Capitulo 3

Recomeço

Flashback

Ana-Lucia deu um sorriso zombeteiro ao ver Sawyer sentado na areia com uma expressão zangada, tentando conter um sangramento no nariz depois de uma briga com Sayid. Ele gostou de vê-la se aproximando, mesmo assim manteve a feição rabugenta.

- Quer dizer que eu te trouxe de volta dos mortos só pra fazer confusão?- ela cruzou os braços diante do peito.

- Eu não fiz nada, foi aquele sujeito quem começou tudo.- Sawyer respondeu, malcriado.

- Você chamou o cara de terrorista.- disse Ana.

- Porque ele é um terrorista!- Sawyer bradou.

- Dios mio, você está dizendo isso só porque ele é iraquiano. Isso é racismo, sabia?

- Ah é?- retrucou Sawyer. – Então de onde vieram as algemas que eu encontrei, hã?

- Elas podem ser de quaquer um dos sobreviventes.

- Ah, já vi tudo!- falou ele.

- Tudo o quê?- ela perguntou, erguendo a sobrancelha.

- Você acha que as algemas são minhas!- ele acusou.

Ana deu uma risadinha.

- Eu não acho não, cowboy. Seria muito óbvio. Um homem lindo como você com esse sotaque sulista e algemas...hummmm...

Ele acabou rindo.

- Desencana, cara!- ela disse. – Ao invés de ficar aqui remoendo a sua briga estúpida com o Sayid, por que não arruma uma forma de ajudar? Estamos todos no mesmo barco, quero dizer na mesma ilha!

Nesse momento, Kate passou por eles e comentou rapidamente:

- O Sayid conseguiu consertar o transíver.

- Foi mesmo?- retrucou Ana-Lucia, seguindo-a.

Sawyer continuou sentado no tronco, pensando no que Ana-Lucia tinha lhe dito sobre arrumar uma forma de ajudar até que resolveu se levantar e encontrou um grupo deixando o acampamento dos sobreviventes. Ele rapidamente se meteu no meio deles. Quando Kate o viu, ela disse:

- Agora resolveu ajudar?

- Eu sou um homem complicado, docinho.- foi tudo o que ele disse.

Ana-Lucia sorriu de lado. De alguma forma ela sabia que ele viria.

Fim do Flashback

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- Eu sou um idiota!- Sawyer disse segurando a mão de Ana enquanto ela tentava conter o próprio choro. – Lucy, eu não queria te fazer chorar.

Ela deu um sorriso amargo em meio ao pranto e disse:

- Perdi a conta das vezes que você me fez chorar, cowboy e eu nem sou tão sentimental assim.

Ele a abraçou mais forte e disse, com sinceridade nos olhos:

- Me perdoa, meu amor.

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- Como era lá na prisão?- Ana indagou na cama, muito mais tarde, depois de ter chorado nos braços de Sawyer por longos minutos, os quais ele não disse nada, apenas acalentou-a e esperou que ela se acalmasse. Depois disso, ela o levou para a cama dela e eles se deitaram lá, abraçados e em silêncio até que Ana fizesse aquela pergunta.

- Ué, policiais não deveriam entender de prisão?- ele brincou e Ana sorriu, dando um soquinho no ombro dele.

- Não sei. Só prendi gente, nunca fui presa...

Ele se virou para ela e cheirou seu pescoço antes de dizer:

- Eu já tinha estado preso antes, mas dessa vez foi muito mais difícil.

- Por quê?- Ana quis saber. Acariciou os cabelos compridos e revoltos dele.

- Porque da outra vez em que estive preso, eu não dava a mínima pra nada e pra ninguém.

- E agora?

Sawyer a beijou de leve nos lábios.

- Tudo o que eu queria era ver seu rosto outra vez.- ele admitiu. – Antes que meu mundo ficasse escuro de novo. Eu ficava me lembrando de quando você me tirou do mar e sorriu pra mim, era a única imagem que eu queria ver quando fechava os olhos à noite...

- Agora você pode olhar pra mim outra vez...quando quiser.- Ana disse buscando os lábios dele para um beijo terno, cheio de promessas.

