Boa noite, pessoal!

Hoje foi feriado em minha terrinha, chamamos de "re-círio". Teve o Círio de Nazaré há pouco tempo atrás, e agora temos essa data que na teoria deveria significar o fechamento do comércio até meio-dia, mas geralmente algumas instituições enforcam, como fez a UFPA. Já que não tive aula à noite, venho aqui publicar esse capítulo porque eu estava DOIDA para chegar aqui...

Aviso logo que teremos algumas cenas quentes... Um capítulo nomeado "Não há como evitar" não poderia ser diferente, não é mesmo? Está um pouquinho mais curto do que o último, mas não menos interessante - pelo contrário, está uma delicinha (na minha singela opinião). :3
Questões cronológicas explico nas notas finais. Até agora a maioria dos eventos da saga original seguem fiéis, mas em algum momento isso pode mudar, está me dando certa coceirinha de inventar eu mesma um enredo para a aparição de personagens "x" e "y"... MEEEH! Vocês verão!

Boa leitura!


— Anaberu... na escuridão, o ser errante surgiu. A sua brancura contrastava com a escuridão do cenário, os olhos de avelã tremulavam opacos enquanto ele a esperava, estático no ambiente e no tempo.

Hitomi? era como se não o visse há milênios "Tão distante..." pensou enquanto se aproximava hesitante.

Os braços, esticados à frente, direcionavam as mãos ao toque. Os dedos apalparam o rosto frio e desceram por seu peito exposto pela fenda do traje de dormir azul celeste. Em seguida, as mesmas articulações trementes enrolaram-se aos cabelos um dia macios como veludo, agora ressecados, e pentearam as ondas noturnas numa tentativa frustrada de acalmá-las.

Você está me esquecendo. decretou, tão rouco e baixo quanto um chiado inconstante.

Não, eu nunca o esquecerei! enredou-o nos braços desesperados, encaixou o rosto por cima do ombro encolhido e cerrou os olhos com força Você está tão frio... alisou-lhe as costas e encontrou coragem para encará-lo.

Eu estou desaparecendo... Kagewaki lamentou, baixando o olhar. As mãos gentis cativaram seu rosto esquálido.

Enquanto eu existir, você também existirá, nem que seja apenas em minha memória. disse a fitá-lo nos olhos sem titubear.

Annabelle respirou fundo, engoliu o amargor na garganta, rasgou a face com um sorriso e roçou a boca à dele. Hitomi, ao sentir o sopro de vida adentrar-lhe os lábios semiabertos revirou os olhos e pestanejou, tomou a cintura com cuidado e tratou de aprofundar o beijo aos poucos, sugando os lábios mornos e rosados em primeiro instante, para depois lambê-los e adentrá-los em singela cerimônia.

A highlander se entregou às sensações e amoleceu o corpo. Usufruiu das carícias nas costas e nos braços, da doçura molhada daqueles afagos e ali encontrou total rendição. Sabia que era um sonho, mas queria acreditar que era ele de verdade, fazia algum tempo que o jovem mestre não se mostrava.

Todavia, a alegria não duraria tanto tempo. Enquanto Annabelle se deleitava dentro do beijo amoroso, uma respiração morna eriçou seu pescoço, uma língua faminta o marcou de saliva. Ela estremeceu, Hitomi a apertou com força impedindo-a de apartar o beijo. Havia dois braços prendendo sua cintura, e duas mãos subindo por sua barriga até alcançar-lhe os seios. Os olhos azuis se escancararam, seus dedos seguraram os que lhe apertavam os montes. Hitomi abandonou seus lábios, enfim, e traçou beijos molhados por todo o rosto. Uma mão segurou-lhe o queixo e a induziu a virar o rosto e se deparar com o intruso na cena. Naraku – quem mais poderia ser?

