Eu sabia que havia um motivo para mesmo minha mãe odiar meu pai às vezes.

Quero dizer, céus... Homens às vezes são tão babacas. Eles devem possuir algum manual secreto de como irritar uma mulher.

Eu ainda não podia acreditar em como todas as revelações do dia anterior.

Jasper e Alice eram, tipo, O casal. Eles estiveram grudados desde que se conheceram em um, segundo Alice, encontro quente no elevador. Como isso pode mudar assim?

– Ahh... – Rose geme levando a mão a cabeça tirando-me dos meus devaneios. – Minha cabeça vai explodir.

Solto um riso nervoso e tento disfarçar debochando da sua situação.

– Acho que você deveria parar de andar com sua amiga Tequi – digo referindo-me a garrafa de tequila que ela quase esvaziou ontem depois da briga. – Ela tem uma influência da merda.

– Vá se foder – resmungou me fazendo rir.

– Quem sabe mais tarde – pisco um olho e ela faz uma careta de nojo.

– Nojento. Agora me faça um favor e entregue esses documentos ao Sr. Cullen – diz colocando uma pasta na minha mão e enrugo a testa.

– Eu não sei se isso é uma boa ideia.

– Eu sei, mas eu não quero dar outro motivo pra ele me recriminar outra vez se me ver assim – aponta para seus olhos inchados e suspiro.

– Tudo bem. Eu faço esse sacrifício por você.

Ela sorri aliviada e eu me encaminho para porta do escritório do nosso chefe.

Bato na porta e segundos depois ouço e baixo "entre". Tenho que respirar fundo antes de puxar a maçaneta.

No segundo que coloco meus pés para dentro percebo que foi uma péssima ideia ao ver Edward e seu irmão conversando. Os dois estão em pé e viram a cabeça na minha direção quando entro.

Os olhos de Emmett quase saltam a me ver e ele olha para Edward que parecia assustadoramente calmo.

– O que essa mulher faz aqui? – questiona Emmett com irritação e seu irmão suspira.

– Ela é minha secretaria Emmett, o que você quer dizer?

Solto o ar pesadamente e quero sinceramente sair, mas apenas começo a andar em direção a mesa para colocar os papeis e sair o mais rápido possível.

– Você... – Emmett parece não acreditar no que Edward falar e já estou ficando farta. – Você vai deixá-la trabalhar mesmo aqui? Depois de tudo... – ele solto um riso e inclina cabeça para trás. – Não posso acreditar nisso.

Bom, já não aguento mais.

– O que você quer? – pergunto finalmente, parando no meio do caminho. – Qual é o seu problema comigo?

Ele me observa por longos segundos e solta um sorriso.

– O que você quer? Depois de todos esse anos... Volta de repente. Está à procura de dinheiro? Podemos resolver isso.

Não.

Ele absolutamente não disse disso.

Fecho os olhos com força e tento respirar fundo para me acalmar, mas o fato é que nunca fui boa nisso.

E não é agora eu vou começar a ser.

– Emmett – Edward avisa, mas nem mesmo que ele se ajoelhasse e pedisse perdão eu iria parar.

– Olhe aqui seu... – mordo o lábio com força para me impedir de xingá-lo, apesar de tudo ele é irmão do meu chefe. – Eu não sei qual é o problema de vocês – aponto para os dois. – Mas eu! Eu não sou essa garota que vocês tanto falam! Não me importa o que ela fez ou o que vocês fizeram, mas parem de achar que eu sou ela! Entenderam? Não. Sou. Ela – pontuei cada palavras e minha respiração estava irregular quando terminei. – Sou apenas uma funcionara comum, se estão irritados com alguém, não venham descontar em mim!

Marcho em direção à mesa e praticamente jogo os papeis em cima da mesma, mas antes que eu pudesse me virar e sair, Emmett agarra meu braço com força impedindo-me de ir.

– Você acha que somos idiotas? – solto um sorriso zombeteiro e arqueio uma sobrancelha.

– Sim – seus olhos aumentam surpresos. – Agora quer fazer o favor de me soltar?

Ele me observa por um longo tempo, tempo suficiente para me deixar mais irritada.

