Pessoal, estou passando rapidinho para postar esse capítulo (atrasadíssimo)!
Depois, com calma recebo os últimos reviews que recebi tanto nessa fic quanto em uma oneshot que escrevi. Fiquei super feliz com o feedback, mas não consegui me organizar direito para responder.
Enfim, esse capítulo está mais curtinho que os outros, mas não menos importante.
Espero que gostem! Perdoem eventuais errinhos de formatação, etc.
AVISO: Hentai básico. OHOHOHO!
Boa leitura, gente linda!


Capítulo 31 – Samhain

A noite caiu, depois de um longo dia composto pela insuportável expectativa. Annabelle não conseguira parar de pensar no que seria de seu encontro transcendental, e Ailyn não suportava mais a irmã tagarelando sobre o que poderia acontecer, o que poderia sentir, o que Hitomi iria lhe dizer...

— Tá bem, tá bem, você já falou um milhão de vezes a mesma coisa! — Ailyn resmungou enquanto acendia algumas velas negras ao redor da poltrona — Não faça eu me arrepender da minha ideia! — alertou-a já perdendo as estribeiras.

— Não falo mais nada, prometo! — tapou a boca com as duas mãos.

— Menos mal... — respirou fundo, sentou e fechou os olhos, as mãos abraçavam os braços cujo estofamento tinha rasgos. — Preciso de silêncio para me concentrar.

Se não podia tentar amenizar a ansiedade com palavras, Belle bateria então os pés no chão coberto de musgo. Tudo para tentar abrandar os pensamentos acelerados, a confusão pungente na mente e no coração. Havia muitas perguntas, e nenhuma resposta. Havia culpa e desejo por se arrepender – acreditava que tinha de se arrepender – e não conseguia. Seria toda aquela cena um simples meio para distraí-la de uma situação real?

E então, quando começava a questionar se deveria prosseguir com aquele encontro, um portal se abriu a sua frente e revelou uma pequena cabana da qual Anna se lembrava muito bem.

A tal cabana onde ela se refugiara quando o pai de Kagewaki a sentenciou à morte. A mesma cabana onde perdeu a virgindade... e pensar nisso a fez lembrar de Naraku.

— Ande logo, o portal não durará para sempre! — Ailyn advertiu.

Annabelle respirou fundo, ajeitou a sacola às costas, tomou coragem e num pulo atravessou a passagem mágica. Enquanto isso, Ailyn mantinha-se concentrada e repetia alguns dizeres em sua língua ancestral – o gaélico. Os olhos até então fechados escancararam preenchidos pelo negro, uma névoa verde se formou pelo chão e começou a subir devagar, espalhar-se pela humilde morada dentro da árvore e também na cabana onde Belle adentrava temerosa.

Em um outro lugar, numa outra direção, dentro de um castelo obscuro certo hanyou observava desconfiado a Joia quase completa sacudir em um altar.

— O que significa isso? — indagou-se e manteve uma distância segura.

De repente, um fino raio esbranquiçado escapou da pedra e saiu pela janela, atravessando o campo de força, a nuvem de miasma e por fim o céu. Naraku correu para a varanda e enviou insetos venenosos atrás daquela luz.


As mãos percorriam a parede de madeira, sentindo a textura. Annabelle ainda se recordava do exato lugar em que estava quando o homem que pensou ser seu Hitomi entrou e a agarrou impetuosamente.

Encostou a testa na parede como fazia com as palmas e fechou os olhos, a mente presa naquela época e lamentando por um instante daqueles ter sido uma mentira. Eis que as orelhas escutaram passos sobre a terra e uma respiração entrecortada na direção da entrada.

Ela se virou lentamente, apavorada e almejante, e assim que se pôs de frente o avistou paralisado, atônito, ora a encarando confuso, ora olhando para as próprias mãos como se duvidasse que aquilo fosse possível.

Com o ar estancado no meio da garganta – bem como um grito de espanto – os pés de Annabelle deram os primeiros passos para a aproximação. Hitomi continuou parado onde estava. Era ele o morto, todavia se alguém estava paralisado de pavor não era a jovem viva. Quando os dedos dela quase roçavam seu rosto, Kagewaki se afastou ofegante.

— Está tudo bem. — com o coração a trepidar e os olhos orvalhados, Anna disse e estendeu a mão para o rapaz que parecia conter a luz do luar em si — My lord... — assim, o jovem filho de Shogun poderia decidir o momento certo para ter um contato.