Ela perdeu a cor e o sangue gelou por dentro das veias. Seu grito foi abafado pela boca voraz que se colou à sua. A língua dele girou frenética por toda a cavidade morna e cativou a dela, indefesa. Mãos em seus ombros viraram-na de frente ao espelho do jovem mestre e afagaram-lhe as costas. Annabelle já não sabia quem a afagava enquanto Naraku a devorava. Um par de mãos desatava o laço do espartilho enquanto outro subia sua saia. Incontáveis dedos apalpavam-lhe a fronte úmida, outros atreveram-se a explorar a pequena brecha entre as nádegas, fazendo-a arquear, amassada entre dois corpos. Ela sufocava...

Num rompante, arregalou os orbes e jogou o corpo para frente. Despertou sentada sobre o feno do pequeno casebre onde dormia com os amigos, o único acordado para testemunhar sua agonia era Inuyasha.

— Outra vez? ele, sentado à parede e de braços cruzados, encarava-a desconcertado. O cheiro da libido quase o desnorteava.

Respondeu-o apenas com o olhar aflito e o longo suspirar. Depois, apoiou a cabeça sobre os joelhos dobrados e escondeu a tez por trás da densa cortina acobreada. Ao menos a noite passara e já era dia, em breve os amigos despertariam e continuariam sua jornada.

Capítulo 18 – Não há como evitar

— Cuidado, Annabelle, vá devagar! Kagome alertou enquanto a amiga se aventurava a andar de bicicleta pela primeira vez.

— Nossa, esse transporte é diferente de tudo o que já vi! ela se esforçava para manter o equilíbrio e a bicicleta cambaleava de um lado para o outro ao desviar das pedras. Opa! percebeu que tombaria para a esquerda e fincou o pé no chão, caiu no riso.

Passaram pelo vilarejo onde Kaede morava para Inuyasha se recuperar, e também para respirarem um pouco os ares de tranquilidade. Shippou misturou-se às crianças que brincavam de pega-pega ao redor de uma árvore. Sango e Miroku conversavam sobre assuntos triviais e tornavam-se mais próximos. A vida, em suma, assumira cores vibrantes desde que a forasteira juntou-se à trupe. Eles a faziam, por alguns instantes, esquecer-se das mazelas do passado. No entanto, ao cair da noite e na hora de dormir, nos sonhos Annabelle continuava a não conseguir escapar da teia. Antes vislumbrava seu Hitomi. Recentemente, depois da conversa com o maldoso hanyou, Naraku consumia suas fantasias a ponto de ofuscar suas lembranças mais queridas e ela despertava súbita e ensopada, com o coração a escapar da garganta. A cena virara rotina, e todas as vezes Inuyasha estava de prontidão, encarando-a silente e com o semblante preocupado. Conversavam com os olhos, cúmplices um do outro.

Após o descanso revigorante, retomaram a caçada – infernal para a escocesa – e pelo caminho esbarraram com uma mocinha a perigo, deveria ter catorze anos no máximo. Era conhecida de Miroku – Koharu o seu nome. O grupo se viu diante de um grande impasse, a menina implorava por partir com eles, no entanto a jornada seria muito perigosa para uma humana comum. Annabelle percebia em Koharu a vulnerabilidade e a paixão pelo monge. Sango, por sua vez, tinha chamas nos olhos quando o sujeito aconchegava a inconsolável criaturinha nos braços. Por pouco, a integrante mais recente não achava graça da situação, pois sabia que o suposto "homem santo", por mais safado que fosse, sentia algo além de atração pela exterminadora e era recíproco. Torcia para que os dois se entendessem qualquer dia, e que não demorasse. Torcia também para que o hanyou cão deixasse de ser tão orgulhoso e admitisse seu afeto pela viajante de outro tempo. Era gostoso vê-los interagir, como os queria bem!

Optaram por acolher Koharu aquela noite e hospedaram-se em um vilarejo por ali. Tranquila, Annabelle anunciou que tomaria um banho em algum córrego próximo de lá. As amigas ofereceram companhia, mas ela insistiu em ir sozinha. Precisava espairecer, pois mesmo sendo boa em disfarçar suas aflições elas ainda impregnavam seu interior, prontas para consumi-lo.

— Ela sabe se virar, parem de ser um pé no saco! Inuyasha se queixou depois de tamanha insistência da parte de Kagome e Sango.

