Capítulo 10
Depois de se separarem dos amigos Gryffs, Harry e os Raven foram para sua torre, assim que entraram as meninas olharam para eles em busca de esclarecimentos, mas Harry fez um gesto negativo.
— Amanhã vamos explicar tudo, não adianta eu falar para vocês agora e depois ter que repetir tudo de novo. Se vocês se encontrarem com qualquer nascido trouxa do nosso ano, de qualquer casa, avise sobre a reunião. Vou encontrar um lugar e o melhor horário e passamos a informação adiante. — Disse Harry firmemente.
As meninas assentiram e como eles, foram para seus dormitórios. Quando estavam em suas portas, Terry hesitou e olhando para o amigo, perguntou:
— Harry, você vai falar sobre como você cresceu e a participação de Dumbledore nisso?
— Não, primeiro porque isso não é tão importante como a maneira como os nascidos trouxas são tratados dentro e fora de Hogwarts. E também não quero expor tudo isso sem mais informações e se eles forem como Hermione nunca vão acreditar que Dumbledore fez algo que não seja perfeito. E começar a falar mal de Dumbledore por aí, Terry, isso vai apenas se voltar contra mim, principalmente se ele descobrir. Por enquanto, tenho que observar e coletar informações, não é o momento de agir.
Terry concordou, admirado com a contenção de seu amigo, Harry estava realmente incorporando ser um Ravenclaw e era incrível ver sua inteligência se mostrar cada vez mais.
Logo depois Harry se sentou em seu quarto, havia tomado um banho e tinha tempo antes do jantar para começar suas leituras, pegando os livros de decoração se concentrou em ler sobre pintura, organização e combinações de cores e moveis. Nada daquilo o interessava, assim se concentrou em como fazer moveis.
Havia segundo o autor o jeito fácil, se conjurar moveis poderia ser considerado fácil. Ele alertava que conjuração era um assunto de 6º ano, mas que um aluno mais jovem poderia conseguir, desde que fossem objetos pequenos e sabendo que tal objeto não duraria por muito tempo, afinal precisa-se de mais poder para um objeto existir por mais tempo. A solução, ele fazia um adendo era o uso de runas, se o bruxo utilizasse a runas corretamente poderia fazer os objetos criados durarem para sempre, apenas recarregando o poder das runas. Era muito interessante, mas um pouco além do seu conhecimento.
A segunda opção era considerada mais difícil porque, além de magia, utilizava trabalho manual, ou o uso de magia em partes para a montagem do móvel. Harry entendeu que para um bruxo fazer algo sem magia ou em partes e que levaria mais tempo, seria considerando mais difícil do que ter algo instantaneamente a seu dispor. Mas para ele não era assim e se sentiu fascinado e empolgado enquanto lia como encontrar, escolher, colher madeira, trabalhar até que ficasse do jeito que ele queria e depois fixar peça por peça até ter o móvel que ele idealizara. Carpintaria magica era incrível! E o melhor, você não precisaria de muito poder ou conhecimentos avançados para fazer aqueles feitiços.
Mas, considerou, isso com certeza se enquadrava em um projeto que ele só poderia fazer no ano seguinte. Teria que conversar com o professor Flitwick e pedir autorização para fazer este ano, nem que fosse só a mesa e a estante. Estava tentando elaborar como convence-lo quando ouviu uma batida na porta.
— Entre. — Respondeu olhando para cima.
Terry abriu a porta e colocou a cabeça para dentro.
— Ei, já é quase 7 horas, vamos descer para jantar? Estou faminto. — Disse o garoto moreno sorrindo.
Olhando o relógio Harry percebeu que era bem tarde e ele também estava com fome. Ficara tão concentrado na leitura que nem percebera o tempo passar ou seu estomago roncar. Concordou levantando-se e rapidamente colocou o tênis e as vestes, marcou seu livro e desceu a sala comunal. Pensando na questão de onde teriam a reunião amanhã, Harry se desviou no quinto andar, para o corredor a esquerda das escadas, passaram em frente a porta do escritório de Flitwick e deram mais alguns passos quando Terry parou confuso.
— Harry, este não é o caminho, temos de descer as escadas para ir até o Salão Principal. — Disse Terry parando em seus passos e apontando o caminho de volta.
— Eu sei Terry, apenas quero ver se conseguimos encontrar uma sala onde podemos nos reunir amanhã, não vai dar para levar todos os alunos para nossa sala de convívio. Tem que ser um local fora do caminho, discreto, para que ninguém, que não esteja nos seguindo invisível, tropece em nós. — Disse Harry andando a frente pensativo.
— Ok, mas procuraremos por apenas meia hora, depois vamos jantar, estou com muita fome para comer só sanduiches. — Disse Terry e divertidamente acrescentou. — E para você saber, existe um feitiço que pode nos deixar invisível, então sermos seguidos por alguém querendo no espionar não seria um completo absurdo.
— E só agora você pensou em me dizer isso? — Perguntou Harry fazendo cara de traído, mas os olhos verdes brilhavam de diversão.
Terry riu e Harry rapidamente o acompanhou, eles prosseguiram sua busca por uns 15 minutos antes de Harry vislumbrar uma passagem estreita em um canto, atrás de uma estátua de um homem de barba longa que usava uma coroa. Parecia uma espécie de rei e Harry espiou por traz dele e realmente havia um corredor estreito. Fazendo um gesto para Terry, ele passou pela abertura e pegando sua varinha disse.
— Lumus. — Sua varinha se acendeu e ele iluminou o caminho, ouviu Terry entrar também e segui-lo enquanto ele caminhava mais à frente. O corredor fazia uma curva para a esquerda e Harry estava prestes a ir por esse caminho quando pelo canto dos olhos viu um movimento a sua direita, virando-se rapidamente, apontou a luz naquela direção e viu um rato ou talvez alguns ratos fugir correndo da iluminação em direção a algum buraco.
Ao iluminar naquela direção viu alguns degraus e se aproximou, a escada era de pedras e estreita, mas seguindo sua intuição Harry subiu devagar, estava na metade da subida e olhou para traz, viu que Terry com sua varinha também acesa o seguia de perto com uma expressão séria.
— Tudo bem? — Perguntou ele para ter certeza que Terry não queria desistir.
— Sim, também estou curioso, esse lugar está tão sujo que deve fazer muito tempo que ninguém o encontra. Mas seja cuidadoso, ninguém sabe que estamos aqui e se houver algum problema não há quem posso nos encontrar. — Disse Terry cauteloso. — Da próxima vez temos que ser inteligentes e avisar alguém que pretendemos explorar.
Harry assentiu e não pode deixar de pensar que para exploradores e aventureiros eles estavam começando com o pé esquerdo, vendo do ponto de vista da cautela.
Voltando a subir Harry redobrou sua atenção, pronto para dizer para Terry correr por segurança e ajuda, mas ao alcançar o topo se viu de frente a uma porta aberta, iluminando o novo ambiente viu que era uma sala, uma sala simples. Havia três janelas, alguns sofás e poltronas e um tapete desbotado em frente a lareira. Parecia uma sala de estar, mas a poeira, teias de aranhas, e os moveis puídos davam uma dimensão de a quanto tempo ninguém a usava.
— Pode vir Terry é só uma sala, está bem abandonada, mas acho que se a limparmos poderemos usar para a reunião amanhã. — Disse Harry se aproximando das janelas, tentou abrir uma, mas a tranca estava emperrada.
— Você está certo, mas sinto te informar que vai precisar de mais do que apenas limpeza. Estes moveis estão velhos e cheio de traças e duvido que essa lareira funcione. Vai precisar de algum trabalho sério. E espero que não encontramos nada pior. — Terry olhou em volta com receio.
— Pior? Como assim? — Harry também parou e olhou para a sala suja com mais cautela.
— Lembra-se das criaturas que você leu no livro de Defesa? Acredito que esse é o tipo de lugar que encontraríamos algumas delas.
— Hum, bem se é assim, é melhor irmos embora agora e voltarmos amanhã com reforço. — Disse Harry calmamente. — Vamos jantar e no caminho eu te conto do livro que eu estava lendo antes de você me chamar.
Os dois logo fizeram o caminho de volta, com Harry fazendo uma anotação mental de seguir, em outro momento, o corredor estreito a esquerda para ver onde ele dava. Mas por agora eles desceram as escadas pelo caminho de sempre e chegaram para o jantar com meia hora de sobra. No caminho e durante o jantar, como sempre farto e delicioso, Harry falou sobre a carpintaria magica e seu objetivo de pedir autorização ao professor Flitwick.
— Isso parece muito legal, trabalhoso, mas interessante. Se você quiser posso acompanha-lo, e dizer que será uma espécie de projeto em dupla, talvez ele concorde sabendo que não vamos ficar sobrecarregados se ajudarmos um ao outro. — Disse Terry empolgado e com aquela expressão, estou louco para aprender.
— Isso seria ótimo! Tenho tentado pensar em como convence-lo, mas se você está disposto a participar pode ser o que vai fazer ele permitir o projeto. — Disse Harry animado, não se importava com o trabalho extra, estava acostumado a trabalhar horas a fio para seus parentes. E aqui seria para ele e seus amigos e ainda estaria aprendendo magia.
Depois do jantar Harry decidiu pesquisar alguns livros de Feitiços e Defesa do 2º e 3º anos para ajudar amanhã com a exploração e limpeza da sala. Eles os encontrou nas estantes da sala comunal da Ravenclaw e se sentou em uma das mesas. Terry o acompanhou, mas preferiu ler um livro de História, ele disse que queria relembrar as informações para a reunião do dia seguinte em mais detalhes e poder até indicar livros para leituras.
Ao em vez de ler os livros todo, não teria tempo para isso, Harry se concentrou no sumario e encontrar feitiços e maldiçoes uteis para ajuda-los e projete-los. Fez uma lista e se dedicou a repetir os movimentos de varinha, ensinaria e treinaria no dia seguinte com seus amigos. E adiaria a reunião para a terça-feira, depois que tivessem limpado e assegurado a sala.
As 10 horas eles finalmente interromperam a pesquisa para irem para a cama, satisfeito com o que haviam conseguido. Harry não foi direto dormir, tirou o livro da história de sua família e decidiu que leria por mais uma hora. Não queria ler fora do seu quarto e dar a conhecer que estava pesquisando sobre sua família. Assim esse era o único horário que poderia, discretamente, aprender sobre suas origens.
O início do livro era uma apresentação de seu avô dos objetivos do livro e falando sobre os ideais que ao longo dos séculos a família Potter se pautou, nunca na vanguarda da história mágica, contentando-se com uma existência sólida e confortável nos remansos.
No 1º capitulo o primeiro Potter conhecido é apresentado, mago do século XII, Linfred de Stinchcombe com sua personalidade excêntrica e talento para as artes de inventar e preparar poções era amado por seus vizinhos que recorriam aos seus talentos como médico para curar doenças da época.
