Oi, pessoal! Consegui vir mais cedo adiantar a fic aqui na plataforma.
Alexiz tutsi muito obrigada por não desistir da fic! Vou tentar deixá-la 100% atualizada o mais rápido o possível!
AVISO: cenas bastante quentes, a classificação não é M por acaso.
Espero que gostem, boa leitura!
Capítulo 37 - Consumação
Bankotsu caminhava sem pressa pelas trilhas da floresta, apesar de saber que sua missão era subir monte acima para enfrentar os inimigos de Naraku, o rapaz seguia direção oposta, ele se afastava. Os insetos venenosos do hanyou o seguiam e zuniam ao seu ouvido.
— Tá, eu já sei! — ele ralhou, abanando o braço e afastando as vespas de si — Eu só preciso de um instante e vou pra lá!
"Merda" — praguejou em pensamentos enquanto parava e olhava para os lados. Ao menos estava longe da barreira protetora e por isso se sentia mais disposto, isto é, fisicamente. Por dentro, Bankotsu se via transtornado. Lembrava-se dos últimos minutos divididos com uma mulher de traços exóticos, misturava-os a outro momento que viveram há algum tempo atrás. Foram duas vezes que ele a jogou contra uma árvore e quis devorá-la. Na primeira, ele teve certeza de que ela tentaria roubar seus fragmentos da Joia assim que encontrasse chance e por isso quis assustá-la, na segunda ela sequer tentou, mesmo havendo possibilidade, e a reação dele foi a mesma. O mercenário se preparara para aquela tentativa, ele até sabia que ela seria traiçoeira, que faria o possível para passá-lo para trás, e tudo o que Ailyn fez foi se afastar e desviar do olhar dele, se ele bobeasse ela simplesmente fugiria. — "Por quê?" — ele se perguntava, quase se esquecendo de que ela também possuía um caco da gema e ele nem pensou em furtá-la. Seria fácil, pois circundados por aquela barreira a aura dela estava limitada, e se fossem medir forças por porte físico, certamente Bankotsu a venceria. — "Perdi a chance" — lamentou, convencendo-se de que era pelo fragmento perdido e então vislumbrou-a toda na memória, desde o aspecto até o gosto do beijo dela e o cenho franziu.
Voltou a andar, dessa vez com pressa. A noite caía e as luzes de um grande vilarejo chamaram a atenção dele. Nada melhor para espairecer do que causar algum estrago, enfim. Por entre as árvores, observando alguns casebres e adiante uma pomposa casa de chá, o homem sorriu pernicioso. Bela distração ele arranjara!
"Ele está por perto" — Ailyn sentiu o coração estancar e pôs a mão sobre o peito, os fios negros enrolados em uma fita aqueceram dentro da roupa dela. Riu brevemente de si, do gelo nas veias e da tremedeira nas pernas, comparava-se a uma adolescente sonhadora e o riso acabava por ser temperado por um pouco de raiva. — "Annabelle fala de amor, de arrependimento, até parece!" — meneou a cabeça —"Estou atraída e curiosa, é só..." — um sorriso confiante coloriu-lhe a face — "Somos diferentes demais, o homem mal tem cultura!" — abanava a cabeça como se concordasse com os próprios pensamentos, tentando bobamente ignorar a admiração secreta que sentia por Bankotsu.
Para a irmã, Ailyn comentou a ambição por poder do mercenário a fazer pouco, chegou a adjetivar aquele comportamento como ridículo, todavia, internamente ela já se equiparara a ele em algumas ocasiões. O que os diferenciava eram simples e puramente os modos, ela tinha um pouco mais de pompa e certo nariz empinado. Ridicularizar Bankotsu era ridicularizar a si mesma e foi isso o que a escocesa acabou por fazer ao diminuí-lo. Porém, refletir sobre isso causava uma dor de cabeça enjoada e ela preferia continuar crendo que só o procurava para saciar o desejo. A passos largos, ansiosa, a Rosa Vermelha olhou de cima de um monte de terra e grama um vilarejo coberto por fumaça.
Por ter andado algum tempo ao lado do Exército dos Sete, a irmã de Annabelle sabia bem quem era o causador da bagunça e revirou os olhos, levemente irritada. Os fios da franja dele brilhavam dentro do decote do corpete, seria tão mais simples se ela tivesse optado por abrir um de seus portais e se materializasse exatamente onde o guerreiro estava, ainda assim uma parte dela persistia em adiar o encontro até onde pudesse.
"Ele não deveria estar a subir aquele maldito monte?" — perguntou-se, conforme seu corpo pairava graciosamente sobre o chão e ela caminhava por entre as pequenas casas, passando por cima de corpos ensanguentados, largados pela areia escura. A única construção iluminada por luzes de velas era o casarão atrás, música soava de lá. Ailyn, desconfiada, estreitou os olhos e apressou-se a subir a escadaria da frente, abriu as portas avermelhadas com cuidado, olhou para os lados e avistou várias mulheres jogadas pelo piso, o sangue delas pintava a madeira. Uma vez mais, a estrangeira rolou os olhos de cima abaixo, suspirou e depois riu discretamente. Não se importava nem um pouco com aquela sede de sangue dele, preocupava-se mais com a integridade de seu caro vestido, por isso levantou as saias na altura das canelas para que o tecido sedoso não esbarrasse nos cadáveres.
Os ouvidos dela seguiram a música, por trás de uma porta Ailyn foi espiar e num repente seu sangue esquentou dentro das veias. Bankotsu estava quase deitado sobre o futon, o sorriso lustroso à face dele denunciava o quanto ele se divertia. Próxima a uma parede, uma gueixa apavorada tentava conter a tremedeira para não tocar nenhuma nota errada num instrumento que a europeia nunca vira na vida. Ao lado do aliado de Naraku, outra engolia seco enquanto terminava de desatar o laço que prendia o peitoral dele, última peça de armadura que ainda o adornava.
"Cafajeste!" — depois de respirar fundo, a loura furiosa empurrou a porta com tudo, fazendo-a atritar-se fortemente no batente e balançar, as mocinhas já assustadas, gritaram lá dentro e Bankotsu esticou o braço para perto de sua Banryu, acomodada ao seu lado. Quando os dedos quase tocavam o cabo da colossal alabarda, o guerreiro observou-a entrar enfurecida e seus olhos arregalaram, o sorriso, contudo, diminuiu e a mão dele pousou sobre um joelho.
