Capítulo 2
— Olá! Vocês viram um sapo? Neville aqui perdeu um. — Disse a menina com voz alta e imperativa. Terry olhou para Harry, a comunicação silenciosa entre os dois foi rápida e logo depois o menino mais alto respondeu:
— Não, não vimos. — Olhando para o garoto sem sapo perguntou. — Onde você o viu pela última vez? Talvez ele esteja escondido por lá? — Sugeriu tentando ajudar.
Neville suspirou choroso, obviamente, seu sapo lhe era importante, pensou Harry.
— Não lembro, não percebi quando o perdi, ele está sempre fugindo de mim.
— Ele vai aparecer. — Disse Harry gentilmente.
— Ok, obrigada. Vamos Neville! Vamos mais para o fundo do trem, é melhor nos separarmos, cada um, pergunta em um comparti...
A menina com cabelos cacheados saiu falando rapidamente e arrastando um atordoado Neville, sua voz se perdendo pelo corredor e desaparecendo depois que a porta se fechou automaticamente.
Eles ficaram em silêncio por um instante, meios atordoados e com pena do pobre Neville. Terry, então disse, pensativamente.
— Sabe, acho que foi por isso que minha mãe não me deixou pegar um animal de estimação. Quer dizer, eu não queria um sapo, eles não são nada divertidos e uma coruja não é muito necessária porque em Hogwarts tem um grande corujal e meus pais tem uma coruja forte que está conosco desde que eu era pequeno, ele se revezará entre nossa casa e a escola. King gostará do exercício. — Suspirando acrescentou. — Eu queria mesmo um gato, os meios amasso são muito inteligentes, mas, minha mãe disse que eles exigem muita atenção, ela e papai querem que eu me adapte à escola primeiro e mantenha minhas notas no topo. Mas, ela me prometeu que se minhas notas estiverem entre as 10 melhores do nosso ano, no meu terceiro ano, eles me darão um de presente.
Assentindo, Harry se perguntou quão inteligente Terry seria, se seus pais esperavam notas tão boas. E, não pode deixar de imaginar se seus pais teriam a mesma expectativa sobre ele, caso estivessem vivos, mas, Harry não acreditava ser tão inteligente assim. Na escola trouxa, suas notas eram apenas médias, nada excepcional, pensou, ainda que ele admitisse para si mesmo que nunca fizera grande esforço. Sentiu um peso entranho no estômago, algo nunca sentido antes, Harry não sabia bem o que era, mas, de repente, ele estava ainda mais preocupado com ficar por último nas aulas.
Olhando para sua coruja, ele não pode deixar sorrir, ela fora seu primeiro presente de aniversário.
— Bem, Edwiges foi um presente e eu não tenho ninguém para escrever, na verdade, mas ela é incrível, muito inteligente e uma boa companhia, as vezes acho que entende tudo o que falo para ela.
— Sim, King também é assim, ele sempre sabe quando precisamos dele, precisamos apresentá-los, Harry, aposto que eles vão se dar bem. — Disse Terry com sorriso animado. — Um gato precisa de mais cuidados, ainda que sejam bem inteligentes e independentes também, eu fiquei chateado quando não consegui um esse ano, mas, vendo Neville, não posso deixar de pensar que mamãe estava certa.
— Não se chateie, você vai ganhar um logo, quem sabe até no próximo ano, se suas notas forem bem boas. — Disse tentando animá-lo. — Você ia me falar sobre a sua mãe...
— Bem, acredito que, talvez, o que mamãe vivenciou explique porque meus pais não confiam no Ministério da Magia, mas, nem todos pensam assim, Harry, portanto, você vai encontrar outras histórias diferentes, de pessoas que confiam e aceitam tudo o que o Ministério diz como verdade absoluta. Você tem que descobrir por si mesmo o que você pensa ou acredita, bem, pelo menos é o que vovô Bunmi sempre me diz, sabe, "Nunca pense pela cabeça dos outros Terry, pense, observe, analise e descubra por si mesmo". — Terry disse imitando uma voz com sotaque desconhecido, o que levou Harry a rir. Seu riso, claro, fez Terry arregalar os olhos e corar ao perceber o que havia feito e, Harry, ao ver essa expressão, não se conteve e riu ainda mais segurando a barriga, o que contagiou o garoto moreno, que começou a rir também.
