preciso de acesso ao complexo Uchiha. – Ela disse quanto o homem atendeu o telefone.

Shikamaru já me ligou pedindo isso. – Disse com sua voz muito mais séria. Ino deixou o ar sair pelo nariz. Shikamaru estava sempre um passo a frente. — Estou indo para lá agora.

— Então nos vemos lá. – Ela desligou. — Gai, Genma, vocês vêm comigo – Disse apontando para eles. — Vocês três fiquem aqui e esperem.

— Eu vou também – Kakashi disse rapidamente — Eu tenho que ir.

— Você só vai me atrapalhar – Ino ralhou sem nenhuma piedade — Acabou de sofrer um acidente e está obvio que está sentido dor por toda parte. Você vai ficar aqui. Gai é segurança da Sakura e tem porte de arma, e Genma... Eu preciso dele. – Disse tão séria que quase não soava como uma declaração tão intima.

— Ino, eu não vou ficar aqui esperando! Eu vou com-

— Quanto mais tempo você gastar tentando ir comigo, mais tempo eu levo para salvar a minha amiga. – O tom de voz severo era absoluto — Você fica aqui. – Disse e obviamente não era uma discussão.

Eles se encararam por um longo momento num óbvio desafio. Mediam forças enquanto a dominância de Ino soava absoluta. Ela tinha razão, ele só ia atrapalhar, mas pensar que Sakura estava em perigo e nas mãos de Obito que podia estar fazendo qualquer coisa naquele momento...

Kakashi soltou o ar com o pensamento.

Ele perdeu aquela batalha.

— Vamos.

A voz de Ino soou antes dela simplesmente tergiversar.

— Kakashi, eu vou trazê-la em segurança – Gai disse rapidamente depois de um momento — Eu prometo. – Disse sem esperar uma resposta.

Eles eram grandes amigos. Sabiam tudo um do outro e muito mais. Gai tinha vacilado por um momento e por causa disso Sakura estava em perigo, mas ele iria consertar as coisas, iria trazê-la de volta e dar um fim em toda aquela tensão. Era a missão dele, e não faria isso porque fora contratado, mas porque um amigo precisava disso.

— Não faz nenhuma merda, Kakashi – Genma falou em seguida — Confie na Ino.

Fácil para ele falar.

Saíram do quarto o silêncio pairou. O vento frio continuava saindo do ar-condicionado e Rin percebeu que ainda estava muito frio. Aoba estava completamente aturdido, ainda processando tudo que havia acontecido. Eles se olharam por um segundo e quando Rin se aproximou deles, ouviram uma forte batida oca.

Kakashi esmurrava o armário com força.

...

A quanto tempo eles se conheciam mesmo? Ela entrou naquela escola aos seis anos, e ele já era perfeito em tudo que fazia. Sempre teve os mesmos olhos preguiçosos e era tão mimado pelo pai que era até um pouco irritante de um jeito fofinho. Ela sempre gostou dele. Foi amor à primeira vista, mesmo quando ela nem sabia o que era amor.

Aquele homem tinha crescido consigo e se mostrava cada vez mais forte e confiante. Kakashi era perfeito em tudo o que fazia. Ele era tudo o que um garoto deveria ser, porque tinha algo nele que soava misterioso, mas ao mesmo tempo ele era tão acessível. Também conseguia sorrir com os olhos de um jeito que ninguém fazia igual. E os olhos dele brilhavam quando ele conversava sobre coisas que gostava.

No seu primeiro encontro eles foram ao cinema ver Jaspion. Ela não tinha nenhum interesse em tokusatsu, mas ele era um viciado naquele em especial. Kakashi adorava quando ele salvava as pessoas, e ela adorava como ele sorria nas cenas heroicas, imaginando de uma maneira muito infantil que um dia ele poderia salvá-la e sorrir daquele jeito no final, como se fosse Jaspion salvando o dia.

Nem precisava ser algo sério, só... Sei lá...

A primeira vez que ele viu Sakura e Kakashi juntos, ele a beijou na lateral da cabeça como se fizesse isso o tempo todo. Não havia timidez ou incerteza. Ele apenas fez o que tinha vontade. Foi delicado e logo em seguida ele pousou a mão na cintura dela, tão protetivo, tão amável. Naquele dia, Rin sentiu tantas coisas ruins, tanta inveja, rancor e arrependimento.

Mas Kakashi estava feliz de verdade, ela podia ver isso nos olhos dele, no sorriso dele. Talvez foi isso que deixou as coisas tão difíceis, porque fazia anos que ela não via aquele sorriso, fazia anos que ele não lhe beijava daquele jeito na frente das pessoas, fazia uma década que a mão dele não pousava suavemente em sua cintura enquanto ele lhe olhava como se fosse Jaspion depois de salvar o dia.