– Emmett solte-a – ordena seu irmão, mas ele ainda continua a me segurar. – Emmett!

Puxo meu braço com força ao mesmo tempo em que Emmett me solta. Uma combinação não muito boa.

Eu estava calçando um enorme salto que Rose fez o favor de aconselhar, então não foi minha culpa quando me desequilibrei com o forte puxão e a súbita falta de contato.

Em segundos minha bunda estava colada ao chão pegando fogo e imediatamente senti a fisgada de dor no meu tornozelo. Merda, merda, merda... Gemi levando a mão ao local apertando com força e piscando os olhos para não chorar.

– Droga – escuto alguém resmungar e Emmett tentou me tocar, isso até eu lhe enviar um olhar assassino e seu irmão praticamente o empurrar para o lado.

– Você está bem? – Edward se agacha perto de mim e penso em xingá-lo.

Claro que não estou bem! O idiota do seu irmão me fez ir ao chão agora!
Então, para completar a desgraça do dia, Rose entra pela porta olhando confusa ao redor e arfa ao me ver caída no chão.

– Bella! Oh querida, o que houve? – ela corre na minha direção, mas antes que chegue sou erguida por braços fortes.

Meus olhos aumentam em surpresa quando o chão distancia-se e imediatamente agarro os braços da pessoa, reconhecendo o perfume amadeirado de Edward.

– Ela caiu. Acho melhor levá-la a enfermaria – diz Edward quando direciona o olhar para Rose e ela assente preocupada. – Cancele meus compromissos pelo resto do dia Srta. Halle. Vou levar a Srta. Swan para casa e resolver alguns negócios enquanto estiver fora. – ela olha para mim em duvida e eu balanço a cabeça discretamente, pedindo com o olhar para ela não se preocupar. – E Emmett – continuar Edward quando estávamos prestes a sair. – Conversamos mais tarde.

Ele sai sem esperar uma resposta, ainda comigo em seus braços enquanto íamos em direção à enfermaria.

Fiquei chocada ao descobrir que existia tal local na empresa alguns dias atrás, mas como sempre Edward me surpreendia, ele podia ser um babaca em tempo integral, mas sabia cuidar dos seus funcionários.

Alguns minutos depois e uma bolsa de gelo, eu me encontrava sentada em uma cama com o pé apoiado em um travesseiro macio enquanto desfrutava das maravilhas do analgésico.

Edward olhava-me com o cenho franzido parecendo... Preocupado? Eu não sabia o que pensar, o homem era um poço de mistério, além de um relógio bipolar.

– Você vai ficar ai? – pergunto arqueando uma sobrancelha e ele levanta os olhos para mim.

– Eu prometi levá-la para casa e o que aconteceu é em parte por minha causa – diz se inclinando para trás, olhando para enfermeira que nos observava a distância. – Ela já pode ir?

Ela pisca corando ao perceber que foi pega.

– Sim Sr. Cullen, apenas terá que evitar colocar o pé no chão, mas... – enruga a testa olhando para o meu pé e olha ao redor.

– Deixe isso comigo – diz se aproximando de mim e novamente fico surpresa quando sou erguida em seus braços. – Você está bem? – pergunta perto da minha orelha, enviando arrepios por todo meu corpo. O que era muito, muito estranho e bom ao mesmo tempo.

– Sim... – digo, minha voz saindo um pouco falha e trato de clareá-la vendo-o assentir e se virar para enfermeira que nos olhava de queixo caído.

– Obrigado – diz e ela assente ainda com os olhos aumentados enquanto saímos.

Alguns minutos depois, e eu praticamente escondendo o rosto em seu peito com todos os olhares que recebemos, chegamos ao seu carro. O que foi um alivio depois de tanta vergonha e ruim porque eu me sentia extremamente cômoda entre seus braços e não queria sair.

– Pode pegar a chave no bolso? – perguntou quando paramos e arregalei os olhos diante do seu pedido, mas mesmo assim o fiz.

Minhas mãos percorreram por suas costas, descendo até encontrar seu bumbum de aço e apalpando o tecido de sua calça em busca do bolso.

– Isabella! – ele praticamente grunhi e imediatamente retiro minha mão olhando para cima, observando a artéria do seu pescoço quase saltar enquanto ele respirava fundo. – O de cima.

