Nota: Capítulo baseado nos capítulos 68 e 69 do Mangá Akame ga Kill.

Não sei se alguns já perceberam mais o que estou fazendo nesta fanfic é mesclar acontecimentos do anime e do mangá. No início estava mais baseado no anime e agora no final, mais no mangá onde principalmente a batalha final foi melhor descrita. O que eu sinceramente acho, é que tanto o anime quanto o mangá são obras incríveis, mas tiveram seus prós e contras, então eu simplesmente juntei o que eu achei mais legal e "criei" esta história.

Música do Capítulo: War of Change por Thousand Foot Krutch

Akame Ga Kiru!

A Assassina de Olhos Vermelhos

Por Kath Klein

Mate a Guerra

Akame observava a floresta pela janela da sede dos Night Raids. Tinha algumas partes do corpo doloridas devido as inúmeros lutas seguidas que havia travado nos últimos cinco dias. Um assassinato atrás do outro. Praticamente sem descanso algum. Fechou os olhos e soltou um suspiro. Estava cansada, muito cansada. Só não sabia se o cansaço era físico ou mental. Ou talvez os dois.

Najenda tinha razão. As coisas tinham mudado dentro dela. Quando estava em modo assassinato, antes conseguia apenas se focar em eliminar o alvo. Focava na ação, sim… instinto de sobrevivência que sempre lhe foi altíssimo, mas não conseguiu tirar Tatsumi na sua mente, não conseguiu tirar Kurome da sua mente. Estava preocupada com a irmã.

Kurome ainda se mantinha no palácio imperial. Sob os olhares tanto de Honest quanto de Esdeath… Esdeath… este era o nome dos seus últimos pesadelos. Tinha que eliminar aquela mulher, aquele monstro. Mas qual seria o preço que pagaria por isso? Se transformar em outro monstro. A resposta era simples e objetiva. E por que ela queria achar outra resposta?

Balançou a cabeça, tentando jogar para longe aqueles pensamentos. O que era para ser feito, seria feito. Pronto. Voltou a olhar para a paisagem, começava a escurecer e ao horizonte o céu já tinha tons alaranjados.

Reparou nos pequenos animais que corriam pela densa vegetação e abriu um sorriso tímido ao perceber como eles brincavam e se escondiam. No entanto, não podia esconder sua preocupação com relação a segurança do local.

Sem as linhas de Cross Tails protegendo-os, sentia-se de certa forma vulnerável. Solto um suspiro dolorido e sem querer inclinou o corpo apoiando no batente da janela. Sentia falta de Lubbock. Fechou os olhos e ouviu apenas o silêncio. Sentia falta dos gritos de Mine. Sentia falta de Sheele, Bulat, Susanoo. Chelsea… sentia falta de Chelsea e no fundo se lamentava de não ter superado mais rápido as diferenças com a ruiva.

Quando deu por si, os olhos estavam úmidos e o peito pesado. Estava naquele ramo de morte e perda por muito tempo… muito tempo. Perdeu quantos? Cornélia, Poney, Guy, Natala, Sheele, Bulat, Luboock, Susanoo, Chelsea… havia matado Najasho quando o reencontrou e a impedia de pegar Incursio que havia sido confiscada pelo Império. Havia hesitado em matá-lo e por isso Mine e Susanno estavam mortos. Esperava no fundo que Tsukushi estivessem vivos. No fundo, gostaria até que Gozuki estivesse vivo. Gostaria de rever Green… abriu os olhos voltando a fitar as folhagens. Green… tinham lhe falado que ele havia desertado e sumido, mas tinha impressão de que estavam escondendo algo.

Ouviu passos atrás de si e nem precisou se virar para saber que era Leone. A loira parou ao seu lado, olhando para a vista para ver o que estava atraindo tanto a atenção da amiga. Balançou a cabeça de leve não vendo nada de interessante, pelo visto Akame olhava mas não estava realmente vendo. Estava perdida em seus pensamentos.

'Ouviu um suspiro… na verdade, acho que foram dois.' Leone começou a falar, fazendo Akame apenas a olhar de esguelha. 'E desconfio que não foram por pensamentos devassos em relação ao rapazinho ainda acamadado.'

'Estava pensando nos mortos.'

Leone cruzou os braços e se apoiou na parede próxima, fitando Akame. 'Você deveria pensar nos vivos. Não sabemos quando vamos nos juntar aos mortos, então é melhor viver a vida intensamente.'

Akame batia de leve a mão fechada no batente da janela. 'Estou com medo de me encontrar com os mortos.'

Leone arregalou de leve os olhos. Nunca havia ouvido algo parecido vindo de Akame. Tinha ouvido aquilo da boca de outras colegas que agora realmente estavam mortos, mas nunca de Akame.

'Humph… medo de morrer?'

'Exatamente.' Ela não mentiu. 'E isso me inquieta.'

'Entendo.' Leone abriu um sorriso matreiro. 'E isso é por conta de Tatsumi?'

'Sim.'

Leone chegava a ficar desconcertada com a honestidade de Akame. Precisou de alguns segundo para simplesmente aceitar a resposta honesta da amiga. Levantou a mão e tocou no ombro dela, fazendo-a se virar para ela. Fitaram-se com carinho.

'Por que não fala isso para ele?'

Akame meneou a cabeça. 'Acho que já falei. Tenho medo que ele morra também na batalha contra Esdeath. Tenho medo de falhar e ele for pego por ela.'

'Não temos controle do futuro. Sabe… eu acho que devemos viver ao máximo sempre… para não haver arrependimentos. Se um dia eu morrer, tenho total convicção que eu vivi tudo, exatamente tudo que eu quis viver.' Abriu um sorriso de lado. 'Claro que eu ainda quero viver muito mais. Mas gosto de pensar que cada dia pode ser o último e o melhor é fazer tudo o que eu quero.'

Akame inclinou a cabeça, fitando-a. 'Não entendo o que quer dizer.'

