Capítulo 9
Na manhã seguinte Harry acordou sentido a cabeça pesada, a garganta e a boca secas e os olhos inchados. Olhando em volta percebeu que dormira em cima das cobertas, as luzes acesas e cercado por cartas e fotos.
Suspirando, lembrou o que acontecera e ficou feliz que pelo menos não ia voltar a chorar, na noite anterior acabara com suas cotas de lagrimas pelo jeito. Levantando-se foi ao banheiro e tomou um banho quente longo, mas sua cabeça continuava meio pesada e seu rosto meio pálido e abatido. Olhando seus olhos no espelho tentou avaliar como se sentia, e tudo o que veio foi uma imensa tristeza.
Seus pais, ele sabia, estavam mortos a muito tempo, mas lhe ocorreu que nunca antes chorara por eles. Nunca antes lhe fora permitido, e enquanto sentia suas faltas, pois odiava viver nos Dursley, nunca antes os conhecera o suficiente para sentir falta deles, por quem eles eram. E eles eram pessoas incríveis, pensou, e agora que ele ouvira suas vozes através das cartas e sabia como eles eram fisicamente, nunca seus pais estiveram tão próximos dele, mas também nunca, nem mesmo no pior da vida no número 4, não os ter foi tão doloroso.
Harry voltou para o quarto, pegou as fotos de novo e foi só agora que percebeu olhando com mais atenção os noivos da terceira foto que eles eram os pais de Terry. Seu amigo se parecia muito com seu pai, alto, cabelos bem arrumados, rosto forte. Mas ele não herdara seus olhos azuis ou o sorriso malicioso, fora de sua mãe uma bonita mulher negra de cabelos cacheados que vieram seus olhos castanhos amáveis e sorriso animadamente branco. O tom de pele vinha da mistura da pele negra da sua mãe e branca de seu pai.
Suspirando, ele olhou para Sra. Boot sentindo-se muito grato por lhe permitir conhecer seus pais e o amor que eles tinham por ele. Todos esses novos sentimentos eram novos e ele não sabia o que fazer com eles, mas ainda valia a pena. Guardando tudo no envelope azul, ele depois guardou o envelope no guarda-roupa com o livro e a comida, mas não se sentiu satisfeito. Enquanto sabia que ninguém da casa invadiria seu quarto e mexeria em suas coisas, ainda lhe parecia que seus presentes preciosos não estavam guardados em um lugar seguro. Ele nem podia trancar o armário ou a porta do quarto.
Pensando em ir para a biblioteca pesquisar algumas dessas coisas hoje Harry pegou seu caldeirão e desceu para a sala comunal. Para sua surpresa Terry já estava lá com seu caldeirão, lendo um livro de História Magica mais avançado.
— Oi, já estava me preocupando, você nunca tinha vindo tão tarde. — Disse animado e sorridente, fechou o livro e devolveu a uma das estantes da parede.
Olhando o relógio Harry percebeu um pouco chocado que já eram quase 9 horas. Nunca se lembrava de ter dormido tanto, nem mesmo se estivesse doente.
— Acabei ficando até tarde vendo as coisas que sua mãe me mandou e lendo sua carta. Obrigada Terry por se preocupar e lembrar sobre o livro. — Disse Harry tentando disfarçar o constrangimento, mas ainda se sentindo comovido pelo que acontecera ontem, e querendo agradecer ao amigo por sua participação.
Terry parou ao ver o rosto pálido e abatido do amigo, se perguntando o que causara aquilo, mas percebendo que Harry estava constrangido e não parecia querer perguntas, decidiu não comentar nada, pelo menos agora.
— Ah, sim, mamãe me contou que vovô Boot mandou um livro para você de presente. E ela disse que também enviou alguns sanduiches e doces. Mamãe não é uma grande cozinheira, mas seus doces e sanduiches são muito bons. — Disse Terry sorrindo, também um pouco envergonhado.
— Adoro seus sanduiches, o de frango e cenoura é o melhor. — Disse enquanto eles começaram a caminhada para o Grande Salão. — Ainda não comi nenhum dos doces, mas tenho certeza de que será muito bom também. Quando você escrever para ela, por favor diga que eu disse, muito obrigada.
— Escreva você mesmo para ela e agradeça a Harry, e aproveita e responda o convite para passar o Natal conosco. Quer dizer, você vai aceitar o convite, não é? — Perguntou Terry olhando o amigo com o canto dos olhos enquanto eles saltavam de uma escada em movimento.
Harry engoliu em seco, e agitado bagunçou ainda mais seus cabelos. Tinha se esquecido do convite para as festas com tudo o que acontecera. Na hora lhe parecera incrível, mas agora a luz do dia não tinha tanta certeza.
— Tem certeza que você e sua família não vão se importar Terry? Eu não quero atrapalhar, posso ficar aqui em Hogwarts mesmo. E será que sua mãe vai querer que eu escreva para ela? Talvez ela só queria ser gentil, sabe, porque conheceu minha mãe, mas...
— Harry, — interrompeu Terry sério, parando até de andar. — Eu não sei como foi a relação da sua mãe com minha mãe, se foram só conhecidas, como você disse. Mas nós dois somos amigos, e isso é suficiente para mim e para minha família. Eu entendo que o seu conhecimento sobre famílias é bem falho, mas isso é mais uma razão para você vir. Vamos! Vai ser divertido! Eu tenho muitos primos e meus irmãos, vai ser uma festa! — Exclamou com um sorriso branco brilhante igualzinho ao de sua mãe.
Engolindo a emoção com o convite e a amizade tão despretensiosa, Harry acenou confirmando com a cabeça, pois não tinha palavras.
— Legal! Vai ser muito bom, você vai ver. E agora vamos comer que estou faminto, você já demorou para acordar e ainda temos que levar nossos caldeirões para os professores encantarem. Depois vamos pegar a Hermione e o Neville e termos uma aula extra de História antes de nos prepararmos para as aulas de amanhã. — Disse Terry agitado e andando rápido o resto do caminho.
Enquanto comiam Harry contou ao amigo sobre o livro que seu avô lhe enviara, que havia sido presente do seu avô Fleamont Potter a mais de 50 anos, e seu convite para lhe contar histórias ao que Terry disse:
— Mais um motivo para você vir para minha casa no Natal, vovô Boot conta boas histórias e ele vai querer te conhecer e saber que você apreciou e leu o livro. — Disse Terry entre os bocados de seus ovos.
Harry preferiu seu mingau de aveia quentinho, com mel e frutas, não estava com muita fome e comer mingau sempre o fazia se sentir quente e bem. Depois contou para Terry sua ideia sobre como aprender a trancar a porta e seu incomodo em não ter um lugar para colocar o livro ou uma mesa para apoiar as coisas.
Terry ficou pensativo por um tempo e depois sugeriu que eles se reunissem com seus amigos Gryffs na biblioteca hoje, pois "precisamos fazer algumas pesquisas extras".
— Quanto a mesa e estante para livros, acho que isso pode estar ou nas decorações que podemos fazer ou nos projetos que começamos no ano que vem. — Acrescentou Terry com sua expressão quero aprender.
— Se for nas decorações, ótimo, vamos pegar alguns livros sobre isso, mas se for só para projetos, não quero esperar até o ano que vem para ter uma mesa e uma estante. — Afirmou Harry. — E também quero pensar em uma maneira de proteger minhas coisas quando estiver na casa dos meus parentes.
A última coisa que queria era que seus tios ou seu primo pegassem suas fotos e cartas e as destruísse. Terry assentiu entendo sem que Harry precisasse dizer quais eram suas preocupações.
