O objetivo inicial era seguir o anime AgK, usando até alguns elementos do mangá AgK e AgKZero. O anime deixou bastante furo que dava para realmente fazer uma história paralela aquela colocando o ponto de vista da Akame, mas… verdade que conforme fui escrevendo e recebendo alguns feedback fiquei com vontade de mudar algumas coisas. Este capítulo já não segue o anime. Quer dizer, ele até segue algumas ações e até coloquei algumas falas, mas não segue tão direitinho como os capítulos anteriores. Próximos capítulos também estarão um pouco mais distante do anime.
Música: On My Own (Por minha conta) por Ashes Remain
Akame Ga Kiru!
A Assassina de Olhos Vermelhos
Mate o Orgulho
Por Kath Klein
'Mine me falou que queria ficar do lado vencedor… Para criar um mundo sem discriminação… um mundo melhor para todos.' Tatsumi falou observando o pôr do sol. Tinha percebido a aproximação da Akame, que parou ao lado dele.
A assassina olhou de relance para ele. Sentia muito pelo rapaz ter novamente visto mais uma de suas pessoas importante morrer em seus braços. Achou melhor ficar calada. Nada que falasse a mais minimizaria a dor que ele sentia. A dor que todos sentiam. Ela já tinha perdido tantos, enterrado tantos, e nunca… nenhuma vez havia se acostumado com a perda. Já tinha visto vários companheiros, pessoas importantes para ela morrerem perante seus olhos, mas nunca se acostumou.
Encolheu os ombros, lembrando quando Tatsumi havia lhe encontrado no meio da noite preparando o prato favorito de Scheele. Ele falou que a achava impressionante, pois ela se mantinha indiferente mesmo depois de perder um dos companheiros, que ela já deveria estar acostumada aquele tipo de perda então ela simplesmente continuava a viver sua vida. Mantinha-se indiferente… indiferente… Era o que todos pensavam dela. Que ela era indiferente a tudo e a todos.
Mine queria um mundo melhor do que ela viveu. Um mundo que tratasse a todos igual e não como lixo da sociedade. Um mundo onde uma criança faminta, largada num beco fosse socorrida e cuidada. Alimentada e querida. Mine parecia egoísta, mas aprendeu que sempre podia contar apenas com ela e sua enorme força de vontade de sobreviver enquanto ninguém se importava que ela estivesse morrendo. Ela merecia ser feliz… assim como Lubbock, tinha sonhos a serem realizados.
Respirou fundo e soltou o ar devagar. Levantou a mão direita, secando o rosto das lágrimas que saiam de seus olhos. Lembra-se de quando a jovem de cabelos rosados falou que ela deveria se sentir grata por tê-los como sua família e que não era para se sentir triste caso Kurome definitivamente a deixasse.
Não deveria ter ido atrás de Incursio. Deveria ter invadido a arena junto com elas e ter lutado contra os dois generais imperiais. Talvez Mine estivesse viva. Talvez Susanoo estivesse vivo. Mas pensou que chegaria a tempo. Errou. Não foi rápida o suficiente. Não deveria ter vacilado em matar Najasho. Se tivesse feito de forma mais rápida, talvez pudesse chegar a tempo.
Sentou-se no chão, com as pernas dobradas e abraçando-as enquanto observava o sol se pôr aos poucos. Estavam na sede antiga dos Night Raids. Foram para o lugar mais rápido para Boss poder se recuperar. Logo ela partiria para se encontrar com a outra tropa do exército revolucionário. Tinha que aproveitar que a moral do Império estava baixa. Agora era hora de angariar mais apoio dos vice-reis que antes ainda acreditavam que o Império era indestrutível, mas que agora tinha recebido um belo golpe dos revolucionários que além de salvarem um de seus integrantes da morte, ainda tinham matado o todo poderoso general Budou. Najenda saberia como ninguém aproveitar esta situação ao seu favor.
Tatsumi se sentou ao lado dela no gramado. Ficaram em silêncio durante um bom tempo, até os olhos de Akame já não saírem lágrimas pelos seus companheiros. Tatsumi já tinha chorado tanto ao lado do corpo de Mine que pensou que não era capaz de chorar mais.
'Lubba tinha tantos sonhos que gostaria de realizar.' Tatsumi falou soltando um suspiro e olhando para o céu onde as primeiras estrelas surgiam no céu. 'Ele também não merecia ter morrido.'
'Nenhum deles…' Akame sussurrou em resposta.
'Todos tinham um propósito. Todos tinham sonhos. Não foi justo.'
Akame encolheu mais os ombros e fechou os olhos. Abaixou o rosto e tocou a testa nos joelhos. Voltou a sentir lágrimas nos olhos, mas se controlou mordendo os lábios para impedir qualquer soluço.
Tatsumi observou a jovem com cuidado. Ela parecia sempre tão forte e tão decidida que lhe partia o coração vê-la daquela forma. Tinha vontade de abraçá-la apertado contra seu peito, dizer que sempre estaria ao lado dela mesmo que fosse mais atrapalhá-la do que qualquer coisa.
Mine disse que o amava antes de morrer. Que havia se apaixonado por ele e que estava feliz por isso. Não sabia o que falar a Mine. Ela tinha dado sua vida para salvá-lo, mesmo que a teimosa jovem tenha dito que foi para retribuir o favor que ele fez em Kyonchi.. Gostaria de dizer a ela que a amava também, mas não seria verdade. Ele não amava Mine e a jovem não merecia mentiras por pena naquela hora. Não seria justo e seria um golpe forte demais para o grande ego dela.
