Naruto não me pertence de forma alguma.

TRINTA DIAS A DOIS

– Uchiha-sama – a secretária chamou, adentrando o escritório do diretor da empresa. Sasuke tinha os olhos fixos na tela à sua frente, mas, Yoki percebeu, seu olhar parecia vidrado. Ele tinha, na verdade, os pensamentos presos na noite anterior. Nos dedos delicados de Hinata firmemente pressionados nos seus ombros; nos lábios firmemente pressionados nos seus; no calor firmemente instalado em todo seu corpo quando a língua dela gentilmente acariciara a sua.

Não estava conseguido se concentrar em nada além das memórias insistentes.

Aquilo o estava deixando irritado.

– Uchiha-sama – A mulher repetiu novamente, agora já postada diante da mesa de carvalho puro de seu chefe. Ele a encarou de forma zangada, e ela apertou os papéis em suas mãos para refrear o impulso de sair correndo.

– Existe uma porta nessa sala, Yoki, e ela serve para que ninguém entre sem meu consentimento. – Sua frase saiu mais ríspida que o costumeiro, e a pobre secretária inspirou nervosa três, quatro vezes. Havia tentado interfonar por duas vezes – sem sucesso, o telefone do Uchiha sequer chamava – e batera no mínimo cinco vezes sem resposta antes de abrir a porta e caminhar até ali.

– Perdão, Uchiha-sama, mas estes documentos precisam de sua atenção imediata. – Ela disse, poupando-os de desculpas adicionais. Trabalhava ali tempo o suficiente para saber que explicações em situações como aquela eram inúteis, especialmente quando Sasuke parecia mais indócil que o usual. Deixou as folhas sobre o móvel e se retirou antes que o homem se impacientasse mais com ela.

Teimosamente, sua mente voltou às sensações quentes que Hinata lhe proporcionara. Sasuke Uchiha era um homem. Um homem que não tinha nenhum envolvimento remotamente sexual há mais de dois anos. Um homem cheio de hormônios de homem em um corpo de homem com necessidades de homem.

Mas isso não era desculpa para ter beijado Hinata com tanto ardor.

Era?

Certamente que em todos os mais de vinte e quatro meses de convivência com a Uchiha ele já havia reparado no corpo curvilíneo que ela detinha. Nos seios firmes, na pele suave, no desenho da cintura, no balançar do quadril. Mas de longe. Jamais chegara a tocá-la com luxúria, muito embora não fosse imune a nenhuma dessas características.

Naqueles poucos últimos dias, porém, as coisas tornaram-se mais complicadas. Ele a tinha mais voltada para si, corpo e mente, e não podia negar que ela o tinha de forma equivalente. Por motivos de orgulho. Claro. Não podia desistir das atividades depois de tê-la desafiado tão abertamente naquele domingo. E não podia deixar de dedicar-se, também, porque não poderia perder.

Orgulho.

Claro.

Mas por que ele não conseguia se convencer de seus motivos de forma alguma?

x

– Próximo, próximo! – Kiba exclamou, dispensando o rapaz que dobrava os joelhos numa reverência muito desajeitada e se retirava. Hinata estava sentada a seu lado, sorrindo molemente. Bom, seu corpo estava, ao menos, porque o homem tinha a certeza de que a mente e alma da mulher estavam em qualquer lugar, menos no auditório. Ele se levantou no momento em que o rapaz seguinte tomou posição no centro do palco e anunciou: – Vamos fazer uma pausa de quinze minutos.

Sentou-se novamente, os olhos castanhos caindo sobre a amiga. Estava tão aérea que sequer reparara no semblante decepcionado do aluno que iria se apresentar, nem nos cochichos que subiram quando a pausa fora anunciada.

– Hina, vou me demitir amanhã porque consegui encontrar o pote de ouro no fim do arco-íris e não preciso mais me preocupar com dinheiro – Ele provocou, encostando-se à poltrona confortavelmente.

– É mesmo, Kiba-kun? Que bom! – Ela respondeu laconicamente. Kiba riu, uma risada forte que a fez finalmente olhar para ele. – O que foi?

– Hina. O que houve? Você tá com a cabeça na lua hoje. Estamos a tarde toda fazendo audições pro papel do Chapeleiro Maluco, já assistimos no mínimo oito coreografias e até agora você não falou nada, só sorriu e olhou pro País das Maravilhas dentro dessa sua cabecinha bonita.

