Capitulo 7
Quando se aproximaram da cabana de madeira, Hermione e Neville ficaram um pouco para traz, hesitantes.
— Você acha que ele não vai se importar Harry? Quer dizer, ele não nos convidou. — Disse gesticulando para si mesma e Neville.
— Ei, Hagrid também não me convidou, ele só chamou o Harry. — Acrescentou Terry rapidamente.
— É claro que ele não vai se importar, Hagrid é muito legal e ele quer saber da minha semana de aulas e só bater papo. E acho que todos estamos precisando nos distrair um pouco. — Disse exasperado, bagunçando os cabelos. — Vamos lá! — Incentivou-os.
Quando Harry bateu à porta eles ouviram uma correria frenética e latidos ferozes. Neville, assustado, arregalou os olhos e deu dois passos para traz. Logo depois, a voz de Hagrid dizendo:
— Para trás, Canino. Atrás.
A cara barbuda de Hagrid apareceu na fresta quando a porta se abriu.
— Espere aí. Para trás, Canino.
Ele os fez entrar, lutando para segurar com firmeza a coleira de um enorme cão de caçar javalis.
Havia apenas um aposento na casa. Presuntos e faisões pendiam do teto, uma chaleira de cobre fervia ao fogão e a um canto havia uma cama maciça coberta com uma colcha de retalhos.
— Estejam à vontade — falou Hagrid, soltando Canino, que pulou imediatamente para cima de Terry e começou a lamber-lhe as orelhas. Seu amigo riu, animadamente, acariciando sua cabeça enorme. Como Hagrid, parecia óbvio que Canino não era tão feroz quanto se esperava.
— Estes são o Terry, — Harry disse a Hagrid, que fora despejar água fervendo num grande bule de chá e arrumar biscoitos num prato. — Hermione e Neville. Espero que não se importe de que os trouxe comigo.
— Olá todos, é claro que não me importo Harry, quanto mais melhor! — Exclamou Hagrid sorrindo e preparando chá em xicaras que pareciam tigelas de sopas. Os biscoitos quase quebraram os dentes deles, mas Neville molhou-os no chá e comeu sem dificuldades. Harry, Terry e Hermione seguirem seu exemplo e até que ficou bom.
Eles então contaram a Hagrid como tinham sido as primeiras aulas. Canino descansou a cabeça no colo de Harry e cobriu as vestes dele de baba.
Harry não falou da aula de Poções ou sobre Snape, mas contou sobre como gostara de Feitiços e do seu chefe de casa. Os outros contaram seus bons momentos, com Neville falando com carinho de Herbologia e Sprout, fato que surpreendeu Harry.
Eles também perguntaram sobre o trabalho de Hagrid e os animais da Floresta Proibida, Terry e Hermione eram os mais curiosos, adoravam aprender, mas mesmo Harry e Neville gostaram bastante, e mais importante, por 2 horas não pensaram no dia difícil que tiveram.
Enquanto ouvia uma explicação entusiasmada sobre os hipogrifos, Harry apanhou um pedaço de papel que estava na mesa sob o abafador de chá. Era uma notícia recortada do Profeta Diário.
O CASO GRINGOTES
Prosseguem as investigações sobre o arrombamento de Gringotes, ocorrido em 31 de julho, que se acredita ter sido trabalho de bruxos e bruxas das Trevas desconhecidos.
Os duendes de Gringotes insistiam hoje que nada foi roubado. O cofre aberto na realidade fora esvaziado mais cedo naquele dia.
"Mas não vamos dizer o que havia dentro, para que ninguém se meta, se tiver juízo", disse um porta-voz esta tarde.
— Hagrid! — Exclamou Harry. — Aquele arrombamento de Gringotes aconteceu no dia do meu aniversário! Talvez estivesse acontecendo enquanto a gente estava lá ou logo depois que saímos!
Hagrid imediatamente deixou de encara-lo, resmungou algo que ninguém entendeu e tentou dar mais biscoito e chá para todos, uma óbvia tentativa de distraí-los. Mas Harry o ignorou e releu a notícia, com Hermione e Terry debruçado sobre ele para ler também.
O cofre aberto na realidade fora esvaziado mais cedo naquele dia. Hagrid esvaziara o cofre setecentos e treze, se é que se podia chamar esvaziar alguém levar aquele pacotinho encalombado. Seria aquilo que os ladrões estavam procurando?
— Hagrid, eles não dizem em qual cofre foi a tentativa de roubo, mas que o cofre havia sido esvaziado mais cedo e você esvaziou o cofre 713. Lembro-me que você me disse que aquele pacote era importante, negócios de Hogwarts, que o Diretor te confiou. — Disse Harry com olhar intenso e brilhante.
— Eu não posso falar nada Harry. Como eu disse é negócio importante de Dumbledore e só diz respeito a ele e a Flamel. — Depois franziu a testa e pareceu arrependido. — Eu não devia ter dito isso, esqueçam esse assunto e se concentrem em suas aulas.
Harry e Terry trocaram um olhar, pensando a mesma coisa, corredor do terceiro andar.
Logo depois todos se encaminharam para o castelo. Neville parecia mais tranquilo e Hermione já estava no modo dever de casa, como ainda faltava uma hora até o jantar insistia que eles fossem para a biblioteca. Terry estava distraído, mas ela o cutucou até que ele concordasse. Harry não tinha outro lugar que queria estar e assim os acompanhou, nem um pouco interessado em deveres de casa e sim no mistério do pacotinho encalombado.
Assim que chegaram a biblioteca os quatro se sentaram em uma mesa, Neville parecia hesitante, mas os outros três insistiram que ele ficasse com eles. Harry se sentou ao seu lado e percebeu que o garoto escrevia muito bem com a pena, rápido, graciosamente e sem manchas. Tendo observado a insegurança de Neville, pensara que ele era nascido ou criado trouxa como Hermione e ele mesmo, mas seu trabalho de escrita mostrava que ele crescera no Mundo Bruxo, isso o confundiu, mas achou melhor não fazer perguntas e tornar o clima pesado, já que todos pareciam mais relaxado.
Harry tentou disfarçar, mas não conseguia relaxar, deu início ao seu dever de História, era um assunto absorvente e tentou tirar da mente as possíveis notícias que o Prof. Flitwick traria em breve, ou o mistério do corredor do terceiro andar. Mas quando foram todos para o jantar, ele muito pouco adiantara o seu dever. Terry, claro, sabia o motivo de sua tensão, mas os outros dois também perceberam que algo estava errado e isso só se tornou mais evidente quando entraram no Grande Salão e o zunzunzum parou com todos os encarando.
Neville ficou pálido e depois vermelho, acreditando que ele era o motivo de todos os olhares. Hermione ficou confusa e Terry fechou a cara, mas Harry ficou indiferente, tinha problemas maiores. Ele se aproximou de Neville e disse:
— Não se preocupe Neville, é para mim que eles estão olhando, fica tranquilo. Você com certeza vai ouvir o motivo, amanhã conversamos e eu explico melhor, para os dois. — Acrescentou, incluindo Hermione. Os dois assentiram e eles seguiram caminhos separados, Hermione preocupada e Neville aliviado que Harry estava certo, os olhares o acompanharam enquanto caminhava até a mesa da Ravenclaw e não pode deixar de admirar o garoto de óculos redondos que nem piscou com todas as encaradas e cochichos, apenas se sentou e começou a comer normalmente.
Terry conhecendo Harry melhor percebeu pelo pouco que este comeu no jantar que seu amigo não estava exatamente normal. Já percebera que quando estava tenso, Harry perdia o apetite, e para alguém pequeno e magro como ele, qualquer refeição perdida era muita. Pensando em uma solução, olhou em volta e discretamente pegou algumas frutas e dois sanduiches em seus bolsos. Não muito depois que a sobremesa apareceu em seus pratos, Harry comeu um pedaço pequeno de torta de caramelo e Terry um pouco de bolo de morango, eles se levantaram e começaram o caminho para a torre, chegaram cedo, não havia muitas pessoas na sala comunal.
Eles voltaram aos deveres, mas Harry não se concentrava, se perguntando se devia ir até o escritório do Prof. Flitwick. Sua casa, pelo menos não ficava encarando, alguns deram uma olhadinha, mas ao vê-lo fazer o dever respeitaram isso, estudar era muito importante para os Ravenclaw.
