Nem acredito, um pequeno recesso para eu respirar! Pena que na sexta-feira já viajo, e não sei se terei contato a algum computador para continuar atualizando essa fanfic linda.
Eu sei, eu sei, eu deveria estar escrevendo A Minha Queda Será por Você? Mas o que posso fazer se minhas ideias estão surgindo aqui? Escrever, certo?
Novamente, muito obrigada a todos que estão lendo, estou muito feliz com os comentários e com a recepção da fanfic nos mais diversos sites!
Continuemos então a nossa historinha...
Boa leitura, seus lindos!
Capítulo 6 - Bruxaria
Desde aquela noite, todas as nebulosas madrugadas, Annabelle descia os montes até um lago próximo, trajada apenas em seda fina e branca, adentrava as águas geladas e fazia movimentos circulares sobre a superfície aquosa, círculos luminosos se dispersavam e voavam aos céus, clareando-o o pouco que fosse. A aranha não aparecera mais, ainda assim sabia-se que ela estava à espreita. Pelo menos algumas plantas mostravam-se resistentes. Poucas das árvores remanescentes nos jardins tornaram a formar folhas em seus galhos. Naraku tomava ciência de que algo estranho acontecia, e a pessoa a quem ele poderia ligar tais fenômenos era uma só:
— Annabelle, o que está aprontando?
Estava claramente fora de seus planos ter uma espécie de bruxa ou sacerdotisa atrapalhando o andamento das coisas.
Na noite seguinte, Naraku observou os passos da mulher e os seguiu. Acompanhou-a caminhar descalça sobre o solo condenado com os fios alaranjados soltos, bagunçados, esparramando-se sobre os olhos, a camisola esvoaçante e transparente revelando suas curvas e os braços abertos, convidativos à natureza. Era como uma sonâmbula em um passeio noturno até o lago.
Viu-a emergir até o busto, cantar em línguas tão antigas quanto o início das eras e movimentar graciosamente os braços sobre a água, desenhando círculos para, a seguir, erguê-los junto a gotículas flutuantes e fazer os orbes brancos subirem aos céus, clareando-o – purificando-o.
"Essa mulher é perigosa" — o hanyou constatou.
— Sei que está aí. — A voz feminina o surpreendeu — Sempre bisbilhotando, Naraku...
Calma, saiu de dentro d'água, os olhos celestes e brilhantes vidrados na figura iluminada pela luz da lua no céu e da lua no pescoço dela. Não se demonstrava preocupada ou envergonhada por todas as suas formas destacarem-se no tecido colado ao corpo.
— O que é você? — ele perguntou.
— O que é você? — ela devolveu a pergunta.
— Não tem youki, mas não pode ser humana. — comentou intrigado.
— Por incrível que pareça, eu sou. — sorriu, e tornou a caminhar em linha reta na direção do castelo. Naraku a seguiu. A aura sutilmente branca ainda a envolvia, pouca grama voltara a crescer pela trilha durante os dias em que ela fazia o ritual de proteção, mais uma coisa para Naraku notar e se preocupar.
Ele decidiu que na madrugada seguinte faria algum dos guardas seguirem-na para flagrar suas ações. Assim, a mandariam para longe do castelo ou a executariam por bruxaria. Pensou que estaria livre dela, e então, à luz da lua madrigal, esperou junto a um dos súditos do mestre pela dama de branco... e ela não veio.
"É mais esperta do que pensei".
Annabelle não seria tola de repetir o ritual com Naraku às suas costas. Apesar de ele ganhar algum voto de confiança pelo salvamento de Hitomi, ainda assim ela não poderia dar chance a qualquer azar. Conheceu muitas pessoas em quem confiou e precisou se afastar depois de ter os poderes revelados. Fechar-se-ia sempre que alguém a descobrisse. Precisava pensar em outro método de proteger o castelo.
Poucos dias depois de o ritual se findar, a besta de oito patas tornou a dar as caras no castelo, dessa vez nos jardins. Mais uma vez, Naraku deixou-lhe outra cicatriz e a acuou. No entanto, algo começava a mudar aos poucos nas redondezas. O céu estava sempre coberto pela névoa arroxeada, e as poucas folhas que cresceram em algumas árvores finalmente caíram.
Em uma das muitas manhãs desbotadas, Annabelle e Hitomi sentavam-se à beira do jardim extinto e fitavam os escombros em triste quietude. Quando o jovem mestre levantar-se-ia, o corpo pendeu para frente. Annabelle rapidamente o amparou e apalpou-lhe o rosto em brasa.