Depois de comerem eles se encaminharam com seus caldeirões para a fila que se formava em frente à mesa alta dos professores. Não era muito grande, pois já estava bem tarde, mais ainda demorou quase meia hora até chegarem aos dois professores.
Quando chegaram a Flitwick conheceram ao seu lado uma bruxa bem jovem e sorridente, Harry pensara que por seu nome ela seria uma das professoras mais velha que se sentavam na mesa alta. Mas Bathsheda Babbling parecia ter uns 30 anos e seu sorriso no rosto quadrado era animado, tinha olhos azuis e cabelos loiros platinado, não era particularmente bonita, mas sua figura corpulenta e risonha os fez simpatizar com ela de cara.
Quando ouviram-na falar perceberam pelo sotaque que era galesa e se aproximaram mais para ouvir sua explicação.
— Bem meninos em primeiro lugar vou desenhar as runas necessárias em seus caldeirões. São runas de ampliação magica, runas de ligação e runas de permanência. — Disse a Prof.ª Babbling com tom de ensinamento, suas aulas deviam ser bem interessantes. — A runa de ampliação vai permitir que muitas magias sejam, não apenas feitas em um objeto pequeno como, estejam todas em uso ao mesmo tempo. A runa de ligação criará uma conexão entre seus caldeirões e as fichas. E a runa de permanecia tornará os encantamentos permanentes, necessitando de recarga a cada poucos anos, assim o encantamento nunca falhará.
— Depois lançarei os encantamentos que avaliarão suas poções, que ligarão essa avaliação as fichas e as runas darão mais poder e permanecia a esses encantamentos. — Concluiu o Prof. Flitwick.
Harry entendera a explicação, mas estava ansioso para vê-los fazer na pratica. Tudo parecia muito difícil e interessante, era uma pena que não tinham Runas Antigas até o 3º ano. Aproximando seu caldeirão observou Prof.ª Babbling usar sua varinha para desenhar algumas runas na base. Para cada runa que desenhava ela dizia algumas palavras em latim, como se conduzindo a runa, e o poder saia das palavras tanto quanto da varinha.
ƥƜƈ ƜƔƈ
— Leporem Manere
ƥƖƇ ƜƔƈ
— Leporem Enlarge
ƖƓƈ ƜƔƈ
— Leporem Iungo
A cada vez que Prof.ª Babbling terminava um conjunto de runas, essas brilhavam fortemente e depois desapareciam como se nada estivesse desenhado no caldeirão.
— Sumiu! — Exclamou Harry surpreso.
A jovem professora riu animada e moveu a cabeça negativamente.
— Não, não Sr. Potter, não sumiu nada, a runas feitas com habilidade e corretamente se fundem ao ambiente ou local onde foi desenhada, mas existem maneiras de se detectar magia e claro também de se detectar a presença de runas. Se você escolher minhas aulas como eletivas no 3º ano, terei prazer em te ensinar. — Disse ela maliciosamente.
Harry sorriu e agradeceu antes de dar um passo até o Prof. Flitwick. Este estava em cima de uma banqueta e tinha uma mesa a sua frente. Harry colocou seu caldeirão sobre a mesa e se afastou, mas perto o suficiente para vê-lo trabalhar.
— Potio Evaluate. — Lançou o feitiço — Esse feitiço vai avaliar as poções. Finis Iungo. Este liga sua poção as fichas. — Disse apontando sua varinha a um conjunto de pergaminhos. — Agora Sr. Potter esta é sua ficha e você verá o feitiço que usará para iniciar a avaliação da sua poção pelo encanto. O feitiço é Evaluate Finis, aponte sua varinha para o caldeirão e o encanto agirá. Sua nota aparecerá na sua ficha. E também na ficha do Prof. Snape e a minha. Prontinho. — Terminou ele sorrindo animado.
— Obrigada professor. — Harry sorriu antes de pegar seu caldeirão e se afastar, parando ao lado esperou por Terry que logo veio sorrindo animado.
— Você viu que incrível! Não vejo a hora de aprender todas essas magias, é uma pena que só teremos runas a partir do 3º ano. — Terry sorria animado e desapontado.
— Foi exatamente esse meu pensamento. — Harry olhou em volta e ao ver Neville e Hermione na fila com seus caldeirões, sinalizou para Terry e os dois foram até o Gryffs.
— Bom dia! Estão tarde também? — Perguntou Harry.
— Ah, ontem teve algum tipo de festa na sala comunal e teve muito barulho, as meninas com quem divido o dormitório ficaram tagarelando até não poderem mais. Acabei acordando tarde. — Disse Hermione, mal-humorada.
— Sim. — Disse Neville bocejando, o rosto redondo sonolento — Pelo que ouvi a festa só acabou depois que a Prof.ª McGonnagall veio e mandou todo mundo para a cama.
Os meninos assentiram entendendo.
— Estamos pensando em ir para a biblioteca hoje, nos preparar para as aulas de amanhã e alguns estudos extras e pesquisa. O que vocês acham de nos encontrar lá depois que acabar tudo aqui? — Perguntou Terry.
— Sim, com certeza, o que vamos estudar hoje? E ainda tenho que melhorar meu dever de Transfiguração, apenas mais alguns centímetros e acho que ele deve estar bem. — Disse Hermione ansiosamente.
— Pensei que além de nos prepararmos para as aulas amanhã, poderíamos estudar História e talvez falar um pouco sobre o projeto de Herbologia? E o Harry quer fazer algumas pesquisas também. — Concluiu Terry enquanto a fila andava alguns passos para frente.
Hermione assentiu animada e também olhou ansiosa para a mesa alta tentando ver o que os professores estavam fazendo.
— Projeto de Herbologia? — Neville pareceu bem mais acordado depois de ouvir isso.
— Hermione pode te explicar Neville, vamos levar nossos caldeirões para nossos quartos e pegar nossos livros e nos encontramos na biblioteca. Ok? — Disse Harry puxando Terry em direção a saída.
Eles subiram rapidamente, Harry guardou seu caldeirão e pegou sua mochila. Olhando pela janela viu o sol forte que tornava o dia muito bonito e pensou que seria legal darem uma volta nos jardins mais tarde.
Encontrando Terry na sala comunal, os dois chegaram a biblioteca e rapidamente, depois de pegarem uma mesa, se separaram. Terry foi atrás de algum livro de História e Harry foi para os corredores de decoração e moveis feitos com magia, havia muitos, incrivelmente. Por 15 minutos ele procurou, e usando a dica que Penny lhe dera foi muito mais fácil de encontrar os livros pelas sugestões de leitura e pesquisa que cada livro tinha na última página do livro, sugestões de onde o autor tirara as referencias para sua própria pesquisa.
Satisfeito ele separou 3 livros que tinham informações que lhe interessavam mais e voltou a mesa. Logo depois Hermione e Neville apareceram e Terry surgiu de traz de uma prateleira. Ele também carregava uma pequena pilha de livros.
— Bem então, o que faremos primeiro? — Perguntou Hermione animada.
— Que tal preparação para as aulas e depois do almoço podemos estudar História e falarmos do projeto e pensei de darmos uma volta pelo jardim. Está bem ensolarado e devemos relaxar um pouco também.
— Por mim tudo bem Harry, mas também tenho que escrever uma carta para casa e já aproveito quando formos para o jardim para enviar King com ela. — Disse Terry já pegando o que precisava em sua mochila.
Harry concordou, decidido a escrever uma carta de agradecimento ao Sr. Boot e a Sra. Boot e aceitar o convite para as festas.
— Por mim está bem também, mas não sei se vou para os jardins. Quero ler alguns livros de introdução a Runas Antigas, vocês viram que fascinante o que a Prof.ª Babbling estava fazendo. Eu perguntei e ela me disse que usou Runas que vem do latim, mas que existem runas de outras línguas antigas também. Quero procurar e ver quais são. — Hermione tinha aquele sorriso meio maníaco e se estivesse de pé estaria saltitando, com certeza.
