Demorou, mas chegou a hora de um capítulo pouca coisa mais comprido do que o restante...
Boa leitura! ;)


Capítulo 7 – Fugitiva

Despertou atordoada, sentindo pontadas de dor na região da nuca. Tentou mover as mãos, mas estavam amarradas. Esfregou-as primeiro, querendo deslizar as cordas, estavam deveras apertadas.

Dobrou as pernas, impulsionou o corpo para trás, escorou-se à parede e foi subindo as costas por ela até conseguir ficar sentada, então, levou as mãos à boca e tentou desfiar as cordas com os dentes. Eram resistentes. Annabelle, no entanto, não desistiria fácil.

A porta de sua cela foi aberta. Ela elevou o rosto lentamente, viu primeiro a calça branca com finos bordados, depois os cabelos negros presos ao topo da cabeça, escorregando sobre o peito, cobrindo parte do quimono, e por fim, o rosto melancólico e lânguido de Hitomi Kagewaki.

Annabelle não disse nada, suspirou e só. Acreditava que, não importava o que dissesse, ele não daria ouvidos. Todos eram assim, no fim das contas.

Ele se ajoelhou em frente a ela, também calado, pegou suas mãos e desamarrou-as com destreza, em seguida tratou de liberar os tornozelos avermelhados como os pulsos diante do forte aperto.

— Por que está fazendo isso? — a mulher perguntou confusa — Agora que sabe o que sou, não tem medo de mim?

— Eu não sei — confessou — só sei que você me salvou uma vez, e por isso eu lhe devo. — não conseguia olhá-la nos olhos.

My lord, — cativou-lhe a pálida face de supetão — tudo o que fiz, foi para o seu bem, acredite em mim. — suplicou, os orbes castanhos permaneciam baixos — Olhe para mim! —exigiu, e ele acatou por instinto — Eu... — apelou por atenção, e não soube exprimir o que desejava dizer.

— Por que estava tentando atacar meu pai? — indagou, tirando-lhe as mãos das bochechas, fazendo-as caírem sobre as próprias pernas.

— Aquele não é seu pai, um youkai se apoderou do corpo dele, tem que acreditar em mim!

— Por que eu deveria? Desde o início você escondeu quem realmente era. Você é uma youkai, não é? Naraku bem que tentou me avisar. — a voz soava pesada e amarga.

— Tinha que ter dedo da criatura nessa história...— suspirou aborrecida — Não, my lord. Eu não sou uma youkai. Sou uma estrangeira, uma mulher como todas as outras.

— Você não é como todas as outras, só pode ser uma bruxa. Era você quem estava amaldiçoando o nosso solo?

— Não! — exclamou — Todo esse tempo, tenho tentado descobrir uma maneira de salvar essas terras, de salvar você! Não acredito que esteja suspeitando de mim, você é como todos os outros! — apertou a saia azul e cerrou os olhos fortemente. Virou a cabeça para o lado, enraivecida, indignada e cansada.

Anaberu, do que está falando? Que outros? — a desconfiança deu espaço a certo peso na consciência. Hitomi via diante de si uma mulher arrasada.

— Pessoas... pessoas que passaram pela minha vida e me julgaram, me acusaram de bruxaria quando descobriram as coisas que eu conseguia fazer. É sempre assim, e por isso tenho vagado por terras desconhecidas, sozinha, por anos. Eu quase acreditei que você fosse diferente. — tornou a olhá-lo.

— Se você não é uma youkai e nem uma bruxa, o que é então? — angustiado, questionou — Me diga a verdade e eu prometo não julgá-la ou escorraçá-la... — afagou-lhe o queixo ternamente — Uma vez você disse que confiava em mim, então me conte, divida esse segredo comigo.

— A verdade é que não sei o que sou, my lord. Decepcionante, não é? — sorriu com ares de ironia e chateação — Só sei que não escolhi ser isso, nasci assim, com essa "coisa" que chamam de dom e eu apelidei carinhosamente de maldição. Prometi para mim mesma que nunca mais usufruiria desse dom, até que o cavalo caiu sobre sua perna e a esmagou. Quebrei minha promessa e o salvei de uma amputação, ou de coisa pior... Depois, tentei livrar o castelo e as terras desse mal repentino e você adoeceu, pensei que morreria de febre, mais uma vez fiz o que não devia e dividi um pouco dessa... "coisa" com você, para que ficasse bom. Não é natural, não é comum, não é simples e nessa parte menti sobre mim. Eu sou o que seu pai exibia, uma aberração.

