Como alertei no capítulo passado, agora não estou seguindo exatamente o anime. A ideia é mesclar acontecimentos do anime e do mangá com algo original.

Música: The Grey (As Cinzas) por Icon for Hire

Akame Ga Kiru!

A Assassina de Olhos Vermelhos

Mate suas Chances

Por Kath Klein

Antes do Duelo entre Akame e Kurome

'Sei que é difícil de acreditar… mas venho por Kurome.' Run falou em tom solene e sincero. Esperava que realmente que principalmente Akame acreditasse.

Akame arregalou os olhos e deu um passo à frente, mas Tatsumi segurou o braço dela. 'Pode ser uma armadilha.'

Sim, poderia ser uma verdade e ela não tinha tirado isso em mente, mas depois de ter todas as suas esperanças soterradas sobre sua irmã, não tinha como simplesmente ignorar.

'Apenas me ouçam e depois tirem suas próprias conclusões.' Run pediu. 'Por favor, me acompanhem até um lugar mais tranquilo para que possamos conversar.'

'Acha que somos idiotas?' Tatsumi segurava mais forte o braço de Akame.

Run o fitou com o rosto sério. 'Mesmo que seja uma armadilha e que eu queria uma luta contra vocês, não é mais prudente em um lugar com menos civis?'

'Ele está certo.' Akame falou e Tatsumi teve que concordar.

'Sigam-me.' Run falou, ajeitando o capuz que tampava seus cabelos loiros e começando a caminhar.

Akame observou o rapaz se afastando e deu um passo a frente para seguí-lo mas Tatsumi não soltou seu braço. Ela voltou-se para ele e inclinou a cabeça de leve.

'Vamos?'

Tatsumi adoraria falar que não, mas os olhos dela brilhavam de forma tão bela que apenas soltou um suspiro soltando-a e logo os dois assassinos estavam caminhando alguns passos atrás de Run.

I'm standing on the edge of returning or just running away

Estou à beira de voltar ou apenas fugir

I'm letting myself look the other way

Eu estou me permitindo olhar de outra maneira

And the hardest part in all of this is

E a parte mais difícil em tudo isso é

I don't think I know my way back home

que eu não acho que conheço o meu caminho de volta

Is it worth the journey, or do I let my heart settle here?

Vale a pena a jornada ou eu posso deixar meu coração resolver nesse momento?

Caminharam em silêncio por cerca de vinte minutos, até a parte mais afastadas da cidade.

Run parou em frente a uma construção grande e moderna. 'Aqui era o laboratório do Dr. Stylish.' Run clarificou. 'Está abandonado desde o desaparecimento dele. Apenas o idiota do filho do primeiro ministro se interessou pelas pesquisas dele, mas apenas para saber onde o cientista aprisionava suas cobaias.' Disse, pegando a chave e abrindo a porta, deixou-a aberta para que eles pudessem passar.

Tatsumi e Akame se entreolharam, mas acompanharam o Jaeger. Assim que entraram, os dois puxaram suas armas já prontos para um possível confronto. No fundo era isso que esperavam durante todo o trajeto. Eliminar um jaeger enfraqueceria mais ainda as forças do império. Este era o objetivo deles desde que aceitaram acompanhar Run.

'Esperem para ouvir o que eu tenho a dizer e depois podemos lutar, se assim quiserem.' Ele falou de forma calma ao mesmo tempo que tirava o sobretudo, revelando as asas de Mastema. 'Assim como vocês, sei exatamente o tamanho do risco que estou me colocando me expondo sozinho a frente de dois membros da Night Raid.'

'O que quer falar sobre Kurome?' Akame foi direta.

'Kurome está morrendo.'

'Isso eu sei.' Ela falou entre os dentes, apertando a empunhadura de Murasame. 'Não precisa me falar sobre a saúde da minha irmã.'

Run franziu a testa observando a jovem a sua frente com cuidado. 'Sei que nosso primeiro encontro passei a impressão errado sobre mim.'

'Você me atacou pelas costas.' Ela o lembrou bem.

'Mas você soube desviar com muita precisão. Foi um teste.' Ele admitiu. 'Precisava saber se você fazia jus a fama que tinha. Se não fosse capaz de desviar das minhas penas, não seria páreo para Esdeath.'

'Para de historinha, Run!' Tatsumi falou irritado. 'Fale o que quer de uma vez!'

'Sou um professor…' Ele começou, soltou um suspiro triste. 'Era, pelo menos... antes do exército imperial exterminar todos os habitantes do vilarejo que eu dava aulas, inclusive todos os meus alunos… crianças. Crianças com menos de 10 anos de idade.'

'E você se juntou aos assassinos?!' Tatsumi perguntou abismado. 'Que tipo de monstro é você?'

'Meu objetivo sempre foi entrar na Capital para tentar fazer o mesmo que vocês. Matar o primeiro ministro, mas você viu como não é fácil chegar perto dele ou do Imperador.' Rebateu encarando Tatsumi.