A gueixa que tocava a lira não precisou ouvir uma palavra de Ailyn para sair correndo desvairada, o lume esverdeado ao redor daquela criatura estranha foi suficiente para fazê-la alcançar o ápice do desespero. Porém, a mocinha ao lado do rapaz paralisou de terror.
— U-uma youkai! — sussurrou, o corpo levemente encolhido e a tremer. Bankotsu soltou um breve riso.
— Saia daqui. — numa frieza esquisita, Ailyn ordenou à gueixa mais nova.
A menina não conseguiu sair do lugar. Então, os dedos da bruxa agarraram-se aos seus cabelos e a obrigaram a se erguer, ela gritou de dor, e os olhos de céu sequer a miraram, cravavam-se na figura do assassino que confortavelmente cruzava as pernas e apoiava os cotovelos sobre elas, divertindo-se.
— Saia antes que eu sugue a sua alma, a sua juventude e seu corpo caia seco aqui mesmo! — enfim, a dona dos cabelos d'ouro esbravejou e as turquesas recaíram sobre ela. Os olhos da pobrezinha rolavam de um lado para o outro, ora fitando o saqueador, ora contemplando o ser desconhecido a causar-lhe ardência na cabeça, sem saber a quem temia mais.
Bankotsu chacoalhou os ombros como se não se importasse, e esse gesto fez a gueixa encontrar um fio de coragem para se libertar do toque e correr desajeitada, se esbarrando nas paredes e quase a cair ao fazer a curva do corredor. Assim que a menina saíu, o líder do exército riu de se acabar.
— Você não deveria estar subindo aquela porcaria de monte?! — aos berros, Ailyn perguntou e prosseguiu histérica: —Tomara que Naraku arranque o seu couro, mulherengo de uma figa!
— Tá com ciúmes? Que gracinha! — tranquilo, ele levantou, ajeitando a gola do quimono branco.
De repente, o som de um estalo ecoou pelo quarto e Bankotsu sentiu uma bochecha arder. Acontecera tão rápido que ele demorou alguns segundos para entender – recebeu um tapa. A mão dela cobriu o lado direito de seu rosto e acertou-o forte o suficiente para fazer sua cabeça virar. Sério, ele afagou a pele ardida e encarou a sua agressora com fogo no olhar.
— Cafajeste, safado, ordinário... — Ailyn começou a enumerar ofensas num rosnado já não tão alto. Eis que a outra mão dele cativou o pescoço dela e o apertou, inibindo sua voz. Depois, sem qualquer esforço ele a jogou contra a parede, ainda a estrangulá-la, os orbes escuros fixos nos dela.— Solte-me! — a exigência saiu em um sussurro entrecortado, as unhas dela arranharam a mão dele, os punhos esmurraram o braço, amassando a clara manga da roupa do sujeito.
— Você não é minha dona, ouviu? — disse, grave, a ponta do nariz a arrastar-se sobre o dela, o ar a escapar denso misturando-se com o pouco que ela conseguia expirar. — Me bate outra vez que eu te mostro uma coisa... — os dedos desapertaram-na aos poucos e ela tossiu, as mãos apoiaram-se à parede e ela jogou a cabeça para a frente, tonta.
Quando recuperou o oxigênio e a tontura passou, Ailyn tornou a olhá-lo e começou a rir, a gargalhar. Bankotsu, ereto onde estava arqueou uma das sobrancelhas.
— Do que é que você tá rindo? — irritado, deu um passo a frente e perguntou.
— Não é óbvio? — ainda ofegante, massageava o pescoço marcado pelo toque dele — De você! — o viu fechar as mãos, sabia que o desatinava — Acha mesmo que eu tenho medo de você? — riu mais ainda, soluçava de tanto rir, depois, para provar-se desafiadora, impulsionou-se na direção dele, tocou as suas mãos no peito firme e o empurrou, não uma, mas várias vezes — Vai, mostra do que você é capaz, garanhão! — mesmo que ainda risse, era evidente que a raiva não se dissipara, bem como a amargura. Ailyn chegou a provocar um arranhão na pele dele, e dessa vez foi o rosto dela que ardeu, o impacto foi tamanho que ela caiu sentada no chão, o cabelo todo desarrumado, caído sobre os olhos. — Você... me bateu?! — ele não precisaria responder, a mão ainda erguida falou por si só. Como ela, Bankotsu também estava vermelho de raiva.
— Por que, quer mais? — se ela sabia falar alto, ele sabia mais ainda.
Num pulo, a escocesa se levantou e envolvida pela névoa escura, direcionou suas almas atormentadas a ele, as palmas apontando-o como um alvo. Em largos passos, o rapaz alcançou a grande alabarda e começou a cortar aquelas coisas com a lâmina. Tênue lume avermelhado formava-se ao redor do gládio. Embora não se pudesse derrotar espíritos com uma arma desse mundo, até as formas conseguirem se recompor, em um único pulo Bankotsu estava diante de Ailyn novamente e suas mãos agarraram os pulsos dela. Normalmente, coisa assim não a desconcentraria, no entanto ao ser puxada de encontro a ele, a fumaça a contorná-la se desfez, bem como suas sombras e seu corpo foi jogado contra o futon como se pesasse o mesmo que uma pluma. O mercenário se atirou por cima, prendendo as pernas moventes entre as dele, e as mãos dela dentro de seus dedos firmes e impetuosos. Os gritos de protesto da mulher não o intimidaram, ele sequer piscava.
— Se acha tão melhor do que eu, né? — arrefecido falou por cima dos berros dela, sem nem mesmo balançar, ainda que o corpo abaixo do seu sacudisse freneticamente — Sempre com esse nariz em pé, cheia de "não me toques", mas doidinha pra que eu dê um jeito em você. — ele sorria? Como, se os olhos dele pareciam furiosos? Ailyn fingiu não dar a mínima, até porque, o orgulho falava mais alto.
— Vá para o inferno! — gritou, o corpo a atritar-se com o dele, empurrando-o para cima e ele caindo de volta, prensando-a mais ainda contra o leito.