Não, Anaberu... — impressionado com o relato, Kagewaki subiu os dedos que contornavam o queixo à bochecha rosada e afastou alguns cabelos — você é uma divindade. Não posso deixar meu pai machucá-la, e estou aqui para isso. Separei suas roupas e mandei preparar uma carruagem, vim tirá-la daqui.

— Para onde vamos? — perguntou surpresa.

— Não vamos, você vai. — encolheu os ombros, cabisbaixo — Se o que diz sobre meu pai é verdade, preciso resolver isso.

— Não posso deixá-lo sozinho aqui, você estará desprotegido! — cativou as duas mãos dele — Venha comigo, podemos viajar o mundo como combinamos! — animou-se, perdida dentro do sonho que construíram juntos.

Anaberu, não posso deixar tudo para trás assim. Muitos dependem do meu pai, e futuramente dependerão de mim. Tenho terras para administrar, pessoas para cuidar... — ele era consciente e responsável — Mas resolverei tudo, prometo, e quando o castelo estiver livre de perigo, mandarei Naraku buscá-la.

— Naraku... — sussurrou incomodada, iria abrir a boca para fazer uma crítica ácida. Hitomi a interrompeu:

— E, quando você voltar... — trouxe uma mão da moça à boca e depositou um beijo singelo — quero que seja minha esposa.

O coração de Annabelle acelerou de súbito a ponto de deixá-la tonta.

— Você aceita? — perguntou inseguro.

Ela cansou de conter o que há tempos ansiava por fazer, puxou-o pela nuca e prendeu-o dentro de um beijo urgente, desesperado. Essa foi sua resposta.

A princípio, Hitomi não conseguiu respirar, suas mãos não souberam por onde passear, tatearam a cintura da estrangeira e pararam espalmadas em suas costas. A boca, antes tensa, abriu-se relaxada para experimentar a suavidade da língua que acariciou a sua. Dedos gentis percorreram sua nuca, seu pescoço, seus ombros e seu peito descompassado. Ele ficou quente, como ela também estava.

Puxou-a mais para perto, com cuidado, selou os corpos. Tremeu ao sentir-lhe o seio palpitante contra o peito dele e o cheiro dela o entonteceu. Annabelle o apertava e o acalentava, tentando conter seus tremores. O jovem mestre estava muito mais nervoso do que ela.

— É hora de irmos, logo virão buscá-la para a execução. — o timbre grave e sombrio ecoou através das barras de ferro à porta. Ele espiava, como sempre.

Annabelle conteve um grito de surpresa. Hitomi rapidamente se ajeitou, constrangido.

"Ele estava aí o tempo todo?!" — foi tomada por calafrios só de pensar em situação tão estranha.

Levantaram-se, o jovem mestre foi à frente, afobado. Annabelle ia passar pela porta, no entanto Naraku se pôs no caminho.

— O que quer? — ofegante e impaciente, interrogou.

— Recomponha-se. — disse grave, vidrado no decote escancarado, cujo laço desfizera e as fitas abriram-se até a quarta fileira revelando parte da camada branca de baixo, fina o suficiente para desenhar a curvatura perfeita dos montes fartos.

Annabelle, apesar de não ser tímida, corou até o talo e amarrou o vestido com destreza, apertou mais do que o normal e quase perdeu o ar. Naraku se virou e, finalmente, caminhou atrás de Kagewaki, ela foi em seguida.


O rapaz desceu as escadarias de pedra com os dois, e ali era seu limite, a carruagem estava a postos, dois cavalos a conduziriam – o de Annabelle e um branco, robusto.

— Suas roupas e sua capa estão guardadas na caçamba junto com alguns suprimentos — Hitomi disse, tirando a mortalha que cobria Annabelle para vislumbrar seu rosto mais uma vez antes da partida.

— E minha harpa?

— Está comigo, para você ter um motivo para voltar — sorriu ameno.

