Oi pessoal, tudo bem?! Queria ter postado antes, mas não consegui porque estou atarefada com um trabalho estrambólico da faculdade (no qual acredito que vou me estrepar)
Obrigada a todos que acompanharam até agora. A coisa vai começar a esquentar, enfim!
Boa leitura!
Capítulo 5 – A aranha gigante
Ela caminhava pelos corredores obscuros do castelo como se fosse um fantasma vagante, sem destino certo. E, no fundo, não sabia bem aonde ir e o que fazer. Conforme os dias se passavam, mais o clima parecia frio e pesado, mais distante seu Hitomi Kagewaki ficava de si. Em detrimento dos acontecimentos estranhos pelas redondezas, o rapaz tomou a decisão de viajar para ver por conta própria como estavam os vilarejos. Logo, restavam ela, o mestre que a detestava, e aquele sujeito deplorável que parecia observar cada passo seu.
Os olhos, pincelados de olheiras arroxeadas, mal piscavam, sempre em alerta. Toda vez que dormia, o mesmo pesadelo com a aranha. E ela poderia jurar que à noite ouvia os passos de um monstro gigantesco ao redor da propriedade. Aquilo a estava enlouquecendo... Precisava se distrair com alguma coisa.
Depois de muito pedir, conseguiu convencer o mestre que lhe cedesse alguns tecidos e material de costura. Assim, mantinha-se trancada no quarto dia e noite, bordando uma espécie de capa com um brasão detalhado.
— O mestre ordenou que a chamasse para jantar. — aquele maldito babuíno abriu a porta do quarto sem cerimônias e anunciou, assustando-a e acabando por fazê-la furar o dedo indicador com a agulha de costura.
— Obrigada pelo convite, pode dizer a ele que não estou com fome. — Não o olhou, concentrou-se em apertar o dedo até uma bolha de sangue se formar.
— Anda muito dispersa ultimamente, bruxa. — quando deu por si, Naraku estava ajoelhado a sua frente e segurando sua mão, ajudando-a a fazer o sangue escapulir.
— Fique longe de mim. — recolheu o braço e o manto que bordava.
— Você leva jeito, pena ser uma atividade tão banal. — tocou a peça que ela fazia e passou os olhos por ela — Penso que é capaz de coisas maiores. Estou errado?
— Não é da sua conta, me deixe em paz. — virou a face para o lado oposto, evitando olhá-lo diretamente. Tal comportamento arrancava risadas do "babuíno".
— Você me diverte, mulher. — admitiu, estava de muito bom humor.
— Você me dá vontade de vomitar. — rosnou.
— Bem, teremos muitas oportunidades de nos conhecermos melhor — levantou-se —, comunicarei que está indisposta.
— Vá para o inferno. — não perderia a chance de esbravejar enquanto ele ainda estivesse ali, apenas para fazê-lo rir mais uma de muitas vezes.
Naraku a estava adoecendo, queria sufocá-lo com um travesseiro enquanto dormisse.
Ele nunca dormia.
Nas madrugadas enquanto ela caminhava insone, esbarravam-se na escuridão. Era como se a criatura a seguisse, tratando-a como uma caçada. Ninguém acreditaria se ela dissesse, mas jurava que ele a farejava, que a observava se banhar, trocar de roupa... pensar nisso a enjoava. Desesperada, cogitava contar toda a verdade para Hitomi sobre o dia em que ele caiu do cavalo, e quando estava quase decidida de fazê-lo, as palavras mórbidas de Naraku lembravam-na de todo o tipo de julgamento que ela teve de aturar ao longo da vida, lembravam-na do triste destino de sua mãe, cujo corpo jazia nas profundezas de um rio qualquer, amarrado a uma pedra, e indagava se o Jovem Mestre era realmente tão bondoso e compreensivo quanto parecia.
A tortura psicológica manteve-se concreta até que Kagewaki retornasse de sua empreitada.
