Capitulo 6

Olhando em volta Harry percebeu que Terry não estava por ali. Deduzindo do que conhecia dele e Hermione supôs que eles teriam ido para a biblioteca, assim ao em vez de se acomodar voltou a sair da sala comunal e olhando para seu horário desceu até o primeiro andar onde estava localizado a biblioteca. As informações descreviam Madame Pince como a bibliotecária e que eles depois de usar um livro deveriam devolve-los as prateleiras e que não tinham acesso a sessão restrita.

Harry encontrou o caminho sem dificuldades. E ao entrar na biblioteca ficou absolutamente impressionado com a quantidade de livros. Mesmo ele que não era um rato de biblioteca ficou animado com o quanto de conhecimento poderia aprender aqui.

Vendo Terry e Hermione sentados na mesa a esquerda, ele sorriu e foi até eles. Os dois estavam debruçados em livros e pergaminhos, fazendo anotações com uma pena. Ele colocou sua mochila na mesa e se sentou ao lado de Terry que imediatamente se virou para ele parecendo meio preocupado, meio abobado.

— Harry! — Exclamou um pouco alto demais e Madame Pince de sua mesa chamou a atenção dele. — Oh... desculpe Madame Pince. Harry, estava preocupado, você sumiu de repente, o que aconteceu? — Falou mais baixo e depois sem poder se conter, gesticulou para as prateleiras — Você viu? Quantos livros? Minha mãe disse que eu gostaria da biblioteca, mas isso é além da imaginação!

Harry sorriu concordando, e começou a tirar seu material da mochila. Hermione também estava sorrindo e parecia que chegara ao céu.

— Desculpa pessoal, acabei sendo chamado pelo seu colega Weasley, Hermione, perdi a paciência com suas perguntas e fui direto para a sala comunal de tão irritado que fiquei. Só depois que entrei e não te vi Terry, me ocorreu que vocês teriam vindo para cá fazer o dever de casa. E você está certo Terry, essa biblioteca é incrível! — Acrescentou Harry sorrindo.

— Sinto muito pelo Weasley, ele também foi um pouco grosso comigo quando tentei falar sobre não se atrasar para a aula de Transfiguração. O que ele te disse? — Perguntou Hermione.

Suspirando Harry rapidamente contou em tom baixo o que ele lhe perguntara e sua reação.

— Eu sei o que você vai me dizer Terry, eu exagerei, sua curiosidade é normal. Mas a verdade é que se eu não deixar claro que esse assunto não é para perguntas tolas ou show, daqui a pouco vou ter gente pedindo autógrafo e querendo tirar foto comigo. — Falou Harry, o brilho verde e frio voltara a seus olhos, fazendo Hermione engolir em seco e agradecer que esse olhar não fora dirigido a ela e suas perguntas tolas.

— Na verdade, acho que você fez certo Harry, quer dizer você poderia ter sido mais diplomático, como com Malfoy hoje mais cedo, aliás você foi incrível! Mas posso compreender sua reação, Weasley passou dos limites e precisava que você deixasse claro sua posição, mas infelizmente, eu não acho que ele vai ser o último a agir assim. É por isso que te aconselho paciência porque senão você vai sair gritando com toda a escola.

Suspirando Harry concordou e decidido a não pensar mais nisso por enquanto perguntou por qual dever de casa haviam começado o que eles responderam ao mesmo tempo.

— Herbologia — disse Hermione.

— Transfiguração — foi a resposta de Terry.

Harry assentiu e se decidiu por Herbologia, era o assunto menos interessante e ele bem poderia tira-lo do caminho. E além disso, a professora Sprout pedira apenas alguns centímetros resumindo o conteúdo da aula e a importância da Herbologia para um bruxo. Ele fez a primeira parte se problemas, mas logo percebeu que seu livro sobre Plantas Magicas não tinha nada falando sobre onde um bruxo poderia utilizar o conhecimento Herbológico.

Ele então foi a prateleira de livros na sessão de Herbologia e ficou em dúvida, havia centenas de livros. Olhando para Terry, pensou em perguntar, mas depois desistiu, ele não podia perguntar a seu amigo cada coisa, precisava aprender a se virar. Seu lado independente, que nunca pediu ou recebeu muita ajuda falou mais alto e Harry rapidamente escolheu dois livros promissores e começou a lê-los, encontrando as respostas escreveu lentamente as informações, sentindo-se muito animado.

Mas ao olhar para seus dois colegas percebeu que estava muito atrasado, Terry já terminara todos os deveres e agora escrevia uma carta para, provavelmente, seus pais. Hermione, parecia ter terminado também e agora estava lendo o que parecia ser um livro mais avançado de Transfiguração. E seus deveres estavam bem escritos e sem manchas de tinta, Harry olhou para o dever de casa que demorara tanto para escrever com a pena, os garranchos eram quase impossíveis de ler e havia tantas manchas de tinta que ele teria que reescrever, pensou desanimado. E ainda faltava os deveres de Transfiguração e Feitiços!

Tentando não entrar em pânico olhou o relógio e percebeu que tinha um tempinho antes do jantar, assim estendeu o dever de Herbologia para secar e rapidamente começou o de Feitiços. Era curto também, apenas um resumo do que eles haviam entendido da aula e Harry havia entendido essa aula muito bem. Quando terminou, sentido satisfeito com o conteúdo percebeu que provavelmente também teria que o reescrever.

Terry nesse momento terminou sua carta e a dobrou cuidadosamente, colocando em um envelope. Olhando o relógio disse:

— Ainda há tempo de ir ao Corujal e mandar minha carta para casa antes do jantar, vocês querem ir comigo? Terminou os deveres Harry? Precisa de alguma ajuda? — Terry perguntou distraído e não viu a expressão de pânico de Harry, que rapidamente arrumou suas coisas na mochila como os outros estavam fazendo e escondeu seus deveres.

— S.…Sim, quer dizer, não, está tudo bem, eu quase acabei, falta apenas uns retoques, tudo certo. — Disse sem encarar o amigo enquanto rapidamente levava os livros e devolvia na sessão onde os pegara. Respirando fundo, voltou aos amigos dizendo. — Vamos lá, quero ver o Corujal, Edwiges deve estar lá, se você quiser pode pega-la emprestada Terry, ela vai gostar do passeio.

— Legal, ela vai conhecer o King, acho que eles vão se dar bem. — Exclamou um pouco mais alto quanto saíram da biblioteca. Depois vendo Hermione os seguindo um pouco hesitante, acrescentou timidamente — Você vem Hermione? Quer dizer, se você quiser, claro.

Hermione olhou os dois um pouco surpresa, não sabia o que pensar. Apesar da sua grosseria com Harry, os dois a estavam tratando bem o dia todo, pareciam querer sua companhia. Ela pensara que fosse por causa do dever de casa, mas nenhum dos dois lhe pediu ajuda ou tentou copiar seu dever e agora queriam que ela fosse com eles para fazer algo que não tinha nada a ver com estudo, sabe, quase como amigos. Isso nunca lhe acontecera antes.

— Bem, ainda não escrevi para os meus pais, mas eu gostaria de conhecer o caminho, sabe se vocês não se importarem, assim posso enviar a carta sem problemas quando escrever. — Disse esperançosa.

— Claro! — Disse Terry animado e os três começaram o caminho para o Corujal com a ajuda dos horários. Hermione ao ver as indicações ficou chocada e os examinou tentado, claramente, decorar cada informação.

— Isso é muito bom! Eu teria evitado me perder hoje com algo assim, quer dizer eu tive que pedir ajuda para os fantasmas! — Exclamou Hermione indignada — E você disse que receberam os horários antes do café da manhã, na sala comunal? Claro, isso é muito inteligente! Quer dizer, depois do café eu tive que correr para pegar meus livros e fiquei com medo de me perder de novo e chegar atrasada. — Terminou em sua fala rápida e intensa.

— Sim, também pensei isso, quer dizer é algo bem simples, mas também muito inteligente. Infelizmente as pessoas nem sempre pensam em fazer o simples, acho que gostam de complicar. — Deu de ombros Harry.

— Infelizmente isso é verdade no Mundo Bruxo, — acrescentou Terry — logica e sensatez nem sempre acompanham um bruxo, não importa o quão esperto, corajoso ou poderoso ele vê a sim mesmo.

Logo em seguida eles chegaram ao Corujal, havia centenas de corujas de todos os tipos, assim que passaram pela porta, Edwiges branca e majestosa voou até Harry que estendeu o braço para ela pousar.

— Oi garota! Está se adaptando bem? — Sorrindo ele acariciou suas costas como ela gostava, e a viu se agitar feliz e fazer um gesto de concordância a sua pergunta. — Que bom Edwiges, aqui é muito melhor que nos Dursley, certo? — Disse mais baixo e sua coruja inteligente concordou com um pio agudo. Depois mais alto continuou. — Terry queria saber se você levaria uma carta para a casa dele? Se você estiver bem em dar um passeio?

Edwiges olhou para o outro garoto avaliando-o por um instante e depois estendeu a perna sem deixar o braço de Harry. Terry, rapidamente amarrou a carta, e disse animadamente:

— Obrigada Edwiges! Você pode entregar a minha mãe ou meu pai. Minha casa se chama Chalé Stone Grove que fica em St. Albans, você pode ficar e descansar se quiser Edwiges, minha mãe vai cuidar bem de você e King, nossa coruja vai gostar da sua companhia.

— Você ouviu garota? Faça uma viagem segura, nos vemos quando você voltar, ok? — Disse Harry carinhosamente acariciado suas penas mais uma vez, antes de acompanha-la até a janela e impulsiona-la em sua decolagem. Ele observou seu voo até ela desaparecer de vista e depois se voltou para seus amigos.

— Agora vamos jantar, estou faminto! — Disse sorrindo.

Terry olhou para o relógio e concordou.

— Eu poderia comer. — Disse Terry

— Eu vou levar meu material para o dormitório primeiro, e tomar um banho. Depois desço para o jantar. — Acrescentou seus planos Hermione.