— Quer dizer que agora você assume que sou forte? estreitou as esferas cerúleas, sapeca.

— Vai logo, você está fedorenta mesmo! retrucou.

— Inuyasha! Kagome o repreendeu, secretamente prendendo um riso.

— Pois eu acho a Anna-hime muito mais cheirosa do que você que parece um cachorro sarnento! Shippou implicou a mostrar a língua.

— Eu vou te pegar! Inuyasha se armou, simulando postura ameaçadora, e a raposinha se escondeu atrás de Annabelle dessa vez.

— Oh, e agora? Você ousaria passar por cima de mim, forte como sou, para fazer mal a esse pequenino tão fofinho? Annabelle, espirituosa, segurou Shippou nos braços e beijou-lhe a testa, derretendo-o.

Depois de rirem juntos, a mulher dos cabelos de fogo acenou um adeus breve e deixou o quarto ostentoso onde estavam alojados.

Despreocupada, caminhou por entre as árvores e não muito depois de vinte minutos encontrou um pequeno lago, sereno como a noite que se iniciava. Despiu-se amena, pendurou as roupas no galho de uma árvore próxima à beira pedregosa, mergulhou primeiro o pé para experimentar a temperatura – gelada. Tremeu de leve, submergiu até a canela e buscou acostumar-se com o frio antes de mergulhar. Diversos devaneios passavam-se por sua mente causando ligeira agitação – cenas entrecortadas, memórias oníricas, olhos amendoados misturando-se com o vermelho-sangue...

Uma vez adaptada, entrou de uma vez e afundou a cabeça. Manteve-se submersa por alguns segundos, com as pálpebras seladas concentrou-se no som pacífico das águas.

Emergiu para respirar, lançou os fios de cobre para trás causando respingos em alguém de pé, à margem.

— Não me diga que veio tentar se afogar outra vez? a voz grave a fez se virar de imediato e cobrir os seios Ora, cerimônias a essa altura? Como se eu nunca a tivesse visto ou tocado... sorriu pernicioso.

— Naraku?! e a torrente de pensamentos e dúvidas regressou severa. Estava suficientemente atordoada para não notar a ilustre presença de seus sonhos se chegar.

Despreocupado, o indivíduo se sentou e apreciou-a. Vestia o quimono escuro e cheio de bordados, a manta de babuíno cobria-lhe parcialmente, os cabelos soltos esparramavam-se pelo peito e pelos ombros, quase tocavam a baixa relva.

— O que quer? perguntou arredia, escondendo-se dentro d'água até o queixo. As batidas aceleradas, tão intensas, soavam pulsantes como se subissem pela goela e atingissem a cabeça.

— Ficará resfriada se não sair logo daí. ajuntou.

— Vá embora! intimou.

— Quando temos tanto a conversar?

Era verdade, o último diálogo foi interrompido e um vácuo se formou entre os dois. Contudo, a simples presença dele a atordoava e por essa razão preferia não ter que encontrá-lo tão cedo.

— Meus amigos estão por perto, Inuyasha sentirá o seu cheiro.

— Não se preocupe com isso, minhas servas já estão cuidando do assunto.

— Suas servas? então se lembrou da mulher avistada a voar sobre uma pena O que está tramando?! esqueceu-se do pudor e tratou de sair de dentro do lago.

Naraku se ergueu ágil e pôs-se entre ela e o galho onde suas roupas jaziam penduradas.

— Não vou permitir que atrapalhe.

— É por isso que está aqui, para me impedir? tentou contorná-lo e em um passo o meio-youkai se manteve à frente.

— A sua irmã se parece tanto com você... afastou as madeixas molhadas da face corada e dos seios arredondados mas não o suficiente.

— O que fez com minha irmã?! vociferou, alucinada só de pensar que Naraku relara o dedo em Ailyn Vocês estão juntos?!

— Ela é minha escrava agora. revelou sem alterações.

Annabelle ergueu a mão para acertar-lhe um belo tapa, ele a conteve antes de tocar seu rosto. Encarou-a sisudo e a puxou para mais perto.