Hesitante, Hitomi aproximou os dedos trementes e finalmente tocou as pontas aos dela, quentes e macios. Ter a capacidade de sentir o toque, a pele, o estremeceu por completo. Deixou a mão dela de lado para apalpar-lhe o rosto, os cabelos e Annabelle também tremeu até a alma, a temperatura de Kagewaki era morna e a pele ainda tinha viço – como se estivesse vivo.

Então, ao contemplar os olhos castanhos transbordando emoção, lembrou-se das feições dele, lembrou-se também dos tempos em que viveram juntos e um buraco arrombou o coração. Abraçou-o com ardor, seus braços se perderam por dentro dos vastos cabelos negros. Ele retribuiu o enredo com a mesma gana, faminto por contato.

— Me perdoe! — ela urrou — Me perdoe! — repetiu aos soluços, prensando-o contra si, querendo acreditar que voltaram no tempo e agora viviam o que deveria ter sido. Essa era a noite deles, entretanto, Annabelle só conseguia sentir culpa e saudade. — Eu senti tanto a sua falta, my lord! Por favor, acredite em mim! — suplicou.

— Eu sei, Anaberu. Eu sei! — mais discreto do que ela, as lágrimas rolavam silenciosas pelo rosto enquanto as mãos alisavam as costas da ocidental numa tentativa de acalmá-la. — Não chore mais... — pediu — Eu não aguento vê-la sofrendo, e em pensar que sem querer me tornei responsável por isso...

— Eu nunca deveria ter cedido a ele. — disse desgostosa, mas no fundo sentiu-se mal por dizê-lo, só desconhecia a razão.

— Mesmo que não fosse Naraku... — interpelou-a, fitando-a nos olhos e afastando alguns fios acobreados do rosto molhado — acho que poderia ter sido qualquer outro homem e eu agiria da mesma forma, por não suportar lidar com o fato de que nunca consumamos o nosso amor, nunca realizaremos os nossos sonhos... Eu não queria ficar sozinho e a queria só para mim. Que tipo de pessoa eu sou Anaberu? — sorriu lânguido, derrotado.

— Não o culpo por nada disso! — ainda que fosse árduo, sorriu acima da dor, cativou as duas mãos do rapaz e depositou um beijo em cada uma — Deve ser muito solitário ficar onde você estava...

— Na verdade eu tenho as piores das companhias, monstros da pior estirpe. — contou — No meio daquele inferno, apenas uma alma me pareceu pura, a de uma sacerdotisa... mas ela estava dormindo. — estreitou os olhos enquanto rememorava a sua atual morada. Annabelle se sentiu confusa, nunca ouvira falar de lugar assim antes — Mas não quero falar dessas coisas, — prosseguiu — quero aproveitar o pouco tempo que temos... — retomou a candura habitual, ainda que com uma pitada de tristeza.

— Sim, sim! — concordou de imediato, faria de tudo para propiciar algum alento a Kagewaki.

Então, o sorriso dele se fechou e os orbes cravaram-se nos dela, lendo-os. Annabelle sentiu-se desconcertada, os lábios dele aproximaram-se dos seus e selaram um beijo casto, a princípio. Os olhos de Hitomi se fecharam, entregues. Os dela, no entanto, tardaram a se render. As mãos do jovem mestre pousaram recatadas à cintura delineada e contornaram suas formas. Aos poucos, o ápice da língua dele pediu licença para entrar e a boca de Annabelle abriu-se devagar, com sensação de dormência. Cada singelo movimento que ele fazia durante o beijo, ela repetia numa espécie de automação. Era reconfortante de algum modo, não poderia negar, porque naquele ato singelo ela relembrava a sensação de estar em casa, de proteção...

Um inseto além da janela testemunhava o beijo do casal se prolongar e abafar os suspiros de ambos, contemplava o mancebo perder o recato aos poucos e prensar a escocesa contra si, subir a mão desajeitada ao seio dela e afagá-lo de leve.


"Isso não é possível!" — uma raiva desmedida fez Naraku ferver por dentro, a notícia de que Kagewaki estava com Annabelle em carne e osso não poderia tê-lo afetado mais. Se fosse um sujeito impulsivo como Inuyasha, se desbarataria do esconderijo à cabana e tiraria a vida de Hitomi pela segunda vez. — "Mas ele estava morto, eu o desintegrei com meu miasma!" — cerrou os olhos, não queria mais ver aquela cena, sabia o que viria a seguir. Annabelle entregar-se-ia ao seu único e verdadeiro amor. Qualquer fantasia a respeito dos sentimentos da humana por ele se desfez em pó. Mas Naraku não conseguiria se conformar, não enquanto tivesse que carregar o fardo de ter um coração de homem.


