Era cedo.

Cedo demais para Jake estar choramingando no meu quarto lambendo meu rosto tentando me levantar para sair e céus, eu amo ele, amo demais, mas no momento eu queria jogá-lo pela janela e gritar para me deixar em paz.

Eu nunca fui uma ótima pessoa pelas manhãs, mas hoje o mau humor matinal estava demais.

Entretanto, apesar das minhas intensões assassinas, me forcei a levantar e vestir um roupão para sair e levá-lo para fazer as suas necessidades.

Minutos depois eu voltei com um Jake feliz e faminto e já que eu tive o prazer de ser acordada tão cedo, abri a porta do quarto de Rose para Jake entrar e fazer o mesmo favor que fez a mim.

Voltei ao meu quarto sorrindo e com o humor mil vezes melhor e tudo pareceu melhorar ao ver meu celular piscando com uma mensagem.

E: Bom dia gatinha. Está acordada?

B: Bom dia! Graças a Jake sim.

Ele não respondeu de imediato e aproveitei para fazer minha higiene matinal. Levei o celular comigo para o banheiro e assim que terminei de escovar os dentes o toque familiar de Move Your Feet soou.

Soltei um riso ao ver o nome "Cuidado: Cão Raivoso" piscando na tela do celular. Eu deveria trocar esse nome.

– Sentiu tanto assim minha falta? – perguntei ao atender.

Quem é Jake? – perguntou ignorando minha pergunta e revirei os olhos.

– Oh Deus, eu não fazia ideia que você era tão inseguro assim – soltei um riso e ele ficou em silencio. – Isso é tão fofo! Posso te chamar de Bebê?

Isabella – ele respirou fundo e tentei controlar o riso. – Você ainda não me respondeu.

– Sr. Cullen, eu acredito que sua memoria ainda não está tão falha assim.

Do que está falando? – perguntou confuso e mais uma vez rolei os olhos.

– De Jake é claro, você o conheceu quando veio me visitar na ultima vez – ele permaneceu em silencio e suspirei. – O cachorro Edward, ele é o meu Jake. Não acredito que você se esqueceu do meu bebê.

Ahh... Esse Jake – murmurou e balancei a cabeça sorrindo, aposto que ele deve estar corando agora. – Como você vai para o trabalho hoje?

– Hum... Ótima maneira de desviar de assunto. Vou de carona com a Rose, por quê?

Eu estava pensando se você não aceitaria uma carona... Minha.

– Oh... – abri um sorriso. – Eu adoraria.

Ótimo, eu te busco em 1 hora, certo? – concordei e estava prestes a me despedir quando ele continuou. – E Bella, nada de me chamar de bebê, tudo bem?

– Hum... Se você colocar assim só me faz ter mais vontade de chamar. Vou pensar no assunto, te vejo em 1 hora. Beijos bebê!

Desliguei sem esperar uma resposta soltando um riso ao imaginar sua reação, mas meu sorriso morre ao ver a bagunça que estava meu cabelo. Apenas 1 hora...

Depois de uma interminável briga e busca por roupas, consegui me aprontar a tempo de tomar café.

Rose tinha acabado de colocar as panquecas em cima da mesa quando entrei na cozinha. Eu agradecia por seus anos como dona de casa, dificilmente conseguiria me aprontar e preparar o café da manhã como ela.

– Bom dia! – falei indo me sentar em uma das cadeiras e ela me olhou surpresa.

– Bom dia. Já está acordada? – perguntou e sorri assentindo, normalmente ela tinha que me forçar a sair da cama.

– Sim, Edward vem me pegar.

– Oh... – ela parecia surpresa. – Isso é bastante... Atencioso da parte dele, eu acho. Você sabe onde ele mora.

Assenti tentando conter meu sorriso gigantesco. Era um caminho completamente diferente, mas se ele estava disposto a vir, eu não iria reclamar.

– Ele é apenas perfeito – suspirei e ela soltou um riso. Cruzei os braços olhando-a e arqueei uma sobrancelha. – Não ria, você não está em uma situação melhor que a minha. Como está indo com Emmett? – vulgo irmão idiota e louco.

