Capitulo 11

Na manhã seguinte Harry acordou mais cedo e depois de tomar banho e se vestir, tentou arrumar seu cabelo, mas logo como sempre desistiu da façanha. Se encarando no espelho tentou ver se havia algo diferente nele, mas parecia tudo o mesmo. Suspirando se sentiu bobo, ele não ia crescer magicamente durante a noite, Madame Pomfrey disse que ele tomaria poções por muitos meses, talvez anos e que o crescimento seria gradual e mais importante saudável.

Pegando os materiais para as aulas de hoje, além dos livros extras para sua reunião com Flitwick, Harry desceu a sala comunal e revendo o seu horário, verificou com atenção o caminho até a cozinha. Ficava abaixo do Salão Principal, no fim do corredor que também levava a toca dos Hufflepuff. Realmente seria mais fácil ir até lá durante as aulas para um lanche do que subir para a torre.

Nesse momento Terry desceu as escadas sonolento e bocejando, seu cabelo e roupas mais bagunçados que o normal.

— Bom dia. — disse com outro bocejo — Nossa, com tudo que trabalhamos ontem devíamos dormir mais e não menos, cara. Espero que essa ideia seja boa mesmo, se não foi trabalho demais para nada.

— Minha ideia é boa, não quer dizer que vai dar certo. Vamos indo, já decorei o caminho para cozinha. Ah, e bom dia para você também. — Disse Harry divertido.

Os dois deixaram a torre com Terry resmungando sobre a animação fora de hora de Harry, que era muito cedo para tanta energia. Harry só sorriu ainda mais, ele tinha muito motivos para estar animado, poder aprender magia e fazer amigos eram só os maiores deles.

Eles desceram a escadaria e entraram no corredor que levava a cozinha, em um ponto o corredor tinha um caminho para a direita que levava a entrada dos dormitórios dos texugos. Seguindo reto chegaram a um quadro de uma sexta de fruta, Terry tentou abri-lo, mas ele não se moveu.

— Tem certeza que é aqui? — Perguntou Terry, confuso, ao ver a confirmação de Harry tentou abrir o quadro de novo com mais força. — Mas como abrimos então?

— Aqui, Madame Pomfrey disse que tem um truque, ela me ensinou. — Disse Harry se aproximando e acariciando a pera pintada na cesta de frutas. A pera riu como se estivesse com cócegas e depois se transformou em uma maçaneta, sorrindo Harry pegou a maçaneta e abriu a porta. Eles entraram e tiveram uma visão de um amplo aposento de teto alto, grande como o Salão Principal acima, repleto de tachos e panelas de latão empilhados ao redor das paredes de pedra, um grande fogão de tijolos no extremo oposto. Havia também quatro longas mesas de madeira, cada uma delas, Harry notou, estava colocada exatamente embaixo das quatro mesas das Casas em cima, no Salão Principal. Naquele momento havia poucos pratos de comida espalhados nelas, mas ele supôs que em meia hora as mesas estariam abarrotadas de comida para então serem mandadas pelo teto para as suas correspondentes no andar superior.

No mínimo uns trezentos elfos estavam trabalhando pela cozinha, assoviando e sorrindo, se moviam de um lado para outro parecendo bem animados. Todos usavam o mesmo uniforme; uma toalha de chá estampada com o timbre de Hogwarts e amarrada como uma toga.

Dando alguns passos mais para dentro, Terry e ele chamaram a atenção e receberam diversos olhares e reverencias dos que estavam mais próximos. Aos poucos as atividades diminuíram e outros mais ao fundo também olharam para eles, sorriram e se curvaram antes de retomarem seus trabalhos. Harry sorriu e acenou e viu Terry fazer o mesmo, pensando em se aproximar de um deles viu um dos elfos de aproximando sorrindo.

— Misters Potter, senhor, Misters Potter veio tomar seu café especial aqui na cozinha, Misters Potter? Mimy terá ele pronto em um instante para Misters Potter. Mimy terá sim. — Disse ela sorrindo em êxtase.