— Está ardendo em febre! — tocou-lhe a testa.
— Não é nada... — revirou os olhos, enfraquecido.
— Guardas! — gritou com toda a força de si. Dois homens aproximaram-se às pressas, carregaram-no até o quarto e o acomodaram sobre o leito, ela ajoelhou ao lado do rapaz e pediu toalhas, água, algumas ervas e uma cumbuca. Não a questionaram. — Avisem o pai dele que Hitomi não está bem!
— Sim, senhorita Anaberu! — correram aos aposentos do senhor das terras e encontraram-no sentado de frente às portas abertas para a varanda, bebendo o rotineiro saquê — Senhor, o jovem mestre está muito doente!
— É mesmo? — o velho homem tomou um gole da bebida quente e persistiu a vislumbrar o nada que o cercava — Cuidem dele.
— O senhor não vem vê-lo?
— Não. — respondeu desprovido de qualquer emoção — Estou ocupado.
Enquanto comentava-se no castelo que o pai de Hitomi não parecia bem, Annabelle fazia-o tomar a poção composta do caldo das ervas espremidas. Apesar da amargura, ele bebeu tudo sem reclamar.
— Você é incansável... há quanto tempo está aqui? — capturou a mão dela com a sua tremente.
— Não faz tanto tempo assim, você está exausto. Talvez a viagem não tenha feito muito bem...
— Com certeza não fez... — ele riu esquálido.
— Verei algo para você comer... — estava pronta para se levantar, mas Kagewaki não permitiu. Manteve sua mão cativa.
— Fique aqui comigo... — sussurrou sem forças — por favor.
— My lord, o que é isso? — curvou o corpo de modo que ficassem bastante próximos — Você vai ficar bem... — deitou a cabeça sobre o peito chiado dele.
— Eu não sei, tenho um pressentimento ruim... — os olhos fecharam-se, teimando com a vontade de permanecer acordado.
— Não seja bobo, você vai ficar bom, eu prometo. — apreensiva, ela fechou os olhos, deslizou a mão pelo pescoço, pelo peito e pela barriga de Kagewaki — Eu vou cuidar de você... — concentrada, focou-se no interior do jovem mestre para descobrir o que havia de errado e seus olhos despertaram.
Sentou-se de súbito e o analisou por inteiro, agora não apenas com a visão normal, mas com a visão de seu dom e testemunhou a aura negra, parecida com a que notara em Naraku, enredar o enfermo.
Annabelle tremeu nas bases, novamente desconfiou de que o conselheiro tinha algo a ver com aquilo. Inspirou até encher os pulmões de ar, segurou a cabeça de Hitomi com as mãos, fechou os olhos, entreabriu os lábios e aproximou-os à boca seca e entreaberta. Quase a se tocarem, um fio de luz ebúrnea nasceu na garganta de Annabelle e perpassou o interior do corpo dele.
Na manhã seguinte, o jovem mestre estava melhor e sem febre, apesar de fraco. A estrangeira percebeu que seus esforços surtiram efeito e decidiu repetir o pequeno ato todas as noites, quando Kagewaki estivesse profundamente adormecido. Depois, ela ia para seus aposentos, unia as mãos em prece e orava em baixo tom, a aranha circulava o castelo, todavia não mais o adentrava.
"Ela o está purificando do miasma..." — Naraku, depois de poucos dias, descobriu o feito de Annabelle e observou-a pela pequena fresta da porta.
— O que faz aí? — uma aia, com uma bandeja de comida às mãos, parou diante dele e perguntou.
— Oh, que surpresa agradável! Isso é para o jovem mestre? — Depois de ela assentir com um gesto ele a convidou a sentar-se ao seu lado — Venha ver algo interessante comigo.
Ajoelhada e com o olho pequenino colado a fresta, a mulher empalideceu como se estivesse diante de um fantasma.
— Vá, avise a todos do castelo que há uma bruxa entre nós e que ela é a responsável por sugar as energias do jovem mestre.
Sem titubear, a mulher atirou a bandeja ao chão e correu no intuito de espalhar o rumor.
O dia em que a pobre mulher seria desmascarada finalmente chegara.
Com a tarefa terminada uma vez mais, Annabelle ergueu-se, ajeitou o vestido, abriu a porta do quarto de Hitomi e foi surpreendida pelo líder dos guerreiros a apontar-lhe a espada desembainhada.
