Notas: Este Capítulo foi escrito baseado nos capítulos 61, 62 e 63 do mangá Akame ga Kill.
Akame Ga Kiru!
A Assassina de Olhos Vermelhos
Por Kath Klein
Mate os Alvos
'Akame.' Najenda chamou a assassina que estava cozinhando com Tatsumi.
Boss havia retornado a sede no dia anterior. Não houve muitas comemorações. A tensão estava num nível alto por conta do que estavam descobrindo sobre as movimentações do Império. Najenda colocou todos a par sobre o movimento das forças revolucionárias, logo estariam pronto. Ela já tinha conseguido o apoio de mais da metade dos vices-reis do império, porém alguns ainda se mantinham fiel a Honest. Talvez por estarem com o rabo preso com o primeiro ministro ou apenas com medo da capital.
Akame virou-se para trás olhando-a pelo ombro esquerdo.
'Preciso falar com você. Tenho uma missão para lhe dar.'
A morena assentiu com a cabeça. Tirou o avental que estava vestindo e reparou que Tatsumi a olhava de soslaio. Pensou que não tinha falado de forma clara com Boss sobre o que estava acontecendo entre eles. Talvez tivesse oportunidade agora. Deixou o avental pendurado em uma das cadeira e seguiu a supervisora que se encaminhou para o lado de fora da sede.
Najenda se sentou em uma pedra, observando o entorno. Acendeu um cigarro, tragando-o em seguida. Estava feliz de voltar para a sede dos Night Raid, principalmente aquela que era a primeira. Estava parcialmente destruída mas ainda poderiam usá-la agora na reta final da revolução.
Akame se aproximou devagar. 'Estou aqui.'
'Em breve todas as forças revolucionária se juntarão para cercar a capital imperial.' Boss falou depois de soltar uma nuvem de fumaça nociva no ar.
'A batalha final se aproxima.' Akame falou satisfeita.
Najenda acenou e estendeu em direção a assassina uma pilha de papéis. 'Para esta batalha decisiva, eu gostaria que a maioria destas pessoas fossem eliminadas.'
Akame pegou os papeis, folheou-os com atenção e em silêncio.
'Essa é uma lista de generais e oficiais do alto escalão que tem ajudado o primeiro ministro.' A Ex-general imperial passava a missão observando a jovem que olhava com cuidado cada ficha em suas mãos. 'Quero que se infiltre na capital, acredito que não tenha problemas pois está um caos. Você não deve se aproximar do palácio. Cada um destes alvos estão fora dele.'
Akame assentiu. 'Entendido. Diminuirei o poder militar deles.'
'Esta é a ideia.'
'Caso algum alvo se refugie dentro dos muros do palácio e debaixo da saia de Honest, não quero que entre sozinha e se arrisque.'
A assassina assentiu. 'É possível que tenhamos alguma retaliação devido a este ataque direto aos generais.' Ponderou.
Boss sorriu de forma perigosa. 'Acredito que com estes assassinatos, oficiais de menor patente ficarão com medo e isso facilitará na hora da batalha final. Estou contando com esta covardia.'
Akame assentiu novamente.
'Sei que é uma lista considerável e ponderei dividi-la com Leone e Tatsumi, mas acho que você é a mais capacitada para isso. Terá que agir sozinha e nas sombras. É uma missão de assassina profissional.'
'Poupará Tatsumi e Leone?'
Najenda negou. 'Tatsumi consegui com a trump card de Incursio ficar invisível e Leone frequenta o submundo como ninguém. Estou preocupada com a movimentação do palácio e os tais Alquimistas contratados por Honest. A menção de Shikoutazer me deixa além de preocupada, receosa.'
'Por que diz isso?'
Najenda comprimiu os lábios alguns instantes. Acendeu um outro cigarro e deu uma longa e demorada tragada, soltando logo depois bem devagar. 'Não sabemos como realmente Shikoutazer é, mas pelo que andei levantando da tal da Alquimista, Dorothea, nada me agrada. Aquela mulher tem pelo menos mais de cem anos e possui a aparência de uma garotinha.'
Akame franziu a testa. 'Alquimia?'
'Acho que sim… não só alquimia mas talvez ela seja usuária de uma teigu.'
'Não existe teigu que prolongue a vida desta forma.'
Najenda deu uma outra tragada. 'As teigus foram forjadas seguindo princípios de bruxaria, demonologia, força espiritual, ciências convencionais como metalurgia e armamento bélico, e também alquimia. Alguém com um conhecimento, dom e principalmente acesso a todos este conhecimento…' Fez uma pausa, balançando a cabeça de leve. 'Obviamente no palácio existe todo os registros dos estudos para a construção das teigus e das shifus. Aquele conhecimento deve ter sido registrado e com certeza está no palácio de forma segura. Honest deve ter dado acesso total a este conhecimento e nas mãos de uma pessoa como este grupo… pode ser muito perigoso.'
'Você acha que ela é capaz de mudar ou até mesmo construir uma teigu?'
'E por que não? As teigus foram criadas pelos homens. Homens sábios reunidos. Isso pode acontecer novamente, não?'
Akame engoliu em seco. 'Nunca havia pensado nisto.'
'Eu também… Confesso que o misticismo criado em cima das teigus fazem com que acreditemos que elas são armas divinas. Como presentes do céus ou do inferno. Mas elas foram criadas por homens. Podem ser modificas ou até mesmo construídas novas. Esta hipótese em teoria é plausível. As Shifus são um exemplo. Não chegaram ao nível das teigus por conta da limitação ou moralidade dos estudiosos do projeto.'
'Acho que tem razão… Pensando de forma fria, é possível. Dorothea é um perigo.'