Hinata corou. Estava tentando muito, muito mesmo, mas não conseguia se forçar a parar de pensar na noite anterior. Seu cérebro persistia em faze-la reviver todas as sensações inefáveis que tomaram seu corpo no momento em que Sasuke Uchiha sorrira – de verdade! – para ela, e então tomara seus lábios. Fora firme e carinhoso, como o abraço que ele dera em sua cintura, levando-a gentilmente para mais perto dele. Fora quente e correto, como os dedos dele entrelaçando-se firmemente aos cabelos dela. Fora delicioso e gelado, como a sensação da língua dele invadindo sua boca.

– Desculpa, Kiba. Eu ainda não voltei da exposição de ontem, eu acho. – Ela admitiu, esticando os braços acima do corpo e se espreguiçando.

– Como assim, por quê?

Ela encarou o amigo. Não queria sorrir, mas seus lábios insistiam em se curvar para cima de uma forma que ela achou ser quase permanente. Forçou seu semblante a tornar-se neutro, respirando fundo. Certo, eles tinham se beijado. O que aquilo queria dizer, afinal? O que o fervor de Sasuke contra seu corpo significava, e, mais que isso, o que a devoção com a qual tinha correspondido significava, pelos céus?

Tinham voltado para casa num silêncio indefinido, e Sasuke tinha até descansado a mão em seu joelho por alguns instantes antes de ter que trocar a marcha do carro.

Ela não tinha ideia do que pensar.

– Sasuke e eu nos beijamos ontem.

Hinata observou a boca do amigo se abrir lentamente em espanto, e depois se mover rapidamente em surpresa:

– Vocês o que?

– Nos beij...

– ...de língua? – Ele interrompeu, ansioso.

– Si-sim, Kiba, de lín-língua. – Ela gaguejou, sentindo o rosto esquentar mais uma vez.

– Mas, Hina, vocês não se beijaram nem no casamento! – Ele se virou na poltrona para ficar de frente para ela, segurando com as duas mãos no apoio para o braço. – Ou teve mais alguma coisa nesse meio tempo que eu não fiquei sabendo? – Os olhos se estreitaram, perscrutando o rosto feminino.

– Não! Kiba... Escuta, esses últimos dias têm sido... diferentes. Nós não pulamos nenhum dia do cronograma de trinta dias até agora, e eu acho que isso tá mexendo com a gente. Estamos mais próximos. Em vários sentidos.

– Vocês transaram?! – Ele quase pulou para cima dela, e ela teve que erguer as duas mãos em frente ao corpo, se inclinando para trás em sua poltrona.

– Kiba! Meu Kami! N-não! A gente só se b-beijou! Dá pra você se acalmar e me ouvir? – Kiba se recostou novamente e ela suspirou. – Eu não sei o que está acontecendo, Kiba, mas ele parece mais... Envolvido. Carinhoso.

– Eu não consigo imaginar Uchiha Sasuke carinhoso – Ele resmungou, fazendo uma careta de leve. Puxou um fio inexistente em sua calça de bailarino e prosseguiu – Mas vai devagar, Hinata. Eu sei que você tá envolvida demais nesse cronograma, mesmo que você não admita. Dá pra ver nos seus olhinhos. – Ele disse amorosamente, tocando com o indicador no nariz da amiga – Mas estamos falando de Uchiha Sasuke, coelhinha. Esse beijo pode significar alguma coisa? Pode. Mas pode significar nada? Pode também. Há quantos milhões de anos Sasuke não enfia aquela língua dele na garganta de alguém?

– Nossa, Kiba – A Uchiha torceu o nariz para a expressão usada pelo amigo. – Eu não sei, mas espero que no mínimo dois anos, né. Mas eu também, filhotinho.

– Sim, mas você é mulher. – Diante do olhar repreensivo da outra, ergueu as sobrancelhas – É sério, Hina. Querendo ou não, pra você é mais fácil...

– Hinata-sama – A secretária se aproximou a passos curtos e eficientes –, Uchiha-sama veio buscar a senhora.

– Olha só – Hinata recebeu um olhar sugestivo do Inuzuka –, parece que o príncipe Uchiha está mesmo engajado na causa.

– Para com isso, boboca. – Ela repreendeu, rindo levemente – Obrigada, Naomi. Avisa por favor que eu já tô indo.