'Um Espião.' Akame concluiu.

'Não! Não sou um espião. Trabalho sozinho. Não faço parte de nenhuma facção.' Run continuou. 'No entanto, percebi que infelizmente não vou conseguir sozinho. O certo seria eu aguardar pela iniciativa de vocês e apenas esperar o momento que Honest baixasse a guarda para eliminá-lo, no entanto…' Baixou os olhos. 'Não consigo me manter indiferente ao que vejo. Kurome apenas fala que seu maior desejo é encontrar sua irmã para matá-la mas o que realmente quer é encontrá-la para que você dê fim a vida dela.'

Akame deu um passo a frente. 'Por que está me falando isso? Está se divertindo com a situação?'

'Não!' Run respondeu prontamente com a voz séria, voltando a encará-la. 'Quero salvar… ou pelo menos tentar salvar Kurome. Ela é importante demais para uma pessoa que eu estimo muito.'

Akame franziu a testa e olhou de soslaio para Tatsumi. Não sabia se acreditava em Run ou não. Tatsumi havia convivido com eles no tempo que havia sido sequestrado por Esdeath, saberia melhor que ela se poderia ou não confiar no que ouvia.

'Qual a sua vantagem nisso, Run?' Tatsumi perguntou. 'Não faz sentido o que está falando. Você diz que sabe como pode salvar Kurome, por que não o faz de uma vez? Qual o motivo desta conversa?'

'Porque eu talvez saiba ou pelo menos consiga ver uma chance para salvá-la, mas não sou capaz de fazer isso.'

'Está falando em círculos.' O rapaz de olhos verdes reclamou.

'Eu li as pesquisas de Stylish.' Falou apontando para as estantes com livros. 'Também li sobre todos os treinamentos do Império que usaram drogas ou qualquer outra substância para melhoramento da performance de seus recrutados. Li sobre a Elite dos Sete…' Fitou Akame por alguns segundos. 'Assim como li sobre a Equipe do Terror.'

'Não deveria se meter nisso.' Akame sibilou.

'Precisava.' Run rebateu. 'Pois precisava saber exatamente o que Kurome havia sido submetida para tentar achar uma possível solução. Sua irmã é uma boa moça, apesar de tudo.' Ele começou a caminhar em direção aos livros. 'Depois que o vilarejo que eu dava aulas foi exterminado, procurei saber sobre as armas do Império e pesquisei durante anos sobre as teigus. Sobre o poder destas armas terríveis e principalmente a origem delas.' Voltou-se para trás observando Tatsumi sobre o ombro direito. 'Deve ter ciência que sua teigu é proveniente de um dragão, Tyrant, não?'

Tatsumi franziu a testa.

'Nunca teve curiosidade de entender de onde provém sua força?'

'Ela vem da minha vontade.'

Run sorriu, pensou que Tatsumi era realmente ingênuo e romântico demais, muito parecido com Wave. Voltou a olhar os livros a sua frente, procurando o que queria. 'As teigus são armas incríveis, muitas foram elaboradas seguindo manuais de bruxaria, alquimia, demonologia… são obras primas da ambição humana que é capaz de se jogar no desconhecido por poder.' Soltou um suspiro. 'Como sabe, a teigu é quem escolhe o usuário. Para isso precisa ter uma afinidade única, o que nem sempre acontece. Alguns usuários não são capazes de tirar o proveito máximo dela, as teigus aceitam estes usuários para que possam chegar finalmente aos que consideram legítimos. Posso lhe assegurar que esta história de que um usuário precisa morrer para que outro assuma não é verdade.'

'Você roubou Mastema, não?' Akame perguntou, tinha conhecimento que aquela teigu deveria estar em poder de outro usuário.

Run não se abalou. 'Quando li sobre Mastema meu coração pela primeira vez depois de meses havia voltado a ter esperança. Sabia que ela era para mim e fui até ela. Mastema me aceitou de imediato. Não precisei nem mesmo matar a usuária anterior. Hoje as asas de Mastema fazem parte de mim, como deveriam fazer parte do anjo caído que foi o precursor.' Ele pegou finalmente o que queria e voltou-se para os dois com um fichário grosso nas mãos. 'Gosto de acreditar que Deus mandou esta arma para que me ajudasse a fazer justiça.'

'É uma bonita história. Bem fantasiosa.' Tatsumi sorriu de lado.

Run ergueu uma sobrancelha. 'Não acredita nisso porque provavelmente não conseguiu ter a conexão correta com sua teigu, Tatsumi. Sendo assim, será incapaz de tirar o maior proveito dela… uma lástima.'

O rapaz não gostou do tom, deu um passo a frente. 'Por que está contando isso tudo?'

Run caminhou devagar até eles, parou a frente da mesa que os separava. 'Por que apenas se conseguirem tirar o poder real de suas teigus é que poderão ser páreo para Esdeath. Você viu o poder dela, não? E também sabe muito bem a história dela. Ela me contou em suas lamentações que havia aberto o coração e sua vida para você.'

