Naruto não me pertence de forma alguma.
TRINTA DIAS A DOIS
Sasuke abaixou a tela do notebook, respirando fundo. Fechou os olhos e esfregou a parte de trás do pescoço, algo entre frustrado e irritado consigo mesmo. Estava cada dia mais difícil se concentrar nas demandas do trabalho, e ele conhecia o nome, o sobrenome e as curvas da culpada por seu estado aéreo. Sabia como sua pele era macia e fria, seus dedos ainda formigavam do contato com ela na noite anterior, seus lábios ainda queimavam dos beijos que trocaram. Ele ainda conseguia ver com clareza o rosto dela paralisado numa expressão de prazer, as bochechas coradas e os lábios entreabertos.
Nada vinha à sua mente, entretanto, quanto aos anos de estudo e prática que tivera referente ao seu profissional. Tal fato o deixava especialmente aborrecido, pois fazia parecer que ele não tinha responsabilidades e que qualquer rabo de saia o tirava de seu eixo.
Mas Hinata não era qualquer rabo de saia, ele já tinha compreendido.
Outra compreensão vinha se arrastando pelos corredores de sua mente, também, muito embora ele estivesse empregando esforços hercúleos para ignorá-la – e era por isso que não conseguia se concentrar em nada além de sua tímida e surpreendente esposa, simplesmente porque ele precisava aceitar aquele fato. O fato era o seguinte: Sasuke estava se apaixonando.
Não estava absoluta e completamente apaixonado, é claro. Mas conhecia a si mesmo o suficiente para saber que estava quase lá. Era inevitável. Hinata era gentil, inteligente, delicada, atenciosa, divertida, habilidosa, gostosa...
Kami-sama, não se lembrava da última vez que atribuíra tantos adjetivos bons a uma pessoa só. Não sabia como se sentir quanto a isso.
Mas ele precisava fazer algo a respeito.
Tamborilou os dedos longos no tampo de vidro da mesa do escritório para então puxar seu smartphone e procurar pelo cronograma dos trinta dias. Precisava verificar a tarefa do dia, afinal. Leu o comando e sua mente fervilhou. Eram dezessete horas, e quinta era quase sexta, então não tinha problema em sair mais cedo do escritório. Levantou-se e pegou o paletó que estava no encosto de sua poltrona, enfiou o celular no bolso da calça e saiu, sem sequer dizer à sua secretária se voltava ainda naquele dia ou não, deixando a pobre mulher desnorteada.
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– Não sabia que seu sogro era o Don Corleone, Hinata-sama. – Neji ergueu uma sobrancelha, num tom jocoso que poucas pessoas tinham a oportunidade de ouvi-lo usar. Hinata riu baixo.
– Agora parece engraçado, mas na hora foi bem assustador ver Fugaku-san sentado no mais completo silêncio e me encarando fixo. – Ela arregalou os olhos para ilustrar bem, e depois relaxou. – Mas no fim das contas ele foi ótimo, e dona Mikoto também é um amor.
– Não me diga que ela te mostrou fotos do Sasuke bebê tomando banho. – Tenten entrou no assunto, sentada no sofá do escritório da Uchiha. Tinha comprado um lanche e levado até lá, uma desculpa justa para ver o noivo e sua prima e fofocar um pouco depois de ter dado uma aula experimental para o novo casal velho. Hinata riu alto, escolhendo um rolinho de canela na caixa que a pseudo-cunhada trouxera.
– Não, mas eu gostaria de ver. Sasuke deve ter sido um bebê lindinho.
– Com todo o respeito aos presentes nesse cômodo, mas Sasuke é um adulto lindíssimo também – A mulher dos cabelos chocolate pontuou, tentando disfarçar a expressão sapeca que teimava em querer dominar seu rosto enquanto olhava para Neji esperando a reação dele ao comentário.
– Entra num duelo com a Hinata pelo amor dele, então – A voz grossa ecoou por cima da caneca de chá de camomila antes que esta alcançasse os lábios finos e firmes de Neji, que vincou as sobrancelhas em desgosto.
– Claro que não, Nii-san – Hinata protestou, divertida. – Eu ia perder feio.
– Aparentemente a vergonha você já perdeu, né? Porque o zelador do clube me contou que ontem quase flagrou Sasuke e você fazendo...