– Claro. Com licença. – Ela saiu tão rápido quanto chegou, e Kiba aproveitou para finalizar seu raciocínio:

– Não fica pensando muito sobre as coisas, coelhinha. Pode não ser nada, mas pode ser muita coisa também. – Ele expôs os caninos em um sorriso matreiro. – Deixa acontecer naturalmente... – Cantarolou só pra ver a mulher rir mais uma vez.

– Você não vai me ver chorar, filhote. – Estralou um beijo na bochecha dele e se levantou. – Até amanhã.

Kiba balançou a cabeça, sorrindo, enquanto observava Hinata levar seu corpo delgado para longe dele. Então se levantou, retomando a pose de profissional majestoso que ele era:

– Próximo!

x

– Hime – Sasuke cumprimentou ao ver a esposa atravessar a porta e entrar no lobby da escola. Não trajava as usuais roupas flexíveis que usava para trabalhar – ao invés disso, estava dentro de um vestido esvoaçante simples preto de alças, os pés em uma sandália sem salto da mesma cor. Ela parou na frente dele, abaixando levemente a cabeça para que ele lhe beijasse a fronte.

– Heika – Ela devolveu a saudação, brindando-lhe com um sorriso singelo. Levantou a mão esquerda, passando-a no rosto masculino e acariciando a pele gelada da bochecha do marido. Muito embora aquele cumprimento de ambos fosse um dos muitos rituais que eles adotaram ao longo dos meses para sustentar a postura de casal, Hinata se sentiu estranha. Abaixou a mão e os olhos, fugindo da intensidade negra dos orbes de Sasuke sobre si.

Ela não estava sabendo muito bem como agir com ele desde todos os ocorridos na exposição. De repente, a bolha confortável de casamento de fachada havia estourado, e não havia uma outra bolha para envolvê-los – como seria o caso de um casamento real, ou casamento algum. Assim, estavam, mais uma vez em território desconhecido.

Despertou de seus leves devaneios ao sentir a mão do marido descer por sua espinha, parando na base de suas costas.

– Vamos? – Ele disse, e ela sorriu, se deixando guiar pelo homem, muito embora soubesse fazer aquele caminho até de olhos fechados. Afinal, passava por ali todos os dias; era da sua escola que estavam falando.

x

Sasuke dirigia em silêncio, a voz de Nina Simone sendo o único som dentro do automóvel.

And this old world is a new world and a bold world for me...

E esse velho mundo é um novo mundo e um mundo corajoso para mim...

Se não fosse ele a pessoa que tinha colocado o pendrive de músicas aleatórias para tocar no som, o Uchiha diria que aquela canção tinha sido escolhida de propósito, porque casava direitinho com o que vinha vivendo com Hinata. Eram coisas que já estavam dentro de sua rotina – carinhos, cuidados – e que agora tinham um significado novo. A questão que ficava era se ele tinha coragem o suficiente para mudar a sua rotina confortável e desbravar aquele terreno novo...

– Aonde estamos indo, Sasuke? – A voz suave de Hinata se sobrepôs à da cantora, curiosa. Tinham saído da zona da cidade há cerca de cinco minutos. A estrada íngreme seguia subindo e subindo. Passaram por algumas casas espaçadas com uma vasta vegetação ladeando-as. Sasuke quase sorriu perante à pergunta. Ontem, era ele quem estava na posição de indagar isso.

– Surpresa, Hime. – A moça desviou os olhos da janela e o encarou, sorrindo. Hinata sorria muito. Sasuke gostava.

Foram mais alguns minutos de estrada até o homem parar num campo aberto, composto... de rochas. Hinata desceu do carro e ergueu as sobrancelhas bonitas, surpresa. Apertou qualquer botão do celular para olhar as horas, e então olhou para o céu. Eram seis e meia da tarde e o sol seguia firme.

CINCO – Encontrem um lugar ideal para assistirem um pôr-do-sol juntinhos.

– Hinata? – Sasuke chamou, encarando a esposa que permanecia parada ao lado do carro. Ela olhou para ele. O Uchiha carregava uma sacola de papel que ela não tinha percebido no carro e a esperava alguns passos adiante, sem gravata e com os primeiros botões da camisa abertos. Uma leve brisa brincava com os cabelos já rebeldes dele, e ela finalmente se moveu. Foi ao caminhar para mais perto de Sasuke que Hinata percebeu que estavam em um precipício, conseguia ver o início da quebra do chão à medida que se aproximava.