— Olá Mimy, sim, queria saber se posso tomar o café um pouco mais cedo, e queria conhecer as cozinhas e te perguntar se está tudo bem eu vir fazer alguns lanches entre as refeições. Madame Pomfrey disse que é importante para minha recuperação. — Perguntou Harry sorrindo.

Mimy ficou ainda mais animada, deu alguns saltinhos e segurando sua mão o levou até umas das mesas, era a da Gryffindor.

— Sente-se aqui Misters Potter, Mimy vai preparar seu café especial, bem caprichado para Misters Potter ficar bem de saúde. E seu amigo sente-se também, vou pedir a Nony para preparar seu café normal, Misters.

— Obrigado Mimy, eu sou Terry Boot. — Disse Terry.

— Não é nada Misters Boot, Mimy fica feliz em ajudar. — E saiu saltitando pela enorme cozinha.

— Ok, você vai me dizer sua ideia agora ou não. — Perguntou Terry, impaciente.

Harry sorriu divertido, Terry impaciente lembrava um pouco Hermione.

— Calma Terry, você já vai ouvir minha ideia, deixa apenas a Mimy voltar e... Ah, aqui está ela. — Disse Harry sorrindo quando a elfo voltou com dois enormes pratos, um com ovos, queijo branco, legumes salteados e torradas e outro com frutas picadas, nozes e mel. Voando atrás dela vinha uma tigela com mingau e um copo de leite. Harry arregalou os olhos, nunca poderia comer tanta comida, apesar de tudo parecer delicioso.

Em seguida, assoviando, um elfo, Nony, Harry supôs colocou um prato de ovos, bacon e torradas com um copo com suco de abóbora diante de Terry.

— Obrigado Nony. — Disse Terry, depois olhando para os pratos diante de Harry pediu. — Você poderia me trazer algumas frutas também se não te atrapalhar?

— Não atrapalha Nony ajudar Misters, Nony fica feliz em ajudar. — Disse Nony, sua voz mais fina o fazia parecer bem mais jovem, e ele rapidamente desapareceu para buscar um prato de fruta para Terry.

Terminando de servi-lo Mimy também sumiu e voltou em um instante com uma jarra cheia de leite.

— Pronto Misters Potter, coma tudo o que Mimy preparou para Misters Potter e beba bastante leite. Vai deixar Misters Potter forte, e Misters Potter pode vir comer aqui a hora que quiser, Mimy vai ter lanches saudáveis para Misters Potter comer. — Disse Mimy muito orgulhosa de seu trabalho.

— Obrigado Mimy, tudo parece incrível, prometo tentar comer tudo. Queria te perguntar uma coisa, você poderia dispor de alguns minutos ou vou atrapalhar seu trabalho? — Perguntou começando a cavar sua montanha de ovos e legumes, olhou com um pouco de saudade para o bacon que Terry comia com prazer, mas logo sacudiu a cabeça, precisava ficar forte e saudável, assim comeria ou não comeria o que Mademe Pomfrey lhe dissera.

— Não atrapalha Mimy, pode perguntar, o que Mimy pode fazer para ajudar Misters Potter? — Perguntou Mimy solicita.

Enquanto comia Harry rapidamente explicou seu desejo de um lugar para se reunir com os colegas alunos de outras casas e como Terry e ele encontraram essa sala, mas ela estava muito suja e com moveis velhos. Concentrado em comer e falar a cada bocado, Harry não viu o olhar chocado e triste no rosto de Mimy e de outros elfos que estavam por perto e ouviram seu conto. Quando chegou na parte dos ratos, alguns se engasgaram e os olhos de Mimy se encheu de lagrimas. Foi só então que Harry percebeu que havia algo errado.

— O que foi Mimy? — Perguntou ele, vendo vários elfos limpando as lagrimas com suas togas.

— Mimy está sentindo muito que ela e os elfos de Hogwarts não fez um bom trabalho, Misters Potter. Nosso trabalho é deixar o castelo limpo e nós falhamos Misters Potter. Mimy está muito triste. — Disse ela fungando.