Semicerrou os olhos em Akame ao seu lado. Abriu a boca mas perdeu a coragem. Não tinha coragem de se declarar, na verdade não tinha coragem era de ter a certeza que ela não gostava dele como ele gostava dela. Ele tinha pensado que quando voltasse da missão, depois de eliminar o primeiro ministro, provaria assim que ele estava a altura dela, mas não foi isso que aconteceu. Ele falhou miseravelmente. Lubba morreu. Tiveram que resgatá-lo de uma execução pública. Mine e Susanoo morreram durante o resgate. Ele era um completo fracassado. Soltou um suspiro e apoiou a mão direita no chão para se levantar.
Akame levantou o rosto e o fitou em pé. Tatsumi olhava com ternura. Ela tinha o rosto molhado fazendo-o sentir o peito fisgar. Estendeu a mão para ela que a segurou, puxando-a para se levantar e se surpreendeu quando ela ao se levantar e o abraçou pela cintura, afundando o rosto no peito dele. Um sorriso triste surgiu em seus lábios. Fez parte o que queria, a envolveu em seus braços e apertou o pequeno corpo de Akame contra o dele.
'Prometa que vai cumprir sua promessa.' Ela falou com a voz abafada. 'Não quero… não quero perder você também.'
Ele passou a mão na cabeça dela. 'Eu não morrerei.' Sussurrou ao ouvido dela. 'Não me perdoarei por fazê-la chorar por mim.' A jovem apertou mais forte os braços que circulavam a cintura dele. 'Akame… Quero estar sempre ao seu lado.'
"Você já gostou de alguém que gostaria de ficar para sempre ao seu lado?" A pergunta de Lubba ecoou na sua mente. Naquela hora não tinha entendido direito a pergunta. Soltou um suspiro, apenas se aconchegando melhor os braços de Tatsumi. Achava que finalmente tinha conseguido encontrar a resposta que o amigo estava esperando ouvir.
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Akame caminhava ao lado de Tatsumi pela capital. Najenda estava reunida com outros líderes da Revolução. Leone andava verificando alguns contatos que Boss havia solicitado dentro das camadas mais marginalizadas da Capital, por isso aquela hora estava dormindo no esconderijo. A Capital estava uma loucura. As pessoas estavam revoltadas, muitas já começavam a atacar os soldados Imperiais. Parecia uma bomba muito próxima para explodir.
Os homens do governo estavam enlouquecidos. Esdeath havia sido deslocada para conter o massacre dos guardas imperiais a leste de capital. Como a general pensou que Tatsumi estava lá junto com os rebeldes partiu sem reclamar. Ela nunca imaginaria que o rapaz se manteria tão perto do perigo como estava.
Estavam ocorrendo execuções o tempo inteiro, eram medidas desesperadas que o governo tentava fazer para conter os revoltosos. Tentavam manter a ordem a força, com violência extrema. E justamente por isso que Najenda ordenou que eles mantivessem próximo a capital, para evitarem pelo menos parte destas atrocidades.
Pararam observando as inúmeras crucificações dos supostos espiões. Akame olhava de forma aliviada por não encontrar Pavati entre as cruzes.
'Que barbaridade… Estão tentando intimidar o povo.' Tatsumi sussurrou ao lado de Akame observando com pesar os mortos.
'Sim…' Akame respondeu. 'Vamos, não há nada que podemos fazer por eles.'
Tatsumi assentiu e estavam caminhando de volta para o esconderijo quando um vulto se colocou no caminho deles. Estava também com um capuz evitando de ser reconhecido pela multidão que observava o show de horrores do governo.
Quando o desconhecido levantou o rosto, Tatsumi o reconheceu de imediato. Parou a frente de Akame. 'É um inimigo.' Avisou reconhecendo Run.
Run aproximou, fazendo os dois levarem suas mãos até suas espadas prontos para sacarem a qualquer instante. Os olhos dourados cravaram em Akame, encarnado-a. 'Nos encontramos novamente.'
Ela franziu a testa. 'Agora pelo menos de frente. O que você quer?'
Run desviou os olhos de Akame pera Tatsumi. 'Esdeath está como louca a sua procura.'
'Logo a encontrarei e acertaremos as contas.' Ele respondeu em tom sério.
'Não venho como inimigo.' Run falou levantando as mãos a frente, num sinal claro de rendição por ora.
'Humph… quer mesmo que acreditemos nisso?' Tatsumi falou entre os dentes. 'Você é um Jaeger.'
'Sei que é difícil de acreditar… mas venho por Kurome.'
Akame arregalou os olhos e deu um passo à frente, mas Tatsumi segurou o braço dela. 'Pode ser uma armadilha.'
Aquilo era uma verdade.
'Apenas me ouçam e depois tirem suas próprias conclusões.' Run pediu. 'Por favor, me acompanhem até um lugar mais tranquilo para que possamos conversar.'
'Acha que somos idiotas?' Tatsumi segurava mais forte o braço de Akame.
Run o fitou com o rosto sério. 'Mesmo que seja uma armadilha e que eu queria uma luta contra vocês, não é mais prudente em um lugar com menos civis?'
'Ele está certo.' Akame falou e Tatsumi teve que concordar.
'Sigam-me.' Run falou, ajeitando o capuz que tampava seus cabelos loiros e começando a caminhar sendo seguido pelos dois assassinos.
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Já era final da tarde. Akame caminhava devagar em direção às ruínas da igreja central na floresta Gyou. Tocou de leve na empunhadura de Murasame, se tivesse que usá-la contra Kurome, teria que ser feito. Tinha que libertar a irmã de um jeito ou de outro daquela situação que ela estava. Parecia sozinha mas não estava. Olhou de soslaio para a direita e percebia o rapaz camuflado por sua armadura tornando-o invisível. Soltou um suspiro, queria resolver as coisas com Kurome sem a presença dele, sabia que a irmã gostaria de tirar algumas coisas a limpo e sabia que falariam inevitavelmente do passado o qual ela não gostaria que ele soubesse, mas sabia o quanto Tatsumi era teimoso.