– Você tem medo de altura? – Ouviu a pergunta que foi feita enquanto o outro estava de costas para si, estendendo um tecido que tinha tirado da sacola no chão, quase na beirinha do abismo. Ela o alcançou, esperando de pé ao lado dele até que ele terminasse de arranjar o lugar para se sentar.

– Não. – Muito a bem da verdade, ela amava. Amava estar no alto, amava observar tudo que estava bem abaixo. Sasuke indicou para que ela se acomodasse – perto o suficiente para apreciar a beleza do despenhadeiro, mas longe o suficiente para não cair nele. Hinata sentou-se na posição borboletinha, tomada fortemente pelo hábito de bailarina clássica, e Sasuke aboletou-se ao seu lado, entregando-lhe um cálice cheio logo em seguida.

– Parcela #7 – Ele explicou com simplicidade, segurando sua própria taça. Aquele era o vinho favorito de Hinata, uma marca chilena com um sabor peculiar. Ela aceitou com um sorriso e voltou a olhar para frente, e Sasuke assistiu a Uchiha levar o cálice aos lábios, a figura feminina recortada contra a luz solar, os lábios cheios beijando com delicadeza o vidro que detinha o líquido. Então virou sua própria taça de uma vez.

Hinata prendeu a respiração, o coração batendo rápido, as borboletas dançando em seu estômago. Tóquio inteira se estendia abaixo deles. Dali, ela conseguia ver o remoto monte Fuji em toda sua imponência; a extensão da Baía de Tóquio parecia mais clara; a Rainbow Bridge parecia menor e menos imponente. Dali, os prédios iluminados pareciam apenas legos acesos; o Skytree parecia um brinquedo de criança; a praia artificial parecia ainda mais calma. Ela soltou o ar devagar, encantada. Virou-se para Sasuke, que parecia sorrir sem curvar os lábios, se é que aquilo era possível.

– Olha – Ele apontou com o queixo, e ela acompanhou o movimento. O sol começava a descer.

A grande estrela vinha em uma velocidade mais rápida que o esperado, cada vez mais baixo, e o céu começava a exibir uma abundância de cores, passando do azul para o laranja, do laranja para o rosa, do rosa para o roxo, e, do roxo, finalmente para um azul mais escuro. Foram minutos que se esvaíram como segundos, se exibindo de forma exuberante ao casal que sempre fora muito urbano. Nenhum deles ousou macular a beleza do momento com palavras, muito embora não estivessem mesmo interessados em verbalizar algo enquanto assistiam àquilo. Sentiam a presença um do outro, entretanto, e era algo que apreciavam. Em algum momento que não conseguiam precisar, deram as mãos, os dedos quentes e finos de Hinata entrelaçando-se aos grandes e frios de Sasuke.

Parecia tudo tão efêmero. Tudo tão passageiro. Tudo tão pequeno.

Sasuke completou de novo o copo de Hinata quando o percebeu quase vazio, já pela terceira vez. Sabia que a esposa apreciava um bom vinho.

– Somos mesmo poeira ao vento, não é, Heika? – Hinata divagou em voz alta quando algumas estrelas pintavam o céu já escuro, sorvendo mais da bebida tinta. Tinha o rosto voltado para cima, os cabelos dançando atrás de si. Encostou a cabeça no ombro do marido, suspirando.

– Poeira estelar. – Ele concordou, pensando em como o universo era infinito. Galáxias e mais galáxias, corpos e mais corpos celestes. Com todos os avanços de conhecimento, de tecnologia, a Terra e seus habitantes continuavam sendo apenas um pedacinho muito, muito minúsculo do todo.

– Você acredita que existe vida inteligente em outros planetas? – A indagação veio de forma repentina e Sasuke riu. Hinata sentou-se de forma ereta para poder olhá-lo de forma espantada, porque, bem, Sasuke riu. Foi uma risada breve, mas aquilo era tão raro que conseguia contar nos dedos de uma mão as vezes que acontecera.

– É claro, Hime. Seria muito egoísmo e prepotência pensar que somos os únicos. – Ele disse, inclinando-se um pouco mais para perto dela. As bochechas dela ostentavam uma vermelhidão já há alguns minutos, ele percebeu, afastando suavemente do rosto feminino uma mecha de cabelo longo que insistia em cair-lhe pela bochecha. Então, se levantou e estendeu a mão para auxiliá-la. – Vamos sair da beira do penhasco. Você é fraca pra bebidas, é perigoso.