Tatsumi endireitou o corpo. 'Ela sempre foi louca. Não havia como convencê-la a se juntar a nós.'

'Exatamente. Por isso ela conseguiu tirar o proveito máximo de sua teigu. Tornando-se terrivelmente indestrutível. Em teoria todas as teigus seguem o mesmo princípio, porque acredita que ela tem um nível tão alto comparado a você?'

'Por… porque ela…' Ele balançou a cabeça de leve. 'Porque ela é mais compatível a teigu… Ela é o próprio demônio.'

'Exatamente. Antes vários oficiais tentaram beber apenas um gole do sangue daquele demônio, mas todos enlouqueceram. Esdeath tinha a mesma natureza que sua teigu. Foi fácil para ela se adaptar e simplesmente tirar o proveito máximo de seus poderes.' Run virou-se para Akame. 'Como também sei que existem outros usuários que possuem uma afinidade enorme com suas espadas. Capaz inclusive de agir com elas como parceiras, não é Akame-san?'

How cold have I become?

Quão frio eu me tornei

I didn't want to lose you by what I'd done

Eu não queria te perder pelo o que fiz

Caught in the grey

Preso às cinzas

Akame segurou mais forte a empunhadura de Murasame que estava abaixada ao lado de seu corpo. Sabia que era verdade, tinha uma grande afinidade com Murasame. Pensou em Izou e Kousetsu. Realmente ficava na dúvida se o homem era apenas esquizofrênico ou se conseguia mesmo falar com sua espada. Abaixou os olhos fitando Murasame, sentia-se segura de alguma forma com ela por perto. Era como se fosse a extensão de seu braço.

Quando a viu pela primeira vez empunhada por papai, ameaçando-a não sentiu medo. Por algum motivo bizarro não sentiu medo daquela arma. Sentia ódio por papai, um ódio tão grande por tê-la separado de Kurome, mas estranhamente gostava do brilho da lâmina de Murasame quando o sol batia nela. Brilhava de forma hipnotizante. Foi fácil para ela simplesmente a segurar sem receio quando percebeu que Gozuki sumiu por dias. Todos seus companheiros alertaram para ela não tocá-la. Green fora categórico dizendo que quem a tocasse poderia morrer na hora. Mas ela não ligou. De alguma forma achou que a katana lhe chamava por isso simplesmente a pegou para si. Uma voz suave, doce, cheia de esperanças de que reencontraria a irmã e sairia daquele inferno.

Levantou o rosto e voltou a fitar Run. 'Você parece ter todas as respostas, porque ainda não derrubou o ministro?'

'Porque não tive oportunidade. Além disso vi o quanto Esdeath é perigosa. Preferi ficar de olho nela, tentar achar o ponto fraco, que pensei que fosse você.' Falou fazendo um gesto em direção a Tatsumi que novamente ajeitou o corpo, sem disfarçar que estava incomodado. 'Mas depois que ela tomou a decisão dela mesmo matá-lo, vi que não havia ponto fraco naquele demônio e realmente apenas outro demônio é capaz de derrotá-la. A general número um contra a assassina número um. Duas portadoras de perigosas teigus.'

Akame estreitou os olhos nele. 'Então acha que sou capaz de derrotar Esdeath?'

Ele encolheu os ombros. 'Talvez. Você se acha capaz?'

'Isso é necessário. Ela continuará a proteger este Império como desculpa para continuar sua carnificina.'

'Exatamente.' Run concordou. 'Alguém ou alguma coisa precisa para-la.' Falou devagar observando-a. 'E provavelmente apenas um demônio é capaz de derrotar outro, não?'

Akame endireitou o corpo incomodada com o comentário. Será que Run sabia sobre sua Trump Card. Tatsumi virou-se para ela e se fitaram rapidamente até ela desviar o olhar.

'O que deve ser feito, será feito.' A jovem falou simplesmente.

I don't wanna look you in the eyes, you might call me away

Eu não quero olhar em seus olhos, você pode me mandar embora

I don't wanna give you the chance to make me stay

Eu não quis te dar a chance de me fazer ficar

Run sentiu o clima pesado entre os dois. Colocou o fichário na mesa fazendo um barulho e chamando a atenção dos dois. Soltou um suspiro, sabia que agora viria a parte mais difícil de explicar. 'Quando entrei finalmente para os Jaegers tive acesso a mais informação e com mais pesquisas, fica fácil deduzir que as teigus assim como dão um poder absurdo para seus usuários também são capazes de levá-los a loucura.' Ele ainda tinha o olhar preso em Akame. 'Você já enfrentou vários usuários de armas imperiais, deve saber do que eu estou falando. Principalmente por possuir uma das mais letais, não?'

'Acredita que as armas interferem no comportamento dos usuários?'

'Você consegue reconhecer sua irmã desde que ela empunhou Yatsufusa?'

