Merda...

Isso não pode estar acontecendo.

Respirei fundo pelo centésima vez naquele dia e tentei trazer alguma calma para meu cérebro.

Porcaria!

Eu estava no meu escritório, andando de um lado para o outro sem conseguir fazer absolutamente nada.

Isso não pode estar acontecendo.

Durante os últimos 6 anos eu passei todo esse tempo culpando Bella por tudo que aconteceu na minha vida. Por não ser capaz de ser feliz outra vez e não conseguir voltar ao ser o que era.

Ela... Ela havia me abandonado!Ela me destruiu quando terminou comigo e sumiu para sempre. Eu a procurei tanto, mas no final ela havia ido. Como um fantasma ela desapareceu, como se nunca tivesse existido.

Mas agora ela estava aqui, tão perto de mim, mas ao mesmo tempo tão... Longe.

Eu não podia acreditar o que tinha acontecido a ela. Um acidente, um maldito acidente que causou tudo isso, que tirou-a de mim e fez suas lembranças desaparecerem .

E eu estava me cagando de medo. Ela não lembra mais de mim, de nós, dos momentos que passamos juntos, de como nos conhecemos e daquela música.

Por que isso foi acontecer?

Se antes eu achava que tínhamos alguma chance de ficarmos juntos, essa pequena esperança desapareceu. Eu cometi muitas burradas, não queria admitir isso, mas eu ajudei aqueles bastardos a ferrar como nosso relacionamento. Eu deveria saber que aquilo era demais para ela, mas o babaca em mim não queria acreditar nisso.

Porra!

Eu fiz ela enfrentar a porcaria da minha família para ficar comigo. Deixei aqueles miserais que se diziam meus amigos humilharem-na e ferir seus sentimentos, mas ela não me deixou, ela nem sequer me contou que isso estava acontecendo até eu descobrir.

Eu não a merecia.

Mas vai dizer isso para meu coração louco que batia desesperadamente por ela e só a simples menção de perdê-la era o bastante para me por louco.

Eu sou realmente um idiota.

A parta do meu escritório bate e Rosalie entra coloca a cabeça timidamente para dentro.

– O senhor queria me ver? – ela pergunta sem entrar e eu assinto, sinalizando para ela entrar.

Eu não podia deixar Rosalie saber sobre o que aconteceu, mas eu precisava saber o que de fato havia ocorrido com Bella e apenas ela poderia me contar isso.

– Rosalie, Be... Isabella me contou que ela sofreu um acidente alguns anos atrás – ela franziu o cenho confusa com o rumo da conversa, mas felizmente não perguntou.

– Sim, aconteceu há seis anos se não me engano.

– Ela disse que perdeu a memoria? – eu esperava e torcia para estar parecendo apenas curioso e não desesperado para obter alguma informação.

– Sim, mas foram apenas poucos meses que ela esqueceu – ela mordeu o lábio como se tentasse se impedir de falar algo, mas por fim desistiu. – Na época ela estava... Sofrendo muito por alguns problemas pessoais. Temos uma amiga que é psicóloga, ela falou que isso pode ter sido o motivo para sua perda de memoria.

– Ela... – engoli em seco. – Ela quis esquecer?

– Não conscientemente, mas... É como se fosse uma forma de se proteger da sua dor.

Assenti baixando o olhar por um momento.

– E por que ninguém contou a ela? – Rosalie suspirou.

– Foi uma decisão dos pais dela. Bella sofreu muito, eles não querem que ela lembre. Eu entendo que eles querem protegê-la, mas... Bella merece saber o que aconteceu, é a vida dela e eles não podem esconder isso para sempre – ela balança a cabeça.

Eu entendo o que ela quer dizer, mas também sei o que Charlie e Renée amam a filha deles e eu concordo, depois de tudo que ela sofreu, ela merece ser feliz.

Engulo em seco e desvio o olhar.

– E o que aconteceu?

Rosalie ficou em silêncio e quando levantei o olhar, ela me observava com o cenho franzido.

– Sr. Cullen, sei que não é da minha conta, mas você... Você está interessado na Bella?