Os meninos concordaram e eles se despediram, como Harry ainda tinha muito dever para fazer preferiu ir direto comer e rapidamente subir para terminar. Terry o acompanhou afinal tinha que se preparar para as aulas do dia seguinte.

Depois de terminarem o jantar subiram para a torre, Terry ficou confuso com o caminho, havia muitas escadas, mas Harry os guiou sem problemas. Quando bateram a aldrava o bico da águia perguntou:

— O que fica maior quando menos se vê.

— Rá! Essa é fácil. — Disse Terry sorrindo. — A escuridão!

— Bem-dito. — A águia respondeu e a porta se abriu.

Harry não pode deixar de sorrir pelo amigo e por si, essa ele também sabia a resposta.

Eles logo se acomodaram com outros primeiros anos em uma mesa e Harry começou o dever de Transfiguração, ele terminou o longo texto já perto das 9 horas. Precisaria ser reescrito, mas ele não tinha essa aula no dia seguinte, apenas na sexta-feira, então deixou de lado para reescrever depois. Em dúvida se lia os capítulos das aulas de amanhã ou reescrevia os deveres de Herbologia e Feitiços que tinha que entregar amanhã nas aulas, Harry olhou para o relógio e se decidiu por ler as matérias de Feitiços e História da Magia, e ler a de astronomia na tarde seguinte, afinal essa aula só seria a meia noite.

Ao terminar suas leituras Terry já subira sonolento a quase meia hora, mais uma vez olhando o relógio percebeu que nunca reescreveria os deveres antes das 10 horas, não queria desobedecer seu chefe de casa, mas também não queria entregar os deveres inelegíveis e manchados. Suspirando começou a escrever com mais cuidado para não manchar de tinta e para sua escrita sair melhor, algo nada fácil com a pena, e que claro, levou mais tempo.

Já eram quase 11 horas da noite quando ele tinha quase terminado o primeiro dever de Herbologia, mais um e ele poderia ir dormir pensou cansado, quando ouviu uma voz perguntar.

— Harry? O que faz acordado tão tarde? — A voz era de Penélope, a Monitora, ela entrou na sala comunal vindo de suas rondas, pensou, droga, um pouco mais e ele conseguiria. — Ainda fazendo dever de casa?

Desistindo de manter em segredo que não conseguia se manter no ritmo dos outros colegas, Harry rapidamente explicou seus problemas, esperando que ela não o dedurasse ao Prof. Flitwick.

— ... bem, agora só falta o dever de Feitiços, é mais curto, vou terminar em um instante, eu prometo. — Disse aflito. Penélope suspirou e se sentou ao seu lado.

— Harry, não há nada de errado em ter dificuldades para escrever com uma pena, eu mesmo também o tive, mas na época eu tinha 8 anos. Eu sou mestiça e cresci nos dois mundos, Trouxa e Bruxo, quando comecei a escrever com penas era muito lenta e fazia uma bagunça com tinta. Você está aprendendo agora e é por causa disso que temos aulas de auxílio aos sábados, você não é o único de origem ou criação trouxa e mesmo crianças que vivem no mundo bruxo a vida toda podem ter algumas dificuldades. O professor Flitwick não disse a você que este ano era de adaptação e aprendizagem? — Harry assentiu, engolindo em seco, ela explicou de uma maneira muito legal, não parecia brava ou impaciente ou pensando que ele era burro. — Pois, então, — disse sorrindo — hoje é só o primeiro dia de aulas, você está aprendendo e nós aprendemos uns com os outros, qualquer um na casa Ravenclaw poderá te ajudar e eu sei que seu amigo Terry também ficaria feliz, ou será que estou enganada?

Harry silenciosamente fez que não, mas não explicou, sentido se constrangido, que Terry já lhe ensinara tanto e que ele tinha vergonha de pedir ajuda, a verdade pensou, é que ele não gostava de pedir ajuda a ninguém, mas de Terry era pior, porque queria que ele o visse como um amigo e não um caso de caridade.

— Sim, ele não se importaria, — disse tentando explicar de maneira a não se envergonhar. — mas eu queria aprender a me virar sozinho. — Ele fizera isso a vida toda afinal. — Eu sou capaz! — Disse desafiadoramente.

Penélope sorriu, mas ela não parecia com pena ou zombando dele.

— É claro que você é capaz! Como não poderia? E tenho certeza que se você tivesse ido para qualquer outra casa de Hogwarts, poderia sofrer nos primeiros dias, mas com o tempo pegaria o jeito das coisas. A diferença é que aqui na Ravenclaw temos uma rede de apoio e acreditamos em ajudar e aprender ensinando. Existem muitas maneiras e caminhos para chegar a um objetivo Harry, você vai aprender aqui, que um Raven sempre escolhe o mais inteligente, não o mais difícil.

Enquanto falava ela pegou seu dever de Feitiços e na outra mão sua varinha.

— Aqui deixe-me te mostrar — apontando sua varinha para o papel disse baixinho — Dictuns, Dictuns, Dictuns. — E rapidamente cada mancha começou a desaparecer e apenas sua escrita se manteve. Quando terminou pegou o outro de Herbologia, o novo e fez outro feitiço, afinal esse não tinha mancha. — Siccuns, pronto, mais algum?

Um pouco chocado, Harry rapidamente retirou seu dever de Transfiguração da mochila e a viu limpa-lo até ficar sem uma manchinha.

— Pronto! — Exclamou animada — Você tem aula com o Flitwick amanhã? Sim? Bom, ele vai começar as aulas práticas, vai ensinar todos esses feitiços para limpeza, arrumação, preservação e manutenção. Afinal como você poderia limpar seu quarto se não aprender como. E ele também vai ensinar alguns truques para o dever de casa, são feitiços bem simples, você vai pegar em nenhum momento. Quanto a sua letra, acho que só com a pratica, vou estar aqui sábado de manhã e posso te dar algumas dicas, mas desde já sugiro que você treine meia hora por dia de escrita com a pena, assim aos poucos seus garranchos vão se tornar legíveis. — Disse com uma piscadela divertida.

Harry corou um pouco, mas sorriu grato e aliviado que terminara todo seu dever, se sentido um pouco bobo por não ter pedido ajuda antes. Terry, ele sabia, não teria se importado.

— Obrigada Penélope. — Disse enquanto guardava todo seu material e se levantava, estava com muito sono.

— Me chame de Penny, Penélope é muito formal. — Disse sorrindo, depois mais séria acrescentou — E de nada Harry, e não se esqueça, nossa casa é nossa família aqui em Hogwarts e família ajuda uns aos outros. Boa noite. — Disse antes de voltar a sorrir e subir as escadas para o dormitório das meninas.

Harry também subiu suas escadas, pensando que essa é outra coisa que teria que se acostumar no mundo magico, família aqui era algo bem diferente do que ele aprendera com os Dursley.

Na manhã seguinte acordou cedo e, como sempre, apesar de ter ido dormir tarde, estava bem-disposto. Tomou banho, arrumou a cama, e desceu para a sala comunal, era muito cedo, então ele começou a treinar sua escrita como sugerido por Penny. Ainda conseguiu adiantar a leitura de Astronomia antes de Terry descer e os dois irem para o café.

Comer mingau de aveia com mel e frutas esquentou o estomago de Harry e o fez se sentir feliz, era algo que sempre quisera provar, mas sua tia só o deixava ter um pouco de mingau, nunca poderia adoça-lo com mel ou por frutas. Depois de terminarem foram até Hermione, as duas primeiras aulas do dia eram Feitiços, ela terminara o café também e os três seguiram para a sala. Harry olhou em volta da mesa da Gryffindor procurando por Neville, mas ele não estava à vista, talvez ainda não descera para o café, pensou.

Neville acabou chegando atrasado, se desculpou com Flitwick, muito vermelho explicando que ficara preso no degrau da escada. Ouve alguns risos, principalmente, dos Gryffs, mas o professor logo os calou e continuou a aula que foi a melhor até agora, sem dúvida. Eles aprenderam muitos feitiços, como lhe dissera Penny.

A primeira coisa que descobriu na verdade foi que ele precisaria urgentemente de um dicionário de latim. Não estava na lista de compras, mas sempre era recomendado que se comprasse um, já que os feitiços eram derivados dessa língua. Os nascidos trouxas eram informados pelos professores que os visitavam e as crianças bruxas por seus pais, e muitos, Terry lhe informou e ele era um deles, tinham aulas de latim.

Terry prometeu emprestar o seu até que Harry comprasse um para si, assim ele engoliu a raiva e continuou a prestar atenção na aula e logo percebeu que se Hermione tinha facilidade com Transfiguração, ele tinha com Feitiços. Não ouve um único que ele teve problema e na verdade, Harry pegou mais rápido que todo mundo. Prof. Flitwick o elogiou animado e pela primeira vez Harry se sentiu bem em fazer bem nas aulas. Não havia Dursley para repreendê-lo e seus amigos sorriam felizes por ele, quer dizer, Terry estava feliz, Hermione parecia meio chocada por não ser a melhor na aula. Tomara que isso não a aborrecesse, mas a verdade é que Harry não deixaria ninguém o limitar, nem mesmo um amigo.

Ele aprendeu o feitiço Dictum que Penny usara na noite anterior, e descobriu que ele era um feitiço de limpeza muito útil. Apontado direto ele limpava as manchas, mas com um movimento circular ele apagaria todo o dever de casa. Assustados eles aprenderam o feitiço Reditus, que retornava as letras perdidas ou ajudava a encontrar coisas perdidas. Mas você teria que pensar no que perdera muito fortemente, e eles eram um pouco jovens para aprender algo tão avançado.