Finalmente as 20 horas, quando todos estavam já na torre, afinal acabara o jantar e a biblioteca se fechara, Flitwick entrou parecendo ainda muito sério. Ele foi até sua banqueta, subiu e foi quando todos na sala o viram e a sala que tinha apenas alguns pequenos murmúrios baixo, caiu em um silencio expectante.
— Sonorus — Disse Flitwick apontando sua varinha para a própria garganta. — Gostaria que os alunos que não estão na sala comunal, desçam até aqui, por favor. — A voz do professor soou muito mais alta, mas Harry percebeu que ninguém, além dos primeiros anos se surpreenderam, com o procedimento, o que o fez pensar que não era incomum o chefe da casa chama-los todos desta maneira para reuniões. Rapidamente alunos desceram dos dormitórios e a sala comunal se encheu mais, quando todos se acomodaram professor Flitwick apontou para a própria garganta e disse. — Quietus.
Houve um silencio, alguns olhares se dirigiram para Harry que estava sentado em uma das mesas de estudo, mas Flitwick não o olhou diretamente, falando com toda a sala, seriamente.
— Vocês devem ter ouvido, pois segredos não se mantem em Hogwarts, que algo aconteceu esta manhã durante a aula de Poções dos 1º anos. — Ouve alguns acenos de cabeça e professor Flitwick continuou. — Muitos de vocês e outros antes que já se formaram vieram a mim muitas vezes com reclamações sobre a maneira como as aulas de Poções são ministradas em nossa escola e, eu muitas vezes fui com suas queixas até o Diretor Dumbledore, tentei por diversas vezes que Prof. Snape fosse ao menos advertido ou colocado sob observação. Mas como muitas vezes eu tentei, foram o mesmo número de vezes que eu fracassei, e na maior parte, tanto as minhas quanto as reclamações dos chefes das casas Hufflepuf e Gryffindor, foram ignoradas.
"Aqui em Ravenclaw nos orgulhamos de não permitir as dificuldades nos limitar ou impedir de alcançar nossos objetivos. Rowena Ravenclaw tinha, não apenas seus aposentos aqui na torre, mas também seu próprio laboratório de poções. — Ao dizer isso apontou para a estatua, depois dirigiu-se ao garoto mais próximo — Sr. Wilson, por gentileza.
O garoto alto e magricela, talvez um sexto ano foi até a estatua e tocando-a com sua varinha disse.
— Spiritus Immensae. — A estátua fez uma pequena curvatura graciosa, para uma grande estatua de mármore, e se deslocou para o lado deixando uma passagem aberta, de onde estava Harry pode visualizar um corredor comprido, mas não conseguia ver até onde dava.
— Este é o caminho para o laboratório de poções da nossa casa, muitas vezes ao longo dos séculos ele foi usado para trabalhos de pesquisa ou experimentos. — Continuou Flitwick. — Mas nos últimos 10 anos ele também tem sido usado para aulas de reforço e preparação para as provas finais de conclusão de ano e OWLs e NEWTs. Quero que aqueles designados para dar as aulas de auxilio amanhã mostrem aos primeiros anos o laboratório e expliquem as regras, entendido?
Houve alguns "Sim professor", inclusive Harry observou, de Penny que estava muito séria e com uma postura regia. O professor em seguida sinalizou para Wilson que voltou a colocar sua varinha na estátua de mármore branco, dizendo:
— Secretum. — E a estátua voltou a se curvar delicadamente, se colocou em seu lugar e ficou imóvel.
— Muito bem, agora sobre os acontecimentos de hoje. — ele suspirou e pareceu hesitar por um instante, depois olhou para eles seriamente e continuou — Aqui em nossa casa e, eu pessoalmente, prezamos a verdade e o conhecimento, pois se não sabemos a verdade como podemos entender, analisar e chegar a uma conclusão ou opinião. Se não tivermos opiniões nos tornamos ignorantes alienados. Se nos tornarmos ignorantes como poderemos compreender porque as coisas são como são e lutar contra as injustiças?
Houve uma pausa e o ambiente da sala comunal se tornou ainda mais sério e tenso. Harry engoliu em seco, sentindo que este era um momento muito importante.
— Vocês, eu imagino, se perguntaram porque Severus Snape tem tanta liberdade em suas atitudes em Hogwarts. Minhas opiniões são minhas, por isso lhes direi apenas os fatos, acrescentando que são fatos que o Diretor Dumbledore não quer que sejam divulgados para os alunos e que infelizmente muitos dos adultos do nosso mundo se esforçam para esquecer.
"Essas informações não estarão em livros e foi devido a proibição de nosso diretor que nunca tive a liberdade de lhes informar. Mas agora as coisas mudaram, desde a noite da seleção nossa honrosa casa teve como um novo integrante alguém que, vocês sabem, tem uma grande importância em nosso mundo. Para alguns ele é um herói e para outros ele é aquele que destruiu seus objetivos de tornar o mundo magico ainda mais intolerante e "livre" de trouxas ou meias raças. "
Apesar de estar falando obviamente dele, Prof. Flitwick não o olhou diretamente e os outros alunos seguiram seu exemplo, Harry sentiu seu estomago afundar, não sabia o que aconteceria com ele agora. Será que o expulsariam por ter trazido problemas para a casa?
— Não se precisa ser um Ravenclaw para concluir que ao voltar ao Mundo Magico o jovem Sr. Potter atrairia muitos olhares e muitos deles muito hostis. Muitos seguidores ou defensores das políticas de você-sabe-quem estão livres em nossa sociedade e acredito, assim como nosso Diretor, que o Sr. Potter poderia ser alvo de violências, seja por palavras ou ações. Foi, segundo me informou o Diretor, o motivo pelo qual ele pessoalmente cuidou para que o Sr. Potter vivesse seguro no Mundo Trouxa com parentes trouxas. — A nova informação dada tão casualmente atingiu Harry como um soco no estomago, Dumbledore, fora ele que o colocara nos Dursley e cuidara de sua segurança, mas isso era mentira, ele nunca estivera seguro na casa de seus parentes e Dumbledore nunca cuidara dele "pessoalmente". Olhou para Terry ao seu lado que estava como os olhos arregalados e pálido, também entendendo que acabaram de receber de graça uma informação muito importante. Seu amigo sinalizou que depois conversariam e Harry assentiu, voltando a prestar atenção no professor que continuava falando.
— Como membro dessa sociedade, dessa escola e, principalmente, dessa casa, Sr. Potter receberá de mim toda a proteção que posso dispor, seja ela de minha varinha ou de meu conhecimento. E é por isso que, contrariando uma ordem direta do Diretor de Hogwarts vou informa-lhes sobre os fatos que levaram ao ataque sofrido pelo Sr. Potter hoje de manhã. Mas primeiro devo informar que essas são informações sensíveis que não devem servir de fofocas ou comentários levianos pelo castelo, vocês podem falar e analisar os fatos, mas espero comedimento e reponsabilidade, espero a atitude digna de um Ravenclaw, entendido? — Todos os alunos assentiram e alguns murmúrios de "Sim, professor" se espalhou pela sala.
"Devo também respeitar aqueles que por suas próprias razões não querem saber dessas informações e ir contra uma ordem dada a mim pelo Diretor Dumbledore. Assim aqueles que sentem dessa maneira, ninguém o julgara se quiserem se retirar. — Houve um silencio ainda maior e alguns se retesaram, a tensão aumentou na sala, mas ninguém se mexeu, passados alguns segundos Prof. Flitwick fez um gesto de concordância e continuou. — Muito bem, antes de continuar devo também respeitar o principal interessado nesta história toda. — E olhando diretamente para Harry pela primeira vez desde que entrara na sala falou. — Sr. Potter algumas dessas informações são pessoais sobre você e sua família, posso dar os fatos gerais sem implica-los e depois apenas para você informa-lo de tais fatos. Essa é sua decisão e todos aqui vão respeita-la. — Concluiu firmemente, não deixando abertura para discussão.
Harry engoliu em seco, seu coração batendo forte em seu peito, seu primeiro desejo era negar que a informação fosse contada a todos, estava cansado de perceber que havia um monte de pessoas que sabiam mais sobre ele e sua família, do que ele mesmo. Ao mesmo tempo ele precisava se acostumar a confiar nestas pessoas, se ele se fechasse e se escondesse, se permitisse que os fatos continuassem sendo mantidos dos alunos, estaria colaborando para a ignorância e sua casa, que sofrera com as aulas de Snape, não merecia isso. Além disso, pensou, enquanto se levantava e se adiantava mais a frente, se ele era um alvo, sua casa indiretamente também era e eles precisavam poder se defender e se não tivessem conhecimento estariam no escuro e vulneráveis. Respirando fundo ele encarou seu chefe de casa sabendo o que deveria dizer.
