E aí pessoal, tudo bem com vocês?
Aproveitando do meu último suspiro de recesso, venho aqui postar mais um capítulo e depois sabe-se lá quando... Esse capítulo ficou um pouco mais curto do que os outros, mas não menos intenso. Falando em tamanho de capítulo, desde já peço desculpas porque os próximos já estão ficando meio grandinhos e eu não tenho como resumi-los, muitos personagens da série original estão dando o ar de sua graça e eu não quero ofuscar nenhum. :)
Creio que a Arurun já identificou assim que leu, mas para quem não percebeu ou não conhece, o título do capítulo é baseado na música What the Water Gave me de Florence + The Machine. S2
Ah, sim, e antes que eu me esqueça: 18+ esse aqui, viram?
Sem mais delongas, boa leitura!
Capítulo 14 – O que a água me deu.
As unhas cravaram nos ombros do algoz, as pernas debateram-se, os pés tentaram acertá-lo, nada o fez parar. Naraku a acomodou entre as pernas enquanto a devorava com a língua sedenta. Annabelle grunhia, abafada pelo afago violento. Os dedos abandonaram o tecido e avançaram nos cabelos negros, puxando-os em forma de protesto. Conseguiu afastar a boca da dele, lustrosa de saliva, um fio ligava-a à sua. A estrangeira o desfez e saltou do colo atroz, correu a segurar a barra do vestido, tropeçou pelos cadáveres no caminho, não tinha forças, seu todo tremia sem base.
Era uma mentira!
As lágrimas mantinham-se oprimidas a beira dos orbes esbugalhados. Chegou ao quarto, ele veio logo atrás.
Naraku a girou de frente para ele, e a mulher teimosa deu-lhe as costas. Aos risos, o hanyou agarrou-a por trás, passou os dedos de uma mão por dentro do decote, prensando o seio já apertado pelo corset e suspirou ao ouvido eriçado dela, soprando os fios de cabelo para longe.
— Fique longe, não me toque! — estapeou a mão inconveniente. Quem disse que ela saiu de onde estava?
A outra mão do aracnídeo suspendeu a saia pesada, afastou as camadas diversas junto e encaixou-se na fresta – encharcada. Os olhos azuis reviraram-se, ela apertou-lhe o braço firme, tentou empurrá-lo e parecia feito de pedra corpulenta. As coxas enrijecidas trancaram a mão do sujeito, e ainda assim os dedos moveram-se por cima do fino algodão que cobria a porta macia, contornando suas formas e apertando o pequeno botão sensível.
— Não... — gemeu, lamuriosa e arfante, a boca quente dele esfregou-se em seu pescoço e o mordiscou — Eu não quero isso! — choramingou tremente, os pés retorciam-se sobre o piso e comprimiam os dedos.
— Não é isso o que seu corpo me diz. — habilidoso, meteu a mão desacanhada por dentro do pano e sentiu, enfim, a pele quente e vibrante — Seu corpo clama por meu toque desde a primeira vez em que estive perto... — Arrastou o nariz pelo rosto dela e o lambeu. Mais um arrepio para a coleção da ruiva.
A voz sombria e rouca soava prazerosa enquanto os dedos ágeis massageavam a entrada suplicante. A outra mão, impetuosa encurralava o mamilo rosado e o esticava, forçando o espartilho do vestido a saturar e abrir as três primeiras fileiras de corda. Selada ao vilão, sentiu o roçar da virilidade em seus quadris, apesar das camadas de tecido das vestimentas dele e dela no caminho. Remexeu-se tentando sair, Naraku colou-se com mais firmeza em resposta.
— Você me quer... — sussurrou repetidas vezes, como se precisasse daquilo para convencê-la, — Ah, você me quer... — como se precisasse daquilo para se convencer de que Ela o queria apenas, e não o contrário. O dedo médio, grande e firme, embrenhou-se na brecha melada e a circulou por dentro. As paredes pulsaram ao redor dele. O indicador, por sua vez, moveu-se rápido e voraz, de cima a baixo, no botão inflado e quente. — Ah, sim, isso... — ele riu em baixo tom, rosnou à orelha dela, mordeu-lhe a bochecha enquanto sentia-a tremer-se toda, violentamente, enquanto as pernas cruzavam-se trementes e as nádegas raspavam o baixo ventre dele por vontade própria.
Annabelle tivera outro orgasmo implacável. Naraku a soltou do enredo libidinoso e ela caiu sentada, ainda possuída por tremeliques.