'Exatamente. Leone e Tatsumi ficaram encarregados de eliminar ela e sua pequena equipe, enquanto você elimina os militares que estão em maior número.'
'Entendido.' Ela assentiu. 'Partirei o quanto antes.'
'Akame…' Najenda a chamou quando a jovem já estava lhe dando as costas, mas voltou-se para fitá-la. 'Soube do que fez por Kurome.'
Akame abaixou o rosto. 'Não podia me manter indiferente.'
'Compreendo.' Ela falou sinceramente. 'Sei que ponderou todos os riscos e fico feliz que tenha feito algo por sua irmã, apesar de saber por Pavati que o estado dela já era terminal. Você já fez o que podia, mais do que podia por ela. Caso Kurome estiver ao lado do Império, espero que a encare com uma inimiga novamente.'
'Fiz o que deveria fazer por Kurome. Se ela estiver no caminho da revolução, tenho consciência que terei que elimina-la.'
Najenda deu uma longa tragada, observando a jovem com atenção. 'Também percebi o que está acontecendo entre você e Tatsumi.'
Akame desviou os olhos, embaraçada. 'Não vou negar que está acontecendo algo, mas peço que não se preocupe.'
'Espero que isso não interfira em sua capacidade como assassina.'
Akame voltou a fitar Najenda. 'Não se preocupe. Tudo sai da minha mente quando entro em modo assassinato.'
'Tem certeza?' Najenda a questionou, estreitando os olhos nela.
'Não vou negar que isso mexe comigo. Não vou negar que antes eu lutava unicamente por conta da culpa que sinto pelo que fiz como assassina imperial e que agora quero mais que isso.' Ela começou a falar com a voz firme, tentando passar para Boss tudo sem dúvidas. 'No entanto, acredite em mim, fui treinada para manter a mente lúcida e seguir o plano. Não fui ao encontro de Kurome para matá-la. Fui para desarmá-la, destruir Yatsufusa e deixar Kurome fora de combate. E assim eu fiz.' Deu um passo a frente e bateu de leve a mão nos papéis. 'Todos os alvos serão eliminados.'
Najenda assentiu com a cabeça e deu uma longa tragada prendendo a fumaça nos pulmões. 'Sabe Akame… Eu sabia dos sentimentos de Lubbock.' Confessou fazendo a jovem olha-la surpresa. Boss sorriu de leve. 'Acho que todos sabiam disso. Lubbock não era muito bom em ser discreto.' Soltou um suspiro e a fumaça de seus pulmões. 'E eu correspondia a eles.'
'Boss…' Akame sussurrou.
'No entanto, sabia que havia uma grande possibilidade de Lubbock desviar o foco dele ou que eu tentasse poupá-lo ou protegê-lo. Eu tinha, tenho que pensar como um general ou todos podemos morrer e a revolução não dar em nada.'
'Eu entendo.'
'Mine morreu por inconsequência.'
Akame franziu a testa com aquela observação. 'Talvez. Mas também por culpa minha. Deveria ter sido mais rápida e ajudá-la. Fui surpreendida por um ex-companheiro da Elite dos Sete, e demorei em eliminá-lo.'
Najenda balançou a cabeça de leve. 'Você fez mais do que deveria. Percebi que não apareceu nenhum soldado na arena imperial.' Falou sorrindo de lado. 'Sei que foi trabalho seu. Você raciocinou corretamente, como sempre. Foi muito útil apenas focarmos em Esdeath e Budou.'
'Mas não foi suficiente para evitar a morte de Mine e Susanoo.'
Najenda meneou a cabeça. 'A morte de Mine não era possível impedir. Mine estava disposta a se arriscar de frente para impressionar Tatsumi.'
Akame desviou os olhos de Najenda. 'Não foi apenas isso.'
Akame abaixou os olhos, ainda sentia a morte da amiga, assim como dos outros.
Najenda ficou em silêncio observando a jovem a sua frente por alguns instantes. 'Seria interessante colocar nas suas costas esta morte, Akame, mas não é o justo. Sou um general mas não um carrasco. Mine percebeu o interesse de Tatsumi em você e tentou mostrar a ele que também poderia ser como você. Morreu por conta das decisões e imprudência dela. Foi uma grande perda, mas também precisamos considerar que o general Budou foi uma grande perda para o Império também.'
Akame voltou a fitá-la. 'Acha que vou reduzir o meu confronto com Esdeath a uma disputa boba de ciúmes?'
'Você entendeu rápido.'
A jovem soltou um suspiro. 'Não quero que ela chegue perto de Tatsumi.' Foi sincera. 'Assim como não quero que ela chegue perto de Leone ou de você pois sei do que ela é capaz de fazer por sadismo. Esdeath é um monstro que não deve existir no mundo que estamos tentando criar. Ela precisa ser eliminada de qualquer forma. E estou disposta a pagar qualquer preço por isso.'
'Bom ouvir isso.' Najenda falou com sinceridade.
'Novamente, não se preocupe. Sei entrar em modo assassinato e não há como ninguém entrar na minha mente neste momento. Nem Kurome e nem Tatsumi. Foi assim que fui treinada.'
Najenda sorriu satisfeita. 'Era o que eu gostaria de ouvir. Não é a toa que é um dos meus melhores soldados, Akame.'
'O império me treinou muito bem para isso.'
'Pais e Ritone a ajudarão e se infiltrar na capital diminuindo os riscos e informando a você o paradeiro de cada alvo. Não se arrisque mais que o necessário. Lembre-se que seu alvo principal é Esdeath.'
'Entendido.' Akame assentiu com a cabeça antes de finalmente se afastar para se aprontar para a nova missão.