De qualquer forma, usando o Dictum Domuns, eles limpavam uma casa e o Dictum Locus um quarto, a força do feitiço dizia quantas vezes seriam necessários usa-los até tudo ficar limpo. O feitiço Fixus, arruma sua roupa amarrotada, e Fixus Lectulo sua cama. O feitiço Siccum era ótimo, ele secava a tinta em seu dever e você não precisava ficar soprando ou esperando secar. Ele também servia para secar os cabelos depois do banho, o que agradou muito Hermione, e se você se molhasse na chuva poderia secar suas roupas, apenas exigiria mais poder ou várias repetições.

Harry saiu da aula para o almoço sentindo-se realizado, não só fora bem em aula, mas pegara todos os feitiços sem dificuldades. Nem mesmo Hermione ou Terry foram tão bem e enquanto Harry não era competitivo e não se importava muito se eles se saiam melhor, desde que ele aprendesse também, não podia deixar de pensar que talvez ele fosse quase tão bom quanto sua mãe e seria incrível ter essa ligação com ela.

Quando estavam chegando ao Grande Salão, Hermione estourou sua bolha, parecendo um pouco chateada.

— Como você fez tão bem Harry? Quer dizer, eu entendi a teoria e sabia o que tinha que fazer, mas não foi tão fácil quanto na aula de Transfiguração.

— Eu não sei Hermione, eu também entendi bem a teoria na aula da McGonnagall, mas não consegui fazer a madeira virar metal. Terry acha que algumas magias vêm mais naturalmente para alguns do que outras. — Disse dando de ombros. Hermione imediatamente olhou para Terry em busca de uma explicação e ele engoliu em seco diante de seu olhar intenso.

— Bem foi algo que minha mãe me explicou sabe, ela disse que todos somos jovens aos 11 anos e estamos nos acostumando a usar nossa magia e...

— Mas Prof. Flitwick disse que aos 11 recebemos um impulso magico por causa da puberdade, e que é por isso que começamos Hogwarts aos 11 e não aos 9. — Interrompeu Hermione do seu jeito brusco e impaciente.

Terry respirou fundo e passou a mão nos cabelos bagunçando-os, Harry o vira fazer isso várias vezes, ainda não entendia porque ele tentava mantê-lo arrumadinho, nunca durava muito.

— Sim Hermione, — disse tentando ser paciente — mas primeiro você tem que considerar que a puberdade de todos não começa ao mesmo tempo assim que você tem 11, assim em termos de força de feitiço muitas vezes é quando se é mais velho que se desenvolve. É por isso que o foco no primeiro ano é se acostumar em fazer magia, pratica e mais pratica, movimentos de varinha, repetições e muita teoria.

"Todos pegamos nossa varinha a pouco tempo, e enquanto sempre tivemos magica em nós nunca a usamos com proposito como nas aulas. Magia acidental não conta, por que não tínhamos a intenção. Assim nessas primeiras tentativas é normal termos dificuldades, mas mamãe acredita que há aqueles para os quais algumas magias vem naturalmente, então essa dificuldade não aparece. Como você em Transfiguração e Harry em Feitiços. " — Completou Terry. Depois fez um gesto na direção ao Salão — Agora vamos almoçar, que eu estou faminto.

— Vocês meninos estão sempre com fome, isso é importante Terry. — disse Hermione aflita, mas Terry a ignorou e seguiu para a mesa da Ravenclaw, Harry não podia culpa-la, ele também queria entender todas essas coisas.

— Hermione, depois falamos mais, agora precisamos almoçar ou nos atrasamos para a próxima aula. — Disse acalmando-a, ela concordou e saiu para sua mesa meio contrariada.

Harry sentou se ao lado de Terry que já havia se servido de alguns sanduiches de carne assada e rosbife, Harry fez o mesmo, pegando alguns de frango também. Depois que terminaram foram para os jardins e pararam juntos com os outros em frente a estufa 1 esperando Sprout.

Draco Malfoy começou a se aproximar deles, fato que chamou a atenção dos outros e eles pararam as conversas para ouvir, mas antes que ele pudesse dizer qualquer coisa uma menina loira de olhos castanho risonhos se aproximou.

— Terry! — Disse com um risinho estranho — Não tive tempo de te cumprimentar desde que chegamos. — A garota se aproximou mais e piscou conspiratória e Harry percebeu que ela os estava salvando de Malfoy

— Ah! Olá Tracy, como você está? — Terry disse sorrindo estranhamente, e estendeu-lhe a mão em cumprimento, mas a garota ignorou e pulou em seus ombros em um abraço e beijou sua bochecha. Terry voltou o abraço desajeitadamente e corou com o beijo, Harry teve que se esforçar para não rir de sua expressão.

— Bem, muito bem, até agora achei a Slytherin um pouco cansativa, — inclinando-se disse em um sussurro como se fosse um segredo. — eles são muito sérios, você sabe. Mas, — continuou ela do seu jeito risonho — estou adorando Hogwarts! Não é emocionante! — Disse com outro risinho.

Harry quase engasgou tentando controlar o riso, olhou para Terry que parecia não saber o que fazer. Tomando a iniciativa e tentando mostrar seus bons modos para os Slytherin, deu um passo à frente.

— Olá, eu sou Harry Potter, é um prazer conhece-la senhorita... — Estendeu a mão e esperou que ela dissesse seu nome, mas Terry se adiantou despertando seus próprios modos.

— Desculpa, estou distraído hoje, Harry essa é Tracy Davis, ela é filha do sócio do papai no escritório de advocacia. Nós crescemos juntos, Tracy esse é meu amigo, Harry Potter.

Os dois se cumprimentaram, Harry um pouco mais formalmente e ela corando e com outro risinho estranho. Antes que pudesse falar mais a professora Sprout chegou e todos entraram na estufa para o início da aula.

Ao fim da aula eles seguiram por caminhos diferentes, Tracy ao lado de uma menina de cabelos pretos, muito bonita, mas muito séria e de olhos azuis escuros gelados, deu um aceno com a mão e mais algumas risadinhas. Terry e ele seguiram em direção a sala de História da Magia, seu amigo não parecia se afastar rápido o suficiente. Harry finalmente não aguentou o riu de sua expressão.

— O que? — Perguntou confuso e Harry riu ainda mais apontado para a direção geral das meninas. — Rá, muito engraçado queria que fosse com você, eu juro ela me tira o sono as vezes, tenho pesadelos! Não é brincadeira cara, você sabe, — disse mais contido — nós crescemos juntos, como amigos e, então de repente ela começou a me olhar estranho e com esses risinhos. Mamãe conversou comigo, disse para mim ter paciência com ela, que Tracy está em uma idade de transição, que ela está começando a ver meninos como mais do que apenas meninos e ainda não sabe o que fazer sobre isso. Eu fingi que entendi e concordei, mas a verdade é que não entendo nada! — Exclamou exasperado enquanto caminhavam pelo corredor comprido, de repente olhou para Harry intensamente — Você?

Harry quase tropeçou e seu riso morreu na hora, ficou meio pálido e depois vermelho.

— Não! Eu não! Quer dizer, eu não sei o que ela quis dizer e por que Tracy fica de risinhos. Cara, eu não sei nada sobre garotas. — Falou mais baixo, como se não fosse algo que ele queria que se espalhasse por aí. Terry pareceu decepcionado.

— Ah, bem, sabe perguntei para o meu pai, e ele me disse que um dia vou entender, que não é algo que se explica, que se aprende, você só sabe um dia. — disse parecendo perplexo com o conceito de que havia algo que não se aprendia, com alguém ou em um livro.

Nesse momento eles chegaram a sala e entraram, nessa aula estavam com os Hufflepuff e o professor era o Prof. Binns o único fantasma que ensinava na escola. Segundo informações ele era realmente muito velho quando adormeceu diante da lareira na sala dos professores e levantou na manhã seguinte para dar aulas, deixando o corpo para trás.

Harry teve dificuldades para não dormir ou babar, pois a palestra era incrivelmente sonífera. Esse, Harry sabia, era um assunto importante e quando Terry o explicara fora muito interessante, mas Binns falava sem parar enquanto eles anotavam nomes e datas e acabavam confundindo Emerico, o Mau, com Urico, o Esquisitão.

Quando a aula acabou todos estavam cochilando ou muito sonolentos para ouvir qualquer coisa. Terry era o mais desperto porque estava com raiva e quando saíram pelo corredor, estava indignado.

— Vovô Bunmi teria um ataque se visse o desprezo que eles tratam uma aula tão importante. É só uma piada ou um lugar para um cochilo. Isso é um absurdo Harry, como vamos aprender com nossos erros se não conhecermos nossa história?

— Como assim? — Perguntou Harry, sabendo que explicar o acalmaria.

Isso fez o truque, Terry respirou fundo, soltou o ar em um longo suspiro e bagunçou mais o cabelo.

— Vovô Bunmi me disse uma vez que a sociedade que não conhece sua história está fadada a repeti-la. Na época não entendi completamente, até que ele me contou sobre a 1º e 2ª Guerras Mundiais. Você chegou a estudar isso na escola trouxa?

Harry fez que não, não tinham chegado nesse ponto, era um assunto do secundário e ele apenas havia terminado o primário.

Eles estavam caminhando sem muita pressa para a biblioteca agora e falando em tom mais sombrio.

— Bem, resumindo, depois que acabou a 1ª Guerra eles, os que estavam no comando, tomaram todas as decisões erradas. Tentaram empurrar tudo para debaixo do tapete, ignorando os motivos que levaram a uma guerra em primeiro lugar, fingindo que eles tinham controle sobre tudo ao punir os culpados e não prestando atenção nas consequências que as punições e a guerra em si trouxeram. — Ele balançou tristemente a cabeça. — Isso Harry, teve como consequência uma nova e ainda mais terrível guerra. E sabe o que vai acontecer com o Mundo Magico se ignorarmos nossa história? Se fingirmos que nada aconteceu e que temos o controle?

Sim, Harry pensou, entendendo então, as pessoas se esqueceram das atrocidades e mortes, continuaram com suas vidas como se nada tivesse acontecido. Apenas celebrando seu herói, ele mesmo, mas nunca se preocuparam em mudar nada, em honrar seus mortos que tinham sido os verdadeiros heróis. E em Hogwarts, na aula mais importante para que eles aprendessem essas lições e entendessem, era apenas uma piada.