— Eu acredito, Professor Flitwick que toda a informação deve ser divulgada para nossa casa. Enquanto não gosto ou gostaria que fatos da minha família ou minha vida virassem fofocas ou algo assim, também não posso negar a todos o entendimento de porquê das ações que os prejudicaram ou podem prejudicar no futuro. E se, além disso, essas informações podem nos ajudar a nos manter em segurança, pois, infelizmente, sinto que ao me tornar um Ravenclaw coloquei indiretamente todos aqui em algum tipo de perigo, prefiro que todos estejamos preparados com o conhecimento e não ignorantes. — Harry disse tudo o mais calmamente possível, sua figura pequena e magra atraindo os olhares de todos, mas em nenhum momento ele hesitou ou mostrou insegurança. Ele não sabia, mas naquele momento ganhou muitos defensores e admiradores por si mesmo e não por ser o menino-que-sobreviveu.
— Muito bem. — Disse Flitwick, seu rosto se suavizou e ele olhou para Harry com uma espécie de orgulho, mas ele não tinha certeza. — E desde já digo, em meu nome e da casa Ravenclaw, que estamos muito felizes e orgulhosos em tê-lo como membro dessa casa e o agradecemos por sua coragem em permitir que todas essas informações sejam compartilhadas com todos. — Depois respirou fundo e olhou para toda a sala antes de continuar — Acredito que todos devem se acomodar para ouvir essa história confortavelmente, contarei tudo o que sei, mas infelizmente não sei tudo.
Houve um momento de barulho suave enquanto todos se acomodavam, Harry voltou a sua cadeira e encontrou o olhar de Terry, seu amigo parecia surpreso, mas também orgulhoso. Depois que todos se sentaram fez-se silencio e Flitwick retomou a palavra.
— Acho que a melhor maneira de começar essa história é dizer que Severus Snape foi um comensal da morte... — antes que ele pudesse continuar um suspiro coletivo foi ouvido, assim como muitas exclamações de "O que!? ", "Como!? ", o choque nas expressões era evidente e Harry tentou lembrar se já ouvira o termo, mas não conseguiu. — Eu sei, eu sei, isso é muito chocante, mas vocês precisam se manter calmos enquanto eu conto a vocês os fatos, terão muito tempo para conversarem depois. O termo que eu usei, comensal da morte, para aqueles que não sabem, era o nome dado ao grupo de seguidores de você-sabe-quem; membros da sociedade magica que acreditavam na pureza de sangue, que acreditavam em expurgar o nosso mundo dos "impuros", meias raças como eu, ou nascidos trouxas e eles tentaram fazer isso por muitos meios, principalmente, com a violência. A maioria de vocês conhece nossa história e como e porque estávamos em guerra, neste período sombrio Dumbledore era aquele em que mais confiávamos e em quem depositávamos nossas esperanças de nos vermos livres de aquele-que-não-deve-ser-nomeado.
"Foi durante esse período, segundo dito pelo Diretor, que Snape veio até ele e com grande risco para si mesmo se tornou um espião para o nosso lado e deu informações cruciais para ajudar nossa causa. Quando a guerra acabou alguns comensais da morte, tentando um acordo, revelaram o nome de outros comensais, dentre eles, o nome de Severus Snape. Diretor Dumbledore deu seu testemunho sob juramento contando sobre o seu trabalho como espião e por essa razão Snape não foi para a prisão. "
"Antecipando suas perguntas, não, eu não sei porque Snape se tornou espião e muito menos sei qual acordo Dumbledore tem com ele que torna necessário que Snape seja professor aqui em Hogwarts e tenha tanta liberdade para fazer o que bem entender em suas aulas. "
Professor Flitwick tinha uma expressão cansada e Harry não teve que pensar muito para perceber que ele deve ter questionado Dumbledore em muitas e muitas ocasiões do porquê Snape era professor na escola e mais, porque não era pressionado para ser um professor melhor e mais justo. Mas, Harry pensou, essas informações, por mais importantes e chocantes, não respondiam ou explicavam os acontecimentos da aula nesta manhã. Então ele tomou coragem e perguntou:
— Prof. Flitwick, senhor? — A voz tranquila de Harry soou alta no ambiente muito silencioso.
— Sim, Sr. Potter? — O rosto e tom de Flitwick era gentil e encorajador.
— Eu não entendo, senhor. Se... — Ele hesitou em chama-lo de professor, não conseguia pensar nele assim. — Se Snape mudou de lado durante a guerra para o nosso lado, quando Voldemort... — Os gritos e estremecimentos teriam sido cômicos se o assunto não fosse tão sério e o clima tão tenso. Harry rangeu os dentes por causa da reação absurda, mas ele não queria perder o ponto da discussão então reformulou a pergunta com a voz mais alta e firme. — Quando o assassino dos meus pais desapareceu e a guerra acabou, ele deveria estar contente. Então senhor, eu não entendo porque ele me tratou como se me odiasse, na verdade, eu vi muito claramente em seu olhar que ele me odeia. Senhor. — Concluiu Harry, e todos se viraram para o professor em busca de uma resposta.
— Essa é uma boa consideração Harry e a resposta para isso é bem complicada, acredito que o ódio de Snape não seja diretamente para sua pessoa e sim para seu pai, James Potter.
E isso era a última coisa que qualquer um ali esperava ouvir, mas o mais surpreso era o próprio Harry, cada pequena informação que recebia de seus pais para ele era um presente, mas nem por um segundo teria associado o tratamento sofrido durante a aula de Poções a eles. Antes de poder questionar qualquer coisa Flitwick continuou.
— James Potter era o que se poderia dizer uma estrela, absolutamente brilhante, talentoso, feliz e alegre. — Flitwick sorriu com a lembrança. — Mas também era um brincalhão e um pouco irresponsável, alguns o descreveriam como um valentão, mas a verdade é que as hostilidades entre as casas eram mutuas. Os Gryffindors atacavam os Slytherins com palavras, feitiços e brincadeiras pela escola e os Slytherins devolviam na mesma moeda, as vezes até com mais crueldade, devo dizer. — Assim como Terry, o professor tinha um dom para contar histórias, todos se prendiam a suas palavras, Harry era o mais atento — James e Severus estavam no mesmo ano e um era alvo do outro constantemente. Quando eles ficaram mais velhos ficou ainda pior, conforme a guerra ficava mais violenta lá fora, aqui dentro a situação também ficou muito mais difícil de controlar. As perseguições aos nascidos trouxas pelos alunos da Slytherin se tornaram mais cruéis e violentas e James Potter e seu grupo de amigos deixaram de ser brincalhões para se tornarem defensores de seus colegas.
"Enquanto isso Severus Snape e Lily Evans, que eram amigos antes de chegarem a Hogwarts, classificados em casas diferentes, Slytherin e Gryffindor, tentavam manter a amizade mesmo diante de todas as hostilidades. — Flitwick suspirou e balançou a cabeça negativamente, mostrando como lamentava os acontecimentos. — Desde sempre uma amizade entre alunos dessas casas foi quase impossível, durante aquele período era impossível, afinal estávamos em meio a uma guerra de sangue que tornava Lily um alvo para a casa Slytherin. E claro a amizade entre Lily e Snape que eles lutaram tanto para manter nos primeiros anos, se desintegrou quanto mais Snape se misturava com seus colegas puros-sangues que estavam muito ansiosos de se juntarem a você-sabe-quem ao se formarem. "
" Depois que todos eles se formaram não tiveram mais contato pelo que sei e não tinham como saber que Snape se juntara aos comensais da morte ou que depois se tornou um espião para o nosso lado. Mas até hoje se Severus Snape fala algo sobre James Potter é carregado de aversão e com a ideia distorcida por seu ódio de que James era apenas um valentão arrogante e mimado, o que posso lhes garantir, ele não foi. "
Harry não sabia o que pensar, ele acreditava em seu chefe de casa, mas doía-lhe pensar que seu pai possa ter sido uma espécie de valentão. Ao mesmo tempo a atitude de Snape contra ele não era diferente do tratamento que sofria de seus parentes. Sua tia odiava e invejava sua mãe, e seu tio temia a magia, e agora Snape por causa de brigas com seu pai durante suas adolescências, também se sentia no direito de ataca-lo. Harry engoliu a raiva, ele nem ao menos conhecera seus pais, eles foram tirados dele e talvez eles não tenham sido perfeitos, mas tudo que já ouvira deles é que eram boas pessoas. Se não aceitaria mais ser atacado, com certeza não aceitaria que ninguém atacasse as memorias de seus pais.
