Ocean tinha em suas mãos o ursinho usado no treino. Ambos, Ocean e Anastásia, estavam sentados na beira da cama com um silêncio estranho pairando sobre eles. Ele limpou a garganta antes de começar a falar.
"A quanto tempo isso vem acontecendo?" Ele resolveu começar dali.
"Acho que desde os cinco anos de idade…" Ela respondeu culpada encarando as mãos juntas no colo com medo de olhar seu pai nos olhos.
"E por que não me contou, querida?" Seu tom de voz era suave.
Anastásia tomou uma dose de coragem e encarou seu pai estudando sua expressão com cuidado antes de começar a falar.
"Eu estava com medo, papai. E se você não gostasse mais de mim? E se você me achasse uma aberração e me abandonasse? Eu não saberia o que fazer sem você… Você é tudo que me resta!" Ela explicou levemente desesperada.
"Oh querida!" Ocean puxou a filha para seus braços a abraçando apertado "Devo ter sido um pai horrível se você tem tal impressão, você tem estado sofrendo por tanto tempo sozinha..."
Anastásia se afastou negando com a cabeça e fungando um pouco, mas não chorando, ela era velha demais para isso, bom… Pelos menos mentalmente ela era velha demais para isso.
"Eu não sei o que sou, papai… Eu não queria que você tivesse medo de mim..." Ela murmurou voltando a olhar para as mãos juntas em seu colo.
"Minha filha, você só tem tido casos magia acidental…. É mais normal do que pode imaginar..." Ele tinha um leve sorriso no rosto.
Anastásia congelou por um momento, sua mente ficando em branco antes dela começar lentamente levantar a cabeça para encarar seu pai em total descrença.
"O que?!"
"Magia Acidental" Ele disse novamente "Você é uma bruxa, Anastásia."
"Puta merda"
"Linguagem!"
"Desculpa, mas uma bruxa?! Tipo aquelas que voam em vassouras e usam chapeis pontudos?"
"Voando em vassouras? sim, mas essa coisa de chapéu pontudo é loucura… Eu só vi a professora McGonagall usando isso…." Ele comentou recordando em suas memórias.
"McGonagall?"
Então em sua mente uma esfera acinzentada do andar superior brilhou e toda a saga de Harry Potter passou por sua memória fazendo ela sugar uma respiração fria. Puta merda! Ela tava nos livros de Harry Potter! Ela estava tão fodida e feliz ao mesmo tempo.
"Sim" Ela a encarava desconfiado.
"Nome estranho" Murmurou desviando o olhar desconfortável.
"Como se Ocean fosse um nome comum no mundo trouxa, mas eu acho que é um sobrenome escocês comum..." Ele resmungou. "Enfim, agora que sabemos que você é uma bruxa podemos ter certeza de quando você completar onze anos recebera sua carta de Hogwarts." Ele disse animado.
"Hogwarts?" Resolveu se fazer de confusa.
"Sim, é uma escola para bruxos"
"Você já estudou la?"
E com essa pergunta ela viu seu pai perder o sorriso. Huh, parece seu pai não era exatamente um bruxo, uma aborto talvez? Se ela se recordava bem, parece que os abortos que nasciam nas famílias puro-sangue eram abandonados no mundo dos trouxas para sua conta e risco, as vezes com sua memória oblivinada.
"Eu sou um aborto, querida." Antes dela perguntar ele resolveu explicar "Abortos são quando temos mágica, mas não o suficiente para fazer magia"
"Oh" Ela concordou com a cabeça. "Mamãe também era?"
Ele negou com a cabeça.
"Sua mãe era uma trouxa" Ele disse
"Ela sabia sobre o mundo mágico?"
"Sim, achei melhor conta a ela… Eu sou Mestre de Poções e sei um pouco sobre Runas, bem… Fazer poções e mexer com Runas não exigem fazer magia ativamente, só tê-la em seu corpo…" Ele deu de ombros. "Isso me lembra, você não pode contar a ninguém sobre isso. Okay?"
Anastásia piscou algumas vezes antes de concordar com a cabeça.
"Humanos temem o que não podem entender, certo?"
Seu pai riu concordando com a cabeça.
"Já pegou o espírito da coisa, hein"
Os dois riram. Ocean se levantou.
"Venha, eu tenho alguns livros que você vai gostar de ler… Os puros-sangue são geralmente ensinados em casa antes de ser mandados para escola, acho que podemos fazer isso aqui também… Você vai para Hogwarts sabendo tudo sobre poções pelo menos..." Ele estava animado com isso tudo. "Depois podemos ir para o Beco Diagonal comprar algumas coisas que podem ser uteis a você, então teremos que ir aos Gringotts pegar algum ouro… "
Ele saiu do quarto conversando animadamente, talvez ela devesse ter contado para ele antes. Ela saltou da cama e seguiu seu pai para onde quer que ele a estivesse levando.