Por uns bons 5 minutos, tudo o que se ouviu no compartimento foram os dois garotos rindo sem preocupação com nada. Para Harry, era um momento incrível, ele jamais rira tanto em sua vida, ou se sentira tão leve. Parando aos poucos com as gargalhadas, apenas dando risadinhas quando olhavam um para o outro, Harry pensou no que Terry tinha lhe dito e entendeu que o menino queria alertá-lo para algo fundamental. Não importava de quem ou de onde viessem as informações, Harry tinha que analisá-las e chegar a uma opinião por si mesmo. A verdade é que ele se sentiu comovido, vivera toda a sua vida com parentes que não queriam que ele pensasse ou falasse ou perguntasse nada, provavelmente, se Harry não respirasse, estariam felizes. E, aqui estava um estranho, lhe dizendo que ele poderia fazer todas essas coisas, Harry nunca se sentiu tão livre.
— Eu compreendo, Terry, vou me lembrar do que disse seu avô, acho que para sempre na verdade, agora me conta o que aconteceu com sua mãe. — Disse Harry com mais uma risadinha.
Terry pigarreou e, mais uma vez, coçou o queixo pensativamente, tentado reunir seus pensamentos.
— Bem, acho que a história começa com vovô Bunmi, ele nasceu na África do Sul, como Bunmi Madaki, mas, por causa das guerras e perseguições, se mudou para os Estados Unidos quando tinha uns 18 anos. Vovô é muito inteligente e conseguiu fazer faculdade de História e Sociologia antes mesmo que os negros na América pudessem estudar com brancos. Ele casou com vovó Shawanna e, quando a mamãe nasceu, as coisas eram melhores, mas as perseguições e o racismo eram grandes, mesmo na América. Vovô conheceu Martin Luther King, ele me conta histórias incríveis dessa época, eles tentavam vencer o preconceito com palavras e não com a violência. As palavras de Luther King emocionam vovô até hoje.
Harry não pode deixar de acompanhar cada palavra com muita atenção, quer dizer, ele estudara algumas dessas coisas nas aulas de História na escola, mas, era diferente ouvir sobre alguém que realmente viveu durante esse período, torna muito mais real e próximo.
— Vovô, então escreveu um livro comparando as duas sociedades, a da África do Sul e a dos Estados Unidos. No livro, ele escreve sobre o racismo e sobre como, as duas sociedades, segregam e perseguem os negros. — Continuou Terry seriamente. — O livro fez muito sucesso e foi usado na luta pela igualdade e direitos dos negros. Logo depois, Oxford, a Universidade, convidou o vovô para dar aulas de Sociologia e História, era uma grande honra e ele não pode recusar. Mamãe conta que, quando se mudou para a Inglaterra aos 8 anos, foi uma grande mudança, mas nada comparada à quando ela recebeu sua carta de Hogwarts. — Terry não pode deixar de se sentir triste por sua mãe. — Mamãe entendia sobre preconceitos, mas, pensou que no mundo mágico era diferente, ela estava tão animada quanto nós e, logo no primeiro ano, percebeu que não seria um sonho, sabe.
Harry concordou com a cabeça, não queria interrompê-lo, mas não pode deixar de se perguntar se sua mãe, também nascida trouxa, passara pela mesma decepção. Terry continuou falando e ele voltou a ficar atento.
— A verdade era que o mundo mágico estava em guerra e, esta guerra, era contra pessoas como ela. Uma parte importante e violenta da sociedade mágica, queria que nascidos trouxas nunca tivessem acesso a magia. Nos estudos de mamãe, ela adora história como vovô, ela descobriu que os preconceitos contra os nascidos trouxas já existiam a séculos, mas, com a guerra declarada, tudo ficou menos escondido, na verdade, tornou-se flagrantemente violento. As pessoas estavam morrendo e o medo de você-sabe-quem era imenso, a única esperança era o Diretor Dumbledore.
Harry lembrou-se que Hagrid lhe dissera quase a mesma coisa, mas ainda era difícil imaginar o que eles viveram, não pode deixar de pensar que, talvez fosse porque fazia pouco tempo que se sabia um bruxo e sobre o mundo mágico. Neste momento, ouve um grande barulho no corredor e uma mulher sorridente abriu a porta e perguntou:
— Vocês querem alguma coisa do carrinho, queridos?