— O que é? Você acha que pode me descartar feito lixo e que a minha vida não vai seguir, você acha que eu vou ficar esperando por você e não vou me divertir com ninguém? — riu com gosto — Eu não sou o seu brinquedinho, vadia.
— Eu não estou nem aí para você, morto-vivo!
— Então por que veio atrás de mim, hein? — e a raiva, tão clara na voz dele e mesmo no riso até a pouco, sumiu. Foi substituída por algum tipo de curiosidade.
— Está ficando louco? — ela tentou fazer pouco dele, contudo o nervosismo a fazia suar e ofegar, tirando-lhe qualquer pretensão de parecer segura.
Bankotsu esticou os braços dela e persistiu a segurar seus punhos com a força de apenas uma mão, a outra se enfiou pelo decote dela sem aviso e puxou os cabelos guardados lá. De algum modo, o rapaz compreendera como ela seguiu seu rastro, provando-se mais esperto do que parecia. As pernas pararam de sacudir e os dedos das mãos dela abriram-se. Os lábios vermelhos contorceram, bem como a língua à procura de alguma resposta, nada veio. Ela virou o rosto, envergonhada de si, desentendida das próprias atitudes. Sentia-se derrotada e odiava-se por se permitir cair numa armadilha daquelas. Para que fora ouvir Annabelle?
Sentiu um arrepio, o nariz e a boca dele esfregaram-se em seu pescoço, e depois no seu rosto, surrupiando-lhe um suspiro.
— Você não veio até aqui pra nada, eu tô errado? — sussurrou ao pé do ouvido dela, por fim lambeu a cartilagem sensível e dessa vez arrancou-lhe um gemido. Ailyn mordeu o lábio inferior e cerrou os olhos. — Por que não para de bancar a difícil e se diverte? — passou a mão pela barriga dela, arrastando os dedos por baixo das fitas pretas que sustentavam o corpete, subindo-os pela seda até alcançar um seio e apalpá-lo, amassando o tecido que o cobria. — Você quer, eu quero.
— Não venha com papinho furado para cima de mim. — sibilou e virou o rosto de volta, a boca esbarrou na dele.
— Não estou te prometendo nada, ora. — sorriu e mordiscou os lábios dela — Só estou dizendo pra se divertir.
— Será que você dá conta? — ah, a pompa dela deu as caras outra vez. Ailyn o desafiou em tom sedutor, inclinando o rosto, aproximando-o mais ainda do dele. — Ou pensa que sou como aquelas duas putinhas que se impressionam com qualquer coisa?
— Ah, eu tenho certeza de que você deve ser muito mais interessante! — o guerreiro, risonho, inclinou o ventre para baixo, roçando o volume palpitante por cima da saia dela.
— Querido, você não imagina o quanto... — um sorriso obscuro se formou nos lábios que até então riam de nervoso. A pedra esverdeada do anel cintilou vívida, em seguida Bankotsu perdeu o controle do próprio corpo. Uma força invisível o jogou contra uma parede e o colou lá, os braços e as pernas tentaram se soltar e não saíram do lugar.
— Ei, que merda é essa? — questionou aborrecido enquanto a ocidental se levantava calmamente.
— Você se comportou muito, muito mal... — de braços cruzados, desfilou até ele, a voz suave e arrastada.
— Me tira daqui, ou... — iniciou uma ameaça entredentes, encerrada num gemido tão espontâneo que o desconcertou. A mão dela segurou-lhe o sexo com firmeza, apalpando-o ainda por cima das calças. — O que você tá fazendo?! — controlando os sons que queriam escapar da garganta, perguntou estremecido.
— Homens como você acreditam que ter relações com uma mulher é simplesmente montá-la, desbravá-la, e acabou-se. — dizia casualmente enquanto desamarrava a faixa do traje dele, abria a parte de cima de sua roupa, descia-lhe as calças numa vagareza torturante, ajoelhando-se em frente a ele. Por último, ela tirou as luvas negras devagar e as lançou longe, intrigando-o mais — Acham-se os dominadores de todas as situações... — a língua dela circulou o umbigo dele, fazendo-o encolher a barriga em resposta — Hmm... — Ailyn ergueu uma sobrancelha ao dar de encontro com o falo ereto diante de seu rosto — Maior do que eu me lembrava!
— Pensou que fosse pequeno?! — a face dele ardeu em vermelhidão. Mexer com o orgulho dele daquela forma era perigoso, por isso, antes que o rapaz pudesse estourar de raiva e de repente conseguisse se soltar, a escocesa segurou-lhe o membro com cuidado e circundou a glande inchada com a língua sedenta. Ao ouvi-lo gemer e prolongar o ruído um pouco mais animado, sugou a pele rosada e quente, metendo o ápice do sexo dele para dentro da boca e apertando-o entre os lábios.
Para ela, era óbvio que era a primeira vez que alguém o "beijava" ali. Bankotsu inclinara o rosto para cima e roçava os dentes no lábio inferior, repuxando-o. Seus músculos, endurecidos, ressaltavam, a pele estava visivelmente arrepiada.
Motivada pelas reações dele, Ailyn prosseguiu e a mão que somente segurava o mastro firme, começou a subir e descer, apalpando a pele sensível, e em sincronia a esses movimentos, ela o acolhia ainda mais dentro da boca, a enrolar a língua ao redor dele numa espécie de massagem sensual. Sentiu o gosto salgado, sabia ser do líquido translúcido a respingar no palato, ele estava quase no ponto. Era hora de aumentar a velocidade das sucções, bem como do toque. Assim o fez, trouxe-o até a goela várias vezes, prensando-o entre o céu da boca e a língua encharcada.
A respiração dele acelerou, em meio aos grunhidos ele pronunciava tantas palavras de baixo calão que ela mal poderia enumerar, Ailyn quase ria, no entanto continha-se para não interromper o ato, queria vê-lo louco e estava conseguindo. Logo após o corpo dele irromper em tremores, a boca dela foi preenchida pela clara semente, tamanha foi a quantidade que parte escorreu pelos cantos dos lábios da forasteira. Ofegante, Bankotsu baixou a cabeça, a franja a cobrir-lhe os olhos e o suor a respingar das pontas dos fios.
Cuidadosa, a irmã de Annabelle desatou a boca do falo aos poucos, ainda ajoelhada ela se limpou com o dorso de uma mão.