Apelidado como "O Potterer", seus talentos e os ideais e princípios focados em ajudar, proteger e se relacionar com todos, bruxos ou trouxas se tornaram cada vez mais conhecido. O apelido logo se derivou para o sobrenome Potter, e o respeito por Linfred e seus sete filhos, que mantinham o legado de seu pai, cresceu e se solidificou.
O capítulo se concentrava em suas pesquisas e descobertas como potioner, pois se creditam a Linfred como o criador de uma série de remédios que evoluíram para poções ainda usadas até hoje, incluindo Skele-gro e Pepperup Potion. Mas também falava muito de sua defesa para com os pobres e trouxas ou bruxos perseguidos. Apesar de não se envolver diretamente com lutas armadas ou com política ainda teve seu nome escrito na história por sua compaixão e incansável busca pela cura de doenças.
O livro era incrivelmente bem escrito e contava o contexto histórico da época com maestria sem deixar chato ou cansativo. O segundo capitulo inicia falando de sua carreira como aluno em Hogwarts, sua amizade com famílias de prestigio da época como os fundadores. E como Linfred e seus filhos não se casaram por conveniência e sim por amor, com bruxos ou trouxas. E por fim encerrava dizendo que sem nunca ter feito grande alarde de sua imensa riqueza, surpreendeu a muitos quando ao morrer dividiu sua fortuna, tornando imensamente ricos, cada um dos seus sete filhos.
Sorrindo cansado, Harry decidiu dormir, guardou o livro, apagou as luzes e em segundos estava dormindo e sonhando com um velhinho bruxo excêntrico de cabelos brancos bagunçados em seu laboratório fazendo poções.
Na manhã seguinte ele acordou bem cedo e muito disposto. Tomou banho, limpou seu quarto e banheiro, arrumou sua mochila com tudo o que precisava e desceu para a sala comunal cheio de energia. Ainda faltava muito para as 8 horas então ele passou um tempo relendo os pontos mais importantes do livro de carpintaria mágica para sua conversa com Flitwick.
Logo os primeiros de seu ano desceram, Anthony e Michael, que vieram se sentar com ele.
— Harry, Morag me disse que você quer se reunir com a gente hoje, você pode dizer do que se trata? — Perguntou Michael com o peito estufado e o topete perfeitamente assentado.
— Na verdade eu quero me reunir com nascidos trouxas, como Anthony, você é bem-vindo, mas se não estiver interessado não precisa vir. E o assunto é muito importante e de seu interesse Anthony, espero que você venha. — Disse Harry fechando e guardando o livro na mochila.
Michael fechou a cara com sua resposta, mas Anthony assentiu parecendo curioso.
— Você não pode nos adiantar o assunto? — Perguntou Michael mal-humorado.
— Se eu falar agora só terei que me repetir depois. E a reunião vai ser amanhã, estive ontem procurando um lugar para conversarmos discretamente, encontrei, mas precisa de limpeza. Vou avisar depois a localização exata e o horário. E por favor sejam discretos, não fiquem falando sobre isso por aí, a ideia é que a reunião seja um segredo. — Disse Harry sério e ignorando a carranca de Michael.
— Pode deixar Harry, vamos estar lá. — Disse Anthony parecendo perceber que o assunto era importante.
Depois eles deixaram a sala comunal e quase ao mesmo tempo as três meninas desceram. Padma veio direto se sentar ao seu lado. Morag e Mandy a seguiram.
— Harry, vou contar ao pessoal sobre a reunião, você já sabe onde e quando? E eu posso convidar minha irmã? — Perguntou Padma baixinho.
— Bom dia meninas. Não, apenas que vai ter que ser amanhã, encontrei um lugar, mas precisa de limpeza, vou cuidar disso hoje. Você pode convidar a sua irmã, Padma. E qualquer um do nosso ano que não seja cheio de preconceitos como o Malfoy, mas os mais importantes são os nascidos trouxas e mesmo os mestiços. — Disse Harry também baixo.
— Mestiço? Eu sou mestiça, porque nós também e não só os nascidos trouxas? — Perguntou Morag surpresa.
Harry, que pensara que ela era puro-sangue, se surpreendeu, ouvira ela dizer que sua família era bruxa e a várias gerações viviam no mesmo lugar. Ele a questionou e viu seus olhos se entristeceram.
— Minha mãe é trouxa, meu pai conheceu ela na vila onde crescemos, Invermay. Mas ele não se importou que ela não tinha magia, eles se apaixonaram e se casaram. Mas mantêm a relação bem escondida, vovô MacDougal os alertou que, mesmo com o fim da guerra, ela corre perigo. Assim eles me orientaram a não falar dela, mas acho que posso falar para vocês, certo? — Perguntou Morag confusa e triste.
Mandy e Padma saltaram para ela imediatamente e sussurraram seus apoios e abraçaram na cada uma de um lado. Harry engoliu em seco a raiva que sentiu, como uma sociedade pode exigir que uma criança esconda a própria mãe para mantê-la em segurança. Estava tudo errado, pensou, e como Linfred seu antepassado a quase um milênio, Harry lutaria contra essa injustiça.
— Tudo bem? — Terry se aproximou sério e cauteloso ao perceber que o clima não era muito brilhante.
— Sim, estávamos falando da reunião amanhã e quem devemos chamar. Morag, essa reunião é importante para todos nós, e vamos falar inclusive disso que você acabou de nos contar e não se preocupe, apenas diga para quem você sente que pode confiar. Se não se sentir assim não conte, confie em sua intuição. — Harry disse e depois se levantou arrumando a mochila nos ombros. — E agora é melhor irmos para o café da manhã, temos poções duplas e a última coisa que precisamos, depois de tudo o que aconteceu, é nos atrasarmos. Assim que tiver o horário e local eu lhes passo e vocês podem passar para os outros, ok?
Elas concordaram e rapidamente todos se apressaram para o Salão Principal, no caminho elas encontram com Parvati e Lavander e se detiveram para conversar, enquanto Terry e ele seguiam descendo as escadas. Terry lhe lançou um olhar questionador e Harry, bem baixinho, contou o que ela disse. Ele apenas assentiu, com raiva no olhar e não disse mais nada.
Eles tomaram o café da manhã sem muito papo, todos já sentindo a tensão da aula que estava por vir. Quando se levantaram, fizeram todos juntos, meio que sem palavras se unindo como uma casa, mas para surpresa de Harry os Hufflepuffs também se levantaram e se juntaram a eles. O grupo acenou entre si, oferecendo cumprimentos e depois olhou para Harry em apoio e esperando sua liderança.
Olhando em volta Harry percebeu que a demonstração de apoio estava chamando a atenção e isso é a última coisa que ele queria. Assim apressadamente deixou o salão na direção do corredor que os levaria as masmorras. Depois de andarem longe o suficiente para não verem mais as portas no Grande Salão, ele parou e olhou para os outros primeiros anos.
— Agradeço o apoio, mas lembrem-se isso não é sobre mim. É sobre todos sermos tratados com respeito e aprender nas aulas de Poções. Se por acaso vocês também forem atacados, não deixem de protestar. — Orientou Harry calmo.
Ele já tinha se virado e pretendia continuar o caminho quando uma voz o deteve.
— Nós não somos famosos como você Potter, duvido que nossos protestos teriam o mesmo efeito do que o do menino-que-sobreviveu.
Harry ficou ainda mais tenso do que já estava. Virando, se viu de frente com um garoto loiro e alto de nariz arrebitado, da Hufflepuff. Tentou lembrar seu nome, da classificação, mas não conseguiu. Mas antes que pudesse responde-lo uma garota de cabelos castanhos avermelhados também da Hufflepuff se adiantou e encarando seu colega de casa de frente disse:
— O que o Harry quis dizer foi que se nos unirmos podemos nos proteger e até mudar as coisas, seu troll. E ele não usou sua fama em nenhum momento na semana passada caso você não tenha visto, Smith. — Declarou a garota Bones, furiosa.
Harry observou que muitos alunos da Hufflepuff olhavam o tal Smith com olhares atravessados e um garoto, o mais perto dele estava claramente constrangido. O tal Smith, não muito querido por sua casa, corou de raiva e parecia que ia responder grosseiramente, mas eles não podiam começar a brigar agora e correrem o risco de se atrasarem. Assim Harry deu um passo à frente e se colocando ao lado de Bones, disse.
— Bones está certa, aquele dia foi o apoio e a união que recebi que fizeram o Prof. Flitwick nos ouvir. E foi também o apoio do nosso chefe de casa que permitiu que essas mudanças acontecessem. Snape não pode mais me atacar, mas isso não vai impedi-lo de atacar outros alunos e ser um péssimo professor. Assim se nos unirmos contra suas maneiras horríveis podemos trazer mais mudanças, mas temos que fazer isso com inteligência. — Olhando em volta para as duas casas, mas se concentrando no seus que ele sabia que iam entender onde ele queria chegar, Harry continuou. — Seremos educados, seremos exemplares, faremos as melhores poções que pudermos e não deixaremos ele ter nada para dizer contra nós. E se ele não mudar, nos uniremos, protestaremos e exigiremos um professor melhor. Agora, ficarmos aqui discutindo entre nós e nos atrasarmos, não vai ajudar. — Ele terminou mais duramente.
Depois sem esperar qualquer resposta se virou e começou a andar pelo corredor, rapidamente sua casa o seguiu, os Hufflepuff ficaram um segundo a mais parados, mas depois começaram a andar também. Quando chegaram a sala de poções chegaram juntos, como se realmente fossem um grupo unido. Eles entraram e se assentaram nos mesmo lugares da semana anterior. Quando começaram a acomodar suas coisas, Terry sussurrou.
— Não queremos convidar este idiota para a reunião, com certeza.
Harry concordava totalmente, mas se ele fosse mestiço ou nascido trouxa não teriam escolha. Neste momento Megan e Justin se inclinaram mais pertos e também em um sussurro informou-os.
— Desculpe pelo Smith, Harry. Ele é um idiota, que se acha o melhor, porque vem de uma família bruxa antiga e rica, vive se gabando, ninguém o suporta lá na toca. O único com quem conversa mais é o Hopkins, tenho até pena do cara, sabe. — Disse Justin, olhando para Megan em busca de apoio e ela concordou, movendo a cabeça afirmativamente.
— Está tudo bem Justin. Não é culpa de vocês, e na verdade quero agradecer pelo apoio de vocês na sexta-feira. Foi muito legal. — Disse Harry sincero.
Megan corou levemente e Justin apenas deu de ombros parecendo também constrangido.
Antes que eles pudessem dizer qualquer outra coisa Severus Snape entrou pela porta parecendo um morcegão. Sua expressão era fria no rosto pálido e seus olhos escuros, ele falou tão baixo que todos tiveram que se esforçar para ouvir.
— Deveres de casa em minha mesa.
Houve um silencio agourento e todos se olharam em pânico e confusos.