Harry arregalou os olhos, o tempo passara sem perceber, mas ao olhar no velho relógio de seu primo percebeu que era meio dia e meia e estava faminto. Ele e Terry se aproximaram do carrinho e examinaram os inúmeros doces.
— Eu só quero alguns sapos de chocolate de sobremesa, minha mãe me fez um monte de sanduíches e eles são muito bons. Harry, se você quiser, podemos dividir, ela mandou o suficiente para eu compartilhar com quem sentasse comigo. — Disse Terry enquanto pagava por 3 caixas de sapos.
Harry olhou para o carrinho, nunca teve dinheiro para gastar consigo mesmo, assim, estava animado e com fome suficiente, já que não tomara café da manhã nos Dursley, para comprar um monte de cada. Mas, a ideia de compartilhar o almoço com Terry era legal, algo que jamais fizera, afinal, nunca tivera um amigo para compartilhar nada. Assim, depois de refletir por uns segundo, ele só comprou um de cada doce para experimentar e ter sobremesa também.
Eles se sentaram depois que a mulher se afastou com seu carrinho barulhento. Terry abriu uma mochila de couro e retirou um pote verde com tampa branca, mas, o pote era pequeno, não parecia que caberia mais do que 2 ou 3 sanduíches, e Harry se preocupou imediatamente que Terry ficaria sem o que comer ao compartilhar seu almoço com ele. No entanto, antes que pudesse dizer que não estava com muita fome, Terry sentou-se ao seu lado e colocou o pote no banco entre eles.
— Aqui, sirva-se à vontade, mamãe exagerou, mas, são tão bons que não vou reclamar. — Disse Terry dando uma grande mordida em seu sanduíche de presunto e bacon, seu preferido.
Harry, sem entender, olhou para dentro do pote e arregalou os olhos surpreso. Na verdade, o pote estava abarrotado de sanduíches em duas pilhas que se aprofundavam na direção aonde deveria estar o banco em que se sentavam. Deveria ter uns bons 10 sanduíches em cada pilha e era como se o pote tivesse pelo menos uns 60 centímetros de profundidade.
— Como...? — O choque era claro em sua expressão.
— Oh, desculpe Harry, bobo de mim. Mamãe usou um feitiço muito complexo do sétimo ano, Feitiço Indetectável de Extensão, é muito útil, bem na verdade, a magia é muito útil para um monte de coisas, você vai ver. — Disse Terry depois de engolir o que mastigava. — Vai lá, Harry, pegue. Ela fez de presunto e bacon, são os meus preferidos, mas, também tem de frango e cenoura, mais saudável, mamãe se preocupa com isso, tem também de atum, de queijo e de rosbife, pegue o que quiser, são deliciosos. — Completou voltando a dar uma grande mordida no sanduíche em suas mãos.
Harry fez o que seu novo amigo disse, pegou um de frango com cenoura e descobriu que Terry estava certo, eram deliciosos. Na verdade, todos os 5 sanduíches que ele comeu eram muito bons e Harry disse isso ao garoto moreno, agradecendo. Terry comeu 8 sanduíches e insistiu para que Harry comesse mais, mas, na verdade, ele estava bem cheio, não acostumado a comer tanto em seus parentes. Depois, Terry guardou o pote na mochila, voltou para seu banco e pegou uma caixa de sapo de chocolate. Lembrando-se que Harry não os conhecia, decidiu explicar sobre eles.
— Aqui Harry, esses são sapos de chocolates, eles têm um encanto de salto neles, apenas um, mas, se você não os segurar, eles podem cair longe e se perderem. — Disse Terry, enquanto abria sua caixa e mostrava seu sapo, depois de segurá-lo habilmente, deu uma mordida na cabeça. — Hum, muito bom.
Assentindo, Harry abriu sua caixa e pegou o sapo antes que pulasse para longe, depois de observá-lo por um instante, hesitantemente, deu uma pequena mordida, era muito bom, pensou, mordendo a cabeça, muito bom mesmo. Depois, ele tentou uma tortinha de abóbora, também muito bom, na verdade, poderia se tornar seu favorito. Penas de açúcar eram bons, mas, muito doces e ele comeu apenas metade, em seguida, pegou uma caixinha onde se lia Feijões de Todos os Sabores.
— Todos os sabores? — Franziu o cenho confuso.
— Sim, são feijões de todos os sabores mesmo, eu não gosto muito, minha irmã Ayana adora, ela é mais aventureira que eu, acho. Uma vez, comi um com gosto de chulé, foi horrível. Experimenta, vamos ver qual gosto você tem.