— Ah!— o movimento inesperado de Hitomi a surpreendeu e ela cessou o beijo por instantes.

— Desculpe-me... — imediatamente, ele tirou a mão de cima do monte e a soltou, as maçãs avermelharam intensamente.

— Não, tudo bem, eu só não esperava essa iniciativa partir de você. — ainda perplexa, se justificou.

— Eu só queria senti-la. — confessou em um tom lúgubre — sei que essa é minha única oportunidade.

Annabelle sentiu uma pontada no coração, vendo a sombra que ele tinha se tornado. Apesar da aparência angelical de outrora, a brancura nos tons do quimono e de sua pele apenas camuflavam a escuridão do espírito de um homem tão jovem cujos sonhos foram despedaçados. Fatalmente, lastimar por ele a fez pensar em Naraku uma vez mais e com motivo: o araneídeo era responsável por aquilo! Não só o culpou como culpou a si, por no fundo não conseguir desprezá-lo, por sentir a sua falta.

Anaberu? — o tom terno a fez sair do transe. Ao vê-lo encará-la aflito, forjou outro sorriso, tomou a mão dele e a colocou de volta onde estava, embaraçando-o no ato.

— Sinta-me. — orientou-o a apertar de leve o monte, subiu os dedos dele ao decote, onde poderia sentir melhor a pele, e fechou os olhos. Notou a respiração de Hitomi acelerar, ansiosa. Ao envolvê-lo nos braços novamente e cingir os corpos percebeu o volume entre as pernas, sufocado dentro das calças. Ele a queria... Ela? Ela devia isso a ele.

Iniciou por conta própria um beijo nada cerimonioso, enrolou os dedos nos cabelos negros à nunca com tamanha firmeza que chegou a puxá-los, fazendo o tímido mancebo gemer enquanto era devorado.

— Eu o machuquei? — sussurrou, dando uma pausa no beijo, deixando as bocas ligadas uma à outra por um tênue fio de saliva.

Hitomi, entorpecido pelas sensações que o faziam apreciar o sopro de vida que tinha, negou num balanço breve de cabeça e tornou a beijá-la cheio de ânsia, a encurralando contra a parede por consequência de suas vontades. O perfume de rosas era afrodisíaco a ponto de fazer o herdeiro do castelo espremer o nariz contra o pescoço dela, arrastar a boca pela pele e afundar o rosto nas madeixas de cobre. Annabelle lembrou-se de como Naraku fazia a mesma coisa, entretanto com mais ímpeto, e a alma se condoeu pelo abandono, mas o corpo respondeu de forma oposta: se tornou receptivo ao contato pele com pele, tencionou por isso.

— Eu a quero tanto... — ele se declarou num sussurro. O falo latejou dentro da roupa assim que ela o orientou a desfazer as amarrações do vestido. Hitomi se atrapalhou no meio do percurso, as mãos tremiam, então Annabelle terminou o serviço, tirou as mangas pesadas e a primeira camada do vestido caiu como uma cortina. Ainda faltava desamarrar o espartilho, porém. — Essas roupas, são tão complicadas! — afoito, reclamou enquanto tentava se livrar daquela peça.

Paciente, a escocesa segurou as mãos do rapazote e o orientou a ir com ela até o tatame em um canto do casebre. Assim que se sentaram sobre o pequeno leito, ela mesma se despiu do espartilho graciosamente enquanto Kagewaki a mirava hipnotizado. Discreto rubor coloria as maçãs dele e davam-lhe um ar ainda mais inocente.

Annabelle desfez-se das outras mangas – agora da camada debaixo, quase transparente – e revelou sua pele aos poucos, de modo tortuoso para o seu falecido noivo, e tendo em vista que a perplexidade não o deixaria se mover, a Rosa Branca tratou de calmamente despi-lo da parte de cima do quimono claro e revelar sua pele leitosa, lisa e macia como algodão alumiada pelos astros noturnos – as palmas dela experimentaram os ombros, peito e barriga. Diferentemente de Naraku, Hitomi não tinha músculos tão protuberantes, seus traços eram mais suaves, até mesmo delicados. Belo à sua moda, e intocado.

— Você é tão linda... — sussurrou maravilhado, seus dedos envergonhados relaram as pontas nas curvas dos montes e desceram em linha reta pela barriga — Eu daria tudo para ter sido o primeiro e único a tocá-la... — o semblante pesou.