— Hermione, não teremos Runas Antigas até o 3º ano, e hoje é domingo, vamos estudar e depois passear um pouco, conhecer mais do castelo e tomar ar e sol. — disse Harry pacientemente, mas em tom que não deixava discussão.
— Oh, mas... — Hermione começou, mas Terry a interrompeu delicadamente.
— Hermione, eu sei como é ter vontade de aprender tudo de uma vez, mas não dá e nem seria saudável. Você precisa estudar algumas horas por dia e descansar, comer e dormir bem para assim ter energia para aprender. A informação ainda vai estar aqui amanhã, ou você pode emprestar o livro e ler por uma hora antes de dormir. Mas hoje, Harry está certo, é domingo e vamos nos divertir um pouco. — Terry disse tudo com um sorriso amável e Hermione não conseguiu ir contra sua lógica.
Ela assentiu e eles começaram a pegar os livros das aulas do dia seguinte, no caso de Terry e Harry eles pegam pena e pergaminho também. Neville pareceu perdido e quando não fez nenhum movimento para os livros Harry olhou para seu olhar confuso.
— O que foi Neville? — Perguntou baixinho, já que o garoto se sentara ao seu lado.
— Como é que vocês fazem essa tal preparação para as aulas Harry? — Perguntou Neville, meio envergonhado.
Harry percebeu que na casa Gryffindor não havia orientação para se prepararem para as aulas e mais uma vez ficou aliviado de estar na Ravenclaw.
— Muito simples Neville. — Disse Harry sorrindo e rapidamente explicou como se preparar para as aulas com leituras de capítulos, anotações de pontos chaves e perguntas no caso de dúvidas para perguntar ao professor, caso ele não respondesse quando explicasse o capitulo em aula. Neville pareceu surpreso e quando perguntou porque Hermione não fazia as mesmas anotações, Harry lhe disse apenas, "Ela decora o livro, por que anotar? ".
Eles trabalharam por quase duas horas em sua maior parte em silencio, mas de vez em quando um ajudava o outro em alguma dúvida ou eles tinham alguma ideia sobre alguma magia.
Depois de terminarem, até mesmo Neville, eles foram almoçar, e Harry sentado em sua mesa viu os olhares nada amigáveis da mesa Slytherin em sua direção. Sinalizando discretamente para Terry, ele voltou a sua comida e depois olhou mais abaixo e viu que Malfoy era um dos que o encaravam com muita raiva.
— Você está me devendo uma conversa sobre o Malfoy ali. — Disse Harry baixinho ao amigo.
— Sim e ela não pode mais ser adiada, depois que terminarmos nossos estudos vamos voltar para a torre e depois passeamos pelos jardins. — Disse Terry seriamente.
Harry concordou e rapidamente abriu mão da sobremesa e se levantou, Terry não gostou muito, mas entendeu e pegou apenas uma maça e seguiu na direção da mesa dos amigos. Hermione já terminara e levantou rapidamente, Neville olhou tristemente para as sobremesas, suspirou e os seguiu.
Eles se concentraram em História da Magia, a aula absurdamente chata se tornou fascinante com Terry assumindo o comando. Ele falava do seu jeito amável, aberto a perguntas e contava as histórias ligando um fato ao outro de maneira que não só tornava interessante, mas fazia sentido. Até Hermione ficou impressionada e Neville bebeu as palavras e anotou um monte em seu pergaminho. Harry preferiu não fazer anotações, percebeu que com história ele precisava apenas ouvir e entender o que o porquê e o como e não esquecia os fatos mais.
Ele falou por uma hora inteira abrangendo a fundação de Hogwarts, a história dos fundadores, e as batalhas que os bruxos da época tinham com os Goblins, além dos problemas que o mundo magico enfrentava com o mundo trouxa. Em uma hora ele falou de 4 importantíssimos capítulos do livro, enquanto Binns mal tinha passado do assunto chato de quem matou quem em qual batalha.
Depois Hermione foi aumentar seu dever de transfiguração e Neville foi fazer o seu de poções. Tinha que entregar amanhã e ele nem começara. Harry e Terry não receberam ordens de deveres, mas decidiram fazer o que fora mandado aos Gryffindors, apenas por precaução. Falar da poção simples que fizeram, seus pontos chaves e porquê do resultado tomou apenas meia hora. Quando todos acabaram começaram a discutir o projeto de Herbologia, Neville ficou muito interessado, ele amava Herbologia.
— Mas não sei nada do mundo trouxa, e para que essas ervas são usadas por eles. — Disse ele timidamente.
— Mas isso não te impede de nos ajudar Neville, com pesquisa e claro na montagem do projeto. Podemos fazer uma parte pratica e uma parte teórica, isso seria legal. — Disse Terry animado.
— Oh, sim! Podemos fazer alguns chás e talvez sabonetes, eu sei fazer sabonete, minha avó me ensinou! — Disse Hermione frenética e mantendo a voz baixa por pouco.
Harry sorriu enquanto eles tinham mais ideia, Neville parecia cada vez menos tímido, Hermione cada vez menos mandona e Terry como sempre estava animando e sorridente. Logo depois eles encerraram, Hermione emprestou um livro de introdução as Runas Antigas, Harry também queria lê-lo depois, achou o assunto fascinante. Neville pegou um livro de Herbologia. Terry havia convidado o dois Gryffs para a torre para uma conversa sensível, assim eles subiram levar seus materiais enquanto Terry e Harry escreviam suas cartas. Iam se encontrar nas escadas do 4º andar em 15 minutos.
Harry hesitou sobre o que escrever para a mãe de Terry, para seu avô era mais simples, assim com a melhor letra que conseguiu escreveu:
Caro Sr. Boot,
Não há como lhe agradecer o suficiente por esse incrível e pensativo presente. Ter algo tão significativo para o senhor e meu avô me deixa muito feliz.
Espero que realmente possa me contar muitas histórias da minha família, além das que aprenderei ao ler esse livro. Prometo não apenas lê-lo, mas estima-lo como o tesouro que é, a minha vida toda.
Respeitosamente,
Harry J. Potter
Depois de colocar a carta em um envelope e endereça-lo Harry respirou fundo e pegando um novo pergaminho começou a segunda carta.
Cara Sra. Boot,
Nem sei o que dizer, além de OBRIGADA pelos presentes que me enviou. A comida já era incrível, além de sua preocupação em escrever uma carta tão afetuosa.
Mas as cartas e as fotos, foram os presentes mais valiosos do mundo para mim, pois me fez sentir amado e querido pelos meus pais como nunca antes em minha vida. E conhece-los, sei que há muito sobre eles que eu ainda não sei, mas antes de sua carta, eu nem conhecia seus rostos. Obrigada, muito obrigada.
Também agradeço seu convite para as festas, se a senhora tem certeza que não vou incomodar ninguém ficarei feliz em aceitar o convite.
Prometo estudar bastante, procurar Madame Pomfrey e cuidar do Terry.
Grato,
Harry J. Potter
Suspirando Harry releu a carta e achou que estava boa, era o que ele sentia, mas também não falava nada de seu colapso. Ele não queria falar com ninguém sobre isso, ainda não estava pronto nem para pensar nisso. Depois de colocar a carta em um envelope branco o endereçou e guardou junto com a primeira no bolso de suas vestes.
Terry também terminara sua carta e eles rapidamente deixaram a biblioteca, Harry passando por Madame Pince para que ela registrasse os livros de decoração que pegara. Subiram as escadas e encontraram Hermione e Neville já esperando. Os quatro então subiram até o 5º andar onde ficava a entrada para a torre. Hermione pediu para responder à pergunta outra vez e os meninos concordaram divertidos.