— O que aconteceu professor, quando o senhor levou a memória do Terry até o Diretor? — perguntou Harry percebendo que se nada fosse mudado teria que conviver com aquele homem ofendendo seu pai por sete anos.
— Aconteceu Sr. Potter o que deve ter sido a nossa maior vitória e nossa maior derrota dos últimos anos. — Disse ele parecendo ainda mais cansado. — Para aqueles que não sabem em detalhes o que aconteceu vou lhes explicar que Prof. Snape hoje durante a aula de Poções dos 1º anos achou que estava tudo bem em atacar o Sr. Potter, primeiro com perguntas absurdas, tão difíceis que ouso dizer que apenas os alunos do 5º ano em diante saberiam as respostas. Zombou dele e tirou pontos por seu desconhecimento, e depois de uma aula ministrada terrivelmente, que eu acredito todos sabem como é, culpou o Sr. Potter pelo erro cometido por colegas Hufflepuffs em sua poção tirando lhe mais pontos. E terminou acusando o Sr. Potter de jogo sujo, que ele não ajudara o Sr. Boot a preparar a poção pedida em aula e lhe deu um zero por isso.
Todos na sala ficaram chocados, eles souberam que Snape fora duro com Potter, mas acostumados com o tratamento injusto e as péssimas aulas, pensaram que talvez tenha sido apenas Potter que sendo quem era não aceitara o tratamento e reagira, alguns até chegaram a pensar que Potter exagerara, mas ouvindo o relato do que acontecera, perceberam que na verdade Snape, levado por seu ódio a James Potter, é que passara dos limites.
— Sr. Potter, inteligentemente, reagiu com muita educação e contestou sua nota e punições, foi quando Snape perdeu o controle de seu temperamento, ofendeu o Sr. Potter e seu pai de maneira muito baixa e mesquinha. Sr. Potter então exigiu vir até mim por ajuda, Snape concordou e quando me encontraram na sala dos professores, Snape exigiu que punisse não apenas Sr. Potter, mas todos os Ravenclaws 1º anos que tinham lhe acompanhado em apoio e como testemunhas. Depois de ouvi-los, — Flitwick fez um gesto na direção dos 1º anos. — Snape os chamou a todos de mentirosos, percebi então que as coisas só se resolveriam diante do Diretor.
"Copiei a memória do Sr. Boot e Snape e eu nos apresentamos com nosso caso diante do Diretor Dumbledore e eu insisti que assistíssemos a memória. Não preciso dizer que até eu fiquei chocado, não apenas com os ataques sofridos pelo Sr. Potter, mas também pela péssima qualidade da aula ministrada. O Diretor Dumbledore, obviamente, ficou muito zangado, e eu exigi claro que Snape fosse demitido, mas Dumbledore recuou prontamente, dizendo que Snape não seria demitido por ter um dia ruim. " — O tom de Flitwiwk neste ponto foi de zombaria, e deixava muito claro sua opinião sobre essa decisão.
"Resumindo, o que acreditem foi uma discussão longa e difícil, e depois de chegar bem próximo de cumprir minha ameaça de apresentar a memória ao Conselho de Governadores, ao Departamento de Educação do Ministério e a imprensa, consegui que Dumbledore pelo menos consentisse em um sistema de controle para as ações de Snape durante as aulas. Eu sei que nossa maior vitória seria se ele fosse demitido, mas pensemos no dia de hoje como uma batalha vencida e que a guerra ainda não acabou"
Houve um silencio decepcionante, até que Penny levantou a mão e hesitantemente perguntou:
— Prof. Flitwick, o que em termos práticos significa esse controle sobre o Prof. Snape, senhor?
— Ah, agora essa é uma muito boa pergunta, Sta. Clearwater e, saibam vocês que eu pressionei para ser um controle bem rígido. Isso não vai fazer Snape de repente um bom professor, não esperem isso, infelizmente, a verdade é que para ser bom em qualquer coisa depende de nossa boa vontade e disposição, além de talento e estou seguro em afirmar, depois de ver essa memória, que Severus Snape não tem nenhum, nem outro. Mas ao menos os protegerá tanto de ataques, como os sofridos pelo Sr. Potter, quanto de notas injustas.
Esse último comentário provocou alguns sorrisos e contidas exclamações de alegria. Harry não pode deixar de considerar quantas notas e avaliações injustas eles receberam ao longo dos anos.
— Sim, eu sei, isso é sem dúvida um avanço, eu vou explicar as mudanças, mas na verdade o Diretor vai anunciar para toda a escola amanhã durante o jantar. Bem, em primeiro lugar suas poções não mais serão avaliadas por Snape, nem ao fim das aulas e muito menos nas provas finais. As OWLs e NEWTs de poções já são ministradas e avaliadas por membros do Departamento de Educação, a partir de agora as provas finais de cada um dos outros anos também será. Quanto as poções nas aulas, vocês terão seus caldeirões encantados, eu mesmo e Prof.ª Babbling, de Runas Antigas, encantaremos os caldeirões de todos os alunos desta escola, e conectaremos seus caldeirões a uma ficha. Assim ao fim de cada aula vocês usarão um feitiço simples e o encantamento avaliara a nota que suas poções merecem. As notas aparecerão na ficha de vocês, em uma ficha em mãos do Prof. Snape e uma ficha para cada chefe de casa. Assim não poderá haver fraude, seja de um aluno ou de Snape.
Um silencio chocado se seguiu a essa novidade e depois gritos de animação ecoaram, parecia que havia uma festa, ou que alguém marcara um gol no futebol. Harry nunca vira tantas pessoas comemorando juntas, pulando, gritando e se abraçando. Alguns vieram até ele, dando tapinhas em suas costas, apertando sua mão e agradecendo-o. Harry que temera em algum momento hoje que poderia acabar sendo expulso da casa, só pode sorrir aliviado.
Um tempo se passou e Flitwick não interrompeu a comemoração, mas aos poucos todos se aquietaram percebendo que o professor ainda estava presente e tinha mais o que falar.
— Eu sei, como eu disse, vencemos a batalha. — Ele sorria e seu rosto animado retornara o que, claro, fez todos se sentirem melhor, não estavam acostumados em vê-lo tão sério. — Bem deixe-me terminar para que vocês possam continuar comemorando com mais algumas boas notícias acrescentadas a essa. As questões de pontuação e punições são mais difíceis e delicadas e na verdade o sistema a muito tempo está precisando de revisão. Portanto, nenhuma decisão foi tomada ainda, amanhã teremos uma reunião de todos os professores com o Diretor, o que aconteceu hoje será explicado e espero chegaremos a uma solução quanto a justiça de tomada de pontos.
"E sobre o que aconteceu hoje pela manhã com o Sr. Potter, consegui que Snape fizesse um juramento, não é um juramento por sua magia, mas foi um juramento de igual poder magico onde ele se compromete a não mais atacar o Sr. Potter por meio de palavras, ações ou magia. Isso quer dizer que ele poderá, Sr. Potter, lhe dirigir a palavra ou fazer movimentos em sua direção para salvá-lo por exemplo, mas não com intensão de o prejudicar, ofende-lo ou calunia-lo. "
Harry assentiu agradecido, mas logo percebeu duas questões que tornavam esse juramento um pouco falho.
— Obrigada Prof. Flitwick. — E todos poderiam perceber a sinceridade de seus agradecimentos, e para Harry aquilo significava mais do que qualquer um ali poderia saber, nunca desde a morte de seus pais alguém lhe defendera, e muito menos fora tão longe para protege-lo. Nem mesmo Harry entendia, completamente, como todos esses acontecimentos o mudariam. — Mas senhor, eu tenho algumas dúvidas. Gostaria de saber se neste juramento está incluído o Prof. Snape ofender meu pai, senhor, e também meus amigos, ou até mesmo qualquer aluno de Hogwarts?
Suas perguntas levaram outros a olharem para ele com mais atenção, muitos ainda não tinham olhado Harry além da superfície e de "fatos" que todos "sabem" sobre o menino-que-viveu. Mas agora alguns começaram a se perguntar se talvez ele tivesse mais a se conhecer do que supuseram.