Leone rodou os olhos. 'Por que não fica ao lado de Tatsumi? Fique o máximo que puder ao lado dele. Estamos a poucos dias, talvez horas, da batalha final. Boss já partiu para reunir o exército revolucionário. Logo receberemos ordens para a invasão da Capital. Faça tudo o que deseja agora ou pode ser que não poderá fazer depois… ainda mais considerando a possibilidade de você usar sua trump card.'

Akame arregalou os olhos e encolheu os ombros. Abaixou o rosto. 'Você está certa.'

'Eu sei… e não estou feliz por isso, mas…' Leone soltou um suspiro. 'Você não sabe se depois de usar a trump card voltará a ser esta Akame que está na minha frente.' A morena levantou o rosto, encarando Leone que sorria de leve, de forma até triste. 'Você é uma moça linda, Akame.'

'Não sei o que serei depois…'

'Ninguém sabe. Ninguém tentou antes.'

Akame assentiu. 'Não serei mais humana. Foi o que papai me disse.'

'Infelizmente não acho que ele estivesse mentindo.'

'Ele não mentiu.' Akame falou com convicção. Soltou um suspiro doloroso e deu uma passo para trás. 'Vou ver Tatsumi. Espero que ele já tenha acordado.'

'O corpo dele já eliminou todo o veneno. Não consigo mais sentir o cheiro da toxina.'

'Isso é um bom sinal.' Akame falou sorrindo antes de se afastar da companheira. Caminhou pela sede, subindo os degraus devagar até o segundo andar. Passou pelo corredor e parou na porta do quarto de Tatsumi. Olhou para dentro e viu o corpo do rapaz deitado na cama.

Caminhou até ele e sentou na beirada da cama. Inclinou o corpo e afastou a franja da testa do rapaz, tocando a sua testa na dele. Constatou que estava sem febre, este era realmente um bom sinal. Ergueu o corpo, mas ainda tinha a mão direita fazendo um leve carinho no rosto do rapaz que dormia de forma serena. Sorriu. Estava muito orgulhosa dele. Tatsumi havia combatido e eliminado um monstro enorme e poderoso. Estava cada vez mais forte, rápido e certeiro em combate. Bullat estaria muito orgulhoso do rapaz.

Tatsumi abriu os olhos lentamente e a fitou. Sorriu de leve. 'Akame…'

'Não se esforce, seu corpo ainda está se recuperando.'

Tatsumi respirou fundo e soltou o ar devagar. 'Acho que sim…'

'Vou buscar algo para você comer.' Falou já se levantando mas sentiu quando ele segurou sua mão.

'Fique comigo.' Ele pediu. 'Não estou com fome.'

'Tem certeza? Está quase um dia inteiro dormindo.'

Ele assentiu com a cabeça e a puxou devagar, fazendo-a se deitar ao lado dele e logo ele a abraçou, encaixando o rosto no pescoço dela.

'Seu perfume é bom.' Tatsumi murmurou.

Ela sorriu. 'Muitos disseram que tenho cheiro de morte.'

Tatsumi respirou mais fundo, fazendo-a se arrepiar. 'Sou um assassino também. Devo ter este cheiro… Por isso consigo sentir além disso.'

Ela riu. 'Talvez…'

'Ou talvez porque eu te amo.'

Ela arregalou os olhos com a declaração. Abriu a boca para falar alguma coisa, mas não conseguiu. A garganta estava seca. Fitava o teto do quarto de Tatsumi, como se ali tivesse a resposta para a declaração dele. O que sentia por ele? Será que ele não estava confundindo as coisas? Será que realmente sentia isso por ela? Será que ela sentia isso por ele?

'Eu… eu… hã… eu… acho…' Balbuciou, sentindo o coração acelerar daquela forma que apenas ele conseguia fazer. 'Eu acho… que... '

Ouviu a respiração suave de Tatsumi perto do seu pescoço e percebeu que ele havia voltado a cair no sono. Olhou de soslaio para ele e confirmou que o rapaz estava dormindo. Talvez estivesse cansado demais para esperar uma resposta dela. Voltou a fitar o teto do quarto. Seria possível que ela também o amasse? Será que ela finalmente amava alguém além de Kurome?

Akame não poderia negar que gostaria realmente de ir com ele para sua vila natal. Depois que tudo terminasse, depois que eles derrubassem aquele maldito Império, gostaria de simplesmente viver ao lado dele.

"Você já gostou de alguém que gostaria de ficar para sempre ao seu lado?" A voz de Lubbock invadiu sua mente. Tinha finalmente encontrado a resposta àquela pergunta. Aconchegou-se melhor ao lado de Tatsumi e fechou os olhos, sorrindo de leve.

'Eu também… amo você.' Sussurrou para ele, mesmo sabendo que Tatsumi não ouviria.

It's a truth that in love and war

É uma verdade que no amor e na guerra,

World's collide and hearts get broken

Mundos colidem e corações se quebram,

I want to live like i know i'm dying

Eu quero viver como eu sei que estou morrendo,

Take up my cross, not be afraid

Pegue minha cruz, não tenha medo.

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Akame abriu os olhos incomodada com a luminosidade, voltou a fechá-los e se espreguiçou um pouco, quando percebeu que estava sozinha na cama. Levantou assustada, procurando Tatsumi e estranhou ao ver o rapaz em pé perto do móvel onde estava repousada Incursio.

'Tatsumi…' Ela o chamou, mas ele não respondeu. Franziu a testa e virou o corpo, ficando na beirada da cama e colocando os pés no chão. 'Tatsumi.' Chamou-o pela segunda vez, e novamente não teve resposta.

Reparou que ele levantou o braço direito e levou até a espada, tocando de leve na jóia vermelha que estava incrustada na arma. Arregalou os olhos reparando na energia que envolvia os dois… era como a energia que envolvia Kurome e Yatsufusa. Merda!

Levantou-se num rompante e se aproximou do rapaz, praticamente o empurrando para longe de sua teigu. 'Tatsumi!' Gritou o nome dele.

O rapaz pareceu finalmente sair do transe que estava. Piscou algumas vezes os olhos e balançou a cabeça, parecia desnorteado.

'O que estava fazendo?' Ela perguntou aflita.