Abaixou os olhos observando a estreita estrada de terra entre as árvores da floresta. Lembrou-se da primeira vez que havia passado por aquela estrada e logo encontrando a catedral tão bela a sua frente. Estava tão ou mais nervosa que agora. Seria quando encontraria Kurome depois de tantos anos separadas forçadamente para que enfrentassem sozinhas seus treinamentos como assassinas.
Levantou o rosto e observou as ruínas da construção que nem de longe lembrava a esplendorosa catedral.
Mordeu de leve os lábios e apertou as mãos em sinal de nervosismo. Tinha certeza que Kurome estava já lhe esperando, tinha um plano em mente com tantos riscos, com tantas incertezas que começava a fraquejar se realmente daria certo.
Tatsumi reparou nela, conhecia bem para ter certeza em como ela estava nervosa, apesar de tentar se controlar. Soltou um suspiro. 'Tem certeza…'
'Não.' Ela o cortou. 'Lembre-se do que me prometeu. Não interferirá em nada.'
'Akame…' Ele sussurrou, dando-se por vencido. Não gostaria de entrar em uma discussão com ela novamente.
O trajeto até a entrada da catedral foi em silêncio. Parara por alguns instantes.
'Ela perceberá sua presença se movimentar-se.' Sussurrou sabendo que o rapaz escutaria.
'Ficarei longe e parado. Não se preocupe.'
'Obrigada.' Ela agradeceu e deu um passo a frente.
There's gotta be another way out
Tem que haver outra maneira de sair
I've been stuck in a cage with my doubt
Eu fui preso em uma gaiola com minha dúvida
I've tried forever getting out on my own.
Eu tentei sempre sair por conta própria
But every time I do this my way
Mas toda vez que eu faço isso do meu jeito
Entrou pelas ruínas e percebeu que Tatsumi havia feito o prometido, ficando afastado. Logo percebeu o vulto pequeno da irmã sentada no altar a alguns metros dela. Caminhou devagar sem tirar os olhos de Kurome que assim que a viu saltou de onde estava sentada e se aproximou. Finalmente as duas se encararam.
'Run tinha razão. Você viria, Onee-chan.' Kurome falou com a voz doce se aproximando. Estava com uma caixa de pocky na mão direita e um dos palitos doces na boca.
'Kurome.'
A mais nova sorriu para ela, inclinou o corpo, olhando atrás da irmã. 'Pensei que vinha sozinha.'
Akam soltou um suspiro. 'Ele insistiu. Não conseguiria vir sozinha, mas prometeu que não interferirá em nada.'
Ela endireitou o corpo e sorriu. 'Tem um admirador, Onee-chan?'
Akame corou com o comentário e desviou os olhos de Kurome. 'Você também pelo que eu soube tem um. O usuário de Grand Chariot.'
Agora foi a vez de Kurome corar. 'Wave… é um bom homem.'
'Vejo que também tem sentimentos por ele…'
'É meu companheiro.'
'Entendo…' Akame falou e olhou para trás rapidamente, onde conseguia perceber a presença de Incursio.
'Pena que considera que eu sou uma donzela indefesa.' Kurome falou fazendo-a voltar para frente.
Akame sorriu. 'É o mal dos homens.'
I get caught in the lies of the enemy
Eu sou pego nas mentiras do inimigo
I lay my troubles down
Eu coloco meus problemas para baixo
I'm ready for you now.
Eu estou pronto para você agora
'Quer?' Kurome ofereceu estendendo a caixa. 'Sei que gosta, assim como eu.'
Akame aceitou com um gesto e caminhou até Kurome que bateu de leve no fundo da caixa fazendo os palitinhos acessíveis para que a irmã pegasse o quanto quisesse. Akame pegou um e colocou na boca.
Sentaram-se cada uma em um banco diferente na igreja e ficaram em silêncio por alguns instantes apenas comendo o doce. No fundo, as duas estavam felizes por estarem apenas juntas sem falarem nada, apenas apreciando uma a companhia da outra.
'Já nos encontramos neste lugar antes…' Kurome quebrou o silêncio. 'Além deste ser o lugar onde você me traiu. Não consigo lugar melhor para te matar.'
Akame permaneceu em silêncio, olhando para baixo enquanto ouvia a irmã. Ela gostaria de desabafar, talvez pudesse tentar convencê-la de que não a traiu. Fechou os olhos e percebeu a presença de Yatsufusa, enquanto a irmã mantivesse aquela katana perto de si, ficaria ainda com a mente nublada sem entendê-la, pelo menos era isso que gostaria de acreditar.
'Bate uma saudade, né?' Kurome continuou a falar. 'Você sempre me protegeu…'
'Crianças sem pais…' Akame falou finalmente. 'Não tínhamos para onde ir. Criadas como assassinas pela Capital. Éramos ordenadas a manter a ordem pública através da repressão de revoltas em potencial. Diziam que havíamos nascido para isso. Obedecemos às ordens e matamos quem infligia o Império. Porque era o que pensávamos que era o certo.' Akame fechou os olhos lembrando-se do seu primeiro assassinato, quando matou Martha, a primeira de suas milhares de vítimas.' Levou uma das mãos até o rosto apertando com o polegar e o indicador as têmporas. Lembra de tudo era doloroso, mas era preciso agora.