– Eu tô bem – Ela disse, mas aceitou a mão oferecida, levantando-se também.

Sentia-se um pouco mais leve e livre, mas, ora, quem não se sentiria assim diante da visão de uma cidade inteira sob seus pés? Sentiu os dedos frios de Sasuke envolverem sua cintura e leva-la de volta para o carro. Ele a deixou encostada ao capô e foi recolher as coisas que trouxera. Quando ele voltou a se aproximar, depois de já ter guardado tudo no automóvel, encostou-se ao lado dela, voltando o rosto para cima, encarando fixamente o céu estrelado que de forma alguma era tão visível quando estavam na cidade. A lua parecia uma versão ampliada dos olhos da Uchiha, ele pensou ao voltar-se para ela. Hinata parecia estudar-lhe as feições com afinco. Ela estendeu uma mão e esfregou levemente os dedos no espaço entre as sobrancelhas dele, a fim de desfazer a ruga que havia ali devido ao franzir de sobrancelhas de Sasuke. Ele segurou a mão dela e beijou-lhe os nós dos dedos.

– Você n-não precisa fazer isso, Sasuke. – A voz saiu baixa, e ele se virou para ela, contemplando as maçãs do rosto avermelhadas e os olhos perolados que encaravam as mãos dos dois entrelaçadas. Ele a soltou e ela timidamente o observou desencostar-se do carro e parar de frente a ela, muito perto.

– Também não preciso fazer isso. – Ele a puxou pela mão, chocando o corpo levemente alcoolizado da mulher no seu. A mão masculina se espalmou nas costas dela, a outra enroscando-se nos fios negro-azulados com firmeza. E então, mais uma vez, ele a beijou.

Hinata sentiu a terra girar devagar, e depois com rapidez e violência. De que adiantava Kiba aconselhá-la a ter cuidado se Sasuke abalava suas estruturas de forma tão arrebatadora? Ela suspirou suavemente contra ele antes que permitisse que a língua dele adentrasse sua boca, fechando os olhos devagar. As mãos pequenas espalmaram-se no tórax do Uchiha, permitindo que Hinata sentisse as batidas do coração dele. Estavam... rápidas. Seu estomago foi aos pés e voltou, e ela demorou a abrir os olhos mesmo depois que se separaram, com Sasuke mordiscando seu lábio inferior com um toque de lascívia.

Ele sinceramente não sabia o que movia Hinata naqueles dias. Claro, também não sabia o que se passava com ele – ou talvez não quisesse admitir. O que sabia é que estava começando a sentir uma estranha necessidade de estar mais próximo daquela mulher que já estava consigo há anos. E, embora não conseguisse precisar se ela sentia o mesmo, conseguia perceber que aqueles momentos a agradavam também.

– Mas você também não precisa corresponder, Hime.

– E-eu só não entendo o q-que está acontecendo, Heika. – Ela murmurou embaraçada, se esforçando para não desviar o olhar cristalino do dele, que permanecia muito perto, segurando-a contra si.

– Sinceramente, eu também não. – Ele admitiu, para a surpresa dela. Sasuke queria dizer-lhe que passara o dia pensando nela. Queria dizer que passara horas ponderando no significado do que estavam fazendo. Queria dizer que que gostava do perfume dela, que achava as bochechas coradas um charme. – Acho que estamos... flertando. Nos conhecendo.

– Geralmente as pessoas fazem isso antes do casamento – Ela pontuou com um sorriso, e, por um momento, os únicos sons que ouviram foram os da natureza noturna despertando.

E então, com firmeza, Sasuke indagou: – Você quer que pare?

Ela piscou algumas vezes e mordeu o lábio inferior. Olhou para as estrelas. E pensou que em toda a imensidão da Terra, da galáxia e do universo, era ali que ela estava. Com Sasuke.

– Não.

– Ótimo, porque eu também não.

...and I'm feeling good.

...e eu me sinto bem.


Gente, desculpa pela demora. Tem dois empregos aqui em casa, e não são do meu marido – SÃO MEUS! KDHSIUDHSI A correria esses dias foi louca, e eu passei essas semanas rascunhando cenas em pedaços de papel durante meu expediente. Eu parei pra reorganizar todos os desafios, também – tirei alguns e coloquei outros, para melhor desenvolver a fanfic.

E é isso aí! Me mandem as opiniões de vocês, é muito importante pra mim. Beijão, até o próximo!