Tatsumi ainda parecia perdido. Levantou o rosto fitando-a por alguns instantes e depois desviou os olhos novamente para a espada que estava repousada no móvel ao lado de Akame. 'Eu… eu… não sei bem…'

Akame se aproximou dele e tocou seus braços, fazendo-o voltar a fitá-la. 'Você estava se conectando a sua teigu.'

'Hum?' Ele pareceu não entender. Franziu a testa, olhando-a de forma interrogativa. 'Fazendo o quê?'

'No que estava pensando enquanto olhava para ela?' Ela continuou a interrogá-lo.

Ele balançou a cabeça e tentou se afastar dela, mas Akame o segurou, impedindo-o. Tatsumi não entendia porquê da aflição dela. 'Hei… está tudo bem.'

'Responda-me…'

Tatsumi soltou um suspiro. Afastou de forma gentil as mãos dela. Parecia encabulado em respondê-la.

'Pode ser importante…' Ela pediu mais uma vez.

Ele sorriu para ela sem graça e coçou a cabeça. 'Você vai achar besteira…'

'Não vou.'

'Bem… eu estava pedindo para ela me ajudar a derrotar o Império.'

'Pedindo?'

'Isso… estava… acho que estava rezando… Acho que é mais ou menos isso. Estava pedindo para ela me tornar forte para…'

'Não!' Akame o interrompeu e novamente se aproximou dele. 'Não peça isso para ela! Ela pode até lhe dar isso mas você não tem ideia qual o preço que ela vai lhe cobrar.'

Tatsumi franziu a testa, olhando-a agora seriamente. 'Pago o preço que for para me tornar forte o suficiente e derrubar este maldito império.'

'Ela vai cobrar.' Akame tentava clarificar para ele, mas estava tão abalada pelo que tinha visto entre ele e sua teigu. Nem ela mesma conseguia entender o porquê daquele desespero que sentia no peito. 'Estas armas…' falou apontando para Incursio. 'São como maldições que carregamos. Como demônios prontos para que assim que baixemos a guarda tomem nossa alma.'

'Não me importo.'

'Para de falar bobagem!'

'Não é isso que você fará para derrotar Esdeath?' Ele perguntou na lata, fazendo-a dar um passo para trás como se tivesse levado um soco no estômago.

'Não é a mesma coisa.'

Tatsumi observou-a por algum tempo em silêncio. 'Tem certeza que não é?' Akame levantou o rosto. 'Não minta para mim.'

Akame soltou um suspiro cansada. 'Pode ser a mesma coisa. Vi a ligação entre você e Incursio, é mais forte que a de Bulat. Você tem mais afinidade com ela e isso… isso é um risco muito grande para você.'

'Acha que existe outra trump card?'

Ela encolheu os ombros. 'Não sei… não queria que tivesse. Não como a de Murasame.'

Tatsumi se aproximou dela e a envolveu em seus braços. Akame o abraçou pela cintura e afundou o rosto no peito dele.

'Vamos sobreviver… não importa o preço a ser pago. Vamos sobreviver.'

Ela abraçou mais forte a cintura do rapaz, tinha um mau pressentimento. Seu instinto lhe alertava do perigo e sabia que não era em relação a ela, mas a ele. Estava com medo. Medo por ele. Medo de perdê-lo.

Tatsumi se afastou um pouco e levantou o rosto de Akame pelo queixo para que pudesse finalmente beijá-la, sentiu que ela logo abriu os lábios, retribuindo com a mesma voracidade o beijo. Deu alguns passos para trás empurrando-a de leve em direção a cama e a derrubando.

Akame riu. Já Tatsumi ficou vermelho como tomate maduro, mas nem por isso deixou de ficar por cima dela. Olhou-a de forma tão intensa que a morena sentiu-se desnorteada.

Ele tinha os cotovelos apoiados na cama e os rostos estavam tão perto que os narizes se tocavam.

'Eu amo você.' Tatsumi se declarou mais uma vez, fazendo-a novamente se sentir nervosa.

'Eu… eu…' Akame começou a falar mas logo foi interrompida por ele que se inclinou e tomou os lábios dela nos seus, voltando a beijá-la.

Ouviram baterem na porta com força, fazendo os dois tentarem se recompor da situação que estavam.

'Hei Casalzinho…' A voz de Leone fez os dois soltarem suspiros frustrados pela interrupção. 'Detesto ser desmancha prazeres e interromper os momentos de luxúria de vocês... na verdade eu adoraria fazer um ménage à trois...' Ela riu alto.

Akame e Tatsumi se fitaram vermelhos de vergonha.

'Enfim... Boss chegou. Ela quer nos colocar a par da situação e passar a missão.' Finalmente Leone se explicou.

'Já estamos indo, nee-san...'

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Akame apertou mais forte a empunhadura de Murasame que estava presa a sua cintura. Olhou de esguelha para Tatsumi que estava a alguns passos afastado. Ele parecia calma, extremamente calmo mesmo sabendo que estavam a poucas horas de iniciar a guerra contra a capital.

Najenda olhou para o relógio e franziu a testa. Era estranho para Akame constatar que Boss era a mais agitada do quarteto que restou dos Night Raids.

'Bom trabalho na missão de eliminação da Alquimista. Acredito que não devemos nos preocupar mais com a Shikoutazer.'

Leone estalou o pescoço, tentando relaxar. 'Aquela tal de Dorothea foi um osso duro de quebrar.'

'Vocês fizeram um excelente trabalho.' Boss cumprimentou, olhou para Akame e sorriu de leve. 'Também recebi a informação que todos da lista que eu te passei foram eliminados. Excelente trabalho.'

Akame apenas assentiu com a cabeça, agradecendo de forma polida o elogio.

'Só mais algumas horas.' A general revolucionária falou apertando o relógio na mão. 'E o ataque a capital começará.'

Is it true what they say, that words are weapons?

É verdade o que dizem, que as palavras são armas?