— Oh, não, não Mimy, nós não viemos aqui reclamar. A sala está atrás de uma estátua e parece uma passagem escondida. Não tem problema que estava suja, vocês só não a viram, na verdade ela não parece ter sido usada a séculos. E meus amigos e eu limpamos tud... — isso foi a coisa errada para dizer, pois isso provocou mais engasgos, suspiros e Mimy verteu ainda mais lagrimas. A cozinha foi diminuindo as atividades e o barulho, quanto mais elfos eram informados, como uma espécie de telefone sem fio, sobre o conto dos meninos e os sorrisos e animação eram aos poucos sendo apagados.

Harry olhou em pânico para Terry que também estava muito surpreso, seu conhecimento dos elfos eram apenas teóricos. Ele não esperava ou entendia essa reação, mas pareciam que teriam de fazer algo ou a escola ficaria sem café da manhã.

— Mimy, não quisermos ofender vocês ao contar sobre a limpeza da sala, nós achamos que estava tudo bem limpar e usar a sala para reuniões, sabe. — Disse Terry, com seu jeito calmo.

— Mimy não está ofendida com Misteres, Mimy está triste que Misters Potter e seus amigos limparam a sala, os elfos se orgulham de seu trabalho e de servir bem os alunos de Hogwarts, Mimy e os outros elfos sentem que falharam com Misteres. — Disse Mimy, chorando ainda mais.

Terry e Harry se olharam surpresos com sua devoção ao trabalho e Harry teve uma ideia.

— Mas é por isso que estamos aqui, para pedir a ajuda de vocês! — Exclamou Harry sorrindo para o elfos em todas as direções. Depois se concentrou em Mimy. — Nós ouvimos como vocês são incríveis e fazem um trabalho fantástico aqui em Hogwarts e como não conseguimos arrumar a sala sozinhos, decidimos pedir sua ajuda, Mimy.

Isso pareceu ser o suficiente, pois vários dos elfos mais próximos ao ouvir os elogios se empertigaram, estufaram o peito e sorriram, passando a informação para os outros e rapidamente a animação e o trabalho retornaram. Aliviado Harry se concentrou em Mimy que o olhava com os olhos azuis, grandes como bolas de tênis, cheios de lagrimas e esperança.

— Mimy pode mesmo ajudar Misters Potter? Mimy pode? — Perguntou ela esperançosamente.

— Sim Mimy, foi por isso que vim te procurar. Como eu disse nós limpamos, mas — ao ver seus olhos com lagrimas renovadas acrescentou rapidamente. — Mas não fizemos um bom trabalho, está bem sujo ainda e os moveis estão cheios de buracos, não conseguimos reparar. Somos apenas 1º anos e não sabemos muitos feitiços ainda. — Ele olhou para Terry em busca de apoio e seu amigo entendendo continuou.

— Sim Mimy, as cortinas estão caindo aos pedaços e as janelas sujas e emperradas, e os tapetes velhos e desbotados. — Disse Terry.

— Por isso viemos, para perguntar se você sabe onde tem alguns moveis bem conservados que ninguém está usando que podemos ir pegar..., quer dizer para você pegar para nós e se desfazer daqueles velhos, porque nossa amiga Hermione estava com nojo de se sentar neles, já que tinha muitos ratos vivendo neles, sabe. — Disse Harry se corrigindo rapidamente ao perceber que poderia chateá-la de novo se dissesse que eles moveriam os moveis.

— Mimy pode fazer isso, Mimy pode ajudar Misters Potter a limpar a sala e encontrar moveis. Mimy sabe onde tem moveis, e pode leva-los na sala de Misters Potter. Nony vai ajudar Mimy, tudo está arrumado num instante Misters Potter. — Disse ela saltando animada e sorrindo sem sinal de lagrimas.

Harry e Terry aliviados por evitar o que parecia uma crise imensa voltaram a comer. Terry pegou um pergaminho e entregou com a localização para Mimy, Hermione e ele tinham feito o encanto com as indicações ontem. Mimy pegou o papel e depois partiu para encontrar Nony e arrumar a sala. Antes de partir, Harry disse a ela.

— Obrigado Mimy, de verdade. Ah, a lareira, você pode ligar ela para nós também? — Perguntou Harry.