— Agora! — Falou Snape mais fortemente fazendo todos saltarem de susto.
Finalmente Michael ergueu a mão em permissão para falar. Ele e Anthony é quem estavam mais perto da mesa de Snape.
— Mas o senhor não nos passou nenhum dever de casa, Prof. Snape. — Ele falou educadamente, mas estava meio pálido e sua testa suava.
— Ah sim, sim, foi nesta aula que alguém resolveu me desafiar. — Ele zombou olhando na direção de Harry com um olhar de profunda aversão. — E ainda foi recompensado por isso! Em todas as minhas aulas eu passo deveres e espero que sejam entregues na aula seguinte, se vocês não foram informados sobre isso não é minha responsabilidade. Culpem seu amiguinho Potter por isso, e pelo zero que receberão em minha avaliação sobre participação em aulas e cumprimentos de deveres. — Disse Snape com uma careta que tentava parecer um sorriso.
Harry e Terry se olharam e rapidamente tomaram a decisão de não entregar os deveres feitos no dia anterior, pois se o fizessem estariam prejudicando os outros. A garota Bones levantou a mão.
— Prof. Snape será que não podemos entregar na próxima aula, senhor? Podemos entregar os dois deveres, o de hoje também, juntos, senhor. — Disse ela, ainda mais educada do que Michael.
Snape andou pela sala e se colocou diante da mesa de Harry. Olhando-o com profundo ódio, sorriu friamente e disse:
— Não, zero a todos e agradeçam a Potter por isso. — Ainda sem deixar de olha-lo, acrescentou. — Comecem a poção de hoje, a receita está no quadro.
Todos olharam o quadro, e realmente a formula da poção estava lá. Todos rapidamente se mexeram para pegar os ingredientes, um de cada dupla, Terry foi por eles. E Harry pegou seu caldeirão, ignorando o professor que continuava parado diante de sua mesa, o encarando. Quando Terry voltou e começou a organizar os ingredientes, Snape voltou a falar.
— Cada aluno fará suas próprias poções a partir de agora, avaliações individuais e não em duplas. Comecem, agora! — Falou mais alto, fazendo alguns, mais uma vez, pularem assustados com a mudança do tom.
Harry não se assustou, apenas rapidamente foi até os armários de ingredientes e os pegou. Voltando para sua bancada, viu que Terry já pegara seu caldeirão. Os dois se olharam nos olhos, brevemente, mas foi o suficiente.
— Potter, você vai mudar de lugar, quero você bem longe do seu amiguinho. Não vou aceitar ser enganado outra vez. Vamos ver se você realmente tem talento para poções como dito. — Seu tom era de escarnio, mas as palavras bem eram escolhidas, ele não o atacou ou caluniou. — Sente-se aqui nesta bancada sozinho. — Snape se encaminhou para uma bancada mais a frente, era a mais distante da porta, no fundo da sala.
Harry, sem mostrar nada em seu rosto, pegou suas coisas e levou para a nova bancada. Precisou de duas viagens para levar tudo, estava perto dos armários agora, se ele tivesse feito a mudança antes teria poupado muito tempo com levar os ingredientes de lá para cá. Mas atrasa-lo era provavelmente o objetivo, pensou Harry, ao ver que todos já tinham agua nos caldeirões borbulhando no fogo. Mesmo que se mantivessem atentos a ele e Snape.
— Olhe para frente Potter, não quero saber de você olhando ou copiando o trabalho de ninguém, agora comece a trabalhar, está perdendo tempo. — Snape disse em tom mordaz e mais uma vez se colocou em frente a sua mesa.
Onde estava, bem à frente, Harry ficou totalmente de costas para os alunos. E olhando as instruções na lousa, teve que se afastar da mesa para se desviar de Snape e ler o que estava escrito. Era a poção do quarto capítulo e ele agradeceu por sua preparação, se não fosse isso estaria em apuros. Pegando o livro, leu com mais atenção, enquanto sua água esquentava no caldeirão. As instruções de Snape eram precisas, mas incompletas, o livro explicava melhor cada procedimento. Deixando o livro na mochila, pegou seu pergaminho com suas anotações. Havia até alguns comentários e perguntas, mas sabia que nunca seriam respondidas, assim se concentrou, como fazia ao cozinhar em ordenar cada passo na ordem. Deixando na bancada o pergaminho, se concentrou em preparar cada ingrediente.
Snape continuava em frente a sua mesa o encarando, Harry achou que ele se cansaria se não tivesse nenhuma reação dele, e acabaria por ir olhar o trabalho dos outros e critica-los. Mas isso não aconteceu, durante a meia hora seguinte Snape olhou para ele tão intensamente, que Harry podia sentir sua pele se arrepiar com a sensação de perigo iminente que seu ódio lhe despertava.
Uma parte de Harry queria gritar e brigar, outra queria chorar, cansado de ser odiado por algo que ele não tinha controle. Mas ele não faria nem uma coisa nem outra, porque no fim, seu receio não se concretizou, Snape não atacou seus amigos ou qualquer outro aluno. Na verdade, ele gostaria de estar nas aulas de Neville também para protege-lo.
Seu atraso foi compensado por sua experiência em cortar com uma faca e logo sua poção estava borbulhando exatamente como descrito e da cor esperada. Sua necessidade de se manter impassível diante de Snape, ele concluiu o ajudou, pois ele se manteve calmo e não se afobou. Seguiu cada instrução e quando teve dúvidas seguiu sua intuição, e muitas vezes pensou em Linfred, seu antepassado que arriscou a vida para ajudar pessoas doentes e em necessidade.
Faltando 15 minutos para o fim da aula, estava exausto da tensão, o trabalho exigia muito, mas manter a postura era muito mais cansativo. O cheiro e a fumaça que envolvia a sala, mais a tensão estava lhe dando o começo de uma forte dor de cabeça. Encerrando sua poção, percebeu que ela não ficara totalmente perfeita, porque a cor deveria ser verde translucida, a sua ficara verde clara, mas faltava, pensou um pouco mais de suavidade. Revendo suas anotações, pensou que o suco de babosa talvez não tivesse sido suficiente. E rapidamente antes de desligar abaixou o fogo, decidiu arriscar e pegou mais um pedaço de babosa e ao em vez de espremer como orientado, ele separou as folhas, o núcleo da babosa apareceu com o suco grosso. Pegando em sua faca de prata, pingou algumas gotas com a mão esquerda segurando a faca no alto, enquanto mexia com a direita. Foram 4 gotas grossas antes da poção se translucidar, ficando perfeita, Harry rapidamente desligou tudo e esperou, mas a poção atingido seu ponto correto se estabilizou.
Suspirando aliviado, Harry rapidamente pegou sua varinha e ficha entregue pelo professor Flitwick, e fez o feitiço.
— Finis Evaluate — sussurrou ele e esperou que o encanto desse a avaliação. Na ficha magicamente apareceu a nota, O, e a data de hoje e a poção feita. Ele fechou os olhos por um segundo, não esperava ir tão bem, verdadeiramente não esperava, como sugerira Terry, que ele tivesse jeito para fazer poções.
Guardando sua ficha, pegou algumas garrafas e sem se preocupar se Snape reclamaria, encheu cinco frascos. Etiquetou cada um, guardou 4 cuidadosamente e o ultimo levou até a mesa do Professor, havia mais 3 frascos lá. Depois voltou para sua bancada, limpou e guardou tudo.
E então só nesse momento olhou para cima e encarou Snape, seus olhos verdes brilharam com igual desprezo, a que sua mãe Lily olhou para Snape anos antes quando ela rompeu a amizade que eles tinham. Mas Harry não sabia disso e nem como ver aqueles olhos o olhando assim o magoava, o no rosto de Potter, não menos. Snape, muito perto de perder o controle se afastou sabendo que se ele atacasse o garoto nem que fosse com uma palavra, tudo estaria perdido.
Olhando em volta viu que a maioria terminara a poção, poções medíocres. Assim que todos entregaram seu trabalho ele indicou o dever de casa e os dispensou, e na sala vazia suspirou fechando os olhos e pensando em como ver Potter com seu caldeirão foi como voltar ao passado onde ele inúmeras vezes assistira Lily fazer os mesmos movimentos, a mesma concentração. Olhando para sua ficha encontrou a nota dele, mas ele já sabia. O garoto, para seu desagrado herdara da mãe o talento de potioner.
Harry saiu da sala rapidamente, estava exausto e com uma dor de cabeça que o deixou enjoado, assim ao em vez de ir na direção do grande salão seguiu por uma escada para o primeiro e depois o segundo andar. Terry o acompanhou de perto, mas não disse nada e para seu alivio, ninguém mais resolveu segui-los. Quando chegou ao segundo andar se virou na direção da enfermaria, mas a dor pulsou e seu estomago saltou e ele percebeu que não chegaria antes de vomitar.
— Deus... — E rapidamente se apoiou na parede. Terry pareceu entender finalmente o que acontecia e rapidamente segurando-o pelo braço abriu uma porta e o empurrou para dentro. Harry teve uma vaga sensação de que era o banheiro das meninas, mas não se importou, entrando por uma das portas, teve apenas tempo de segurar o vaso antes de vomitar.
A dor de cabeça apenas pulsava mais forte a cada engasgo e quando finalmente acabou, se levantou com dificuldade. Terry tentou ajuda-lo, mas ele fez um gesto cortante e chegou as pias sozinho, onde lavou a boca várias vezes. O gosto amargo não passava e a dor de cabeça pulsou fortemente.
— Diga-me o que você quer que eu faça para ajudar Harry, seja o que for. — Disse Terry, e Harry percebeu que ele estava muito aflito.
Fechando os olhos tentando controlar a dor, lembrou da carta de sua mãe que dizia que esperava que eles fossem amigos. Respirando fundo ele olhou para seu amigo, vendo sua palidez, raiva e preocupação, ficou feliz que sua mãe onde estava havia colocado os dois no mesmo compartimento.
— Eu estou bem Terry. — Vendo seu olhar descrente, sorriu e acrescentou, pois era verdade. — Estou bem, apenas com uma dor de cabeça de morte que me deixou enjoado. Pensei em ir até a enfermaria pedir um remédio e aproveitar para cumprir a promessa que fiz a sua mãe de pedir um checape.
Terry suspirou mais aliviado, mas ainda parecia hesitante.
— Foi a tensão. — Com um suspiro Harry olhou para o espelho e viu o quão pálido estava, não é para menos que Terry ainda estava preocupado. — Foi a tensão do Snape me olhando, podia sentir seu ódio rastejar em mim. E o cheiro e a fumaça na sala, tudo isso me deu dor de cabeça, e a dor me deixou enjoado. Estou sem apetite, se você quiser pode ir almoçar, vou a enfermaria e depois direto para a sala de Transfiguração.