Para Sawyer, dormir com Ana-Lucia outra vez era como alcançar a felicidade plena. Coisa que ele nunca pensou ser possível enquanto estava na prisão. Sonhara muitas vezes com o momento em que a teria em seus braços e agora que isso era possível ele pôde dormir tranqüilo novamente, anestesiado pelo cheiro dela, embalado por sua respiração morna de encontro ao peito dele.

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Flashback

Ela limpou o suor frio que lhe escorria da testa antes que o líquido salgado caísse em seus olhos. O som dos tiros ainda ecoava em seus ouvidos quando Kate se aproximou e tocou-lhe o ombro amigavelmente:

- Você está bem, Ana-Lucia?

Ana balançou a cabeça positivamente, mas mal podia acreditar que por pouco não teve sua jugular perfurada pelos dentes afiados de uma enorme pantera negra. O resto do grupo estava todo encolhido em um canto, olhando chocados para o corpo do animal morto no meio da floresta. Sawyer estava logo atrás deles com uma pistola em punho, da onde ainda saía fumaça da pólvora recém-usada.

Os outros finalmente se aproximaram para olhar o animal mais de perto.

- É uma pantera enorme!- Kate comentou andando ao redor do felino.

- Vocês acham que foi isso que matou o piloto?- Boone perguntou.

- Não.- respondeu Charlie. – Deve ter sido pelo menos uma três dessas.

- Se tinha três, agora só tem duas.- Sawyer comentou, arrogante. Ana-Lucia tinha lhe salvado a vida, mas agora ele acabara de salvar a vida dela. Estavam quites.

- De onde você tirou isso?- questionando Kate, olhando para a arma que ele ainda carregava.

- Provavelmente da vila das panteras, como é que eu vou saber?

- Não a pantera.- disse Kate com seriedade. – Eu tô falando da arma.

- Eu tirei de um dos corpos.- Sawyer respondeu.

- Qual deles?- Sayid questionou.

- Eu sei lá, não conhecia o sujeito.

- As pessoas não podem carregar armas no avião.- disse Shannon.

- Podem sim, se são federais, gracinha e tinha um no avião.

- Como você sabe disso?- Kate perguntou a ele.

- Eu vi um homem caído no chão com um coldre preso na perna e então eu peguei a arma, achei que podia quebrar um galho e olha só, acabei de salvar a Srta. Lábios quentes de ser devorada por uma pantera.

Ana-Lucia franziu o cenho, mas nada disse.

- Por que você acha que ele era um federal?- insistiu Kate.

- Porque ele tinha um desses.- ele mostrou a estrela de metal que vinha carregando no bolso. – Eu achei legal e peguei também.

- Eu sei quem você é!- disse Sayid. – Você é o prisioneiro.

- Eu sou o quê?- retrucou Sawyer.

- Você encontrou a arma de um agente federal? Eu acredito porque você sabia aonde estava a arma o tempo todo, você era o prisioneiro que eles estavam levando de volta para os Estados Unidos. Você tem as algemas, por isso você sabia aonde estava a arma!

- Isso é rídiculo!- exclamou Sawyer.

- É você sim, seu filho da puta!- Sayid falou mais alto.

- Você suspeita de mim tanto quanto eu suspeito de você. Tudo bem! Eu sou o criminoso e você é o terrorista. Podemos todos ter um papel. Hey Ana-Lucia, o que você quer ser?

Ele se distraiu nesse momento e Kate tirou a arma dele. Ela apontou a arma na direção do grupo. Todos eles deram um passo atrás, assustados.

- Alguém aqui sabe como usar uma arma?- ela perguntou.

- Você puxa o gatilho.- disse Charlie.

- Não use a arma.- pediu Sayid.

- Eu quero desmontar essa arma.- falou Kate.

- Que tal você passar ela pra mim?- pediu Ana-Lucia.

- E por que eu faria isso?- perguntou Kate.

- Porque eu sou policial.- Ana-Lucia contou, tirando sua identidade do bolso do casaco marrom e exibindo a todos.

Saywer viu a identidade dela e ficou muito surpreso ao descobrir que sua salvadora era policial.

Fim do Flashback

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- Precisamos mesmo fazer isso?- Sawyer indagou teimoso se olhando no espelho enquanto Ana-Lucia cortava algumas mechas de seu cabelo, querendo deixá-lo na altura em que ela gostava nos tempos de reclusão na bem cedo de manhã

- Já estou quase acabando. Não reclama.- pediu ela com o olhar sério. Ela já tinha feito a barba dele e a pele de Sawyer brilhava macia. Quando ela terminou o corte de cabelo, ele estava perfeito, como nos velhos tempos. – Ahá! Aí está o homem que eu conheci naquela ilha.