— E você não é razão o suficiente? — abraçou-o, colando a bochecha ao peito dele — Eu te amo... — sussurrou a confissão para dormir tranquila nas próximas noites. Ouviu o órgão vital dele palpitar em frenesi, desmoronou nos braços que a apertaram, nas mãos que agarraram-se ao seu cabelo, no nariz que afundou neles, e na boca, que depois, acarinhou sua testa.

— Vamos, Annabelle! — Naraku, enjoado e impaciente fez o chamado.

— Vá... — respirou fundo, convencendo-se de que precisava soltá-la, embora em seu íntimo desejasse nunca fazê-lo — se as coisas demorarem a se acertar, eu mesmo irei procurá-la. Nem que seja para dividirmos uma noite.

— Esperarei por isso, — ela se afastou aos poucos, manteve a mão segura à dele até onde pôde. Os dedos, por fim, se desenrolaram, rasparam as pontas e perderam completamente o contato — my lord... — prestou sua última reverência.

My Lady — pela primeira vez, Kagewaki executou a reverência da nobreza das terras dela e a pronunciou corretamente, como o havia ensinado. Annabelle subiu à carruagem com a ajuda de Naraku e partiu risonha.


Precisaram dar a volta nos bosques, pois o espaço entre as árvores era pequeno demais para o veículo passar. Annabelle escondeu o rosto durante todo o percurso. Passaram por pequenos vilarejos devastados pela seca, encobertos pela nuvem púrpura. Aquilo a deixava emotiva e Naraku percebia pela forma como ela suspirava.

— Não deveria sentir pena dessas pessoas, elas não teriam de você se soubessem o que você é. — o hanyou apontou.

— São só pessoas, é normal que sejam assim. — comentou entre um bocejo e outro.

— O mal de vocês é se importarem tanto. Se Kagewaki fosse inteligente, estaria no meu lugar agora, levando a futura esposinha ao paraíso para deflorá-la quantas vezes tivesse vontade — disse a rir-se sarcástico.

Ela não respondeu.

— O que foi, Annabelle? A "divindade" ficou sem palavras? — prosseguiu — Divindade, pff... Vi como se esfregou nele. Muito atiradinha para uma divindade, não acha? Hu, hu, hu... — estava inspirado a fazer provocações. A cabeça dela tombou em seu ombro — Ora, seu Hitomi Kagewaki não é o suficiente? — surpreendeu-se, mas adorou a situação. Olhou-a atentamente, percebeu que respirava pesado e devagar, afastou sutilmente a manta da face alva e percebeu que a estrangeira dormia. — Humanos... — rolou os olhos, entediado.


Chegaram ao destino quando o sol estava a pino – uma cabana modesta e isolada, no alto de uma colina verdejante.

— Ei, mulher, acorde. — chacoalhou-a pelo ombro, desprovido de qualquer delicadeza.

— Onde estamos? — atordoada, roçou os olhos e olhou para todos os lados, arrancou a capa que cobria a cabeça, revelando as ondas bagunçadas.

— Esse é seu esconderijo. — Naraku desceu da carruagem e ofereceu a mão para que ela o acompanhasse.

Annabelle tropeçou na roda, ainda sonolenta, e caiu nos braços do conselheiro de Hitomi, com a cara chafurdada na pele branca e fofa.

— Desastrada! — resmungou, segurando-a pelos braços.

A jovenzinha subiu os olhos nevoados e tentou desvendá-lo por baixo da máscara, jurou ver o seu jovem mestre com olhos vermelhos gritantes. Naraku afastou-se abruptamente fazendo-a cambalear.

— Pegue isso. — à distância, o babuíno branco atirou-lhe um objeto esférico. Provida de reflexos rápidos, ela agarrou-o contra o peito, uma espécie de abelha saiu do orifício e encarou-a de perto.

— O que é essa coisa?! — saltou para trás e largou a "bola" no chão, encolheu-se como se estivesse diante de um ser perigosíssimo. Naraku riu, como sempre.

— É um inseto venenoso.

— Oh sim, isso percebi! Mas o que eu faço com isso? Não estou nem um pouco afim de levar uma ferroada! — roxa de nervoso, ficava se afastando cada vez que o "bicho" chegava perto — Sai, sai! — tentou enxotá-lo com as mãos, viu outro como ele sair pelo mesmo orifício — Argh! — correu para trás de Naraku — Que brincadeira sem graça, recolhe isso! — e ele não se aguentava de tanto rir — Cadê a graça que eu ainda não achei?! Que talento para ser desagradável!