Assim que perguntei seu riso morreu e ela baixou os olhos.

– Ele está me ignorando – murmurou e ela parecia tão decepcionada que eu quis chutar Emmett. – Nos encontramos no elevador e ele nem ao menos me olhou. Talvez ainda esteja com raiva por causa daquele dia. – suspirou e balancei a cabeça. Emmett é um senhor idiota.

– Fale com ele Rose, tome alguma iniciativa. Aposto que ele não vai poder te ignorar se for o caso – sugeri e ela sorriu.

Eu não queria isso na verdade. Emmett não merece alguém como Rose, mas ela está apaixonada por ele e eu não podia fazer nada quanto a isso.

– Vou tentar – prometeu com um sorriso tímido e suspirei.

Não sei se isso pode acabar bem.

Alguns minutos depois Edward me ligou para avisar que tinha chegado e me esperava em frente ao prédio. Eu praticamente corri para fora, impaciente com a lentidão do elevador, mas quando finalmente as portas se abriram e sai, lá estava ele, encostado em seu carro rico com um olhar entediado, mas que assim que me viu abriu um sorriso e eu andei em sua direção.

– Hum... Você está totalmente sexy nesse terno – disse assim que parei a sua frente e coloquei meus braços ao redor do seu pescoço.

Suas mãos imediatamente vieram para minha cintura me puxando para perto do seu corpo e ele sorriu.

– Obrigado gatinha – beijou levemente meus lábios e se afastou para sussurrar perto da minha orelha. – Você está malditamente quente também.

– Eu sei – disse triunfante e ele riu. Esse foi todo o proposito da coisa afinal.

– Minha garota gosta de elogios? – perguntou e meu coração falhou uma batida.

Minha garota. Oh céus acho que vou desmaiar.

– Um elogio ou dois nunca fez mal a alguém – falei e ele riu.

– Bom... Então me deixe dizer o quanto você está gostosa e linda nesse vestido... – ele baixou os olhos para meu decote, que estava praticamente na sua cara e seu sorriso vacilou um pouco. – Mas está bonita demais. Tem certeza que não está com frio? Talvez devêssemos colocar algum casaco em você – disse pensativo e soltei um riso.

– Sr. Cullen... – ri e ele me olhou. – Nunca soube que você era tão possessivo.

– Eu não gosto de outros caras olhando para você – resmungou e me aproximei do seu rosto.

– Então deixe-me te dar uma dica – murmurei com nossos lábios quase se tocando. – Quando alguém estiver olhando para mim apenas faça isso.

Juntei nossos lábios enquanto o puxava para mais perto começando um beijo um pouco mais que intenso e suas mãos desceram para apertar a carne no meu bumbum.

Isso tinha sido um ato um pouco imprudente da minha parte, principalmente agora que tínhamos que trabalhar e que teríamos que agir o dia todo como se não fossemos dois pervertidos loucos para atacar um ao outro.

Senti algo duro crescer em cima do meu estômago e praguejei mentalmente me afastando.

Com certeza não foi uma boa ideia.

Mas, apesar do nosso estado de excitação e por estarmos frustrados de que nada irá acontecer por hora, me surpreendi ao vê-lo sorrindo.

– Bom Bella – franzi o cenho e seu sorriso aumentou. – Essa foi uma ótima dica. Vou mantê-la em mente.

Essa foi, de longe, uma das melhores ideias que eu já tive.

...

O dia passou tranquilamente. Depois da nossa divertida carona pela manhã todos os funcionários pareciam surpresos ao ver seu chefe entrando quase colado comigo na empresa. Entretendo, Edward não parecia se importar com isso, diferente do que pensei, ele parecia mais interessado em saber sobre meu olhar admirado sobre o paraíso nerd.

Infelizmente o dever nos chamou e ele passou a maior parte do dia trancado em seu escritório trabalhando. Nem mesmo no almoço ele teve tempo de se juntar a nós. Rose havia comentado algo sobre um novo jogo e que por isso ele estava tão ocupado.