And if it is,then everybody best stop steppin'

E se for, então é melhor todo mundo parar de pisar,

Cause i got ten in my pocket that'll bend ya locket

Porque tenho dez no meu bolso que vou curvar a você,

I'm tired of all these rockers sayin' come with me

Eu estou cansado desses roqueiros dizendo venha comigo.

Najenda tinha retornado aquela manhã e colocou todos a par da estratégia já combinada com as várias frentes de batalha, só que a informação que havia recebido de forma urgente a poucos minutos tinha deixado-a desconcertada por alguns instantes.

'Com a descoberta da Cavalaria de gelo criada por Esdeath, nossos planos mudaram um pouco, então prestem atenção.'

Leone tentou relaxar um pouco o corpo. 'Um exército de gelo… Esdeath poderia lutar uma guerra sozinha, literalmente…'

Najenda concordou. 'Ela é a própria guerra… Akame e Leone vão manter o plano inicial e se infiltrar no palácio Imperial.' As duas concordaram. 'Eu vou assumir a investida principal e liderar a tropa de teigus.' Virou-se para Tatsumi que levantou o rosto encarando-a. 'Tatsumi, você vem comigo.'

'Então eu vou estar no lado de fora?' Tatsumi perguntou, estranhando. Olhou rapidamente para Akame. Não gostaria de se separar dela durante a investida contra a Capital.

'O enorme poder de Esdeath está além da nossa imaginação. Precisamos de todas as teigus de combate direto, como armaduras, juntas para combatê-la ou não teremos chance.'

Tatsumi concordou, estava contrariado. 'Mas complicará a infiltração de Akame e Leone. Incurso é capaz de se tornar invisível.'

Najenda concordou. 'Eu sei…' Olhou para suas duas companheiras. 'Eu sinto muito em tornar a missão de vocês mais complicada, mas com a questão do exercito de gelo…'

'Está tudo bem…' Akame falou de forma serena. 'Nós ficaremos bem.'

Leone piscou para ela. 'Se minha melhor amiga está dizendo, vou ter que dar o meu melhor.'

As duas sorriram uma para outra. Elas tinham sempre foram boas parceiras, não seria diferente agora.

'Certo!' Najenda falou tentando passar confiança. 'Então está na hora de ir atrás dos últimos alvos da Night Raids. O primeiro ministro Honest'. Ela falou colocando a foto do velho gordo no meio da mesa. O trio de assassinos se aproximou da mesa, observando a foto. 'Com um desejo insaciável de poder político, ele é a raiz de todo mal que corrompeu este país.'

Najenda colocou a foto da militar de cabelos azuis. 'General Esdeath… um demônio que não se contenta com nada a não ser guerra e violência. Um ser que não deve existir em tempos de paz.' Depois a foto de um rapaz loiro. 'Koukei… ministro das relações militares. Desvia munições e armamentos por meios ilegais para benefício próprio. Conspirou com o primeiro ministro para incriminar generais que se opunham a ele, os culpando por crimes que não cometeram.'

Najenda trincou os dentes. Odiava com todas as forças Koukei, tanto ou mais que Honest ou Esdeath. Aquele rato tinha conspirado contra homens honrados do exército. Queria ter certeza que ele não fugisse no meio da confusão, sabia que como um rato covarde, esta seria a atitude dele. Seria a atitude dos quatro homens, apenas Esdeath tinha culhões para enfrentar a situação literalmente de frente.

'Saikyuu…' Boss jogou na mesa a foto do homem de cabelos e bigodes negros que estava presa ao lado dos outros. 'Auxiliar e comparsa do primeiro ministro em todos os crimes. Um homem de grande habilidade e temperamento sombrio. Ele foi o responsável por criar o esquadrão de assassinos.'

Akame trincou os dentes e estreitou os olhos naquele homem.

'Eu sabia que ele era o responsável por todo o seu sofrimento, Akame.' Boss chamou a atenção da assassina. 'Mas tudo tem sua hora certa.'

Ela concordou com a cabeça. 'Ele é meu alvo.'

'Desde que você entre no modo assassinato.'

A morena sorriu de forma perigosa. 'Foi graças a ele que eu aprendi isso.'

'Ótimo.' Najenda concordou.

Tatsumi franziu a testa observando Akame. Aquilo tinha mexido com ela de alguma forma. Desviou os olhos para a foto do homem, não queria estar na pele dele. Akame irá trucidá-lo principalmente por tudo que ele fez Kurome passar.

'Youkan…' A voz de Najenda tirou os dois de seus pensamentos sombrios. 'Um verdadeiro abutre psicopata obediente ao primeiro ministro. Diferente de Saikyuu, não possui talento ou habilidade. Apenas cria todo tipo de entretenimento doentio para o primeiro ministro, como adivinhar o sexo do bebê de uma mulher grávida para depois abrir o ventre dela e ver se estava certo.'

'Humph… mal gosto e sádico.' Leone comentou. 'Tem cara de louco.'

'E por último, Dousen…' Boss falou finalmente colocando a última fotografia na mesa. Agora foi a vez de Tatsumi arregalar os olhos.

'Este homem…' O rapaz falou e socou a mesa. 'Foi ele… ele quem…'

'Exatamente.' Najenda o interrompeu. 'Doursen extorquiu enorme quantidade de dinheiro de diferentes regiões ao custo de grande sofrimento do povo. Ele subiu de status e ganhou fama e sucesso através de subornos.'

Leone estalou os dedos das mãos. 'Não se preocupe Tatsumi, vamos quebrar o pescoço deste porco por você.'

O rapaz ainda tinha os olhos fixos na fotografia, soltou um suspiro e balançou a cabeça de leve. 'Acabe com ele, nee-san.'

Leone sorriu de lado. 'Pode deixar. Todos os peixões do império como alvo… meus punhos estão coçando de desejo por ação.'

'É possível que os alvos possuam teigus ou estejam acompanhados por usuários de teigus. E se os capturarem vivos, eles podem fugir, entenderam?'

Akame e Leone assentiram. Sabiam que a missão era simplesmente eliminá-los.

'Se não puderem fazer uma execução pública, então certifiquem-se de expor os corpos.' Najenda continuava suas orientações. 'Este detalhe é crucial.'