— Essas são boas perguntas Sr. Potter, e sobre seu pai, ofende-lo na sua presença seria um ataque a você, portanto, Snape não o fará, claro isso não o impede de continuar falando mal de James Potter para si mesmo ou na presença de outros. Quanto aos outros alunos de Hogwarts ou seus amigos em especial, não, eles não estão incluídos no juramente, mas o Diretor e eu mesmo deixamos bem claro que ele estará em constante observação, se voltar ou tentar burlar seu juramento e mais importante se começar a atacar outros alunos de maneira tão covarde e mesquinha, cumprirei minhas ameaças e exigirei sua demissão.
Harry hesitou em falar sobre o que ocorrera naquela tarde com os Gryffindors, sabia que Neville poderia ficar chateado com sua interferência. Além disso, poderia contar tudo amanhã a ele e Hermione e se sentissem dispostos poderiam ir até a Prof.ª McGonnagall e contar sobre a aula horrível.
Logo depois Prof. Flitwick se despediu prometendo mais notícias amanhã. A sala voltou a falar, ninguém estava interessado em fazer deveres de casa e sim em analisar profundamente as novas informações. Harry recebeu mais alguns cumprimentos e agradecimentos, mas logo se sentiu cansado e sobrecarregado e decidiu subir para seu quarto.
Junto com o alivio de não estar em problemas com seus colegas Ravenclaws e que não seria mais atacado nas aulas de poções e suas notas seriam justas, veio uma grande fome. Com o dia tenso comera muito pouco e agora seu estomago roncava reclamando, audivelmente, mas ele já dormira muitas vezes assim, não era novidade. Já estava na porta do quarto quando Terry o chamou para a sala de convívio, ele pensou que talvez seu amigo queria conversar, e ele pretendia dizer que estava muito cansado, mas ao se sentarem nos sofás, Terry retirou dois sanduiches do bolso e mais algumas frutas. Silenciosamente, sem uma palavra lhe entregou um dos sanduiches e as frutas. Surpreso, Harry sorriu em agradecimento, e os dois comeram sem nada falar, Terry sentindo que fora um bom dia e Harry sentindo-se quente e comovido como nunca estivera.
Na manhã seguinte Harry como sempre acordou cedo e decidiu adiantar seus deveres de casa, já que ontem foi impossível se concentrar. Acomodando-se na sala comunal, releu e terminou o dever de História e depois iniciou o de Defesa, apesar das péssimas aulas o assunto era muito interessante e Harry ficou absorvido no texto. Muitos alunos se acomodaram por perto, mas ninguém o interrompeu e o silencio tornou-se ainda mais propicio para Harry entender os capítulos e escrever seu resumo. Apenas no capítulo 4 em diante havia exemplos de feitiços simples, que tinham como objetivos a distração, além de dados de criaturas e animais e como combate-las. O texto dizia que essas criaturas eram as menos perigosas na fauna magica, mas também as mais comuns, assim estavam entre os conhecimentos mais importantes para um 1º dominar.
Interessado nos feitiços Harry, em um pergaminho diferente, rapidamente, copiou a lista ensinada no livro e o que cada um fazia. Decidiu mais tarde chamar Terry e talvez Hermione e Neville para treinar, afinal pensou, se eles não começassem a aprender por conta própria, terminariam o ano sem saber nada. Em sua lista tinha:
Locomotor Mortis: Cola as pernas do oponente umas às outras por alguns minutos.
Locomotor Wibby: Faz com que o oponente fique com as pernas bambas.
Mimble Wimble: Ao ser atingido por esse feitiço o adversário fica temporariamente com a língua presa.
Pericullum: Lança centelhas vermelhas para o céu.
Rictusempra: Faz com que a vítima tenha um ataque de cócegas.
Silêncio: Faz o alvo ficar em silêncio.
Steleus: Faz a vítima espirrar durante alguns segundos.
Tarantallegra: Faz o oponente dançar sem parar.
Travalíngua: cola a língua da vítima no céu da boca.
Trip: Faz o alvo tropeçar.
Harry decorou os movimentos de varinha repetindo-os apenas duas vezes cada um e satisfeito deixou de lado para treinar com seus amigos depois. Estava pensando em subir acordar Terry para o café, seu estomago estava protestando, quando seu amigo desceu sonolento. Eles acabaram dormindo tarde ontem com tudo o que acontecera e Terry era o menos acostumado dos dois a acordar cedo pela manhã.
— Bom dia, acordou cedo hoje também? Eu tirei minha varinha do despertador, coloquei para despertar só as 8, achei que dava tempo de tomar o café antes das aulas de orientação as 9. — Disse ele abrindo a boca em um enorme bocejo, seu cabelo como sempre estava perfeitamente penteado e ele usava roupas trouxas muito boas. Harry optara por suas vestes escolares, pois tinha apenas as roupas velhas e largas de seu primo, além disso, pensou, hoje também teria aulas, então fazia sentido.
Os meninos caminharam para o Grande Salão e Harry contou que preferira acordar cedo, pois ontem não conseguira fazer quase nada de seus trabalhos de casa. Acrescentou contando sobre os planos para treinar em sua primeira aula independente de Defesa, Terry pareceu surpreso, mas percebeu que não deveria. Do pouco que conhecera do Harry estava claro que o menino era muito determinado e não ficaria de braços cruzados, principalmente, agora que estava em suas próprias mãos aprender.
Eles tomaram um grande café da manhã, com Harry até repetindo seus ovos e comendo uma torrada extra. Na metade da refeição as corujas chegaram com o correio, Harry agora já se acostumara com isso, mas fora surpreendente na primeira manhã quando centenas de corujas entraram de repente no Salão Principal durante o café da manhã, circulando as mesas até verem seus donos e deixarem cair as cartas e pacotes no colo deles.
Harry nunca recebeu nada, com exceção do bilhete de Hagrid no dia anterior e claro a carta de Hogwarts. Mas nesta manhã ao observar as corujas viu a sua, distintamente branca, voado com um pacote em sua direção. Ao seu lado vinha uma bonita e grande coruja, a maior que ele já vira, era escura, com penas que variavam do cinza, para o cinza escuro e até preto. As duas pousaram na mesa diante dele e Terry, e incrivelmente apesar de seu tamanho a linda coruja não fez nenhuma bagunça, pousando delicadamente.
— Edwiges! — Exclamou feliz, tinha se esquecido que ela estava viajando até a casa de Terry.
— King! — Terry também sorria feliz, começou a falar e acariciar sua enorme coruja que piou feliz com a atenção e depois estendeu a perna com um pacote idêntico ao que Edwiges trouxera para o Harry.
— Olá garota, senti sua falta, fez uma boa viagem? Cuidaram bem de você por lá? — Ele sussurrou acariciando suas penas, ela piou afirmativamente e beliscou carinhosamente sua mão, depois estendeu sua perna com um pacote. — Isso é para mim? Tem certeza? — Perguntou surpreso, depois olhou para o amigo que também recebera um idêntico. Edwiges piou afirmativamente, levemente ofendida por duvidar dela e estendeu a perna outra vez, Harry pegou o pacote hesitante, engoliu em seco, quase parecia um presente, nunca recebera um presente.
— Harry, este é King, ele é uma coruja real, por isso é tão grande e tem esse nome, além da homenagem a Luther King, claro. King este é meu amigo Harry Potter. — Apresentou Terry, obviamente, como Harry, respeitava e conversava com sua coruja como se ela o entendesse.
Harry olhou para a enorme e bonita coruja com respeito, seu olhar laranja o encarou com atenção e depois de alguns segundos Edwiges piou e altivamente saltou no ombro de Harry como pronto para defende-lo.
— Está tudo bem garota. — Disse suavemente estendendo a mão para acaricia-la e acalma-la, sem desviar o olhar de King por um segundo. Ele sentia que esse era um momento importante assim, apenas encarou a coruja macho. Depois de mais alguns segundos, talvez um minuto, King deu passo à frente de Harry e formalmente curvou a cabeça escura. Aliviado Harry sorriu para ele e curvou sua cabeça também.
— Olá King, como vai? Obrigada por acompanhar Edwiges durante a viagem de volta, eu estava preocupado com ela. — Edwiges piou parecendo ofendida, mas Harry imediatamente sorriu para ela. — Não se ofenda garota, você é muito esperta, mas foi a primeira vez que estava longe de mim e fiquei preocupado. Bobo de mim, eu sei.