— Está com ciúmes? sussurrou ao ouvido quente e depois riu breve.

— Você é maluco?! Sabe muito bem que...

— Oh, seu querido Hitomi? Sim, sei. Humano ignóbil, sem habilidades, sem futuro... Não chegava nem perto de estar a sua altura. riu em deboche, enquanto esfregava sua bochecha à dela.

— E quem estaria a minha altura, você? retomou a coragem de fitá-lo olho no olho.

— Se eu me interessasse por isso...

— Por que se fez de Hitomi e fodeu comigo, Naraku? mudou de tom, foi certeira.

— O quê? arregalou os olhos, surpreso pelo tipo de vocabulário que ela escolheu usar.

— Sim, por que se deitou comigo? Se disfarçar de Hitomi, desejar me ferir e me humilhar eu entendo, mas transar comigo? Você não fez isso com aquela sacerdotisa, e teve oportunidade! Por que comigo? Vamos lá, já que estamos aqui e temos o que conversar, responda isso, seja honesto se tiver coragem. desafiou-o em tom de ansiedade quase compulsiva. Mesmo que os orbes tremulassem e o peito ardesse por dentro, os cílios de fogo não se cruzaram vez sequer.

— Você quer honestidade? Muito bem! cativou-lhe os dois braços e arrastou os dedos pela pele, rosando-a Você estava sempre lá, despudorada, se exibindo, me provocando... perpassou os olhos por cada pedaço da carne juvenil enquanto relembrava-a sair do lago trajada em camisola transparente, enquanto rememorava-a se agarrar com Kagewaki bem na sua frente, e depois, recebê-lo na cabana a despir-se do espartilho eu quis ensinar uma lição, e parece que você aprendeu muito bem. volveu a mirá-la nos olhos, incendiado.

— Que lição? aproximou o rosto ao dele e agarrou-lhe a gola. A pele de babuíno escorreu e caiu amassada sobre a grama.

— Não há como evitar, Annabelle. Você é minha. os dedos agarrados aos braços subiram pelos ombros arrepiados. Uma mão tomou a nuca avermelhada, a outra segurou o queixo. O polegar contornou os lábios naturalmente róseos.

"Eu não pertenço a você, não pertenço a ninguém!" quis dizer, a boca, no entanto, trancafiou a voz e libertou apenas suspiros. Mesmo encharcada, sentia-se em brasa. Doía-lhe ter que admitir apreciar o toque, intenso como em suas fantasias proibidas.

Os narizes se roçaram trocando o denso ar quente expelido de cada um. Nenhum dos dois piscou. As chamas da luxúria cegaram a razão do hanyou e da humana. Não conseguiam fugir da sina. Naraku perdia-se nas palavras de Ailyn revelando-lhe os possíveis sentimentos da irmã. Annabelle entorpecia-se nas lembranças pecaminosas dos sonhos e dos olhos desesperados dele ao vê-la sobreviver à tentativa de suicídio.

Dessa vez, a iniciativa partiu de ambos. Após, afoitos, inspirarem a dose necessitada de ar, atracaram-se. Os braços da escocesa enlaçaram-no pelo pescoço, os dele a enredaram pela cintura e as bocas colaram-se lascivas. Em um giro, Naraku encurralou-a ao tronco da árvore e a suspendeu pelas nádegas desnudas. Ela, estimulada, envolveu-o com as pernas. A mente enevoada não cogitava as consequências daquele ato libidinoso e nem queria. Persistiu a beijá-lo feroz enquanto uma mão perversa amassava-lhe o seio avermelhando-o.

