Música: Blood Brothers (Irmãos de Sangue) por Iron Maiden

Akame Ga Kiru!

A Assassina de Olhos Vermelhos

Mate as Irmãs de Sangue

Por Kath Klein

Após o duelo entre Akame e Kurome

'Isso é loucura!' Wave gritou.

'Pelo menos alguém concorda comigo.' Tatsumi não resistiu em falar e levou um olhar de reprovação de Akame. Rodou os olhos, tinha aceitado acompanhá-la e lhe dar apoio, mas nunca concordou com tudo aquilo. Concordava mesmo com Wave sobre a "solução" apresentada e exaustivamente explicada por Run para uma possível melhora do estado de saúde de Kurome.

'Acalme-se.' Run pediu aproximando-se de Wave que olhava-o incrédulo depois de toda a explicação que Run havia lhe dado, ou melhor, dado para todos sobre a questão de transfusão de sangue entre as irmãs.

And if you're taking a walk through

E se você está passeando pelo

the garden of life

Jardim da vida

What do you think you'd expect you

O que você pensa que

would see?

Irá ver?

Just like a mirror reflecting the

Somente um espelho refletindo os

moves of your life

Movimentos de sua vida

And in the river reflections of me

E no rio reflexos de mim

Estavam no laboratório de Stylish. Depois do confronto de Akame e Kurome, a mais nova perdeu os sentidos ainda agarrada a Akame. Tatsumi teve que usar de muita diplomacia, coisa que inclusive não pensou que tivesse para convencer Wave de ir com eles se encontrar com Run. Fez isso apenas por Akame, pois sabia que não o fizesse os dois acabariam lutando. Wave resistiu o máximo que pode, gostaria de levar Kurome para um hospital da capital.

Akame o proibiu. Quase os dois começam uma luta que foi apartada por Tatsumi que alertou a Wave que seriam dois contra um. Mesmo o marinheiro achando-se mais forte e tal, que Grand Chariot era impenetrável a qualquer arma, tinha visto o poder e agilidade de Akame, não seria prudente entrar numa luta contra os dois com Kurome desmaiada.

Akame alertou-o para o bom senso. Usou a amizade e a confiança que Wave tinha com Run para tentar convencer o teimoso rapaz a levarem Kurome até o laboratório onde agora todos se encontravam. Lembrou ainda o rapaz que a irmã precisava de cuidados médicos e se ele insistisse com aquela palhaçada colocaria a vida dela mais em risco. Os dois não estavam pedindo para que ele a levasse para um lugar longe do Império, estavam pedindo para ele leva-la para o centro da Capital. Se alguém ali estava se colocando em risco eram os dois integrantes dos Night Raid e não ele ou Kurome.

Wave ponderou suas alternativas e decidiu acatar a sugestão deles sendo que ele é quem levaria Kurome e assim fazendo Akame deixar a irmã ser levada pelo marinheiro.

Wave não havia soltado um só segundo Kurome de seus braços enquanto ouvia a detalhada explicação de Run. Tinha passado por uma montanha russa de emoções. Primeiro, constatar que o amigo era um potencial traidor do Império. Segundo, realmente não conseguia acreditar em tudo que falavam sobre o treinamento de Kurome. Terceiro, ele estava ali ao lado de dois integrantes da Night Raid que eram seus inimigos conversando e não lutando. Sentia-se no fundo um traidor também.

'Vamos embora, Akame.' Tatsumi falou depois de um suspiro. 'Deixe-o levar Kurome para o hospital da Capital se assim ele acha que é melhor.' Tinha perdido a paciência. Gostava de Wave, achava-o muito íntegro e com valores realmente bons, no entanto, não aguentava mais aquela insistência do homem em não ver a realidade. Ele era leal ao Império e pronto. Não valia mais a pena perderem tempo com ele e no fundo com Kurome que também era outra leal ao Império, inclusive tinha como objetivo principal matar a própria irmã. Kurome não valia todo o esforço que Akame estava fazendo para salvá-la ou poupá-la.

Akame deu alguns passos em direção a Wave. 'Se a levar para o hospital da Capital vão droga-la mais ainda.'

Aquilo era difícil dele acreditar.

'São remédios e não drogas.' Wave rebateu.

Tatsumi riu alto sem querer, chamando a atenção dos outros. Tentou se controlar, não queria parecer debochado, mas realmente a situação já estava no seu limite. Não aguentava mais aquela conversa toda, quanto mais tempo naquele lugar, mais perigoso ficava a situação dos dois. Estavam em terreno inimigo. Queria simplesmente ir embora com a sua garota e pronto.

Akame olhou rapidamente para Tatsumi sobre o ombro direito e soltou um suspiro. O rapaz tinha certa razão de estar perdendo a paciência. Voltou-se para Wave. Faria uma última tentativa, antes de puxar Murasame.

'Não pode ser tão cego assim, marinheiro? Não o considero um homem burro. Por que ainda insiste em acreditar que está no lado certo depois de tudo que contamos e principalmente…' Ela se aproximou mais dele, levantando o rosto para encará-lo. Apenas o corpo de Kurome nos braços dele, separavam os dois. 'Depois de tudo que você viu, de toda a carnificina provocada pelo Império. Ainda insiste nessa idiotice.'

'Não fale como se soubesse de tudo.' Wave falou entre os dentes.

'Falo do vejo e do que tive que sobreviver. Eu e Kurome. Não aja como se você fosse a salvação dela, pois conviveu um tempo curto demais para achar que sabe de tudo da vida da minha irmã. Você só vê flores onde existem apenas espinhos. Não sabe nem porque está empunhando sua espada.'

Wave franziu a testa, não gostando do tom dela. Ela era uma inimiga. 'Não tenho que ouvi-la. Não tenho que ouvir nenhum de vocês… são traidores…'

'Traidor? Qual a sua definição de traidor? Eliminar quem mata crianças? Quem as droga para que possam manipulá-las para que matem quem está contra eles? Matar estupradores? Eliminar quem provoca carnificina, tortura…' Akame falou de forma calma, olhando nos olhos do rapaz. 'Você concorda com tudo isso, Wave? Você é de acordo com estes atos bárbaros?'

