Isabella

Assim que me formei eu tinha muitas expectativas sobre meu futuro.

Viajar.

Explorar o novo.

Arrumar um namorado.

Fazer Rose me devolver aqueles US$10,00 emprestados...

Bom... Eu não imaginava que no meu futuro incluía segurar o cabelo da sua amiga enquanto ela colocava toda comida do seu estomago na privada.

– Eu vou morrer... – Alice gemeu ao terminar mais uma seção.

– Não, você não vai – torci o nariz. – Mas precisa de um banho, tipo, pra ontem.

Ela faz uma careta e eu acabo rindo.

Jasper havia deixado sua noiva na minha porta assim que amanheceu. Rosalie tinha saído para trabalhar e Alice infelizmente estava de folga, mas seu amor não.

No final acabou sobrando para mim.

Sim, eu sei. Que belos amigos tenho.

– Minha cabeça vai explodir – resmungou levantando-se.

– Vou pegar algo para você.

Estou quase saindo quando me lembro de algo e prendo o lábio entre os dentes para tentar conter o sorriso.

– Alice! Quer que eu pegue mais algo para você? – praticamente grito a minha pergunta e ela faz uma careta levando a mão à cabeça.

– Eu te odeio. – diz e solto um riso.

– Eu sei.

Bom... As coisas nunca ficam chatas com Alice por perto.

As10h05min eu estou saindo de casa. Alice estava relativamente melhor quando a deixei e Jasper viria busca-la em breve.

Felizmente Rosalie havia deixado o carro para mim, o que facilitava muito ir à casa dos meus pais.

Ele moram em Geneva, uma pequena cidade que fica a cerca de 1 hora de Chicago. Meus pais vivem lá há cinco anos desde que comecei a estudar na Universidade de Chicago.

Lembro o quanto eles haviam ficado felizes por mim quando fui aceita.

Antes de se mudarem meu pai trabalhava como chefe da policia em Forks e minha mãe costumava fazer vestidos. Hoje meu pai está aposentado e minha mãe expandiu seu negócio, trabalhando atualmente com vestidos de noiva.

Se alguém merecia um premio por melhor estilista, essa era Renée.

Não demorou muito para chegar ao meu destino. A pequena cidade que me era tão conhecida continuava exatamente igual ao que sempre foi.

Pouco antes de chegar à casa dos meus pais eu vejo a pequena loja que minha mãe possuía. Sinto meus lábios se curvarem em um sorriso, como sempre acontecia, quando olho para o nome, La Bells, parecia inacreditável que minha mãe havia colocado justamente meu nome.

Ela é, com toda certeza, a melhor mãe do mundo.

Poucos minutos depois paro em frente a casa deles.

No jardim há um garoto cortando a grama, o que me fez franzir o cenho. Charlie nunca deixava alguém mexer no seu gramado.

Saio do carro e vou em direção a porta, no caminho aceno para o garoto que sorri, ele deveria ter uns 17 anos e tem um rosto bonito, mas eu não estou me tornando uma pedófila.

A casa está em silencio quando entro, mas uma musica baixa vinha da cozinha e me encaminho para ela. Logo que entro posso ver Renée de frente a pia mexendo a cabeça no ritmo da musica enquanto cantarolava a mesma.

– Por acaso alguém recebeu a visita do Papai Noel? – pergunto em voz alta denunciando minha presença e seu corpo congela, virando de imediato para trás logo em seguida.

– Bella! – ela grita e segundos depois estou sendo esmagada por seus braços. – Meu bebê!

Eu sorrio enquanto devolvo o abraço e ficamos por alguns segundos nessa bagunça de braços e lágrimas.

– Eu senti tanto a sua falta! – ela me afasta e toca meu rosto com carinho. – Como você está? Sua viagem foi bem?

– Também senti saudades mamãe – ela pisca os olhos tentando conter as lágrimas e volto a puxá-la para meus braços.

Eu sabia que ela adora quando a chamo assim.

– A viagem foi ótima e estou bem, não se preocupe. – afasto-me para olhar em seus olhos. – Eu consegui um emprego.

Seus olhos aumentam em surpresa e um enorme sorriso surge em seu rosto.

– Isso é ótimo bebê! Quando... Como isso aconteceu?