– O-o que?! – O rosto de porcelana da Uchiha atingiu tons alarmantes de vermelho, beirando o roxo, e a gagueira apoderou-se de sua garganta. Os lábios, porém, insistiam em curvar-se para cima, por mais que ela tentasse de todas as formas evitar tal reação. – Nã-não foi nada di-disso, Tenten-chan...
– Já chega, Tenten – Neji interviu, mas sorria de forma discreta. Há apenas alguns dias estava com Hinata naquele mesmo cômodo, descrente e preocupado, ouvindo-a contar de como entrara naquela brincadeira com Sasuke. Conseguira ver as expectativas nos orbes enluarados da prima, e aquilo o deixara apreensivo. Mas agora deveria admitir que ela parecia alegre, e, talvez, até feliz. Feliz de verdade, não só conformada ou resignada. Então, se fazia Hinata feliz, ele estava feliz.
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– Oi, garota – Sasuke deixou as sacolas sobre o sofá antes de se abaixar para falar com a gata. Um sorriso discreto habitou seus lábios enquanto os dedos longos percorriam o corpinho branco e peludo.
Yang era uma gata arisca. Ao chegar à casa, dias se passaram antes que ela permitisse a qualquer um dos humanos se aproximar o suficiente para tocá-la. Parecia, porém, gostar muito de Sasuke: prova disso era ela estar ali, se enroscando nas pernas dele, pedindo, do seu jeito felino, que ele lhe fizesse um carinho gostoso atrás das orelhas.
Não se nega um carinho gostoso atrás das orelhas a gato nenhum, até Sasuke sabia disso.
As sacolas fizeram um barulho, atraindo o olhar ônix. O Uchiha desviou o olhar a tempo de ver o rabo preto de Yin desaparecer dentro de uma delas.
– Ei! – Bateu o pé no chão, afim de fazer barulho e chamar a atenção felina. O resultado foi uma bola de pelos assustada e embolada dentro da sacola de papel, tentando correr mas sem conseguir se desvencilhar das alças enroscadas no pescoço e nas patas de trás, muito sobressaltado com os itens que caíram de dentro do recipiente.
Hinata adentrou o recinto e foi atropelada por um saco de papel com patinhas negras.
– Tadaima? – O cumprimento saiu em forma de pergunta, o sorriso impresso nas palavras. Abaixou-se, pegou o pacote e ajudou o pobre Yin a sair de dentro de todo aquele papel.
– Okaeri, aisuru.
O rosto de porcelana se tingiu de rosa, cheio de prazer e euforia. Com Yan em um braço e a bolsa no outro, Hinata se deu conta de que estava chegando em casa, depois de um dia cheio de trabalho, e encontrando seu marido – seu marido, sua afeição, a pessoa para quem queria dar todos os seus beijos e várias outras coisas mais – sentado no chão, brincando com seus gatos e recebendo-a com aquele apelido tão carinhoso.
Ela se perguntava se alguém acreditaria se ela dissesse que Uchiha Sasuke a chamou de amorzinho.
– Que sorriso bonito, Hime. – Se ele fosse do tipo poético, Sasuke descreveria aquele sorriso como uma chuva refrescante depois de um dia muito quente; como um beijo quente do sol em sua pele depois de uma noite muito fria. Ele poderia jurar para si que aquele sorriso o abraçava, o refrescava e o aquecia, tudo ao mesmo tempo.
Hinata quis explicar. Quis dizer que era porque aquele era o sorriso dele, o subir de lábios que ele causava, o sorrir que vinha e ela nem sentia, apenas expressava.
Mas nada daquilo saiu, e as bochechas se avermelharam ainda mais.
– Obrigada, Anata.
DOZE – Que tal explorar suas habilidades artísticas? Façam juntos uma arte manual
– Nós vamos fazer brinquedos para gatos – Sasuke anunciou solenemente, dispondo as coisas que tinha comprado mais cedo na mesa forrada da sala de jantar.
– Ah, eu amo artes manuais! – Hinata sorriu abertamente, estendendo as mãos para os materiais que usariam. Adorava artigos de papelaria, gostava muito de colocar a mão na massa e fazer coisinhas artesanais. Quando era adolescente, costumava ela mesma fabricar todos os presentes que dava aos amigos e família – sempre achou que nada era mais especial que algo feito especialmente para alguém.