'Eu cuido disso.' Akame falou com frieza.

'Mesmo que o palácio caia, esses alvos vão fazer de tudo para se proteger e tentar sobreviver. Não sabemos que meios eles irão recorrer a isso.'

Najenda olhou para Leone. 'Você e Akame devem se concentrar nestes alvos… Esses vermes imundos… devem ser eliminados.' Ela estreitou os olhos nas suas duas assassinas. 'Se algum deles escapar é como uma derrota para nós.'

'Certo.' Leone falou com convicção.

'Entendido.' Akame assentiu e depois voltou-se para o rapaz que mantinha-se calado. 'Tatsumi!' Ele levantou o rosto e a encarou. 'Depois que eu acabar com estes alvos dentro do palácio, eu prometo que vou ajudar você a derrotar Esdeath e o exército dela. Aguente firme.'

Ele sorriu para ela. 'Certo. Eu também vou dar o meu melhor.'

'A informação da cavalaria de gelo definitivamente nos surpreendeu, mas acreditamos que os Jaegers estão no nosso lado.' Najenda falou observando Akame. 'Conseguiremos controlar a situação até você chegar.'

'Ou derrotaremos ela antes de você chegar.' Tatsumi falou tentando ser otimista.

A morena sorriu fracamente, levou a mão até a empunhadura de Murasame e apertou a empunhadura de sua katana. Não importava quantas técnicas a General do Gelo criasse contra eles, a cabeça dela logo seria dela. Ela não permitiria que Esdeath matasse Tatsumi, não permitiria que ela o capturasse novamente. E não importava o preço que pagaria por isso, ela eliminará todos os últimos alvos da Night Raids!

Wait, it's just about to break, its more than i can take

Espere, está prestes a quebrar, é mais do que eu posso suportar,

Everything's about to change

Tudo está prestes a mudar,

I feel it in my veins, its not going away

Eu sinto em minhas veias, isso não esta indo embora,

Everything's about to change

Tudo está prestes a mudar.

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Akame corria ao lado de Leone pelo subsolo da capital imperial. O cheiro de esgoto era quase insuportável, principalmente para Leone que estava com sua teigu ativada.

'Ahhhhh! Como merda fede!' A loira soltou sem parar de correr, queria sair o quanto antes daquele lugar. Olhou para Akame que seguia ao lado dela, com a velocidade tão alta quanto dela e a morena não tinha nenhum recurso parecido com o dela. Akame era rápida demais para uma humana, mesmo uma sobre humana.

As duas saltaram algumas valas, diminuindo assim a distância até o destino final onde encontrariam Pavati e esta guiaria as duas dentro do palácio imperial.

Leone franziu a testa percebendo que apesar da companheira ainda não estar no modo assassinato ativado na mente dela, estava com o rosto fechado, o olhar focado. Tinha visto sem querer a despedida de Akame e Tatsumi antes de entrar na guerra. Os dois prometeram sobreviver um para o outro. Sorriu de leve. Protegeria a amiga o máximo que pudesse para que ela cumprisse aquela promessa. Queria muito os dois felizes, eles mereciam.

Sem querer seus pensamentos foram até Mine, quando estava em missão com jovem de cabelos rosados e ela insinuou que depois da missão na sede do caminho da paz, ela e Tatsumi estavam bem próximos. Fora inclusive o tempo que Akame tentou inutilmente se afastar do rapaz para abafar o que estava sentindo por ele. Seria um triângulo amoroso interessante ou um quadrilátero se incluir Esdeath na confusão. Caramba! Tatsumi era um rapaz muito assediado.

Olhou novamente de esguelha para Akame e pensou que conhecendo bem a amiga Akame simplesmente abafaria qualquer coisa que sentisse por Tatsumi e ainda torceria para que ele ficasse com Mine. No fundo, era isso que a morena tinha feito. Só que Mine morreu. E Tatsumi teve coragem de se declarar e ser bem impositivo com a jovem para que ela baixasse a guarda totalmente para ele.

'Ele vai ficar bem.' Leone falou sabendo que Akame ouvira e saberia de quem ela estava falando.

'Tenho que ser rápida e voltar o quanto antes para ajudá-lo.'

'Vamos ser.' Leone tentou passar confiança, mas percebeu ainda a tensão na amiga. 'Finalmente…' Ela soltou observando quando chegaram ao local acordado. Frearam a corrida e levantaram os olhares para a tampa do bueiro por baixo, marcada.

Começaram a subir a escada de ferro colocada estrategicamente por Pavati antes e chegaram até a tampa. Leona não teve problemas para levantar a tampa e observou pela fresta o local. Estava deserto.

As duas ouviram um estrondo altíssimo, parecia uma bomba.

'O exército começou a atacar.' Leone falou ao mesmo tempo que levantava completamente a tampa e a jogava para o lado. Logo as duas estavam fora do subterrâneo. Estavam na lateral do Palácio.

It creeps in like a thief in the night

Ele se arrasta como um ladrão na noite,

Without a sign, without a warning

Sem um sinal, sem um aviso,

But we are ready and prepared to fight

Mas estamos prontos e preparados para lutar,

Raise up your swords, don't be afraid

Levantem suas espadas, não tenha medo.

'Akame-chan.' Pavati apareceu, estava tensa. 'Pontual como sempre.' A espiã bem gostaria de abraçá-la mas se conteve, não era hora para isso. Estava aliviada em saber que a jovem estava bem e pelo visto, pronta para eliminar todos. Ela tinha sonhado com aquele dia durante mais de 10 anos. Finalmente o Império desmoronaria. 'Venham comigo.'

As duas assassinas seguiram Pavati que começou a adentrar no Palácio. A espiã tinha nas mãos um rifle, pronto para atirar em qualquer um que aparecesse em seu caminho, não era hora agora para disfarces.

'Está muito vazio.' Akame comentou sem diminuir o passo, olhando em volta. Atravessavam agora um imenso corredor luxuosamente decorado.

'Todos foram deslocados para a batalha.'

Ouviram mais algumas explosões.