Caminhou decidida em direção a sede para buscar o sobretudo e Murasame, partiria em seguida. Entrou na sede folheando e lendo a ficha de cada alvo. Subiu as escadas e entrou no quarto já se preparando quando Tatsumi entrou logo em seguida.
'Vai partir?' Perguntou vendo-a se aprontando.
Akame levantou o rosto e sorriu de leve. 'Sim. Boss me passou uma missão.'
'Por que apenas para você?'
Ela desviou os olhos. 'Não… logo ela passará uma missão muito importante e perigosa para você e Leone.' Comprimiu os lábios por um instante. 'Estamos próximos da revolução e somos poucos agora.'
Akame vestiu o sobretudo e pegou sua Katana tirando-a de sua proteção para analisar o fio. Estava esperando por aquele tipo de missão assim que teve a conversa com Leone. Tinha limpado Murasame pela manhã quando havia se sentido melhor. Observou a arma com cuidado. Estava perfeito. Mortal.
'Vai demorar?' Tatsumi perguntou.
Akame colocou Murasame na proteção e logo depois prendeu-a na cintura. 'São muitos alvos, devo ficar alguns dias fora.' Pegou os papéis e os colocou dentro do bolso interno do casaco.
Tatsumi estava aflito, gostaria de ir com ela. Não gostaria de estar em missões separados.
Akame franziu a testa reparando que ele não estava satisfeito. Inclinou a cabeça de leve.
'Estarei de volta o quanto antes. Serei rápida.' Disse sorrindo para passar confiança para ele.
'Gostaria de ir junto… com você.'
Akame caminhou até ele. 'Você não ouviu o que lhe disse? Você terá outra missão. Somos poucos, Boss está nos dividindo para que sejamos mais efetivos.'
'Se eu a ajudasse provavelmente seria menos arriscado e mais rápido.' Ele rebateu.
'Talvez.' Ela concordou. 'Mas devemos confiar na estratégia de Boss.'
'Tem razão.' Tatsumi concordou por fim. Najenda também era uma mulher inteligente e um general astucioso. Deveria ter percebido o que estava acontecendo entre os dois por isso achou mais prudente separá-lo em suas missões.
'Não seja imprudente.' Akame pediu, aproximando-se dele. Também gostaria de estar próxima a ele para o proteger de tudo, mas tinha que confiar na força de Tatsumi e o fato de Leone estar com o rapaz lhe passava certa tranquilidade.
Tatsumi balançou a cabeça. 'Este não é o meu forte.' Falou em tom jocoso, mas ela sabia que era a verdade.
Akame levantou os braços pegando o rosto dele entre suas mãos. Encarava-o com o rosto sério. 'Por favor… não seja imprudente.' Suplicou mais uma vez. 'Não quero perdê-lo, Tatsumi. Mantenha-se vivo.'
Ele abriu um sorriso e a segurou pela cintura, por dentro do sobretudo e puxando-a para mais perto de si. Sentiu a empunhadura de Murasame tocar as costas de sua mão, mas não se intimidou com a perigosa teigu. Abaixou o rosto, tocando a ponta de seu nariz ao de Akame.
'Também não suportaria perder você, Akame. Já perdemos pessoas que eram importantes demais. Não quero perder você agora que entende o que sinto.' Ela assentiu com a cabeça e sentiu o rosto esquentar.
Tatsumi inclinou a cabeça de leve para poder tocar seus lábios nos da assassina. Akame deslizou suas mãos para os cabelos dele, passando de leve seus dedos pelos fios castanhos claros e entreabriu os lábios para que Tatsumi pudesse aprofundar o beijo que começou singelo, mas logo tornara-se mais intenso. Talvez pelas perspectiva de que separariam por um tempo ou realmente por medo que aquele pudesse ser o último devido as perigosas missões que cumpririam.
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Ritone estava ao lado de Akame nas mediações de uma luxuosa residência da Capital.
'Esta é a residência do Lorde Warumo. Um dos seus alvos.' O rapaz lhe informou.
Ela apenas assentiu com a cabeça, enquanto observa de forma atenta a segurança. Não era muita.
'Tem certeza que vai atacá-lo hoje. Não seria melhor descansar?'
'Não. São alvos próximos. Se eu der tempo para eles, suas defesas aumentarão. É preferível atacá-los antes do pânico ser instaurado.'
'Este já será seu oitavo alvo. Você é realmente uma máquina de matar.'
'Exatamente.' Ela falou começando a se afastar dele e como sempre, aproveitando as sombras para se tornar invisível aos olhos de meros mortais.
Encostou-se contra o muro da residência e aguardou dois guardas imperiais passarem por ela. Akame ponderou se seria melhor eliminá-los ou não. Os homens passaram conversando de forma despretenciosa e completamente ignorantes do perigo que corriam.
A assassina levantou o rosto e observou a janela. Deu alguns passos para trás observando a entrada que deveria alcançar no segundo andar. Desviou os olhos para possíveis apoios para sua rota até lá. Como tinha visto quando estava mais distante, havia alguns ressaltos na construção que serviriam de apoio para a escalada.
Não fora difícil escalar rapidamente até alcançar a janela. Olhou pelas frestas da veneziana que compunha a janela e viu o ambiente vazio. Forçou um pouco e ela já abriu, permitindo que ela entrasse no ambiente. Olhou em volta para o ambiente vazio e virou-se para trás fechando a janela.
Escondeu-se atrás de um móvel qualquer e esperou. Sabia que pela rotina do alvo logo ele se recolheria para dormir. E assim foi feito.
Warumo entrou no quarto, fechando a porta em seguida. Acendeu a luz, iluminando um pouco o ambiente e se espreguiçou já se preparando para deitar-se.