— Mimy pode, deixa que Mimy vai fazer tudo bem bonito para Misters Potter e seus amigos. Mimy está feliz em ajudar, não precisa agradecer Mimy, e coma tudo que Mimy te trouxe, assim Misters Potter vai ficar bem forte. — E depois de dizer tudo isso, desapareceu.

Depois que ela saiu Harry voltou a cavar seus ovos e depois foi para o mingau ainda quentinho, colocou as frutas, mel e nozes e estava uma delícia. Terry terminou seus ovos e comeu as frutas que Nony trouxera, eles não falaram nada por medo de dizer alguma coisa que provocasse mais lagrimas. Quando terminaram, Harry para sua surpresa comeu tudo o que Mimy lhe servira, eles agradeceram e acenaram, deixando a cozinha.

O resto do dia correu tranquilamente, as aulas estavam se concentrando em repetir e treinar o aprendido até agora, isso não era surpresa, além de bater na teoria, repetir movimentos de varinha e compreensão da magia usada em cada feitiço para conhecer sua magia era muito importante, declarou tanto McGonnagall quanto Flitwick.

Em Herbologia nada de interessante aconteceu também, mas Harry gostou principalmente da parte em que você usa as plantas em poções, não era exatamente o foco de Sprout, mas era o que tornava a aula suportável para ele.

Eles espalharam discretamente entre nascidos trouxas e mestiços do primeiro ano o pergaminho com a indicação do lugar, e do horário, as 16 horas, para a reunião. Eles decidiram marcar para uma hora depois do fim das aulas, assim ninguém tinha que correr de alguma aula para chegar a reunião, mas duas horas antes do jantar, acreditavam ser tempo suficiente para contar a todos eles o que precisavam saber.

Harry e Terry seguiram direto para a sala, Hermione e Neville foram levar seus materiais para sua torre. Harry queria ver o que Mimy e Nony haviam feito com a sala e esperar lá caso alguém chegasse mais cedo. A entrada era a mesma, mas assim que entraram perceberam a diferença, o caminho estava muito mais limpo e iluminado do que quando Neville terminara de limpar. As tochas haviam sido trocadas também e o fogo era forte iluminando cada canto.

Quando subiram a escada viram que eles haviam concertado os degraus lascados e não havia mais pedras soltas. Mas quando entraram na sala, engasgaram de tanta surpresa, ficara incrível! A sala de estar era como nova, os sofás e poltronas azuis perfeitos e brilhando como novos. O tapete grosso de pelo macio e as cortinas brancas estavam bem conservados. As três janelas abertas e perfeitamente limpas deixavam o sol da tarde entrar, já que eram viradas para o oeste. E a lareira crepitava, o fogo aquecendo e tornando o ambiente ainda mais aconchegante e perfeito.

Harry e Terry sorriram um para outro, pensando que precisavam com certeza fazer algo para agradece-los, eles fizeram um trabalho ainda melhor do que o esperado.

— Harry já que temos algum tempo e está tudo bem por aqui, porque não descemos na cozinha para você fazer seu lanche e aproveitamos para agradecer a Mimy e Nony. — Perguntou Terry olhando o relógio.

Harry concordou e eles apressadamente, deixando as mochilas na sala, desceram até as cozinhas. Harry depois do café da manhã, almoçara muito bem, mas ainda faltava muito para o jantar e incrivelmente, apesar da quantidade de comida que comera hoje, sentia se com fome.

Nas cozinhas enquanto Harry comia, Mimy e Nony saltaram, sorriram e coraram sem parar dos agradecimentos e elogios dos meninos. Depois eles subiram e encontraram Hermione e Neville os esperando completamente embasbacados, Harry e Terry só puderam rir.

— Como vocês fizeram isso? — Perguntou Hermione e se aproximando de uma das poltronas a cutucou com a varinha, felizmente nada aconteceu. — Está perfeita, nem parece os mesmos moveis, e tudo está ainda mais limpo do que quando nós limpamos ontem e a lareira e as cortinas. Onde vocês encontraram cortinas novas!?