— Esses insetos obedecem a mim, estão aqui para serem meus olhos — explicou — através deles, mostrarei ao jovem mestre como você está e se precisa de alguma coisa. Foi algo que ele mesmo me requisitou.

— Não podiam ser borboletas?! — permaneceu às costas de Naraku até os youkais retornarem ao ninho.

— Pare de reclamar e aproveite a companhia, será a única que terá por um bom tempo. — os dentes mostraram-se lustrosos em um sorriso estarrecedor enquanto ele desamarrava o cavalo branco da carruagem e montava-o — Ah, ia me esquecendo... — tirou um punhal prateado de dentro da manta de babuíno e atirou-o cravado ao solo — Seu Hitomi Kagewaki mandou devolver, você pode precisar. Até breve, Annabelle Rose... — e se foi, rápido como uma flecha.


Ela não gostava nada daquilo, três dias passaram-se e nenhuma notícia chegou do castelo. Estava cansada de colher flores e ervas das redondezas, de se alimentar das mesmas frutas e verduras cruas, e estava com saudade de seu jovem mestre.

À noite, duas presenças aproximaram-se do planalto arredondado e de capim alto. Uma sombra apareceu à janela da cabana iluminada, era a mulher ruiva a apreciar a vista estrelada. Ela notou as duas silhuetas caminhando na escuridão e correu para o mato, escondia sua pequena arma às costas.

— Quem está aí? — Perguntou.

Anaberu... — a voz, reconhecível de longe, a aliviou e a fez correr a pedido de um novo abraço.

— Venha — puxou-o pela mão, apressada, e o rapaz teve dificuldades de acompanhá-la.

— O que você tem? — estranhou a falta de ar do sujeito — O seu mal estar piorou, não foi? – continuou a trazê-lo, agora devagar — Isso é porque estou longe, mas vamos resolver.

— Não se incomode com isso... — as pernas moviam-se lentas e pesadas, esquivando-se do mato.

— Obrigada por trazê-lo. — dirigiu-se a Naraku, até que enfim.

Na cabana, iluminados por uma pequena fogueira no chão de terra, Annabelle teve melhor vislumbre da situação de seu noivo. Ele estava ensopado, deveria ter acabado de passar por uma febre.

— Você não devia ter viajado nessas condições... — penteou a franja molhada dele com os dedos — Naraku, por favor, traga um pouco de água do rio aqui perto. Tem um balde aí na frente, fora da cabana.

O babuíno foi a contragosto. A sós com Kagewaki, Annabelle pediu licença para despir-lhe o tronco. Tímido, ele mesmo livrou-se de uma larga e comprida manga, depois de outra, fazendo-as caírem graciosas, desvelando seus braços pálidos, bem como o peito e a barriga, sutilmente desenhados.

Anaberu... — protestou por educação assim que a mão suave subiu e desceu pelo seu peito e pela barriga despidos. Ela estava de olhos fechados e boca entreaberta.

A luz circundou os dois, cálida, envolveu a mão da escocesa, adentrou a pele do adoentado e causou-lhe bem estar instantâneo. Intrigado, Hitomi perguntou o que era aquilo, Annabelle ao invés de responder pediu que abrisse a boca. Inebriado, obedeceu. Os lábios molhados roçaram-se aos seus e algo quente escorreu deles para sua garganta. Sentiu um peso sobre si, era a moça sentada em seu colo, encurralando suas pernas entre as dela, a saia levantada mostrava seus joelhos e um pouco das coxas roliças. Os dedos trêmulos de Hitomi perpassaram pelas fitas do vestido, subiram até o pingente de lua, o contornaram e pousaram sobre a clavícula pouco funda. Annabelle tomou a mão dele e a induziu a descer pouca coisa, o suficiente para tocar-lhe o seio esquerdo sobre a roupa e apertá-lo.

— Não vejo a hora de torná-la minha esposa... — disse em êxtase.

— Não precisamos esperar para fazer o que nossa natureza pede... — sussurrou ao pé do ouvido, beijando-o em seguida, ao mesmo tempo em que suspendia a saia devagar.

— Naraku...

— Deixe ele... — distraída, quis prosseguir.