'O primeiro alvo é Youkan…' Pavati falou. 'O porco está no quarto dele desesperado arrumando suas coisas, colocou o rabo entre as pernas e está se preparando para fugir.'

Um soldado apareceu e olhou assustado para o perigoso trio. Pavati não deu chance atirou, acertando entre os olhos do homem e surpreendendo até mesmo Akame que não sabia que ela tinha uma pontaria tão boa. 'Estive treinando.' Ela esclareceu sorrindo de forma presunçosa.

Akame deu um fraco sorriso, acenando com a cabeça. Parou em frente a porta que Pavati alertou que era do quarto de Youkan.

'Vamos lá!' Leone falou levantando a perna e dando um chute forte nela para abri-la.

Youkan gritou em desespero reconhecendo a assassina de olhos vermelhos. Dois guardas estavam nas escolta dele mas foram estraçalhados por Akame e Leone, antes mesmo que pudessem sacar suas armas.

Pavati ficou na porta do quarto em guarda já com o rifle armado e pronto para atirar em qualquer um que aparecesse no corredor.

'Não!' Gritou Youkan em desespero. Estava sentado no chão, chorando como uma criança olhando para Akame que começou a caminhar na direção dele com Murasame já suja de sangue. 'Espere, Akame... ' Arrastou-se para trás até bater na parede do quarto, tinha uma das mãos a frente. 'Eu tenho uma família que eu amo… Até filhos! Se é dinheiro que vocês quer, eu posso te dar quanto você quiser…'

Leone cruzou os braços sobre o peito e rodou os olhos. Eram todos absolutamente iguais.

Akame estava com o mesmo olhar para ele. 'Eliminar…' sussurrou levantando Murasame para o lado e fazendo Youkan arregalar os olhos.

'Valeu a tentativa… neste caso, permita-me dizer minhas palavras finais. Enquanto a minha vida passa diante dos meus olhos, acabei de ter um momento de inspiração. Um ode a minha morte. Um poema de adeus.' Ele levantou os olhos para Akame. 'Permita-me recitá-lo. Eu…'

Youkan foi interrompido pelo corte certeiro de Murasame que dividiu sua cabeça. Um golpe apenas, da direita para a esquerda. O topo da cabeça caiu alguns metros distante do corpo que tombou para o lado com o cérebro à mostra.

'O primeiro já era.' Leone falou olhando para o alvo que ainda se contorcia em espasmos involuntários. 'Como todos os guardas despachados para o campo de batalha, isso está muito mole.'

'Oras… vocês também estão comigo.' Pavati falou olhando para dentro rapidamente. 'Eu posso guiar vocês por aqui para qualquer lugar sem problema. E caso tenhamos problema….' Ela sorriu de forma perigosa. 'Temos como escapar ou eliminar quem quer que seje…'

'Bom…' Leone meneou a cabeça. 'Por que a gente não vai direto para a sala do trono?'

Akame olhou para Pavati que ainda mantinha o mesmo sorriso de hesitação no rosto.

'Você leu a minha mente.' A espiã falou olhando para a loira. 'Vamos…' Ordenou já se virando para seguir em direção ao próximo alvo.

Leone e Akame se entreolharam.

'Nunca a vi tão animada.' A morena comentou já se seguindo para fora do quarto de Youkan.

'Até que eu fui com a cara dela.' Leone comentou.

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Tatsumi destruía vários soldados de gelos criados por Esdeath. Individualmente eles já eram fortes, formando aquele exército tornavam-se perigosíssimos. Ele sabia que precisava ficar atento. Pulou para a direita, evitando ser atingido por uma das lanças. Pousou no chão e já pegou impulso seguindo na direção de outro soldado, a arma auxiliar de Incursio estava em sua mão e com golpes cada vez mais fortes, conseguia destruí-los. Um a um.

Outros usuários de teigus estavam no exercito revolucionário e tentavam também lutar contra a cavalaria de gelo de Esdeath assim como os soldados imperiais. Estava uma verdadeira matança em torno dos muros da capital.

E em cima do muro, olhando para baixo para a enorme carnificina que acontecia, estava Esdeath. Impassível.

Is it true what they say, that words are weapons?

É verdade o que dizem, que as palavras são armas?

And if it is,then everybody best stop steppin'

E se for, então é melhor todo mundo parar de pisar,

Cause i got ten in my pocket that'll bend ya locket

Porque tenho dez no meu bolso que vou curvar a você,

I'm tired of all these rockers sayin' come with me

Eu estou cansado desses roqueiros dizendo venha comigo.

Tatsumi olhou rapidamente para cima e apesar da longa distância sabia que Esdeath estava olhando para ele também. Estava preparando o bote. Apertou mais forte o cabo de sua arma.

'Incurso, Aniki... me ajudem… me deem o poder para enfrentá-los.' Sussurrou si e logo avançou destruindo mais um grupo dos cavaleiros. Sentia aos poucos e de forma estranha que estava ficando mais forte. Os golpes agora literalmente explodiam os adversários. Sentia o sangue dentro se si, correr de forma rápida. A adrenalina invadir seu corpo. A vontade e o desespero de vencer, de sair vivo.

'Tatsumi!' Ouviu a voz de Najenda que se aproximava montada num cavalo. 'Você está se saindo muito bem! Mas não se afaste muito das forças revolucionárias. Temos que nos manter juntos para conseguir penetrar nos muros da capital.' Ela o instruiu.

'Entendido, Boss.' Ele falou e logo correu junto com os outros avançando cada vez mais em direção aos portões.

'Esdeath não vai ficar satisfeita só movendo os peões no campo de batalha. Em breve, ela vai entrar no campo de batalha.'

Tatsumi engoliu em seco, sabia o quanto seria difícil enfrentar aquele demônio, mas custe o que custasse, ele sairia vivo dali. Voltaria para sua vila natal com Akame.

Não demorou muito para a General Imperial, montada num animal feito de gelo por seus poderes e descer em disparada em direção ao exército revolucionário, simplesmente massacrando qualquer um que por azar estava em seu caminho.