Eles grunhiam dentro daquele beijo insano. Certas vezes, Naraku abandonava os lábios para marcar o rosto todo dela com saliva, e depois o pescoço. Então, voltava à boca escancarada à sua espera e a invadia sem pena, obcecado pelo sabor, empenhado em dominá-la, em roubá-la para si. A mão que apertava o farto pomo escorreu pela barriga ainda úmida e se encaixou entre as pernas, na entrada escancarada e pulsante. Annabelle gemeu sôfrega, mordiscou o lábio inferior do hanyou e ele encarou o gesto como uma súplica: "me faça sua, me possua" – não para Hitomi, e sim para ele, Naraku. Com um sorriso desenhado em devassidão, estava pronto para livrar-se da faixa, abaixar as calças e penetrá-la atroz quando uma luz intensa se formou do chão aos céus, não tão distante dali.

Annabelle recuperou os sentidos ao perceber a quantidade de energia sinistra emanada do local onde seus companheiros estavam. Assustada, fitou a face de Naraku, enfeitada por um sorriso, agora representado por outro tipo de satisfação.

Ele a deixou deslizar pelo tronco da árvore até os pés descalços tocarem a grama. Fitou-a uma vez mais e lambeu os lábios.

— Isso foi interessante... Até logo, Annabelle. se afastou enquanto ajeitava a vestimenta. O corpo dele, por fim, envolveu-se por uma nuvem de miasma e voou aos céus. Ela sabia para onde ele iria.

Antes de segui-lo, doida de raiva, culpa, indignação e pela enésima vez sentindo nojo de si mesma, lavou-se, esfregou a pele até arranhá-la para tirar de si a sujeira, o cheiro e o desejo. Os grandes lábios palpitavam ainda, mesclando seus fluidos à água gelada.

"Como eu pude me deixar levar desse jeito?!" recriminou-se. Se possuísse um chicote, marcaria as costas e a alma, castigar-se-ia da forma como pudesse, mas não havia tempo, precisava ajudar os amigos. Vestiu-se ligeira, a aura ebúrnea a contornou. Os pés destocaram o solo. Antes de ir, outra presença chamou-lhe a atenção uma mulher pálida, dona de longos cabelos negros surgiu dentre a mata e encarava-a reprovadora.

Haveria outra oportunidade para confrontá-la, focou-se no objetivo principal e foi-se a flutuar até o vilarejo onde diversas pessoas jaziam desacordadas, espalhadas pelos arredores, Inuyasha encontrava-se inconsciente em meio a escombros, Kagome, enfraquecida, apontava sua flecha ao espelho nas mãos de uma garotinha albina, próximos a ela estavam Naraku e Kagura.

Annabelle compreendeu, enfim. Caiu uma vez mais na teia do odioso hanyou. Começou a duvidar da própria memória que desenhava os olhos preocupados de Naraku. Deveria ser fingimento, tudo nele era. Sentiu as articulações tremerem furiosas. Miroku, logo à frente, percebeu sua presença na cena do atrito e pediu que se afastasse, mas ela não ouviu. Kagura mirou o leque na direção da ocidental e Naraku segurou seu braço, impedindo-a. Enquanto a confusão de coisas a acontecerem ao mesmo tempo se dava, Kagome atirou a seta purificadora na direção de Kanna e a youkai pequenina teve de libertar as almas de dentro do espelho ou ele quebraria...

O que se sucedeu depois, aqueles que conhecem a estória já sabem. Uma pena Annabelle não ter discernido muito bem, em sua cabeça oscilavam diferentes eventos misturados aos do presente. Se o monge não a tivesse empurrado, teria sido tragada pelo Buraco do Vento e sequer notaria.


Você está me esquecendo a voz ecoava dentro do sonho uma vez mais, torturando-a até o despertar Não há como evitar, Annabelle, você é minha e as palavras do usurpador suprimiam a do falecido, tornando o fardo mais pesado para se carregar.

A claridade do dia forçou-a a despertar. Virou-se para o lado sobre o leito de palha e viu Sango ao seu lado, ferida. Kagome cuidava da exterminadora enquanto Miroku aplicava bandagens nos ferimentos de Inuyasha adiante. Tonta, sentou e segurou a cabeça com as mãos.

— Annabelle, como está se sentindo? a colegial perguntou apoquentada.

— Não tenho nada... O que ele fez a vocês? estava ansiosa.