— Isso foi um castigo? — entre suspiros, Bankotsu murmurou.
— Um ensinamento. — ela se pôs de pé, apontou a mão a ele e num repente o corpo do guerreiro caiu de pé, cambaleante.
Vagaroso, ergueu o rosto e a encarou, notando-a olhá-lo de cima abaixo sem disfarçar o desejo. Os olhos dela piscaram algumas vezes, o peito subiu e desceu num profundo resfolgar. Ailyn atentava-se a cada detalhe nele: a pele morena amostra, somente os braços ainda cobertos pelas mangas esbranquiçadas, queria devorá-lo.
Desavergonhada, a bruxa chegou perto e arrastou os dedos pela barriga definida sem pedir licença, subindo-os ao peito. Ele, por sua vez, emaranhou a mão por baixo dos cachos dourados à nuca dela e esfregou os lábios sobre aqueles pintados de vermelho. As línguas se cutucaram primeiro para em seguida se abraçarem, e ela num impulso desinibido pulou nos braços dele, abraçando-o entre as pernas.
As mãos de Bankotsu espalmaram as nádegas dela, subindo as pesadas camadas da saia na altura das coxas. Ela não vestia uma roupa de baixo sequer, surpreendendo-o.
— Você veio preparada né, safadinha? — sussurrou entre o ouvido e o pescoço dela, encostando-a na parede. — Tira isso, vai! — ordenou, apressando-a a desamarrar as fitas do espartilho vermelho e ao notar que ela se demorava de propósito, resolveu ajudá-la e arrancou os fios. Feito isso, com a mesma urgência puxou a seda negra para baixo, último pano que cobria o busto dela, e desnudou os seios fartos e perfeitamente redondos — Como você é linda! — o elogio escapou, os globos dele brilharam encantados, percorrendo a palidez, tornando a encarar as turquesas e o sorriso meio parvo, ela parecia lisonjeada. No entanto, delicadeza não era um traço dele. Logo, Bankotsu tomava um dos pomos na mão bruta e começava a sugar e lamber o mamilo róseo com furor.
Ailyn cravou os dedos ao topo da cabeça dele, a puxar-lhe os cabelos negros e dessa vez era a voz dela que ressoava desesperadamente prazerosa. A língua dele demarcou todo um monte arredondado e depois começou a lambuzar o outro, o rosto dele se afundava ali e o coração dela vibrava alto, ouvir os batuques o incentivava a prosseguir, bem como reanimava a haste entre suas pernas.
Ela o espremeu entre as dela, induzindo-o a inclinar-se adiante e então o falo pulsante esbarrou-se na porta úmida. Os dois tremeram juntos.
— Eu quero você. — embora sibilasse, soava autoritária — Eu quero você agora!
Um riso dele se abafou no monte arrepiado dela, o mercenário inclinou os quadris para a frente e cumpriu a ordem, enfiou-se pela brecha escorregadia e entorpeceu-se com os apertões que levou dos grandes lábios esfomeados.
— Bankotsu! — clamou pelo nome entre gemidos lamentosos, arranhou as costas dele com uma das mãos enquanto a outra jazia atada à cabeça dele, afagando-lhe as madeixas aveludadas.
Ouvir seu nome derreter-se na garganta dela o endoideceu, a mão que prensava o seio segurou o queixo da mulher e os dedos a apertarem-lhe o maxilar não permitiram a boca se fechar, assim, ele a beijou cheio de vontade conforme se empurrava para dentro com volúpia, e as costas dela batiam-se na parede causando barulhos. Eles não se importaram. Mantiveram o embalo passional e veloz até ele se desfazer em gozo dentro dela, com a boca colada ao ombro encolhido.
Enfim, as pernas dela desataram o nó ao redor dele e seus pés – ainda cobertos por botas negras – reencontraram o chão.
— Isso foi... — ela diria.
— Tá achando que acabou? — segurou o rosto dela e mordiscou uma bochecha — Deita ali. — apontou o futon.
— O quê? — perguntou entre risos.
— Vai, deita. — insistiu com seriedade.
Ailyn não refutou, sorriu e mesmo confusa foi até o pequeno leito, descalçou as botas e esparramou-se sobre a seda branca.
— E aí? — balançou as pernas.
— Acaba de tirar isso, eu quero te ver inteira. — se abaixou em frente a ela, um joelho a tocar o piso lustroso.
Ainda instigada, a ocidental desceu as mangas fartas, depois a longa saia e pouco a pouco revelou cada centímetro de suas curvas, sem preocupar-se ou pensar em se esconder. Mostrou-se toda para ele. Bankotsu respirou devagar, passando os olhos por cada parte desvelada. As mãos que já derramaram tanto sangue, e sem culpa, cobriram os joelhos dela e fizeram com que as pernas se abrissem, de modo que ele pudesse contemplar cada pequeno trecho da feminilidade dela.
Cheia de expectativa, Ailyn o encarou sem uma piscadela e escancarou mais ainda a sua entrada. O guerreiro a fitou dentro dos olhos, sem risos, sem desafios, e voltou a fixar-se naquela coisinha curiosa, como se procurasse entender como funcionava.
— Aqui. — calma, Ailyn tocou o indicador sobre o botão rosado e o afagou, então esticou o dedo até próximo da entrada e o deslisou de volta a aquele pequeno ponto de imenso deleite. Arfou levemente ao tocar-se e o sentiu pressionar os dedos em suas coxas — Quer tentar?
O homem lambeu os beiços, inclinou-se para baixo, aproximou o rosto da abertura causando nova surpresa na moça e afagou o clitóris entumescido com a língua. Ah, ele era um aprendiz ligeiro! A Rosa Vermelha deitou a cabeça sobre o leito e o apertou entre as mãos. Exatamente como ela fizera com o dedo, Bankotsu reproduzia o percurso com a língua e com os lábios, marcando-a de saliva. As palmas dele percorriam as pernas dela e subiam-lhe a lateral do corpo, enquanto dentro daquele beijo ele circulava o clitóris, o apalpava e vez ou outra adentrava a fenda e a contornava por dentro. Rapidamente, as articulações feminis moveram-se por conta própria, em espasmos alucinantes e a voz dela, aguda, ressoou por cada canto.