Najenda puxou as rédeas do seu animal, olhando abismada para o poder de Esdeath e ouvindo os gritos desesperados dos homens sendo mutilados e mortos por ela. Era uma maldita poderosa demais! Esdeath realmente era uma existência que nasceu apenas para a guerra e morte. Apenas a presença dela já era assustadora e Najenda percebeu a apreensão e medo em seu exército revolucionário.

'Não tentem enfrentar Esdeath diretamente.' Boss gritou, avisando os soldados. 'Assumam uma posição defensiva.'

Os soldados se posicionaram um ao lado do outro, uma muralha de escudos. Prontos para tentar suportar o poder da General do Gelo.

Wait, it's just about to break, its more than i can take

Espere, está prestes a quebrar, é mais do que eu posso suportar,

Everything's about to change

Tudo está prestes a mudar,

I feel it in my veins, its not going away

Eu sinto em minhas veias, isso não esta indo embora,

Everything's about to change

Tudo está prestes a mudar.

Najenda estreitou os olhos em Esdeath que lutava contra alguns adversários que infelizmente não duravam muito na luta direta contra ela. Se ela estava ali no campo de batalha não teria como continuar manipular sua cavalaria de gelo que logo se enfraqueceriam e logo seria possível finalmente avançar pelos portões da capital. Tudo estava saindo conforme o planejado.

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Akame corria ao lado de Leone pelos corredores, seguindo Pavati que estava a frente. Assim que dobraram a direita deram de cara com o grupo de Jaegers.

'Merda!' Pavati parou num movimento brusco e levantou o rifle já mirando neles e atirando.

Acertaria Kurome se Wave não a protegesse com a espada de Grand Chariot.

'Pavati!' Akame gritou empurrando a amiga que já estava pronta para atirar novamente. 'Pare!'

'Eles são inimigos! Estão aqui para proteger Honest!' Pavati gritou e já estava para atirar novamente se Akame não puxasse o rifle com força tomando-o das mãos da espiã que olhou atordoada para ela. 'Akame! Que merda está fazendo?'

'Eles NÃO são inimigos!' Akame gritou novamente.

Pavati olhava atordoada para a situação. Leone teve que pegar o braço dela com força para que daquela forma a espiã se acalmasse, mas também tinha o instinto preparado para qualquer ataque dos Jaegers.

Akame soltou um suspiro aliviada, vendo que Pavati, apesar de ainda descontrolada, estava sob controle pela força de Leone. Virou-se para o grupo e conseguiu abrir um fraco sorriso, fitando a irmã.

Kurome empurrou de leve Wave que ainda estava na defensiva pelo ataque de Pavati, e correu em direção a irmã.

'Onee-chan!' Kurome falou abraçando-a com força. 'Que surpresa a ver aqui.'

'Estamos atrás de Honest.'

'Ele não está na sala do trono.' Run a avisou fazendo o trio invasor se surpreender. 'Ele pegou o Imperador e sumiu com ele. Estávamos justamente tentando achá-lo.'

'Eles fugiram?' Leone perguntou abismada.

'Acho que não.' Run respondeu. 'Temo que ele está tentando ativar a teigu imperial.'

'Mas acabamos com Dorothea. Ele não pode fazer nada.' A loira estava surpresa.

'Não sabemos até onde a alquimista foi com os testes dela. Temos receio que mesmo sem concluir as coisas Honest tente despertar a teigu.'

'Merda…'

Akame ainda tinha Kurome nos seus braços e acompanhava o diálogo de Run e Leone.

'Não sabemos que eles estão falando a verdade.' Pavati alertou. 'Eles podem estar acobertando Honest.'

Wave estreitou os olhos nela. 'Vá então até a sala do trono.'

'Não podemos perder tempo.' Akame falou, afastando-se de Kurome. 'Se Honest pretende de alguma forma despertar Shikoutazer, precisamos impedi-lo.' Olhou para Pavati. 'Onde os alquimistas trabalhavam?'

Ela ainda estava contrariada. Soltou um suspiro irritado. 'No subsolo.'

'Sabe a entrada?'

'Claro que sim.'

'Então nos leve até eles.' Akame pediu, encarando Pavati. 'Todos aqui estão lutando no mesmo lado.'

'Está certo… está certo…' Pavati olhou para Leone. 'Pode me soltar agora?'

Leone a soltou e ela caminhou até o rifle que Akame havia lhe tirado. 'Vamos então.'

O grupo seguiu a espião. Kurome corria ao lado da irmã e tinha um sorriso leve nos lábios.

'Estou feliz em lutar ao seu lado novamente, onee-chan.'

Akame sorriu para ela. 'Eu também, Kurome. Eu também.'

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No campo de batalha no lado de fora dos muros da capital uma explosão foi ouvida, finalmente o portão sul havia perecido a força do exército revolucionário e uma grande parte dele adentrava a capital, rumo ao palácio.

Tatsumi olhava num misto de apreensão e satisfação ao ver que a estratégia de Boss começava a funcionar, no entanto logo percebeu que Esdeath reparou sobre a invasão e em seu animal de gelo, galopava em direção ao numeroso grupo que invadia a capital. Franziu a testa. Estava na hora de encará-la de frente.

This is a warning, like it or not

Esta é uma advertência, goste ou não,

I break down, like a record spinning

Eu derrubo, como um disco girando,

Gotta get up

Tenho que levantar-se,

So back off

Então saia,

This is a warning, like it or not

Esta é uma advertência, goste ou não,

I'm tired of listenin', i'm warning you, don't try to get up

Estou cansado de ouvir, estou te avisando, não tente levantar.

O rapaz flexionou os joelhos e pegou impulso para que com o poder que sentia de Incursio, saltasse na direção dela, golpeando com força a montaria da General Imperial que fora pega de surpresa por uma fração de segundo, antes que o sorriso sádico surgisse em seus lábios.

'Ora, ora… Finalmente me procurou para brincar.' Ela falou girando o corpo para pousar no chão com desenvoltura enquanto a montaria danificava se espatifava em pedaços de gelo.

Os dois antagonistas se encararam.