Sentindo um gosto amargo na boca Harry assentiu e depois eles chegaram a biblioteca e encontram uma mesa, estavam a alguns minutos fazendo o dever de Herbologia quando Hermione chegou apressada.

— Estou atrasada. — Disse meio em pânico e estressada. — Me perdi, fui ao corujal mandar uma carta para meus pais depois da aula de Herbologia e quando tentei voltar não me lembrava o caminho.

— Tudo bem Hermione, acabamos de começar também. Não fique tão preocupada. — Disse Harry sorrindo.

Ela sorriu de volta e todos rapidamente começaram a trabalhar. Mais confiante, Harry fez o dever de Herbologia sem problemas, eles estavam estudando plantas que podiam ser plantadas em jardins, inclusive trouxas, não eram perigosas e tinham ótimas utilidades em poções da dor, calmantes e do sono. Tendo uma ideia, Harry olhou para seus colegas se perguntando se eles o achariam muito idiota, mas Terry nunca o menosprezara e Hermione, ele não a conhecia tão bem, mas ela parecia legal também.

— Hum... — isso os fez levantar a cabeça e encara-lo, assim tomando coragem continuou. — Estava pensando já que essas ervas são ervas que podem ser plantadas em jardins trouxas e usadas por trouxas, podíamos fazer uma pesquisa extra e acrescentar onde e como os trouxas os usaram ou ainda usam, você sabe, em chás, emplastros e remédios. — Sua voz era tímida no começo, mas pegou mais segurança pelo fim.

Os dois olharam para ele espantados, depois se olharam e sorriram, dizendo ao mesmo tempo e empolgados, "Isso é brilhante" e "Como não pensei" e "Vamos perguntar a Sprout" "Vai ser muito interessante" e "É Profª Sprout, Terry. " Sorrindo aliviado Harry voltou ao seu dever, agora de Feitiços, de História o Prof. Binns pedira um resumo do 1° capitulo do livro, mas era para segunda-feira, então ele nem se preocupou. Depois terminou de ler para aula de Astronomia, parecia interessante, eles descobririam as constelações, e como elas trabalhavam com a magia, fossem alas e rituais ou até poções.

Depois do jantar Harry e Terry leram o material da aula do dia seguinte, pois nas quintas-feiras tinham duplas de Defesa, duplas de Feitiços e uma de Herbologia. Na sexta eram duplas de Poções de manhã, depois do almoço seria uma de Transfiguração e mais duplas de Defesa. O texto de defesa era muito interessante, e Harry percebeu que não era o único muito interessado nesta aula.

A aula de Astronomia começaria a meia noite, ficava na Torre de Astronomia e era para todas as casas juntas. Penny recomendou que eles dormissem um pouco mais cedo e colocassem suas varinhas para despertar as 23:30, assim não estariam tão cansados no dia seguinte.

Assim ao terminarem suas leituras Terry subiu, ele tinha mais dificuldades para acordar pela manhã e seguiu o conselho, Harry ficou mais meia hora treinado sua escrita com a pena, mas as 21 horas subiu e ouvindo risos e vozes viu que Michael, Anthony e Lisa estavam na sala de convívio jogando um jogo de cartas. Eles não o viram e Harry entrou rapidamente, olhando para seu quarto pensou que na manhã seguinte começaria a limpa-lo. Colocando o pijama, programou sua varinha e num instante estava dormindo.

Acordou um pouco sonolento, não acostumado com acordar no meio da noite para aulas e percebeu que todos estavam no mesmo estado. Ele teve que sacudir Terry algumas vezes, pois esse cochilou de pé durante a explicação da Prof.ª Sinistra, uma mulher negra muito bonita por volta dos 40 anos.

— Agora, — disse sucinta, o que era bom, se ela discursasse como Binns ninguém ficaria acordado. — eu entendo que esse é um horário difícil, mas todos estarão acostumados antes que percebam. E como temos apenas 2 horas de aulas por semana, temos de ser proativos, assim exigirei muita atenção em aula e muito capricho nos deveres de casa. Peguem seus telescópios, e dividam uma janela da torre com um colega, dois telescópios por janela. Vamos, vamos, esse ano aprenderemos os nomes das diferentes estrelas e os movimentos dos planetas. Será um longo caminho até vocês terem tudo decorado. Mas tão importante como saber seus nomes e movimentos é descobrir como eles interagem com a magia.

E assim Terry e Harry se colocaram em uma janela e observaram o céu noturno. Foi fascinante, Harry não sabia nada sobre os planetas, enquanto Terry já tinha algum conhecimento dos nomes. Ao fim da aula e com suas anotações Harry se sentiu confiante de que logo alcançaria seu amigo e estava ansioso para começar a conectar esse conhecimento com outras magicas. Terry afirmou que com certeza usariam isso em Poções, e depois a partir do 3º ano em Runas Antigas, Aritmancia e Trato de Criaturas Magicas. Harry quis perguntar mais sobre essas disciplinas, mas a cara de sono do amigo lhe deu um pouco de pena e ele deixou para o dia seguinte.

No dia seguinte eles tinham Defesa duplas e acordaram ansiosos, ainda que muito mais sonolentos que o normal. Depois do café eles seguiram para aula que era ensinada pelo Prof. Quirinus Quirrell que segundo as informações tinha sido professor de Estudos Trouxas por dois anos seguidos antes de fazer uma viagem de estudo por um ano e voltar para o cargo de DCAT. Harry que o conhecera no Beco, o descreveu para Terry que claro, ficou preocupado com a aparente insegurança do jovem professor.

E eles logo perceberam que tinham muito motivos para se preocuparem porque as aulas de Quirrell foram uma piada. Sua sala cheirava fortemente a alho, que todos diziam que era para espantar um vampiro que ele encontrara na Romênia e temia que viesse atacá-lo a qualquer dia. Seu turbante, contou ele, fora presente de um príncipe africano como agradecimento por tê-lo livrado de um zumbi incômodo, mas tanto os Ravenclaws quanto os Slytherin não pareciam acreditar muito nessa história.

Sua aula em si, enquanto uma explicação do conteúdo do livro, era feita num tom baixo e com uma gagueira irritante. Assim as explicações se perdiam, por mais silencio que se fizesse. Até mesmo os Slytherin, observou Harry mostram impaciência e um pouco de nojo. Para Harry foi a maior frustração com Hogwarts até o momento. Se na aula de História Terry saiu indignado, desta vez foi a vez de Harry, ele literalmente bufou no caminho para o almoço. Terry o seguiu igualmente decepcionado, mas não disse nada, era melhor, pensou deixar que seu amigo temperamental se acalmasse.

Harry tentou ignorar a dor de cabeça irritante que a aula lhe dera, não sabia se pelo cheiro de alho, ou pelo esforço de tentar ouvir e entender as palavras do professor. Eles comeram em silencio, mas quando estavam na sobremesa, Terry que observou o amigo mais calmo comer sua torta de caramelo, falou:

— Sei que está decepcionado Harry, mas...

— Não estou apenas decepcionado Terry, você não entende? — Interrompeu Harry, enquanto amava torta de caramelo, nem mesmo ela conseguia tirar o gosto amargo da boca, afastando o prato meio comido continuou. — Essa era a aula que eu estava esperando com mais ansiedade, e sem saber todas as coisas que você me contou no trem, depois que conversamos fiquei ainda mais ansioso em começar a aprender Defesa. Como, Terry, vou deixar de ser um gatinho em uma toca de lobos, como vou me defender de quem quer se vingar de mim por algo que nem me lembro de fazer, e como vou poder trazer justiça aos meus pais se vamos ter esse tipo de aula na disciplina mais importante. Se, como você disse estamos fadados a uma nova e mais terrível guerra como, não apenas eu, mas todos — disse abrangendo as 4 mesas — aprenderemos a nos defender?

Terry ficou em silencio depois de seu discurso, não porque temesse sua raiva, mas sim porque concordava totalmente com o amigo. E também porque achou melhor não o irritar ainda mais ao lembra-lo que as crianças de famílias bruxas provavelmente seriam ensinadas em casa, nenhum pai puro-sangue permitiria que seus filhos não tivessem conhecimento em um assunto tão importante.

Eles foram para aula seguinte e Harry conseguiu deixar de lado a raiva e decepção para mais uma vez aprender outros feitiços muito uteis. Entre eles, Lumus e Nox, Aguamenti e Incendio e ele mais uma vez se saiu muito bem. Prof. Flitwick deu um monte de lição de casa para o fim de semana, mas ainda assim ele saiu animado para a aula de Herbologia. Durante o caminho Harry se desculpou por sua explosão, mas Terry disse que estava tudo bem, e que concordava com tudo. Teriam, ele acrescentou, que fazer estudo independente sobre essa disciplina, assim como com a História da Magia. Isso animou Harry um pouco.

A aula de Herbologia foi rápida e com muita teoria ainda e apresentação de algumas plantas simples. Os Slytherin não pareciam muito interessados na aula, mostrando obvio desrespeito sobre o assunto que não tinha magia. Prof.ª Sprout teve que chamar a atenção do grupo de Malfoy que não prestavam atenção.

No fim da aula ele e Terry foram conversar com Sprout sobre a ideia que Harry tivera, ela adorou e animadamente os incentivou a fazer um projeto paralelo. Se entregassem até o fim do semestre, eles ganhariam credito extra e sim Hermione podia participar.

Eles então foram até a biblioteca onde encontram Hermione já debruçada em livros de Transfiguração, ao contarem a notícia da Prof.º Sprout ela bateu palmas animadamente, bem baixo claro, eles não queriam que madame Pince os expulsassem.