Harry sorriu, ele gostava da ideia da aventura, de se arriscar e descobrir qual sabor, bom ou ruim, assim, pegou um e mastigou fechando os olhos.
— Hum... coco, gostoso. Aqui, pegue um, Terry. — Disse oferecendo ao garoto, que fez uma careta e pegou um, ainda hesitante. — Vamos Terry, — riu Harry — aventure-se.
Terry comeu e fez uma careta.
— Ugh, brócolis, — Agitando a cabeça. — vou ficar com meu chocolate aqui, se você não se importar, Harry.
Harry riu e concordou, mas tentou mais alguns, e teve grama, morango, torrada, pimenta, peixe, café e, sua última tentativa, ele estava mais cheio do que nunca estivera na vida, foi hortelã. Agora com sede, depois de tantos doces, ficou surpreso e agradecido quando Terry tirou uma garrafa de suco gelado e dois copos, ele lhe entregou um e o encheu de um líquido grosso e laranja.
— Aqui, Harry, — foi dizendo Terry — pegue um pouco de suco de abóbora, eles são muito comuns no mundo mágico, os bruxos adoram, acho que eles começariam uma guerra se ficassem sem. — brincou.
Harry experimentou e gostou muito, estava bem gelado e não muito doce, matava a sede, delícia, pensou. Enquanto bebia seu suco, pensou nas coisas que Terry lhe dissera até o momento e, enquanto ele podia pensar em dezenas de perguntas para saciar sua curiosidade, decidiu por uma que o mantivesse no assunto inicial, afinal, suas duas primeiras perguntas não foram respondidas ainda.
— Terry, você disse que sua mãe percebeu que os problemas com os nascidos trouxas eram de antes da guerra, quais eram esses problemas?
— Bem, Harry, são muitas as diferenças com que o puros-sangues e nascidos trouxas são tratados pela sociedade mágica, e isso inclui Hogwarts e o Ministério da Magia. — Disse Terry sombriamente. — Isso nos leva a séculos atrás, na época em que Hogwarts foi fundada. Godric Gryffindor, Rowena Ravenclaw, Salazar Slytherin e Helga Hufflepuff fundaram a escola a mais de mil anos, mas, Slytherin não queria ensinar para crianças mágicas que viessem de pais sem magia. Ele os consideravam inferiores por não se originarem de uma linhagem mágica, ou seja, eles eram impuros, e não merecedores de aprender magia. Ele e Gryffindor tiveram uma grande luta e Slytherin acabou sendo expulso da escola pelos outros três fundadores. Desde então, ele e muitos que apoiavam suas ideias, começaram uma política pesada, às vezes, violenta, contra os nascidos trouxas e também os trouxas. Quando a Igreja Católica começou a perseguir bruxos e bruxas por toda a Europa, ainda que raramente conseguiam realmente pegar um bruxo, infelizmente, eles mataram muitos deles mesmos...
— Verdade!? — Interrompeu Harry, muito chocado. Toda história era fascinante, ele nem sabia que gostava de História, mas, Terry tinha um jeito de contar que prendia a atenção, provavelmente, herdara de seu avô professor, pensou Harry.
— Sim, com certeza, a verdade é que com uma varinha, um bruxo pode se livrar facilmente de um trouxa, aparatando, obliviando ou apenas com um simples feitiço confundus. Apenas se alguém fosse pego sem varinha estaria com problemas, assim, todas as pobres pessoas mortas nas fogueiras eram trouxas. Quando ficou claro que a perseguição não pararia, a sociedade mágica da época começou a temer os trouxas, eles passaram a evitar cidades ou vilas em que os trouxas viviam e a se isolarem ou se juntarem perto de outras famílias bruxas. E, aqueles que defendiam o afastamento completo dos sem magia, começaram a ganhar poder, mas isso significaria, entre outras coisas, não trazer crianças nascidas trouxas para o conhecimento do nosso mundo. Outros achavam ainda que os trouxas deviam saber sobre nós, que devíamos escravizá-los para o nosso benefício e segurança, até mata-los porque não passavam de animais.
Harry ouviu chocado, ele estudara nas aulas de História sobre a escravidão dos negros sequestrados da África, pensar que todo o mundo pudesse ser escravizado por bruxos que se achavam superiores apenas por que tinham magia, era de embrulhar o estômago.