Ungido pelos fluidos do orgasmo da jovem, Bankotsu engatinhou por cima da ocidental e jogou-se dentro dela mais uma vez, provando-se capaz de causar ainda mais surpresas. Ele era insaciável, bem como ela.
Atracaram-se novamente, os corpos totalmente nus e suados a esfregarem-se dentro da intensa movimentação. As mãos dela alisaram aquela pele morena e suave, cheia de vida, prensaram as nádegas empinadas empurrando-o ainda mais para dentro de si e ele, em resposta, apertava-lhe os seios, estapeava-lhe os quadris e devorava o pescoço, mordiscando o queixo antes de tornar a beijá-la lúbrico.
Não satisfeitos em se provarem de um único modo, os corpos rolavam um sobre o outro, alternando-se o dominante e o dominado, deixando claro que aquele embate entre forças estava longe de encontrar o seu fim.
Sem que percebessem, as horas foram passando e eles não se cansavam de encharcarem-se um no outro, até que o suor os melasse a ponto de os cabelos grudarem de tão molhados. Ofegantes e já exauridos, após inúmeras vezes atingirem o ápice e finalmente conhecerem o corpo um do outro em detalhes, deitaram juntos. Bankotsu de barriga para cima, e ela sobre ele, o queixo apoiado no peito ansioso do valente soldado de Naraku.
Os dedos dela, agora serenos, contornavam o desenho daquele peitoral bem talhado e sentiam a textura, embora rígida, brindada por certa suavidade. A pele dele estava quente, úmida, como a de um homem comum estaria depois de uma maratona daquelas. A respiração do rapaz chiava lenta, arrastada... Ailyn suspirou e deitou o rosto sobre aquele peito, enfim ouviu o coração dele a bater com força.
— O que foi? — Bankotsu perguntou, sua mão a afagar a cabeça dela com tamanho cuidado que até mesmo ele se assustou com o gesto, mas a vontade de aninhá-la fora maior do que qualquer outro ímpeto.
— Estou com uma sensação estranha. — confessou, acomodando-se por cima dele, afundando a maçã morna ainda mais sobre ele no intuito de ouvir seus batimentos com maior detalhe — É besteira.
— Fala. — mirando a parede do outro lado do quarto, persistiu a enrolar os dedos nos cabelos dela.
— O que aconteceu conosco? — mudou de assunto, contudo mencionou algo que também a aturdia.
— Como assim? — cessou as carícias e a fitou.
— Pare de me responder com perguntas, sabe bem do que estou falando! — bronqueou e elevou o rosto, encarando-o apoquentada. — O que aconteceu aqui foi só uma transa como qualquer outra? — e perguntou diretamente, sem pudor algum.
— Caramba! — os olhos dele se expandiram levemente e um sorriso embaraçado o contagiou. Bankotsu coçou o canto da cabeça e logo a seguir respondeu à sua maneira: — Com certeza não foi como qualquer outra que já tive.
— Significou alguma coisa para você? — embora as expectativas contaminassem o seu interior, Ailyn não esboçou mudança alguma nas feições. O riso dele se fechou em um traço e o guerreiro a conduziu a sentar. Silenciosa, ela o deixou guiá-la e o observou sentar-se de frente para si, as pernas esticadas ao redor do corpo pálido e encolhido. Os orbes claros não se desviaram dos dele nem por um segundo.
— Escuta uma coisa, — respirou fundo antes de dizer, seguidamente segurou o rosto dela com as mãos — o que eu sempre gostei de fazer, o que sempre deu sentido pra minha vida, foi matar. — ela não se moveu, porém baixou o olhar visivelmente desapontado — Mas mesmo matando mais de mil homens e mesmo que eu mate mais de mil youkais, eu duvido que qualquer coisa me faça sentir mais vivo do que essa noite que passei com você, Eirin. — e ele sequer piscou, vidrado nela. A declaração de Bankotsu a abalou por completo. Tornou a encará-lo com os olhos a tremeluzir e nenhum som a emitir pela boca. Suas mãos pousaram sobre as dele e, repentinamente, um sorriso adocicado deu um colorido novo a ela.
"Ele disse o meu nome..." — comovida, conteve o nó a se formar na garganta e tentou manter o calor dentro de si em segredo — "Todo errado, mas disse!" — riu por dentro.
— Você sabe ser insuportável, — o rapaz prosseguiu — e sabe ser irresistível quando quer.
Ela o abraçou de súbito, mesmo querendo ralhar por ele a ter criticado depois de um discurso apaixonante.
— A sua irmã não se compara a você. — ele finalizou, e sem perceber acertou-a no ponto que mais doía. Ailyn nunca pensou que viveria para testemunhar alguém se atentar mais a ela do que a Annabelle. Se até ali conseguira proteger qualquer pedaço de seu âmago do sentimento que teimava por crescer, o escudo se partiu. Bankotsu sentiu algo gotejar em seu ombro. Afastou-se e a olhou novamente, viu-a esfregar o indicador no canto de um dos olhos — Tá chorando? — o mercenário deu umas piscadelas.
— Claro que não! — retomou a postura altiva — Foi só uma coceira no olho.
— Sei... — ele estreitou o olhar — Tudo bem você gostar de mim, mas também não precisa chorar né?
— Ora! Está metido demais, segure esse ego! — com o rosto em brasa, começaria a esbravejar e o sermão não teria mais fim, por isso Bankotsu atou a boca à dela e a calou com um beijo quase místico pelo efeito que causou. Em um passe de mágica, a europeia pareceu ter esquecido que começaria uma briga e se rendeu. Após minutos de tanta provadura, apartaram os lábios e selaram os narizes.
— Não confie em Naraku. — dessa vez, ela falou sem medo — Aquele demônio só está usando você, quando você atingir o objetivo ele não pensará duas vezes antes de arrancar seus fragmentos e mandá-lo de volta para o mundo dos mortos.
— Hum. — e no presente, pelo jeito que ele a olhava e pelo fato de não contra-argumentar, Bankotsu parecia acreditar em suas palavras.
— Mantenha-se atento, sempre. — tocou-lhe os ombros e afagou o pescoço que resguardava o sopro precioso de vida — Às vezes você confia demais nos seus companheiros, tome cuidado. Eu não vou com a cara daquele Renkotsu, por exemplo...
— Eu sei me cuidar. — puxou-a para perto e se jogou com ela sobre a cama.