Akame arregalou os olhos de leve. Depois levou uma mão no rosto e fechou eles com força. Kurome realmente estava irreconhecível desde que havia se tornado usuária de Yatsufusa. Detestava aquela teigu. Já tinha segurado a empunhadura daquela katana e apesar de ser compatível a ela, sentiu repulsa, permanecendo com Murasame. 'Acredita que destruindo Yatsufusa, Kurome pode ser salva?'

'Não.' Run foi direto, fazendo-a voltar a fitá-lo. 'Destruindo Yatsufusa você conseguirá acabar com a influência perversa que a espada tem sobre sua irmã, mas o corpo dela ainda está debilitado. Yatsufusa deu vida as marionetes mas tomou muita força vital de usuário. Além de Kurome ter sido submetida a muitas drogas durante estes anos… conforme verifiquei nas anotações que encontrei.' Ele tirou os olhos de Akame e abriu o fichário.

Akame se aproximou com cuidado, ainda tinha Murasame em sua mão pronta para se defender ou atacar. Também sabia que Tatsumi estava mais alerta que ela. Abaixou os olhos vendo as fotos de várias crianças até que arregalou os olhos, reconhecendo Kurome. 'O-o que é isso?'

'As anotações do líder da tal equipe do terror. Um homem muito, muito sádico.' Run esclareceu com a voz pesada. 'Não recomendo que leia pois não fará bem para você saber exatamente por tudo que sua irmã foi submetida.'

Akame arregalou os olhos, realmente surpresa. Ignorou a recomendação e largou Murasame na mesa, puxando imediatamente o fichário para perto de si. Abaixando assim completamente a guarda e fazendo Tatsumi se aproximar com incursio a frente. Ele não tirava os olhos de Run enquanto a jovem folheava de forma frenética as folhas, arregalando os olhos a cada notação macabra que lia ao lado do nome da irmã.

'Maldito! Maldito!' Ela murmurava, tentando não começar a chorar de desespero. Tinha ideia do que Kurome havia sido submetida, mas se confrontar com aquilo lhe embrulhava mais o estômago.

'Listei todas as substâncias que foram aplicadas em Kurome.' Run falou tirando um papel de dentro do bolso com cuidado enquanto fitava Tatsumi que diferente de Akame estava mais atento do que nunca. Ele colocou ao lado do fichário. 'São drogas pesadas. Para melhoramento da performance dela como doping.'

Akame levantou os olhos brilhantes com a iminência de lágrimas que ela lutava para não derramar. 'Não existe antídoto? Tratamento? Qualquer coisa?'

'Talvez…' Run finalmente chegou ao ponto que queria. 'Li também sobre o treinamento da Elite dos Sete. Não achei as anotações porque o líder não era tão metódico. Mas sei o suficiente para enfim… ter uma teoria.'

'Que teoria?!' Ela quase gritou.

'Vocês foram treinados para superar qualquer toxina, não?'

Akame franziu a testa. 'Sim… era parte do treinamento.'

'Acredito que vocês foram submetidos a toxinas parecidas porém em dosagens mais controladas ou de forma diferente… enfim… acredito que você possui uma capacidade de regeneração e superação sobre humanas, assim como consegue uma velocidade e percepção sobre humanas. Você desviou das minhas penas quando elas já tinham sido lançadas contra você, nenhum ser humano seria capaz de reflexos tão precisos sem precisar de qualquer substância para tal.'

'Não entendo o que fala'. Akame mostrava-se desorientada.

Run respirou fundo e soltou o ar devagar. 'Já ouviu falar da técnica de transfusão de sangue?'

'Você tá maluco?!' Tatsumi se pronunciou dando um soco na mesa. Entendeu rapidamente o que Run estava propondo depois daquela conversa fiada toda. 'Isso é loucura! Você veio com esta conversa toda para fazer ela acreditar que isso salvará a irmã! Isso é golpe baixo!' Ele empunhou a espada na direção dele. 'Acabou seu tempo, Run. Tá na hora da gente se enfrentar de uma vez.'

Akame estendeu o braço, impedindo Tatsumi de avançar sobre Run. O rapaz não a encarou, não se permitia tirar os olhos do Jaeger a sua frente, tinha certeza que se fizesse isso, Run atacaria os dois.

'Ele contou esta história toda para convencê-la a se colocar em risco! Não pode acreditar nele! É um inimigo!'

Akame vacilava. Talvez pela primeira vez, definitivamente vacilava. Todos tinham sido claros para ela que Kurome estava morta, era uma carcaça apenas e agora um inimigo lhe mostrar uma possível alternativa para salvá-la. Isso a deixava em uma situação surreal.

'Por que citou transfusão de sangue?'

'Oras porque Akame?' Tatsumi se irritou com o interesse da jovem. 'Não está na cara que ele vai sugerir que você faça isso com Kurome! Quer deixá-la fraca ou matá-la! Isso é loucura!'