Porra! Eu não me lembrava da ultima vez que correi tão rápido assim. Pra começar, alguma vez eu já corei?

– Er... – desviei o olhar sem saber o que dizer e ela soltou um riso baixo.

– Não precisa falar – seu sorriso morreu e seu rosto assumiu uma expressão triste. – Eu vou contar o que aconteceu a Bella, mas poderia me fazer um favor?

– Claro – respondo de imediato e ela abre um pequeno sorriso.

– Não desista dela. Bella se fechou, ela não consegue, não quer se apaixonar por alguém. Ela pode não perceber, mas nos seus relacionamentos anteriores sempre se afastava e por isso nunca conseguiu namorar alguém por muito tempo.

Sinto um bolo se formar em minha garganta e assinto desviando o olhar.

Não foi apenas eu.

– Bella namorava um cara na escola, eu não sei o nome dele, mas Alice o chamou de Mason – disse confusa e meus olhos aumentaram em surpresa. Alice também está aqui? – O garoto era rico e os pais não aprovavam o namoro, mas ele não se importava e Bella ficou bem com isso por um tempo. Mas então os pais dele começaram a ameaçar ela, diziam que iriam deserda-lo se ela continuasse com ele – eu não podia, não conseguia acreditar no que acabei de ouvir. Como eles se atreveram a fazer isso? – Bella não sabia o que fazer e algumas pessoas da escola começaram a importuná-la sobre isso, faziam cartasses ofensivos para ela, a chamavam de... – ela fechou os olhos e respirou fundo, obviamente irritada e eu não estava em um estado melhor. – Eles realmente fizeram ela viver um inferno.

Minhas mãos estavam em cerradas e os dentes trincados. Dessa parte eu sabia e eu pude ter me vingado depois, mas essa merda ainda me deixava puto só de lembrar.

– Bella terminou com ele, achava que era a melhor decisão. Mas aconteceu alguma coisa que a fez sair naquele dia, ninguém sabe onde ela foi e o porquê saiu. Mas no mesmo dia seus pais receberam a noticia que ela havia sido atropelada e que ela estava em um estado muito grave – meu coração chegou a parar nessa hora e eu balancei a cabeça fechando os olhos. Bella, você sofreu tanto gatinha. – Os pais de Bella não tinham muitos... Recursos na época, principalmente por causa da doença do pai dela e sua mãe estava desesperada na época. Ela tinha o marido e a filha no hospital, mas não havia como pagar. Foi por isso que quando aqueles... – ela apertou a mão em punho e seus olhos ardiam em raiva. – Aqueles bastardos ofereceram dinheiro para ela, ela não pode negar. Mas em troca eles exigiram que Bella e sua sumissem e fossem para o mais longe possível.

– Quem? – perguntei com a mandíbula travada e os punhos cerrados. – Quem foram?

– Foram os pais dele – sua voz estava seca e cheia de fúria. – Os mesmos que a ameaçaram antes e que começaram tudo que aconteceu a ela.

Não

Isso não pode ser possível.

Isso não pode estar acontecendo.

Por favor, não diga que os pais que eu tentava acreditar que sentiam alguma coisa por mim fizeram algo assim.

Há um limite para se cometer uma merda, existe um limite que não pode ser ultrapassado. Eles já tinham cometido todos os erros, já tinham ultrapassado todos os limites e já fizeram coisas demais para uma pessoa perdoar. Mas eu perdoei.

Mas esse? Esse eu não posso.

Eles realmente fizeram isso. Eles me quebraram. Eles acabaram comigo.

Eu não posso mais fazer isso.

Eu preciso sair daqui.

Sem um aviso prévio eu me levanto abruptamente, assustando Rosalia que arregalou os olhos e deu um passo para trás.

Sem dizer nenhuma palavra eu ando em direção à saída sem de dar conta do que eu faço.

Ódio

Era apenas isso que eu conseguia sentir, era apenas isso em que eu conseguia pensar. Mas acima de tudo eu estava quebrado.

Estava na hora de resolver isso de uma vez por todas.

...

– Edward? – Esme perguntou confusa quando abre a porta e eu passo por ela abruptamente olhando ao redor.