O meio-youkai riu triunfante enquanto levava os dedos melados ao nariz e depois à boca. Por trás das cortinas de fogo ela o viu lambê-los, vidrado nela.
O choro, até então contido, desceu como uma tormenta e ela soluçou sem ar. Escondeu o rosto entre as mãos, sentindo-se ludibriada e imunda. Aquela criatura sabia exatamente como e onde tocá-la.
— Eu odeio você! — esbravejou colérica e esmurrou o piso — Odeio!
— Então deveria ter me matado quando teve chance. — e saiu do quarto às gargalhadas, deixando-a sozinha com seus fantasmas e sua culpa.
Annabelle se jogou sobre o piso, abraçou o corpo trepidante encolhido em posição fetal e urrou como um animal abatido pelo caçador. As lembranças de cada instante com o jovem mestre, de cada toque singelo recaíram cruéis e ela quis se castigar por não ter notado quem era quem.
Aquele dia, na cabana, quando estiveram a sós, Hitomi pronunciara seu nome corretamente pela primeira vez. Hitomi a tomara com volúpia, e como ela o amou por agir assim!
Não foram as atitudes de seu primeiro amor que a cativaram, no fim das contas. Foram as de Naraku. Eram as mãos dele a percorrerem suas curvas, a enlouquecerem seus sentidos. Aquelas mãos, imundas por causarem tantas tragédias, foram a fonte de seu desejo e ainda o eram.
Ele tinha razão, seu corpo suplicava por aquilo, a luxúria entranhara em sua pele e a confundia. Se não tivesse uma consciência, Annabelle correria naquele momento ao quarto de seu captor e imploraria pela cópula.
Sentiu nojo de si mesma. Preferiria morrer a deixá-lo corrompê-la daquele modo.
Dominada por repulsa, por anseio de se libertar, o lume a envolveu e a levitou até deixá-la de pé. Annabelle rasgou o vestido contaminado pelo toque aversivo.
Naraku percebeu que a barreira ao redor do castelo fora atingida em cheio por uma força desconhecida. Mandou uma marionete sua à fronte da propriedade para averiguar e viu a fumaça negra encobrindo o púrpura da grande bolha. Raios esverdeados provocaram rachaduras na cúpula protetora. Ao longe, por de trás da densa névoa, a figura dos cabelos dourados surgiu a desfilar. A saia avermelhada esvoaçava simultânea aos fios amarelados.
— Pensou que poderia se esconder para sempre, Annabelle? Você quebrou o selo que me mantinha afastada de você, esqueceu? Agora posso sentir sua presença em qualquer confim do mundo.
— Lamento desapontá-la, mas não é Annabelle quem a recebe. — o babuíno branco e tranquilo respondeu enquanto saía da enorme construção — Então você é a irmã dela, não é?
— E você o sujeito que ela queria exterminar e não teve coragem. — parou diante dele, o anel esverdeado cintilava no dedo — Eu sei que ela está aqui, me dê passagem, temos um acordo e você não tem o direito de se intrometer.
— Que acordo?
— A adaga sagrada pela vida dela. Não me interessa se Annabelle não completou sua missão, promessa é dívida. — deu mais um passo, preparando-se para passar pelo lado da figura. Infindáveis tentáculos amarronzados brotaram por debaixo da pele de macaco e fizeram uma parede diante de Ailyn.
— Por que anseia tomar a vida de sua própria irmã?
— Isso não é assunto seu, abra o caminho para mim. — disse austera.
— Acontece que não é de meu interesse entregar Annabelle a você, a menos que me dê um bom motivo. — prosseguiu.
— Ela quer o meu coração. — Annabelle surgiu adornada por um elegante vestido azul, sobrevoando o pomposo telhado, envolta por luz e ventania — Ela quer comê-lo para absorver o meu dom, acha ser mais digna do que eu. — Pairou tíbia sobre o solo infértil, por trás dos tentáculos espessos — Abra a passagem, Naraku.
— Humpft! Eu deveria ser a escolhida para receber o dom, mas você deu a sorte de nascer algumas horas antes... uma grande ironia. Por que logo você, a mais fraca emocionalmente, tinha de nascer com essa dádiva e eu sem nada?! — tocou os enormes apêndices de um lado enquanto Annabelle os tocava do outro.
— E o que é todo esse poder? — Naraku perguntou curioso.
— Quer mesmo saber? — Ailyn o instigou — Tire essas coisas asquerosas do caminho.
