Edward
Hoje é um dia amaldiçoado.
O relógio marcava 06h52min e sei que em poucos minutos o despertador vai tocar.
Estou olhando para o teto desde que me deitei, ontem à noite. Meus olhos queimam com o sono, mas eu não quero dormir. Não hoje.
Suspiro quando o objeto toca e desligo-o antes de levantar. Meu corpo inteiro reclama por ter ficado toda a noite na mesma posição e tudo que quero é voltar a deitar e dormir, mas não o faço.
Vou em direção ao banheiro e minha cabeça lateja. Quando vejo meu reflexo no espelho sinto meus lábios se curvarem. Ninguém acreditaria se me visse assim, os olhos vermelhos, a barba por fazer e o rosto cansado como se tivesse acabado de sair do trabalho, quando era exatamente o oposto.
– Que decepcionante – murmuro antes de pegar alguns analgésicos em cima da bancada e engulo-os a seco.
Hoje vai ter um ótimo dia.
Fecho os olhos por um segundo quando meu celular começa a tocar e logo volto ao quarto. O nome mãe brilhava na tela e respiro fundo antes de atender.
– O que é? – massageio minha testa tentando diminuir a dor, mas é inútil.
– Isso são maneiras Edward? – sua voz está irritada e estridente.
– Mãe, eu acabei de acordar. O que você quer? – suspiro sem paciência.
– Você sabe que dia é hoje?
O pior dia no ano?
– O que tem hoje? – duvido que ela se lembre o que esse dia representa para mim.
– A filha dos Webers vem aqui hoje. Você esqueceu? – seu tom é recriminador.
Estou fartos das suas tentativas de me juntar a Angela. Eu já tentei uma vez e por um tempo foi bom, sexo, festa, bebidas... Era ótimo poder esquecer tudo por um tempo, sexo sem compromisso e sem sentimentos, isso até ela começar a exigir um relacionamento. Acabou sendo o pior erro que eu cometi na minha vida.
Bom... O segunda na verdade.
– Eu nunca disse que iria comparecer a esse jantar. Isso foi ideia sua então resolva. Estou cansado e tenho que trabalhar, não me ligue mais a menos que seja urgente.
– Isso é urgente! Você sabe o quanto a família Weber é influente? – diz cinco tons mais auto e minha cabeça lateja.
– Eu não me importo. Leve o Emmet, ele sabe lidar com isso melhor do que eu.
Ela fica em silencio por um segundo.
– Isso ainda é por causa daquela garota? – fecho os olhos e inspiro. – Hoje é o aniversário dela não é? Você já deveria ter...
– Não – a interrompo. – Não fale dela, nem sequer mencione seu nome. – aperto a mão em punho. – Só vou dizer isso uma vez. Não. Volte. A. Me ligar.
Desligo sem esperar uma resposta e tento me acalmar.
Aperto os olhos tentando não ser invadido pelas lembranças, mas é inútil. Não importa quanto anos passem ou quantas mulheres eu já tive, nunca consigo esquecer... Não consigo parar de relembrar.
Quando será que isso vai acabar? Quando vou parar de temer o passado?
A resposta é única para as duas. Nunca.
Ela é como uma doença. Surge do nada, faz sua vida mudar e depender somente dela, mas um dia desaparece sem nenhuma explicação e lhe deixa com cicatrizes para o resto da vida.
Eu queria poder achar a cura. Queria poder viver como antes, mas isso não é algo possível.
Essa doença ainda reside em mim. Eu sou um prisioneiro.
– Está atrasada Srta. Halle – digo assim que a porta da minha sala é aberta e levanto a cabeça.
– Sinto muito Sr. Cullen – diz com os olhos baixos. – Hoje é o aniversário da minha amiga, então...
Sinto meu coração falhar uma batida e balanço a cabeça.
– Chega! Não tolero desculpas, se quer se manter nesse emprego acho melhor cumprir com seus horários.