– Onde ele está? – rosno furioso e ela seus olhos aumentam surpresos.

– Do que está falando Edward? Acalme-se e fale comigo.

– Me acalmar? – sorrio sem o menos humor. – Uma porra que eu vou! Eu quero falar com Carlisle! Agora! – Esme está me olhando assustada e chocada, mas eu não me importo.

Estou prestes a procurar por cada centímetro daquela casa quando ouço passos descendo a escada.

– Edward?

Olho para o homem que se dizia meu pai, mas não consigo encontrar nada em mim para me parar.

Vou em sua direção e antes que ele consiga pensar, atinjo-o com meu punho fazendo-o ir ao chão.

Esme solta um pequeno grito e corre em sua direção, mas Carlisle apenas me olha chocado com a mão no lábio sangrando.

– Como você se atreve? – rosno furioso. – Como você teve coragem de fazer isso?

– Você está louco moleque? – ele está começando a ficar com raiva e está tentado me assustar, eu posso ver isso. Mas não vai funcionar, não mais.

– Você... – fecho os olhos com força por um segundo. – Você é o meu pai! Você deveria ser meu pai! Como... Como pode fazer isso?

Com a ajuda de Esme ele se levanta e me encara sem desviar o olhar e eu o odeio por isso. Eu odeio esse olhar, odeio o fato dele ser meu pai, mas acima de tudo odeio o que ele fez comigo.

– Do que você está falando?

– Bella! É dela que estou falando. Do que você fez a ela. É isso!

Seus olhos arregalam em surpresa e não preciso de mais nenhuma palavra ou prova para confirmar o que ele fez.

– O que tem a garota? – pergunta e solto um riso sem humor.

– Não adianta fingir Carlisle. Eu sei o que você fez a ela, sei do acidente, sei de tudo! – paro com a respiração acelerada e os as mãos cerradas tremendo.

Ele fecha os olhos por um segundo e tenta dar um passo na minha direção.

– Escute Edward... Eu...

– Você o que? – balanço a cabeça. – Você não pode nem negar. Você fez isso com seu próprio filho e nem se arrepende por isso!

– Eu me arrependo – diz rapidamente parecendo desesperado e nego com a cabeça.

– Não Carlisle, você não se arrepende. Você poderia ter me contado todos esses anos, mas não o fez, mesmo vendo o quanto eu sofria, você não fez – ele tem o olhar culpado e a cabeça baixa, mas eu não me permito sentir mais nada mais do que nojo.

Eu não aguento mais ficar nesse casa. Eu tenho que sair.

– Você não pode ser meu pai. Eu tentei, tentei por todos esses anos acreditar que você e Elisabeth nos amavam, mas eu não posso mais.

Ele olha para cima e seus olhos estão desesperados. Ele abre a boca para falar, mas nenhuma palavra sai e eu estou bem com isso. Eu já sabia, ele nunca nos amou, nem a mim ou a Emmett, erámos apenas herdeiros para seu grande império.

– Adeus Carlisle – eu me viro e vou em direção à saída.

Meus olhos ardem e meu coração dói como nunca antes.

A cada passo que dou para fora daquela casa é como se tudo desmoronasse, como se dentro de mim algo tivesse quebrado. E quando finalmente entro no carro, solto o ar pesadamente inclinando a cabeça para trás.

– Droga – abro os olhos e soco o volante. Minha mão dói, mas essa dor é física, ela é fácil de lidar.

Meus olhos estão queimando e eu sinto as lágrimas correrem livremente por meu rosto.

Essa merda dói.

Saber que meus próprios pais fizeram isso comigo, que me destruíram e me fizeram viver em um inferno durante anos por causa do que fizeram... Sim, isso machuca.

Mas de uma coisa eu tinha certeza.

Eu vou concertar isso.

Eu vou fazer de tudo para fazer Bella feliz e implorar, se preciso, pelo seu perdão.

E quando chegasse o momento certo eu iria contar a verdade a ela. Bella merecia isso, ela merecia saber a verdade.

Poderia não ser hoje ou amanhã, mas um dia certamente eu iria contar.

E isso era o que mais me assustava.