— Eu sei, mas... — continuaria a dar conselhos, já que sugerir uma fuga estava fora de cogitação. Naraku os acompanharia até o fim do mundo se fosse necessário.
— Dorme comigo? — o jeito de menino dele domou aquele coração selvagem. Cuidadoso, Bankotsu a virou de costas para ele, a contornou com um braço e encaixou o corpo ao dela, o rosto repousou entre o ombro e o pescoço da ocidental. — Assim, ótimo! — ele parecia tão confiante e tão revigorado, seria um pecado tirar-lhe os alicerces, um guerreiro precisaria se manter seguro de si se quisesse sair vitorioso do Monte Hakurei.
Ailyn fechou os olhos devagar enquanto acarinhava o braço robusto que a acolhia. Quando suas pálpebras reabriram, a luz solar adentrava amena pelas grandes janelas e o canto dos pássaros ecoava de longe, Bankotsu ainda dormia.
Logo, os assovios melodiosos misturaram-se com os zunidos angustiantes daqueles odiosos insetos espiões. Entre um suspiro e outro, a irmã de Annabelle se viu obrigada a sacudir o líder do Exército dos Sete pelo ombro, fazendo-o despertar em instantes.
— Você deve ir agora. — aconselhou um pouco abatida. — Ele nos observa.
Bankotsu também ouviu as abelhas demoníacas e não pôde reclamar, tinha um trato a cumprir e mesmo um assassino de aluguel como ele tinha alguma honra a zelar. Além do mais, seus irmãos com certeza estariam do outro lado da barreira esperando por seus comandos.
Sem muitos dizeres, os dois levantaram e, de costas um para o outro, vestiram seus trajes. Assim que o viu pegar a alabarda e começar a carregá-la às costas, enfim a Rosa Vermelha ficou diante dele e segurou-se no peitoral da armadura.
— Volte vivo daquele monte, você tem o dever de voltar vivo. Está me entendendo? — altiva, cobrou-o. Ainda que o tom dela fosse autoritário, a afeição a derramar-se de seus olhos não permitiu que Bankotsu se zangasse, pelo contrário, ele sorriu agradecido.
— Eu prometo. — acarinhou o queixo dela com o polegar e virar-se-ia em direção a saída, no entanto a mão dela agarrou a gola de se sua roupa e o puxou de volta. Ailyn beijou-o com tanta veemência que o desorientou. Os insetos zuniram mais alto, era o momento de separarem-se. Bankotsu deu um passo atrás e o corpo dela pendeu para frente, ainda a necessitar do dele, todavia, a partida era inevitável e compreendendo isso, a dona dos cachos dourados desentrelaçou os longos cílios e, a segurar o braço dele caminhou pelos corredores, não mais se importando com a condição do vestido ao entrar em contato com os restos mortais pela trilha. Saiu junto com ele da grande construção, acompanhando-o pelos destroços, atravessando o resquício de fumaça e parando a jornada apenas quando estavam de frente para a floresta.
— Aqui nossos caminhos se separam, — ele anunciou — por enquanto. — enfatizou.
— Não se atreva a morrer lá. — afastando-se aos poucos e pousando as mãos sobre o ventre, o alertou.
— Eu sou um sobrevivente! — com um largo sorriso e um semblante resoluto, declarou. Então, acenou com o braço livre e tornou a marchar rumo à sua missão — Até mais! — disse antes de sumir por entre as árvores.
Ailyn o assistiu desaparecer no meio do verde e sentiu um grande vazio dentro de si, aliado a tamanho medo que não caberia a ela descrever.
— Muito bem, Shinrinko! — Himawari a elogiou ao fim de um duelo entre dois bastões, os meses de treinamento surtiram efeito e os reflexos da moça ruiva se aprimoraram. Ela conseguia se abaixar e saltar com destreza, além de girar o cajado de madeira com graça, defendia-se de ataques e atacava, quando era o caso.
— Obrigada, pensei que eu nunca fosse conseguir! — sorridente, limpou o suor da testa e cravou sua arma improvisada na grama. Ali perto, Motoko e Yoru aplaudiam. — Agora estou apta a defender todos vocês... — Annabelle comentou e deu outro giro no pedaço de madeira lapidada.
— Até parece que você precisa disso para nos proteger! — A irmã mais velha de Yoru riu com gosto e chegou perto — Mas essas tardes de treinos têm sido divertidas! — cutucou-a com um cotovelo.
— Sim... — a hóspede resfolgou, parecia contente, ainda que seus olhos algumas vezes dessem a impressão de estarem perdidos.
— Agora vamos, senhorita Shinrinko, você me prometeu! — a pequenina que a acompanhava com frequência puxou sua manga.
— Não me esqueci, pequena Yoru. — passou a mão no topo da cabeça da criança e deu-lhe a mão. Após um breve aceno às outras amigas, caminhou com a garotinha para dentro da mata e juntas sentaram-se em frente a um córrego que descia do monte e perpassava aqueles bosques. — Feche os olhos. — Annabelle pediu, a pequenina obedeceu de imediado e pousou as mãozinhas sobre as pernas — Agora respire fundo e concentre-se bem... — mais uma orientação fora indiscutivelmente seguida.
Fazia algum tempo que Anna aproveitava as horas na companhia da menina para ensiná-la algumas coisas sobre os poderes de berço. Embora os de Yoru fossem de uma distinta procedência, acabava por as auras de ambas assemelharem-se em grau de pureza. Em alguns instantes, quando a pupila já se encontrava relaxada, tênue luz a envolvia e ela escutava a natureza com profundidade, assim como se escutava. Em poucos dias, ela já se superara bastante, conseguira curar feridas de animais da floresta, e até mesmo um ralado no joelho de Motoko. Às vezes, em parceria com Annabelle, conseguia criar um campo de proteção ao redor de si. As duas descobriram um meio de dividirem as energias, elas uniam as palmas das mãos e repetiam uma prece desconhecida para Yoru. A bolha azulada se formava e crescia aos poucos, então Belle se afastava e a aprendiz se via solitária a controlar a cúpula de defesa. Pouco a pouco, Yoru aguentava mais tempo.
— Você será uma sacerdotisa incrível quando for adulta. — a escocesa afirmou sem demonstrar qualquer dúvida.