— É tudo novo, eu lhe disse que tinha uma ideia, tivemos ajuda, mas no fim o importante é que temos um lugar legal para nos reunirmos. — Disse Harry e quando ouviu alguém chamar lá de baixo rapidamente desceu as escadas.

Eram Hannah e Susan, quando o viram as duas meninas coraram um pouco, e sorriram hesitantes.

— Oi Harry, tudo bem se eu vir também? Eu sou puro-sangue, disseram que a reunião era apenas para nascidos trouxas e mestiços, mas pensei que tudo bem se eu acompanhasse a Hannah. — Perguntou Susan, seu rosto ficando mais vermelho.

— É claro que está tudo bem Susan, todos são bem-vindos, estamos apenas evitando os puros sangues preconceituosos como o Malfoy ou idiotas feito o Smith. — Disse Harry sorrindo e apontando a escada. — Porque vocês não sobem lá na sala, eu vou ficar por aqui e esperar o resto do pessoal chegar.

Elas concordaram e subiram, Harry se posicionou na entrada e recebeu todos os alunos, indicando a escada a direita aos que chegaram. Passado 5 minutos das 16 horas, ele também entrou, pois, todos os interessados na reunião deveriam já ter chegado.

Quando ele entrou na sala fez-se silencio e Harry notou que grupos de acordo com as casas haviam se formado. Ele foi até onde estava Terry de pé ao lado da lareira, seu amigo parecia um pouco nervoso, seu rosto moreno levemente pálido e suado. Mas Harry sabia que quando ele começasse a falar sobre o assunto que dominava tão bem, ninguém o pararia.

— Bem, — disse olhando os grupos, lembrando-se do seu chefe de casa, decidiu começar como ele, respeitando o direito de escolha de cada um. — Antes de Terry contar o que todos precisamos saber sobre o Mundo Magico, pelo menos no que diz respeito a nós, existem algumas coisas que preciso dizer primeiro.

— O que você quer dizer com nós, Harry? Os alunos? — Perguntou Michael de peito estufado, com o topete parecia mais do nunca um galo.

— Não Michael, estou dizendo de nós, mestiços e nascidos trouxas, e por favor deixe que eu e depois o Terry falemos sem interrupções, pessoal, se não ficaremos aqui até o toque de recolher. Abriremos para perguntas no fim, além disso Terry tem indicações de leituras e sempre podemos marcar uma nova reunião para continuar a discutir. — Disse Harry firmemente.

Todos assentiram, era obvio que estavam curiosos, mas Michael fez bico, o que o fez mais parecido com um pato.

— Acho que o ideal é começar por essa questão, eu não sei se as crianças que cresceram no mundo magico tem algumas dessas informações, mas sei que aqueles que nasceram ou foram criados no mundo trouxa não tem, com certeza. Assim, é importante para todos saberem esses fatos, mas principalmente, para os mestiços e nascidos trouxas. Se você é puro sangue ou não se importa com a maneira que nós somos tratados ou não tem interesse em lutar por mudanças, você é livre para deixar a reunião. — Harry falou duramente, mas sabia que não podiam perder tempo com pessoas lutando contra eles dentro do próprio grupo.

— Mas nós nem sabemos do que se trata, como vamos saber se queremos ou não participar. — Disse um garoto loiro e de pele clara da Hufflepuff.

— Trata-se de como mestiços, mas principalmente, nascidos trouxas são excluídos pela sociedade magica e como muito disso é escondido. É por isso que aqueles que não se importam ou não querem saber, porque preferem ficar na ilusão de que esse mundo é perfeito, tem todo o direito de sair, ninguém vai julgá-los. — Harry terminou e esperou, mas ninguém se mexeu.

"Muito bem, todas as coisas que o Terry vai contar eu só soube durante a viagem de trem, pois nos sentamos no mesmo compartimento. Não só fiquei chocado, mas enojado e espero que se no unirmos, assim como conseguimos vencer uma batalha contra Snape, conseguiremos no fim vencer a guerra contra o preconceito de sangue que domina nosso mundo. Antes do Terry acho que seria legal nos apresentarmos e, para aqueles que se sentirem seguros aqui, contar seu status de sangue. Para nós isso não importa, mas lá fora isso vai fazer uma grande diferença no futuro e precisamos estar cientes de quantos somos. Hermione, você se importaria de anotar o nome e status de cada um por favor? "

— Claro Harry, posso fazer isso, sim. — Disse ela e rapidamente pegou pergaminho, uma pena e se posicionou para anotar.