Terry hesitou, queria acompanhar o amigo, mas não queria constrange-lo, além disso estava com fome e poderia pegar alguma fruta para Harry comer antes da aula começar se seu apetite voltasse. Pesando tudo rapidamente, ele concordou e os dois deixaram o banheiro que estava inundado de água.
— Obrigado Terry, mas da próxima vez tenta encontrar um banheiro masculino. Ok? — Disse Harry com um sorriso de fingida decepção.
Terry olhou para o sinal surpreso, não percebera isso, apenas que era um banheiro. Balançou a cabeça e olhou para o amigo.
— Sim, vou com certeza prestar atenção nisso da próxima vez que você quiser vomitar nos meus sapatos. Pode deixar. — O sarcasmo escorreu e os dois riram divertidos indo para caminhos opostos.
Harry caminhou até a enfermaria torcendo para que a curandeira estivesse lá e não almoçando e nenhum aluno estar por perto. Quando ele entrou, olhou em volta e pensou em ir até seu escritório procura-la, mas antes que pudesse se decidir ouviu passos e logo depois uma mulher de uns 60 anos de rosto sério e roupas que a faziam lembrar as enfermeiras trouxas antigas apareceu.
— Sim, qual o problema? — Perguntou enérgica.
— Desculpe Madame, não queria incomodar, mas... — ele hesitou sem saber por onde começar.
— Pomfrey, me chamo Madame Pomfrey, Sr. Potter e não é nenhum incomodo atender os alunos, este é meu trabalho, do qual, devo acrescentar gosto muito e sou muito boa. — Sua voz era firme e sincera, Harry não duvidou dela por um minuto. — Agora venha até aqui e me diga porque está tão pálido. — Sua expressão assim como sua voz se suavizaram no fim o que fez Harry relaxar e se aproximar.
— Estava na aula de poções e toda a tensão e a fumaça e o cheiro me deram uma dor de cabeça muito forte. A dor me deixou enjoado e acabei vomitando no caminho daqui. — Ele disse meio constrangido, não gostava de ser fraco.
— Muito bem, suba e deite na cama aqui para que eu possa examina-lo. Depois lhe darei uma poção para a dor e para o enjoo. — Disse Madame Pomfrey, calma e segura.
Harry obedeceu e se deitou contra os travesseiros, viu sua varinha apontar em sua direção para o exame, mas não teve medo, seus instintos lhe diziam que estava seguro. Depois de agitar a varinha nele algumas vezes ela deixou a enfermaria e quando voltou tinha dois frascos de poções.
— Aqui beba isso, vai se sentir melhor, depois descanse uma meia hora antes de ir para sua próxima aula, vou mandar que lhe tragam seu almoço aqui. — Disse em um tom que não abria para discussão.
Harry não pretendia discutir e nem pensou em dizer que estava sem fome. Tomou as poções com gosto horrível e depois um copo de agua gelada que ela lhe deu, dizendo que ele estava um pouco desidratado.
Sentindo-se melhor e pensado na Sra. Boot, bebeu toda a água e tomando coragem, falou:
— Madame Pomfrey, eu estava pensando em vir aqui antes de hoje, sabe. — Harry olhou para ela para ver sua expressão, mas continuava suave, firme e enérgica, não parecia que ele a estava incomodando.
— Por qual motivo Sr. Potter? — Perguntou, pacientemente, a curandeira.
— Bem, eu percebi e meu amigo Terry apontou para mim que sou muito pequeno e magro para minha idade, acredito que sou o mais baixo de todos os meninos do meu ano e de muitas meninas também. Terry escreveu para a mãe dele e lhe contou isso e ela foi muito gentil e me escreveu, me aconselhando a procurar a senhora, para fazer um checape. — Disse Harry rapidamente, encarando suas vestes.
— Essa é uma boa ideia, principalmente se faz muito tempo que você não vai a um curandeiro para fazer um. Ou o equivalente trouxa. — Disse Madame concisa. — Sra. Boot fez bem em aconselha-lo, existem muitos problemas que podem ocasionar falta de peso e crescimento, principalmente se você está comendo bem, e se estiver com falta de apetite existem tantos outros que podem explicar isso. São relativamente fáceis de tratar. — O informou muito profissional e delicada.
— Hum... — engolindo em seco, Harry hesitou, mas sabia que esconder as coisas dela não o ajudaria, além disso como curandeira ela manteria seu segredo. — E se, bem... e se eu não estou comendo tão bem? Mas não por falta de apetite.
Madame Pomfrey o olhou com atenção, Harry na desviou o olhar e o entendimento do que ele estava tentando explicar apareceu em seu rosto. Foi sutil, raiva, descrença, e depois sumiu e ela voltou a sua expressão enérgica.
— Entendo, você poderia Sr. Potter me explicar com mais detalhes essa situação e com que frequência ocorre?
Harry assentiu e voltou a olhar para suas vestes, envergonhado.
— Bem eu vivo com meus parentes, eles não me deixam passar fome, mas não me deixam comer o quanto eu quiser até me sentir satisfeito. E as vezes quando eles me colocam de castigo me deixam sem algumas refeições.
— Com que frequência isso acontece? — Perguntou muito séria.
— Qual? — Perguntou confuso.
— Os dois, claro, Sr. Potter. — Disse paciente.
— Ah, bem, não me deixam comer muito em todas as refeições, todos os dias. E se fico de castigo passo até um dia ou dois sem comer, depende de quão zangado está meu tio. — Disse ele explicando como se não fosse grande coisa.
Madame Pomfrey não disse nada por um tempo e quando olhou para cima curioso viu que ela apertava a varinha e parecia tentar controlar a raiva. Achando que a deixara zangado, ele rapidamente acrescentou.
— Eu as vezes consigo fugir de madrugada e comer quando tenho muita fome e quando eu cozinho roubo aqui e ali alguma coisa, mas não muito ou minha tia pode perceber.
Isso não pareceu acalma-la, mas foi o suficiente para ela se controlar e perguntar o que ele comeria em um dia normal.
— Ah bem, quando eu estava na escola eu comia lá no almoço, o que era bom. Na casa dos meus parentes eles não me deixam comer o almoço, apenas o café da manhã, duas torradas, sem nada, e também nada de ovos ou bacon, isso vai tudo para o meu primo. Se minha tia estiver com disposição me deixa fazer mingau e eu posso comer duas colheradas, mas com açúcar, nada de frutas ou mel. Depois eu ajudo com o trabalho da casa e bebo agua durante o dia e ajudo ela a fazer o jantar. Eu como o mesmo que eles no jantar, mas minha tia me serve bem pouco e as vezes não me deixa comer carne, e tem vez que ainda estou com fome, mas nunca posso repetir.
Quando terminou Harry passou a mão pelos cabelos bagunçando-os ainda mais, mas não olhou para cima, esperando o que ela ia dizer.
Recuperando-se com dificuldade, Madame Pomfrey, pediu licença por um instante e foi até seu escritório. Sabia que não poderia fazer nada com essas informações, mas talvez em algum momento elas poderiam ser uteis e era seu dever registrar cada problema de saúde que o obvio abuso sofrido causara.
— Muito bem Sr. Potter, vou examina-lo e registrar tudo o que eu descobrir neste prontuário. Ele é confidencial, assim como tudo o que conversamos e eu vier a descobrir, a não ser que você autorize a divulgação. Entendido? — Perguntou Madame Pomfrey assim que voltou a enfermaria.
— Sim, Madame. Obrigado. — Disse Harry grato.
Madame Pomfrey apenas assentiu e colocando os papeis de lado fez um gesto ampla com sua varinha na direção do Harry e depois o direcionou para os papeis. Harry adivinhou que os resultados apareceriam magicamente lá, como acontecera com sua nota na aula de Poções.
Depois ela pediu que ele se deitasse e fechasse os olhos. Harry obedeceu e sentiu uma energia morna percorre-lo, da cabeça aos pés. Essa energia se manteve por alguns minutos e depois esquentou mais, parecia ir até seus ossos e seu cérebro, envolve-lo e Harry se sentiu flutuando e depois acabou. Abrindo os olhos viu que Madame Pomfrey analisava os resultados e fazia anotações, seus lábios estavam franzidos, e sua expressão muito séria.
Sentando na cama alta, Harry esperou em silencio, mas apenas alguns minutos mais e ela terminou, suspirou e olhou para ele.
— Bem Sr. Potter, fico muito feliz que você tenha vindo a mim neste momento. Enquanto acredito que você com uma boa alimentação nos próximos anos aqui em Hogwarts não desenvolveria doença graves, não posso dizer que a desnutrição dos seus anos de infância não acarretaria em problemas em seu desenvolvimento físico e magico impossíveis de se superar, caso não fosse tratado agora. — Disse ela olhando para os resultados. Depois olhou para Harry e ao vê-lo confuso, suspirou, e decidiu ser mais clara.
— Harry, seus resultados mostram que você desenvolveu uma doença chamada Nanismo Nutricional.
— Nanismo? — Perguntou Harry chocado.
— Sim, em uma explicação simples o seu potencial de altura foi afetado fortemente devido a má nutrição. Verificando seu potencial a partir de sua herança anatômica do seu pai, que era um homem muito alto e de sua mãe que também era considerada alta para uma mulher, você deveria chegar a 1,93m de altura. Neste momento seus exames mostram que você atingirá apenas 1,73m de altura. — Ela disse delicadamente.
Harry engoliu em seco, e olhou para baixo, não queria ver pena em seus olhos, ou que ela visse a raiva no seus. Movendo a cabeça afirmativamente, mostrou que entendera.
— Em seus resultados também aparece uma deficiência nutricional significativa. A falta dessas vitaminas e minerais, principalmente o ferro podem trazer muitos problemas físicos e mental, além de mágico. Os sintomas que você pode ter com essas deficiências são fadiga crônica, fraqueza muscular, muito sono ou sono irregular, falta de concentração e até dificuldades na aprendizagem. Você reconhece algum desses sintomas? — Perguntou Madame Pomfrey.
Harry refletiu sobre sua dificuldade na escola trouxa em se concentrar ou guardar o que era ensinado pelos professores. Sempre pensara que isso acontecia porque ele não era muito inteligente, mas agora percebia que talvez fosse outra coisa. E fisicamente ele estava sempre cansado, mas pensara que era porque tinha que fazer todo o trabalho de limpeza e jardinagem no número 4.
— Acho que o cansaço e a falta de concentração são os que eu sinto quase sempre. — Disse Harry baixinho.
— Muito bem, além do Nanismo, os resultados mostram um nível baixo do suco gástrico em seu estomago, isso torna sua digestão mais difícil e arriscada porque você pode ingerir bactérias, que seu corpo com imunidade baixa poderia não conseguir combater, o que poderia ser fatal. Além disso a falta de vitamina A está causando um aumento na incapacidade dos seus olhos. Você, como seu pai, tem uma leve miopia, ou deveria ter, mas por falta nutricional esse problema aumentou e pode causar problemas em sua visão noturna e até cegueira.