'Que dia…' Ele murmurou, jogando-se na cama e fechando os olhos. Ouviu um barulho no quarto e abriu os olhos, arregalando-os em seguida.
A sua frente estava a figura da bela jovem de olhos vermelhos segurando uma katana que brilhava. Abriu a boca mas o pânico o fez simplesmente perder a voz e logo depois perdeu a vida quando Murasame atingiu-o de forma rápida e limpa a jugular. Uma poça de sangue se formou no belo e rico lençol branco.
'Alvo eliminado.'
Akame virou para trás e soltou um suspiro. Era melhor cair fora. Caminhou até a janela do quarto do lorde do Império e a abriu. Olhou para baixo e saltando com a agilidade de um gato, desceu, afastando-se da residência. A missão estava se encaminhando rapidamente para ser concluída, ela pensou satisfeita.
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A Capital estava sendo atacava diretamente. Um batalhão vindo do norte vinham em nome de Nume Seika e na tentativa de se vingar pela morte desonrosa de seu herói.
O batalhão revolucionário de quase mil homens liderados por liderados pelo revolucionário Nuge que era usuário da teigu L'Arc Qui Ne Faut, um poderoso arco que é capaz de disparar várias flechas ao mesmo tempo e, chamando o nome do alvo, os projéteis, independentemente da direção em que são disparados, buscarão o alvo com velocidade notável por tempo infinito. Uma arma que dava a capacidade ao seu usuário acertar seu alvo independente de sua capacidade e habilidade pessoal. Isso deixava Nuge autoconfiante o suficiente para com seu batalhão de mil homens atacar sozinho o palácio e colocar seu nome na história.
O plano inicial era que eles ficassem em posição para esperarem os outros batalhões revolucionários para atacarem juntos, porém Nuge era um homem muito otimista e autoconfiante ou apenas um idiota arrogante.
E assim ocorria uma das mais terríveis, sangrentas e rápidas guerras da Capital Imperial. Esdeath simplesmente aniquilou em pouco tempo os mil homens. A teigu de Nuge foi inútil contra a poderosa usuária da Teigu de gelo.
General Nouken caminhava a frente de seu batalhão de forma imponente. Era um homem grande, corpulento tão sádico e covarde quanto Esdeath, porém nem um centésimo tão forte quanto a general.
Um de seus soldados caminhava um passo atrás do homem e se dirigia a ele com respeito e medo.
'Eu não consigo acreditar que a General Esdeath está tomando conta sozinha do Inimigo.' O soldado falou para seu supervisor. 'Parece que nossa vinda para cá não terá servido para nada, general Nouken.'
'Nem um pouco.' O homem falou sorrindo de lado. 'As mulheres da capital tiveram o prazer de serem fodidas por um homem de verdade.' Ele soltou um suspiro preguiçoso. Esdeath já estava cuidando de tudo sozinha. Então lhe dava mais tempo para diversão. Virou-se para trás olhando para o seu subordinado. 'Na verdade, estou com vontade novamente. Traga a número 5 para mim novamente.' Ordenou.
O soldado soltou uma risada nervosa. 'Número 5… err… General, o senhor literalmente partiu a mulher em duas na última vez. Jogamos o corpo dela na lixeira.'
Nouken colocou um mão no queixo pensativo. 'Hummm… é verdade. Tinha me esquecido. Vamos pegar outras… De preferência virgens. Gosto quando gritam e choram.'
O soldado riu novamente e seguiu seu supervisor.
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Akame observava a tropa de Nouken a sua frente. Olhou para o lado e viu as explosões da batalha do tempestuoso Nuge contra Esdeath. Soltou um suspiro. Pelo menos aproveitaria aquela confusão para eliminar mais um dos seus alvos. Voltou a olhar para frente onde os homens de Nouken caminhavam de forma relaxada. As pessoas da capital corriam pelas ruas em direção a suas casas para se protegerem.
Estreitou os olhos e levou a mão direita na empunhadura de Murasame, flexionou os joelhos de leve e avançou na direção da tropa passando pelos soldados e degolando-os tão rápida e tão precisa que mal conseguiam grita de dor antes de caírem já sem vida no chão.
Os homens se mostraram tão desnorteados vendo o pequeno ser passando por eles em velocidade sobre-humana e pelo caminho derrubando os homens pelo chão mortos.
'Estão mortos!' Um gritou verificando que o companheiro caído com o pequeno ferimento no rosto já estava morto.
'Só pode ser…' Outro olhava horrorizado para a quantidade de mortos.
'Akame!' Finalmente a reconheceram pela fama de assassina impiedosa e ousada.
Nouken virou-se para trás e levou sua mão a empunhadura de sua poderosa espada. Não teve tempo de sacá-la, pois Akame já tinha acertado sua jugular.
'Alvo eliminado.' Ela sussurrou assim que sua perigosa teigu finalizava o arco do golpe fatal destinado ao general.
O grande homem caiu no chão com os olhos já sem vida. Um dos soldados se aproximou ainda o chamando mas constatando que já estava morto. Levantou o rosto e viu Akame continuando seus caminho, afastando-se deles. Ela literalmente tinha entrado pela tropa em linha reta em direção ao general, matado todo homem que estivesse por azar em sua trajetória, atingiu o General Nouken e continuou seu caminho agora se afastando do grupo.
'É Akame da Night Raid! Não a deixem escapar!' Um dos soldados gritou e fazendo assim os homens finalmente entenderem o que tinha acontecido e começarem a persegui-la, porém não foram capaz de segui-la. Ela era rápida demais.