Wave arregalou os olhos e deu um passo para trás. 'Claro que não!'

'Então porque defende quem faz isso?!'

'Porque… oras porque…' Ele fechou os olhos e trincou os dentes novamente sem achar a merda da resposta.

'Se falar que é porque os nobres têm direito a isso… melhor devolver minha irmã e cair fora daqui ou eu mesma eliminarei você.' Falou firme. 'Sua teigu é poderosa mas a minha também é. Não a subestime.'

Wave respirou fundo e soltou o ar devagar. Merda! Já tinha reparado em coisas que tentava ignorar, mas depois de ouvir o relato de Run sobre sua vida e também os relatos sobre o que foi a vida de Kurome e Akame, suas convicções estavam vacilantes.

Também era verdade que havia se surpreendido e muito com a atitude da jovem assassina a sua frente, sempre a imaginou fria e cruel. Kurome falava dela com tanto rancor que tinha uma imagem completamente diferente daquela que se mostrava a sua frente. Quando ela desviou a trajetória de Murasame que estava pronta para desferir um golpe fatal em Kurome e acertando as mãos da irmã para que soltasse Yatsufusa, para destruí-la em seguida tinha se surpreendido e muito. Akame poderia ter matado Kurome daquela hora, mas não o fez. Por quê? Inferno! Não conseguia achar uma resposta satisfatória.

Olhava para a jovem a sua frente, avaliando-a. Era um pouco mais velha que Kurome. Elas eram parecidas demais, não podia negar que era tão bonita quando a jovem em seus braços. Akame tinha a estatura baixa, o rosto lindo como o da irmã, os olhos eram de um vermelho intenso que agora o fitavam com tanta intensidade que lhe transmitiam desde medo a respeito, mas principalmente confiança. Não esperava sentir isso estando cara a cara com a irmã renegada de Kurome.

Just for a second a glimpse of my

Por um segundo vejo de relance

father I see

Meu pai

And in a movement he beckons to me

E num movimento ele acena pra mim

And in a moment the memories are all

Em um momento as memórias são tudo

that remain

Que permanecem

And all the wounds are reopening again

E todas as feridas estão reabrindo novamente

'Por que você se voltou contra o império?' Perguntou sem desviar os olhos dela.

'Porque vi o que agora você tenta negar.'

'Você deixou sua irmã…'

'Não a deixei.' Ela o cortou. 'Permanecer ao lado dela seria continuar aceitando o fato de ver minha irmã se aproximando cada vez mais da morte pelas drogas. Eu tentei fazer ela parar de usá-las e ela entrou em crises terríveis de abstinência. Quando estavamos evoluindo lhe entregaram Yatsufusa, fazendo com que todos os nossos esforços fossem levados a nada. Eu sempre a protegi e sempre a protegerei. E sei que o que faz mal a minha irmã com faz a milhares de pessoa é o Império. Por isso, ele é o meu inimigo. O meu alvo.'

Os dois se encararam em silêncio. Akame esperando que Wave tomasse a decisão correta e o marinheiro tentando desesperadamente saber em quê acreditar.

Tatsumi soltou outro suspiro contrariado. Estava encostado em uma das paredes do laboratório de Stylish, queria se manter afastado daquela decisão, mas era difícil quando a garota que gostava estava querendo se colocar em risco para salvar o inimigo. Mesmo que a explicação fosse a influência de Yatsufusa em Kurome, para ele era muito conveniente simplesmente colocar a culpa na teigu. Kurome havia matado Chelsea com requintes de horror. Não a perdoaria nunca. Sinceramente, não se importava com ela e nem com Wave. Sabia que o rapaz era e muito parecido com ele próprio, talvez se tivesse passado pelo que ele passou, não estava agora com aquele discurso pronto de defesa ao Império. Aquilo no fundo, irritava-o demais agora. Queria embora daquele lugar, mas queria embora com Akame.

'O que você acha, Tatsumi?' Foi surpreendido pela pergunta de Wave se dirigindo a ele. Não esperava por aquela.

Endireitou o corpo e reparou que estavam olhando para ele. Akame o fitava, achou melhor desviar o olhar dela. Tinha certeza que ela detestaria o que ela falaria, mas não mentiria.

'Acho loucura.' Respondeu com sinceridade. 'Akame se colocará em risco por conta de uma inimiga.'

'Ela é minha irmã.' Akame sibilou.

'Um dia com certeza foi, mas agora ela é só sombra do que um dia foi sua irmã.' Falou claramente o que achava. 'Wave está se fazendo de cego mas já deve ter percebido que aqueles doces que ela comia compulsivamente eram drogas. Você se colocará em risco e nem sabe se isso realmente dará a ela uma sobrevida sem mais drogas. São riscos demais para você.'

'Não sou cego. Sempre desconfiei que aquilo era droga.' Ele rebateu.

Tatsumi ergueu uma sobrancelha. Tinha ouvido de forma bem claro o homem insistindo que eram remédios. Wave parecia uma barata tonta naquele momento.

'Não falei que era, falei que se faz de cego. Enxerga apenas o que quer e o que é conveniente para você.'

'Não está ajudando, Tatsumi.' Akame resmungou.

'Ele quem perguntou a minha opinião.' Falou dando de ombros. 'Estou sendo sincero.'

Wave se voltou para Akame. 'Por que você faria isso por Kurome?'

Ela deu um sorriso suave. 'Porque é minha irmã.'

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

Wave estava com medo. Medo de Kurome morrer, e medo de colocar ela nas mãos de quem não confiava. Olhou para Run. 'Você acredita nisto?'

Run franziu a testa de leve. 'Os riscos são altos… Principalmente para você.' Ele também foi sincero, não era hora de meia verdades. 'E também não há garantias que isso ajudará realmente Kurome. Talvez dê uma sobrevida a ela por alguns meses.'

'Até eu achar uma outra solução.' Akame falou, convicta.

Run balançou a cabeça de leve. 'Não seja ingênua você também, Akame. O que eu estou propondo é uma estratégia para dar talvez alguns meses, na melhor da hipóteses, até alguns anos a mais para Kurome se tudo der certo. Mas está longe da cura total dela. Isso não existe.'