Estou prestes a contar toda a história quando um pigarro me faz olhar para a entrada.

– Então... – ele sorri e abre os braços. – Esse velho aqui não merece um abraço também?

Ele ainda continuava o mesmo, o mesmo cabelo castanho com os novos fios grisalhos, o mesmo sorriso gentil que eu conhecia e o bigode que sempre implorei para ele tirar. Ele ainda era o mesmo. Meu pai.

Eu sorrio e vou em sua direção, abraçando-o apertado enquanto sinto seus braços me acolherem.

– Senti sua falta pai – olho para cima e ele beija o topo da minha cabeça.

– Eu também Bells... Eu também.

Fomos distraídos do nosso momento por um fungo e quando olho para trás Renée está nos observando com os olhos cheios de lágrimas.

– Sua mãe continua como uma menininha chorona – meu pai diz baixinho perto do meu ouvido e solto um riso.

É bom estar em casa.

– Então me conte... – continua me puxando para sentar em uma das cadeiras na mesa. – Minha menina conseguiu mesmo um emprego?

– Sim

– Em que lugar? – meu corpo congela por um segundo com a pergunta e penso nas possiblidades.

Como dizer que não faço a mínima ideia?

– Bom... – começo mexendo nas minhas mãos nervosamente e mamãe sorrir incentivando.

– Sim?

Abro a boca para falar, mas nada sai.

Quer dizer, eu conheço Rose já faz 4 anos, somos amigas há 3 anos, 5 meses e alguns dias, sei que ela trabalha sejaláonde como secretaria – recentemente descoberto como a primeira – há alguns meses e sei que ela ganha bem porque compra nossas cervejas.

Então porque eu me interessaria por onde ela trabalha?

– É em uma empresa – digo por fim com um sorriso forçado e eles me olham em expectativa. – Eu vou ser a secretaria... Para... – pensando bem, quem é mesmo meu chefe? – Para um homem muito importante.

Eles me olham por um segundo e quase choro de alivio ao ver o sorriso surgir em seus rostos.

– Oh querida... Estamos muito orgulhosos de você – mamãe volta a me abraça e solto um riso nervoso, fechando os olhos com força quando eles não veem.

Preciso ligar para Rose, tipo, agora!

– Oh bebê... – Renée está me olhando com os olhos cheios de lágrimas e um sorriso sonhador. – Você está maravilhosa!

Eu faço um sorriso, que mais parece uma careta, e tento não entrar em pânico.

Tudo bem, eu só estou vestindo um vestido de noiva, isso não é motivo para surtar.

Certo, isso não é.

– Não vejo a hora de ver minha menina entrando na igreja... – os olhos dela brilham ansiosos e faço uma careta.

Ok, hora de entrar em pânico.

– Mãe... Eu acho que isso ainda é um pouco... – tento falar e ela rola os olhos.

– Na sua idade eu já havia casado – fala e é minha vez de revirar os olhos. Claro, isso foi há um século. Que ela não me ousa.

A visão da minha mãe sobre a vida era clara. Você pode curtir sua vida até os vinte, depois disso se não casar é motivo para achar que seu futuro é uma casa de gatos.

– Bella, ontem visitei Madame Clair e ela disse que você está bloqueando seu futuro... O que você está fazendo? Tem alguém interessado em você? – ela estreita o olhar para mim e solto o ar pesadamente.

– Mãe! Você foi naquela vidente vigarista de novo? – balanço a cabeça e ela arqueia uma sobrancelha como se duvidasse da minha sanidade. Bom, eu duvidava da dela.

– Ela estava certa sobre minha loja.

– Mas e sobre o casamento de Sara? E sobre o trabalho de Rose? E o aniversário do papai? – pergunto e ela suspira cruzando os braços.

– Tudo bem, ela pode estar erradas as vezes – enfatiza me lançando um olhar afiado. – Mas ela também estive certa em varias ocasiões.

Esse é o trabalho dela afinal, claro que ela tem que estar certas as vezes. Odeio essa mulher, principalmente o fato que ela me mete em vários problemas por causa das suas "visões". Até hoje não consigo esquecer aquele maldito encontro que Renée me forçou a ir com o velho Steve, algo haver com "tirar minha má sorte".