Lembrava-se de quando viu Kurome depois daquele tempo todo de treinamento, ela veio correndo na sua direção, naquele mesmo lugar, gritando o seu nome e se jogou em seus braços, abraçando-a forte.
'Fomos finalmente reunidas após sermos separadas nas divisões de treinamento…' Akame continuou a falar. Cerrou o punho que estava repousado sobre sua perna lembrando-se do que havia descoberto o tipo de treinamento a que Kurome fora submetida naquele tempo de separação. Trincou os dentes, tinha que se manter calma. Tinha que seguir o plano. 'Nos reuniram simplesmente porque era preciso substituir companheiros mortos e não porque haviam prometido. Mas independente do motivo, voltamos a ficar juntas.'
Bring me out
Me leve para fora
Come and find me in the dark now
Vem e me busque no escuro agora
Every day by myself I'm breaking down
Todos os dias sozinho estou me destruindo
I don't wanna fight alone anymore
Eu não quero mais lutar sozinho
Kurome sorriu de leve lembrando-se daquele tempo. 'Era como se fosse a nossa infância finalmente. Aquela que nos tiraram.' Era bom voltar a treinar com Onee-chan, na verdade, era maravilhoso treinar com ela. 'Éramos as melhores assassinas do grupo. Algumas missões eram muito complicadas…' Soltou um suspiro lembrando-se de uma das tantas missões que havia feito ao lado da irmã naqueles tempos gloriosos. 'Mas passamos por elas por estarmos juntas. Eu era feliz, eu estava imensamente feliz, simplesmente por estar com você. Por dormir abraçada a você… por saber que estávamos juntas, não importava o que havia se passado, ou o que teríamos que passar… Estávamos juntas…' Ela trincou os dentes e fechou os olhos. 'Mesmo assim…' O tom havia mudado. 'Mesmo assim… mesmo assim…' Kurome repetia enquanto batia de leve os punhos nos joelhos. 'Você traiu o império e se uniu à Night Raid.' Ela se levantou e olhava para Akame que ainda estava sentada. 'Por quê?!' Gritou.
Akame se levantou e virou-se para ela devagar. As duas agora estavam uma a frente da outra fitando-se.
'Eu tentei de deter…' Kurome continuou, percebendo que a irmã não respondia sua pergunta. 'Após você me deixar, só restou a tristeza.. e a tristeza. Dia após dia, eu pensava em te matar.'
Akame franziu a testa. 'Me matar lhe trará paz, Kurome?'
'Não existe paz.' Kurome respondeu, pegando Yatsufusa e a tirando devagar da proteção. 'Só quero eu mesma te matar porque não vou admitir que nenhuma outra pessoa faça isso. Você é minha onee-chan.' Ela falou apontando a katana na direção dela. Natala e Doya surgiram alguns passos atrás de Kurome que tossiu sangue.
Akame estreitou os olhos no sangue. Run estava certo, Kurome tinha pouco tempo de vida, por isso o desespero em encontrá-la. Estava sofrendo demais viva.
'Usar sua arma imperial requer uma grande quantidade de energia.' Akame comentou, vendo que a irmã não estava bem. Puxou Murasame da sua proteção devagar. Conseguia perceber como a energia de Yatsufusa circulava pela lâmina e envolvia o corpo da irmã. 'O seu corpo agoniza demais, não?' Empunho na direção da irmã. 'Acredite em mim… vou te ajudar com isso.'
Kurome ergueu o corpo e sorriu de forma sinistra, estava completamente envolvida por Yatsufusa. 'Vamos nos matar, onee-chan.' Falou rindo e voltando a se posicionar para uma luta. O olhar era sombrio, não era o mesmo que a alguns instantes atrás que era triste e até raivoso.
Bring me out
Me leve para fora
From the prison of my own pride
Da prisão do meu próprio orgulho
My God
Meu Deus,
I need a hope I can't deny
Eu preciso de uma esperança, não posso negar
In the end I'm realizing I was never meant to fight on my own
No final, eu estou percebendo: Eu nunca fui destinado a lutar por minha conta
Kurome avançou na direção de Akame que saltou para trás, evitando o primeiro ataque. Mas logo a irmã caçula voltou a atacá-la com agilidade. Akame percebeu que que Natala aproximava-se a direita, e inclinou o corpo evitando de ser atingida pela lança mortal do ex-amiga. Virou o corpo e atingi-o com força no abdômen fazendo-o ser lançado para trás e bater em alguns dos bancos que ainda estavam úteis das ruínas da igreja. Ouviu o barulho de engatilhamento de arma de fogo e notou que Doya estava já apontando para ela suas duas armas, atirando em seguida. As balas chicotearam em Murasame que as repeliu sem problema, mas foi o tempo de Kurome se aproximar dela e tentar mais um golpe. Desviou no último segundo no entanto sentiu a lâmina de Yatsufusa raspar no seu braço direito.
Novamente Kurome tentou golpeá-la de forma incessante, obrigando-a a pular para fora onde teria mais espaço para a luta contra os três. Saltou para trás, logo depois quebrando o vitral e finalmente saindo para o lado de fora do pátio, sendo seguida de perto por Kurome que não parava de tentar golpeá-la não lhe deixando um espaço sequer para contra-atacar.