A noite em seu quarto depois que seu pai passou o dia explicando lhe sobre o mundo mágico, lhe mostrando livros e lhe ensinando o básico sobre poções, ela notou que a coisa de telepata que ela fazia podia ser muito bem ser magia sem varinha. Ela ficou encantada com a ideia.
Para testar ela trancou a porta do quarto e ansiosamente ela apontou o dedo para fechadura.
"Alohomora"
Click
Ela pode ouvir a porta se destrancar, seu rosto se iluminou como se acabasse de receber um presente de natal. Anastásia olhou animadamente para as mãos. Ela poderia treinar sem chamar a atenção do ministério, que puta sorte! Se ela n]ao tivesse errada o Traço só era ativado no inicio escolar e somente na varinha.
Ela mal podia esperar para irem ao Beco Diagonal, ela tinham tantas coisas que poderia comprar. Talvez ela se arriscasse e fosse ao Travessa do Tranco comprar algumas coisas especiais la, Ana teria que tomar cuidado ao tentar se aventurar por lá.
Anastásia se jogou na cama abraçando seu urso de pelúcia com um grande sorriso enfeitando seu rosto.
"Lumos" Ela tentou silenciosamente estendendo a mão em direção ao teto.
Uma esfera de luz brilhou sobre sua palma aberta.
"Nox" Novamente ela tentou fechando a mão.
A luz se extinguiu. Ela nasceu com um puto hacker, isso deveria ser difícil pelo que ela se lembrava dos livros, ela tinha quase certeza nisso. Isso ela manteria em segredo, quanto menos pessoas soubessem disso, melhor.
Ela suspirou.
Oh. O que ela fez com a meditação antes poderia ser considerado como a Oclumência citada nos livros? Ela precisava perguntar isso ao seu pai, talvez ele saiba de algo.
Em um sábado de manhã, estavam ela e seu pai quase na metade do beco Diagonal, perto da interseção com a Travessa do Tranco, se encontram na frente de um imponente edifício de mármore branco: O Banco dos Bruxos Gringotts. O banco se destacava sobre as lojas vizinhas. Como ele era descrito nos livros não podia nem se comprar a realidade, era lindo, mas um pouco torto.
Ela segurou a mão do pai dando um leve aperto. Ela o seguiu para dentro subindo uma bela escadaria branca para umas grandes portas de bronze polidas sendo guardadas por um goblin em uniforme escarlate e dourado. Quando ela passou por ele, ela fez questão de cumprimentá-lo educadamente ganhando um olhar levemente chocado.
"O que ele era?" Perguntou.
"Um guarda goblin, querida." Ocean respondeu.
"Uau. Ele incrível, viu pai eu disse que tamanho não é documento! Tenha cuidado comigo." Ela disse empinando o nariz.
"Sim, sim, querida… Goblins não gostam muito dos bruxos, ouve uma guerra entre eles..."
Anastásia olhou envolta vendo os bruxos que saiam do banco.
"Mas olha para cara desses bruxos..." Ela sussurrou por trás da mão de modo infantil "Quem iria gostam de uma pessoa que te olha desse jeito? Eles nem olhoram para mim e eu já tenho vontade de chutá-los"
O goblin que guardava a porta concordou levemente com a cabeça.
"Não é?"
Eles passam pelas portas sendo levados a um pequeno hall de entrada e ela viu novas portas, essas agora de prata polida. Nessas portas ela ver algo gravado.
"Entrem, estranhos, mas prestem atenção ao que espera da ambição, porque os que tiram o que não ganharam terão que pagar muito caro. Assim, se procuram sob o nosso chão um tesouro que nunca enterraram, ladrão, você foi avisado. Cuidado, pois vai encontrar mais do que procurou." Ela leu baixinho e pode sentir um calafrio, talvez eles se referissem aos dragões? Ela não queria saber o que podia haver em seus túneis. "Quem seria burro o suficiente para roubar esse banco?"
"Há suicida para tudo, querida!" Ocean deu de ombros.
Chegando ao saguão principal ela não pode deixar de olhar em volta encantada por tudo que via. Mármore branco reluzente era quase possível ver seu reflexo no chão. Grandes balcões onde haviam goblins nos altos atendendo os bruxos que haviam ali, para um povo pequeninho eles gostavam de coisas grandes.