Num dia qualquer, ele surgiu através da neblina junto a alguns de seus leais samurais. O galopar dos cavalos alertou Annabelle e ela correu para recepcioná-lo com um sorriso aliviado. Não havia mais muitas plantas no jardim, apenas algumas árvores e arbustos ressecados, nenhuma flor, e muita terra escura. O rapaz estranhou o que viu, comparou à sua experiência durante a viagem. Assim que desceu do cavalo, falou com sua querida estrangeira superficialmente, sequer a tocou, e apressou-se a relatar ao pai as enfermidades dos camponeses e a falta de suprimentos ainda em época de colheita. Annabelle o seguiu e o ouviu por trás da porta dizer que acreditava ser obra de um youkai. O coração dela gelou e teve certeza de que a seguir Hitomi anunciaria sua desconfiança em comum com o pai e com o babuíno desgraçado.
Ele não disse nada referente a ela.
Annabelle fechou os olhos e respirou fundo, pensou que desmaiaria. A porta se abriu sem que ela notasse, e seu Hitomi surgiu, abatido, olhando-a em silenciosa apatia.
— My lord... — depois do susto por tê-lo tão repentino à sua frente, o sorriso fraco riscou-se, rosando as bochechas letárgicas — Senti a sua falta.
— O que fazia atrás da porta? — interrogou-a sutilmente.
— Queria vê-lo, mal nos falamos... — baixou o olhar ao piso escuro.
— Tem razão, me perdoe por isso... Estou muito cansado. — passou ao lado dela e foi-se, simplesmente. Annabelle não entendeu nada. Em seguida, Naraku se chegou, e lado a lado com ela, incentivou suas angústias:
— Parece que até o jovem mestre desconfia... oh, e agora?
Annabelle chacoalhou a cabeça, estremecida, e correu para longe dali, trancou-se no quarto, suspendeu a manta que fizera para ele, cogitou fugir novamente, deixar tudo para trás e... seu coração a guiou a fazer o oposto. Não poderia permitir que aquele babuíno destruísse a relação que ela e Hitomi construíram. Enrolou a manta, carregou-a debaixo do braço enquanto em passos largos marchou ao quarto do saudoso ente. Entrou sem cerimônias, deparou-se com Naraku sentado à frente do rapaz e não se importou de interromper a conversa dos dois. Sentou-se do outro lado, próxima ao jovem mestre e, antes que ele dissesse qualquer coisa boa ou ruim, abraçou-o intensamente e beijou-lhe a testa.
— Pensei em você todos os dias, todas as noites! Como pode mal me cumprimentar?
— Anaberu... — surpreso e embaraçado, apontou com a cabeça a presença de Naraku.
— Será que sentiu a minha falta como eu senti a sua, my lord? — ignorou o senhor de sua raiva completamente, e, terna àquele a quem queria tamanho bem, tomou-lhe as mãos e beijou as duas, para depois afagá-las. — Fiz algo para você enquanto estava longe... — puxou a manta e a desenrolou, revelando o lindo bordado de uma rosa avermelhada e outra branca entrelaçadas, adornadas por detalhes dourados em tecido púrpuro — Rose, rosa... o brasão de meu clã... me dê um símbolo e eu posso fazer um brasão para o seu. — forjou animação no timbre e no ritmo conforme falava, todavia a melancolia pairava sobre seu ser e era visível.
Naraku observava a cena em silêncio. Hitomi começava a se desmontar com os gestos da bela forasteira.
— Rosu... — ele sorriu — Anaberu Rosu... soa bem — suspirou — Obrigado pela dedicação, minha Anaberu... — tocou-lhe o rosto — e desculpe-me se fui displicente, estou apenas estressado por causa viagem. Estava comentando com Naraku o fracasso que foi. Nossas terras estão em péssimo estado, agora acredito que seja obra de um youkai.
— Se for, nós daremos um jeito, as terras de seu pai não ficarão assim para sempre, tenho certeza! — cativou a mão dele em seu rosto e a manteve sobre a bochecha quente.
Hitomi pegou a manta requintada e colocou-a sobre seu lençol.
— Não sabia que você tinha esse talento também, ficou muito bonito... — arrastou as mãos sobre o tecido nobre.
— Quer que eu faça um chá para aquecê-lo? — ofereceu.
— Quero que toque aquelas músicas de sua terra para eu ouvir. Não, para eu e Naraku ouvirmos. — sorriu ao conselheiro sentado à parede, quieto — O que acha Naraku?