— Lamento interromper. Trouxe a água que pediu. — largou o balde à beira da porta, e ali ficou. — "Mulher indecente" —queixava-se a si mesmo.

Annabelle olhou-o direta e intensa enquanto levantava-se com naturalidade. Soltou a saia quando estava completamente de pé. Foi até o balde, abaixou-se diante de Naraku, pegou-o tênue, encarou o mascarado intensamente e tornou a Hitomi. Por fim, pegou um pedaço de pano, molhou, esfregou-o ao corpo do rapaz e umedeceu o rosto plácido.

— Jovem mestre, não podemos demorar muito. — Naraku alertou-o. — Em breve, os exterminadores de youkais serão chamados.

— É verdade... — suspirou — Anaberu, convocaremos caçadores para libertar o castelo definitivamente do youkai aranha.

— Que boas notícias! – Ela vibrou e o ajudou a se levantar — Naraku está certo, deve se apressar, my lord!

Assistiu-os partir repleta de esperança no coração, ao som da deliciosa frase "logo estarei de volta".


Passaram-se dias, uma semana completou sem que Kagewaki desse as caras novamente na cabana. Annabelle já havia amarrado seus vestidos no lombo do estimado cavalo com todo o cuidado para que não caíssem durante a jornada e se preparava para vestir um deles – rosa claro, mangas de rede dourada com pérolas bordadas em cada encontro de tecido. A parte debaixo adornava-a branca e leve, ela amarrava habilmente o espartilho da mesma cor, chegou rapidamente ao último par de ilhós e faria o laço. Ouviu passos, virou-se imediatamente para a porta em estado de alerta.

My lord! — arregalou os olhos, estava alegre em vê-lo, mas não conseguia sorrir. Mesmo aliviada, estava paralisada. Os braços penderam para baixo. Não tentou se cobrir, pelo contrário, queria ser contemplada por inteiro.

— Annabelle... — ele, sério, grudou-lhe o par de olhos castanhos, direto como nunca o fora.

— Você aprendeu a pronunciar meu nome... — comentou impressionada, ereta onde estava — Onde está seu fiel conselheiro?

— Hoje vim por minha conta. — o homem parecia mais forte e saudável do que nunca, e determinado. Até ali, a mão dele repousava à porta. A escorregou pela madeira enquanto deu passos curtos para dentro do ambiente humilde. Hitomi não piscou sequer uma vez.

Não precisaram dizer mais nada, os corpos comunicaram-se perfeitamente. A cada passo dele, Annabelle desfazia uma fileira do fitilho. Quando Kagewaki estava a poucos centímetros, a peça de roupa dela estava desamarrada até a metade. Apressado, o futuro esposo meteu os dedos nas cordas e as puxou com tudo, fazendo o rijo corpete cair ao chão. Os narizes se tocaram, as respirações quentes se confundiram e a abordagem permaneceu intensa. Annabelle apertou os ombros tesos entre os dedos quando uma mão afoita encaixou-se entre suas pernas sem aviso, ainda por cima dos finos panos. Os olhos dela reviraram em êxtase. Ele a suspendeu, as pernas esguias o enlaçaram, costas atritaram-se à parede.

— Me faça mulher. — sussurrou suplicante. Ele, sorridente, devorou-a com um beijo enquanto seus corpos, juntos, escorregaram e caíram juntos, enroscados, sobre o leito simples e pequeno.

Continua...


Só eu shippei os momentos entre Naraku e Annabelle nesse capítulo? Hihihihihihihi

Adoro inserir vilões como Naraku em contextos inusitados XD
Gente, vocês devem ter reparado que utilizei o nome de dublagem - "insetos venenosos" - para os youkais que Naraku controla. Por quê? Porque sou saudosista, e sempre me lembro do anime dublado, inclusive imagino a voz do Nana-kun como na dublagem brasileira (AMOOOO), então por essa razão, certos nomes virão como estão na dublagem e peço que não me odeiem por isso (faço do mesmo jeito com minhas fics de Sailor Moon).
É isso gente, perdoem se esqueci de comentar alguma coisa. No mais, gostaria de perguntá-los se já estão a par da cronologia da fanfic e avisar que o próximo capítulo é 18+ kukukukuku :D
Kiiiissuuus no coração de vocês!