King e Edwiges estufaram o peito mostrando apreciação pelos agradecimentos e elogios e seus donos trocaram um olhar divertido por seus animais vaidosos. Logo depois ofereceram-lhes bacon e suco e deixaram que fosse descansar no corujal, com Terry dizendo a King que enviaria uma resposta a seus pais no dia seguinte, assim ele teria tempo de descansar e caçar um pouco na Floresta Proibida, comentário que pareceu animar muito a coruja macho com olhos de predador.
Depois que as corujas saíram Terry abriu um bilhete preso a sua caixa, leu e disse ao Harry.
— Mamãe disse para abrirmos nossas caixas em nossos dormitórios e não no Salão Principal. — Terry disse seriamente. Harry concordou, olhando hesitante e ansioso para a caixa enquanto terminava seu prato.
Quando terminaram, começaram a sair do grande salão, mas foram abordados por Hermione antes da porta.
— O que aconteceu ontem na aula de Poções? E porque vocês não me contaram que tinham tido problemas com o Prof. Snape também? Eu contei a vocês sobre a minha aula. — Apesar de não falar alto o tom incisivo e indignado era bem claro. Suspirando Harry olhou para Terry e viu que seu amigo estava bem perto de perder a paciência, olhando para o relógio percebeu que não teriam tempo para uma longa conversar.
— Hermione, eu tomei a decisão de não falar nada porque naquele momento senti que ajudar o Neville era mais importante. E como eu disse ontem, todos nós precisávamos de uma folga. De qualquer forma, antes do jantar eu me lembro muito bem que eu disse que explicaria o que aconteceu para você e o Neville, e eu pretendo fazer isso. Mas será quando eu puder e mais importante quando e se eu quiser, não quando você acha que tem que saber apenas por saber. — Harry falou baixo e calmo, mas o tom e o olhar firme deixaram claro sua irritação. Depois suspirando, amenizou seu tom e suavemente acrescentou. — Espero que você respeite isso e que cada um tem seu momento Hermione e que nem sempre vamos acompanhar o seu. De qualquer forma, — disse olhando para o relógio e ignorando seu olhar arregalado. — Terry e eu agora temos um compromisso em nossa casa e não vamos ter tempo, mas assim que acabar o almoço podemos nos reunir e eu peço que você traga o Neville também. É importante.
Depois, antes que ela pudesse superar a surpresa e encontrar uma resposta saiu andando na direção das escadas, Terry demorou um segundo, mas logo o alcançou.
— Uau! Uau! — Soltou uma risada. — Você é todo quieto, mas quando resolve falar, cara, eu estou impressionado. Primeiro deixou Draco Malfoy mudo, até agora ele está tentando encontrar uma resposta, acredite em mim. Depois você consegue calar magicamente, literalmente, o pior Professor que essa escola tem. E agora conseguiu deixar Hermione sem palavras também. E nós estamos em Hogwarts a 3 dias! — Terry parecia impressionado e Harry não acostumado a elogios não sabia o que dizer, assim apenas perguntou algo que vinha incomodando no fundo da mente.
— É a segunda vez que você menciona a questão com Malfoy, fiquei feliz de cala-lo quando estava dizendo todas aquelas bobagens, mas parece maior do que apenas uma simples resposta ao seu cumprimento. — Comentou Harry curioso.
— Ah, suponho que com tudo que tem acontecido, mais as aulas, não tive tempo de explicar que o que você fez naquele dia com Malfoy foi muito maior do que você poderia saber ou imaginar. Bem, essa não é uma conversa rápida, nem para se ter nos corredores, mas prometo que falaremos ainda hoje, até porque tenho certeza que Malfoy não vai demorar para encontrar uma resposta e você deve estar preparado. Assim como diria Flitwick, para se estar preparado você precisa saber os fatos, meu amigo.
Os dois sorriram divertidos um para o outro, ainda estavam aliviados e felizes com essa vitória. Harry, mais que tudo estava contente que não teria que ouvir ninguém falar mal de seus pais, aguentara o suficiente disso de seus parentes.
Os garotos chegaram a torre e bateram a aldrava, o bico suavemente perguntou:
— O que se quebra quando se diz o nome dele?
— Hum... essa é difícil, — disse Terry, depois olhou para o Harry que parecia pensativo. — Você sabe?
— Acho que sim, quer dizer, quebra quando se diz o nome dele? Acho que deve ser o silencio?
— Muito bem fundamentado. — Disse o bico de águia e a porta se abriu.
— Boa Harry! — Os dois entraram na sala comunal e tiveram apenas tempo de levar suas caixas para seus quartos, pegar suas mochilas e descer antes de um grupo variado de alunos do 5º, 6º e 7º anos aparecerem para ajuda-los com suas dúvidas.
Um garoto alto de óculos e cabelos escuros anunciou que ajudaria quem tivesse tendo problemas com Transfiguração, Harry imediatamente foi para o seu lado. Um grupo de alunos o seguiu e eles se sentaram em uma mesa, todos os primeiros anos, além de Lisa estava na mesa, ela fora a única além de Hermione até agora que conseguira transformar seu fósforo em uma agulha. Havia também dois 2º anos, um 3º ano e mais dois 4º anos. O garoto rapidamente se apresentou e começou a ouvir cada um em suas dúvidas.
Quando chegou a vez dos 1º anos que tinham basicamente os mesmos problemas, Eric Gurñner, o 7º ano deu uma explicação bem esclarecedora.
— O que vocês precisam se lembrar é que com movimentos ou palavras diferentes o que mais importa ao realizaram um feitiço é o seu desejo ou intenção. O professor Flitwick falou sobre o poder magico e que alguns feitiços vocês não poderão fazer porque são muito jovens, alguns desses feitços só serão capazes de fazer quando forem adultos. Mas muitos feitiços exigem uma mente forte tanto quanto poder magico e isso em Transfiguração é mais verdade do que em qualquer outra área. Uma coisa é você fazer um objeto flutuar, tem suas dificuldades, claro, mas outra é você transformar esse objeto em outro diferente. Se você tem objetos semelhantes ou o mesmo material fica mais fácil, pois sua mente aceita melhor a metamorfose, mas quando há uma mudança brusca de objeto ou material fica mais difícil de sua mente acreditar que você pode transformar madeira em metal. É por isso que esse é o primeiro exercício, superada essa barreira, vocês verão que nunca mais será tão difícil. Claro, magia é treino, incluindo treino mental, lembrar a teoria, ler materiais extras e repetir o exercício ajuda. É por isso que aqui na Ravenclaw apoiamos o uso continuo de magia, pois assim torna-se uma segunda natureza.
Depois desse discurso Harry entendeu o que estava fazendo de errado, estava desconsiderando sua própria descrença em magia, na existência de magia, no fato de que ele, Harry, poderia realizar magia e na impossibilidade absurda, pelo menos até um mês atrás, de transformar madeira em metal.
Com esse pensamento, ele se afastou enquanto Michael começava uma nova rodada de perguntas. Sentando-se em uma mesa pegou alguns fósforos e posicionou na mesa, considerando tudo o que aprendera, talvez ele poderia realizar o feitiço agora. Era sua intenção, pensou, seu desejo, e a verdade é que mais do que nunca ele queria que sua magia, seu presente de seus pais para ele, o ajudasse, não apenas com aquele feitiço, mas com todas as outras magias que ele necessitaria aprender para se tornar um grande bruxo. Ele sentiu algo se agitar dentro de si mesmo, a vontade, o desejo e algo mais, algo quente que sempre estivera lá e agora ele sabia, era sua magia. Olhando em volta, pois não queria plateia, ele rapidamente apontou sua varinha para os fosforo e disse baixinho:
— Tractus Quod. — Disse baixinho desejando, mais que tudo, que a madeira fosse metal, que o fosforo se transfigurasse em uma agulha. E lá estava, aliviado, pegou a agulha, com ponta afiada, na cor certa e de consistência certa. Ele conseguira.
Lembrando-se das palavras de Eric sobre a repetição, Harry passou os próximos minutos fazendo o feitiço de novo e de novo e nem uma vez ele deixou de conseguir o resultado esperado. A satisfação que sentiu foi sem igual, nunca pensara que ser bom em algo, que se esforçar e alcançar um objetivo pudesse trazer esse tipo de sentimento.