— Estou curioso. — o estranho dissimulou alguma animação. Annabelle não evitou rolar os olhos por tamanha intolerância para com aquele sujeito.
— Está bem, esperem um instante. — foi buscar o instrumento, carregou-o aos trancos e barrancos, ao chegar ao quarto acomodou-o ao chão, arranjou um banco para sentar-se e começou a tocar e cantar o seu fino repertório.
Os dois homens fitavam-na em igual admiração. Pela primeira vez, Annabelle notou malícia ausente nos olhos escarlate por trás da máscara de macaco. O ser pretensioso agora era mero observador de seu pequeno espetáculo, e estava deveras interessado por sua arte, ou, talvez, por ela.
Percebeu-se olhar demais para o outro e reprimiu-se por isso, voltou o rosto a Hitomi que sorria orgulhoso por tê-la ali, fazendo uma serenata para ele, e para os olhos castanhos de seu futuro senhor feudal permaneceu a olhar até findar a última música.
— Obrigado, foi estonteante como sempre, Anaberu. — suspirou extasiado e deitou-se enfim — Tenho certeza de que terei bons sonhos essa noite.
— Boa noite, my lord — ela o reverenciou, suspendeu a harpa dourada para sair e deixá-lo descansar...
Um estrondo se deu e as vigas do telhado começaram a cair, atingiriam em cheio Kagewaki. Annabelle largou a harpa displicentemente e jogou-se sobre ele, ao passo de que Naraku, em um salto, puxou da manga de seu manto uma pequena espada e acertou um dos olhos do ser que aparecera sobre eles – uma enorme aranha negra de olhos avermelhados, idêntica à criatura do sonho de Anabelle. Ela a viu perfeitamente, assim como Hitomi.
A criatura desceu mais pelo telhado, empurrando Naraku para trás, e expandiu as presas, preparada para devorar Hitomi e Annabelle.
A moçoila puxou o pingente escondido no decote, agarrou-o com força e encarou a besta nos olhos. A aranha parou de se mover e grunhiu. Annabelle não piscava. Naraku a fitou cuidadosamente, depois, analisou o youkai petrificado e enterrou-lhe a espada dentro das quelíceras. O monstro, agonizando, se recolheu e desapareceu. No entanto, o céu permaneceu escuro.
— Ela fugiu. — Naraku anunciou, guardando sua espada.
— Naraku, você salvou nossas vidas! —Hitomi, ainda impressionado com o que vivenciara, o enalteceu — Obrigado, muito obrigado! — levantou-se, puxando Annabelle pelas mãos.
— Jovem mestre, cumpri apenas com o meu dever. — ele se curvou em falsa humildade — O youkai aranha não está morto e possivelmente irá voltar.
Contudo, Naraku não fizera tudo sozinho. Quando Annabelle jogou-se sobre o corpo de Kagewaki, as toras de madeira que, por leis da física, deveriam cair sobre os dois esparramaram-se para os lados e atingiram cantos quaisquer do quarto. O que Hitomi não percebeu, Naraku atentou-se aos mínimos detalhes. E enquanto o rapazote anunciava que deveriam comemorar a coragem do conselheiro, o falso herói encarava Annabelle com o mesmo sorriso maléfico estampado.
Ela, que antes tinha certeza de que o babuíno tinha algo a ver com o que acontecia às terras, sentia-se confusa nesse momento. Por que ele tentaria salvar Hitomi, por que colaboraria com ela? Baixou a guarda no fim das contas e endereçou a ele o seu primeiro sorriso singelamente amistoso, seguido de uma breve reverência.
O primeiro fio de teia agarrou-se ao corpo dela com aquele ato, e Annabelle sequer desconfiou.
Continua...
Estou orgulhosa de meus capítulos sucintos! HEHEHEHEH
Gente, eu não sei se está clara para vocês a cronologia da estória até aqui, mas prometo que mais adiante vocês compreenderão onde estamos. Se ainda assim, continuarem confusos, me perguntem que eu explico. Está bem?
Nosso hanyou aranha não assume, mas a nossa escocesa o deixa intrigadinho. Kukuku! :)
Até o próximo pessoal, se eu tiver uma folga posto hoje à noite ou amanhã.
Kissuuuus no coraçãozinho de vocês!