Quando chegaram a área de convívio, Harry e Terry pediram licença para irem aos seus dormitórios guardar suas mochilas e Harry aproveitou para pegar um saco de doces para compartilhar com os amigos durante o chá. Terry teve a mesma ideia e quando voltaram a sala com os amigos começou a preparar um chá para todos eles.
Junto ao conjunto de chá havia vários saquinhos com folhas de ervas diferentes, além de um infusor. Ele rapidamente encheu o bule e esquentou a agua, depois colocou o infusor com as ervas e esperou alguns minutos. Depois serviu o chá em cada xicara e perguntou como cada um queria seu chá temperado, Harry pediu com leite e mel. Os outros dois, hesitantemente, pediram suas preferências e logo todos estava tomando chá e comendo fudges e brownies caseiros deliciosos. Terry estava certo, pensou Harry, comendo mais um fudge com avelas crocantes no meio, Sra. Boot fazia os melhores doces. E seus brownies eram de tirar o folego.
Durante o chá ficaram em silencio, apenas as surpresas no rosto dos Gryffs eram difíceis de calar. Por fim Terry perguntou:
— Porque vocês estão tão surpresos? É só chá. Todas as salas de convívio têm um jogo desses com sabores de chás variados. Não tem um na sala comum porque não se pode comer ou beber lá durante os estudos, poderia acontecer um acidente com os livros. Vocês devem ter lá na torre Gryffindor ao menos um desses. — Disse Terry, exasperado.
— Não, não temos não. — Disse Neville olhando com saudade para sua xicara de chá antes de beber o ultimo gole.
— Quer dizer... — Hermione começou hesitante, Neville engasgou com seu chá surpreso, e olhou para ela questionador. — Não é como aqui, acontece é que eu ouvi as meninas mais velhas do 6º ano falando que elas tinham um jogo no dormitório delas, mas foram elas que compraram, e é apenas para as elas, não é divido com outros anos e muito menos com os meninos que nem podem subir para o nosso lado. Eu tinha pensado que talvez eu pudesse comprar um jogo pequeno e trazer no próximo ano se Parvati e Lavander não se importassem, claro. — Explicou Hermione hesitante.
— Tenho certeza que elas não vão se importar Hermione, a irmã de Parvati, Padma está aqui conosco e ela é muito legal. — Disse Harry terminando seu chá e depois de recolher as xicaras de todos ele foi até a mesinha e limpou tudo antes de voltar a se sentar.
— Bem, qual era o assunto sensível que vocês queriam conversar outra vez? É sobre o Prof. Snape? — Perguntou Hermione, tentando mudar de assunto para não pensar que se tivesse sido classificada na Ravenclaw ela teria um monte de coisas legais, como quartos individuais, uma boa sala de estudo com um monte livros, uma porta com perguntas e não senha, além da gêmea Patil mais legal.
— Ah, não, pelo menos não diretamente. Eu não preciso dizer a vocês que devemos manter a conversa aqui entre nós, certo? — Terry perguntou e todos acenaram. — Muito bem, Harry teve um encontro com Draco Malfoy no primeiro dia de aula. — Rapidamente Terry contou o encontro com mais detalhes. — Como podem ver ele foi absolutamente brilhante ao refutar as palavras preconceituosas dele, recusar sua amizade elegantemente e por tudo isso humilha-lo na frente de sua casa. Aposto que ele perdeu muito de sua pose e arrogância quando o acontecimento se espalhou pela casa Slytherin.
— Mas nós não ouvimos nada sobre isso. — Disse Hermione confusa.
— E nem vai ouvir, o que aconteceu se espalhou pela casa Slytherin, mas eles não fofocam sobre qualquer um deles, mesmo que seja alguém que eles não gostem. Eles se protegem e escondem seus podres, assim não ficam mal, pois para eles, o erro de um pesa sobre a reputação de todos. — Explicou Terry e acrescentou antes que ela pudesse perguntar — Quanto a nós, bem não temos o hábito de sair por aí cantando vitória. Além disso o que aconteceu foi mais do que ganhar uma em Malfoy, mas Harry não sabia disso o que, claro, torna tudo ainda mais brilhante, amigo. — Encerrou Terry com um sorriso malicioso, o que o fez mais parecido com seu pai.
— Eu não me importaria de ganhar uma em cima dele. — Disse Neville cabisbaixo.
— E eu, enquanto não quero arrumar briga, gostaria de entender o que foi que ele me chamou aquele dia, depois da aula de Poções. — Perguntou Hermione.
— Eu também gostaria de entender porque o que aconteceu naquele dia foi tão importante. — Acrescentou Harry.
— Bem para começar, todos aqui entendem o que motivou a última guerra? Sobre os preconceitos que imperam na sociedade magica e como Volde...mort — Neville estremeceu ao ouvir o nome, mas pelo menos não gritou como muitos, considerou Harry, gostando dele ainda mais. — E seus comensais da morte queriam se livrar dos nascidos trouxas e tornar nosso mundo puro? — Todos os três acenaram, Hermione havia lido sobre o assunto junto com seus pais, fora uma das leituras recomendas pela Prof.ª McGonnagall. — Ótimo, bom então Hermione você entende que desde antes da guerra o preconceito contra nascidos trouxas já existiam e o desejo pela pureza de sangue é um discurso comum entre muitas famílias puros-sangues. O termo usado contra você revela sua crença e se antes da guerra era muito popular xingar um nascido trouxa de sangue ruim, sangue sujo, depois da guerra se tornou improprio e meio que uma palavra proibida, não é algo dito em uma conversa educada.
Hermione estava chocada e confusa, e também um pouco magoada.
— Mas eu não entendo Terry, porque antes era comum usar esse termo e agora não é socialmente adequado? E o que isso tem a ver com o Malfoy? — Perguntou Harry sem entender.
Isso fez Neville bufar e fazer uma careta ao mesmo tempo.
— Bem Harry, antes os puros-sangues lutavam politicamente e até legalmente contra os direitos dos nascidos trouxas e qualquer meia raça, como já te contei. Mas quando esses mesmos puros-sangues se tornaram comensais da morte e assassinos as coisas mudaram por que naquela noite, Harry, em que Voldemort tentou te matar e acabou desaparecendo, eles perderam a guerra. Muitos foram presos e estão em Azkaban a prisão bruxa, mas muitos alegaram que foram forçados a participar, que estavam sobre a maldição do controle da mente, a maldição Imperius. Os que alegaram isso nem mesmo foram julgados corretamente, apenas pagaram uma grande quantia de galeões e assim ficaram livres da prisão. — Terry mostrou claramente seu desprezo por esse fato. — Mas nos anos seguintes haviam muitos olhos voltados para eles e assim mudaram seus discursos ou ao menos não são tão abertos em seus preconceitos contra os nascidos trouxas. — Terry estava muito sério, zangado até e mesmo Neville, fechava as mãos em punhos com força, como se tentando controlar a raiva.
— Entendi, eles não mudaram seus pensamentos ou preconceitos, mas se mantiveram discretos, pois se não a alegação de controle mental se mostraria falsa. — Raciocinou Harry.
— Todos sabem que é falsa Harry, mas estamos falando de membros muito ricos e poderosos da sociedade bruxa, que tiveram apoio do próprio Ministério. O discurso na época os pintou como vítimas, vítimas de Voldemort, obrigados contra a vontade deles a matar inocentes. E uma dessas "vítimas" é o pai de Draco Malfoy. A ideia de que Lucius Malfoy era inocente de ser uma comensal da morte, de que foi a maldição Imperius que o obrigou a seguir Voldemort e matar por ele é a maior besteira. — Disse Terry pálido de tanta raiva.