'Além disso, você não sabe como o seu corpo vai reagir ao sangue contaminado dela.' Tatsumi a lembrou. 'No final, você e ela podem morrer. Ela já está quase morta, qualquer coisa será melhor para ela do que o estado que está agora. No entanto… você… você é maluca ou tão ingênua quando ele.' Fez um gesto com o queixo em direção a Wave.

'Ele tem certa razão.' Run teve que concordar.

'Se concordam que apenas eu vou me colocar em risco, então não há o que continuar a ser discutido aqui. Vamos fazer o que deve ser feito. Kurome não tem tempo.'

Run voltou-se para Wave. 'Coloque-a naquela maca.' Falou apontando para uma. 'Você ficará aqui o tempo todo, verá que não vou fazer nada diferente do que eu expliquei.'

'Wave…' A voz fraca de Kurome fez o homem abaixar o rosto.

Kurome abriu os olhos devagar e o fitou com carinho. 'Tudo que falaram é verdade.'

Wave trincou os dentes. Apertou Kurome nos braços aproximando-a mais dele, chegando a tocar as testas.

'Por que nunca me contou?'

'Você não acreditaria. Você confia no Império. E não faria diferença antes… agora…' Ela suspirou cansada.

'Que merda está acontecendo neste país?' Ele perguntou, demonstrando toda dor que sentia por começar a descobrir ou se dar conta que suas convicções não passavam de fantasia.

And as you look all around at the

E conforme você olha ao redor o

world in dismay

Mundo em desânimo

What do you see, do you think we

O que você vê? Você acha que

have learned

Temos aprendido?

Not if you're taking a look at the

Não, se você estiver olhando a

war-torn affray

Guerra tumultuosa

Out in the streets where the babies

Lá fora, nas ruas, onde bebês

are burned

São queimados

Tatsumi endireitou o corpo, tinha ideia do que ele estava sentindo, mas Wave de certa maneira teve sorte. Não encontrou Kurome pendurada como gado num matadouro onde foi torturada até a morte. Desviou os olhos do casal e fitou Akame. Contemplaram-se tão profunda que teve vontade de ir até ela e abraçá-la. Como era bom olhar para ela. Como era bom agora olhar para o rosto sereno dela. Levou uma das mãos até a altura do coração onde ela o acertou com Murasame no primeiro encontro deles. Sorriu de leve e de forma insana, pensou que a bela morena tinha realmente atingido-o em cheio no final das contas.

'Preciso tentar.' Kurome falou para o marinheiro. 'Ou vou morrer…'

'Está certo.' Wave soltou um suspiro dolorido e começou a caminhar em direção a onde Run havia indicado. Ainda hesitou em soltar Kurome de seus braços.

'Eu vou estar sempre ao seu lado.' Ele falou baixo, segurando a mão dela de leve.

'Eu sei disso.' Kurome falou sorrindo para ele. Depois ela virou o rosto e observou Akame se aproximando para perto da outra maca e sentando-se nela. Estendeu a outra mão para a irmã que a segurou. 'Obrigada, onee-chan.'

Akame sorriu e sentiu um bolo se formar em sua garganta. Aquele sorriso doce e sincero de Kurome era tudo o que mais havia desejado na sua vida.

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~

Akame virou o rosto observando a irmã que estava na maca ao seu lado. Sentia um gosto amargo na boca, provavelmente efeito do sangue contaminado que recebia da irmã. Era como se estivesse sendo envenenada aos poucos. Lembrou-se de todo o seu treinamento como assassina imperial. Todas as vezes que havia sido envenenada. O corpo começava a ficar dormente. Iniciando sentia aquela dormência na pontinha dos dedos até começar a não sentir os braços e pernas. A cabeça latejava, como uma forte enxaqueca. A respiração começava a ficar curta pois sentia os músculos da sua caixa tórax enrijecerem como se estivesse sendo abraçada tão forte que tornava o ato de respirar complexo.

'Ainda não terminou?' Ouviu a voz nervosa de Tatsumi.

Ele estava preocupado com ela. No fundo se considerava uma pessoa com sorte, havia encontrado pessoas que verdadeiramente se preocupavam com ela. Tsukushi-chan, Green-kun, Cornélia-chan… Martha, Pavati-chan, Najenda, Leone, Scheele, Bulat, Mine, Lubbock, Chelsea, Susanoo e ele… Tatsumi. Sorriu de leve. Não sabia exatamente o que sentia por ele. Gostava dele assim como gostava de todos os seus amigos. Mas era algo maior. Se importava com ele como se importava com Kurome. Amava Kurome. Então amava Tatsumi? Mas era ao mesmo tempo algo diferente do que sentia pela irmã. Era intenso demais. Nunca havia sentindo sensações como aquelas quando ele a beijou. Era diferente, tinha o tom de urgência e desejo altos demais. Vontade de sentir mais o cheiro dele, o gosto dos lábios, da pele. Era diferente, definitivamente era diferente do que sentia pela irmã.

'Akame…' Ouviu Tatsumi a chamando, tentou falar que estava bem, mas não conseguiu. Não conseguia falar. 'Acho que já foi o bastante, não?'

'Ainda falta um pouco mais.' Reconheceu a voz de Run.

Se forçou a abrir os olhos mas sentia as pálpebras pesadas. Sua última visão foi da irmã ao seu lado. Esperava que tudo desse certo.

'Akame!' Ele a chamou mais uma vez, sacudindo-a de leve. 'Merda! Ela perdeu os sentidos.' Constatou. Olhou para Run com rosto duro. 'Acabou a palhaçada. Tira as agulhas dela.' Ordenou.

'Ainda falta.' Run advertiu mais um pouco.

'Não importa se falta um pouco ou não. Tira agora ou eu mesmo tiro.'

Run se aproximou do rapaz, olhando-o seriamente. 'Não é o correto.'

'Tira as agulhas dela agora.' Ele falou mais uma vez devolvendo a encarada do jaeger.

'Tatsumi.' Wave o chamou. Estava em pé ao lado da maca de Kurome. 'Por que isso agora?'

Tatsumi não respondeu, não queria perder tempo enquanto via pelos tubos transparentes o sangue de Kurome entrando pelo braço direito de Akame enquanto o sangue dela saia pelo braço esquerdo em direção a irmã.