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Akame corria afastando-se agora da Capital. Pensava que estava forçando um pouco a barra, até demais. Estava eliminando um alvo seguido do outro. Com o General Nouken, já era 12 dos 20 alvos entregues por Najenda. No fundo era uma droga constatar que estava com pressa para voltar para casa. Estava preocupada com Tatsumi. Muito.
Pais e Ritone tinham lhe passado as poucas informações que haviam descoberto sobre Dorothea e começava a se preocupar pelo sucesso da missão de Leone e Tatsumi. Dorothea trazia um rastro de sangue, dor e morte por onde passava e ela estar unida a Honest só poderia potencializar o poder e sadismo dos dois.
Era o segundo dia que estava naquela missão de assassinatos. Mal havia descansado. Tinha realmente sua preocupação sobre a missão dos amigos e gostaria de ajudá-los, mas também havia outro ponto que foi determinante para convencer Pais e Ritone em ajudá-la e apoiá-la apesar da acharem que ela deveria descansar, os dois sabiam que era muito melhor não dar tempo para o Império se proteger melhor. Logo raciocinarem sobre quem seriam os alvos da assassina e aumentariam a defesa dos próximos. Por isso, era fundamental ela ser rápida, até para gerar o pânico que era um dos objetivos de Najenda.
Akame corria para o local onde se encontraria com Pais quando percebeu que estava sendo perseguida. Freou de repente a corrida, fazendo uma pequena nuvem de terra se levantar e virou-se para trás vendo o grupo de elite do exército imperial se aproximar. Estreitou os olhos no pequeno vulto no meio deles. Arregalou os olhos reconhecendo a irmã.
'Kurome…' Sussurrou.
'Ora, ora... se não não voltamos a nos encontrar, Akame-chan.'
Akame desviou os olhos da irmã e observou a figura envelhecida que estava a frente do grupo de 30 soldados. Franziu a testa tentando reconhecê-lo mas não conseguia.
'Você continua linda como antes, é realmente uma penas você ter nos traído.'
Akame arregalou os olhos. 'Não me diga… não me diga que você é Kylie?'
Não conseguia acreditar que aquela figura com o rosto enrugado, cabelos brancos fora um dia uma de suas colegas quando fazia parte do grupo de assassinos imperiais. Parecia um velhinho e não a jovem que tinha a sua idade ou até mesmo um pouco mais nova.
Kylie sorriu, satisfeita por Akame ter a reconhecido, mesmo que tenha demorado um pouco.
'Correto.' Ela respondeu. 'Eu passei por uns testes que custaram minha feminilidade. E isso tudo graças a alguém que nos abandonou.' Esclareceu.
Kurome abaixou os olhos, não conseguindo encarar nem a irmã e nem Kylie.
'Tentar me culpar pelas atrocidades que o Império faz com vocês é inútil. Eu fiz o que precisava ser feito.' Soltou um suspiro. Não queria ser obrigada a eliminar seus antigos colegas, não queria ser obrigada a lutar contra Kurome. Desviou os olhos de Kylie e fitou a irmã no meio do grupo. Ela estava com o rosto baixo. 'Esforços chegarão em breve.' Blefou. Não era de fazer isso, mas achou que fosse o melhor por hora. 'O melhor é vocês voltarem antes que eles cheguem.'
Kylie sorriu de forma perigosa. 'Temos nossos próprios motivos para persegui-la, Akame-chan. Você é nosso principal alvo. Nosso objetivo é eliminar você, traidora.'
'Já falei que fiz o que tinha que ser feito.'
Kylie deu um passo a frente sem tirar os olhos dela. 'Você sempre sem achou superior a tudo, não? Só porque fazia parte da Elite dos Sete… Humph! Besteira! Todos morreram, passaram por uma merda de treinamento que tornaram com espírito fraco. Não foi a toa que nos traiu! Diferente de você… todos nós aqui…' Virou-se para trás indicando com o braço o grupo. 'Não somos traidores.' Voltou a fitá-la com um sorriso debochado. 'Já você que se julgava a melhor… não passa de uma vadia fraca e traidora.'
Akame fechou os olhos por alguns instantes. Conseguia se lembrar de quando era treinada por Gozuki.
'Escute, Akame…' A voz de papai era tão nítida na sua mente. 'Se você quer sobreviver para reencontrar a sua irmã, você vai ter que ser mais rígida e impiedosa em suas missões.' Ela conseguia vê-lo a sua frente. 'Você vai ter que ativar um botão dentro de você.' Ele falava encarando-a. Levou uma das mãos até o queixo pensativo. 'Hum… Sim… nós deveríamos escolher uma palavra específica… isso… uma palavra que você possa dizer em voz alta ou apenas murmure pra si mesma… assim que você estiver prestes para a executar sua missão. Não importa qual a palavra, mas escolhe e a use para ativar sua mente no modo assassinato. Pensei nisso como um encantamento mágico, um encantamento ou uma chave que você possa finalmente libertar o demônio que está dentro de você. Depois…' Ele deu de ombros e sorriu perigosamente. 'Sei que será capaz de aprisioná-lo novamente e se não conseguir… se enlouquecer matando todos… isso não será tão mal assim, não é?'
Akame piscou os olhos algumas vezes voltando a sua realidade. Levou a mão direita até a empunhadura de Murasame e flexionou os joelhos de leve. 'Não se aproximem…. se fizerem isso… serei obrigada a eliminá-los.' Avisou pela última vez, retirando a katana de sua proteção.
Kylie estreitou os olhos nela. Percebeu que Akame não tinha um pingo de hesitação em sua voz. Levou uma das mãos até o bolso do uniforme e retirou de dentro dela o comprimido branco. 'Pílula da super força!' Ela gritou, colocando-a na boca e engolindo em seguida.