Ela teve que ressignificar tudo. Teve que reconstruir seus planos, modificar sua rotina, teve que adestrar se coração para que não ficasse tão carente. Ela teve que fazer tantas coisas. Aprendeu a se amar mais, aprendeu a ser suficiente, aprendeu que o amor que sentia por Kakashi não precisava ser sua prisão. Porque aquele sentimento não podia ser algo feio, ela não podia deixar aquilo se transformar em algo inconveniente.

Rin queria que o amor a libertasse. Queria um amor gentil e sincero, então ela trabalhou nisso sem nem perceber, ao ponto que quando finalmente conheceu Sakura, finalmente... Ela se libertou.

Foi ali que ela percebeu que ver Kakashi feliz com outra pessoa não precisava ser ruim, e que talvez ela pudesse ter uma felicidade vicária até arrumar a própria. Podia ser feliz na felicidade do outro, porque o amor genuíno era assim, não é? Era generoso. E não era como se ela estivesse infeliz, porque essa época já havia passado.

Sim, ela estava bem novamente.

Ela tinha bons amigos, e um bom trabalho. Tinha tempo para si, tinha voltado a devorar livros e assistir documentários. Estava cozinhando mais e descobrindo quem era longe de Kakashi.

Mas ali, diante daquele homem que tanto amou, Rin viu as lágrimas escorrerem enquanto ele se sentia apenas impotente.

Sakura estava em perigo, todos ali sabiam. Por mais que houvesse uma simples dúvida sobre a capacidade de Obito em fazer mal a Sakura, Rin sabia que no fundo era possível. Todos sabiam. Mas Kakashi estava ali incapaz de fazer alguma coisa por diversos motivos.

Horas antes ela imaginou como seria a vida sem Kakashi e não gostou nenhum pouco. Teve medo, pavor do que poderia acontecer com ele. Queria salvá-lo de alguma forma, queria ter se formado em medicina para ter certeza que ele iria ficar bem. Naquele momento, talvez Kakashi estivesse pensando que se fosse Jaspion, ele poderia salvá-la.

Era um pensamento bobo que Rin estava tendo e provavelmente os sentimentos de Kakashi iam muito além daquele imaginário infantil, mas ela tinha certeza que ele pensava que queria fazer algo por ela, que queria ser capaz de, num piscar de olhos, sumir com Obito para outra dimensão e lutar com ele com todos os seus poderes para que ele nunca pudesse ferí-la novamente.

Rin sabia que Kakashi seria o tipo de herói que se jogaria na frente de Sakura mesmo que ela não precisasse de nenhuma proteção. Se houvesse um chão de lava, ele seria quem a pegaria antes que caísse. Se houvesse um cara super forte e Sakura estivesse lutando com ele, Kakashi ficaria tão ansioso a ponto de gritar o nome dela mesmo sabendo que ela não podia ser morta por um ataque tão bobo.

Ele a defenderia e a salvaria sempre, de tudo e de todos. Era assim que Kakashi seria se fosse um herói. Mas aquela não era uma história de heróis e mocinhas, aquela era a realidade cruel. Kakashi não tinha nenhum olho mágico ou poderes especiais e Sakura não era imortal.

Kakashi era apenas um homem.

...

Mas se pelo menos eles pudessem fazer qualquer coisa...

— Kakashi, coloque uma roupa – Rin disse rapidamente fazendo os dois homens a olharem com curiosidade. — Sakura já sumiu a muito tempo, então temos que agir rápido.

— O que...?

— Kakashi, a roupa! – Ela exigiu urgente e Kakashi parecia confuso por um segundo até, de repente, começar a se vestir. — Aoba, eu preciso de uma carona.

O homem levantou as chaves do carro percebendo que algo grande iria acontecer. Rin estava tomando as rédeas da situação, e ele não fazia ideia do que ela tinha em mente, mas...

— Vou onde você quiser. – Disse levantando a chave do carro.

— O que nós vamos fazer? – Kakashi se vestia na frente de todos sem se preocupar nenhum pouco em ser visto pelado. Rin já tinha visto tudo que tinha pra ver apesar de ter assumido brevemente um tom avermelhado.

Céus... Homens...

Pigarreou.

— Conto meu plano no caminho. – Disse olhando para os dois — Vamos.

E então saíram do hospital sem nenhum aviso prévio.

Em todo bom livro que lera, sempre havia um personagem incrível que, protagonista ou não, era um jornalista que sabia o que fazer. Agora era a hora dela.

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Feliz ano novo meu povo! Obrigada pelos comentários, gente! Vocês são demais!

Até o próximo capítulo e continue comigo, faltam apenas mais dois para o fim da fic :*