— Você me apresentou ao amor, my lord — encarregou-se de fazer as mãos preencherem-se com os seios macios, depois se arrastou para a frente e o encaixou entre suas pernas — não pense em coisas tristes agora, não podemos mudar o passado, — dizia com o nariz a se roçar no dele — tudo o que podemos fazer é aproveitar o presente. — sentiu-o tremente entre seus braços, massageou os ombros tensos para aliviá-lo.

— Eu a quero tanto, tanto! — terminou a frase com um gemido desejoso e, doido por mais um beijo abrasador, tomou posse da boca dela. Conforme a beijava, o corpo de Annabelle inclinava-se para trás até estar deitado sobre o tatame, e o dele por cima. — Eu não... — ligeiramente suado, balbuciou ao percebê-la descer suas calças e terminar de desnudá-lo — Eu não sei o que fazer, Anaberu... — confessou, agora rubro de vergonha.

Era a primeira vez dele. Um sorriso melancólico se formou nos lábios rosados da ocidental e ela afagou o rosto de seu Hitomi, aproveitando para arrumar algumas longas madeixas para trás da orelha dele. Que estranha era a situação: um homem perder a virgindade depois de morto. Algo mórbido demais para se pensar, por isso ela procurou não lembrar desse detalhe.

— Eu o ajudarei, está bem? — propôs terna, acarinhou o ventre rijo dele, perpassou a mão pela virilha arrepiada e conteve o sexo latente carinhosamente entre os dedos. Se o nervosismo o amolecera de leve, o toque aos poucos o endureceu novamente, de repente a excitação do Jovem Mestre era tamanha que quase doía. A respiração dele acelerou. — Venha. — ela o conduziu, ainda com o falo na mão o apontou para a entrada e encaixou a glande rosada lá.

Hitomi fechou os olhos e sua garganta emitiu um gemido que se prolongou pelo tempo em que o seu órgão genital escorregava pelo canal molhado de Annabelle. Nem acreditava que podia sentir o interior de sua dama, finalmente. Os globos turquesa mantinham-se focados no teto enquanto ela abraçava o finado amor. Certamente, o mais entusiasmado pelo ato era o rapaz a tornar-se homem.

Vagaroso e sem muito jeito, embalou-se para frente, depois para trás e fez uma pausa já ofegante, não de cansaço, mas de incontrolável deleitação. Prendeu a respiração para fazer o momento durar o máximo que podia. Sequer notara, dentro do forte abraço, a estrangeira a selar as pálpebras com força.

"Não chore, não estrague tudo!" — ordenava a si mesma — "Esse é o momento dele! É o mínimo que você pode fazer por ele!"

Venha para mim, fique comigo... — a mente pregou-lhe a horrível peça de trazer a voz grave e sedutora ao ouvido — Eu levarei toda essa tristeza para longe de você. — Annabelle espremeu mais ainda os olhos e mordiscou o lábio inferior. Os grunhidos eufóricos de Hitomi soavam como ecos distantes, o roçar dos corpos e os beijos que ele espalhava no ombro dela não conseguiam regatá-la do momento que latejava em suas lembranças — O que quer que eu sinta por você, sei que é recíproco, sei que você também sente por mim, que seja uma fagulha – como você mesma disse – já é alguma coisa. — as palavras estavam frescas, como se foram ditas há apenas algumas horas, bem como o abraço, que mesmo ocorrido em uma espécie de devaneio soara real e sincero. Foram aquelas palavras e o gesto que a convenceram não só de certa sinceridade nele, mas de tentar, de arriscar e ir ao seu encontro.

"Por que, Naraku?" — quando deu por si, se entregara às mágoas — "Por que você me deixou?" — as unhas, em contato com as costas lisas, arranharam-na como se pudessem desenhar a queimadura de aranha ali – até isso fazia falta — "Você fez uma promessa, uma promessa!"

— Ah, Anaberu! — Hitomi gemeu dolorido quando a forasteira lhe cravou as unhas na pele com tamanha força que arrancou sangue. Todavia, não houve tempo para qualquer protesto mais, pois as pernas dela o enlaçaram com firmeza no intuito de induzi-lo a mover-se com menos delicadeza. Então ele grunhiu de prazer e seus olhos reviraram.