Aquele costume tinha-se perdido com a chegada efetiva da vida adulta, entretanto; era muito difícil achar tempo para pensar no que fazer e colocar os planos em prática a tempo para o que quer que fosse.
Realmente, aquele cronograma estava trazendo apenas coisas boas para a vida dela.
– Essa porcaria não funciona – Resmungou o homem em determinado ponto, pressionando o gatilho da pistola de cola quente – Devo ter comprado quebrada. – Sasuke puxou o fio, afim de confirmar se estava ligado na tomada.
Estava.
– Deixa eu ver, Heika – Hinata sorriu para o bico que o homem formara, achando graça dessa faceta de Sasuke que não gostava de não saber fazer as coisas. Virou o objeto nas mãos pequenas e achando um pequeno botão, que pressionou. Uma luz se acendeu. – Pronto, agora é só esperar esquentar.
Agora é só esperar esquentar. Sasuke encarou o arranhador que Hinata estava terminando de confeccionar e que incrivelmente havia ficado ainda mais bonito que o modelo que tinham visto na internet... E depois olhou para o aglomerado de materiais plásticos que estava manejando e tentando fazer se tornar um brinquedo, mas claramente não estava conseguindo. Parecia só uma vasilha plástica com uns furos muito dos mal feitos e com uns negócios dentro. Honestamente, parecia só... lixo.
Fazer aquilo foi uma ideia de jerico. Sasuke era péssimo em artes manuais.
Péssimo.
Frustrado, largou o pote sobre a mesa, uma carranca discreta no rosto. Não queria mais tentar fazer artesanato, mas Hinata aparentemente estava gostando...
A Uchiha contemplou sua caixa e virou-se empolgada para mostrar para o marido, apenas para perceber que Sasuke tinha se afastado, deixando sua tentativa de brinquedo para gato abandonada sobre o balcão. Não precisou de nada além disso para saber que o Uchiha tinha se irritado. Sasuke se emburrava muito fácil.
– Heika – Ela o chamou e tentou reprimir um sorriso, mas não conseguiu. Colocou com cuidado o arranhador no qual vinha trabalhando nos últimos minutos sobre a mesa e caminhou até o outro – Você quer ajuda para terminar o brinquedo?
– Não. – Cruzou os braços e percebeu Hinata segurando seu rosto com esmero e sorrindo com bochechas coradas. Ela parecia estar... se divertindo? Interessante saber que sua esposa achava engraçada a sua falta de habilidades manuais, pensou ele com ironia. Bom, ele possuía outras habilidades que poderia demonstrar para ela, e ele garantia que ela não as acharia engraçadas... Muito embora fosse apreciá-las, tinha certeza.
– O que... O que foi? – A mulher perguntou desconfiada quando a carranca de Sasuke tornou-se um sorriso de canto um tanto quanto duvidoso e os braços, antes cruzados, desenrolaram-se ao seu redor. Hinata espalmou as mãos pequenas no peito do marido e o encarou.
– Você pode me ajudar com outra coisa, Hinata.
Hinata.
Como podia ser que aquele homem fizesse o simples ato de pronunciar o seu nome ser tão sensual? A mulher fremiu, sentindo a pele esquentar sob as mãos de Sasuke, que apertavam sua cintura.
Não tinham nada nem ninguém para interrompê-los ali.
Apertando o tecido fino da camiseta de Sasuke entre os dedos delicados, Hinata o puxou para si e o beijou.
Sasuke tinha sabor de menta e gosto de paixão. Os lábios se moveram com rapidez e necessidade, molhados, quentes, exigentes. Ter a língua de Sasuke deslizando contra a sua fez arrepios correrem até o ventre em ondas fortíssimas, fez os pelos dos braços se eriçarem. Hinata suspirou contra a boca do marido quando ele subiu uma mão para seu cabelo e o puxou com força o suficiente para fazê-la inclinar a cabeça para trás e choramingar de prazer.
O Uchiha estava tendo dificuldades em manter um ritmo calmo. O desejo borbulhava em suas veias, e ter Hinata tão disposta, tão entregue... Aquela mulher o tirava dos eixos. Roçou os dentes no pescoço exposto, lambendo e mordendo a pele alva. Sentiu as mãos de Hinata dançando por seus braços, apertando à medida que deslizavam.