Kylie se abraçou enquanto gemia de dor pelo efeito da poderosa droga, assustando até mesmo seus subordinados que não sabiam se se preocupavam com sua comandante ou com a inimiga que estava a poucos metros dele. Kurome observava agora o corpo de Kylie se contorcendo e viu que alguns dos seus companheiros também começavam a colocar a droga na boca e engoli la.
'Pegue uma, Kurome-chan!' Uma das companheira estendeu a pílula para a jovem que olhou para o pequeno comprimido na mão.
'Kurome!' Akame gritou o nome da irmã vendo o que estava acontecendo. Apertou mais forte a empunhadura de Murasame. 'Não faça isso!' Pediu… implorou.
'Ataquem a traidora!' Kylie gritou alto, quase enlouquecida enquanto babava por conta dos efeitos imediatos da droga que ingeriu.
Akame teve que desviar os olhos de Kurome para o grupo de assassinos que avançava sobre ele, gritando insultos.
'Sua maldita traidora!'
'Você vai implorar pela morte em nossas mãos!'
'Vagabunda imunda!'
Akame trincou os dentes, não era aquilo que queria… definitivamente não queria lutar contra eles. Abaixou os olhos por um instante, obrigando-se a murmurar. 'Eliminar.'
Desviou do adversário da direita, ao mesmo tempo que cortava o que vinha pela esquerda ao meio. Deu um rolamento, saindo do alcance da lança que era projetada na sua direção e levantou-se, golpeando com tanta a força uma espada que estava próxima de si quebrando-a em pedaços, girou o corpo passando Murasame pelos ombros da espadachim e decapitando-a. Saltou esquivando-se dos projéteis de outro inimigo que gritava e atirava nela como louco.
Akame desviou de um lado para o outro e para atingí-lo em cheio quando este estava ao alcance de sua perigosa teigu.
'Eliminar.' Murmurava para si mesma, enquanto sangue era espirrado para todos os lados enquanto ela mutilava cada um dos ex companheiros assassinos que se aproximavam tentando acertá-la.
Seus olhos cruzaram com os de Kurome que apenas observava a irmã naquela dança macabra de morte.
Novamente dois deles se aproximaram com espadas tentando golpeá-la furiosamente. Akame saltou na direção dele, cortando-o de cima a baixo. Girou novamente o corpo, desviando a lâmina do seguinte que tentava lhe acertar o pescoço, e acertou-o com um chute forte no abdômen. Ele se dobrou ao meio e ela sem piedade cortou o braço que segurava a espada fazendo-o gritar em desespero.
Percebeu que duas inimiga se aproximavam, uma delas armada com arco e flechas que soltou contra ela. Akame puxou o corpo do homem que gritava ainda pelo membro perdido e se protegeu das flechas que acertaram as costas dele finalmente o calando e levando-o a morte.
'Eliminar.' Ela sussurrou mais uma vez, empurrando o homem ao chão e flexionando os joelhos para atacar as duas que mal conseguiram tentar lutar contra ela e já tinham sido ambas atingidas de forma mortal por Murasame.
Akame se levantou, com o corpo coberto de sangue de suas inúmeras vítimas, e voltou-se para trás vendo o grupo dos cinco sobreviventes que olhava em pânico para ela. Estava entre eles Kurome e Kylie. Inclinou a cabeça, triste pela irmã ter voltado no final as drogas. Não queria ser obrigada a eliminá-la. Tinha lutado e se arriscado tanto para não precisar fazer isso.
Kylie gritou avançando na direção dela com duas espadas nas mãos e tentando golpeá-la de todas as formas.
Akame foi obrigada a recuar, tentando-se desviar e se proteger dos golpes irados de Kylie.
'Maldita traidora!' Ela gritava para Akame enquanto desferia golpes rápidos e precisos contra a morena que mantinha-se atenta para não ser atingida. 'Vou matá-la! Vou matá-la! Vou matá-la Akame-chan!' Gritava com o rosto enlouquecido pela droga e pela raiva.
Akame percebia que os golpes era muito mais fortes, reconhecendo assim o efeito da droga ingerida por Kylie. Foi atingida por um chute alto da adversária em cheio em um dos seus protetores de braço, quase o partindo. Sentiu que seus pés arrastaram alguns centímetros pela força descomunal da adversária.
Kylie avançou novamente contra ela. Trocaram vários golpes, fazendo as espadas faíscarem naquela noite de lua cheia. A arma de Kylie não era uma teigu, mas era uma arma realmente resistente, além disso, a assassina imperial estava com seus reflexos mais rápidos e mais forte.
Enquanto Kylie gritava insultos, beirando a loucura, Akame mantinha-se calada procurando a brecha.
Kylie tentou acertá-la pela direita, mas Akame abaixou o corpo fazendo a lâmina passar por cima da sua cabeça. Tentou acertá-la com a lâmina da esquerda, mas a assassina golpeo-a tão forte de baixo para cima que a espada de Kylie se quebrou ao meio.
Afastaram-se encarando-se. Akame percebeu que a respiração da adversária estava irregular, a droga que ela havia tomado tinha um efeito estrondoso para torná-la mais forte e rápida mas era por tempo determinado.
Kylie segurava ainda a empunhadura das duas espadas. Mesmo a quebrada.
'Não pense que só porque quebrou uma de minhas espadas, tem a luta ganha. Mesmo quebrada, ainda é uma arma.'
'Entendo.' Akame assentiu com a cabeça, posicionando-se com Murasame pera reiniciar o confronto.
Voltaram-se a golpear-se sem trégua, não só com as espadas, como também por chutes e cotoveladas.