Harry deu os últimos retoques no dever de Transfiguração que entregaria no dia seguinte, fez o de Herbologia e começou o de Defesa antes do jantar. Depois na sala comunal terminou o de Defesa e leu o conteúdo das aulas no dia seguinte. Harry percebera que ler a matéria antes das aulas tornava muito mais fácil de entender as explicações dos professores. Bem com exceção de Defesa e História. Ele estava ansioso pelas aulas de Poções no dia seguinte, ainda que um pouco preocupado com a expressão do professor de cabelos negros, sua intuição lhe dizia ele deveria estar bem preparado.

Como terminaram cedo Harry e Terry pela primeira vez foram até a sala de convívio dos primeiros anos. Estava vazia, tinha vários sofás confortáveis e uma lareira acesa. Uma porta dava para uma sala igual só que do lado das meninas, e Harry achou inteligente, assim eles não precisavam descer e subir as escadas se estivessem todos reunidos. Terry passou a ensina-lo um jogo com cartas magicas chamado Snap Explosivo, era muito divertido e os dois riram das caras uns dos outros quando uma carta explodia.

Pensativo Harry olhou para seu amigo, Terry era muito legal e paciente, tinha, ele suspeitava, o dom de ensinar herdado do avô e da mãe. Harry vinha pensando a algum tempo em pedir algo a ele, mas não queria ser um peso, mas lembrando o que Penny lhe disse tomou coragem.

— Terry...? — Perguntou hesitante.

— Hum? — Respondeu ele distraído.

— Sabe, erhh... — pigarreou e tentou de novo — Bem, estava pensando sobre o que você disse sobre como os nascidos trouxas abandonam sua educação trouxa, e como sua mãe não fez isso...

— Não, vovô Bunmi não deixou. — Disse ainda sem perceber a hesitação de Harry.

— E imagino que sua mãe também vai querer que você continue com suas aulas trouxas? — Perguntou, agora parando de jogar cartas, muito interessado na resposta.

— Oh, sim, com certeza, quer dizer, — Terry finalmente ergueu os olhos de suas cartas e olhou para o amigo, percebendo que ele o olhava com atenção, também deixou as cartas de lado e continuou. — Eu não tenho como ir a uma escola trouxa mais, mas mamãe vai me dar aulas durante o verão. Bem vou ter que fazer leituras durante o ano também, mamãe vai me dar um mês para me acostumar com as aulas magicas e os deveres de casa. Depois ela vai me enviar livros de História, Geografia, Inglês para leitura, além disso, para literatura vou ter dois livros para ler no ano, um em cada semestre e tenho que fazer uma análise. Depois, durante os verões ela vai me dar aulas de Ciência e Matemática que são mais difíceis de estudar sozinho, além de não serem meus melhores assuntos. E, no fim do verão farei as provas de conclusão do ano escolar trouxa, sabe, como se eu fosse um aluno que estuda em casa.

Harry, assentiu, ele já imaginara tudo isso e considerou como pedir o que queria sem se tornar um incomodo para o amigo. Terry observou a timidez dele e esperou, sabendo que se o pressionasse por resposta, provavelmente o faria se fechar. Depois de quase 5 minutos em que os dois fingiam se interessar pelo jogo, Harry respirou fundo e falou:

— Você acha que, bem depois que você terminar de fazer seus estudos, poderia, sabe, me emprestar os livros? Se não for te atrapalhar claro! — Disse apressadamente, agora que começara queria ir até o fim. — Quer dizer, achei uma boa ideia continuar aprendendo sobre o mundo trouxa e bem, eu nem sabia sobre as Guerras Mundiais, e percebi que seria importante ter esses conhecimentos, sabe. E os Dursleys, se eu escrever eles não vão querer me mandar nada, muito menos livros. E acho que agora que vou aprender tanto sobre o Mundo Magico, não quero, sabe, me tornar ignorante do Mundo dos Trouxas.

— Nosso Mundo Harry, você pode dizer que é nosso Mundo também. Nós que tivemos o privilégio de crescer e conhecer esses dois Mundos incríveis, porque virar as costas para qualquer um deles? Sei que os Dursley não são um bom exemplo de trouxas, mas sei por minha família que eles são maravilhosos e criam coisas incríveis e fazemos parte disso, não temos apenas a herança dos nossos pais, mas das nossas mães também. — Disse Terry intensamente.

Para Harry era difícil não associar a herança trouxa de sua mãe com os Dursley, mas, pensou Harry, se virasse as costas para esse mundo agora, seria tudo o que ele conheceria e isso o faria um ignorante, algo que não tinha intenção de voltar a ser. Afinal, ele era um Ravenclaw.

— E sobre os livros, é claro que te empresto não vai atrapalhar nada, enquanto leio um assunto você pode ler o outro. Me diga qual eram seus melhores assuntos, isso vai facilitar, assim durante o verão você se concentra nos mais difícil, pois terá mais tempo para estudar, e quem sabe você consegue vir em algumas das minhas aulas de verão, e poderíamos fazer as provas juntos. — Disse entusiasmado Terry com um grande sorriso.

Harry sorriu com seu entusiasmo, Terry realmente não parecia se importar e isso o animou também.

— Bem eu era muito bom em Matemática e também entendia bem Ciências. História e Geografia não era tão bom e meu pior assunto era o Inglês, porque não tinha muito tempo para ler, sabe. — Disse um pouco constrangido.

Terry assentiu entendendo que com todo o trabalho doméstico que seus tios lhe obrigavam a fazer Harry não teria tempo ou disposição para ler textos longos. Matemática e Ciências teriam explicações mais práticas nas aulas e por isso mais fácil de acompanhar.

— Bem nesse caso acho que podemos nos ajudar Harry! — Disse com entusiasmo e tentando tirar seu amigo dos pensamentos de seus parentes — Vou pedir para minha mãe mandar todos os livros e podemos estudar juntos, eu ajudo você com o Inglês e Geografia e História e você me ajuda com Matemática e Ciências, assim quando chegar o verão estaremos mais adiantados e poderemos nos concentrar mais em nossos estudos mágicos.

— Isso seria bom! — Disse Harry sorrindo, feliz que poderia ajudar Terry em algo, assim não era só ele que recebia ajuda. — E podemos perguntar se a Hermione quer estudar com a gente, quer dizer ela é nascida trouxa e tão inteligente, talvez ela até planeje fazer isso, mas seria legal estudar junto.

— Ótima ideia! Vamos conversar com ela amanhã, aposto que ela vai aceitar o convite. Agora vamos continuar o jogo, sei que vou vencer dessa vez. — Disse competitivo, mas Harry percebeu seus olhos divertidos e riu da brincadeira. E riu ainda mais de sua expressão surpresa quando Harry venceu pela terceira vez seguida.

Logo depois Morag, Padma e Mandy vieram e se sentaram para jogar com eles, foi muito divertido conhece-las. Elas eram muito inteligentes e focadas, mas também divertidas e brincalhonas. O trio Michael, Anthony e Lisa também apareceram, mas se sentaram do outro lado, Harry percebera que eles não se misturavam muito com eles. Michael se mostrou pomposo desde o início e Anthony um pouco esnobe, quanto a Lisa parecia tão obcecada em ter as melhores notas que não fazia ou falava sobre nada que não tinha a ver com algum estudo.

Na manhã seguinte Harry usou seus novos conhecimentos para fazer uma faxina em seu quarto e banheiro. Suas roupas e roupas de cama apareciam sempre limpos e cheirosos e Harry queria manter seu quarto igualmente asseado, nada exagerado como sua tia Petúnia gostava que ficasse o número 4, mas ainda assim limpo. Na verdade, ele sentiu grande prazer em cuidar de seu espaço.

Descendo conseguiu treinar um pouco com a pena antes do café. O grupo estava estranhamente ansioso, e as conversas mostraram o porquê durante a refeição.

— Espero me sair bem na aula hoje. Poções parece muito legal e quero manter minhas marcas. — Disse Lisa, que sempre tinha essa obsessão por suas marcas. Era um pouco irritante, pensou Harry, também preocupado com a aula de Poções, não por causa das notas ou a aula em si, mas do professor, ele estava com um mal pressentimento na boca do estomago.

— Snape é diretor da Slytherin, além do professor de Poções e, dizem que sempre protege eles. Nossas aulas são com os Hufflepuff, felizmente, mas mesmo assim espero que ele nos trate com justiça. — Disse Anthony.

Harry comeu sua aveia, silenciosamente e tentando ignorar a conversa irritante. Sentiu-se um pouco melhor depois de comer seu mingau quentinho. Terry percebendo seu humor esperou ele terminar de comer e enquanto caminhavam lentamente para as masmorras, finalmente perguntou porque estava tão preocupado. Harry explicou seu pressentimento, e o olhar que o professor lhe lançara durante a festa de chegada, ainda que preferiu não mencionar a dor em sua cicatriz. Pensou que Terry riria dele ou ao menos descartaria seus sentimentos como imaginação, mas ele não fez, ao contrário assentiu e aconselhou que os dois fossem mais cautelosos.

— A intuição de um bruxo nunca deve ser descartada Harry. — Disse ele ao ver a expressão surpresa em seu rosto. — Até mesmo trouxas as vezes tem pressentimentos ou intuições, mas em um bruxo isso é ainda mais forte e poderoso e nunca devemos ignorar. Vovô Boot sempre diz que isso salvou sua vida mais de uma vez.

Eles chegaram a sala de aula fria de Poções sem problemas e encontraram as primeiras mesas ocupadas pelos colegas Ravens. Eles se sentaram na segunda fileira mais próximos da porta, a sala não era nada convidativa com animais embalsamados flutuando em frascos de vidro nas paredes à volta, e nenhum deles quis ir mais para o fundo. Os Hufflepuff chegaram logo depois, ainda era cedo, mas a reputação de Severus Snape havia se espalhado pelos primeiros anos e ninguém queria desagrada-lo. Eles se espalharam na parte funda a esquerda e pareciam nervosos e apreensivos.

No momento que deu a hora da aula Prof. Snape entrou e bateu a porta com força, não se preocupou em olha-los ou se apresentar, apenas foi até sua mesa e começou a chamada. Harry observara durante as primeiras chamadas, uma leve hesitação quando chegara em seu nome de quase todos os professores, mas dessa vez Snape especificamente parou no nome de Harry.