Akame percebeu que o rapaz tentou novamente se aproximar de Run pronto para atacá-lo. Teve que literalmente se colocar à frente de Tatsumi.

'Acalme-se!' Ela pediu. 'Por favor.'

Ele finalmente tirou os olhos de Run e a fitou brevemente. Merda! Os olhos dela brilhavam agora e não era por lágrimas. Eram de Esperança e detestava ter que abafar aquilo de qualquer maneira. Akame não poderia estar realmente acreditando naquela loucura.

'Não tem como eu me manter calmo com você cogitando se colocar em risco desta forma.'

And the hardest part in all of this is

E a parte mais difícil em tudo isso é

I know my way back I don't want to go

Eu conheço meu caminho de volta eu não quero ir

And let you see all that has become of me

E deixá-lo ver tudo o que eu me tornei

I should've known, I should've known

Eu deveria saber, eu deveria saber

I didn't have a chance

Eu não tinha chance

Run ergueu uma sobrancelha observando os dois, balançou a cabeça de leve. Tatsumi e Wave de uma forma bizarra eram parecidos demais. Inclusive suas Teigus tinham origens parecida, mas pelo que constatava agora, era muito mais que isso. Os interesses amorosos eram bem semelhantes. Eles se dariam bem se não estivessem por ora em lados opostos.

'Faremos o seguinte…' Run chamou a atenção dos dois. Caminhou até uma outra mesa na lateral daquele imenso escritório e pegou suas anotações. Logo voltou até os dois estendendo a Akame a pasta. 'Aqui tem o que eu descobri e o que eu sugiro. Inclusive listando todos os riscos de forma bem objetiva. Leia e tire suas conclusões ou procure alguém com conhecimento que possa lhe ajudar a entender.'

Akame estendeu o braço e pegou a pasta, logo a abrindo e observando as anotações. Tatsumi rodou os olhos. Merda. Akame estava interessada naquela loucura. Fitou Run com fúria.

'Apenas lembre-se que quanto mais tempo Kurome se mantem perto de Yatsufusa mais rápido a katana suga a vida dela.'

Akame levantou os olhos e encarou o Jager. 'Não entendo seu interesse e não sei se acredito nas suas instalações mas admito que está certo nisso. Se quer realmente me ajudar, então marque um encontro meu e de Kurome. Sem a intervenção de ninguém nas ruínas da Catedral na Floresta Gyou.'

Ele assentiu. 'Farei isso. Quando?'

'Agora. Você diz que ela está morrendo, tempo é o que menos tenho para salvá-la.'

'Verdade.' Run concordou. Deu um passo para trás. 'Em uma hora estará com Kurome no local escolhido e lhe asseguro que apenas ela estará lá. Eu ficarei aqui, caso decidam.'

'Ótimo.' Akame falou decidida pegando Murasame da mesa e colocando-a na proteção presa a cintura. Pegou a pasta de anotações de Run. 'Uma hora é tempo suficiente para você encontrar Kurome e para eu ler isso aqui.'

'Akame… eu não acredito…' Tatsumi começou a falar irritado.

'Vamos.' Ela o cortou já caminhando para fora do local.

Tatsumi encarou Run segurando mais forte a empunhadura de Incursio, tentado a solicitar sua armadura e atacá-lo. 'Juro que se coloca-la em risco eu acabo com você.'

Run estreitou os olhos nele. 'Isso quem vai decidir é ela. Convença-a a dar as costas a irmã.'

'Seu desgraçado.'

'Tatsumi!' Akame o chamou na porta do laboratório. 'Vamos.'

Run e Tatsumi ainda se encaram por alguns instantes, antes do rapaz de olhos verdes de dar por vencido e se afastar, seguindo Akame.

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Tatsumi olhava para Akame que folheava e lia a pasta que havia pego com Run. A morena estava sentada no chão e a pasta aberta em cima da mesa baixa de centro no meio da livraria de Lubbock.

Ele balançava de leve a perna, sem disfarçar a irritação pela jovem estar levando a sério aquela história do Jaeger. Duas vezes abriu a boca para começar uma discussão com ela, mas desistiu. Akame era obstinada demais. Balançou a cabeça, desolado. Não sabia realmente o que dizer a ela para que ela se convencesse de que aquilo era simplesmente uma loucura.

Não era questão de egoísmo! Não é que não se importasse com Kurome, quer dizer, Kurome havia matado Chelsea! Tinha decepado-a e pendurado a cabeça em uma estaca colocando-a numa praça pública. Ele e Akame haviam simplesmente passado por cima das ordens de Najenda e recuperado o membro de Chelsea, terminando com aquele show de horrores.