E Harry percebeu que isso era mais pessoal para Terry e olhando para Neville, vendo sua própria raiva e tristeza e seu rosto redondo pálido, não teve que pensar muito e concluir que eles perderam, assim como ele, pessoas amadas. Hermione não teve a mesma percepção e disse:
— Mas eu li em um dos livros sobre a guerra que aqueles que foram libertados, receberam o induto da própria Ministra Bagnold e do Diretor Dumbledore que é até hoje o Chefe da Suprema Corte do Bruxos. Quer dizer que eles deveriam ser inocentes. Você deve estar confuso Terry. — Disse Hermione em tom de fato.
Neville engasgou e olhou chocado para Hermione, Terry incrivelmente não ficou com raiva, apenas lançou um olhar de pena para ela, que Harry entendeu bem. A verdade é que Terry poderia dar os fatos, mas cada um tinha que tirar suas próprias conclusões. Hermione ainda não estava pronta para perceber que sejam dos livros ou de autoridades oficiais, nem sempre o que vinha deles era a verdade ou o certo.
— Bem Hermione, eu só tenho a lhe dizer que tome cuidado com quem são as fontes dos livros que você lê. Os livros de história são escritos por quem ganhou a guerra, mas as vezes quem ganhou a guerra não quer que certos fatos venham a luz, sejam por interesses financeiros ou ambições políticas. — Disse Terry calmamente, depois continuou.
"A família Malfoy como você brilhante colocou Harry nunca fez parte do círculo de amizade dos Potters, assim como dos Boots ou Longbottoms. Primeiro, por que não é uma antiga família como as nossas, mas principalmente por causa de sua política agressiva contra os nascidos trouxas ou trouxas.
"Os primeiros Malfoys no mundo magico britânico surgiram bem depois que o Ministério e suas leis foram criados, eles vieram da França e aqui encontram um clima muito favorável para seus ideais puristas. Algo que na França era combatido muito fortemente. Usando seu dinheiro e contratos de casamento adentraram na sociedade puro sangue e se tornaram cada vez mais poderosos e influentes, socialmente e politicamente. Começaram então, uma espécie de guerra política e social com famílias como as nossas que defendiam e casavam com nascidos trouxas e trouxas. "
"Mas enquanto influentes e poderosos, nunca conseguiram conquistar o respeito que uma casa tão velha como os Potters tem, ou tanta riqueza e prestígio. O nome Potter impõe uma legitimidade e abre portas que nunca um Malfoy poderia. E acredite eles tentaram e mais ainda tentaram conquistar uma amizade entre as famílias, seja por casamento ou por negócios, mas nunca conseguiram. Assim Harry como o ultimo herdeiro Potter, você sem saber respondeu ao Draco exatamente como seus antepassados, expos suas verdadeiras cores, seus preconceitos, fato que deixará Lucius muito irritado com seu herdeiro. E negou mais uma vez a amizade da família Potter a família Malfoy, deixando claro que apenas se eles deixarem para traz tais pensamentos preconceituosos antigos e tolos isso poderia vir a acontecer.
"Essa declaração Harry, enquanto não em um contrato magico assinado, vindo do herdeiro de uma casa antiga é tão legitimo quanto. É como uma lei, uma lei entre as famílias Potters e Malfoys. E isso expõe e ridiculariza os Malfoys, porque neste momento toda a sociedade bruxa, porque acredite, os filhos de rivais de negócios ou inimigos dos Malfoys na casa Slytherin com certeza já escreveram para seus pais, sabem que a oferta de amizade do herdeiro Malfoy foi rechaçada e condicionada pelo herdeiro Potter. E acredite o velho Lucius também já tem esta informação e aposto que ele está muito zangado com seu filho por esse movimento, mas ainda mais zangado com você por humilhar sua casa. É por isso que tinha que lhe contar tudo isso, enquanto aposto que Draco deve estar se corroendo e pensando em uma maneira de ganhar uma em cima de você, é com seu pai e sua vingança que você deve se preocupar mais. "
O silencio que se seguiu a essa última afirmação de estendeu enquanto eles esperavam que Harry dissesse algo. Mas Harry avaliou pensativamente essas novas informações sem pressa. Ele confiava em Terry, mas ainda assim procurou os olhos de Neville para uma segunda opinião sobre os fatos e esse apenas assentiu tristemente, apoiando as palavras de Terry. Hermione, ele percebeu parecia levemente confusa, mas também contrariada e ansiosa para fazer mais perguntas e não sabendo por onde começar.
Para Harry, mais do que preocupação as novas informações lhe traziam alivio. Ele percebeu que os desconhecidos lobos, ou comensais da morte que poderiam querer se vingar dele lhe causavam mais receios do que saber que de fato isso aconteceria. Ele preferia assim, saber quem eram, seus nomes e que eles estavam vindo para ele, a verdade dos fatos, e não especulações de se e quando.
— Deixa ver se eu entendi, resumindo, eu sem saber fiz um movimento político que segue os ideais e tradições da minha família, e ao mesmo tempo cria uma nova "lei" social entre minha família e os Malfoy, que por sua vez sentindo-se humilhados e rechaçados podem neste momento estar planejando alguma vingança contra mim. — Perguntou Harry tranquilamente.
Terry e Neville assentiram. Hermione olhava de um para outro parecendo chocada.
— Ok. — Disse Harry ainda muito calmo.
E, claro que essa reação espantou todos os três. Neville se perguntou se o amigo estava com tanto medo que entrara em choque. Hermione estava sem entender como garotos de 11 anos conversavam com tanta tranquilidade sobre coisas como movimento político e vingança. E Terry tentou entender a reação do amigo pelo que já conhecia dele, mas não chegou a uma conclusão.
— Harry, você está bem? Não está com.… medo? — Perguntou Neville delicadamente.
— Medo? Sim, acho que sim, seria louco se não tivesse medo, mas eu já sabia que esses comensais da morte poderiam vir atrás de mim em busca de vingar a derrota de seu líder. Agora pelo menos eu tenho um nome e me lembro do motivo pelo qual os Malfoys estão atrás de mim. Vou ficar ainda mais atento e estudar e aprender magia com ainda mais afinco, para poder me defender deles ou de qualquer um. — Disse Harry com seus olhos verdes brilhando intensamente com determinação.
Terry entendeu então, seu amigo não estava sendo displicente ou corajoso, apenas compreendendo que de uma forma ou de outra ele teria que se preparar para o que estava por vir e que era impossível caminhar pelo mundo magico sem pisar em mais alguns calos e fazer mais inimigos, ou pelo menos renovar inimizades antigas.
— Eu compreendo Harry e você está certo, mais do que nunca teremos que estar atento a casa Slytherin como um todo. A verdade é que eles perderam um pouco de seu poder quando Snape perdeu o privilégio de fazer o que quiser. Eles sabem que perderam uma batalha e pelos olhares dirigidos a você hoje no almoço, eles também sabem quem foi o responsável por isso. Draco é apenas mais um e seu pai por mais raivoso que esteja preza muito seu lugar de poder na sociedade para fazer qualquer movimento direto e aberto contra você, o herói do mundo bruxo. Assim teremos que estar atento e continuar aprendendo. — Disse Terry seriamente.
Neville suspirou e olhou para suas mãos depois olhou de um para o outro e disse, parecendo triste.
— Vamos ter outra guerra, não vamos?