A sensação de ter os músculos de Sasuke sob seus dígitos enquanto a boca dele estava sobre si só podia ser explicada como extasiante, não só pelo fato de não ser tocada assim há muito tempo, mas por estar sendo tocada assim por Sasuke. Diziam que a paixão deixava esse tipo de contato ainda melhor, e ela achou que já tinha experienciado esse fato, mas a realidade é que não, ninguém a fizera sentir daquela forma antes.
Em chamas.
Por mais que estivessem próximos, não era o bastante. Sasuke ergueu Hinata e a colocou sentada sobre a mesa, o corpo feminino empurrando tudo que havia sobre o móvel. As mãos dela se apoiaram no tampo do móvel enquanto as dele, ávidas, infiltravam-se por debaixo do tecido da blusa feminina, os dedos tocando a barriga fria e deslizando pelas costas alvas.
A cabeça de Hinata girava e ela não conseguia pensar em nada que não fosse Sasuke, Sasuke diante de si, Sasuke lhe beijando, Sasuke correndo as mãos sobre sua pele, Sasuke deslizando a língua sobre seu pescoço, Sasuke.
Os olhos enluarados estavam neblinados de luxúria, Sasuke percebeu e sorriu lento, grande e sacana ao sentir Hinata puxando sua camiseta, despindo-o da peça e abandonando-a em algum canto esquecido do cômodo.
O prazer de ver a forma desejosa com que a morena o olhava, de perceber como ela perdia as inibições uma a uma, era algo inefável.
Principalmente quando ela se livrava da própria blusa com tanta vontade como estava fazendo naquele exato momento.
Os cabelos preto-azulados caíram como uma cascata nas costas alvas, emoldurando o rosto corado, e Hinata sorriu.
Sorriu porque estava exatamente onde queria estar, sorriu porque conseguia identificar a volúpia nos movimentos do outro e sabia que era ela a causa.
Sasuke não estava sabendo lidar com tantas sensações diferentes ao mesmo tempo. Então era assim que era se apaixonar? Nunca tinha acontecido a ele antes; era muito desapegado na juventude, e, depois que Itachi faleceu, tornou-se muito desinteressado. Tudo sempre fora sexo. Mas aquilo? Era absolutamente diferente. Não era só o ardor físico, muito embora estivesse, sim, excitado, tremendo de tesão, na verdade. Mas ia além. Queria desesperadamente estar dentro de Hinata; mas queria estar ao redor dela, próximo, sempre.
Porém, naquele exato momento, ele precisava tornar aquele momento mais íntimo.
Puxou-a e apoiou-a, endireitando-se e afastando-se da mesa. Hinata soltou uma pequena exclamação de surpresa, mas encaixou-se nele para que pudessem se mover sem separarem-se e sem que ela caísse. Seus dedos estavam enroscados nos cabelos da nuca do Uchiha e sua boca passeava lentamente entre a orelha masculina e o pescoço do marido. Sasuke andou rapidamente, subindo as escadas dois degraus de cada vez.
Estava em seu limite.
Atravessou a porta do quarto em passos largos, jogando Hinata na cama com toda delicadeza que não conseguia ter no momento. A mulher arfou e ele subiu no colchão, cautelosamente posicionando-se sobre ela e inclinando-se em direção ao rosto da esposa.
– Hime – Ele chamou, a voz rouca de desejo –, eu quero você. Pra caralho. Agora.
O ventre da Uchiha formigou e ela suspirou, segurando os pulsos de Sasuke, apertando seu antebraço, agarrando seus bíceps. Por Jashin, sentia que poderia explodir a qualquer momento.
– Mas – Ele prosseguiu, cauteloso, analisando com cuidado os orbes perolados – você quer continuar?
Hinata achou incrível que mesmo àquela altura ele conseguisse ter autocontrole o suficiente para parar e pedir consentimento verbal, mesmo que o corpo dela claramente estivesse pedindo pelo dele. Sorriu.
– Heika, eu quero você – Ela repetiu o que ele acabara de dizer. – Pra caralho. Agora.
– Ah, graças a Kami-sama – Ele disse e desceu sobre ela, beijando-a com devoção, volúpia, paixão... e amor.