'Não vai tirar… tiro eu.' Ele falou já pronto para retirar a primeira agulha, quando Run segurou seu punho.

'Eu farei isso. Do jeito que está nervoso, fará de maneira errada e poderá prejudicar ela.'

Ele soltou uma risada nervosa. 'Mais do que vocês já a prejudicaram? Impossível. Tira logo. Vou levá-la daqui.'

Run fez o que o rapaz pediu a contra gosto. Mas depois de observar com atenção o rosto de Akame começava a entender a apreensão de Tatsumi, a jovem começava a apresentar os sinais de envenenamento ou algo parecido. 'Segure esta compressa com força para estancar o sangue.' Ele orientou o rapaz que assim o fez. Seguindo em direção a segunda agulha, onde fez o mesmo.

Tatsumi pegou a jovem nos braços e a tirou da maca. Ela estava mole, a cabeça tombou para trás fazendo-o ficar mais nervoso. Começou a caminhar em direção a porta.

'Tatsumi!' Wave o chamou, e pela primeira vez se afastou de Kurome que estava sendo tratada por Run. Parou a frente do rapaz que o encarou.

'Se tentar me impedir de sair com ela, eu juro que te mato, Wave.'

'Não acha melhor Run tratar dela?'

'Não. Eu cuido dela. Não confio em vocês.'

Wave mostrava confuso. 'Eu juro que não consigo te entender! Por que estava aqui o tempo todo então?'

Tatsumi encarou ele. 'Você não está ao lado dela…' Fez um gesto em direção a Kurome.

O marinheiro franziu a testa, sem entender. 'Porque eu gosto dela.'

'Digo o mesmo.' Ele falou e viu os olhos azuis do rapaz se arregalaram finalmente a ficha caindo.

'Esdeath está atrás de você. Se souber que tem um enlace amoroso... você e ela estão mortos.' Alertou, realmente sinceramente se importava com o rapaz. Tatsumi tinha lhe salvado e ele tinha honra o suficiente para não esquecer disso.

Tatsumi segurou mais firme Akame em seus braços 'O que Esdeath pensa ou sabe ou quer não me interessa. Preciso ir.' Ele falou desviando de Wave e voltando a caminhar em direção a saída.

'Tatsumi!' Wave o chamou. 'Por que lutam? Por que matam?'

There are times when I feel I'm afraid

Há horas que eu receio

for the world

Pelo mundo

There are times I'm ashamed of us all

Há horas que eu me envergonho por todos nós

When you're floating on all the

Quando você está pairando sobre todas as

emotion you feel

Emoções que se sente

And reflecting the good and the bad

E refletindo o bem e o mal

Tatsumi parou. 'Sabemos pelo que matamos, Wave. E não é por diversão. Se você não sabe porquê luta então por que está nisso? Quem não sabe porquê luta deveria ficar fora do caminho daqueles que têm motivação e certeza do que querem.' Falou para ele antes de finalmente voltar a caminhar e sair definitivamente daquele laboratório.

Era tarde da noite, o que era bem conveniente para ele. Solicitou Incursio que envolveu seu corpo e com a agilidade que a armadura lhe dava, conseguiu pular pelos telhados da capital em direção a biblioteca de Lubbock, assim que entrou pela porta percebeu que outra pessoa entrava no local em seguida. Olhou assustado para trás e sobre o ombro direito viu Leone.

'Quando o vi pulando pelos telhados pensei que estava louca.' Leone falou irritada. 'Está maluco, Tatsumi?'

'Me ajuda aqui, nee-san.' Ele falou colocando Akame no sofá.

Leone se aproximou. 'O que aconteceu com ela?' Perguntou ajoelhando-se ao lado da amiga. Passou a mão pela testa dela e se abaixou cheirando-a. Sentia um odor horrível vindo dela. Olhou para Tatsumi que estava logo atrás já sem a armadura de Incursio. 'O que aconteceu? Por que ela está com este fedor de droga?'

'Você consegue sentir?'

'Claro que sim! E nem é questão de ter os sentidos aguçados.' Leone passou novamente a mão na testa de Akame que começava a transpirar. 'Este suor é eliminação de toxina. Ela foi envenenada?'

'Quase isso.' Ele nem sabia como explicar para a companheira. 'Tem alguma antídoto ou coisa assim aqui?'

Leone observou a amiga com cuidado. Ela começava a suar bastante, era o corpo dela reagindo ao envenenamento. Conhecia o processo pois já havia participado de uma missão com Akame em que a mesma foi envenenada e lhe contou sobre como o corpo dela reage a toxinas. Olhou para os braços com as bandagens e tirou o curativo vendo o furo da agulha. Virou-se para Tatsumi. 'Mas que merda é essa? Ela andou se drogando?'

'Mais ou menos.' Ele falou irritado, aproximou-se de Akame que agora suava bastante. 'Não dá para eu explicar agora, Nee-san. Precisamos ajudá-la, ela deve ter recebido uma grande quantidade de droga.'

Leone franziu a testa e voltou a olhar para a amiga. A coisa parecia feia, muito feia. Pegou Akame nos braços como se fosse uma boneca. 'Precisamos dar um banho nela. Tirar este suor do corpo dela. Isso é tóxico.'

'Banho?' Ele perguntou sentindo o rosto esquentar.

'Exatamente. E para de pensar besteira.' Leone falou séria, coisa rara. 'A situação está feia aqui.' Avisou já caminhando com a jovem em direção a sala de banho.

~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~

Akame abriu os olhos devagar mas foi obrigada a fechá-los devido a claridade. Ainda sentia a cabeça latejando e o corpo estava dolorido. Parecia que tinha levado uma surra, daquelas bem grande. Respirou fundo e soltou o ar devagar. Tentou abriu novamente os olhos, mas a luz ainda a incomodava fazendo-a fechá-los.

'Finalmente acordou, bela adormecida.' Ouviu a voz de Leone e forçou-se novamente a abrir os olhos piscando algumas vezes.