Akame sentiu quando a lâmina partida de Kylie passou de leve na sua bochecha direita fazendo um pequeno corte que sangrou e fazendo a adversária rir com louco vendo o sangue vertir do pequeno ferimento que ela havia provocado.
'Vou cortá-la, Akame-chan! Vou cortar cada pedaço do seu corpo!'
Akame acertou a outra espada de Kylie com força, fazendo Murasame quebrar a segunda lâmina da adversária, que deu um passo para trás atordoada segurando as duas armas danificadas. Sem mais chance e sem misericórdia, Akame acertou seu golpe final.
Kylie caiu de joelhos soltando finalmente as armas e virando-se para Akame. Cuspiu sangue. 'Eu nunca gostei de você, da maldita Elite dos sete… mas…' Colocou as mãos no corpo, sentindo a maldição de Murasame se manifestando. 'Vocês sempre foram os melhores.'
Akame observou o sorriso no rosto de Kylie. Piscou conseguindo visualizar o rosto jovem dela, como quando a conheceu pela primeira vez e não aquela forma decrépita que havia encontrado agora.
'Eu perdi, Akame-chan.' Falou antes de cair no chão, finalmente Murasame havia chegado ao seu coração.
A assassina abaixou os olhos, sentia pela morte de Kylie. As duas nunca se deram bem, mas sabia o quanto aquela jovem havia sofrido nas mãos dos Império. Apertou mais forte a empunhadura de Murasame, sentindo raiva pela vida ter lhe colocado contra aquelas pessoas que no fundo gostaria de salvar das garras nocivas do Império.
'Onee-chan…' Ouviu a voz de Kurome e levantou o rosto. Por Deus, não queria lutar contra a irmã novamente. No fundo não aguentava mais aquele maldito inferno de sangue e morte.
Kurome se aproximou com uma katana na mão direita, não era mais Yatsufusa, mas estava suja de sangue.
Reparou nos corpos que estavam atrás da jovem e entendeu que ela os eliminou. Compreendeu porque via tanta dor no rosto da irmã. Ela tinha matado seus companheiros.
Kurome soltou a katana, deixando-a cair no chão e deu mais alguns passos na direção da irmã mais velha. Forçou-se a sorrir, mas não conseguia. 'Onee-chan.' A chamou mais uma vez.
Akame soltou Murasame e cobriu o rosto com as mãos. Nunca imaginou que seria tão doído matar todos eles. Todos aqueles jovens que sabia que eram manipulados por dorgas. Tinha jurado salvá-los quando havia partidos e agora simplesmente havia eliminado-os.
Sentiu quando Kurome parou a sua frente e a abraçou. Retribuiu o abraço da irmã, fechando os olhos e apertando-a em seus braços. Como era bom tê-la consigo mais uma vez. Como era maravilhoso não ter que lutar contra ela.
'Kurome…' Foi a única coisa que conseguiu murmurar
Kurome apertou mais forte os braços que envolvia a cintura de Akame. Tinha o rosto repousado no ombro da irmã. 'Estou bem. Estou aqui.'
'Você tomou?' Perguntou referindo-se a droga e temendo demais pela resposta, mas tinha que saber.
'Não.' Respondeu, fazendo um pequeno sorriso brotar nos lábios de Akame. 'É difícil ainda… mas… eu sei que consigo agora.'
'Que bom.' Akame falou aliviada passando a mão na cabeça da irmã. 'Que bom, Kurome.' Abriu os olhos e olhou para os adversário abatidos pela irmã. 'Você os matou?'
'Eles estavam para atacar você.'
'Eu daria um jeito. Não precisava ter feito isso.' Sabia como deveria ter sido dolorido para Kurome matar seus companheiros.
'Eu sei mas… eu quis te proteger… te ajudar, pelo menos.'
Akame se afastou e fitou a irmã de frente. Ainda tinha as mãos nos ombros dela. Kurome levantou o braço e passou de leve a mão no rosto da jovem tentando limpar um pouco do sangue se estava no rosto da assassina de olhos vermelhos. Sorriu de forma meiga para ela.
'Quando acordei, pensei que a encontraria ao meu lado.'
Akame soltou um suspiro. 'Tatsumi ficou com receio de nos descobrirem e me tirou de lá quando perdi os sentidos.'
'Wave está cuidando de mim, mas eu queria te ver.' Kurome falou. 'Não sou tão forte como antes, Onee-chan. Sem as drogas… não sou… não sou…'
'Você é muito mais sem aquelas malditas drogas!' Akame falou alto segurando mais firme os braços dela. 'Você não precisa delas, Kurome!'
'Não sou forte…'
'Não importa! Não precisa ser forte!' Akame a puxou novamente para a abraçar apertando. 'Por favor, Kurome… apenas se mantenha viva e longe daquelas drogas. Elas estavam matando você… por favor…'
'Onee-chan…'
'Eu cuido de você, Kurome. Eu protejo você. Eu juro que sempre protegerei você.'
'Você sempre fez isso, onee-chan.'
'E vou sempre fazer.'
Ficaram assim por instantes abraçadas. Akame não aguentava mais, quando abriu os olhos e viu o corpo de Kylie no chão morta por ela, sentiu os olhos arderem e aquele enorme bolo se formar na sua garganta. Chorou silencioso. Um choro de esgotamento.
Kurome percebeu isso e apenas esperou. Afastou-se de Akame e percebeu que a irmã secou o rosto, envergonhada por mostrar-se frágil naquela hora.
'Você precisa completar sua missão.' Kurome falou, fazendo-a levantar o rosto e fitá-la. Franziu a testa reparando o semblante sereno da irmã. 'Eu vou ficar bem. Wave está cuidando de mim e Run também. Estamos esperando a batalha final.'