Harry olhou para a curandeira apavorado, ele estava ficando cego! Mas isso não podia acontecer, como, como ele ia se defender se estivesse cego. Vendo sua expressão, Madame Pomfrey falou rapidamente.
— Não se preocupe Harry, isso está longe de acontecer e agora que detectamos os problemas vamos cuidar para que não aconteça. O importante agora é cuidarmos de nutrir seu corpo e corrigir as deficiências nutricionais para que você possa atingir seu pleno potencial. — Acrescentou ela calmamente.
Harry suspirou e concordou, mas tinha duas perguntas ainda, muito importantes.
— Madame Pomfrey, todas essas deficiências nutricionais também me impedem de atingir meu potencial magico? E se eu fizer o tratamento que a Sra. passar para mim, vou deixar de ser nanico? — Questionou apavorado de que além de nanico seria um bruxo fraco.
— A respostas paras essas perguntas são sim, para ambas. Com o tratamento e a nutrição do seu corpo agora, antes de iniciar a puberdade, você conseguirá atingir sua altura potencial, ou o mais perto dela possível. Quanto a questão sobre sua magia, você precisar ter um corpo apto, forte e saudável para desenvolver seu potencial magico.
"Como a altura, o seu potencial magico é uma herança do seus pais, avós e outros antepassados, com o começo da puberdade você recebera um aumento em sua magia e quando alcançar fisicamente a vida adulta receberá um aumento ainda maior. Mas se seu corpo estiver fraco e doente não terá capacidade de desenvolver ou potencializar sua magia. Não quer dizer que você deixará de ser um bruxo, mas nunca saberia o quão poderoso você poderia ser, mas o tratamento impedirá que isso aconteça. — Concluiu com um leve sorriso.
Harry sorriu também aliviado, tudo ficaria bem, ele faria o tratamento e seria alto e poderoso e poderia se defender e a seus amigos.
Depois disso Madame Pomfrey passou a falar sobre sua alimentação, havia uma variedade imensa de alimentos que ele teria que comer todos os dias. Ela explicou que avisaria a cozinha sobre sua dieta especial. Além disso ele tomaria algumas poções específicas e importantes.
— Algumas dessas poções Harry você terá que tomar diariamente, outras, dia sim dia não e outras uma vez por semana. Eu lhe fornecerei uma caixa abastecedora de poções. É muito simples, na caixa colocarei suprimentos de poções para a semana e quando alguma poção acabar a caixa que é magica reabastecerá com poções que estarão em uma caixa igual aqui em meu escritório, as caixas estão conectadas. Você tomara cada uma delas a noite antes de dormir e de estomago cheio. Elas vão fazer efeito enquanto você dorme e isso será muito benéfico. Mas uma vez a cada duas semanas você virá aqui e eu examinarei sua evolução e você tomara essa poção aqui. — Disse pegando primeiro uma caixa de madeira cinza escura e colocando várias poções de tamanhos e cores diferentes, com etiquetas com seus nomes e a frequência que ele deve toma-las. E depois pegando um vidro maior com uma poção azul escura. — Essa poção Harry é a Poção Instaurium Osseus, você vai tomar ela duas vezes por mês até que seus resultados mostrem que seus ossos estão fortes e desenvolvendo em pleno potencial, poderá levar meses ou até um ano. É uma poção muito delicada e depois de tomar você terá que ficar aqui de observação por pelo menos 2 horas. Eu sei que você tem aulas agora, mas posso enviar uma mensagem para o professor e avisar que você vai ficar por aqui. — Disse Madame em tom que não quer discussão.
Mas dessa vez Harry resolveu discutir, afinal suas aulas lhe eram muito importantes.
— Madame Pomfrey, eu não poderia ir para as aulas duplas de Transfiguração e depois venho direto para cá? A outra aula é História e bem eu já li todo o assunto do livro. Mas transfiguração é diferente e eu não quero ficar para traz. — Harry pediu enviando seus grandes olhos verdes implorando e ela não pode resistir.
— Muito bem, vou então pedir seu almoço, sente-se bem para comer? Sim? Ótimo, vou também já organizar sua alimentação, não o quero perdendo uma única refeição, entendido? — Perguntou, seu rosto meio feroz.
Harry rapidamente concordou e a observou deixar para seu escritório, olhando para o relógio viu que teria que comer rápido para chegar a aula da Prof.ª McGonnagall a tempo.
Vinte minutos depois ele se apressou pelo corredor com um bilhete de Madame Pomfrey, ela não o deixara comer rápido, disse que isso seria prejudicial para sua digestão e observara como um falcão para conferir se ele comia corretamente e limpava o prato.
Enquanto comia a enorme variedade de alimentos que ela lhe pedira, espinafre, cenouras, beterrabas, brócolis e carne vermelha grelhada, ele a ouvia explicar para a elfo doméstica, Mimy, quais alimentos ele precisava comer em cada refeição e como cozinha-los. Isso era importante também, ela afirmara, os legumes crus ou cozidos no vapor, as verduras verdes e frescas e a carne cozida ou grelhada, nada de fritura ou assados que dificultavam a digestão ou tinham poucos nutrientes. Ao em vez de suco de abóbora Harry tomaria leite em todas as refeições e suas sobremesas seriam apenas frutas. Harry pedira para que a torta de caramelo fosse uma exceção e para sua alegria, depois de olha-lo por alguns segundos, Madame Pomfrey concordara.
Harry ouvira suas instruções com muita atenção, sempre gostara de cozinhar e quando voltasse para seus parentes, ele ainda não sabia como, continuaria com sua dieta especial.
Nesse momento ele chegou a classe de Transfiguração e respirando fundo bateu e ao ouvir "Entre", abriu a porta e entrou. Prof.ª McGonnagall o encarou severamente e ele torceu para que o bilhete de Pomfrey fosse o suficiente.
— Espero que tenha uma explicação para seu longo atraso, Sr. Potter. — Disse ela, friamente.
— Eu... sim professora, aqui. — Disse estendendo o bilhete da curandeira.
Ela pegou o bilhete rigidamente e o leu, depois o olhou com atenção, e talvez percebendo seu rosto um pouco pálido ainda, seu rosto se suavizou e ela assentiu mandando-o sentar.
Suspirando de alivio Harry fez o que ela mandou e ignorou os olhares curiosos, apenas olhou para Terry e sorriu levemente para mostrar que estava tudo bem.
A aula prosseguiu e Harry orgulhosamente demonstrou para ela como ele conseguira transfigurar seu fósforo em uma agulha. McGonnagall parabenizou a todos que conseguiram superar essa etapa, em sua maioria Ravenclaws, e deu pequenos objetos de madeira de diferentes formatos e tamanhos e pediu para que eles fizessem o mesmo. Enquanto os que não conseguiram continuavam com o palito de fosforo.
Não era impossível, mas estava longe ser fácil para ele como Feitiço e Defesa, pensou Harry ao fim da aula. Com objetos de tamanhos e pesos diferentes, era necessária mais precisão, poder magico e mental. Hermione foi a melhor, mas Harry, Lisa e Terry vinham logo atrás. Os outros Ravenclaws não eram tão ruins, mas os Gryffindors restantes ainda estavam no fosforo e ao fim da aula apenas Parvati e Seamus conseguiram superar esse ponto. Neville, percebeu Harry, estava muito decepcionado.
Assim que estavam no corredor Hermione o cercou e lançou sua voz inquisitiva na direção dele.
— O que houve Harry? Porque você chegou tão atrasado, foi por causa da aula de poções? O prof. Snape fez alguma coisa?
Harry olhou para ela, Terry e Neville, mas logo se viu cercado por todos os Ravenclaws, até mesmo alguns Gryffs ficaram no corredor se afastando bem devagar, mas obviamente tentando ouvir sua resposta. Ele suspirou sabendo que teria que falar alguma coisa, mas ele não queria que toda a escola ficasse sabendo dos seus problemas de saúde.
— Eu apenas me senti mal depois da aula de Poções, toda a tensão com o Snape, o cheiro e a fumaça, tive uma dor de cabeça e acabei ficando enjoado por causa da dor. Quase vomitei nos sapatos do Terry, mas ele conseguiu me levar a tempo para um banheiro, só que das meninas. — Disse divertido, sorrindo e provocando o amigo.
O grupo arregalou os olhos de surpresa e olharam para Terry em confirmação, quando ele deu de ombros e corou levemente, todos começaram a rir. Harry não se aguentou e riu também e logo Terry se juntou a ele.
— Mas você está bem agora Harry, certo? — Perguntou Morag preocupada depois que o riso diminuiu.
— Sim e não, Madame Pomfrey disse que estou com um pouco de anemia, nada grave, mas ela quer fazer mais alguns exames e me dar umas poções e disse que terei que ficar em observação. — Ao ver seus olhares preocupados, acrescentou rapidamente. — Apenas por umas duas horas, não é nada grave, serio. Vou lá agora, Madame Pomfrey me deixou vir para a aula da McGonnagall, mas disse que avisaria o Prof. Binns.
— Ah! A aula de Defesa, vamos nos atrasar. — Disse Hermione apavorada. Os outros olharam como se ela tivesse enlouquecida, mas ela já estava no modo, não posso quebrar regras. — Vamos, vamos Neville, Harry depois te visito na enfermaria.
E saiu apressada arrastando o pobre Neville que apenas acenou tristemente.
— Vocês deveriam ir também, mesmo que seja Binns, podem perder pontos se chegarem atrasados. — Disse Harry sorrindo tranquilo.
Todos acenaram e se despediram, Terry ficou por último e olhou para Harry com atenção, é obvio que ele sabia que o amigo amenizara o diagnóstico da curandeira, mas Harry sabia que não teriam tempo agora para falarem livremente. Ele, discretamente, fez um gesto que depois eles conversariam e Terry concordou e seguiu para a aula sonolenta de História.
Harry rapidamente seguiu para a enfermaria e Madame Pomfrey já o estava aguardando. Ele se sentou na cama alta, se inclinou nos travesseiros e bebeu a poção sem protestar. Tinha o pior gosto que já provara na vida, mas ele nem fez careta, beberia o que fosse necessário para ficar curado. Não deixaria o que seus parentes fizeram lhe impedisse de alcançar seu potencial.
Uma hora depois Hermione e Neville entraram pela porta, a sala de defesa era mais perto, os dois viram sua palidez e se perguntaram se Harry fora sincero quando dissera que não tinha nada grave. Harry estava com dor, Madame Pomfrey explicara que o objetivo da poção era aos poucos refazer os componentes dos seus ossos, fortalecendo-o enquanto isso acontecia. Era algo doloroso nas duas horas em que fazia efeito, deveria ser feito apenas duas vezes por mês e com observação e repouso.
Um minuto depois, todos os Ravens entraram pela porta, totalizando nove crianças e claro que Madame Pomfrey apareceu e expulsou todo mundo. Terry conseguiu ficar dizendo que trouxera as anotações de História e que poderia ajudar Harry a começar os deveres de casa. A curandeira o olhou com atenção e, lembrando que fora a carta que ele enviara para sua mãe que trouxera Harry até ela, concordou.