Assim que tocou o chão de terra da lateral da catedral, teve que pular para trás desviando dos golpes da irmã. Percebeu novamente aproximação rápida de Doya que tentou acertá-la com um chute alto. Ela atirou duas vez na direção de Akame que esquivou-se dos projéteis, logo em seguida tentando acertar a atiradora. Seguiria no encalço dela se não fosse Natala tentar lhe acertar com a lança. Desviou arrastando-se seus pés alguns metros sobre a terra e virou o rosto para a direita vendo sobre o ombro direito Kurome saltar na sua direção com Yatsufusa acima da sua cabeça pronta para lhe golpear de cima a baixo. Girou o corpo com rapidez, fazendo Murasame e Yatsufusa se chocarem com fúria e empurrando Kurome para trás. Assim que ela tocou o chão, voltou a correr na direção da irmã, girando Yatsufusa no seu lado esquerdo, arrastando a ponta da sinistra katana no chão.
Akame protegeu-se com Murasame. As duas lâminas em contato enquanto as duas irmãs fitavam-se atrás cada uma de sua arma.
'Por que nos traiu, onechan? Por que deu as costas ao nossos companheiros?' Kurome falava com raiva, colocando toda a sua força contra a espada da irmã. 'Se não tivesse nos traído estaríamos até hoje juntas!'
'Percebi que o que fazíamos não era pelo povo.' Akame tentou responder mais uma vez. 'Era uma mentira!' Gritou empurrando Kurome que foi obrigada a saltar para trás e se afastar de Murasame. 'Éramos uma unidade especial cujo o objetivo era executar qualquer ordem da Capital sem questionar.' Ela falava com o tom beirando ao desespero. Tinha que tentar fazer a irmã entender que nunca deu as costas a ela, mas nunca conseguiria continuar matando pessoas inocentes apenas para continuar com aquele mundo de luxo e poder para um grupo pequeno que comandava o Império. 'Se este Império continuar a existir, o povo está fadado a sofrer! Foi por isso que tentei te levar comigo!'
'Não tinha como eu partir!' Kurome rebateu. 'Não sou uma traidora como você. Nunca trairia os meus companheiros que se entregaram as missões.'
'Você não entende! Todos eles lutavam por ideais vazios de nobres que só querem poder e mais poder. Aqueles que estão no poder, que davam as missões para nós, são a fonte de desespero e tristeza de todos! Eliminá-los salvará o povo! Salvará crianças que não sejam criadas para matar como nós!' Akame tentava ainda convencer a irmã. 'Nosso companheiros… os que morreram principalmente, entenderiam isso!'
'Que conveniente para você! Eles já estão mortos!' Kurome rebateu, agora novamente aproximando-se irmã para novamente continuar a disputa entre as duas. As armas se chocavam com violência, faiscando energia cada vez que se tocavam com fúria.
Akame saltou para trás, evitando de ser atingida por Kurome mais uma vez. Fez um rolamento evitando ser atingida por mais projéteis de Doya. Aquilo estava irritando-a. Percebeu a aproximação de Tatsumi.
'Não se meta!' Gritou sabendo que recuaria. Tinha ideia de como estava sendo complicado para ele apenas assistir aquela luta. Conhecia-o suficiente para saber que logo ele jogaria aos ventos a promessa de apenas a companhar e usaria como desculpa ser três contra uma. Estreitou os olhos em Doya. Já estava na hora dela descansar em paz. Desviou rapidamente os olhos para Natala que estava um pouco mais atrás. Estava na hora dos dois descansarem. 'Eliminar.' Sussurrou, flexionando os joelhos de leve e pegando impulso para correr na direção deles.
Kurome percebeu o olhar da irmã para suas duas marionetes. Correu tentando se colocar no caminho dela, mas Akame saltou por cima dela que entrou em desespero.
'Doya! Natala!' Ela gritou em pânico. Nunca tinha deslumbrado como a irmã era tão rápida.
Doya atirou como louca na direção de Akame que desviou de cada projétil, cada vez mais próxima dela, freou a corrida quando estava próxima o suficiente e levou Murasame para a esquerda, fazendo um arco a sua frente e cortando a marionete ao meio, as duas partes de Doya caíram no chão e logo se transformaram em pó.
Akame virou o rosto e estreitou os olhos em Natala. Agora era a vez de finalmente o amigo de infância descansar em paz. Correu na direção dele, trocaram ainda alguns golpes até ela conseguir a brecha na defesa dele para que com um forte golpe cortá-lo de cima a baixo. O corpo dele caiu para trás quebrando a máscara que tinha no rosto e Akame sentiu o peito fisgar quando percebeu um deslumbre de sorriso satisfeito no rosto do amigo antes deste cair morto.
'Descansem em paz.' Ela sussurrou ainda observando-o antes dele desaparecer.
Percebeu quando a irmã caçula avançou na direção dela, enlouquecida. 'Você os matou! Você os tirou de mim! Não a perdoarei!'
'Eles já estavam mortos!' Akame gritou tentando colocar alguma coisa ainda na cabeça da irmã. 'Aquele não era Natala! Não era o Natala que conhecemos!'
Kurome parecia não ouvi-la, tentava estocar de forma furiosa a irmã que se defendia dos ataques.
Every little thing that I've known is everything I need to let go
Cada coisinha que eu sei é tudo que eu preciso deixar pra lá
You're so much bigger than the world I've made
Você é muito maior que o mundo que eu fiz
So I surrender my soul
Então eu rendo a minha alma
I'm reaching out for your hope
Eu estou buscando por sua esperança
I lay my weapons down
Eu coloco as minhas armas para baixo
I'm ready for you now.
Eu estou pronto para você agora
Akame estreitou os olhos percebendo que a energia de Yatsufusa estava mais forte conforme a raiva de Kurome, estava tragando energia desesperada do ódio da irmã.
Yatsufusa e Murasame se chocavam de forma sequenciada, enquanto as duas ainda se atingiam com chutes, cotoveladas e outras agressões tentando finalizar aquela luta de forma desesperada.