— A Ferida do Vento, golpe da Tessaiga, foi refletida e acertou Inuyasha. Miroku contou Naraku está cada vez mais poderoso, agora tem a habilidade de gerar servos, tudo porque tem a Joia quase completa em mãos... revelaria sobre Kikyou tê-lo ajudado, contudo o hanyou de cabelos prateados mirou-o reprovador.

— Foi aquela sacerdotisa! não era preciso que lhe dissessem, Annabelle testemunhou Kikyou visitar o castelo de Naraku e presenteá-lo com fragmentos Eu me lembro, quando Naraku me capturou a vi lá!

— E até hoje nunca nos contou sobre isso?! Inuyasha alvoroçou-se.

— Me desculpe... encolheu-se na ocasião, eu estava entorpecida pela poção de minha irmã, muitos momentos naqueles dias não passam de borrões em minha memória, mas me lembro de vê-la encontrar com ele e jogar alguns pedaços dessa tal joia aos seus pés...

Hah, e essa agora? Eu duvido! ele cruzou os braços, se levantou e saiu desajeitado do casebre.

— Inuyasha! Miroku foi atrás.

— Anna, isso é verdade?! Kagome, desolada, questionou.

— Por que eu mentiria? Agora que vocês tocaram no assunto, acabei me lembrando disso... me sinto horrível por ter me esquecido de algo tão importante! estapeou a testa lambrecada de suor.

— Quem pode culpá-la? Sango, dificultosa, sentou-se encostada a parede Você passou por maus bocados, como todos nós...

— Mesmo sabendo que a Kikyou ajudou o Naraku, Inuyasha não consegue parar de pensar nela... Kagome suspirou lamentosa, fazendo o coração de Annabelle se apertar tenho certeza de que ele saiu daqui, mesmo ferido como está, para procurá-la.

— Kagome, eu imagino como deve ser doloroso para você... só que existem certas coisas que são mais fortes do que nós. Ele não consegue evitar. as palavras ao invés de servirem de acalento, tornaram o olhar da mocinha ainda mais triste. Annabelle se levantou, sentou ao lado da amiga e a abraçou, singela Mas eu sei que ele gosta de você, está evidente nos olhos dele... mesmo sofrida, esboçou um sorriso terno e fez a menina enrubescer Eu vou procurar aqueles dois. se levantou decidida.

— Anna... Sango tentou intervir.

— Não se preocupem, vocês sabem que sei me cuidar. Sango, quando eu voltar, irei curar seus ferimentos! ainda que sorrisse, os olhos mostravam certa turbidez estranha. Falou da porta, saiu sem dar chance as duas de falarem qualquer coisa a mais.

— Ela não está nada bem... a exterminadora comentou.

— Ontem, depois de tudo, Anna ficou apática e não nos respondia, não importava o quanto a balançássemos. Ficou isolada parte da noite, olhando para o nada, esquálida... O que será que aconteceu com ela?

— Voltei! Miroku surgiu com Shippou, que estava lá fora buscando água no poço, pendurado no ombro Ué, cadê Anna-hime?!


Andou apressada, afastando o mato pelo caminho. Arfava por cansaço e frustração, a mente inflamava-se de divagações, um nome mantinha-se presente – aquele que a tentava, a enraivecia, a enclausurava naquela loucura: Naraku.

"Não posso continuar assim..." sentia-se envergonhada de ter se mantido com aquelas pessoas tão amistosas, sentia-se uma mentirosa, uma grande aproveitadora de suas boas intenções. Eles a ajudaram a retomar a vontade de viver, para sempre lhes seria grata, no entanto não saberia dizer qual seria o seu instinto caso o embate final acontecesse, caso percebesse que finalmente Inuyasha ceifaria a vida de Naraku "Eu não quero que ele morra" admitiu, enfim, e o frio a percorreu por dentro travando seus movimentos.

Avistou esferas azuladas de luz a flutuarem em meio ao bosque nevoado, as seguiu sorrateira, escondendo-se por trás das árvores, em meio às folhas. Chegou, enfim, à paisagem onde apaixonados de longa data conversavam sobre os recentes ocorridos.