Hermione não ficou feliz, mas Mandy sussurrou algo em seu ouvido sobre "biblioteca" e "pesquisa", e ela concordou sem muitos protestos. Antes de saírem Harry combinou de encontra-los na biblioteca e então eram apenas Terry e ele, depois que Pomfrey voltou para seu escritório.
Quando ficaram sozinhos Harry esperou que ele lhe perguntasse sobre o que a curandeira descobrira, mas ele não disse nada, só falou rapidamente da aula idiota do Binns. Harry sorriu com sua paciência, outro o pressionaria e exigiria saber cada coisa em detalhes, ou pior fingiria que nada acontecia porque não queria falar de coisas constrangedoras. Mas Terry não faria nada disso, ele esperaria que Harry falasse do seu jeito e no seu ritmo. Isso o fez respeita-lo ainda mais e não pode deixar de, mais uma vez, pensar em sua mãe e se ela estaria feliz pelos dois estarem se tornando tão bons amigos.
Ele começou a falar bem baixinho e contou tudo sem esconder nada, Terry ouviu com muita atenção sem interromper nenhuma vez com perguntas. Quando Harry terminou, estava mais pálido e suado por causa da dor, mas feliz por ter um amigo com quem compartilhar sua alegria de que ficaria saudável e forte física e magicamente.
— Obrigado Terry, se você não tivesse se preocupado em contar para sua mãe, ela não teria me aconselhado a procurar a curandeira e então seria tarde demais. — Disse Harry, olhando para suas mãos, um pouco envergonhado.
— Não precisa me agradecer, me sinto feliz que você vai ficar saudável, amigo. Isso é o que importa. — Depois parou e respirando fundo encarou Harry nos olhos, e muito seriamente acrescentou. — Mas o mais importante de tudo, é que você não pode voltar para lá, Harry. Eu não sei como, mas teremos de pensar com cuidado e agir com inteligência, vou conversar com meus pais e meus avós durante as festas e vamos encontrar uma maneira, porque não importa de que jeito, você não pode continuar a viver com aquelas pessoas.
Harry apenas assentiu e não disse nada, ele concordava totalmente com Terry, nada o faria mais feliz do que deixar a casa dos Dursley, mas sendo bem realista, algo lhe dizia que isso seria algo muito difícil, talvez impossível, de eles conseguirem. Mas achou melhor não dizer ao seu amigo, deixaria que ele tivesse esperança.
Alguns minutos depois a dor desapareceu como se nunca tivesse existido. Madame Pomfrey apareceu, examinou ele com cuidado, e pediu um lanche, um copo grande de leite e fatias de frutas variadas com mel e nozes. Harry comeu e bebeu tudo, enquanto Terry comia a maça que ele colocara no bolso mais cedo, que pretendera dar a Harry.
Depois ela o dispensou recomendando que além das refeições, ele deveria comer alguns lanches nos intervalos. Ele concordou e saiu com Terry caminhando para a biblioteca pensando que precisavam encontrar o caminho da cozinha, seria mais rápido do que subir para a torre, e mais limpo do que carregar lanches nos bolsos.
Quando chegaram a biblioteca encontram Hermione, Neville, Mandy, Padma e Morag fazendo o dever em uma mesa. Olhando para o relógio Harry percebeu que precisava se organizar, tinha muita coisa a fazer hoje e o dever de casa era apenas mais uma.
Sentando-se começou imediatamente a fazer o dever de Transfiguração que precisaria ser entregue no dia seguinte. Poções era só na sexta e História só quarta-feira. Hermione não se importou em emprestar suas anotações, sabia que Harry esteve doente e que ele não era do tipo de copiar e não fazer por si mesmo.
Quando acabaram Harry decidiu que eles deveriam voltar para a torre antes de conversarem. Todos concordaram e rapidamente subiram para a sala comunal da Ravenclaw.
As meninas estranharam a entrada dos dois Gryffs como se fosse algo comum, Padma foi a mais chocada e quando chegaram a sala de convívio não aguentou e falou.
— Espere, vocês já vieram aqui antes? — Perguntou apontando para Hermione e Neville que pareciam um pouco constrangidos, mas acenaram afirmativamente. — Mas eu pensei que não pudéssemos entrar nos dormitórios das outras casas. Foi o que me deixou mais chateada por minha irmã estar na Gryffindor, quase nunca conseguimos nos ver e em nenhum lugar confortável para conversar como aqui. — Disse Padma chateada.
Todos se sentaram e Hermione e Neville olharam para Harry para que ele explicasse.
— Padma, desde que chegamos e fomos apresentados as regras e tradições da escola e principalmente da nossa casa, não ouvimos dos monitores ou do nosso chefe uma única frase de proibição ou mesmo de, não é aconselhável. E me lembro bem de Flitwick dizendo para fazermos amigos, inclusive com alunos de outras casas, e que essa sala era para nos conhecermos, fazer amizade e nos divertirmos. Assim não vejo qual o problema e Hermione e Neville já estiveram aqui duas vezes e o alunos mais velhos não disseram nada. Então, enquanto talvez incomum, proibido não é e já mudamos tantas coisas, acredito que isso é outra coisa que devíamos tentar mudar. Eu adoraria conhecer as outras casas, apesar de que os Slytherins provavelmente não me deixariam sair de lá vivo. — Disse rindo divertido.
Todos o acompanharam, apesar de Hermione ter ao contrário, fechado a cara.
— Isso não tem graça Harry, você não pode brincar com uma coisa assim e sinceramente ainda acho que vocês estão exagerando. Vocês não vão conseguir me convencer que eles nos ofenderem quer dizer que tentariam fazer algo para nos machucar. — Disse ela, cruzando os braços e com uma expressão bem teimosa.
— Hermione, não estamos tentando convence-la de nada, você tem direito de pensar como achar melhor. Mas já te aconselho a se preparar para se decepcionar. — Disse Terry.
— Olha eu não sei sobre o que exatamente vocês estão falando, mas estou mais interessada no fato de que posso ir visitar e ser visitada por minha irmã. — Disse Padma animada e se levantando. — Harry você precisa de mim agora? Ou posso ir contar para Parvati?
— Não Padma, vocês podem ir meninas, eu ia só explicar sobre o local que encontramos para a reunião, mas pode ser depois. Eu aviso vocês. — Disse Harry sorrindo com sua animação.
Padma logo desceu, Morag a seguiu depois de se despedir, mas Mandy hesitou.
— Harry, não tivemos a oportunidade de falar sobre a aula de Poções e como Snape agiu. O que ele fez não foi muito legal e se você quiser protestar, quero lhe dizer que vou apoia-lo. E sei que os outros também, incluindo o Hufflepuff. — Ela disse, corando um pouco.
— Obrigado Mandy, mas eu posso aguentar algumas encaradas, não se preocupe. Hoje foi apenas a surpresa, eu não esperava o que ele fez, na sexta vou estar preparado. Além disso não acho que protestar por tão pouco vai ser de alguma ajuda. Vão começar a achar que eu estou utilizando minha fama para me beneficiar. Você ouviu aquele garoto, Smith. — Disse Harry resignado.
— Ah, falando no idiota do Smith, ele é puro-sangue então não o convidem para a reunião e peçam as crianças nascidas trouxas da Hufflepuff para manterem segredo dele. Tenho a sensação que ele vai nos causar problemas se souber. — Terry acrescentou rapidamente.
— Ok, se você tem certeza Harry, vou avisar as meninas Terry, até mais. — Disse Mandy e deixou a sala de convívio seguindo Padma e Morag.
Depois que ficaram sozinhos Terry foi fazer chá para todos e Neville foi ajuda-lo. Hermione encarou Harry com olhos de falcão.
— O que aconteceu na aula de Poções? O que o Prof. Snape fez para você Harry que o fez passar mal. E não pense que eu não percebi que você não falou a verdade sobre porque tinha que ficar na enfermaria, ou pelo menos toda a verdade. — Disse ela no seu tom inquisitivo costumeiro.
Harry sorriu, Hermione era meio previsível, mas ele não se importava de dar mais informações para ela, apenas não falaria de seus parentes ou ela faria um escândalo sobre isso.
— Eu falei meia verdade Hermione, só não queria preocupar ninguém ou que isso se espalhasse por toda a escola, seus amigos da Gryffindor estavam todos de ouvido em pé, caso você não tenha visto. Meu problema não é no sangue, e sim nos ossos, eu vou ter que tomar uma poção 2 vezes por mês que vai fortalecer meus ossos, e quando tomo a poção tenho de ficar de observação por 2 horas. Mas não quero que isso se espalhe, vocês terão que cobrir para mim quando tiver que ir na enfermaria. — Harry olhou para eles e todos os 3 acenaram.
— Pode deixar Harry, a gente vai te ajudar. — Disse Neville tímido, mas parecendo feliz por ser necessário.
— Mas qual o problema dos seus ossos e que poção é essa que você tem que tomar? — Perguntou Hermione ainda mais curiosa.
— Meus ossos estão fracos, pelo que Madame Pomfrey me disse é por isso que sou tão pequeno e a poção é para fortalece-los. E vai me ajudar a ficar mais alto. — Disse Harry começando a ficar impaciente.
— Mas o que...
— Ai, pelo amor de Merlin, Hermione, ele já disse o que queria dizer, por favor, controle sua curiosidade. Se Harry quiser te contar mais, ou a qualquer um de nós, ele vai. Questões medicas são confidenciais e intimas, além disso Harry está nas mãos de uma ótima curandeira. Vamos seguir em frente que temos muito o que fazer hoje. — Interrompeu Terry exasperado.
Hermione bufou e cruzou os braços chateada. Neville olhou para ela, mas como parecia que ficaria calada resolveu perguntar.
— E com Snape, o que aconteceu? Vocês podem nos contar?
— Sim. — Disse Harry e rapidamente resumiu como fora a aula. — Foi por isso que me senti mal, fui um idiota e achei que por causa do juramente magico que ele fez não poderia fazer nada contra mim. Eu não estava preparado, podia sentir o ódio dele rastejando em mim e eu fiquei muito tenso tentando fazer a poção corretamente com ele olhando cada coisa que eu fazia. E o cheiro e a fumaça, acabei com uma dor de cabeça, mas na sexta eu já sei o que esperar e vou ficar bem. Não vou deixar ele, nem ninguém, me impedir de aprender. — Disse com determinação.
Neville enquanto Harry descrevia a aula ficara cada vez mais pálido, no dia seguinte teriam essa aula. Quando Harry terminou ele gemeu e escondeu o rosto na mão.
— Estou perdido, vou ter que fazer a poção sozinho. Com Seamus eu já fiz tudo errado, Snape vai acabar comigo de novo.