— Acredito Neville que a guerra nunca acabou. Eles sofreram um revés, Voldemort desapareceu, mas pelo que Hagrid me disse, Dumbledore não acredita que ele está morto, apenas enfraquecido. Muitos de seus comensais estão livres para continuar promovendo a política puro-sangue e um dia caberá a nós lutar contra essa política lá fora, mas aqui em Hogwarts podemos nos preparar para seja lá o que for que o futuro nos reserve, porque não importa o que seja, não vou permitir que a morte dos meus pais seja em vão. A luta deles é minha luta. — Disse Harry ferozmente.
Os meninos assentiram, pois concordavam e se sentiam da mesma maneira. E quando a discussão parecia que ia acabar nesse momento solene, Hermione soluçou. Os garotos olharam para ela e viram que seus olhos estavam cheios de lagrimas.
— Hermione...? — Terry disse preocupado.
— Eu não entendo, Prof.ª McGonnagall disse aos meus pais e a mim que não havia mais guerra e que era seguro vir a Hogwarts. Eu li que você-sabe-quem morreu e que os comensais culpados estavam presos, e que o Diretor Dumbledore era aquele a quem ele mais temia e, bem, estamos aqui e protegidos por ele. Tenho certeza que mesmo que os Slytherin tentem alguma coisa ou mesmo o Sr. Malfoy, fato esse bem discutível, a ideia absurda de um adulto tentar se vingar de uma criança por causa de uma discussão boba, ora mesmo que tudo isso seja verdade tenho certeza de que o Diretor não vai permitir que nada aconteça. Ele, afinal é o maior bruxo vivo. — Disse meio tentando convence-los e meio tentando se convencer.
A declaração dela era tão absurda que os meninos olharam para ela abismados por um minuto inteiro. E no fim supreendentemente foi Neville que encontrou a voz.
— Sabe Hermione, para alguém tão inteligente, você pode ser bem obtusa as vezes. — Disse ele movendo a cabeça negativamente.
Os outros dois concordaram e ela pareceu ofendida, mas antes que pudesse retrucar Harry se levantou dizendo.
— A verdade é que não podemos nem devemos tentar convence-la, você tem que observar os fatos e tirar suas próprias conclusões, apenas Hermione mantenha a mente aberta, as coisas no mundo magico não são tão perfeitas como lhe foi pintado. E você só teve um pequeno vislumbre disso, acho que você deve se preparar para mais decepções. — Disse e se alongando suspirou tranquilamente como se não tivessem acabado de ter o que provavelmente seria sua primeira reunião de guerra. — Agora vamos lá fora, vamos, quero aproveitar um pouco a tarde e enviar minhas cartas.
Os outros três concordaram, com Hermione parecendo ainda um pouco contrariada, o grupo deixou a torre e foi para os jardins. Eles estacionaram em uma arvore bonita perto do lago, e Harry e Terry decidiram ir sozinhos até o corujal, os Gryffs não tinham cartas para enviar.
Quando chegaram ao corujal King e Edwiges voaram na direção deles, a coruja de Harry pousou em seu ombro e piou feliz ao vê-lo enquanto esfregava a cabeça em seu cabelo bagunçando-o ainda mais e fazendo-o rir. King um pouco mais sóbrio se sentou em um poleiro e olhou carinhosamente para seu dono piando satisfeito e abrindo as asas enormes e gesticulando com a cabeça claramente informando Terry de algo.
— Ah, você gostou de caçar aqui em Hogwarts, King? — A coruja macho piou agudamente concordando, seu olhar predador brilhando muito satisfeito. — Que bom, sempre que você vir me trazer alguma coisa pode tirar um dia para caçar, sei que em casa tem muitas opções, mas imagino que a Floresta Proibida tem fartura de presas. — Ele então acariciou suas penas longas e escuras. — Tenho uma carta para a mamãe, você entrega para ela para mim? — Questionou Terry gentilmente. King piou concordando e estendeu sua perna para a carta ser amarrada.
Enquanto isso Edwiges fazia festa no cabelo do Harry como uma mãe com seu filhote, ele riu divertido, acariciando suas penas e conversando com ela baixinho.
— Sim Ediwges, eu também estou feliz em vê-la, e estou bem, estou comendo bastante sim e você, está se divertindo e caçando bastante ratos? Sim? Que bom, fico feliz garota. — Depois tirou as duas cartas do bolso das vestes e disse a ela carinhosamente. — Você está disposta levar essas cartas para mim? Está é para o avô do Terry, ele me mandou um livro incrível de presente, estou agradecendo. E esta, é para a mãe dele, ela me mandou comida e doces e também algumas fotos e cartas dos meus pais. — Edwiges assentiu e parecendo sentir a emoção de seu dono com os presentes, esfregou sua cabeça amorosamente em seu rosto, como se limpando uma lagrima imaginária. Harry engasgou e suspirou tentando controlar a emoção de ser consolado por sua coruja. — Sim, os presentes me encheram de saudades, mas agora eu sei que eles me amaram Edwiges, eu sei como eles eram e que incríveis eles foram e que eles me amaram. Então nesta carta eu agradeço a Sra. Boot, você entrega as duas cartas em St. Albans, Terry disse que a mãe dele entregaria a carta ao avô.
Edwiges concordou e estendeu sua perna, Harry amarrou as cartas e depois sussurrou para que ela fizesse uma viagem segura. Se despediu de King que lhe lançou um aceno majestoso e depois os dois partiram voando lado a lado.
Harry e Terry ficaram observando eles voarem para longe por um instante, depois voltaram para junto de Hermione e Neville. Decidido a manter o assunto leve Harry perguntou para a menina de cabelos cacheados sobre sua família. Ela animadamente o atendeu contando ser filha única, ter avós, tios, primos, e que seus pais eram dentistas. Isso confundiu Neville que não fazia ideia do que eram dentistas, Hermione então, se lançou em um longo monologo detalhado sobre o que um dentista fazia o que quase levou o pobre e pálido Neville a fugir apavorado.
Harry estava rindo animado e se divertindo, sua palidez e abatimento desaparecera, fosse pelo sol, ar fresco ou apenas se divertir com amigos. Ou talvez fosse tudo isso junto. Quando ele sentiu seu estomago roncar, não pode deixar de pensar nos deliciosos sanduiches que estavam esperando em seu quarto e que ele ainda teria o jantar incrível de Hogwarts mais tarde. Olhou para os amigos, Terry ria de rolar no chão, Hermione parecia entre divertida e exasperada, segurando um sorriso e Neville movia a cabeça negativamente e dizia que os trouxas eram loucos de deixar alguém abrir um buraco em seus dentes. Foi quando Harry ouviu alguém chamar seu nome.
— Potter! — A voz veio da direção do castelo, olhando para traz Harry viu três garotos vindo na direção deles.
Ele se colocou de pé, o riso morreu em Terry que também levantou se colocando ao seu lado muito sério. Hermione também ficou de pé hesitante e Neville seguiu o exemplo, mas claramente confuso com a mudança no clima.
Harry observou entre curioso e irritado enquanto Weasley e seus amigos se aproximavam. Mas a dinâmica parecia diferente, quem vinha a frente parecendo decidido e ser aquele que o chamara era o menino negro muito alto, Thomas, Harry se lembrou, logo depois ao seu lado, não tão confiante vinha o garoto de cabelos cor de areia e sardas, o irlandês Finnigan. E por último, mais atrás e claramente hesitante vinha Weasley.
— Ei, Potter. — Disse Thomas quando chegou mais perto, parando a uns 3 metros de distância.
Seu grito de mais longe atraiu alguns olhares de outros alunos que estava curtindo o sol por perto. Os mais velhos ficaram atentos para ver se alguma briga começaria, se preparando para pedir ajuda. Mas Padma, Morag e Mandy, estavam olhando a lula gigante nadar no lago, imediatamente se aproximaram para ajudar seus amigos Ravenclaw.