Tatsumi trincou os dentes apenas observando as duas irmãs estocando-se de forma tão rápida que algumas vezes era difícil acompanhar o movimento delas. Deu alguns passos a frente e cerrou os punhos. Tinha prometido a Akame não intervir independente do que acontecesse. Ela tinha lhe dito que estava tudo sob controle, que ela seguiria o plano, mas depois de ter ouvido a conversa delas, depois de entender parte de toda aquela dor que cada uma tinha, ficava difícil continuar apenas assistindo. Deu um soco numa das paredes da ruína. Maldito Império que colocou duas irmãs que se amam tanto uma contra a outra. Malditos!
Franziu a testa percebendo uma aproximação rápida vindo da floresta. Alguém se aproximava. Alguém muito rápido. Aquele desgraçado do Run deve tê-los traído e alertou onde estariam. Materializou a arma secundária de Incursio, Neuntote.
Estreitou a luta das duas e reparou quando Akame estava para atingir Kurome finalmente, mas alguém se colocou a frente dela fazendo-a saltar para trás.
'Não vou deixar você machucá-la!' Wave falou já usando Grand Chariot.
'Wave?!' Kurome se mostrou surpresa com a presença inesperada do marinheiro.
Ele se colocou a frente de Kurome, olhando fixamente para Akame. 'Night Raid! Eu sou o seu adversário!' Gritou correndo na direção de Akame que franziu a testa observando-o e segurando a empunhadura de Murasame com as duas mãos, pronta se fosse o caso para derrotá-lo. Já tinha ideia de como fazer isso, se o cara fosse tão idiota que viesse.
Wave estava para golpeá-la quando Tatsumi avançou em cima de Wave golpeando-o tão forte que o fez arrastar-se alguns metros e se afastando de Akame.
'Eu não vou deixar machucá-la.' Tatsumi gritou o mesmo para ele.
Akame endireitou o corpo, observando os dois. Tatsumi não estava mais usando a trump card de invisibilidade.
'Tatsumi!' Akame o chamou.
'Você me pediu para não intervir na luta entre você e sua irmã. Se ele vai se meter, o adversário dele sou eu!' O rapaz gritou em resposta.
'Saia da minha frente, Tatsumi!' Wave gritou já colocando-se em posição.
'Não nos interrompam!' Kurome gritou fazendo os dois voltarem-se para ela.
Wave mostrava-se completamente perdido. Não entendia como Kurome pensava, não conseguia entender que tipo de amor era aquele que a fazia enlouquecer e colocar-se em risco tão alto para tentar matar a irmã.
'Kurome, jamais vou abandonar uma companheira!' Ele gritou para ela, erguendo-se.
'Assim… assim só me deixa mais triste.' Kurome falou de costas para Wave.
'Kurome…' Wave soltou o nome tão amada, balançando a cabeça de leve. Voltou-se para Tatsumi e virou-se para trás observando Akame sob o ombro da armadura do rapaz a sua frente. 'Tatsumi! O que está fazendo aqui?'
'Vou garantir que ninguém interferirá na questão delas!'
'Eu não tenho tempo para você.'
'Acha que não quero detê-las?!' Ele gritou de volta. 'Acha que não é isso que eu quero desde que eu cheguei e fiquei parado assistindo as duas lutando? Você tem que entender que elas precisam disso ou nunca vão superar o passado! Não as atrapalhe!'
'Foi ela quem te convenceu disso?' Falou apontando para Akame, fazendo Tatsumi dar um passo para o lado colocando-se a frente da assassina. 'Não posso permitir esta batalha.'
'Acha que não é o que eu também quero?!' Tatsumi gritou. 'Mas precisa deixar que elas resolvam esta questão entre elas, para que possam superar e seguir em frente. Se realmente se colocar contra a vontade de sua companheira não tenho outra saída a não ser lutar contra você!'
'Tatsumi!' Akame o chamou dando uns passos a frente. A intervenção do usuário de Grand Chariot tinha mudado todo o plano. Não poderia colocá-lo em risco.
Os primeiros pingos da chuva começaram a descer dos céus
'Eu já falei Akame! Prometi não intervir em sua questão com sua irmã, mas isso não se aplica a ele.'
Wave trincou os dentes de raiva, encarando Tatsumi. 'Não vou deixar que machuquem… que qualquer um de vocês machuquem Kurome.'
'Eu não vou deixar que você machuque Akame.'
Os dois já estavam para começar a lutar, quando Kurome se aproximou. A chuva se intensificava, molhando todos.
'Wave.' Ela o chamou com a voz doce fazendo-o novamente sair da posição de ataque. Sorriu para ele. 'Obrigada por ter vindo.' Ela fechou os olhos e sentiu o rosto esquentar lembrando-se do que a irmã falou. 'Queria que tivéssemos nos aproximado assim antes.'
'Kurome.' Ele a chamou sentindo o rosto esquentar ao ouvir o que ela disse.
Bring me out
Me leve para fora
Come and find me in the dark now
Vem e me busque no escuro agora
Every day by myself I'm breaking down
Todos os dias sozinho estou me destruindo
I don't wanna fight alone anymore
Eu não quero mais lutar sozinho
Kurome se virou para Akame. 'Entenda que preciso resolver tudo aqui para poder seguir em frente.' Falou erguendo Yatsufusa na direção da irmã. 'Você me entende, não Onee-chan? Você sempre me entendeu, não é?'
Wave desmaterializou a armadura Grand Chariot que protegia seu corpo, olhando-a incrédulo. 'Por favor, Kurome.'