— Venha buscar o que é seu, Ailyn Rose. — os olhos de Annabelle oscilavam entre a cor branca e a cor azul.
— Sinto muito, mas não posso permitir. — Os tentáculos explodiram e a fumaça arroxeada espalhou-se. Ailyn, pega de surpresa, inalou-a e perdeu a consciência.
Annabelle viu a irmã definhar aos poucos e resolveu agir. Planou através da nuvem de miasma e cativou a gêmea caçula nos braços.
— Onde pensa que vai? — a marionete endereçou-lhe um tentáculo maior, disposto a prendê-la. Assim que a cortina branca ao seu redor foi tocada, o membro comprido se desintegrou engolido pela claridade, e assim se sucedeu com o clone.
"Não pode ser!" — o Naraku real, dentro do castelo, mortificou. Annabelle deixara o pingente no quarto. Não era coincidência a aura dela tornar-se ainda mais grandiosa quando seu pescoço não tinha a lua como enfeite. — Vão atrás dela! — enviou os insetos obedientes.
— Eu sinto muito, Ailyn. — recostou-a sobre a raiz de uma árvore e ajeitou a franja alvoroçada — Se eu passar esse dom a você, Naraku a perseguirá e esse ciclo perdurará. — constatou — Você ficará bem... — cobriu-a com sua luz, purificando o veneno que adentrara seus pulmões. Ao finalizar, ergueu-se, suspirou e partiu a caminhar pela floresta.
Andou sem rumo certo, até deparar-se com um rio que se estendia pela mata. Annabelle abaixou-se e mergulhou a ponta dos dedos.
"Está fria"... — fechou os olhos, abriu a boca e o vapor escapou. A temperatura caíra, prova de que o cálido verão dava adeus, assim como o seu Hitomi.
Lamentava profundamente perder a chance de se despedir. Lembrava-se de todos os planos tecidos em conjunto, pensava sobre as viagens que nunca se realizariam, sobre os lugares que Hitomi jamais conheceria. A vida e o corpo foram-lhe roubados no auge, ela tinha certeza de que se o jovem estivesse vivo, exerceria grandes feitos naquela terra – bondoso como só ele era.
Queria lembrar-se de seus olhos, de suas expressões, e seus pensamentos a prendiam no esboço vermelho da crueldade. Estava atrelada à Naraku e era irreversível. Sabia que se perdurasse ele atingiria sua meta – a corromperia, tirar-lhe-ia a luz e a preencheria de sombras.
Despedaçada, mirou uma rocha ao lado, depois observou uma árvore cheia de cipós pendurados.
Enlaçou a cintura com cipós trançados, amarrou-os à pedra que, dificultosamente carregou em mãos. Caminhou resignada até as frias águas, a cada passo se certificou de que tomara a decisão certa.
"Este dom precisa ser lacrado junto a mim" — reconheceu aliviada. Partiria em paz, sabendo que um dia conhecera um lampejo de felicidade. Partiria para uma terra onde não seria perseguida por suas origens, por seus talentos. Partiria para um santuário onde sua alma seria curada das mazelas, onde ela poderia pensar em acreditar no amor e em si mesma novamente, longe da escuridão que a cercava, longe da dor, longe da tortura de existir.
— Mãe, me receba em seus braços... permita que a água me leve como levou a Senhora. — pediu serena.
"Essa maldição morre comigo".
Abriu os braços e deixou a pedra cair.
Oh, meu amor, não me abandone
Quando eu permitir que a água me leve
Foi tragada pelas profundezas do rio.
Deite-me,
Deixe que o único som
Seja o inundar
de bolsos cheios de pedras.
A única testemunha de seu desatino era um inseto a voar agitado acima da margem.
Única testemunha? Não...
Você teria outra opção?
Você poderia ter encontrado outra opção.
Continua...
Sim, no final do capítulo tivemos trechos da minha música favorita da Florence! Gosto muito dela, porque algo em suas músicas me remetem ao mundo pagão, assim como as canções da Loreena Mckennitt.
Então gente, lembram-se de que eu escrevi em notas finais de um capítulo que Naraku exerceria um papel abusivo e que era para vocês não me odiarem por isso (foi isso o que tentei dizer, pelo menos)? Aí está...
Podem xingar, xinguem muito, eu sei, ele merece. Afinal, ele é o Naraku. D:
Aguardo as opiniões, muito obrigada a quem chegou até aqui e pretende continuar a leitura!
Kissuuuuus!