'Kurome…'
'Não sei se conseguirei lutar tão bem ao seu lado como antes, onee-chan. Mas vou ficar muito feliz se morrer fazendo o certo.'
Akame balançou a cabeça. 'Não… você não vai morrer… Precisa se afastar da Capital, Kurome. Lá é um lugar perigoso. Precisa se afastar.'
Kurome balançou a cabeça negando. 'Não vou me afastar agora. Nenhum de nós. Ganhei alguns meses a mais de vida, não estou totalmente curada e isso é impossível. Mas estou feliz… feliz por conseguir agora, apesar de ser ainda difícil, não tomar mais nada.' Ela abriu mais ainda o sorriso. 'Obrigada, Onee-chan.'
Akame sorriu mesmo que ainda tivesse os olhos úmidos de lágrimas.
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Tatsumi observava a cidade do telhado de uma das casas da capital. Estava usando Incursio e invisível aos olhos de todos. Soltou um suspiro entediado. Era o segundo dia que estavam estreitando aquele palácio para ver se aqueles malditos Alquimistas saiam sem sucesso.
Leone se aproximou dele, não o via, mas sabia onde o companheiro estava.
'Estava até agora na ala norte e nem sinal deles saírem. Acho que vamos ter que forçar isso.' A Loira falou.
'Forçar como?'
'Isso é que eu não sei. Boss deve ter alguma carta na manga.'
O rapaz se sentou no telhado e repousou os braços nos joelhos flexionados. 'Acho que seremos obrigados a invadir o palácio e ir atrás deles.'
'Talvez. Se a situação continuar assim, acho que talvez seja a única estratégia possível.'
Ficaram em silêncio um longo período.
'Soube do exército do norte liderado por Negu. Esdeath sozinha aniquilou todo o batalhão.'
'Esta mulher é um demônio.' Leone falou apertando de leve os braços que estavam cruzados sobre o peito. Também estava com Leonel acionada para que seus sentidos estivessem aguçados.
'Sim… as vezes…' Ele balançou a cabeça de leve. 'Penso que é impossível derrotá-la.'
'Ninguém é indestrutível. Todos possuem um ponto fraco. Todos deixam uma brecha.'
'Eu… eu não sei… Ela parece não ter.'
'Akame vai achar. Ela vai conseguir.'
Tatsumi comprimiu os lábios tensos. 'Acho que colocamos responsabilidade demais nos ombros dela.'
Leone sorriu de forma sarcástica. 'Acho que você agora que a vê como namoradinha se esqueceu do quanto ela é letal.'
Tatsumi soltou um murmúrio contrariado. 'Ela é só uma garota.'
'Ah os homens… sempre tão pretensiosos… Não é porque você está louco para transar com ela que vai se enganar pensando que ela é só uma garota. Você deveria ficar esperto. Se fizer algo que ela não gosta, a probabilidade dela cortar a sua cabeça é alta…' Ela riu mais alto imitando uma tesoura com os dedos médio e indicador. 'Ou cortar outra coisinha muito sensível sua.'
Tatsumi chegou a se arrepiar de nervoso. 'Vocês são muito perigosas… vivem ameaçando isso.'
'Hum… alguém já andou te ameaçando assim, Tatsumi?'
'Chelsea… quando Lubba me convenceu a fazer aquela ideia estúpida de dar um susto nela no banho. Tá aí um momento que quero esquecer também.'
Leone abafou uma risada. 'Bem que você e ele mereciam.' Depois soltou um suspiro. 'Sinto falto do Lubba ficar me estreitando enquanto tomava banho. Era divertido.'
Tatsumi franziu a testa. 'Você… Você deixava?'
Ela deu de ombros. 'Ele não tirava pedaço. Era divertido. Você é quem nunca se interessou, não é?'
'Isso é errado.'
'Hum… Errado? Sei… Mas vi você olhando para Akame quando dava banho nela.'
O rapaz encolheu os ombros. 'Akame estava doente. Sabe… Sabe que eu tentava não ver.'
'Eu sei disso… Você é um bom rapaz… Mas…' Ela meneou a cabeça. 'O suor no seu rosto, suas mãos trêmulas e a sua calça apertava me dava a certeza que você estava bem animado.'
'Nee-san…' Ele gemeu envergonhado. Abaixou o rosto encolhendo-se.
'Voltando ao ponto… não é porque você quer transar com ela, que deve colocar na sua cabeça que Akame é uma garota normal. Se você se apaixonou por ela… é do jeito que ela é, não?'
Tatsumi levantou o rosto e fitou a lua cheia acima deles. 'Acho que tem razão, Nee-san. Akame é o que é. Foi por ela ser assim que me apaixonei por ela.'
'Ora ora… finalmente confessou.' Ela brincou.
'Será que ela volta hoje para casa?'
'Pelo que eu soube ela já matou mais da metade da lista que Boss deu a ela. Não deve nem ter parado para descansar. Aproveitou a confusão que Nugo fez, para matar mais um alvo.'
'Ela é incrível.'
'Ela é letal.' Leone o corrigiu. 'Se não conseguir entender isso…'
'Nee-san.' Ela a chamou, interrompendo-a. 'Acho que você está com ciúmes.'
Leone franziu a testa. 'De que merda você está falando?'
Ele encolheu os ombros de leve. 'Acho que o problema é que eu tenho o que Akame gosta e você não.'
A loira ficou perplexa com a petulância daquele moleque.
'Hei, nee-san… pega o queixo… está no chão.' Provocou mais um vez e caiu na gargalhada quando viu o rosto da loira ficar mais contrariado.