— Não se preocupe Neville, vamos nos preparar para aula amanhã, ainda não fizemos isso. E vou sentar do seu lado, Prof. Snape não tem por que ficar te encarando como fez com o Harry, assim você pode dar uma olhada no que eu estou fazendo. — Disse Hermione, solicita e preocupada com o amigo.
— Acho isso uma péssima ideia, mesmo que ele não fique encarando o Neville, Snape vai se lembrar de que ele teve problemas e se ele pegar o Neville copiando, vai ficar com muita raiva de vocês dois. E pegar ainda mais no pé do que já pega. — Disse Terry pensativo, tentando encontrar uma solução.
Harry suspirou olhando para a expressão pálida e perdida de seu amigo, não podia deixar que Neville sofresse com a maldade de Snape. Ele só podia ver um jeito.
— Acho que vocês terão que fazer uma boa preparação, e não apenas teórica, mas pratica também. — Disse Harry, mas encarando Terry que arregalou os olhos ao entender do que seu amigo falava.
— Mas... não podemos contar... — começou Terry, mas parou ao ver o olhar determinado em Harry, ele já se decidira.
— Do que vocês estão falando? — Perguntou Hermione desconfiada, Neville parecia confuso.
— Eu sei Terry, mas eu confio em Neville e Hermione, acredito que eles entenderão. — Depois olhando para os dois Gryffs, continuou. — Vocês já perceberam como nossa casa valoriza os estudos, boa preparação e dedicação. — Os dois acenaram. — Bem quando esse problema com Snape começou nosso chefe de casa reclamou muitas e muitas vezes, mas como vocês sabem foi ignorado. Ele então teve uma ideia e requereu financiamento, mas foi recusado, mas não sua ideia, apenas dinheiro para pôr em pratica. As outras duas casas, Gryffindor e Hufflepuff aceitaram, mas nós não aceitamos algo que prejudique nosso aprendizado passivamente. Prof. Flitwick encontrou uma maneira de conseguir o dinheiro, mas não podemos contar por aí, não porque acreditamos que as outras duas casas não mereçam, mas porque temos receio que o que fazemos seja proibido e não seria justo quando nós pensamos em uma solução, enquanto as outras casas ficaram de braços cruzados. — Terminou Harry misteriosamente.
— Faz sentido para mim. — Disse Neville pensativo.
Hermione tinha o rosto franzido, mas por fim suspirou e concordou com Neville.
— Sim, faz sentido, mas do que se trata? — Perguntou ainda mais curiosa.
— Antes de cortamos ou mostrarmos, vocês têm que prometer não contar para ninguém. Isso poderia prejudicar toda a nossa casa. — Disse Terry muito sério.
Os dois prometeram, assim Terry e Harry contaram sobre o laboratório de pesquisa implantado desde a época dos fundadores e que nos últimos anos se tornou também laboratório de preparação pratica para as aulas de poções.
— E serve também para fazermos poções que não ficaram boas em aulas. Você sabe, treinamento, correção, mas é utilizado mais pelos anos superiores que fazem poções muito difíceis, nós ainda não usamos o laboratório nem uma vez. — Concluiu Terry, bagunçando o cabelo um pouco envergonhado.
Os dois Gryffs os encararam por um segundo, com rostos chocados.
— Mas..., mas isso não é justo, vocês têm uma enorme vantagem sobre nós e...
— E que isso importa Hermione? — Interrompeu Neville zangado, os amigos nunca o ouviram falar assim. — Se você não percebeu essa não é a única vantagem que eles têm sobre nós, e eles conseguiram isso por si mesmo utilizando a inteligência deles. O que você esperava da casa da inteligência? Que fossem tão desorganizados como nós? Além disso a ideia foi apresentada para a nossa chefe de casa, foi ela que decidiu acatar a falta de verba e não fazer nada. E, se você não notou, eles estão nos oferecendo utilizar essa vantagem e pelo menos para mim isso seria incrível, então tente ser um pouco grata.
Depois que ele acabou todos ficaram em silencio olhando-o meio chocados, isso o fez autoconsciente e é claro que ele corou na hora. Mas Harry sorriu e indo até seu amigo bateu em seu ombro.
— Muito bem-dito Neville, eu não teria dito melhor. E eu entendo perfeitamente porque o chapéu te colocou na Gryffindor. — Esse comentário fez Neville arregalar os olhos de surpresa e corar ainda mais vermelho. — E vocês devem se orgulhar de estarem nessa nobre casa, era a casa de meus pais e sei que se o chapéu me colocasse lá eu estaria muito orgulhoso. Nós podemos ser organizados e inteligentes, mas vocês são bravos, corajosos e nobres, na verdade acredito que não há melhor ou pior, apenas casas diferentes.
Olhando para Hermione, viu seu olhar perdido e confuso. Ela estava obviamente em conflito.
— Eu entendo o que você diz Neville, e me desculpa se fui insensível. Eu prometo que não vou contar a ninguém, mas não acho justo que os Ravenclaw tenham essa vantagem. Está errada e por isso não vou me utilizar dela, mas Neville, se você sente que deve não vou ser contra, e eu manterei minha promessa. — Disse Hermione estoicamente de ombros erguidos.
Os meninos suspiraram não concordando com sua decisão, mas não discutiram.
— Se você prefere assim Hermione, está tudo bem. — Disse Harry sabendo que a pressionar não resolveria nada. — Agora precisamos nos organizar, temos muito o que fazer. Terry e eu encontramos um lugar perfeito para nossa reunião, mas ele precisa ser limpo e assegurado, cuidaremos disso hoje, assim nos reuniremos amanhã, mas antes precisamos nos preparar para as aulas de amanhã e treinar alguns novos feitiços e maldições que eu separei. Vamos começar?
Todos concordaram e desceram para a sala de estudo, Harry e Terry tinham Transfiguração, Herbologia e Feitiço, Hermione e Neville, Herbologia, Poções e Feitiço. Eles leram os capítulos dos livros, fizeram anotações e rapidamente terminaram essa parte. Eles então se concentram nos feitiços novos, Harry era muito bom em ensinar Feitiço e Defesa e logo todos, Neville com mais dificuldades, estavam usando Colloportus, Alohomora, para abrir e fechar portas. Hermione já tinha lido o livro a frente e conhecia esses dois. Depulso, Glacius, Immobilus, para afastar, congelar ou imobilizar qualquer criatura que encontrassem. Evannesco para a limpeza da poeira e Reparo para concertarem os moveis quebrados. E por fim Ferula para bandagens, caso alguém se machucasse.
Quando acabaram todos estavam sorrindo animado, até Neville, incrivelmente, Defesa e Feitiço não lhe eram tão difíceis quanto Transfiguração.
— Bem agora vou levar o Neville para ele fazer a poção. Pensei em uma ideia para avisar as pessoas do lugar onde fica a sala para nossa reunião. Terry, você acha que aqui ou na biblioteca vocês dois poderiam encontrar o feitiço para sinalizar em um pergaminho o local, igual aos dos nossos horários? Assim passamos a informação mais discretamente e não precisamos ir todos juntos ao mesmo tempo.
O olhar de Hermione e Terry se iluminaram, e imediatamente concordaram em começar a pesquisar. Enquanto isso Harry levou Neville para o laboratório, a sala estava cheia, mas todos concentrados nos estudos não prestaram atenção neles. Suspirando aliviado, Harry não tinha certeza de que ninguém o impediria de levar seu amigo Gryff para aquela parte da torre.
Quando chegaram ao laboratório encontraram Bubbles assoviando baixinho enquanto organizava e limpava os armários de ingredientes. Não havia ninguém nas bancadas de treinamento e preparação, mas no de pesquisa ao fundo dava para ver alguns alunos mais velho, eles nem olharam na direção deles.
— Rá, olá 1º anos, o que Bubbles pode fazer por vocês? — Disse o elfo vindo na direção deles saltitando animado.
— Oi Bubbles como você está? — Disse Harry sorrindo.
— Bubbles está bem, misters Potter, obrigado por se preocupar com Bubbles. Bubbles agradece. — Disse abrindo um largo sorriso e corando levemente.
— Esse é meu amigo Neville, nós queremos treinar para a aula de Poções amanhã. É uma poção simples, mas com muitos ingredientes que precisam ser bem preparados, assim queremos tentar aqui. — Disse Harry enquanto eles se caminhavam para uma banca. — Ah, eu fiz ela hoje em aula e ficou perfeita, separei esses 4 frascos você pode colocar no armário de poções para venda? E tudo bem se eu ajudar o Neville aqui a se preparar?
— Claro misters Potter, Bubbles fica muito feliz em ajudar misters Potter a ajudar seu amigo. E Bubbles fica feliz em guardar no armário os frascos de poções de misters Potter. — Disse Bubbles saltitando até Harry pegando os frascos e saltitando até um dos armários azuis. Depois voltou e se sentou em um banquinho alto e sorriu para eles. — Bubbles fica aqui e assiste misters Potter e misters Neville enquanto trabalham.
Harry concordou e pegou sua mochila para pegar seu pergaminho onde anotara sua preparação para a aula de hoje. Olhando para Neville, viu-o parado na porta olhando em volta surpreso e um pouco fora de lugar.
— Vem Neville, este é nosso laboratório e este é Bubbles, ele é o elfo da torre Ravenclaw e cuida do laboratório e nos monitora por segurança, caso façamos algo perigoso. — Disse Harry, apresentando-os e depois indo para o armário e pegando um caldeirão.
Neville acenou para o elfo em um cumprimento tímido e Bublles acenou de volta animadamente.
— Aqui Neville, esses são os ingredientes, você pode pega-los no armário, siga as instruções, você tem suas anotações, leu a poção, não tem pressa e tenho certeza de que você conseguirá sem problemas. Não tem que ser perfeito, nem aqui e nem na aula, lembre-se que a nota vem do encantamento no caldeirão e não do Snape. — Disse Harry calmamente.
Neville respirou fundo e começou a seguir as instruções, o ambiente era bem diferente das masmorras e, sem Snape, ele pode se concentrar e não se afobar. Apesar disso, ele se esqueceu de dois passos, abaixar o fogo antes de acrescentar a babosa e mexer no sentido horário 5 vezes depois das urtigas. A poção ficou verde azulada e muito mais grossa do que deveria. Quando ele desligou o fogo, se sentia muito bem apesar da poção fracassada.
— Bem, eu errei tudo, mas foi bem melhor sem o Snape. — Disse ele sorrindo.
— Não está tudo errado, reveja suas anotações e descubra o que você deixou passar. — Incentivou Harry, paciente.
Neville fez exatamente isso, logo descobriu e suspirou, esquecera passos simples, não queria nem pensar no que faria no dia seguinte com Snape o criticando. Como se lesse seus pensamentos, Harry falou:
— Você precisa ignorar Snape o máximo que você conseguir Neville. Se concentrar e se errar algum passo não se preocupe, estamos aqui para aprender, ele pode não querer fazer o trabalho dele, mas ele não vai ficar no nosso caminho. — Disse Harry firmemente.