— Sim? Algum problema? — Perguntou Harry calmamente e muito atento, mas não acreditava que eles iriam ataca-lo, seus instintos não percebiam qualquer perigo.
— Não, problema nenhum. — Disse Thomas olhando em volta e só agora percebendo que sua abordagem atraíra muitos olhares, depois encarou o Harry e tomando coragem, disse. — Quer dizer, há um problema. Nós, — disse gesticulando para o três, Finnigam assentiu afirmativamente apoiando, mas Weasley uns dois metros mais atrás, olhava para longe, como se não fosse com ele. — Queríamos pedir desculpa pelo outro dia. Sei que fomos grosseiros com a maneira com que nos apresentamos e fizemos perguntas sobre assuntos sensíveis que não é da nossa conta. — Terminou Thomas parecendo muito sincero em seu arrependimento.
Antes que o Harry pudesse pensar no que dizer Terry se adiantou, parecendo irritado.
— Então porque fizeram isso?
— Bem, eu não sabia que era um bruxo antes de receber minha carta, e na verdade não tinha entendido direito a história sobre o menino-que-sobreviveu, só que ele é muito famoso no mundo magico. — Thomas parecia muito constrangido, exatamente como no dia em que eles o abordaram com aquelas perguntas. — Depois Seamus me explicou em mais detalhes e eu queria vir e pedir desculpas, porque o que fizemos não foi certo.
Harry olhou para Seamus e Weasley, o primeiro também parecia arrependido e Weasley parecia querer estar em qualquer lugar menos ali. Pensou em desculpa-los e deixar por isso mesmo, mas depois repensou, olhando em volta e vendo diversos olhos e ouvidos atentos, percebeu que esta era uma oportunidade.
— Eu entendo Thomas, mas o que dizer de vocês dois? — Disse seriamente encarando Finnigan e Weasley. — Vocês acreditaram que eu falaria daquela noite como se tivesse sido uma festa, que mesmo se me lembrasse dos meus pais sendo assassinados por Voldemort — o nome como sempre causou suspiros e estremecimentos — eu contaria para vocês como se fosse uma aventura incrível e mostraria minha cicatriz como uma espécie de prêmio ou troféu? — Seu tom foi duro e Finnigan pareceu meio pálido de vergonha e Thomas ainda mais constrangido. Weasley estava com o rosto vermelho como seu cabelo, mas se de vergonha ou de raiva ninguém sabia, pois, sua postura era ambígua, ele mantinha a cabeça baixa, mas seus punhos se fechavam fortemente.
Os que estavam em volta e ouviram o que ele disse suspiraram surpresos, por ele ter coragem de falar o nome de Voldemort, pelos meninos serem tão idiotas para perguntar sobre aquela noite. Tem coisas, muitos pensaram, que não se fala em voz alta, que não se pergunta, pois era obviamente mal-educado ou inconveniente, mas o que esperar de três Gryffs do 1º ano.
As três meninas Ravenclaws, Morag, Padma, e Mandy e mesmo Neville, ficaram chocados e olharam com raiva para os três garotos. Terry concentrava sua raiva em Weasley, pois era o único que não parecia realmente arrependido, apesar de ser aquele que fizera as perguntas. Hermione estava aflita, enquanto não aprovava a abordagem dos garotos, entendia sua curiosidade e não queria que eles brigassem, pois se não, todos ficariam encrencados.
Depois da pergunta do Harry, Finnigan olhou para Waesley e vendo que o amigo estava envergonhado, na defensiva e prestes a perder seu temperamento decidiu falar pelos dois.
— Bem, é que nós, — disse apontando para si mesmo e Weasley mais atrás. — Bem, nós pensamos que você acharia legal ser famoso e um herói e tal. Não queríamos ofender nem nada, realmente sentimos muitos. — Completou envergonhado Seamus. Weasley, parecia ainda mais vermelho e enquanto não falou uma palavra moveu a cabeça afirmativamente, com os olhos no chão.
— Entendo, vocês acreditaram que eu ficaria feliz em ser famoso por um acontecimento que eu nem me lembro e que além de tudo, tirou meus pais de mim. — Harry deixou suas palavras pairarem no ar, muitos engoliram em seco, pois apesar de não terem sido idiotas o suficientemente para perguntar, pensavam o mesmo que os três garotos do 1º ano. — Agora vocês sabem que estão errados, não ligo e nem quero saber dessa fama estupida, e não vou falar sobre aquela noite para saciar a curiosidade de ninguém, então não adianta ninguém perguntar. — Seu tom era implacável e deixava claro que não estava aberto para discussão.
"E eu os desculpo por terem sido insensíveis, entendo que se equivocaram e não vou manter isso contra nenhum de vocês. Espero que possamos deixar esse incidente para traz e sermos amigos. — Acrescentou Harry amigavelmente, surpreendendo a todos, menos Terry.
Depois ele deu um passo à frente estendendo a mão em amizade para cumprimentar cada um deles. Thomas e Finnigan rapidamente se adiantaram e sorriram aliviado. Weasley estava tão surpreso que demorou para compreender o que estava acontecendo e quando o fez viu que todos o olhavam esperando para ver se ele ia aceitar a mão estendida em sua direção. Ficando ainda mais vermelho, o que lhe dava uma leve semelhança a uma beterraba ruiva, ele saltou a frente, apertou sua mão e logo depois de um resmungo inaudível, se afastou rapidamente com os outros Gryffs seguindo mais devagar.
Depois que os três se afastaram, os outros alunos percebendo que acabara o drama, fizeram o mesmo com a clara intenção de falarem sobre o que acontecera nos mínimos detalhes e contar a algum amigo ou conhecido que perderam o espetáculo. Até o fim do jantar o objetivo de Harry estaria cumprido, a escola inteira saberia que ele não queria fãs ou curiosos perguntando sobre aquela noite.
Harry voltou a se sentar, claramente demonstrando que não queria falar sobre o que acontecera, convidou as meninas de sua casa para se sentarem. Elas aceitaram e rapidamente entraram em uma conversa sobre as aulas com Hermione. Mandy também era nascida trouxa e seus pais eram atores de teatro, apesar de ter uma personalidade mais descolada, as duas meninas logo clicaram quando começaram a falar sobre as incríveis surpresas que se depararam nesse novo mundo. Padma e Morag também eram muito divertidas, mas por serem tão inteligentes e focadas nos estudos, fizeram com que Hermione se descontraísse e não se sentisse tão culpada por falar algumas bobagens e por passar tantas horas sem um livro na mão. O fato é que Mandy e Hermione tinham muito o que compartilhar e perguntar as bruxas puro sangue e, vice e versa.
Enquanto as quatro meninas conversavam e riam animadamente, Hermione com uma expressão de assombro feliz, Harry, Terry e Neville se puseram a falar baixinho.
— Você fez bem Harry, não deixou o incidente passar como se não fosse nada, mas também não fez muito caso disso. E o melhor, várias pessoas ouviram o que você falou e vão espalhar por aí, aposto que até amanhã toda Hogwarts vai estar sabendo o que você pensa sobre essa história de fama e não vão ter coragem de fazer perguntas. — Disse Terry.
— Eu aposto até o fim do jantar. — Disse Harry com um sorriso malicioso.
Terry e Neville olharam para ele e depois se olharam e voltaram a olhar para Harry surpresos.
— Você fez de propósito! — Exclamou Neville.
— Claro! Você sempre pretendeu desculpa-los, mas percebeu que tinha um monte de testemunhas e aproveitou para deixar claro como você se sentia sobre essa situação. Assim não tem que se repetir a cada vez que alguém tiver coragem de tocar no assunto, porque o que aconteceu vai inibir grande parte dos alunos. Muito inteligente Harry! — Disse Terry animado.