– Bella... – olho-a quando ela toca meu ombro e sorri. – Esse é o sonho de qualquer mãe... Ver você feliz ao lado de alguém que possa fazer de tudo por um sorriso seu. Esse, esse é o meu maior sonho

Então é isso.

Ela me desamarra quando tento ficar chateada e leva embora qualquer mancha de irritação que eu poderia ter.

Não posso ir contra ela.

– Você precisa viver Bella – ela afaga meus cabelos com um sorriso. – Precisa viver o agora. Nós nunca sabemos o que pode acontecer amanha.

Eu sabia do que ela estava falando.

– Mãe... – tento falar, mas ela balança a cabeça fechando os olhos por um segundo.

– Quando... Quando você e seu pai estavam naquele hospital... Aquilo para mim foi horrível – ela baixa a cabeça e eu aperto seu ombro fazendo-a levantar os olhos para mim.

– Estamos aqui agora – puxo-a para meus braços e suspiro. – Nós estamos bem.

– Eu sei – ela envolve seus braços em volta de mim e descansa a cabeça no meu ombro. – Isso é tudo que eu preciso. – Ficamos em silencio por um segundo até ela continuar. – Mas você ainda precisa casar.

Solto um riso involuntário e aperto-a em meus braços antes de soltá-la. Estou prestes a falar algo quando um pigarro me interrompe.

Nos viramos para o lado e Charlie está encostado na porta nos olhando com um sorriso enquanto segurava um embrulho vermelho nas mãos.

– Isso é meu? – a pergunta sai antes que eu perceba e um sorriso se espalha por meu rosto.

– Sim – ele anda na nossa direção e coloca o presente em minhas mãos. – Sua mãe e eu preparamos para seu aniversário.

– Obrigada.

Mal posso conter minha empolgação quando sento na cama e começo abrir o embrulho. Afinal, esse não é o melhor momento dos aniversários? Receber o presente dos seus pais.

Sinto meus lábios de curvarem ao ver a foto no porta retrato. Lembrava desse dia, havia sido nossa primeira foto depois que eles me adotaram, acho que eu tinha 7 anos. Charlie e Renée me rodeavam com seus braços enquanto sorriamos e logo atrás havia nosso antiga casa em Forks.

Aquele foi o melhor dia da minha vida.

– Vocês lembraram... – murmurei passando a mão pela imagem e sinto a mão de Charlie em meu ombro, fazendo-me olhá-lo.

– Nós prometemos que íamos dar a você.

– Achamos ela há alguns meses – mamãe continuou sorrindo. – Lembrei que você queria muito essa foto.

Balanço a cabeça afirmando, fiquei tão chateada quando perdemos essa foto na mudança. Havíamos planejado de procura-la em todos os cantos, mas sempre acontecia algo inconveniente ou eu acabava me esquecendo.

– Obrigada – disse puxando-os para um abraço. – Esse foi o melhor presente que eu poderia receber.

Sinto Renée afagar meus cabelos e ela se afasta para tocar meu rosto com carinho. Seus olhos brilhavam com as lágrimas não derramadas e os meus fazem os mesmo.

– Obrigada a você querida – seu sorriso se alastra e ela olha para Charlie por um breve segundo. Aquele mesmo olhar complique que eles costumavam oferecer um ao outro. – Pois você foi e sempre será, sem duvida, o melhor presente em nossas vidas.

E foi assim.

Mais uma vez ela me fez chorar.

Muitas pessoas podem ficar chateadas por ter mães que costumam coloca-los em situações embaraçosas. Céus, não existem mais números das quantidades de vezes que Renée me fez perder a paciência ou me irritar até a loucura.

Bom, ela pode ser muito irritante as vezes, ela pode fazer coisas loucas como ir a videntes e me fazer ter os piores encontros da minha vida ou a vestir seus vestidos por horas. Ela pode fazer tudo isso e mais. Eu não me importo.

Vê? Ela é Renée Swan. Ela me fez ser uma Swan

Não posso dizer com palavras tudo que sinto, mas não preciso de um texto, nem de um dia ou uma canção para expressar o que é isso.

Apenas oito letras. Uma palavra.

Então... Obrigada mãe. Obrigada por me fazer quem eu sou.


Então, o que estão achando?