— Ah, sim — disse baixinho. — Harry Potter. A nossa nova celebridade. O tom foi de zombaria, mas ninguém riu, alguns dos alunos até pareceram confusos e Terry ao seu lado ficou instantaneamente tenso.

Snape terminou a chamada e encarou a classe. Seus olhos eram negros como os de Hagrid, mas não tinham nada de seu calor. Eram frios e vazios e lembravam túneis escuros.

— Vocês estão aqui para aprender a ciência sutil e a arte exata do preparo de poções — começou. Falava pouco acima de um sussurro, mas eles não perderam nenhuma palavra. Como a Prof.ª McGonnagall, Snape tinha o dom de manter uma classe silenciosa sem esforço. — Como aqui não fazemos gestos tolos com varinhas, muitos de vocês podem pensar que isto não é mágica. Não espero que vocês realmente entendam a beleza de um caldeirão cozinhando em fogo lento, com a fumaça a tremeluzir, o delicado poder dos líquidos que fluem pelas veias humanas e enfeitiçam a mente, confundem os sentidos... Posso ensinar-lhes a engarrafar fama, a cozinhar glória, até enganar a morte, se não forem o bando de cabeças-ocas que geralmente me mandam ensinar.

Mais silêncio seguiu-se a esse pequeno discurso. Toda a sala pareceu ficar mais tensa, percebendo que teriam de se esforçar muito para mostrar que não eram cabeças-ocas. Para Harry, seus instintos lhe diziam que não importava o quanto se esforçassem nunca o agradariam, ele já passara por isso, tentara muitas vezes agradar sua tia, com um bom trabalho, bom comportamento, ou só saindo do caminho, mas nunca fora suficiente.

— Potter! — disse Snape de repente. — O que eu obteria se adicionasse raiz de asfódelo em pó a uma infusão de losna?

Harry hesitou tentando se lembrar de ler algo assim, afinal ele lera todo o livro de poções e relera os dois primeiros capítulos no dia anterior. O capitulo de introdução e o capitulo com a primeira poção que fariam, a de curar furúnculos. Mas não se lembrava de ler nada sobre isso.

— Não sei, senhor. — Disse Harry respeitosamente.

A boca de Snape se contorceu num riso de desdém.

— Tsc, tsc, a fama pelo visto não é tudo.

Harry se retesou todo como uma corda de violão, seu rosto se fechou e seu olhos brilharam como fogo verde. Terry percebeu que apesar de sua própria indignação teria que tentar acalmar seu amigo para ele não se prejudicar gritando com um professor. Mas antes que pudesse pensar em algo, outro ataque veio cortante.

— Vamos tentar outra vez, Potter. Se eu lhe pedisse, onde você iria buscar um bezoar?

Essa Terry sabia, mas ao olhar para seu amigo percebeu que essa informação era algo que apenas alguém de criação bruxa ou que lera livros extras recomendados pelos professores saberiam. Harry, que não fora bem orientado por Hagrid, não era um deles.

— Não sei, não senhor. — Disse Harry com tanta frieza que fez alguns dos colegas da frente olhar para traz surpresos. Ninguém ainda vira esse lado do Harry, normalmente ele era quieto e calmo.

— Achou que não precisava abrir os livros antes de vir, hein, Potter?

Harry fez força para continuar olhando diretamente para aqueles olhos frios. Ele não se importava de ser insultado, crescera com pior nos Dursley, mas não aceitaria qualquer zombaria a essa fama estupida e a morte de seus pais. Percebeu Terry ao seu lado e olhando de lado, percebeu que seu amigo o estava aconselhando com o olhar a se acalmar, e ao olhar em volta percebeu que muitos colegas olhavam para Snape com rostos confusos ou de desagrado, era obvio que ninguém ali estava gostando de ver Harry ser atacado por nenhuma razão.

Seja inteligente, uma voz em sua mente o alertou, seja um Ravenclaw, mas era difícil pensou, engolindo a raiva e tentando controlar sua expressão. Não queria dar aquele o homem o poder de perceber que o atingira, tio Vernon sempre ficava mais animado quando percebia que Harry estava triste ou chateado. Então pela terceira vez, veio um ataque.

— Qual é a diferença, Potter, entre acônito licoctono e acônito lapelo?

Harry respirou fundo e olhou para baixo, para o livro que apertava fortemente em suas mãos, como se ele pudesse lhe dar a resposta de repente e desejou ter a capacidade de decora-lo todo como fizera Hermione. Depois levantou a cabeça e não mostrando nada em sua expressão, disse:

— Não sei, senhor. Realmente não me lembro de ler essas informações no livro. senhor.

Snape, não pareceu apreciar sua resposta, pois seu sorriso morreu e seu rosto voltou a se azedar.

— Para sua informação, Potter, asfódelo e losna produzem uma poção para adormecer tão forte que é conhecida como a Poção do Morto-Vivo. O bezoar é uma pedra tirada do estômago da cabra e pode salvá-lo da maioria dos venenos. Quanto aos dois acônitos são plantas do mesmo gênero botânico. Então? Por que não estão copiando o que estou dizendo?

Ouviu-se um ruído repentino de gente apanhando penas e pergaminhos. E acima desse ruído a voz de Snape:

— E vou descontar cinco pontos da Ravenclaw por sua ignorância, Potter.

Harry, fazendo suas próprias anotações nem se preocupou em mostrar qualquer reação de que o ouvira. Sabia, assim como todos na sala que sua punição era injusta, que professor tirava pontos por alguém não saber algo no primeiro dia de aula. Infelizmente as coisas não ficaram melhores depois disso, Snape separou-os aos pares e mandou-os misturar a poção simples para curar furúnculos.

Caminhava imponente com sua longa capa negra, observando-os pesar urtigas secas e pilar presas de cobras, criticando tudo e todos, mais especialmente Harry. Tendo muitas vezes trabalhado sob a pressão de seus parentes, inclusive cozinhando com sua tia o criticando, Harry decidido a não mostrar nada se manteve frio. Mas a raiva borbulhava na superfície, o antigo Harry poderia aceitar tudo passivamente, mas ele não era mais o mesmo e percebeu com um pouco de um choque que seus parentes teriam uma grande surpresa quando ele voltasse no verão.

A poção dele e Terry ficou perfeita, seu amigo sabia muito do assunto tendo aulas de preparação de ingredientes e até já tendo preparado algumas poções com seus pais em casa. Para Harry que gostava mais de cozinhar do que de jardinagem, Poções era muito mais interessante do que Herbologia, assim eles formaram uma boa dupla. Quando estavam acabando, viu Terry pegar frascos extras e colocar mais Poções, mas não perguntou nada, não querendo chamar a atenção de Snape para o amigo.

Depois que terminaram tudo, guardaram seus materiais com calma e esperaram que o professor passasse por eles para avaliar seu trabalho. Ao lado deles estava Justin e Megan, a poção dos dois alunos nascidos trouxas, tinha virado um verde venenoso e exalava um cheiro desagradável.

— Idiotas! — Vociferou Snape, olhando a poção com nojo e depois usou a varinha para desaparecer e limpar o caldeirão tirando-o do fogo. — Vocês não leram que tinham que mexer 5 vezes em sentido horário antes de acrescentar as presas de cobras? Isso será um zero! — Em seguida voltou-se zangado para Harry e Terry. — E você, Potter, por que não disse a eles para não adicionar as presas? Achou que você pareceria mais inteligente se eles errassem, não foi? Mais cinco pontos que você perdeu para Ravenclaw.

A injustiça foi tão grande que Terry abriu a boca para argumentar, mas Harry deu-lhe um pontapé por trás do caldeirão. Essa era sua briga, pensou, sentido a raiva ferver tanto quanto sua poção no caldeirão. Mas era uma raiva fria, de alguém que aguentara calado muitas injustiças antes, uma vida inteira delas, mas, analisou, teria que agir com inteligência, ele era um Ravenclaw afinal de contas. Seus instintos gritavam para que esperasse e ele o ouviu.

— E vamos olhar essa poção, sim ficou razoavelmente boa, mas com seus conhecimentos pobres de poções imagino que o Sr. Boot fez tudo sozinho. Isso não foi o que pedi, eram para trabalhar em duplas, na minha sala você não poderá esconder sua mediocridade atrás de alunos melhores que você. Portanto isso será um zero e por seu jogo sujo mais 5 pontos da Ravenclaw. — Completou muito satisfeito, estava até sorrindo.

— Não. — Disse Harry simplesmente enquanto pegava sua mochila no ombro esquerdo, seu próximo passo revelaria se tudo o que ouvira sobre sua casa era verdade, ou se na hora H ele estaria sozinho como sempre.

— O que disse? — Perguntou Snape virando-se bruscamente em sua direção, parecia chocado, mas também com muita raiva ao ser desafiado.

— Eu disse não. Quero dizer, não senhor, não disse ao Justin e a Megan sobre seu erro ao preparar sua poção, pois não sabia que esta era minha função. Na verdade, achei que esse era o seu trabalho, senhor. E estava muito concentrado em minha poção para perceber seu erro, afinal foi isso que você nos pediu, que preparássemos nossas poções e eu fiz isso junto com Terry, senhor. Não fiz jogo sujo e Terry aqui é testemunha disso, então senhor, respeitosamente, peço que reconsidere sua decisão de me dar zero. E por favor cancele a retirada dos pontos. — Harry disse tudo calmamente, sem levantar a voz e em tom respeitoso, mas era obviamente um desafio.

Snape parecia que teria um ataque, e por um segundo Harry viu sua raiva crescer tanto que achou que ele o atacaria fisicamente, mas Harry não recuou e esperou olhando-o com frieza.

— Você, seu garotinho insolente! Você se acha muito bom, melhor que todos, apenas por causa dessa cicatriz e por seu nome imagino, arrogante como seu pai, eu vejo. — Disse Snape com tanto veneno e escarnio que causou um arrepio nos alunos. Alguns deram um passo para traz de medo, mas Harry deu um passo para frente, ele não era um covarde e não recuaria.