Merda! Ele não se importava com Kurome! Esta era a verdade! Ele se importava era com a jovem que estava sentada a sua frente como uma menina lendo de forma atenta aquela loucura toda que Run havia lhe dito e levantando a possibilidade de realmente se colocar em risco por uma inimiga sendo manipulada por palavras de esperança por outro inimigo. Cerrou os punhos, será que Akame não percebia o quanto ele se importava com ela? Se tivesse que matar qualquer um para protegê-la, era isso que faria. Se tivesse que morrer para protegê-la era isso que faria. E não importava quem fosse o seu alvo neste aspecto.

How cold have I become

Quão frio eu me tornei

I didn't want to lose you by what I'd done

Eu não queria te perder pelo o que fiz

Caught in the grey

Preso às cinza

It burns for a moment but

Incendeia por um momento, mas

But then it numbs you

Mas em seguida isto lhe adormece

Takes you and leaves you just

Leva-o e deixa-o apenas

Caught in the grey

Preso as cinzas

Akame fechou de repente a pasta fazendo um barulho seco, chamando a atenção dele, que levantou o rosto para fitá-la.

'Os riscos realmente são muito altos.' Ela falou, levantando-se do chão. Ele teve a impressão que ela falou mais para si mesma do que para ele. Na verdade, parecia que a presença dele ali era completamente ignorada por ela.

Apesar de tudo, Tatsumi deu um fraco sorriso, aliviado. Akame tinha usado o bom senso. 'Então…'

'Mas os resultados podem ser promissores. Considerando que a técnica seja aplicada entre irmãs com os mesmos pais. Aumenta consideravelmente a chance de sucesso. Não será capaz de devolver toda a saúde a Kurome, mas lhe dará uma sobrevida considerável por mais alguns anos.' Falou com um dedo no queixo, pensativa. 'Talvez tempo suficiente para eu encontrar outra forma de ajudá-la.'

'Porra!' Ele gritou dando um passo a frente e finalmente fazendo-a fitá-lo. 'Eu não acredito que você realmente está pensando nisso?'

You tell me

Você me disse

In your deepest pain

Na sua dor mais profunda

In your weakest hour

Em sua hora de maior fraqueza

In your darkest night

Na sua noite mais escura

You are lovely

Você é amável

Akame olhava para ele com o rosto assustado depois da explosão do rapaz. 'Eu preciso considerar todas as minhas alternativas.' Disse com a voz calma, característica dela. 'Se existe algo que posso fazer por minha irmã, porque deixaria de fazer?'

'Porque colocaria a SUA vida em risco!'

Ela deu de ombros. 'Colocamos nossas vidas em risco todos os dias.'

'Que merda está acontecendo com você? Esqueceu que estamos aqui pelos…'

'Luto pela minha irmãzinha também, Tatsumi.' Ela o cortou. 'Você sempre pensou em salvar sua vila da miséria. Eu sonho em um lugar melhor para todos, e porque não pensaria nisso para Kurome?'

'Por que ela quer matar você!' Ele falava alto, sem conseguir agora controlar-se mais. 'Você pede para EU não me colocar em risco, mas novamente é VOCÊ que se coloca nele.'

Akame franziu a testa, não gostava quando ele tinha esses rompantes. Ela sabia o que estava fazendo. Ela sempre fora racional e lógica. Mesmo naquela situação, estava mais preocupada em ler as anotações de Run e ponderar suas alternativas. O Jaeger tinha falado que fora bem honesto com relação aos riscos tanto de Kurome quanto de Akame naquele processo. Ela tinha lido tudo e tinha também conhecimento de algumas coisas. Além disso, tinha a questão de Yatsufusa interferir nas ações de Kurome e isso fazia lógica com o que ela mesma já havia percebido depois de combater tantos usuários de Teigus. Muitos eram levados a loucura com Zank que ouvia vozes assustadoras que não o deixavam dormir, fazendo-o beirar mais ainda a loucura. Ou Izou que conversava com Kousetsu.

Ela respirou fundo e soltou o ar devagar tentando manter a calma. Não gostava de entrar numa discussão com Tatsumi, aquelas discussões não combinavam com ele. Tatsumi era um rapaz nobre, amável, que sempre pensava nos outros. Em salvar os outros. Havia se tornado um assassino pelas circunstâncias que havia encontrado seus amigos de infância e perdeu a cabeça. Leone não deveria ter trazido ele para junto de pessoas tão terríveis quanto eles.

Mas Tatsumi daquela forma singela e verdadeira, havia entrado no coração de cada um. De forma gentil e amorosa, tentando sempre ajudar e proteger os mais fracos, mostrou a todos que não éramos meros assassinos. Éramos mais que isso.

Sorriu para ele e só este pequeno ato pareceu que fez o rapaz se desarmar. Ele fechou os olhos e balançou a cabeça.

You tell me

Você me disse

In your deepest pain

Na sua dor mais profunda

In your weakest hour

Em sua hora de maior fraqueza

In your darkest night

Na sua noite mais escura

You are lovely

Você é amável

'Por que? Por que Akame?' Perguntou com a voz controlada. 'Porque se colocar em um risco tão grande agora que estamos às vésperas de enfrentar o Império?'