Sei que exagerei quando vejo o espanto em seus olhos e suspiro. Rosalie é a melhor secretaria que já tive e merece um premio por aguentar todas as vezes que gritei com ela ou a recriminei sem nenhum motivo.
Bom... Eu sei que sou um babaca.
– Sim, me desculpe. Isso não irá acontecera novamente.
Balanço a cabeça e volto a olhar para os papeis.
– Como está minha agenda hoje?
Ela senta a cadeira a minha frente e começa a falar sobre minhas obrigações diárias. Eu tento me concentrar no que ela diz, mas meus pensamentos estão longe.
Acho que vir trabalhar hoje não foi uma boa ideia.
– O senhor está bem? – volto ao presente quando escuto sua voz e percebo estar olhando para o outro lado da sala.
– Sim... Só estou com um pouco de dor de cabeça – respiro fundo e me endireito. – Você pode ir, mande minha agenda para meu e-mail e peça para a Srta. Carter trazer os documentos do projeto M.
Ela franze o cenho.
– O senhor a demitiu ontem. Não lembra?
Uma vaga lembrança de uma garota mexendo na minha sala vem a minha cabeça. Então foi ela.
– Certo, consiga uma nova secretária para mim.
Ela assente e está prestes a se levantar quando há uma batida na porta.
Emmet entra logo em seguida e Rosalie baixa a cabeça ao passar por ele. Eu sabia que ela tinha uma pequena queda por ele. Meu irmão, por outro lado, parecia não saber ou ignorava.
– O que você quer? – pergunto e ele me olha por um segundo antes de sentar a minha frente.
– Nossa mãe me ligou – rolo os olhos e ofereço um sorriso sarcástico.
– É claro que sim.
– Você não vai?
– Você já sabe minha resposta.
Ele franze o cenho e suspira.
– Você está horrível e eu sei que isso é por causa dela– cospe a palavra como se tivesse nojo. – Mas não acha que seria melhor conhecer outra pessoa?
Sorrio sem o menor humor. Ele acha que já não tentei fazer isso?
Se ele soubesse quantas mulheres já haviam passado por minha cama e não me despertaram o menos interesse me acharia louco.
Talvez eu já esteja louco.
– Eu não vou a esse jantar Emmet.
Ele balança a cabeça, mas não diz mais nada sobre o assunto.
– Acho melhor você tirar o dia de folga. Por acaso dormiu algo hoje?
A ultima coisa que eu quero fazer é dormir. Sonhar com ela, sonhar tocar seu corpo macio enquanto a ouso sussurrar meu nome... Isso éa ultima coisa que eu quero.
– Eu estou bem.
Coloco a mão na cabeça quando a mesma volta a latejar e fecho os olhos com força. Esses comprimidos não deveriam estar fazendo efeito?
– Você não está bem – suspira cansado. – Não vê que está acabando a si mesmo fazendo isso?
Ele levanta e coloca um cartão em cima da mesa.
– Se não quer dormir vá a esse Club. Algumas mulheres podem fazer sua mente ocupada por algumas horas.
Isso é o que eu venho fazendo há 6 anos e não tem sido uma tática muito boa.
Após alguns segundos a porta é fechada e eu suspiro jogando a cabeça para trás.
Ir a Clubs ou dormir com qualquer uma que não seja morena tem sido minha rotina, mas nos últimos anos não tem tido o mesmo efeito. Mesmo se eu estou beijando outra mulher, se estou tocando outra ou simplesmente conversando... Não adianta, ela está lá.
Ela está sempre lá.
Eu me inclino para frente e agarro o telefone e disco no ramal da minha secretária.
– Sim, Sr. Cullen? – olho para o cartão em cima da mesa e suspiro.
– Cancele meus compromissos. Estou tirando o dia de folga.
– Está tudo bem? – pergunta hesitante e sorrio sem humor.
– Sim... Só estou um pouco doente.
Hoje é um dia amaldiçoado.