Kikyou e Inuyasha era perceptível nos olhos de ambos a nostalgia de tempos que se foram. Mesmo sabendo que a sacerdotisa entregara os fragmentos da joia a seu grande inimigo, o híbrido mirava-a terno e protetor.

E então, o assunto mudou:

— Tome cuidado com a mulher de cabelos vermelhos, a pronunciação da morta-viva fez Annabelle gelar dos pés à cabeça ela é amante de Naraku.

— Mas que bobagem Kikyou! recusou-se a crer, chegou a rir da afirmação.

"Ele não sentiu o meu cheiro ainda..." Annabelle conteve a respiração e pousou a mão ao peito descompassado.

— Enquanto você e seus amigos arriscavam suas vidas lutando contra as servas de Naraku, os dois estavam juntos, tocavam-se e beijavam-se preenchidos por volúpia desigual. Vi com meus próprios olhos. o relato da sacerdotisa fez Inuyasha corar só de tentar imaginar.

— Não pode ser, eu não acredito nisso, que nojo! chacoalhou a cabeça prateada para os lados.

— Acha que sou mentirosa? Pergunte a ela então. apontou para as árvores adiante.

Annabelle, pálida e tremente, saiu de trás do tronco e se revelou. Inuyasha virou-se para ela, orbes âmbar e turquesa escancaravam-se e os brilhos oscilavam. A ocidental quis falar, todavia a goela fechou, estrangulando qualquer som.

— Anna, isso é verdade?! a zanga teve o seu início, Responda! gritou após a demora da reação da interrogada Você e Naraku?!

Os globos dourados miravam-na inquisitórios e ela sabia, não havia para onde correr. Não seria justo esconder a verdade, e não faria jus a ela inventar qualquer mentira. Por mais que lhe ferisse como incontáveis apunhaladas, por mais que o ar lhe faltasse e os olhos ardessem contendo o descer de uma cascata, a boca abrir-se-ia e o que sairia dali poderia ser sua sentença de morte.

Continua...


Super de boas esse final de capítulo, não? Agora podemos ir dormir tranquilamente como se nada tivesse acontecido...
CAAALMA, gente! O outro capítulo está pronto, final de semana que vem eu posto! Hehehehehehe
Poxa, mas a má notícia é que os capítulos prontos que eu tinha estão se acabando e eu não tenho tido tanto tempo e disposição para escrever os próximos. A coisa está andando um pouquinho devagar até porque estou me esforçando para fazer sair o capítulo novo de A Minha Queda Será por Você o mais rápido possível (acho que essa novidade será muito boa para alguns, YEY!).

Vamos à cronologia do capítulo, então: a personagem Koharu existe no anime original, aparece no episódio 41 - A dança de Kagura e o espelho de Kanna. Os eventos do capítulo de hoje mesclaram-se ao que aconteceu no episódio já citado, e no seguinte, A Ferida do Vento refletida. Enquanto Annabelle procurava por um córrego, tomava banho e caia no pega-pa-capá com o Naraku, a confusão se deu no vilarejo e a tal luz que o casal de amantes afoitos avistou veio do golpe de Inuyasha sendo devolvido a ele. Então, Naraku deixa Annabelle, dá o ar de sua graça no campo de batalha e anuncia ao grupo que Kikyou quer ver Inuyasha morto. Apenas no finalzinho, quando novo dia amanhece, temos um vislumbre do episódio 43 - A Tessaiga finalmente é quebrada - aí eu digo para vocês que ocorreram algumas mudanças, bem sutis, na sucessão de acontecimentos - a forma como Inuyasha saiu da cabana, a conversa dele com Kikyou e o que se seguirá no próprio capítulo. Eu não disse que estava com uma coceirinha para mudar algumas coisas e fazer à minha maneira? Pois sim... ;)

No mais, peço para que tenham paciência com a Kikyou. Hoje devo ter deixado algumas pessoas com raiva dela... capítulo que vem, me digam se ainda estão chateados ou se nem ficaram, se entenderam. Ihihihihihihi!

Kissuuuuuus!