'Vai demorar ainda um pouco. Boss ainda está reunindo o exército, não vão atacar amanhã ou depois. Toda guerra deve ser bem planejada. Leone está fazendo um excelente trabalho também se comunicando com o submundo. Logo a população também fará parte do exército da mudança e isso será essencial para a nossa vitória.' Ela falou de forma calma. 'Eu tenho tempo para ajudar minha irmã enquanto isso. Soube que um dos companheiros dela tem sentimentos por Kurome… talvez ele possa…'

'Como é?' Ele a cortou. 'Do que está falando?'

Akame corou. 'Parece que Kurome tem um admirador.' Desviou os olhos dele. 'Wave… acho que este é o nome.'

'Wave acredita cegamente no império. Não é má pessoa… mas é realmente alienado a realidade.'

Ela suspirou. 'Talvez ele se convença depois de entender o que realmente aconteceu com Kurome. Se ele tiver sentimentos verdadeiros com relação a ela, tenho certeza que poderá ajudá-la a se recuperar.' Olhou para Tatsumi. 'Ela tem chance de ser feliz! Você consegue deslumbrar isso?' Falou com um sorriso enorme nos lábios. 'Eu só preciso fazer ela se afastar de Yatsufusa e depois tenho certeza que conversando com ela e expondo esta teoria de Run… ela pode…'

'Eu gosto de você!' Ele a cortou novamente.

How cold have I become

Quão frio eu me tornei

I didn't want to lose you by what I'd done

Eu não queria te perder pelo o que fiz

Caught in the grey

Preso às cinzas

Akame sorriu mais uma vez para ele, mesmo sem entender direito o porquê dele falar aquilo do nada. 'Eu também gosto de você. Já lhe falei isso.'

'Não!' Ele falou sem saber o que fazer. Droga! Akame não conseguia entender o que ele queria dizer com aquilo? Será que ela nunca entenderia? Passou uma das mãos pelo cabelo bagunçando-os mais ainda e tentando pensar em como ser mais claro com ela. Aquilo parecia surreal demais para ele. Quando Esdeath havia se declarado para ele, tinha entendendo de imediato, porque Akame não entendia?

Levantou o rosto e a fitou de forma tão intensa que fez a jovem fechar até o sorriso que tinha nos lábios.

'O-o que foi?' Ela perguntou incerta reparando no olhar dele.

Tatsumi deu os três passos que os separavam, enlaçou a cintura dela com uma das mãos com força puxando-a para que o corpo da jovem se chocasse contra o seu e com a outra mão segurou a nuca dela puxando-a. Abaixou o rosto e finalmente tomando coragem, ou puro ato de desespero, encostou seus lábios nos dela.

It burns for a moment but

Incendeia por um momento, mas

But then it numbs you

Mas em seguida isto lhe adormece

Takes you and leaves you just

O leva e deixa apenas

Caught in the grey

Preso as Cinzas

Akame arregalou os olhos, assustada pela atitude dele. Sentia os lábios dele comprimindo os seus com força, com certa raiva. Talvez fosse para calá-la ou simplesmente para que ela conseguisse entender o que com as palavras não foi capaz. Sentiu que Tatsumi apertou mais forte sua cintura enquanto os dedos dele emaranhavam-se nos cabelos da nuca dela puxando-a de tal forma que em poucas vezes na vida se sentiu tão encurralada.

Pensou em empurrá-lo. Pensou em dar um joelhada no meio das pernas dele. Pensou em pegar Murasame e decapitá-lo. Mas o que no final realmente fez foi fechar os olhos, ao mesmo tempo que entreabria os lábios para que o toque dos lábios se transformasse finalmente num beijo.

In your deepest pain

In your deepest pain

Tatsumi mal acreditou quando reparou que ela abaixou a guarda e sentiu-se livre para explorar os lábios macios e quentes de Akame. Seu coração batia num compasso que ele nunca havia sentido antes. Ele batia de maneira forte, rápido, como se quisesse sair do peito. O gosto dela era bom demais. Era como sempre havia imaginado, era melhor do que havia imaginado. Seus primeiros beijos foram roubados por Esdeath, cujo toque era gelado. Mine não fora tão diferente, foi apenas um tocar de lábios como despedida e com sabor amargo de morte. Tão diferente do que sentia agora beijando Akame.

In your weakest hour

Em sua hora de maior fraqueza

Sentia o corpo quente dela entre seus braços e não teve como não soltar um gemido quando sentiu que ela o abraçava, sentindo as delicadas mãos da assassina passarem por suas costas. Queria mais dela. Muito mais dela. Aquele calor que sempre tinha impressão que emanava daquele pequeno corpo de aparência delicada vinha como ondas de prazer que circulavam em seu corpo. Logo sentiu-se à vontade para passar a língua pelos lábios dela, percebendo a respiração quente e acelerada de Akame, assim como a textura macia dos lábios carmins.