Virou o rosto e observou a loira se aproximando de onde estava deitada. Olhou em volta e percebeu que estava na sede dos Night Raids nas mediações da Capital, a mesma que havia sido parcialmente destruída pelo Dr. Stylist. Abriu a boca para falar algo mais a voz lhe faltou. Tentou se levantar, mas ainda estava com o corpo dolorido demais. Os movimentos tinham que ser lentos.

'Eu tenho vontade de lhe dar um murro para você voltar novamente ficar desacordada.' Leone falou com o rosto contrariado. 'Fiquei com medo que realmente morresse, Akame. Você foi uma idiota.'

Akame fechou os olhos e respirava devagar. Fez uma nova tentativa de levantar o corpo e conseguiu. Ficando sentada na cama. Leone estendeu um copo de água para ela que aceitou de imediato, bebeu o líquido de uma só vez e pediu mais.

'Vou pegar algo para você comer.' Leone falou. 'Ficou um bom tempo sem se alimentar e sei como isso é difícil para você.'

'Tatsumi?' Akame conseguiu finalmente falar algo.

Leone só conseguiu ouvir devido a sua incrível audição, pois a pergunta foi praticamente um sussurro.

'Tatsumi está em missão.' Ela respondeu antes de passar pela porta e desaparecer.

Akame franziu a testa pensando em quanto tempo havia ficado desacordada. O que teria acontecido com Kurome? Será que a irmã havia melhorado, pelo menos um pouco, a sua condição física? Queria tanto acreditar que tinha conseguido dar alguma melhora para a irmã. Será que Wave e Run estariam cuidando dela corretamente e evitando que ela voltasse a se drogar?

E Tatsumi? Onde ele estaria e que missão estaria enfrentando sozinho? Merda! Ele poderia estar se arriscando enquanto ela estava numa cama e Leone cuidando dela em vez de ter ido com o rapaz. Merda! Quantos malditos dias havia ficado de cama?

Será que tinha feito a coisa certa? Passou a mão no rosto, afastando a franja negra que cobria seus olhos. A cabeça ainda estava pesada. Os ombros estavam pesados, pesados demais. Sentia de alguma maneira como tudo fosse responsabilidade dela. E não podia ser diferente. Kurome era sua irmã mais nova, era sua responsabilidade a salvar das drogas. Tatsumi era… Deus! O que Tatsumi era para ela? Não sabia responder. Não conseguia responder ainda claramente.

Will we ever know what the answer

Algum dia nós saberemos qual a resposta

to life really is?

Para o que a vida realmente é?

Can you really tell me what life is?

Você pode me dizer o que a vida realmente é?

Maybe all the things that you know

Talvez todas coisas que você sabe

that are precious to you

Que são preciosas para você

Could be swept away by fate's

Possam ser varridas pela

own hand

Própria mão do destino

Balançou a cabeça tentando jogar aquelas perguntas agoniantes para fora de sua mente. Respirou fundo e conforme soltava o ar devagar forçava-se a se movimentar para se levantar daquela cama. Já era hora de voltar a ativa. Virou o corpo colocando as pernas para fora da cama e sentiu o piso gelado por baixo dos pés. Percebeu sua pernas magras, olhou-se finalmente percebendo que havia perdido muito peso. Provavelmente seu corpo tentou eliminar todas as toxinas do sangue de Kurome e perdeu muita água. Esticou o braço até a mesa de cabeceira para se servir novamente de mais um copo de água quando percebeu o objeto de barro ao lado da moringa.

Se serviu novamente com água e tomou agora devagar sem tirar os olhos do pequena estátua de barro.

'Trouxe seu prato preferido.' Leone falou quando entrou pela porta com a bandeja cheia de carnes. Colocou-a na mesa e olhou para a amiga. 'Precisa de ajuda para chegar até aqui?'

Akame deixou o copo na mesa e pegou o objeto. Sorriu de leve e passou o polegar pela fenda na barriga do ídolo. 'Por que isso está aqui?'

Leone riu. 'Tatsumi achou que colocando perto de você, despertaria mais rápido. É muito bobo aquele rapaz. Consegue se levantar?'

Akame respirou fundo novamente e se levantou. O primeiro e o segundo passos foram incertos, mas logo ela achou o equilíbrio e foi até onde estava o alimento. Colocou o objeto ao seu lado e começou a comer com entusiasmos. 'Está muito bom, falou com a boca cheia.'

Leone estava debruçada na parede observando-a. 'Tatsumi cozinha muito bem.'

Ficaram alguns minutos em silêncio. Akame comendo rapidamente, como de costume, e Leone apenas observando-a. Estava feliz pela amiga ter despertado e pelo apetite que estava logo estaria bem. A capacidade de superação e recuperação dela era incrível e independente de sua teigu.

'Estava uma delícia!' Akame exclamou feliz logo depois de limpar a boca delicadamente com o guardanapo de pano. Bebeu mais água, estava também com uma sede incontrolável, o corpo estava exigindo hidratação urgente. Olhou para Leone. 'Quanto tempo estive desacordada?'

Leone meneou a cabeça. 'Um pouco mais de dois dias. Pelo estado que a encontrei pensei que não conseguiria superar ou precisaria de mais tempo para isso.' A loira se aproximou dela. 'Você é mesmo muito teimosa… Demorei para conseguir entender e acreditar na história que Tatsumi me contou.'

'Onde ele está?'

'Ah! Agora está preocupada com ele?' Soltou irônica, fazendo Akame rodar os olhos. 'Está em missão como eu lhe falei. Incursio pode ficar invisível então é pertinente pois ele precisou ir aos arredores do palácio.'

'Ele pode até ficar invisível mas a presença dele não desaparece.' Ela rebateu. 'Não deveria se arriscar tanto.'

Foi terminar de falar e ouviu uma gargalhada de Leone. Ela andava com um senso de humor enlouquecido pelo visto.

'Você falando em se arriscar? Para de palhaçada, Akame.'

'Eu sei ponderar os riscos, diferente de Tatsumi.' Rebateu em tom sério, erguendo uma sobrancelha. 'Estou bem, não? Sabia que conseguiria.'

'Será mesmo?'

As duas se encararam por alguns instantes em silêncio. Até a loira soltou um suspiro contrariado.