E durante todo dia eu senti sua falta. Nós estávamos tão perto, há apenas alguns metros de distância, mas ás vezes eu achava essa distância longe demais e eu me sentia uma idiota por pensar nisso.

Apenas existiam esses momentos... Quando ele me olhava e parecia esconder algo, algo grande demais e não sabia como me contar.

Ás vezes que queria perguntar o que o afligia e o que se passava na sua cabeça, mas eu tinha, ou melhor, tenho medo de descobrir o que seja, e que isso vai, de alguma forma, nos afastar.

Ou talvez isso tudo não passe de uma loucura na minha cabeça.

Sinceramente eu torcia mais pela segunda opção.

Era quase 15:00 horas quando Edward apareceu em frente a minha mesa avisando que tínhamos um compromisso.

– Para onde vamos? – perguntei confusa enquanto ele sorria divertido me puxando para fora do elevador.

– Um lugar que você vai adorar – piscou um olho e sorri.

Eu não fazia ideia do que o deixou tão animado, mas sua animação estava começando a me contagiar e me deixar mais ansiosa para chegarmos ao tal local.

– Não acredito – disse assim que reconheci o caminho e seu sorriso aumentou mais ainda. – Vamos mesmo entrar aqui? – apontei para as portas do paraíso que eu estive tão curiosa para entrar desde que cheguei.

– Você parecia tão encantada hoje de manhã que resolvi fazermos uma visita – disse e eu quis beijá-lo.

– Você é encantador – me inclinei em direção ao seu rosto e depositei um beijo em sua bochecha.

– Um beijo na bochecha? É tudo que mereço? – resmungou com uma careta e ri.

– Quem sabe mais tarde... – pisquei um olho e agarrei sua mão. – Vamos?

Aquela havia sido uma das melhores tardes da minha vida.

Ser levada por Edward Cullen, o próprio dono da empresa em pessoa, por um tour era demais. Ele fez questão de parar em cada setor e explicar detalhadamente o que faziam ali e como funcionava. Tive até a chance de testar um dos jogos em fase de teste.

Era como um sonho se realizando.

Por onde passávamos atraiamos os olhares de todos funcionários e eu podia apostar que muito em breve haveria um novo poste em Culleanos com alguma fofoca, mas pela primeira vez eu não me importava com isso.

Então quando terminamos nossa visita eu pulei em seus braços e o beijei para demostrar toda minha gratidão.

– Isso é demais! – disse o abraçando e ele riu. – Obrigada, realmente. Você não sabe o quanto me fez feliz.

Afastei-me para olhar em seus olhos e seu sorriso vacilou por um segundo.

– Qualquer coisa por você – murmurou levando sua mão ao meu rosto e acariciou minha face. Ele fechou os olhos por um segundo e quando os abriu eu me surpreendi com o que vi ali. Medo, carinho, paixão... – Bella eu...

– Shh... – o silenciei antes que dissesse algo mais e levei minhas mãos ao seu rosto. – Você não precisa me dizer nada agora.

Ele abriu um pequeno sorriso e me puxou para seus braços... Era quente, reconfortante e me fazia sentir segura. Era tudo que eu sempre quis... Era tudo que eu podia sentir.

E eu sempre odiei segredos.

Sempre odiei mentiras, o mistério que os cerca e mais ainda as suas consequências.

Eu não suporto isso... Mas pela primeira vez eu queria ficar no escuro, eu não queria saber o que Edward tinha falar, porque de alguma forma eu sabia, sabia que tudo iria mudar quando eu descobrisse.

E isso me assustava.

Então pela primeira vez eu fechei meus olhos e deixei passar.

Esse momento, isso que temos agora, era tudo que me importava.

Pela primeira vez eu enganei a mim mesma.

Pela primeira vez eu fiz algo que não suporto e disse a mim mesma que tudo estava bem.

Mas... De alguma forma eu sabia que iria me arrepender.