— Bem, eu sou Harry Potter e sou um mestiço. — Disse Harry falando com obvio orgulho. Enquanto a classificação era preconceituosa, não tinha nenhuma vergonha de ser filho de sua mãe.

Depois olhou para Terry que deu um passo à frente e sorrindo com muito orgulho também, disse:

— Eu sou Terry Boot e sou mestiço.

Depois seguiram entre os Ravens, cada um levantando e se apresentando.

— Eu sou Michael Corner, sou puro sangue.

— Eu sou Anthony Goldstein e sou nascido trouxa.

— Eu sou Lisa Turpin e sou mestiça.

— Oi, meu nome é Mandy Brocklehurst e sou nascida trouxa.

— Eu sou Padma Patil, sou puro sangue.

— Eu sou Morag MacDougal e bem, eu não me sinto segura em dizer meu status de sangue. — Ela corou levemente e depois se sentou rápido.

Harry percebeu o olhar surpreso e confuso de alguns, provavelmente, nascidos trouxas que ainda não tinham a ideia do fato de que eles não estão tão seguros como pensam.

Em seguida os Gryffindors se levantaram e começaram a se apresentar.

— Oi, sou Parvati Patil e sou puro sangue.

— Oiii, sou Lavander Brown e sou puro sangue.

As duas meninas estavam risonhas e corando, olhando para Harry, que não entendeu nada.

— Bem, eu sou Dean Thomas, e sou nascido trouxa.

— Eu sou Seamus Finnigan e sou mestiço. E queria dizer que Ron Weasley só não veio porque está em detenção, eu disse que depois contava sobre o que era a reunião e ele é puro sangue.

— Harry coloco ele na lista? — Perguntou Hermione.

— Não Hermione, ele ainda não sabe o porquê da reunião e por isso não temos como saber se ele vai querer participar. Se Weasley vir numa próxima o colocamos na lista. — Disse Harry apontando que ela era a próxima.

— Ah, eu sou Hermione Granger e sou nascida trouxa.

— Eu sou Neville Longbottom e sou puro sangue.

Acenando para os Gryffs, Harry olhou para os Hufflepuff que também começaram a se apresentar.

— Eu sou Susan Bones e sou puro sangue.

— Eu sou Hannah Abbott e sou mestiça.

— Eu sou Justin Finch-Fletchley e sou nascido trouxa.

— Eu sou Megan Jones e sou nascida trouxa.

— Oi, eu sou Sally-Anne Perks e sou mestiça.

— Eu sou Ernest MacMillan e sou puro sangue.

Depois que ele terminou, Harry encarou as três meninas que estavam nas sombras perto da entrada da sala. Ele as vira entrar discretamente, pouco depois que ele começara a falar, se posicionando atrás dos alunos sentados que encaravam o Harry, e por isso não a viram. Mas ao perceberem seu olhar todos se viraram na direção delas e ouviu-se um burburinho.

— Meninas vocês gostariam de encerrar as apresentações? Assim podemos prosseguir com o mais importante. — Disse Harry educadamente.

As três andaram para frente e a líder delas sorriu parecendo divertida com todos os olhares.

— Mas elas são Slytherins! — Exclamou MacMillan zangado.

Harry olhou em volta e viu muitos olhares igualmente zangados ou chocados, mas havia alguns curiosos. Olhando para Terry viu por sua expressão levemente constrangida que fora ele quem convidara Tracy Davis, e se ele confiava nela, era o suficiente para ele.

— Não estamos aqui por Casas, estamos por interesses próprios, curiosidade ou para defender um amigo. E no que me diz respeito elas são bem-vindas, até que mostrem que estão aqui com má intenção. — Disse Harry não dando a ninguém a chance de discutir. — Meninas, por favor.