Harry apenas sorriu sentindo-se satisfeito e estranhamente gratificado. Usara seu cérebro, sua inteligência para desfazer qualquer possível inimizade com os garotos Gryffindor sem deixar eles ou qualquer um pensar que o que acontecera fora sem importância. E talvez, apenas talvez as pessoas poderiam ver ele por ele mesmo, Harry, e não o menino-que-sobreviveu.
Essa ilusão durou apenas mais uma hora, quando eles começaram o caminho de volta para o castelo conversando animadamente deram de topo com três Slytherin na escadaria externa. Eles também pareciam estar indo para dentro do saguão, mas pararam quando os viram e se colocaram em frente a eles.
Os instintos de Harry imediatamente dispararam e percebendo a desvantagem da posição que os colocavam bem abaixo, ele continuou degraus acima até a base a escadaria em frente a porta grande de carvalho. Parou apenas quando estava bem de frente com Draco Malfoy. E decidiu tomar a iniciativa, sorrindo agradavelmente, mas com um distanciamento estudado, falou:
— Olá Malfoy, tendo um agradável domingo eu espero. — Cumprimentou com um aceno cordial.
Se alguns de seus colegas que o acompanhavam estranharam sua mudança brusca de maneiras, ninguém comentou ou expressou. Todos ali já estavam cientes que em frente aos Slytherins a postura não poderia ser descontraída. Para as crianças puro sangue era claro que Harry deixava de ser apenas Harry e se tornava o herdeiro Potter. E para Terry, que conhecia a história de como seu amigo fora criado e seu desconhecimento sobre sua herança, o surpreendia como Harry tão rapidamente e instintivamente incorporava sua persona de herdeiro de uma família antiga e prestigiada.
Draco zombou do comentário de Harry, nada elegantemente, e observou como o grupo se posicionava em volta de Potter como se ele fosse seu líder. Terry a sua direita, Hermione a sua esquerda, Neville a esquerda de Hermione, e fechando o grupo de apoio uma fileira atrás dele com Morag, Padma e Mandy.
— Eu lhe fiz uma oferta única no outro dia, Potter. Sua atitude não será esquecida pela casa Malfoy e lhe aconselho a ser mais cuidadoso. — Disse beligerante. — A não ser que aprenda seu lugar, vai acabar como os seus pais. Você se mistura com gentinha como essa sangue ruim e vai acabar sendo esmagado junto com ela.
Os suspiros chocados que resultaram do abominável insulto tornaram o clima tenso ainda mais carregado. Para Harry, a menção a seus pais, o insulto e ameaça a Hermione quase o fizeram perder seu temperamento e talvez se ele não soubesse quem era, qual seu lugar no mundo magico ele faria algo bem estupido, como enfeitiça-lo ou sei lá, um duelo à meia noite.
— Malfoy, Malfoy, acho que você não está apenas revelando as verdadeiras cores de sua família, mas também sua completa ignorância. Eu, ao contrário de você, sei muito bem qual o meu lugar, onde sempre esteve todos os Potters desde o primeiro a existir neste nosso mundo, a mais de mil anos. Quando os Malfoys imigraram para nosso país mesmo? Hum, uns quatrocentos anos atrás, talvez? Terry, você que é melhor em História, estou correto?
— Mais como uns trezentos anos, Harry. — Disse Terry divertidamente.
— Ah, sim claro, como poderia esquecer. Você tem muita coragem ao tentar ameaçar a mim, minha casa e meus amigos Malfoy. Eu duvido que até mesmo seu velho pai teria esse desplante. Tem certeza de que está na casa certa, será que o chapéu não se enganou ao gritar Slytherin ao em vez de Gryffindor? — Perguntou Harry, com falsa preocupação, mas deixando claro seu desprezo por sua atitude desprezível.
— Como você ousa! — Exclamou Draco parecendo ainda mais pálido e nada atraente quando duas manchas vermelhas de raiva apareceram em suas bochechas. — Quando eu contar ao meu pai seu desrespeito para comigo ele vai expulsá-lo. Ele faz parte do Conselho de Governadores de Hogwarts e você estará voltando para o buraco de onde saiu amanhã mesmo. — Gritou Draco, colérico.
— Hum, verdade? Bem isso explica porque Hogwarts tem tantos problemas, se entre os membros de seu Conselho estão homens que pretendem ser o que não são. Estive em Hogwarts a 5 dias Malfoy e fiz mais mudanças do que qualquer um dentro ou fora desta escola conseguiu fazer nos últimos 50 anos. Meu nome vale mais do que o seu em qualquer dia ou lugar, o nome do meu pai, do meu avô, vale e gera mais respeito do que o de toda a sua família junta em qualquer dia ou lugar e, eles estão mortos a pelo menos uma década. — Parando um segundo, olhou em volta para seus amigos, que mantinham uma expressão confiante e tranquila, apesar de por dentro estarem estarrecidos. — Acredito, como disse antes, que os Malfoys deveriam repensar seus tolos e antigos ideais, porque, fazendo minhas suas palavras, essa oferta é uma oferta única e com data de validade. Se vocês não aproveitarem, meus amigos aqui e eu cuidaremos para que os Malfoys estejam em seu lugar de direito em definitivo, um lugar onde seu pai deveria ter estado nos últimos 10 anos. Pense sobre isso Draco, e lembre-se, tic-tac, tic-tac. — Depois olhou para seus amigos e sorriu tranquilamente, dizendo: — Vamos? Ainda quero tomar um banho antes do jantar.
No aceno de todos Harry parou e esperou que eles fossem a frente, observando suas costas, muito atento a qualquer movimento de Malfoy para sua varinha, sutilmente com os braços cruzados as costas segurando sua própria varinha pronto para defende-los diante de um ataque pelas costas. Mas isso não aconteceu, Malfoy parecia completamente enfurecido e sem palavras mais uma vez, então Harry caminhou de costas e antes de entrar pela porta sorriu e acenou educadamente.
— Boa noite senhores.
Entrando viu seus amigos o esperando e pode ver que todos estavam loucos para falar, mas ele rapidamente gesticulou negativamente com a cabeça e com um sussurro "Aqui não", apressou o passo pela escadaria de mármore. Foi só quando chegaram ao quarto andar, onde se separariam dos Gryffs que Harry parou e olhando em volta não viu ninguém, mas não querendo arriscar, falou em tom baixo.
— Ainda acredita que foi um absurdo a conversa de mais cedo Hermione? — Perguntou, talvez mais duramente do que deveria.
Hermione empalideceu e seu olhos brilharam de lagrimas, confusamente ela olhou para Terry e Neville pedindo ajuda com o olhar, mas eles se mantiveram firmes. As meninas é claro não estavam entendo quase nada.
— Eu... eu, não sei... eu não... — Hermione titubeou tristemente e foi Harry quem teve pena dela. Afinal, pensou por mais bem informada que ela se achasse, ainda tinha muito sobre o mundo magico que ela obviamente desconhecia.
— Tudo bem Hermione. — Disse suavemente acariciando seu ombro. — Mas acredito que amanhã teremos outra aula de História da Magia e não apenas entre nós. Terry, — disse encarando seu amigo nos olhos — vamos encontrar um lugar seguro e convidar os nascidos trouxas e os puro sangues confiáveis e você vai contar o que me contou no trem. Está na hora que acabarem os segredos.
Terry acenou solenemente, e encarando o grupo reunido viu todos concordarem em participar. Harry estava certo pensou, apenas 5 dias em Hogwarts e ele já estava fazendo mudanças, algumas com consequências inimagináveis.