Neville assentiu, ele não se sentia tão corajoso como Harry ou como o chapéu dera a entender quando o colocara na Gryffindor, mas ele com certeza não deixaria um comensal da morte impedi-lo de deixar seus pais orgulhosos dele.
Logo depois de Neville limpar e guardar tudo eles agradeceram Bubbles e voltaram para a sala comunal, receberam alguns olhares aqui e ali, mas ninguém falou nada. Terry e Hermione não estavam lá e então os dois seguiram para a biblioteca. Olhando o relógio viu que já era 18:30 passado, eles tinham que jantar e arrumar a sala. E sua reunião com Flitiwck ficaria para amanhã.
Encontram os dois saindo da biblioteca falando animadamente sobre o que descobriram.
— Então, encontraram? — Perguntou Harry esperançoso.
— Sim, sim, não sei se é o mesmo encanto usado pelo Prof. Flitwick, mas vai ajudar no que planejamos. — Disse Hermione com molas nos pés, lembrava um pouco Bubbles, pensou Harry, divertido.
— Sim Harry, ele vai desenhar uma linha de direção de um ponto ao outro, mas precisamos estar em cada ponto para cada etapa do feitiço. — Disse Terry com sua expressão inteligente.
— Bem podemos ir jantar e depois vamos fazer isso, teremos tempo, se for muito demorado podemos nos separar e um grupo já começa a limpeza. — Disse Harry caminhando para o Salão Principal.
Neville e Terry concordaram imediatamente, mas Hermione resmungou sobre "meninos" e "seus estômagos". Eles riram e continuaram no caminho com Neville contando para os outros dois como foi fazer a poção. Hermione estava interessada e fez várias perguntas sobre o laboratório, sua curiosidade era óbvia, mas não parecia que queria ceder a ela, pelo menos na pratica.
No grande salão eles se separaram e cada dupla foi para sua mesa. Ao em vez de se servir Harry recebeu magicamente um prato cheio de comida até a borda, como no almoço havia uma grande variedade, e além de legumes e verduras havia peixe e um copo com leite. Ninguém percebeu além do Terry que arregalou os olhos e começou a servir do que tinha na mesa. Na hora da sobremesa, Harry recebeu frutas picadas e torta de caramelo e mais um copo de leite.
— Precisamos encontrar a cozinha amanhã para seus lanches entre as refeições. — Disse Terry comendo um segundo pedaço de torta de morangos.
— Sim, a noite tenho os sanduiches que sua mãe me enviou, mas durante o dia vai ser mais rápido ir até a cozinha. Também quero ir até o escritório do Flitwick conversar com ele sobre a carpintaria magica, se ele concordar podemos fazer moveis novos para a nossa sala. — Disse Harry muito animado com o pensamento.
— Precisamos dar um nome para a sala, não podemos ficar chamando de "sala", parece até que estamos indo só nos reunir para o chá da tarde. — Acrescentou Terry enquanto os dois deixavam a mesa e iam na direção da mesa Gryffindor, Hermione e Neville também terminaram e eles começaram a subida para o 5º andar.
Foram conversando sobre um possível nome, Hermione disse que queria ver o lugar antes e os meninos acharam justo. Quando chegaram no corredor, antes de subirem para a torre viraram à esquerda, passaram pelo escritório de Flitwick e continuaram pelo corredor fazendo algumas voltas, direita, esquerda, e chegaram sem problemas a estátua do bruxo que parece um rei. Harry orientou que todos acendessem suas varinhas e depois entraram pela passagem.
Quando chegaram aos pés da escada todos pararam por um segundo para olhar em volta.
— Para onde leva esse caminho? — Perguntou Hermione curiosa.
— Não sei. — Respondeu Harry. — Mas teremos que verificar em algum momento. Agora a sala fica subindo por aqui. — E começou a subir as escadas, tudo estava exatamente como eles tinham deixado, a sala não era muito grande, mas ainda assim eles teriam muito trabalho para arrumar tudo.
— Oh, Harry, você tem razão é um ótimo espaço, vai ser um bom lugar para reuniões. — Disse Hermione sorrindo animada.
Neville parecia com um pouco de medo, ficou mais atrás, tendo uma ideia Harry se aproximou de uma tocha e lançou um Incendio.
— Neville o que você acha de começar a iluminar e limpar o caminho até aqui, só não acenda as tochas mais perto da abertura para que a entrada não fique muito iluminada. Nós três começamos aqui na sala e se por acaso tivermos problemas, seja o que for, você corre e pede ajuda. O escritório do Flitwick não fica muito longe, você viu. — Disse Harry, esperando que sem ninguém olhar e em um lugar menos assustador seu amigo inseguro conseguisse realizar os feitiços sem grandes dificuldades.
Neville pareceu aliviado e depois de dizer para eles serem cuidadosos retornou pela escada e começou a acender as tochas. Na sala Terry estava fazendo o mesmo e logo a sala estava iluminada, o que fez o moveis parecerem ainda pior. Estavam bem velhos e as traças fizeram buracos nos estofado, tapetes e cortinas.
— O que fazemos primeiro? — Perguntou Hermione olhando com nojo para uma poltrona que um dia deve ter sido azul. Ela tocou nela com a varinha apagada — Ahhhh! — Gritou, dando um salto para traz quando um rato enorme saiu do buraco no meio do acento.
O rato fugiu bem rápido na direção da porta, Hermione continuou saltando e gritando, indo parar atrás do Terry. Neville apareceu na porta pálido, mas antes que pudesse perguntar, mais três ratos grandes saltaram dos outros sofás e poltronas e correram na direção dele, para seu credito ele não gritou, mas ficou meio verde e conseguiu sair do caminho antes que a família de ratos o atropelasse. Hermione ao ver os outros ratos gritou ainda mais e começou a dar saltos desesperado tentado subir para o alto sem ter no que subir.
Harry, que estava ficando surdo com seus gritos, foi até os sofás e poltronas, começou a bater neles com a varinha e chuta-los, mas depois de alguns bons chutes e sacudidas nada mais saiu.
— Acabou Hermione, eles já foram todos embora. — Disse Harry suspirando. Ele olhou para os amigos, Hermione estava pálida, Terry olhando divertido, e Neville verde e suado, parecia que ia vomitar. Ele não aguentou, começou a rir e logo os outros três o acompanharam, eles riram até ter lagrimas escorrendo pelo rosto e dor na barriga. E esse era só os primeiros 5 minutos de limpeza.
Durante as próximas 2 horas eles trabalharam incansavelmente, e, felizmente, o que de mais sério eles encontraram foi uma infestação de Doxy nas cortinas. Uma delas mordeu o dedo de Terry, mas logo ele e Hermione as paralisaram e recolheram em um saco de almofada, depois de tirarem a espuma, fecharam fortemente, pretendendo entregar a Hagrid no dia seguinte para que ele encontrasse uma nova casa para elas bem longe dali.
No mais, foi só muita limpeza e reparação, Hermione envergonhada dos gritos, decidira limpar e reparar os sofás e poltronas, para mostrar que não tinha medo. Harry ficou com o chão e tapetes e Terry com as cortinas e janelas. Neville depois de terminar o caminho e escadas veio ajuda-los e ele e Harry cuidaram da lareira, felizmente não tinha nada lá além de muita poeira. Terry conseguiu abrir as janelas emperradas com dificuldades e o ar puro fez um grande sucesso. Hermione era a mais desanimada, além do fato de que o pensamento de se sentar nos moveis lhe dava nojo, não importa quantas vezes ela tentava Reparo, tinha coisas que não se concertava.
Chegaram à conclusão que só poderiam reparar se o material estragado estivesse presente, mas como com o tempo muito deve ter sido carregado ou comido pelos ratos era impossível tirar alguns dos buracos. O pensamento fez Hermione fica ainda mais com nojo e dizer que não se sentaria em nenhum lugar ali, e na verdade todos os três meninos também tiveram aversão a essa ideia.
Sem saberem o que fazer cogitaram tirar os moveis e trazer carteiras de alguma sala abandonada. Mas Harry acabou tendo uma ideia no último minuto. Como todos estavam perto do toque de recolher e a torre da Gryffindor ficava mais distante, Hermione e Neville se apressaram em dizer boa noite e que eles ouviriam a ideia do Harry amanhã.
Terry e Harry ficaram sozinhos e olharam em volta, pelo menos estava limpo, mas longe de ser um bom lugar para reuniões.
— Qual foi sua ideia Harry? — Perguntou Terry olhando para o relógio, tinham só 5 minutos para chegar a torre, eles começaram a apagar as tochas e depois rapidamente pegaram o caminho.
— Amanhã de manhã, vamos acordar um pouco mais cedo, encontrar a cozinha e se der certo colocar minha ideia em pratica. — Disse Harry antes de começarem a subir as escadas curvas.
Felizmente não havia muitos alunos na sala comunal ainda estudando e eles subiram aos seus quartos sem problemas. Harry tomou um banho para tirar a sujeira e depois se sentou na cama para mais um capítulo do livro de sua família.
Como ia acordar meia hora mais cedo leu só um capítulo, mas um muito interessante, falando sobre as vidas dos sete filhos de Linfred depois da morte do pai. Como eles ajudaram os trouxas que sofriam perseguições do novo rei normando Guilherme, e como um deles foi professor de poções em Hogwarts, tendo herdado o talento do pai. Outro foi um curandeiro, o Hospital St. Mungus só seria fundado séculos depois, mas o trabalho de curandeiro ainda era necessário e respeitado.
Outro, que era seu antepassado direto, se casou com uma bruxa de uma importante família, muito rica e conhecida por invenções de objetos mágicos poderosos. Seu nome era Hardwin, o filho mais velho de Linfred, e ele se casara com uma bela jovem bruxa chamada Iolanthe Peverell, que veio da aldeia de Godric's Hollow. A união entre as duas famílias chamara atenção na época e muitos consideraram um casamento de conveniência, mas não poderiam estar mais errados. Hardwin e Iolanthe eram profundamente apaixonados, e eles se estabeleceram em Godric's Hollow, tiveram seus filhos e uma boa vida. Hardwin era um grande guerreiro com espadas e varinha e palavras e, como não gostava de violência e sendo filho de seu pai estabeleceu e promoveu em muitas ocasiões paz em disputas e brigas de vizinhos, trouxas e bruxos. Por ser uma vila pacifica, muitas famílias bruxas se mudaram para lá, buscando a segurança que o nome Potter trazia.
Com um sorriso ao pensar em seu tatatatara... Avô e no fato que apesar de poderoso, preferia usar a palavra do que a espada, Harry comeu um sanduiche e depois tomou 6 poções diferentes, para afastar o gosto horrível, ele ainda comeu alguns doces, escovou os dentes e depois de programar sua varinha com novo horário foi dormir, sentindo-se muito satisfeito.