Kurome se voltou para ele rapidamente e sorriu. 'Este é o meu maior desejo. Preciso resolver esta questão com minha amada irmã.'
O rapaz balançou a cabeça desolado. Tatsumi parou ao lado dele, estavam sem Incursio no corpo e tocou no ombro dele, fazendo-o levantar o rosto e encará-lo.
'Logo entenderá tudo.' Disse de forma evasiva, fazendo-o franziu a testa, sem entender.
Tatsumi se afastou e virou-se observando as duas que estavam prontas para lutar uma contra a outra. Respirou fundo soltando o ar devagar enquanto sentia a chuva forte molhar suas roupas, esfriando até mesmo seus olhos. Akame tinha que ser precisa, a situação estava no limite.
Akame segurou a empunhadura de Murasame com as duas mãos e a colocou a frente, encarando a irmã. 'Kurome… minha irmã.'
Kurome fez o mesmo. 'Sim… Eu te amo, onee-chan.'
Akame engoliu em seco. 'Eu também te amo, Kurome.'
Ficaram em silêncio alguns instantes apenas se observando enquanto a chuva caía. Tatsumi e Wave estavam afastados como as assassinas haviam pedido.
Bring me out
Me leve para fora
From the prison of my own pride
Da prisão do meu próprio orgulho
My God
Meu Deus,
I need a hope I can't deny
Eu preciso de uma esperança, não posso negar
In the end I'm realizing I was never meant to fight on my own
No final, eu estou percebendo: Eu nunca fui destinado a lutar por minha conta
Akame e Kumone avançaram uma contra a outra ao mesmo tempo. As duas assassinas incrivelmente ágeis e rápidas, passaram cada uma para um lado, e logo as duas perigosas katanas estavam novamente se chocando. Kurome tentou golpear primeiro, fazendo Akame se proteger com Murasame, ela girou o corpo e tentou em seguida golpear a irmã que também impediu de ser atingida por sua katana. Afastaram-se apenas para pegar espaço entre elas e voltaram a se golpear, faiscando energia a cada colisão entre as armas. A chuva se tornava mais forte, atrapalhando o movimentos delas, assim como os pés escorregavam na terra que começava a se tornar enlameada.
Akame sabia que estava na hora do golpe final. Kurome havia cedido muita energia para Yatsufusa e estava no limite. Avançou em direção a irmã que tentou golpeá-la mais uma vez, abaixou-se deslizando pela chão ficando agora por trás de Kurome que não conseguiu acompanhar mais os movimentos da irmã mais velha.
E tudo foi muito rápido…
I don't wanna be incomplete
Eu não quero ser incompleto
I remember what you said to me
Eu me lembro o que você disse para mim
I don't have to fight alone
Eu não tenho que lutar sozinho
Kurome arregalou os olhos vendo a lâmina de Murasame em sua direção de cima para baixo, e colocou a espada a sua frente se encolhendo para receber o impacto.
Wave deu alguns passos para frente, gritando por Kurome quando percebeu que seria o fim da mulher que amava, mas Tatsumi se colocou na frente dele novamente impedindo-o de interferir. O homem estava pensando tão debilmente com a situação que nem um momento pensou em usar sua teigu.
'Kurome!' Gritou em desespero.
Akame vendo a baixa da guarda da irmã desviou o caminho de Murasame para a lateral fazendo-a estocar apenas o barro ao lado de Kurome que arregalou os olhos, assustada ao perceber os respingos grossos de lama em seu corpo.
A assassina de olhos vermelhos girou o corpo e deu um chute alto nas mãos da irmã fazendo-a finalmente largar Yatsufusa.
'Não!' Kurome gritou vendo-se desarmada e observando sua teigu girando no ar. Tentou ir atrás dela, mas a irmã fora muito mais rápida.
Akame correu na direção da espada, ergueu Murasame acima de sua cabeça e saltou para frente para atingir a sinistra lâmina de Yatsufusa. Ela gritou colocando toda a força e toda a precisão que tinha naquele golpe que sabia que seria o primeiro passo para salvar a irmã. Sabendo onde era o ponto fraco das armas estilo katana, ela golpeou Yatsufusa fazendo-a quebrar-se em mil pedaços que caíram por terra. Raios negros rodearam-a de tal forma que quando ela tocou o chão olhou em volta sentindo-se encurralada. Semicerrou os olhos nos vultos que começavam a emergir da lama com suas formas indefinidas. Yatsufusa ainda tentava se defender. Sorriu de lado.
'Akame!' Tatsumi gritou se aproximando dela, mas foi impedido pelos raios negros. 'Merda!'
A assassina no entanto não parecia abalada. Sabia que aquilo era possível de acontecer, por isso a chutou o mais longe possível da irmã para que ela não estivesse no raio de ação da teigu.
Ignorante eram aqueles que achavam que as Teigus eram apenas armas poderosas. Ela mais que ninguém sabia a verdadeira essência das armas imperiais. Apertou a empunhadura de Murasame com força. Ela sabia o que era todo o dia lutar contra a influência de algo sanguinário para que se subjulgasse as suas vontades, ao seu controle, ao seu código de ética.
'Ainda tentando me atingir, Yatsufusa. Patético.' Murmurou chutando para cima a empunhadura da arma que tinha cravado no chão e girando o corpo para novamente acertá-la e finalmente fazendo deixar de existir qualquer coisa daquela arma mórbida.
Akame estreitou os olhos nas cinzas que havia se formado a empunhadura da katana assim com os corpos que nem ao menos conseguiram se levantar totalmente da terra. Que descansasse em paz todos aqueles que foram mortos por Yatsufusa.