— Não sei se sou como meu pai senhor, ele foi assassinado por um louco preconceituoso que, na verdade, se achava melhor que todos e que isso lhe dava o direito de matar. Mas sei que independente de meu sobrenome ou de meu sangue, — frisou essa última palavra — sou um aluno dessa escola e mereço uma nota justa senhor. Eu, assim como todos aqui, — disse abrangendo a sala com um movimento de seu braço — pagam um bom dinheiro para frequentar Hogwarts e para mim assim como para minha casa meu aprendizado e minhas notas são importantes.

Snape apenas olhou para ele com tanta aversão que se Harry não tivesse se acostumado com esse olhar de seu tio poderia ficar incomodado.

— Se você acha que vai dizer o que eu posso ou não posso fazer em minha sala de aula está muito enganado Potter, sua nota se mantem e tirarei mais 50 pon...

— Não. — Interrompeu Harry com frieza, o fogo verde voltara para seus olhos e a raiva fria que o mantinha estranhamento calmo e centrado, borbulhou e mais do nunca Harry sentiu sua magia se agitar dentro dele. Nunca sentira seu poder tão na superfície e nunca quis tanto usá-lo, mas o caminho não era a violência e sim as palavras.

— Não me interrompa seu garoto insolente! E não ouse me enfrentar ou conseguirei que seja expulso antes mesmo de terminar sua primeira semana nesta escola! — Gritou Snape raivosamente, a maneira que a saliva espirrava de sua boca fez Harry se lembrar, estranhamente, do cachorro de sua tia Marge.

Talvez se Terry não tivesse lhe contado sobre sua importância no mundo magico, não apenas como o menino-que-sobreviveu, mas também como um Potter, Harry teria muito medo dessa ameaça, mas ele sabia muito bem quem era e que Snape nunca conseguiria sua expulsão.

— Muito bem, se o senhor não me dará uma avaliação justa pelo meu trabalho, levarei o caso para meu chefe de casa. Prof. Flitwick não aceita jogo sujo ou falta de dedicação nas aulas, ele ficará muito zangado se eu receber um zero. Portanto levarei minha reclamação a ele, se o senhor puder me acompanhar, tenho certeza que ele quererá ouvir sua versão dos fatos.

— Muito bem! — Sorriu com escarnio. — Mas se você acha que conseguirá mudar minha avaliação está muito enganado, mas vamos seguir com seu show, você apenas vai provar o que eu disse. Não passa de um garoto arrogante que se esconde atrás dos seus melhores ao em vez de se esforçar por si mesmo.

— Gostaria de levar Terry como minha testemunha, por favor. — Disse Harry, olhando para o amigo, viu que ele parecia chocado, mas ao ser convocado imediatamente sua expressão se firmou e ele assentindo se colocou ao seu lado.

— Como quiser! — Zombou Snape.

— Nós também vamos! — Se adiantou Justin e Megan, bravamente, ainda que com expressões apreensivas.

— E nós também! _ exclamaram ao mesmo tempo Morag e Padma. Mandy também deu um passo à frente apoiando as duas meninas. E antes que Snape pudesse protestar Michael liderando o trio se adiantou também.

— A Ravenclaw inteira vai acompanha-lo Harry — disse seriamente.

Harry sentiu seu coração se aquecer, mesmo que não fossem amigos ou se conhecessem a muito tempo, eles não o deixariam enfrentar essa injustiça sozinho. Snape assentiu bruscamente e saiu da sala caminhando rapidamente a frente, seu manto o fazia parecer um morcego, todos os seguiram o mais rápido que puderam. Eles não sabiam para onde iam até que se aproximaram de uma porta que Snape abriu bruscamente, dentro Harry observou havia uma mesa comprida rodeada de cadeiras e ele reconheceu que essa devia ser a sala dos professores.

— Flitwick! Seus alunos se comportaram de maneira abominável em minha sala de aula. Potter, principalmente, os liderou aqui para mostrar ainda mais desrespeito por mim e essa escola. Espero que faça seu trabalho e os ensine seu lugar! — Escarneceu com extrema frieza.

Prof. Flitwick se levantou em sua cadeira com um rosto tão sério como nunca antes visto. Harry engoliu em seco e a frente do grupo, claramente, os liderando recebeu em cheio seu olhar intenso. Se recusando a recuar quando chegara tão longe, Harry deu mais um passo à frente.

— Professor, gostaria de fazer um protesto senhor. — Disse um pouco inseguro, mas respirando fundo, continuou mais firmemente. — Eu quero contestar a avalição feita pelo Prof. Snape do meu trabalho, senhor. — Harry teve que se esforçar para usar a palavra professor, mas sabia que qualquer desrespeito contaria contra ele. — E também questiono as punições administradas a mim, contesto as retiradas de pontos, acredito que elas foram injustas, Prof. Flitwick.

Nesse momento Terry se adiantou também e falou firmemente:

— E todos nós estamos aqui como testemunhas senhor. Professor Snape deu zero para Harry alegando que ele não havia trabalhado na poção que fizemos, mas garanto senhor que eu não fiz a poção sozinho. Harry me ajudou o tempo todo, picou e amassou os ingredientes, mexeu a poção, e enquanto eu tenho mais experiência e posso ter liderado Harry participou de tudo, acho que ele tem uma boa mão para fazer poções, senhor.

Seu último comentário rendeu um som de incredulidade de Snape, que obviamente não concordava com sua avaliação.

Prof. Flitiwick assentiu e olhou para os outros, sua expressão ainda era muito séria, foi-se o chefe de casa animado.

— Mais alguém tem algo a acrescentar?

— Sim senhor, — se adiantou Morag seu sotaque mais evidenciado devido ao nervosismo. — Prof. Snape tirou 5 pontos do Harry porque ele não soube responder algumas perguntas, mas nós, Padma, Mandy e eu também não saberíamos responder todas e nós lemos alguns livros extras de poções, mas eram perguntas muito difíceis, Harry não devia perder pontos por não saber algo. E eu estava à frente e não vi Harry e Terry trabalhando... — Hesitou olhando para Justin e Megan que imediatamente se adiantaram.

— Mas nós vimos senhor. Megan e eu estávamos ao seu lado e vimos eles trabalhando juntos, Harry nunca ficou parado senhor, em nenhum momento. E além disso Prof. Snape tirou 5 pontos do Harry porque Megan e eu fizemos uma péssima poção, dizendo que era culpa dele que nós erramos os passos da Poção, por não nos alertar, mas não foi culpa dele e me pareceu muito injusto a punição, professor Flitwick.

Michael então se adiantou e pomposamente, apesar de que nesse momento Harry nem se importou com isso, disse:

— E além disso Harry em nenhum momento foi desrespeitoso com o Prof. Snape, senhor. Ele foi muito educado e mesmo quando protestou por sua nota injusta e pediu para vir até o senhor em busca de ajuda, manteve-se respeitoso.

Depois que todos falaram fez-se silencio e se era possível Flitwick estava ainda mais sério.

— Muito bem... — Começou, mas foi interrompido imediatamente por Snape.

— Você vai acreditar neles? Não consegue perceber que estão mentindo apenas para proteger Potter? Eu não lhe disse que ele era igual ao pai? Arrogante e desafiador, se acha melhor que todos e usa os amigos para mentir para ele. Quero que você os puna imediatamente. — Disse peremptoriamente.

— Se eles estiverem mesmo mentindo eu mesmo os punirei, garanto-lhe, mas me parece que essa história não é tão simples que nós dois podemos resolver sozinhos, portanto, levaremos a questão ao Diretor. — Disse enquanto descia da cadeira.

— Isso não será necessário, podemos resolver aqui mesmo e...

Desta vez foi Flitwick quem o interrompeu, com um brilho perigoso no olhar.

— Ah, mas é muito necessário sim, você fez acusações muito serias contra meus alunos, e contra Potter em especial, além de lhe dar um zero em aula. E como você mesmo disse é meu trabalho ensina-los, portanto o que eles fazem reflete em mim e em minha casa. Vamos chegar ao fundo disso e se eles estiverem mentindo cuidarei de sua punição, mas apenas se e então. — Disse em tom definitivo que não aceitava discussão.

"Mas antes de ir os liberarei para suas próximas aulas, se correrem terão tempo de almoçar rapidamente. — Disse e quando viu que Harry ia protestar se adiantou. — Não se preocupe Sr. Potter, vou levar os testemunhos comigo, acho que talvez a pessoa com uma visão mais clara de toda a aula seja você Sr. Boot, portanto vou recolher sua memória nesse pequeno frasco. Você já ouviu falar sobre tirar uma cópia da memória de um evento para ver em uma penseira, já teve esse procedimento feito em sua pessoa?

— Sim senhor, quer dizer já ouvi falar, mas nunca copiaram minha memória senhor. — Disse rapidamente, estava claramente animado e nervoso.

— É muito simples, pense claramente na aula, os principais pontos discutidos com mais atenção. Muito bem, preparado? — Terry assentiu, seus olhos fechados e seu rosto expressando profunda concentração. — Lá vamos nós, Effingo Animo. — Disse claramente apontando sua varinha para a cabeça do Terry.

E Harry observou fascinado quando um fio prateado saiu da cabeça de Terry e pendurado na ponta da varinha do professor que o levou até o frasco e despejou cuidadosamente.

— Muito bem, todos vocês sigam com seu dia, eu os informarei dos acontecimentos e decisões. — Disse seriamente.

Todos começaram a sair, apenas Harry e Terry ficaram mais um pouco, Harry rapidamente agradeceu ao professor e Terry pediu uma cópia da lembrança, Flitwick então rapidamente fez outro feitiço "Geminio" e entregou a ele.