Considerou que na verdade sempre fazia as coisas para seus parentes, tia Petúnia exigia tudo feito perfeitamente e Harry se esforçava para cozinhar bem, e ter o jardim bem feito, a casa bem limpa, mas nunca encontra satisfação ao conseguir fazer um bom trabalho por causa da desaprovação constante, as críticas e punições injustas. Agora estava fazendo algo para si mesmo e não pretendia deixar nada limita-lo, nem a própria mente.
Logo depois Terry se juntou a ele e concentrado começou a fazer sua transfiguração, para ele o problema era transfigurar tudo ao mesmo tempo. Em aula Terry conseguira a ponta afiada, ou a cor ou a madeira em metal, mas nenhuma vez conseguira fazer tudo de uma vez. Agora com a ajuda de Eric sentia-se mais confiante, assim focou em sua magia, e no que queria que ela fizesse, demorou algumas vezes, mas finalmente ele conseguiu a transfiguração completa. Sorrindo observou seu amigo que também parecia muito feliz.
— Conseguimos Harry! — Exclamou Terry animado.
Logo depois Penny se aproximou dos dois e perguntou a Harry como estava indo o treinamento com a pena. Terry pareceu surpreso, não sabia que o amigo estava tendo problemas de escrever com a pena, depois lembrando-se de como ele tivera dificuldades de se adaptar, principalmente depois de usar canetas e lápis trouxas, sentiu se tolo. É claro que Harry teria dificuldades, ele nem sabia que era um bruxo até um mês atrás.
Harry corou um pouco e depois mostrou a Penny como ele estava treinando, sua escrita melhorou, mas ainda era lenta e muitas vezes borradas nas bordas.
— Isso é normal Harry, quando comecei a escrever eu tinha uma letra decente, mas era lenta e borrada. Quanto a qualidade de sua letra, se estiver legível já é uma grande vitória, não tem que ser perfeita, mas mesmo essa qualidade e a lentidão o que vai resolver é treino. Em alguns meses você estará totalmente adaptado a pena e superará esses dois fatores. Quanto as manchas, acidentes acontecem e você já sabe o feitiço para tira-las, mas para as bordas das letras borradas, minha orientação foi algo que minha avó bruxa me ensinou. — Penny sorriu e pegou pena e a tinta e delicadamente mergulhou a ponta da pena no tubo de tinta. — Mergulhe apenas a pontinha da ponta da pena, você só usa essa ponta para escrever, se você fizer um mergulho mais profundo e molhar toda a ponta, o que ocorrerá é que essa tinta escorrerá, as vezes mais rápido do que você é capaz de escrever e usa-la, isso é o que causa as letras borradas.
Harry observou enquanto Penny escrevia tão devagar quanto ele, mas as letras eram bem bonitas e não estavam borradas. Depois que ela terminou, lhe estendeu o pergaminho com um sorriso. Harry virou e leu:
Obrigada por nos livrar do Snape,
Penny
— Obrigada por sua ajuda Penny. — Disse Harry também sorrindo.
— Não Harry, obrigada você! Te ajudar é uma honra. — Disse com um olhar sincero. — Ah, e sobre a questão que você colocou sobre pesquisar nos livros da biblioteca, como são muitas opções e o tempo que se perde. Existe um pequeno truque, você sabe que nas lombadas dos livros os seus escritores colocam os livros que eles usaram como referência de pesquisa. Assim se você quer encontrar alguns bons livros para leitura ou pesquisa extra, ou de um assunto especifico, olhar as indicações na última página vai ajudá-lo.
Depois se levantou e falando em tom mais alto disse.
— Primeiros anos? Por favor se aproximem, vou acompanha-los para que conheçam nosso laboratório de Poções.
Todos os 1º anos se levantaram e a seguiram, Michael finalmente parou de fazer perguntas a um entediado Eric, e todos se colocaram em frente à estátua de mármore branco de Rowena Ravenclaw.
— Spiritus Immensae. — Disse Penny apontando a varinha para a estátua que se curvou e se colocou de lado, abrindo uma passagem para um corredor comprido. — Espirito sem limites, este é nosso lema e dito em latim nos permite acessar o Laboratório de Madame Ravenclaw, seus aposentos também estão aqui e nós respeitosamente nunca entramos, mas enquanto viva e em suas orientações póstumas deu permissão do uso de seu laboratório para experimentos e pesquisa. Me sigam.
Todos a seguiram, silenciosamente, no corredor estreito e comprido, passaram por uma escada que todos supuseram levaria aos aposentos e seguiram um pouco mais para o fundo onde uma porta de carvalho com um o emblema da águia da Ravenclaw estava desenhada em relevo na madeira.
— Agora existem algumas regras que devem ser respeitadas e que todos devem estar cientes antes de entrar neste laboratório, desrespeita-las pode significar a proibição do privilégio de acessa-lo, assim muita atenção, pois Prof. Flitwick é um chefe de casa maravilhoso, mas também muito rígido quanto a segurança. — Penny disse muito seriamente e todos acenaram concordando. — Em primeiro lugar entramos no laboratório apenas se estamos fazendo poções, aqui não é lugar para qualquer outra atividade, até mesmo se você estiver pesquisando sobre o assunto, o lugar para isso é a sala comunal ou a biblioteca. Seguindo, o laboratório está dividido em áreas, há uma área para experimentos e pesquisa onde os alunos que estão fazendo projetos na área de poções estão trabalhando, vocês respeitarão esses projetos e seus colegas e não entrarão nesta área, nem para uma espiadinha, pois qualquer alteração pode destruir um trabalho de meses, entenderam? — Todos voltaram a acenar e Harry foi o único que disse "Sim, Penny".
"Muito bem, a área que usarão com mais frequência é a primeira área, ou a área de ensino e treinamento, vocês poderão se preparar para as aulas, principalmente as poções mais difíceis, poderão treinar ou corrigir uma poção feita em aula não tão perfeitamente e poderão até mesmo testar poções mais avançadas desde que mostrem talentos para serem bons potioneers, afinal não aprovamos o desperdício de materiais. Mas vocês nunca fabricarão uma poção sem supervisão, isso quer dizer que se estiverem aqui fabricando alguma poção sozinhos serão punidos severamente, isso porque fabricar poções é um oficio muito delicado e qualquer coisa feita incorretamente pode ocasionar um acidente e se estiverem sozinhos sem alguém magicamente capaz de ajuda-los poderá ser um acidente fatal. Entendido? " — A severidade de sua voz lembrava a da Prof.ª McGonnagall, e ninguém ousou não concordar, nem em pensamento. — Ótimo, claro que todos estamos ocupados com nossas aulas, deveres, projetos ou funções, assim nem sempre haverá um aluno do 5º ano em diante, disponível para supervisiona-los, mas Bubbles estará sempre aqui para ajuda-los. Agora entrem, vou mostrar o laboratório e apresentar Bubbles.
Harry não fazia ideia de quem era Bubbles, mas entrou no laboratório ansioso e ficou impressionado, não era nada parecido com o laboratório de Snape, era escuro e frio, afinal as poções precisavam deste ambiente, sol e calor alterariam imprevisivelmente uma poção, Harry lera isso. Mas essa era a única semelhança, as cores azuis e bronze predominavam, as mesas eram bem limpas e estruturadas, armários azuis com ingredientes e poções se espalhavam pelas paredes. Um arco levava a uma sala nos fundos onde puderam ver alguns alunos de 6º e 7º anos trabalhando, e o cheiro ainda que de poções não era tão desagradável. E claro sem pedaços de órgãos flutuando em potes de vidros.
— Ah, miss Penny, miss, você trouxe os 1º anos para conhecer Bubbles. Eu deixei tudo bem limpo e cheiroso para eles miss Penny. — Quem falou foi uma criaturinha pequena, mais pequena que Harry, que era o mais baixo entre os 1º anos, ela tinha orelhas grandes como as de um morcego e olhos esbugalhados e castanhos do tamanho de bolas de tênis. Usava uma roupinha simples com o brasão da Ravenclaw no peito e tinha um sorriso enorme e falava com voz coaxante.