— Graças a sua ajuda, senhorita Shinrinko. — com as maçãs ruborizadas, sorriu acanhada.
— Eu só mostrei alguns caminhos, a melhor pessoa para orientá-la seria uma conhecida minha. — tocou-lhe o ombro e pensou: "Kikyou... obrigada por me mostrar o mapa desse lugar, por me fazer conhecer essas pessoas" — suspirou — "Mesmo que eu parta qualquer dia, tudo que vivi com eles foi precioso para mim".
— A senhorita é tão forte... — a criança comentou admirada, retomando a atenção dela.
— Que nada, pequena Yoru. — meneou a cabeça a sorrir com serenidade.
— É sim, eu a observo todos os dias, com minha irmã, com Motoko, com a senhora Keiko, com os outros aldeões, você se doa completamente, mesmo que ainda sinta tristeza dentro do coração.
— Tristeza? Por que eu me sentiria triste aqui com vocês? — a abraçou de lado — Não fale bobagens, pequenina. Estou muito bem.
— Sei que não é triste por nossa causa, essa tristeza a acompanha desde antes de chegar aqui. Acho que é por causa do moço que levou sua lua embora. — acomodou-se no colo dela e afagou um dos bordados azuis da saia. — Acho que você gosta dele.
— Você está enganada, até já havia me esquecido dele. — a voz soou um pouco grave, mesmo que a mão afável afagasse as lisas madeixas negras da menina — Vamos, está ficando tarde.
— Se Shinrinko não quer conversar sobre isso, eu respeito, mas Shinrinko nunca esqueça de que Yoru sempre estará ao seu lado para o que der e vier. — conforme andava ao lado dela, falava amigavelmente. Annabelle a pegou no colo e a levou consigo de volta ao lar temporário.
Mais um dia se passara, e a noite caía calma como todas as outras, dormir era um martírio, porém. A Rosa Branca buscava lembrar das experiências recentes, pensava nas pessoas que a acolhiam, nas flores rosadas que contornavam as casas e no majestoso monte além da neblina, assim, tirava o foco de um passado melancólico e convencia-se aproveitar o presente. O sono a aplacava, os sonhos vinham incontroláveis para recordá-la de que não se pode apagar o que passou com facilidade, no entanto a forasteira já despertava com um sorriso no rosto, pois tinha um voto consigo mesma de que, de modo algum, envolveria os nobres vizinhos nos dramas de sua vida.
A rotina prosseguia estável, sob o sol ela colhia frutas e verduras, treinava com Himawari, passeava com Yoru, a ensinava a lidar com seu poder e a orientava a curar as doenças dos mais velhos, no fim da tarde tocava a lira feita pelas mãos de Motoko, cantava e dançava com ela e com as crianças, até ensinava sua língua materna e aqueles pequeninos muito astutos já conseguiam formar frases, por fim, jantava com a anciã Keiko que a recebia em sua casa e lhe contava histórias antigas, preenchidas pelo folclore local, sobre youkais, pessoas comuns, e principalmente sobre um monge santificado chamado Hakushin.
Dormia outra, vez, e os dias nesse andar pacífico e acolhedor aos poucos se tornaram meses, a paz só fora levemente perturbada quando sua irmã a procurou e ainda assim o encontro rendeu bons frutos, depois o ciclo voltou a se cumprir do modo que vinha se fazendo, até que em uma tarde que parecia como outra qualquer, Annabelle estava sentada com Yoru no topo da árvore mais alta do bosque a contemplar o monte e sentiu uma pulsação esquisita vir de lá.
— Shinrinko, o que você tem? — a menina a viu espalmar a mão ao busto e notou um lume rosado por dentro do peito dela.
— Temos que sair daqui, depressa! — pegou-a nos braços, contornou-se de luz branca e se direcionou ao vilarejo. Assim que seus pés tocaram a terra, o céu ao redor irrompeu em raios e a película transparente que envolvia toda a região começou a se desfazer em partículas, como vidro.
— A barreira! — a anciã gritou de dentro do casebre.
— Não é possível! — um senhor de idade se exasperou, e seu temor contagiou todos os outros como se uma onda fosse.
O firmamento, dantes tão colorido e claro não tardou a escurecer e assumir uma cor muito conhecida para Annabelle, púrpura intenso. A névoa ebúrnea que contornava os bosques desvaneceu gradativamente, dando espaço a uma bruma escura. O grande monte, dantes adornado por uma bela vegetação foi assumindo tons de marrom e as plantas que o enfeitavam morreram, tornaram-se pó. O coração de Annabelle, a essa altura já batia tão rápido que a fazia tremer da cabeça aos pés. Yoru a chamou vezes seguidas, sua audição demorou a captar a voz da pequena. Ofegante, ela olhou para os lados, podia ouvir os rugidos das criaturas que saíam do topo da montanha e se direcionavam ao vilarejo desprotegido. Ao passar a mão pelo pescoço, compreendeu que a horda colorida de youkais viria atrás dela, já que sua aura emanava incontida, sem qualquer apetrecho para camuflá-la, assim teve uma ideia – a única possível.
— Esse lugar já não é seguro! — anunciou a todos — Fujam daqui, já!
— Mas Shinrinko, e você? — Yoru abraçou-se às pernas dela desesperadamente.
— Me escute, pequenina! — ajoelhou-se diante dela e segurou suas mãos — Lembra daquilo que eu te ensinei?
— Hã? — amedrontada, não conseguiu identificar de pronto o assunto referido por Annabelle.
— Você vai se esconder com todo mundo e guardá-los dentro de um campo de força enquanto eu distraio aqueles youkais, me entendeu? — olhou-a dentro dos olhos e segurou o seu rosto.
— Você não pode enfrentá-los sozinha! — quase aos berros, agarrou os braços dela.
— Posso sim! — sorriu arfante — Confie em mim, agora corram para longe, para bem longe daqui!
— Não! — as lágrimas começaram a rolar espessas dos olhos acinzentados.
— Himawari... — Annabelle conseguiu se fazer compreender apenas com um olhar, a irmã mais velha de Yoru acenou positivamente com a cabeça e a puxou com tudo, trazendo-a para longe da estrangeira. Aos berros, a pequenina apontava as mãos na direção da amiga que se punha de pé.