- Isso é mentira.- disse ele só para provocá-la.

- Por que?- perguntou Ana com as mãos na cintura. Ela vestia apenas uma camiseta velha, comprida e folgada sem nada por baixo. Os cabelos presos em um coque. Aos olhos de Sawyer ela estava linda.

- Porque quando você me conheceu eu estava me afogando, todo ensangüentado e sujo de areia...

- Mas eu o notei assim mesmo.- ela devolveu dando um beijo estalado na bochecha agora sem pelos dele. – Terminei! Olhe no espelho para ver o que acha.

Sawyer se mirou diante do espelho do banheiro e gostou do resultado, mas não perdeu a oportunidade de provocá-la mais uma vez.

- É...dá pra gasto!

- Seu patife!- ela gritou, rindo e espalhou espuma de barbear pela cara dele outra vez.

- Ah, você vai me pagar, menina! Vem cá!- disse ele, segurando-a com ambos os braços e passando espuma no nariz dela.

Ana gargalhou. Ele a olhou malicioso e disse:

- Bem, estou feliz que tenha você pra cuidar de mim, baby, mas eu quero saber o que posso fazer para recompensá-la pelos cuidados, madame?

Dessa vez foi ela quem sorriu maliciosa e o beijou.

- Humm, cowboy, acho que tenho algumas ideias em mente agora mesmo.

- É só me dizer o que quer...sou seu escravo!

Ela o puxou pela mão, querendo levá-lo para a cama. Sawyer usava apenas uma toalha branca envolta na cintura. Estava ansiosa para tê-lo mais uma vez, a noite anterior não tinha sido suficiente para que matassem a saudade que sentiam um do outro.

- Eu sei o que você quer, muchacha... – disse ele seguindo-a, louco para satisfazê-la, mas passos, seguidos de uma voz feminina fizeram com que eles parassem tudo antes mesmo de começarem.

- Ana, hija, onde você está?

- Ah, merda!- Ana exclamou. – É a mamãe.

- Sua mãe?

- É, ela tem uma chave da minha casa. Sabe como é, policiais tem muitas emergências.

- E agora? Devo vestir algo para a ocasião?- perguntou ele, inseguro. – Acho que sua mãe não ia gostar de me conhecer nesses trajes.

- Não, você fica aqui, bonitinho.- ela o beijou na testa e assanhou seus cabelos. – Enquanto eu vou lá fora e falo com ela. Volto já.

- Ok, boa sorte, mas está lembrada de que não está usando calcinha?

- Ana!- Teresa chamou de novo, se aproximando do quarto, perigosamente.

- Eu sei disso!- Ana respondeu para ele. – Mas não tenho tempo de vestir uma e você não precisava ter me lembrado disso.

- Desculpa. É que não consigo esquecer.- falou ele com cinismo e Ana fez cara feia pra ele, deixando o quarto.

Teresa a encontrou no corredor, pouco antes de se dirigir ao quarto.

- Oi, hija. Estava dormindo?- ela analisou os trajes de Ana de cima a baixo, e ela não pôde evitar de ficar corada na frente da mãe.

- É, eu acabei de acordar. Estava fazendo uma faxina na casa, começando pelo meu banheiro.

- Certo.- disse Teresa. – Eu tinha vindo tomar café com você, mas já que está ocupada, podemos fazer isso outro dia.

- Sim, eu ligo pra você, mamãe.

- Claro que sim.- assentiu Teresa. – Juízo, por favor!- ela ainda disse antes de sair, o que deixou Ana intrigada. Sua mãe tinha olhos de águia e a rapidez de um lince. Talvez ela já tivesse compreendido o que estava acontecendo. Mas Ana achou melhor não pensar nisso e voltou para junto de Sawyer.

- Ela já foi embora?- ele perguntou.

Ana fez que sim com a cabeça.

- Por que você está corada?

- Não é nada.- Ana respondeu.

- Hum talvez você esteja precisando descansar.- ele disse com voz rouca. – Deite na cama...por favor.