— E, como isso foi evitado, Terry? — Harry perguntou ansiosamente, querendo aprender e entender.
— Bem, enquanto haviam pessoas com esses pensamentos, haviam muitas outras que não concordavam, entre elas, os Boots e os Potters. — Disse Terry com orgulho. — Nossas famílias e muitas outras, foram contra essas medidas e propuseram a criação de um governo mágico ao qual, os bruxos e bruxas responderiam. Leis seriam criadas e esse Ministério trabalharia para mantê-las, o mais importante, ele nos manteria escondidos dos trouxas. Assim, no século XVII, o Ministério da Magia foi fundado, assim como o Estatuto de Sigilo, que é um conjunto de regras e leis que devemos seguir para manter a existência da magia escondida e nosso mundo separado do mundo trouxa. — Continuou Terry, servindo mais suco aos dois. — Entre essas leis, a mais importante é que não podemos fazer magia ou falar sobre magia na frente ou para trouxas. Os pais de nascidos trouxas são informados, mas, é lançado neles um feitiço de compulsão que os "convencem" a não falar sobre onde seus filhos estudam ou sobre mágica com qualquer pessoa sem magia. Além disso, as famílias que defendiam a política puro-sangue, insistiram em proibir a prática de magia fora de Hogwarts, pois isso colocaria o Estatuto em perigo, mas, os encantamentos que detectam a magia realizada por bruxos menores de idade, foram lançados de uma maneira que permite as crianças puros-sangues continuarem a praticar magia em suas casas, sem detecção.
— Como assim? — Questionou Harry, ele ficou orgulhoso ao saber que sua família havia ajudado a defender os trouxas, mas agora, estava confuso.
Terry pensou, tentando explicar algo tão complexo que, até ele, não entendia completamente.
— Bem, eu não sei os encantos lançados ou como eles fizeram isso, mas eles o fizeram de uma maneira que apenas magia menor de idade e magia em área trouxa ou em frente a trouxas são detectadas. Portanto, existem 3 requisitos de detecção, você ter menos de 17 anos; quando o bruxo chegar a maioridade, o traço desaparece e ele pode fazer magia a vontade. As outras são, praticar magia em uma área trouxa ou em frente a trouxas; mesmo se você for um adulto, se fizer isso, o alarme vai disparar. Assim, se o bruxo ou bruxa é um nascido trouxa ou vive com trouxas, como no seu caso, nunca poderá fazer magia porque, mesmo se ele fizer magia escondido em seu quanto, os outros dois alarmes soaram.
— E, isso não acontece com crianças puros-sangues?
— Não, Harry, porque não estamos em áreas trouxas ou em frente a trouxas. Quanto ao fato de sermos menores de idade, isso não pode ser identificado, pois vivemos em uma casa mágica, com alas, objetos mágicos e, principalmente, com adultos fazendo mágica a toda hora ao nosso redor. Assim, o Mistério não consegue detectar nossa assinatura porque eles "desligaram" esse alarme em áreas ou casas mágicas. A explicação foi que se esse encanto estivesse nas casas de famílias mágicas, haveria um monte de alarmes falsos, quer dizer, uma mãe faria magia para servir o café da manhã ao filho e essa magia seria detectada como dele, já que está tão próxima a ele. Claro, espera-se que os pais vigiem e proíbam os filhos de usar magia, mas, não existe um controle. Compreende o que isso significa, Harry?
Harry compreendia muito bem. Olhando pela janela para a paisagem mais selvagem, as árvores, campos e, de vez em quando, uma casa pequena de fazenda surgia no horizonte, Harry refletiu sobre tudo o que ouviu. Como ele, que vivera com os Dursley, sofrendo as maiores injustiças não compreenderia? Quantas vezes, pensou, fora acusado e punido por algo que não fizera e sim, seu primo gordo? Quantas vezes, não lhe fora dado comida suficiente? Quantas roupas e brinquedos Dudley ganhara enquanto que, para ele, só existia mais trabalho, sem recompensas ou agradecimentos?
Harry refletiu e refletiu com seu olhar distante e Terry respeitou seu momento, enquanto ele mesmo, organizava seus pensamentos. A verdade, percebeu Harry, é que todas essas informações abriam para mais e mais perguntas, assim como era claro que, as respostas, eram a chave para compreender esse novo mundo.