Olho para o lado e percebo o bolso praticamente em meu rosto. Tiro a chave sentindo meu rosto corar enquanto isso e tiro o alarme. Ele faz malabarismo comigo em seus braços e consegue abrir a porta sem me colocar no chão, e me deposita delicadamente em cima do banco carona e coloca o cinto em mim – fato que achei extremamente desnecessário – antes de fechar a porta.

Poucos segundos depois ele entra e senta ao meu lado, respirando fundo antes de ligar o carro e manobrar para fora em silencio.

Eu também não estava com a mínima vontade de conversar, por isso me acomodei na poltrona e tentei relaxar, apesar da evidente tensão entre nós, isso até perceber qual caminho estávamos tomando.

– Como sabe onde eu moro? – a pergunta sai antes que eu perceba e ele vira o olhar para mim rapidamente.

– Eu gosto de conhecer meus funcionários – diz apenas e estreito o olhar.

– Isso quer dizer que conhece o endereço de todos eles? – pergunto e ele se move desconfortável antes de mudar de assunto.

– Como está seu tornozelo? – reviro os olhos e suspiro.

– Está bem – na verdade eu não sabia se os efeitos do comprimido estavam diminuindo ou se a dor aumentando, mas estava começando a me incomodar.

– Está mentindo – diz olhando-me quando paramos em um semáforo e como ele sabe disso está além de mim.

– Vou sobreviver – dou de ombros e ele respira fundo apertando o volante entre as mãos.

Durante vários minutos o silencio predomina dentro do carro e eu já estou ficando entediada.

Fico olhando para janela, tentando me concentrar na paisagem e tentando ignorar a pessoa ao meu lado.

Felizmente, quando eu achei que nunca ia chegar, paramos em frente ao meu prédio e ele desceu logo em seguida. Porém, antes que eu pensasse em seguir o mesmo caminho, minha porta é aberta e ele volta a me pegar no colo.

– Não prec... – comecei, mas ele me lançou um olhar duro e me calei.

Nós fizemos a coisa de noivinha de novo e eu torcia pra não encontrar nenhum vizinho. Já bastava todo constrangimentos de hoje.

Fizemos o caminho em silêncio e quando finalmente chegamos a minha porta, ele me colocou no chão e eu cacei as chaves na minha bolsa. E claro, ele ainda me ajudou a entrar e sentar em cima do sofá.

– Onde fica a cozinha? – perguntou e franzi o cenho, mas não discuti e indiquei o local.

Poucos segundos depois ele voltou com uma bolsa de gelo e colocou-a em cima do meu tornozelo. Aos poucos a dor foi aliviando e suspirei de contentamento.

– Você precisa de alguma coisa? – perguntou e balancei a cabeça.

Eu estava muito curiosa e confusa por causa da sua repentina mudança de humor em relação a mim.

– Eu estou bem – respondi – Você já pode ir se quiser.

– Eu... Certo – ele parecia relutante em ir e isso me confundiu pra porra. Onde estava o Sr. Babaca do ano? – Espero que você fique melhor e me desculpe... Por tudo – por um momento cheguei a pensar que ele estava se referindo ao modo como tinha me tratados nos últimos dias, mas então ele continuou. – Emmett não vai mais incomodar você. Eu prometo.

– Tudo bem – eu estava um pouco desapontada e por algum motivo não queria que ele fosse, eu o queria aqui. Que merda está acontecendo comigo?

– Fique bem – pela primeira vez ele me ofereceu um sorriso, não chegava aos seus olhos e era um pouco forçado, mas era um sorriso.

E aos meus olhos foi à coisa mais bonita que eu já vi em algum tempo.

– Sr. Cullen – chamei-o antes de ir e ele se virou. – Obrigada... Por tudo que fez por mim.

Ele sorriu mais uma vez antes de ir e foi mil vezes melhor do que o último.

Assim que a porta se fechou eu me joguei para trás e fechei os olhos com força.

Caramba

Edward pode ter sido um babaca desde que o conheci, mas hoje eu tive certeza absoluta de algo.

Não importa quantas facetas e personalidades esse homem tenha, ele ainda é gostoso pra porra!