Eles seguiram rapidamente ao Grande Salão, tinham apenas alguns minutos antes da próxima aula, então não disseram nada, apenas se sentaram e comeram rapidamente. Todos os primeiros anos estavam muito quietos e o Salão nesse horário vazio e silencioso, tornava a refeição meio constrangedora. Harry comeu bem pouco, estava sem apetite, mas bebeu muita agua, pois sentia sua boca seca.

Logo depois eles foram para a aula de Transfiguração, Harry estava orgulho de seu dever de casa e com esperança de conseguir realizar a parte pratica. Ele treinara com um fosforo durante os últimos dois dias, com Terry e os outros primeiros anos e ele achava que hoje com a ajuda da professora conseguiria transformar a madeira em metal. Mas não foi o que aconteceu, Harry estava tenso e podia sentir sua magia agitada, ele nunca sentira algo assim e não entendia muito bem o que estava acontecendo. Saiu da aula mal-humorado e a dupla aula de Defesa logo depois não ajudou a fazê-lo se sentir melhor. Ele lera o texto da aula de hoje e achara muito interessante, mas com a gagueira e o cheiro de alho, tudo o que conseguiu ao sair da sala as 15 horas era uma dor de cabeça.

Automaticamente eles seguiram para a biblioteca, mas Harry sinceramente não estava com vontade de fazer dever de casa. Olhando para fora o dia ensolarado, pensou que seria uma boa ideia dar uma volta nos jardins, talvez aliviasse sua dor de cabeça. Antes que pudesse falar com Terry que estava anormalmente silencioso, o barulho de asas os assustou e de repente uma coruja da torre se aproximou de Harry, que esticou o braço onde ela pousou e estendeu a perna onde havia um bilhete amarrado. Harry pegou o bilhete, mas a coruja não foi embora, devia pensou estar esperando sua resposta. Terry o olhou confuso, o mesmo sentimento de Harry, assim ele entrou em uma sala de aula vazia e entregando a coruja ao amigo abriu o bilhete, lendo em voz alta.

Prezado Harry, dizia, numa letra muito garranchosa.

Sei que tem as tardes de sexta-feira livres, então será que não gostaria de vir tomar uma xícara de chá comigo depois das aulas? Quero saber como foi a sua primeira semana. Mande-nos uma resposta pela coruja da escola.

Hagrid.

Harry olhou para o amigo que deu de ombros. Depois pegou uma pena e na parte de traz escreveu "Sim, gostaria, vejo você daqui a pouco"

— Isso é ótimo, não estava com vontade de fazer o dever agora mesmo, estou com dor de cabeça, o ar puro e um pouco de conversa fiada vai ajudar. — Disse enquanto amarrava a resposta na coruja que imediatamente saiu da sala por uma das janelas, guardando sua pena olhou para Terry. — Você vem?

— Claro, estou curioso para conhecer o Hagrid, ele parece um cara legal, e podemos fazer o dever depois. Mas é melhor irmos avisar a Hermione ou ela não vai entender nosso sumiço. — Disse sorrindo pela primeira vez desde a aula de poções. Era um recorde, pensou Harry, enquanto retomavam o caminho para a biblioteca, nunca vira Terry tanto tempo sem seu sorriso animado característico.

Eles chegaram a biblioteca, mas Hermione não estava à vista, como não queriam se sentar ou incomodar Madame Pince, eles recuaram e assim que voltaram para o corredor viram uma Hermione vindo rapidamente na direção deles, mais rápida e agitada que o normal e com expressão de choro.

— Ah, estou atrasada. — Disse com voz embargada. Seu cabelo estava uma bagunça eriçada, seu rosto pálido e seus olhos vermelhos das lagrimas, mas ela tentava ferozmente segurar o choro.

— Hermione, o que aconteceu? — Perguntou Terry dando um passo à frente, muitas vezes consolara sua irmãzinha quando esta chorava, assim conhecia o tom certo de falar. Harry não fazia ideia do que fazer com uma menina, muito menos uma chorando, ficou mais para traz, mas seu rosto também se fechou.

— Oh, foi... foi a aula de Poções — disse sua voz se embargando ainda mais, seus olhos se encheram de lagrimas, mas não caíram — Pro... Prof. Snape estava muito zangado, não sei porque, mas ele parecia possesso e ficou nos atacando na aula, apenas os Gryffindor e aqueles Slytherin horríveis ficaram rindo e... — Ela respirou fundo tentando se acalmar e agora também parecia com raiva. — E todos tivemos dificuldades, ele não explicou nada e ficou criticando cada coisa, mas foi muito pior com o Neville, pobre Neville, ele estava apavorado e o Professor Snape parecia ter prazer em atormentá-lo. Ele acabou errando toda a poção e derreteu o caldeirão e a... — Sua voz se embargou de novo e parecia que dessa vez ela não seguraria o choro, mas Terry se adiantou e segurou seus braços falando suavemente.

— Está tudo bem, respire fundo, isso, assim mesmo, respira de novo, mais uma vez, muito bem. Agora continue, mais devagar, não tenha pressa, nos conte o que aconteceu com o Neville. — Disse Terry e incrivelmente, observou Harry, funcionou, Hermione se acalmou e suas lagrimas recuaram, ela fechou os olhos e pareceu se centrar.

— A poção espirrou nele e o encheu de furúnculos, foi horrível, ele estava com muita dor, e o Prof. Snape apenas continuou xingando ele e tirou um monte de pontos e só então mandou o Seamus o levar para ala hospitalar. Pobre Neville, ele estava chorando e aquele Malfoy e seus amigos ficaram rindo e o chamaram de aborto e o professor não disse nada e quando tentei defende-lo, já estávamos no corredor, ele me chamou de algo ruim, não sei o significado, mas parecia ser algo errado de se dizer para alguém. — Terminou parecendo triste e confusa.

Harry sentiu o coração afundar, sabendo que era sua culpa o que acontecera, a raiva de Snape era por ele e fora descontada nos Gryffindor, principalmente em Neville. Era bem típico de um valentão, pensou, identificar o mais frágil e atormenta-lo. Terry assim como ele, estava com muita raiva, mas também ficara muito tenso com a informação final de Hermione.

— Do que ele te xingou Hermione? Qual palavra Malfoy usou para te ofender? — Terry perguntou com voz muito contida, Harry não entendeu bem porque ele estava mais preocupado com isso do que todo o resto.

— Sangue ruim — Disse Hermione e Harry entendeu então, não precisava ter ouvido antes o termo para saber que era como nascidos trouxas eram chamados pelos puros-sangues preconceituosos que defenderam Voldemort. Sentiu sua raiva aumentar, mas decidiu que devia primeiro cuidar do mais urgente.

— Vamos, vamos visitar o Neville, ver como ele está e depois conversamos. — Disse Harry começando a caminhar pelo corredor. Sentia-se muito culpado, por ter ficado tão preocupado com seus problemas que nem se preocupou em falar com o Neville nos últimos dias e, ainda mais culpado pelo que acontecera hoje. Olhando para traz viu que os dois estavam parados olhando para ele ao em vez de segui-lo, Harry rapidamente leu em seus rostos seus pensamentos e disse exasperado. — Eu sei, mas depois conversamos sobre o Malfoy e o que ele disse e, depois Hermione, fazemos os deveres de casa. Agora vamos visitar o Neville, já o ignoramos o suficiente essa semana e acho que ele deve estar precisando de alguns amigos agora.

Os rostos deles rapidamente caíram de culpa e depois assentiram e seguiram com ele pelo corredor. Pelos horários eles conseguiram as instruções para chegar na enfermaria. Ao entrarem pelas grandes portas abertas viram que Neville era o único ocupante, sentado em uma das camas, parecia sem furúnculos ou estar chorando, mas tinha os ombros e cabeça caída em desanimo.

— Oi Neville, — Disse Harry e viu o menino olhar para eles em completa surpresa, sentiu a culpa aumentar. — Hermione nos contou o que aconteceu e queríamos vir aqui, ver como você está.

— É Neville, o que aconteceu foi muito errado, você deveria denunciar para a sua chefe de casa. — Falou fortemente Terry, ele ainda estava com muita raiva e Neville sentiu isso, pois se encolheu e ruborizou, abaixando a cabeça e falando algo baixinho. Apenas Harry o entendeu, as palavras "Não quero arrumar confusão", mas também a postura, a vontade de não chamar a atenção para si, de ser invisível, de não provocar ainda mais raiva ou tormento ou críticas em sua direção. Ele engoliu em seco, nunca poderia voltar a ser como Neville, mas era obvio que o garoto de rosto redondo ainda não chegara no ponto de enfrentar seus valentões, assim, pensou, pressiona-lo não iria ajudar em nada.

— Isso não importa agora, falamos sobre isso depois. — Disse lançando um olhar de advertência na direção de Terry e Hermione — Você já está liberado ou tem que ficar mais aqui na enfermaria?

— Madame Pomfrey disse que posso ir, ela já me curou, mas disse que se quisesse ficar um pouco mais eu poderia. — Disse Neville timidamente, dando de ombros.

— Bem, isso é ótimo! — Disse Harry forçando a barra um pouco na animação. — Porque meu amigo Hagrid me convidou para visita-lo para um chá, na verdade ele deve estar me esperando agora, Terry e Hermione já concordaram em me acompanhar e depois faremos os deveres. Você quer vir também?

Hermione abriu a boca para falar, mas com um cutucão de Terry, ela a fechou audivelmente. A expressão de Neville se encheu de assombro e esperança e seus ombros até levantaram um pouquinho.

— Eu? — Perguntou ele.

— Claro que é você Nev, quem mais está por aqui ora. — Disse Terry do seu jeito animado e ele não estava se esforçando, entendera o que Harry estava fazendo e inteligente como era, já estava no plano.

Neville corou levemente, mas sorriu e desceu da cama e os quatro caminharam na direção da cabana do Hagrid. Ao ver os outros três caminhando mais animados pelos jardins ao sol da tarde, Harry também se sentiu, ligeiramente, mais leve da tensão e preocupação do que o futuro lhe reservava. Mas apenas ligeiramente.