— Oie! Eu sou Tracy Davis, eu sou puro sangue. E devo dizer que vocês estão muito sérios. — Disse ela com um sorriso animado.

Seu comentário e expressão alegre provocou alguns olhares de espanto de alguns que pensavam que todos o Slytherins era brutamontes sem dentes que nunca sorriam. Outros sorriram e acenaram sem poder resistir a sua animação. Logo a menina ao lado dela se adiantou e um pouco hesitante se apresentou.

— Eu sou Lidya Moon e não me sinto segura para dizer meu status. — Depois ela deu um passo para traz e cutucou a outra menina, que parecendo estar sendo força na prancha, deu um passo à frente e friamente disse:

— Daphne Greengrass, puro sangue.

Ela voltou a recuar e quando Harry ofereceu acentos as três, apenas Tracy aceitou, as outras duas preferiram ficar de pé mais perto da porta.

— Muito bem, acho que eu não preciso dizer que essa reunião é secreta, sair fofocando pelo castelo é um desrespeito para com nossas Casas e nossos colegas aqui presentes. Terry você poderia, por favor. — Disse Harry se afastando para o lado e deixando a posição para seu amigo.

— Bem... vamos começar com algumas informações históricas que, infelizmente, com as soporíficas aulas de História fornecidas por nossa escola, nunca saberemos a não ser que formos curiosos sobre o tema e pesquisar por conta própria. Vocês claro sabem como Hogwarts foi fundada a mais de mil anos...

E Terry falou e falou e falou, por quase duas horas ninguém o interrompeu, seja por sua maneira de cativar como poucos professores na escola poderiam. Seja pelo interessante assunto, seja pelo choque que as informações foram causando em cada um. Harry os observou e viu como um a um em um momento ou outro, apresentavam em seus rostos surpresa, descrença, raiva, tristeza e choque. Até mesmo os puros sangues, ele notou estavam em estado de descrença e alguns indignados. Outros como Tracy e Daphne mostravam apenas concordância, a primeira e tedio a segunda, mostrando que elas já sabiam tudo aquilo.

Mas os piores foram os nascidos trouxas, Megan chorou, Justin estava pálido e Hermione com uma expressão de magoa e traição como se quem a enganara fosse a pessoa em quem mais confiava no mundo inteiro. Os outros não estavam em muito melhor estado.

— E concluindo, quando temos aulas de Histórias como essas que só mantem escondido os fatos, a realidade do mundo preconceituoso em que vivemos, não temos esperanças de que nada mude porque todos se esforçam para esquecer os motivos, as atrocidades da última guerra. Fingem que nada aconteceu ou ainda acontece, é por isso que tipos como Malfoy tem lugar de poder e prestigio em nossa política, é amigo do atual Ministro e promove jantares onde os nossos chefes de departamentos comparecem e fingem acreditar que ele realmente estava sob a maldição imperiosa, enquanto ele e seus amiguinhos, com um sorriso, continuam promovendo leis contra nascidos trouxas e meias raças.

Depois do final indignado de seu longo conto, Terry respirou fundo e recuou, se aproximou de uma mesinha com agua que Mimy deixara para eles e bebeu. Depois ele voltou e mais calmo disse que responderia a qualquer pergunta. Mas ninguém perguntou nada por alguns minutos, o silencio se prolongou e por fim Hermione, não fugindo a regra de ser a primeira a fazer perguntas, levantou a mão.

— Eu não entendo, porque não somos informados sobre todas essas coisas quando recebemos nossas cartas de Hogwarts? Professora McGonnagall recomendou vários livros de leitura extra, inclusive para meus pais para que eles soubessem em que mundo eu estava entrando. Mas em nenhum desses livros havia essas informações, ou meus pais com certeza nunca me deixariam vir para Hogwarts. — Perguntou muito magoada com a traição da Prof.ª que ela mais admirava.