'Estou feliz que tenha acordado. Isso que importa.' Ela falou por fim. 'Sou tempestuosa e normalmente acabo agindo sem pensar, diferente de você. Me surpreendeu demais sua atitude com relação a Kurome, mas não posso julgá-la.'

'Obrigada por entender.' Akame falou de forma sincera.

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

'Najenda está para chegar nos próximos dias. Pelo que eu conheço dela pedirá para que eliminemos alguns pontos chaves do exército.' Leone abriu um sorriso perigoso. 'A morte do general Budou foi muito importante para colocar muitos ao nosso lado. Najenda deve considerar tirar outros peões do tabuleiro. Não que eles fizessem alguma diferença realmente no guerrear, mas para fazer quem ainda está indeciso vir para o nosso lado.'

Akame meneou a cabeça. 'É uma boa estratégia. Típico de Boss.' Encostou as costas na cadeira, mais relaxada depois de ter se alimentado. Colocou uma mão no queixo pensativa. 'Por mais que não considerem a base, subestimando alguns generais por serem mais fracos que Esdeath ou Budou, será muito importante para a queda da Capital.'

Leone deu um soco na palma da mão e tinha um olhar ferino. 'Exatamente. Estou doida para quebrar uns pescoços de gente babaca como aquele Budou.'

Akame levantou os olhos para a amiga. 'Vamos aguardar as ordens de Boss. Ela decidirá quem serão nossos alvos.'

'Nossos?' Leone perguntou erguendo uma sobrancelha. 'Nada disso. Você está fora. Deixe isso aqui comigo e com Tatsumi.'

Akame balançou a cabeça de leve. 'Estou bem, Leone. Agora alimentada minha recuperação será muito mais rápida.'

'Já vi como é teimosa, nem vou tentar convencê-la.'

Akame repousou seus olhos novamente no ídolo de barro. Pegou-o e sorriu de leve. 'Onde está Tatsumi?'

'Saudades?' Leone nem se deu o trabalho de disfarçar a malícia.

A jovem desviou os olhos da estátua e fitou Leone que tinha um sorriso ferino nos lábios.

'Preocupada.' Rebateu.

'Tatsumi foi para o palácio para falar com um de nossos espiões…' Ela balançou a cabeça. 'Ele foi falar com Pavati, parece que ela encontrou algum indício da tal Teigu Imperial.'

Akame franziu a testa. 'Então não é lenda?'

'Talvez não. E isso é uma merda para nós.'

'O livro sobre as teigus fala muito pouco a respeito dela, e isso provavelmente é de propósito.' Ela colocou um dedo no queixo pensativa. 'Apenas fala que é uma besta, há um desenho mas não há a escala. Não deve ser uma armadura normal.'

'Ninguém nunca viu esta teigu antes, por isso muitos pensarem que era apenas lenda para colocar medo, mas parece que finalmente Pavati achou algo.'

'Isso realmente é um complicador.' Akame ponderou. 'Esdeath já é um inimigo grandioso para enfrentarmos. Ainda esta Teigu Imperial será um ponto a mais para a Capital. Será importante desestabilizar mais o exército Imperial eliminando outros generais e homens de confiança do Primeiro Ministro.'

'Acho que sim.' Leone concordou. 'Tatsumi deve estar trazendo mais informações. A situação da Capital está um caos, a população está revoltada e anda saqueando tudo. A guarda imperial não está dando conta. Logo Esdeath voltará para conter esta panela de pressão. Por isso achamos melhor trazer você para cá em vez da livraria de Lubbock.'

'Fizeram bem. Além disso…' Ela virou-se para a janela vendo a paisagem. 'Estar afastada da cidade sempre faz meu corpo reagir e se recuperar melhor.'

'Sim… seu treinamento foi nas montanhas, não?'

'Exatamente.' Ela murmurou, pensativa. 'Gosto de estar mais perto da natureza.'

'Bem… Tatsumi logo estará de volta e ele pega o turno para cuidar de você. Acho que você vai se divertir mais com ele do que comigo, não?' Disse dando uma piscadinha para Akame que encolheu os ombros constrangida.

'Não preciso que cuidem mais de mim.'

'Ah que pena… hoje era o dia dele lhe dar banho… para variar, ele deu azar.' A loira falou rindo. 'Oh rapaz azarado.'

'Leone…' Ela falou encolhendo-se mais ainda.

'Oras! Só em pensar em tomar banho com o namoradinho já está corada asssim! Está totalmente recuperada, não?'

'Ah! Pare com isso. Que ideia é esta? Da onde tira tantas bobagens?'

Leone não parava de rir. 'Você e ele não me enganam. Já ouviu falar de Feromônios?'

'O quê?'

'Deixa pra lá.' A loira falou rindo, pegou a bandeja com os pratos vazios. 'Não vai adiantar lhe explicar, vamos dizer que eu tenho o dom de reconhecer o corpo humano.'

'Isso eu já sei.' Akame murmurou se levantando e apoiando na mesa. Ainda sentia as pernas um pouco incertas, mas estava se sentindo muito melhor depois de ter se alimentado. 'Mas você não precisava ser tão intrusiva, né?'

'E deixar de me divertir? Você me conhece.'

Akame se deu por vencida. Conhecia mesmo Leone o suficiente para saber que ela estava se divertindo e muito com a sua situação. Estava caminhando em direção a cama quando ouviu passos pelo corredor. Franziu a testa e olhou para porta logo encontrando Tatsumi parada com a respiração ofegante. Ele abriu um sorriso enorme para ela.

'Akame…' Tatsumi murmurou aproximando-se dela devagar e a abraçando apertando contra o peito. 'Sabia que trariam você de volta para mim.'

'Uh uh… Hora de deixar os pombinhos.' Leone falou caminhando para fora do quarto. Tatsumi olhou para ela que deu uma piscadinha. 'Ela acordou a pouco, então nada de esforço por hoje. Amanhã vocês tiram o atraso.'

'Nee-san.' O rapaz falou encabulado, apertou mais forte Akame entre seus braços com receio dela se afastar dele depois da insinuação típica de Leone.