— Você, me acompanhe. O mestre deseja vê-la.
— Está bem... mas não precisa disso tudo. Ah! — gemeu ao ter o braço apertado pela impetuosa mão e ser puxada.
— Não tente bancar a esperta.
— O que está acontecendo?! — resmungou enquanto o sujeito a levava ao salão onde estavam o mestre, a aia, Naraku e alguns dos guardas.
A primeira coisa que Annabelle viu foi uma sombra em formato de aranha acompanhando o homem de certa idade, e, ao espremer os olhos forçando-os a focar melhor, viu um fino fio de teia ligado ao pescoço dele, e quando quase encontrava a outra extremidade, a voz da aia a desconcentrou.
— Eu vi com meus próprios olhos, senhor! Ela estava enfeitiçando o jovem mestre, sugando suas energias! — apontou-lhe o indicador, feroz.
— Não, isso é mentira! Você não entendeu o que viu! — Annabelle objetou imediatamente.
— Bruxa! — a mulher insistiu — ela enfeitiçou o mestre, enfeitiçou a todos nós!
— Bruxa... bruxa! — os soldados presentes na sala, aos poucos, contagiaram-se com o medo e a raiva da serviçal, logo um coro adjetivava Annabelle da última palavra que ela gostaria de ouvir. Homens seguraram-na pelos braços. O mestre sorria sádico, Naraku permanecia calado e observador.
— Não, eu estava tentando curá-lo! — sacudiu-se, impulsionou as pernas para frente, pulou, tentou chutá-los, e percebeu que com a força física apenas não conseguiria para-los — Vocês não entendem! — insistiu histérica — Ele é o responsável por isso! — mirou o mestre — o youkai está nele!
— Que absurdo, mulher! — o samurai roçou a lâmina em seu queixo — Fale outro impropério e corto sua língua!
— Prendam-na, amanhã quero vê-la esquartejada. — os olhos esbugalhados firmaram-se na figura da mulher, vendo-a através da roupa.
— Não. — Annabelle cravou-lhe os olhos do mesmo modo. Destemida, relaxou os braços e as mãos.
— Tirem... tirem essa mulher daqui! — o homem ficou transtornado de uma hora para outra, suas articulações magras endureceram e os dedos esticaram como finos ossos secos — Ela está me amaldiçoando, levem-na daqui!
— Não. — ela repetiu, dessa vez, os samurais não conseguiam se mexer.
— O que está acontecendo? — eles disseram em uníssono — O que ela fez?
Em passos pequenos e desapressados, Annabelle direcionou-se à criatura paralisada e ergueu-lhe a mão. A sombra às costas do indivíduo começou a se retorcer. Naraku sentiu ser o momento de impedi-la, mas outra pessoa o fez:
— Anaberu... — Kagewaki estava apoiado à porta, encarando-a atônito.
Ela se virou, fitou-o aterrorizada, os braços penderam e a tênue luz que a circundava se apagou.
— Hitomi... — pronunciou-o sem forças, deparada com o olhar de alguém possivelmente desapontado e amedrontado.
Ele sabia.
Uma pancada forte à cabeça a fez perder os sentidos. Naraku acertou-a com o cabo de sua espada e a amparou nos braços.
— Leve essa bruxa daqui! — o mestre ordenou atordoado.
O babuíno branco carregou-a consigo, quando passavam à porta, as pernas dela esbarraram em um Hitomi desacreditado.
Como ordenado, deixou-a em um cômodo usado como masmorra, arranjou cordas para atar mãos e pernas, mesmo sabendo que a artimanha poderia não contê-la. Ainda assim, amarrou-a com firmeza, e a deixou deitada sobre o piso frio. Por fim, afastou-lhe os cabelos da face leitosa, prestou atenção na respiração pesada e quando deu por si perdia-se na imagem da humana vulnerável.
— Huh, ridículo... — repreendeu-se, depois levantou súbito e deixou-a ali, a mercê da noite e do frio.
"Parece que agora me livrei de você".
Continua...
Ai, ai, ai! São tantas emoções!
Preciso arrumar minha malinha (agora tem que ser "inha" mesmo, porque a LATAM mete a mão se despachar bagagem), mas vou tentar postar pelo menos mais um!
Amo vocês, kiiissuuuuus e boas férias de julho!