— Obrigada Bubbles, você como sempre fez um excelente trabalho, tudo está muito limpo e cheiroso. — Bubbles aumentou ainda mais seu sorriso, deu uns saltinhos e pareceu corar, ou Harry pensou assim quando seu rosto de pele esverdeada escureceu. — Pessoal, esse é Bubbles, ele é o elfo domestico da torre Ravenclaw e apenas da torre. Bubbles e, seus antepassados antes, trabalham para a família Ravenclaw a séculos, desde nossa fundadora. Seu trabalho exclusivo é limpar e organizar o laboratório, assim como os aposentos de Madame Ravenclaw, outros elfos de Hogwarts cuidam da limpeza da torre, com exceção dos nossos quartos, mas não entram aqui nesta parte da torre, apenas Bubbles.
"Assim Bubbles estará sempre aqui para observa-los enquanto fazem suas poções, mostrará onde estão os ingredientes, mas a fabricação e limpeza da mesa ou quaisquer outros utensílios está por conta de cada um. Ele estará mais atento a segurança, ele sabe perceber quando uma poção está sendo feita incorretamente e pode trazer perigo, assim quero que vocês o escutem e respeitem seu conhecimento e experiência. Qualquer desrespeito para com Bubbles levará a punições e mais uma coisa, Bubbles não está aqui para servi-los, pegue isso, faça aquilo, ele apenas supervisionará e ajudará em caso de necessidade. Entendido? " — Todos acenaram imediatamente, mas pode-se ver uma certa hesitação de Michael, seu olhar claramente mostrava uma certa contrariedade, que Harry não entendeu.
— Bubbles esses são os 1º anos, qualquer problema não hesite em falar com o Prof. Flitwick. — Disse Penny sorrindo para o elfo.
— Obrigada miss Penny, Bubbles agradece. — Depois olhou para eles e sorrindo animado continuou. — Olá vocês, eu sou Bubbles, estou aqui para ajudar, se precisarem de Bubbles é só chamar e estarei aqui enquanto trabalham em suas poçones.
Todos olharam para Bubbles, parecendo um pouco impressionados como se nunca tivessem visto um elfo domestico, com exceção de Michael e Morag, e Harry sem saber porque ninguém o cumprimentava, se adiantou estendendo a mão para ele.
— Oi Bubbles, é um prazer te conhecer, obrigada por nos ajudar. Eu sou Harry, Harry Potter. — Se o que assistiam, menos os do mundo trouxa, Anthony e Lisa, se surpreenderam, Bubbles então pareceu que teria um ataque, estava sendo cumprimentado como um humano e ainda por cima por Harry Potter. Apesar de bem tratado por todos na torre ninguém nunca estendera a mão para cumprimenta-lo como um igual.
Bubbles engasgou e saltou para traz, seus grandes olhos se encheram de lagrimas e olhou boquiaberto para a mão estendida e para a cicatriz de raio. Harry não sabia o que fazer, não entendia as reações de todos e corou pensando que fizera algo que um bruxo nunca fazia, mas antes que pudesse ficar mais constrangido, Bubbles percebendo sua indelicadeza se adiantou e apertou sua mão com força, parecendo encantado.
— Prazer é todo do Bubbles, Harry Potter senhor. Harry Potter me dá uma grande honra ao tratar Bubbles tão bem e por conhece-lo sinto-me ainda mais afortunado, senhor. — Disse o elfo enquanto agitava sua mão com o corpo todo saltitando para cima e para baixo.
Harry só pode corar ainda mais, não lhe ocorrera que até os elfos teriam alguma reação ao seu nome. Terry tentando salvar o amigo se adiantou e também cumprimentou Bubbles e Lisa e Anthony sem saber como isso era incomum também o fizeram. Padma sabia, mas gostara de Bubbles e também o cumprimentou e cutucou Morag para fazer o mesmo, apenas Michael ficou em seu lugar, enquanto em sua casa os elfos domésticos eram bem tratados, ainda eram considerados servos.
Penny então, os levou pelo laboratório e contou sobre como o projeto começara a alguns anos. Como depois de lutar para que algo fosse feito sobre Snape, Porf. Flitwick decidira ser proativo e criara o sistema de preparação e treinamento no laboratório. Como Hogwarts fornecia a verba para os suprimentos na área de pesquisa e experimento, projeto implementado ainda na época dos fundadores, Flitwick solicitara a verba para que os alunos não deixassem de aprender a preparar poções. Seu pedido foi negado, com a alegação de que a escola não tinha o dinheiro e que não seria justo que apenas os Ravenclaw tivessem esse privilégio.
— Mas isso não impediu nosso chefe de casa, ele então começou a vender as poções preparadas com perfeição por nós em salas de aulas e aqui, e com esse dinheiro ele abastece nosso laboratório com mais materiais e ingredientes. Criou se assim um sistema de retroalimentação que nos deixam muito orgulhosos, mas isso não é de conhecimento geral, assim solicito a vocês para não contarem a ninguém fora da casa. Não queremos que eles não aprendam, mas em todos esses anos várias soluções estiveram disponíveis, mas ao em vez de lutar para tentar mudar as coisas eles se acomodaram. Aqui em Ravenclaw, não sentamos nosso traseiro e deixamos por isso mesmo, sempre há um caminho e nós encontramos o caminho mais inteligente e não o mais difícil. — Encerrou com um sorriso e uma piscadela para o Harry que sorriu de volta para ela.
Logo depois ela os liberou para o almoço e enquanto desciam sussurravam sobre tudo o que aprenderam. Quando entraram no saguão Padma se virou para Harry com um sorriso.
— Oh Harry, você foi tão doce com Bubbles, achei que seus olhos saltariam de seu rosto. Ele era tão fofo.
Harry corou de novo constrangido, mas sorriu, pois, também gostara muito de Bubbles.
— Não pensei que até ele reagiria assim ao meu nome. — Disse exasperado passando a mão pelos cabelos e bagunçando-os ainda mais.
— Mas não foi só o seu nome Harry, — disse Morag. — você o cumprimentar da maneira que fez e não o tratar como um servo, acho que isso foi o que quase lhe deu um ataque, ser você só tornou isso ainda maior, aposto que ele vai contar para os outros elfos e, claro, nenhum deles acreditará. — Acrescentou antes de pegar o braço de Padma e se dirigir para a mesa da Ravenclaw falando animadamente sobre outro assunto qualquer.
Harry parou confuso e olhou para Terry que pareceu entender sua confusão.
— Sim Harry, essa é a palavra, servo e para os bruxos tratar um elfo como mais do que isso não é natural. Não que em sua maioria os elfos domésticos não sejam bem tratados, os daqui de Hogwarts e Bubbles especialmente devem estar sendo bem tratados e felizes. — Suspirando apontou para o Salão Principal acrescentando. — Vamos, vamos almoçar e eu explico.
Eles se sentaram e começaram a se servir enquanto Terry contava sobre a maneira como os elfos são considerados, como pertencem a um bruxo ou família e só podem ser libertados se lhe derem roupas.
— Mas Terry, isso os faz escravos dos bruxos, não me parece certo. — Disse Harry inconformado.
— Você está certo, mas a verdade é que nenhum dos dois lados veem a situação assim, para os bruxos, elfos são servos e criaturas e mesmo aqueles que os tratam bem, sempre os conheceram assim. E há aqueles que não os consideram mais do que criaturas inferiores, assim como consideram os nascidos trouxas, meias - raças ou qualquer outro ser senciente.
"E para o elfos, eles nascem a séculos e séculos presos magicamente a famílias e com uma necessidade emocional e psicológica de agradar e servir, não é algo biológico, sabe se não servirem uma família perdem seus poderes ou morrem, e sim mais como uma mentalidade dependente. Eles ficam profundamente felizes ao servirem e ao receberem elogios de um bruxo e seu mestre, esse é o único pagamento que desejam. E se cometem algum erro que faz com que seu dono lhe dê roupas, podem até morrer de tristeza.
" Mamãe quando descobriu, claro tentou falar com eles sobre escravidão e pagamentos, mas para um elfo eles são o que são e receber pagamento por seus serviços é socialmente inadequado. Assim nada muda, pois, nenhum bruxo que não se preocupa nem com melhorar as leis para os nascidos trouxas, vão se preocupar em fazer ou mudar as leis do que para eles são apenas criaturas e que ainda por cima são muito felizes vivendo como vivem. "
Harry assentiu entendendo, mas sentindo aquele gosto amargo outra vez, a sensação de que o mundo maravilhoso e incrível que descobrira a algumas semanas, fazia parte, não era tão bom no fundo como lhe pareceu na superfície. E não pode deixar de pensar em como estavam os elfos que não estavam na maioria descrita por Terry como felizes e bem tratados.