A loira saiu pela porta ainda alertando que não estaria a noite em casa pois estaria em missão e os dois poderiam ficar a vontade. 'Lembre-se de tudo que eu lhe falei, heim Tatsumi?!' Ainda gritou quando já estava no corredor.

Ficaram mais alguns instantes apenas abraçados. Tatsumi beijou o topo da cabeça de Akame e sorriu, ao sentir a força dos braços dela que envolviam sua cintura. Ela parecia estar melhor, incrivelmente melhor.

'O que ela lhe disse?' Akame perguntou levantando o rosto.

Tatsumi desviou os olhos dela, corando de forma violenta. 'As besteiras de sempre.'

Leone tinha lhe dado uma aula de como deveria tratar uma garota. Deixando-o em tal situação de constrangimento que nem conseguia falar nada apenas afundava cada vez mais no sofá enquanto a loira caminhava de um lado para o outro a frente dele como um gato lhe instruindo como deveria agir com Akame. Falou com todas as palavras que a morena era virgem e bem inocente nesta questão e cabia a ele entrar em ação. Nunca passou por tamanho embaraço na vida. Tentou negar com todas as forças que tinha algo com Akame. Não que fosse algo a se esconder, mas gostaria de evitar justamente o que estava acontecendo naquela hora com ele.

Sabia que Leone se importava com Akame demais. Eram amigas desde que a jovem havia entrado para a Night Raid. Eram grandes parceiras e agiam com uma sincronia incrível. Sabia que Leone já tinha tentado levar Akame para a noite que tanto gostava, mas a morena era boba demais, como ela gostava de falar o tempo todo. Não era boa companhia para aquele tipo de diversão que ela tanto gostava. Lubbock é quem sempre acompanhava a loira.

Não teve como não gostar de certo modo da informação que havia recebido. Já tinha percebido que Akame não entendia muitas das piadas e insinuações de Leone. Passou a mão na cabeça da jovem e sorriu.

'Que bom que está de volta.' Ele murmurou.

'Eu falei que sabia o que estava fazendo.'

O sorriso virou um riso nervoso. 'Está bem. Não vou discutir isso com você.'

'Sabe de Kurome?'

Tatsumi soltou um suspiro contrariado. 'Ela está melhor. Parece que funcionou de certa maneira aquela ideia do Run.'

'Isso é bom.'

'Os três estão na capital ainda. Estão no palácio mas parece que estão isolados.'

Akame estranhou, imaginou que a irmã se afastaria da Capital assim que estivesse melhor, aquela informação não a agradou. Não tinha se arriscado tanto para nada. Esperava que o tal Wave a levasse para longe daquele lugar para se recuperar. Afastá-la de qualquer droga. A irmã caçula não estava curada, o corpo poderia estar um pouco mais limpo mas a dependência psicológica das drogas ainda se manteria. Ela passaria por um tempo de abstinência dolorida e complicada. Merda!

'Pavati-chan quem lhe contou isso?'

'Sim.'

Akame se afastou dele, caminhando em direção a cama para se sentar, aquela informação havia sido como um soco no seu estômago. 'O que mais ela lhe contou?'

O Rapaz debruçou-se num dos móveis e cruzou os braços sobre o peito, observando-a. 'Parece que o tal Run realmente está do nosso lado.' Falou para tranquilizá-la. 'Como ele ainda não foi preso acredito que tanto Wave e Kurome não falaram nada. Não sei exatamente o que eles querem ou que lado estão.' Soltou um outro suspiro. 'Wave parecia estar mais atento a verdadeira face do Império.'

'Leone me falou sobre a questão da teigu imperial.'

'Exatamente. O primeiro ministro está com medo e andou mexendo as coisas para usar a lendária teigu.'

'Pavati lhe falou se ela existe mesmo? Como é? Existe um desenho dela no livro. Parece uma armadura poderosa.'

'Honest está frequentando muito os porões do palácio da Capital. Juntou um grupo de alquimistas liderados por uma tal de Dorothea para fazerem alguns testes. Parece que anda levando até mesmo o pirralho do Imperador.'

'Ele está drogando o Imperador?'

Tatsumi deu de ombros. 'Não me admiraria se estivesse fazendo isso.'

'Merda. Precisa passar estas informações para Najenda.'

'Já o fiz, assim que deixei a Capital. Ela provavelmente adiantará os planos.'

Akame passou a mão no rosto. 'Tenho que estar 100% até lá. Esdeath e mais agora isso serão complicadores muito grandes para a revolução.'

'Acho que sim… Mas vamos dar um jeito nisso tudo.' Ele falou com otimismo.

'Espero que sim…'

Ficaram em silêncio alguns instantes, até Tatsumi não segurar a língua, coisa bem comum a ele, inclusive. Pigarreou chamando a atenção de Akame. 'Aquela espiã, Pavati, conhece você a muito tempo, né?'

Akame inclinou a cabeça observando-o. 'Ela me conheceu assim que eu entrei na Elite dos Sete. Acho que tinha uns 10 anos, talvez menos.'

'Você falou com ela sobre… bem…' Ele corou. 'Sobre nós?'

'Hum.' Akame franziu a testa. 'Falar o quê?'

Ele encolheu os ombros e desviou os olhos dela. 'Ela me falou que você era uma boa menina mas que era para a gente ficar junto apenas depois da revolução. Falou como se soubesse que bem… que a gente está... você sabe.'

Akame fechou os olhos e balançou a cabeça de leve. Pavati realmente a conhecia melhor do que ela mesma. Já tinha entendido que ela gostava dele antes mesmo dela conseguir entender o que sentia.

'Ela foi bem direta comigo.' O rapaz falou com a voz pesada. 'Falou que somos assassinos e do nosso trabalho. Inclusive…' Deixou morrer a frase, virando-se para a janela onde o sol estava se pondo, colorindo o céu com o tom alaranjado.

Akame levantou o rosto fitando-o. 'O que ela falou?'

'Besteiras.' Respondeu por fim. Não gostaria de repetir o que teve que ouvir e não gostou.

'Pavati é espiã durante anos, ela apenas quer que este tempo de terror termine. Ela coloca muita fé em nós.'

'Em você. Ela coloca fé e responsabilidade demais em você.' Consertou.