— Vocês são exterminadoras de youkais, não podem deixá-la sozinha lá! — Yoru continuou a espernear enquanto era carregada pela parente e os aldeões vinham atrás.
— Você precisa confiar mais em Shinrinko, — a correr ao lado, Motoko decretou cheia de confiança — Nós podemos ter alguma habilidade para lutar e até mesmo derrotar youkais de médio poder, mas não naquela quantidade. Já Shinrinko tem um poder tão grande e desconhecido que tenho certeza de que ela dará conta!
—...e se algum youkai se aproximar dos aldeões, nós estaremos lá para defendê-los! — Himawari complementou.
Enquanto o grupo de gente corria a descer barrancos, na direção de uma gruta para se abrigar, Annabelle mantinha-se ereta no mesmo lugar, à espera dos monstros que se aproximavam, famintos pela sua aura benigna e pelo fragmento da Joia de Quatro Almas escondido no seu peito. A velocidade deles era tamanha que os fazia parecer misturados como uma coisa só. No entanto, assim que chegaram a milímetros da humana envolta por lume albugíneo, pararam de supetão e ficaram a flutuar diante dela, encarando-a em silêncio.
Os olhos dela brilhavam gritantemente na cor índigo, o semblante dela mostrava-se tão sereno que quase lhes provocava sonolência. Os youkais estavam hipnotizados. Enfim, a manter a tranquilidade Belle deu alguns passos, achegando-se ao maior daqueles monstros – uma enorme serpente da cor do luar, com olhos de sangue – e tocou-lhe a cabeça. Lentamente, fechou os olhos e murmurou alguns dizeres. Ao reabrir os globos cerúleos e descer a mão da testa escamosa, a horda de criaturas demoníacas simplesmente se virou de costas para ela e foi embora.
— Interessante. — ela ouviu uma voz masculina dizer. Sabia a quem pertencia.
— Você estava aqui esse tempo todo? — ainda de costas para ele, a tentar controlar a sensação de surpresa, perguntou. — Como estão Rin e Jaken? — resfolgou antes, para depois fazer a pergunta.
— Senti o seu cheiro misturado ao dos youkais de Naraku. — em tom inexpressivo, o youkai comentou, ignorando a segunda parte da conversa.
— Então você também está atrás dele. — girou o corpo devagar, absorvendo os traços daquela figura austera aos poucos. Os valiosos olhos d'ouro recaíam sobre ela, analisando cada novo aspecto que Annabelle tinha, desde as roupas ao pó de arroz na face. — Sabe onde ele está? — perguntou com cuidado, queria demonstrar despretensão.
— Onde estava. — corrigiu-a e apontou o indicador ao lugar onde antes havia um monte. Durante a confusão, a ocidental mal tivera tempo para assisti-lo desmoronar. Os olhos azuis se esbugalharam e ela tapou a boca com uma mão.
— Esse tempo todo?! — indagou e perpassou os dedos por baixo dos cabelos, acima das orelhas.
— Estava escondido por trás do campo de força. — despreocupado, contou — Tamanho esforço para se livrar de um empecilho tão besta... — e fez o comentário em leve tom de deboche.
"Escondido por trás do campo de força, e com a ajuda do meu pingente!" — ainda horrorizada, abraço a si mesma, e ao captar as últimas palavras do youkai branco que já virara as costas e começava a se afastar, perguntou: — Que empecilho?
— Pergunte a ele quando tiver a oportunidade, mas não se esqueça... — parou e mirou-a de soslaio — a próxima pode ser você. — disse grave, e finalmente desapareceu dentro da névoa escura.
Cheia de perguntas sem respostas, Annabelle deu algumas voltas em torno do nada, afundando os pés na terra escura, sem flores ou qualquer fio de grama. Quase a sufocar, ela correu por dentro da floresta transformada em deserto, precisava encontrá-lo de qualquer jeito. O vestido foi se rasgando conforme o tecido enrolava em arbustos, e encardindo por conta da densa poeira.
A água do córrego onde ela se banhava, meditava, brincava com Yoru e a treinava se transmutara em miasma líquido. A natureza que ela tanto amava estava morta, definhara com o toque dele.
— É minha culpa... — amassou o rosto com as mãos, depois escondeu os olhos, envergonhada de si e temerosa pelas pessoas que a acolheram. — É tudo minha culpa!
— Não se dê tanto crédito. — e por fim, a voz que por longos meses ela desejou ouvir e que agora lhe causava assombro soou. Annabelle olhou em volta, quase perdeu o equilíbrio e se abraçou a um tronco de árvore seca.
As nuvens se afastaram, dando passagem a uma grande bolha contornada por um tufão de miasma escuro. Ao encostar no chão, pareceu queimar a terra por enegrecê-la. A fumaça ao redor da esfera se desfez, a moça arruivada apoiou as costas na árvore e contemplou o ser que se regenerava dentro do campo de força. O corpo se refez, pedaço por pedaço, depois novos trajes o adornaram, e por último, uma exótica armadura que parecia feita da própria carne dele. O grande olho avermelhado em seu tórax girava para os lados.
— Naraku... — ela sussurrou sem forças, paralisada. Era ele, sabia, contudo parecia um desconhecido. Dentro dos olhos dele, tudo o que Belle conseguia enxergar era uma sede incontrolável por sangue e por sofrimento alheio. O sorriso que se formou na boca do hanyou provocou-lhe arrepios. O braço forte, se ergueu reto, a mão até então fechada se abriu e enfim o cordão da lua cristalizada desenrolou-se dos dedos fortes e a peça balançou como um pêndulo, refletindo em suas nuances a face escandalizada da humana, não tão longe.
"O que você fez?" — ela quis perguntar e a voz não saiu.
— Tome, eu não preciso mais. — Naraku sacolejou o pingente como se fosse um guizo.
As pernas quase entrelaçaram, trementes, e um pé virou sobre uma pedra. Annabelle por pouco não caiu e somente quando conseguiu se equilibrar e recuperar a postura, caminhou em lentidão absurda na direção dele, sem saber descrever as sensações que percorriam o seu interior. Ao passo de que a mulher se aproximava, os olhos dele se estreitavam, presos na imagem vulnerável. O sorriso dele se fechou aos poucos.
Enfim, eles se reencontraram.
Continua...