Tatsumi engoliu em seco novamente. Sentia uma enorme força vindo daquele demônio. Novamente pediu força para Incursio e por algum motivo ou desespero em acreditar em algo parecia que a teigu lhe atendia.

Esdeath avançou na direção dele tentando golpeá-lo de todas as formas e apesar de inicialmente Tatsumi defender os golpes de forma desengonçada, estava conseguindo conter e evitar de ser atingido diretamente por ela. Mas isso foi por apenas alguns instantes, logo o rapaz sentiu o golpe poderoso da general mais forte do Império na altura do abdômen e foi arremesso por cima dos destroços e alguns corpos, arrastando-se por metros até bater numa construção já em ruínas.

Tatsumi gritou de dor. Caiu no chão e pensou que tinha perdido os sentidos momentaneamente. Incursio havia desmaterializado depois de ter absorvido grande parte do impacto do violento golpe.

'Merda… Isso vai ser dureza. Ela está vindo com tudo mesmo.' Cuspiu sangue no chão e levou a mão até o abdômen onde havia sido atingido por Esdeath. Respirou fundo e soltou o ar devagar aos mesmo tempo que erguia o corpo, ficando de joelhos. Provavelmente havia quebrado uma ou duas costelas. Ela quebraria todos os ossos do seu corpo antes de matá-lo.

'Mas não importa o quanto ela é forte… Vou ter que encarar isso.' Falou para si, pegando Incursio no chão e usando-a como apoio para se levantar. Encarou Esdeath que estava alguns metros de distância olhando se forma zombeteira para ele. Ela estava se divertindo e muito...

Segurou mais forte o cabo da sua teigu e lembrou-se da vez que Akame lhe explicou sobre a teigu de Esdeath e a comparou a dele. Tirou os olhos de Esdeath e fitou sua espada, mas especificamente a joia vermelho sangue incrustada nela. Uma parte daquele dragão, uma parte de Tyrant estava dentro daquela espada, ainda vivo. Golpeou a lâmina com força no chão.

'Incursioooo…' Gritou e percebeu quando o grande dragão surgiu atrás de si pronto para envolvê-lo como sempre, olhou para trás, sobre o ombro direito e pela primeira vez encarou de frente o enorme dragão. 'Você realmente está vivo, não?' Falou para sua teigu sabendo que estava sendo ouvido. 'Não me importo com o quão agonizante será ou quanta dor eu sentirei, por favor…' Virou-se para frente, estreitando os olhos em Esdeath que permanecia parada observando-o com atenção. 'Me dê toda a força que puder.' Trincou os dentes, soltando a espada cravada no chão e erguendo o corpo. Cerrou os punhos percebendo que Tyrant ouvia seu pedido com atenção. 'Me dê o poder para acabar com a injustiça deste Império! Me dê tudo!' Gritou.

There's a war going on inside of me tonight (don't be afraid)

Tem uma guerra acontecendo dentro de mim esta noite (não tenha medo)

There's a war going on inside of me tonight (don't be afraid)

Tem uma guerra acontecendo dentro de mim esta noite (não tenha medo)

Percebeu quando seu corpo estava sendo envolvido por uma energia muito mais forte e terrível. Gritou novamente de dor sentindo como o seu corpo agora estivesse queimando de dentro para fora, ao mesmo tempo que percebia que sua pele era envolvida pela armadura, inicialmente terrivelmente quente, mas que aos poucos conseguia suportar. Reparou que Incursio estava diferente, mais leve ao mesmo tempo que sabia que estava mais poderosa. Na verdade, não parecia mais uma armadura e sim algo que se assemelhava a pele, porém tinha certeza que era tão ou mais impenetrável que antes.

Sua visão agora tinha a tonalidade de vermelho e seus sentidos estavam ao máximo. Estendeu a mão e a arma auxiliar se materializou. Percebeu que era maior e muito mais mortal, no entanto quando a manipulou a achou muito mais leve.

Wait, it's just about to break, its more than i can take

Espere, está prestes a quebrar, é mais do que eu posso suportar,

Everything's about to change

Tudo está prestes a mudar,

I feel it in my veins, its not going away

Eu sinto em minhas veias, não esta indo embora,

Everything's about to change

Tudo está prestes a mudar.

Tatsumi encarou Esdeath que estava surpresa com o que via a sua frente e tão rápido quanto seu pensamento, ele conseguiu avançar na direção dela, tentando golpeá-la com tudo. Esta pulou para trás no último segundo, evitando por pouco ser atingida por ele e fazendo o chão no local praticamente explodir com o poderoso golpe do rapaz.

'Então você conseguiu evoluir sua teigu… Incrível, Tatsumi… sempre soube que o seu potencial era infinito.' Esdeath falou entusiasmada.

Esdeath tentou golpeá-lo com sua espada, mas o rapaz protegeu-se com sua arma. Trocaram vários golpes violentíssimos, fazendo todos se afastarem ao redor. Quando suas armas atingiam o chão ou alguma construção, literalmente pedaços de concreto explodiam sendo arremessados por todo os lados.

'Oh!' Esdeath soltou entusiasmada. 'Maravilhoso, Tatsumi! Finalmente estamos nos conectando pela primeira vez!'

Tatsumi trincou os dentes. Ela era a única que estava se divertindo ali.

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Akame parou de correr e olhou para trás sentindo a enorme energia que era liberada naquele momento. Levou uma das mãos ao peito e trincou os dentes.

'Akame?' Kurome a chamou. 'Está tudo bem?'

'Tatsumi…' Ela murmurou e sentiu que o seu medo tinha fundamento.

'O que tem ele?'

Akame não respondeu sua irmã, abriu os olhos e fitou Murasame que estava na sua mão esquerda. Daqui a pouco seria a vez dela.

It's just about to break, its more than i can take

Está prestes a quebrar, é mais do que eu posso suportar,

Everything's about to change

Tudo está prestes a mudar,

I feel it in my veins, its not going away

Eu sinto em minhas veias, isso não esta indo embora,

Everything's about to change

Tudo está prestes a mudar