'Talvez porque ela saiba bem o que eu sou. Viu meu treinamento. Sabe do que eu sou capaz.'

'Você é mais do que apenas uma assassina, Akame.' Ele rebateu, a voz era firme e séria. 'Eu sou mais do que isso também. Quero uma nova Era de felicidade para todos, inclusive para mim.' Disse tocando de leve no peito. 'Luto por todos que morreram mas também pelo que eu acredito e pelo meus desejos.'

'Por que está falando isso?'

'Você falou depois da morte de Mine que somos responsáveis pelos anseios dos companheiros que partiram…' Ela assentiu com a cabeça. 'Eu penso que é mais que isso. Sou responsável também pelos meus sonhos. Vou lutar por eles acima de tudo.'

Akame sorriu para ele. Adorava daquela força de vontade dele. Aquele ímpeto dele sempre lutar pelo que era o certo, sendo algo tão natural, não importando o quanto se machucasse.

'E quais são os seus sonhos?'

'Uma Era de paz e felicidade. Que as pessoas não precisem andar escondidas e com medo. Sem fome e miséria. Sem choro de desespero por conta de covardia. Um Era que eu vou entrar ao seu lado como prometemos, lembra?'

Como ela poderia esquecer? Respondeu a ele assentindo com a cabeça.

Tatsumi se aproximou e abaixou a frente dela que estava ainda sentada na beirada da cama. Pegou as mãos da jovem entre as suas e levantou o rosto fitando-a nos olhos. 'Quero voltar para a minha vila e quero que venha comigo depois que toda esta loucura terminar.' Falou seu desejo apertando as mãos dela entre as suas.

Akame comprimiu os lábios, tensa. Abaixou os olhos observando suas mãos entre as dele. Nunca se imaginou naquela situação. Tudo era tão novo para ela. Tão estranho. Ao mesmo tempo prazeroso e amedrontador. Tinha medo de morrer agora, coisa que nunca sentiu antes. Tinha medo que ele morresse. Nunca vislumbrou um futuro como Lubbock que gostaria de se declarar para a mulher que amava e construir uma família. Não tinha sonhos belos como os de Mine que gostaria acabar com o racismo e discriminação. A jovem também tinha sonhos de comprar vestidos e jóias, arranjar um namorado e ser feliz. Ela apenas lutava para tentar minimizar um pouco todo mal que tinha feito. Não lutava pelo seu futuro, mas sim pelo seu passado.

Sentiu quando Tatsumi soltou suas mãos e tocou o rosto dela com carinho, fazendo-a levantar os olhos para ele que sorria lindamente para ela. Ele tirou uma mexa do cabelo negro que cobria parte dos seus olhos e colocando-a de forma delicada atrás de sua orelha.

'Diga que quer vir comigo.' Ele pediu.

'Quero.' A resposta saiu sem que ela percebesse e o viu abrindo ainda mais se fosse possível o sorriso.

When you think that we've used

Quando você pensa que nós já usamos todas as

all our chances

Nossas chances

And the chance to make

E a chance de fazer

everything right

Tudo direito

Keep on making the same

Continua fazendo os mesmos

old mistakes

Velhos erros

Makes untipping the balance so easy

Faz o equilíbrio tão fácil

When we're living our lives on

Quando vivemos nossas vidas no

the edge

Limite

Say a prayer on the book of the dead

Faça uma oração ao livro dos mortos

Akame pensou por instante que era uma estúpida por não conseguir controlar a própria língua como também o próprio coração. Ela não sabia nem se conseguiria sair viva do confronto com Esdeath. Talvez fosse até capaz de sair viva, mas o preço seria alto demais. Quando apenas ela estava envolvida na questão era uma coisa, mas agora… Sentiu-se culpada olhando para Tatsumi que sorria de forma magnífica para ela. Era um sorriso tão genuíno e belo que não tinha como não se encantar por ele.

Mordeu de leve o lábio inferior em agonia e Tatsumi percebeu a sombra negra que caiu nos olhos escarlates antes tão brilhantes.

'O que foi?' Perguntou e quando percebeu que ela desviou os olhos dele, não aguentou e segurou o delicado rosto dela entre suas mãos. 'Por favor, Akame, não me esconda mais nada.' Suplicou.

Ela engoliu em seco. Não conseguiria mentir olhando-o daquela maneira. 'Talvez eu precise da minha trump card… contra Esdeath.' Falou finalmente.

Ele arregalou os olhos. 'Não pode fazer isso.'

'Talvez será preciso. Tatsumi… eu lhe prometi sobreviver, e vou cumprir… mas não sei o que eu me tornarei depois de fazer o que preciso.'

Ele franziu a testa, ainda a fitando nos olhos. 'A pressa para a transfusão de sangue com Kurome foi por conta disso, não? Você ponderou suas alternativas e está considerando usar a trump card de Murasame, não é?'

Ela assentiu com a cabeça. 'Precisava garantir que poderia ser capaz de fazer isso pela minha irmã. Depois, não sei se seria possível, se não seria colocá-la num risco muito maior recebendo meu sangue.'

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

We're blood brothers

Nós somos irmãos de sangue

Ele sorriu de leve. 'Racional como sempre. E eu que pensei que a pressa era apenas ansiedade.'

'Não deixava de ser também.' Ela replicou. Não era tão fria e racional desta forma. Se fosse não estaria praticando nos braços dele como uma menina apaixonada. Não se envolveria tanto com ele. Teria mantido a maldita distância que tinha estipulado antes mas que agora lhe feria de tal maneira que não se reconhecia.

'Você é incrível, Akame.'

Tatsumi se levantou e a puxou para abraçá-la com carinho. Akame enlaçou sua cintura encaixando seu rosto no pescoço dele e fechou os olhos. Soltou um suspiro dolorido.

'Vamos achar uma maneira de sobrevivermos… nós dois. Não importa o preço que tenhamos que pagar. Nós dois vamos voltar para casa juntos.'

'Sim.'

Ela tinha finalmente descoberto algo para lutar sem ser pelos mortos. Gostaria de sobreviver para viver… viver ainda muito mais com ele.

And if you're taking a walk through

the garden of life

Se você está passeando pelo

Jardim da vida…