Quando a mulher lhe segurou o rosto e o fitou, procurou no castanho o vermelho e frustrou-se. Se não o tinha as vistas, incendiada puxou a cabeça do noivo para si e o beijou ferozmente, empenhando-se em encontrar na voracidade um resquício do que ela realmente almejava. Porém, Hitomi era humano e inexperiente, e os reflexos dos grandes lábios dela a contraírem-se e prensarem o sexo dele com ardor provocaram o inevitável e prematuro gozo. O pobre rapaz pesou sobre ela, tremendo-se todo e encharcando-a de dentro para fora.

Os olhos dela se abriram devagar, ainda turvos. Os dedos experimentaram a maciez dos cabelos negros, esparramados sobre ambos. Os mesmos malditos cabelos. Era isso o que seu lorde oriental poderia oferecer, e completamente diferente do que ela desejava de verdade.

A esperança de que estar com Hitomi asseguraria o que deveria ser seu real desejo se desmanchou completamente. Aquele encontro de outro mundo apenas a deixou mais atormentada e desguiada, cheia de dúvidas sobre o que realmente queria. A única elucidação que encontrou em si foi a de que toda a saudade que a preenchia não era bem dele, mas de si mesma – de quem ela fora um dia, de seus próprios sonhos e alegrias. O luto alucinante era pela parte de si que ela perdera.

— Eu te amo... — Hitomi sussurrou ao seu ouvido e beijou o canto de seu rosto.

Foi a gota d'água. O choro contido com tanta garra libertou-se arrebatador. Logo ela começou a soluçar e se tremer desesperada. Kagewaki a olhou confuso e temeroso, acreditando ser o responsável pela crise.

— O que eu fiz? Eu a machuquei?!

— Não! — esfregou o dorso da mão nos olhos, foi inútil. A postura zelosa dele só piorava as coisas.

— O que foi, você não quer estar comigo? — a tristeza o contagiou.

— Por favor, não fale mais! Apenas... — um soluço a interrompeu brevemente — apenas me abrace! — pediu e iniciou o gesto por conta própria. Agarrou-o e o apertou contra si — Me abrace... — repetiu, dessa vez bem baixinho e foi esse tom que o desarmou e o fez obedecê-la em silêncio.


Após tirar a conclusão de que não queria e nem conseguiria mais lidar com o seu lado humano – e parecia que essa parte dele também já não o suportava mais – Naraku tomou uma decisão: livrar-se-ia daquela pestilência de uma vez por todas.

Assim, junto à sua pequena cria – a garotinha albina – foi a um desfiladeiro na calada da Noite de Todas as Almas, estendeu o braço e dele um amontoado de carne púrpura se formou.

Você deseja sair? Então vou deixá-lo sair. — o hanyou disse enquanto observava aquela pequena deformidade pulsar, cheia de veias tufadas, e ansiava por livrar-se de sua doença – sentir.

Desmazelado, Naraku deixou aquele bolo excêntrico rolar barranco abaixo e se perder na escuridão.

Quem é? Meu irmão? — Kanna aproximou-se do precipício e contemplou o corpo estranho cair.

Sim, mas ele não é como você. — não entrou em detalhes, não via necessidade para tal — Vamos voltar. — assim que anunciou, deu as costas ao desfiladeiro e ao que abandonou ali. — "Estou livre!" — pensou, tolamente convicto.


Quando Annabelle conseguiu sossegar o pranto, diante do cansaço por mal ter dormido na noite passada, acabou por adormecer e por algumas horas ficar nesse estado. Hitomi velou seu sono, deitado de frente para ela, penteando-lhe as longas ondas com os dedos.

Enfim, a jovenzinha acordou para vislumbrar o rosto plácido a admirá-la.

— Por quanto tempo dormi? — sentou-se, chateada por ter apagado.

— Bastante, já é quase hora de eu ir... — contou, sutilmente triste, já sentado de frente para ela.

— Por que não me acordou?! — reclamou, desacreditada de que logo teriam que se despedir.

— Não tive coragem, — sorriu de leve e acariciou o queixo da escocesa — preferi olhá-la, você parecia tão tranquila e... eu já atrapalhei tanto o seu sono, não me senti no direito.

— Hitomi... — segurou a mão dele e levou-a próxima ao peito, afagando-a — Eu preciso que saiba que amei muito você, que o que tivemos foi verdadeiro. — confessou aturdida.

— Eu sei... — falou ainda a sorrir e com os olhos lacrimejantes.

— Você foi meu primeiro amor! — enfim sorriu, ainda que uma gotícula descesse pelo canto do rosto — Estará sempre em meu coração, vivo nas minhas lembranças! — beijou a mão dele e percebeu-a começar a transparecer.