Ela sentiu o corpo formigar de desejo e fez o que ele pedia sem questionar. Sawyer sentou-se na beira da cama e acariciou as coxas dela.

- Você está tensa, eu posso sentir...

- Você tem razão. Preciso me acalmar.- disse Ana sentindo-o dar mordidinhas em suas coxas. Ela sentiu um espasmo de cócegas e mexeu os quadris na cama.

- Relaxe!- ele pediu brincando com os dedos nas coxas dela. – Abra as pernas...

Ele beijou um joelho dela e suas mãos grandes massagearam-lhe as coxas bem devagar, fazendo uma gostosa pressão.

- Hum, isso é bom!- ela elogiou.

- Você não faz ideia da saudade que senti de você, baby.- disse ele deslizando suas mãos de cima a baixo nas coxas dela. – Eu me lembro como era beijar seu corpo inteiro, suas coxas... – ele deslizou os lábios por elas. – Seu cheiro gostoso... – Sawyer forçou delicadamente os joelhos dela a se separarem e Ana relaxou as pernas na cama, sorrindo, esperando pelo próximo movimento dele.

Sawyer ergueu a camiseta dela até a cintura e devagar fez uma trilha de beijos em sua barriga até a virilha, lambendo a pele macia. Ana gemeu e fechou os olhos, adorando as sensações que ele estava provocando nela.

Ele passou um longo tempo provocando-a antes de começar a acariciar a vagina dela, primeiro com os dedos, depois com os lábios e a língua, saboreando-a.

- Oh, Sawyer, você está sendo tão incrível... – ela dizia entre gemidos de prazer. Tanto tempo longe dele, mantendo-se fiel ao seu amor, sem nenhum contato com outro homem e agora tinha a oportunidade de se deleitar com Sawyer outra vez. Seu coração transbordava de felicidade.

Quando ele sentiu que ela estava delirando de prazer, passou sua língua de baixo para cima na fenda macia dela. Ana deu um gritinho e se abriu mais ao sentir que Sawyer agora beijava seu clitóris e a penetrava com os dedos.

- Ai, baby!- gritou ela. – Que bom!

Em seus pensamentos, ela desejava dizer que o amava. Estava com vontade de fazer isso desde o reencontro na noite anterior. Mas conhecia Sawyer o suficiente para saber que isso poderia estragar tudo. Aprendera ainda na ilha que poderia ter tudo de Sawyer se respeitasse as dificuldades dele em admitir seus sentimentos. Ela mesma possuía essa dificuldade, mas com Sawyer tudo parecia tão certo e verdadeiro.

Sawyer já estava louco de excitação com as reações dela aos seus carinhos e não agüentou mais. Depressa pegou uma camisinha na gaveta de Ana e rasgou o invólucro.

- Me deixa colocar...quero tocá-lo – Ana pediu, sentando-se na cama e tirando a camiseta. Ela queria ficar completamente nua e sentir o calor do corpo de Sawyer contra o seu novamente.

Ele tirou a toalha da cintura e entregou a camisinha a Ana. Ela o olhou, maliciosa e lentamente colocou o preservativo no pênis dele, beijando-o na boca enquanto fazia isso.

Sawyer sentou-se na cama, levando-a consigo antes de pô-la sentada em seus quadris. Ana apoiou os dois braços na cama e abriu as pernas para que ele a penetrasse. A sensação de estarem conectados era muito poderosa para ambos, desde a primeira vez. Ele a abraçou e a embalou com seu corpo, fazendo amor ternamente e beijando-a nos lábios. Ana aninhou sua cabeça no pescoço dele e o abraçou.

Os movimentos dos corpos foram ficando mais rápidos à medida que a busca pelo prazer se intensificava. Sawyer se jogou com ela na cama, sentindo-a tremer em seus braços, vivenciando seu clímax. Então ele olhou nos olhos dela e permitiu se libertar também, gemendo profundamente no ouvido de Ana.

Ficaram algum tempo abraçados na cama, grudados um no outro. Quando se separaram, trocaram olhares cúmplices e começaram a rir. Risadas espontâneas, alegres, ecos de felicidade compartilhada. Riram muito, se abraçaram e se beijaram antes de resolverem se levantar e começar o dia. E foi assim que o romance recomeçou, sem ressentimentos e sem culpa. Nada era mais importante do que aquele sentimento que os unia.

Continua...