Kurome caiu de joelhos no chão observando o que a irmã tinha feito. Sentia-se fraca, terrivelmente fraca. Tossiu sangue que logo foi diluído pela chuva que caía sem trégua naquela hora. Wave se aproximou dela e a cobriu com seu sobretudo, o corpo da jovem tremia.
Akame guardou Murasame e virou-se para Tatsumi que a olhava assustado ainda para o que tinha acontecido. Ela sorriu para ele. 'Eu não disse que sabia o que eu estava fazendo.'
Tatsumi balançou a cabeça de leve. 'Sua baka. Assim você me mata do coração.' Falou se aproximando e a abraçando forte. 'Acabou.'
Akame respirou fundo. 'Ainda não… Esta foi só a primeira parte do plano.'
Ele a abraçou mais forte. 'Ainda não desistiu?' Falou com a voz chateada.
'Nunca…' Akame falou e se afastou dele. 'Me ajude a convencê-los. Por favor…'
O rapaz virou-se para trás, observando Wave ajudar Kurome a se levantar.
Wave tinha pedido para irem embora, mas a jovem se recusou, dizendo que não tinha acabado ainda. Ela tirou o casaco do rapaz e caminhou em direção a irmã, os passos não eram firmes como antes. Parou em frente a Akame com os olhos ainda revoltados.
'Não vai me matar? Por que guardou Murasame?' Ela falou com raiva.
Akame inclinou a cabeça de leve. 'Acabou, Kurome.'
'Não acabou!' Ela falou e bateu no peito. 'Não posso ser motivo de piedade…'
Akame deu um passo a frente com o rosto sério, tirou Murasame da cintura e a jogou na direção de Tatsumi que a pegou no ar, não queria nenhuma arma perto mais delas. Aproximou-se de Kurome e fez o que tinha vontade de fazer durante tanto tempo, a abraçou apertado contra o peito.
Bring me out
Me leve para fora
Come and find me in the dark now
Vem e me busque no escuro agora
Every day by myself I'm breaking down
Todos os dias sozinho estou me destruindo
I don't wanna fight alone anymore
Eu não quero mais lutar sozinho
Wave observou as duas sem entender, estava já pronto para intervir quando percebeu que Akame havia levando a mão até a katana, mas não imaginava a atitude dela. Já Tatsumi sorriu de leve vendo-as. Sabia exatamente o quanto Akame estava feliz em poder abraçar a irmã daquela forma.
'Eu te amo, minha irmãzinha. Nunca, nunca desisti de você.'
'Onee-chan.' Kurome sussurrou e assim como a irmã sentiu os olhos arderem. Levantou os braços e a abraçou pela cintura com força. 'Onee-chan!' Falou mais uma vez a abraçando enquanto chorava.
Tatsumi parou ao lado de Wave. 'Precisamos conversar, Wave.' Falou chamando a atenção do jaeger que virou-se para ele. 'Não sei o quanto você é alienado pelo Império, mas está na hora de parar de se fingir de cego.'
Wave franziu a testa observando-o.
'Você a ama, não?' Disse fazendo um gesto em direção a Kurome e o viu acenar com a cabeça respondendo sua pergunta. 'Então precisa saber o que o Império fez a ela e a tantas outras crianças.'
'O império me salvou.' Ele rebateu.
'Humph… um comandante te salvou. Inclusive, o salvou de outro membro do exército, não?' Tatsumi falou. Conhecia a história de Wave, Boss tinha lhe contado. 'Ou você para com isso, ou vai levar não só você, mas Kurome e muitas outras vidas para a cova.'
Wave tocou a espada pronto para solicitar sua teigu.
'Olhe a sua volta, marinheiro!' Akame falou chamando a sua atenção. Ainda tinha Kurome nos seus braços. As duas chorando. 'Você realmente acredita num império que coloca duas irmãs órfãs para lutar uma contra a outra?' Ela sentiu o corpo de Kurome tremendo. 'Precisamos tratá-la o quanto antes. Não me impeça de salvar a vida da minha irmã das malditas drogas que a merda do Império que você defende a obrigaram a tomar.'
Wave olhou de Akame para Tatsumi. Não sabia o que pensar, não sabia o que fazer. Olhou para Kurome que ainda estava agarrada a Akame.
'Yatsufusa já não a afeta mais. Minha irmãzinha voltou.' Akame falou mais uma vez e sorriu para ele. 'E nós vamos salvá-la.'
Bring me out
Me leve para fora
From the prison of my own pride
Da prisão do meu próprio orgulho
My God
Meu Deus,
I need a hope I can't deny
Eu preciso de uma esperança, não posso negar
In the end I'm realizing I was never meant to fight on my own
No final, eu estou percebendo: Eu nunca fui destinado a lutar por minha conta!
Notas Finais:
Sim... tirei o tal do monstro que atacou as duas no meio do duelo, pq simplesmente não vi muita lógica do grandão aparecer do nada. Só se foi para ele dar fim em Doya e Natala... mas achei mais coerente o que o mangá fez que foi a Akame eliminá-los.
Também mudei a questão do Tatsumi estar acompanhando-a, o que tb para mim fez mais lógica, e segui em parte o mangá.
E o que diabos Run queria com os dois? Tá parece confuso e está mesmo um pouco pq não queria dar spoiler sobre a luta das duas irmãs, no próximo capítulo tudo ficará explicado melhor. Principalmente o papel do Run que eu mudei já que ele foi um nada no anime praticamente e eu sinceramente gostava dele no mangá. Como tiraram o arco da Wild Hunt do anime (o que para mim foi bem sensato pq aquele arco é realmente muito indigesto) acho que ele ficou sem sentido no anime, então achei um sentido para ele aqui...