— Eu precisava ouvir isso... — Kagewaki suspirou, depois beijou a testa de Annabelle. Por fim o rapaz voltou a ser quem era, e para garantir que ele permaneceria o bom moço de outra época, antes que ele desaparecesse completamente a escocesa o beijou pela última vez. Nesse gesto, dividiu sua luz com o jovem mestre e o preencheu por dentro, a ponto de fazê-lo todo ebúrneo antes de a Joia clamar pelo retorno da alma.

Naraku, sentado de frente para a gema quase completa, observou o raio singelo retornar pela janela e entrar no receptáculo. Um inseto seu espiava Annabelle e mostrou a ele o sumiço de Hitomi, dessa forma o hanyou descobriu que o humano não voltara a vida, tudo não passara de uma melancólica despedida. Riu-se, completamente indiferente à condição de Kagewaki e aos sentimentos de Annabelle.

A humana, por sua vez, encontrou a abelha-demônio ao sair da cabana e a encarou em ares de tristeza e indignação, mas nada disse. Passou pelo lado do youkai e seguiu seu rumo, como disse à irmã que faria. Ailyn não se atreveria a surgir para se despedir, obviamente, e estava claro que ela também não queria companhia.

O que restava a fazer para a arruivada era olhar o mapa e procurar o tal vilarejo onde seus préstimos seriam bem-vindos. A sua sacola estava encostada à entrada da cabana, tirou lá de dentro uma capa e cobriu-se – lembrava-se bem de como as pessoas reagiam quando vislumbravam suas diferentes feições. Assim, deu início à sua peregrinação, caminhando como uma pessoa comum por trilhas no meio da floresta, escondendo-se toda vez que percebia um movimento estranho, afastando-se sempre de pequenas vilas no caminho, até que em dado momento, ao caminhar ao lado de um riacho, deparou-se com um rapaz bem novinho a correr em sua direção, choroso e exasperado.

Pensou em se esconder, mas teve pena do menino e decidiu esperar que estivesse próximo para abordá-lo:

— O que houve, criança? — serena, perguntou.

—Você é uma youkai?! — espantado, caiu sentado na terra e protegeu a cabeça com os braços.

— Não se preocupe, não farei mal algum. — não se ateve a responder, até porque dificilmente alguém acreditaria na verdade — Agora me diga, — ajoelhou-se em frente a ele — o que aconteceu?

— Um homem... um homem sem rosto matou o mestre Musou! — contou lamurioso e Annabelle estranhou a situação.

— Como ele era? — perguntou e afagou o ombro do garoto, tentando acalmá-lo.

— E-era forte e tinha uma cicatriz de aranha nas costas! — explicou.

O coração dela estancou e o rosto por baixo do capuz empalideceu.

— Pode me dizer para onde esse sujeito foi? — pediu educadamente, disfarçando o rebuliço interior com um sorriso amistoso.

O menino apontou para trás de si, o braço tremia incessantemente.

— Obrigada. — Anna disse já a se levantar. O aprendiz do falecido monge tentou avisá-la de que era perigoso, no entanto a humana tinha segurança em si mesma e uma enorme curiosidade. Seria Naraku? Não saberia dizer, mas sabia que tinha algo a ver com ele, sem dúvidas.

Mais uma vez o destino os conectava de alguma forma. A Rosa Branca seguiu o curso do rio e dispersou sua aura propositalmente, queria se fazer o mais visível o possível.

Continua...


Queria comentar muita coisa, mas não vai dar tempo. Então, vou deixar aqui as referências que falei e se vocês quiserem, podem me perguntar o que quiserem e responderei com o maior prazer! ^_^

A primeira referência está na lembrança de Annabelle sobre coisas que o Naraku disse a ela, esse diálogo aconteceu no capítulo "A escolha dela" da fanfic, quando eles se encontraram dentro da mente de Anna enquanto Sesshoumaru derrotava a horda de Youkais enviada pelo nosso aranhudo.

A segunda referência é o diálogo entre Naraku e Kanna, acho que vocês devem tê-lo achado familiar. Toda a cena foi retirada do episódio 69 do anime ("O terrível homem sem rosto"), exceto pelo pensamento final do Naraku ("Estou livre"). Como podem ver, a cronologia segue e o Musou dará o ar de sua graça no próximo capítulo ;)
Espero que tenham gostado (e sofrido como eu sofri para escrever :'( )!
Kissuuuuuus enormes para todos e até o próximo! 3