In your darkest night

Na sua noite mais escura

Akame sentiu seu peito subir e descer devido a respiração acelerada, roçando seus seios no tórax forte de Tatsumi, que a mantinha ainda colada ao seu corpo. Sentiu que suas pernas por algum motivo estranho pareciam fracas e o fato dele a segurar com força pela cintura lhe dava uma segurança maravilhosa para simplesmente continuar com aquilo. Tinha levantado os braços para abraçá-lo, fechando as mãos e apertando com os dedos o tecido da camisa que ele usava.

Quando ela sentiu a língua dele invadindo sua boca, tocando inicialmente a dela de forma tímida, instintivamente fez o mesmo logo aprofundando de tal forma aquele beijo que parecia algumas vezes que não conseguiria ar para respirar, mas que mesmo assim recusavasse a se afastar. Era como se estivesse com uma fome insaciável pelos lábios e pelo gosto dele.

You are lovely

Você é amável

(You tell me)

(Você me disse)

Afastaram-se apenas for falta de fôlego e Tatsumi não aceitou deixar de sentir o gosto dela, abaixou o rosto beijando o contorno do queixo dela e logo alcançando o pescoço, respirando fundo e embriagando-se com aquele perfume maravilhoso dos cabelos negros que tanto o enlouquecia.

Ouviu Akame gemer baixinho quando beijou perto de orelha dela e sorriu de forma libertina. 'Entendeu agora o jeito que eu gosto de você?' Sussurrou ao ouvido dela com a voz rouca, logo mordendo de leve o lóbulo da pequena orelha.

In your deepest pain

Na sua dor mais profunda

Akame não respondeu. Ainda tinha os olhos fechados e estava agarrada a ele. Se Tatsumi a soltasse tinha impressão que cairia no chão sem o apoio dele. A respiração não se normalizava, pelo contrário, parecia cada vez mais irregular por sentir os lábios quentes dele roçarem a pele do seu pescoço. Ainda sentia os lábios inchados e terrivelmente quentes. Nunca havia experimentado sensações tão intensas e tão prazerosas ao mesmo tempo.

In your weakest hour

Em sua hora de maior fraqueza

Tatsumi levantou o corpo para poder fitá-la e reparou que ela abriu os olhos devagar dando um sorriso molinho. O rosto estava corado e parecia um pouco decepcionada pelo afastamento, mas ele queria uma resposta e gostaria de a ter olhando para os olhos escarlates que brilhavam de forma tão intensa que pareciam duas estrelas do céu. 'Conseguiu entender?'

Akame o fitou ainda sorrindo. 'A-acho que sim.'

'Acha?' Ele falou franziu a testa de leve. 'Pensei que tinha sido bem claro agora.'

Ela ainda tinha o sorriso manhoso nos lábios. 'Foi… bem intenso… quer dizer… claro.'

Tatsumi estreitou os olhos nela. 'Não quero que se arrisque. Quero você perto de mim, Akame.'

Ela desviou os olhos dele e se aproximou, encaixando seu rosto na linha do pescoço dele.

Tatsumi fechou os olhos, apenas apreciando a sensação da respiração dela contra sua pele.

In your darkest night

Na sua noite mais escura

'Não se preocupe.' Ela sussurrou e ele pensou que ela era uma diaba por falar aquilo roçando os lábios no pescoço dele, tinha aprendido bem rápido. 'Como eu falei, vou sempre vir te salvar.'

'Não foi isso que eu pedi.'

'Sempre salvarei você para estar sempre ao meu lado.' Respondeu passando a ponta do nariz no pescoço dele. Respirou mais fundo e percebeu como era bom o cheiro da pele dele. Era diferente de qualquer odor que havia sentido antes. 'Se quiser venha comigo e verá que não me colocarei em risco. Sei exatamente o que estou fazendo.'

Ele apertou mais forte a cintura dela. 'Me prometa que sobreviverá.' Pediu.

You are lovely

Você é amável

Akame sorriu de leve. No fundo não sabia se conseguiria sair viva de um confronto contra Esdeath, mas antes tinha aceitado a ideia de que poderia morrer, agora… não era isso que queria. Tatsumi tinha despertado nela uma curiosidade e uma vontade enorme de continuar viva e descobrir mais sobre o que estava sentindo. Não morreria e não permitiria que ele morresse.

'Confie em mim…' Disse e passou a pontinha da língua no pescoço dele, estava curiosa para saber o gosto e adorou constatar em como era bom, levemente salgado. Tatsumi trincou os dentes de prazer. 'Eu vou sobreviver. Vamos sobreviver.'

I'm standing on the edge of returning or just running away

Estou à beira de retornar ou apenas fugir


Notas Finais:

Acho que agora ficou mais claro o papel do Run no encontro das duas irmãs. Eu fiz esta cena antes da ultima cena do capitulo passado, mas achei que seria um baita spoiler, então resolvi jogar para este capítulo.

No próximo capitulo será a continuação do anterior.