— Primeiro, lembre-se do que eu lhe disse antes, quem escreve os livros são os que ganharam a guerra. Os que estão no poder que, já sabemos estão corrompidos deste o primeiro dia depois do desaparecimento de você-sabe-quem, decidem os livros que estudamos em aula ou qualquer leitura extra recomendado pelos professores que visitam os nascidos trouxas. A lista vem direto do Departamento Educacional do Ministério. Agora porque os professores não são sinceros e informam a situação, eu só posso supor que eles não querem que vocês sejam impedidos de vir a Hogwarts, talvez tenham esperança que um dia as coisas mudem. Bem, a verdade é que teríamos que perguntar a eles seus motivos. — Disse Terry cansadamente.

— Quer dizer que não importa minhas marcas? Não importa o quanto eu estudo ou que eu seja a melhor aluna do ano de todas as casas, não importa quais OWLs ou NEWTs eu faça ou minhas notas, nunca terei o emprego dos meus sonhos porque minha mãe é trouxa? — Perguntou Lisa, pálida de raiva.

— Se o emprego dos seus sonhos, seja qual for, você estiver disputando com um puro sangue você nunca vai consegui-lo, mesmo que seja mais qualificada que eles. Se tiver disputando com um mestiço como você, vai pesar o sobrenome ou riqueza ou contatos de suas famílias. Se for com um nascido trouxa, não há disputa porque um nascido trouxa nem é chamado para entrevistas de empregos de cargos mais importantes. Se o cargo for de assistente, recepcionista ou estagiaria, você ganhará a disputa. — Disse Terry e seus olhos eram tristes. Pareceu a Harry que isso estava pesando a seu amigo quebrar os sonhos e ilusões de seus colegas.

— Mas isso não é justo! — Disse Hermione.

— Isso está errado! — Exclamou Lisa.

— O que podemos fazer? — Perguntou outro.

— Temos que fazer algo! — Protestou outro.

— Meus pais vão me tirar de Hogwarts! — Disse outro.

As exclamações, perguntas e protestos continuaram por quase um minuto, até que Harry deu um passo à frente e lançou fagulhas para o alto com sua varinha. As fagulhas e o estalo chamaram a atenção e todos que falavam se calaram e olharam para ele.

— Eu sei que essas informações são chocantes e como eu disse, quando Terry me contou eu fiquei descrente, decepcionado, zangado e enojado. Meus pais morreram, foram assassinados, lutando contra tudo isso, esses preconceitos, essas leis antigas e injustas e contra homens que acham que por que seu sangue é puro eles têm mais direitos que outros, inclusive o direito de matar. Quando entendi que suas lutas e mortes foram em vão, fiquei com muita raiva. — Harry parou para respirar fundo, desde que lera as cartas de sua mãe e vira seus rostos e sorrisos, falar deles ficou mais difícil. — Não sei quantos de vocês perderam alguém na última guerra, mas quando o mundo magico finge que nada aconteceu, esconde todos esses fatos de nós, e continua com essa mentalidade preconceituosa excluindo e segregando, eles dizem que essas mortes não foram importantes, eles deixam de honra-los ou lembra-los, mas eu não vou esquecer dos meus pais. A luta deles é minha luta agora, vou honra-los, vou fazer o possível e o impossível para que suas mortes não sejam em vão. — Disse Harry com determinação, seus olhos verdes brilhavam com poder e ninguém ali duvidou de suas palavras. — Vocês podem ficar gritando e chorando, ou podemos nos unir e tentar pensar em maneiras de mudar isso, porque a verdade é que ninguém vai fazer isso por nós.

Ninguém disse nada por um longo tempo, alguns estavam fungando, tentando controlar as lagrimas de tristeza e raiva. Por fim quem falou foi quem qualquer um ali menos esperava.

— Tudo o que Boot e Potter disseram é verdade. — Disse Greengrass dando um passo à frente, todos olharam para ela, surpresos, sua expressão não era mais de tedio e sim de determinação. — Eu cresci em uma família que abomina a violência, não somos guerreiros por isso os Greengrass nunca se uniram a você-sabe-quem. Quando as famílias tentaram impedir os nascidos trouxas de virem para nossa sociedade, os Greengrass se mantiveram neutros, pois somos herbologista e agricultores, nossa filosofia é de que precisamos de mulas para os trabalhos físicos. — Um burburinho de indignação se espalhou, mas ela continuou. — Cresci ouvindo meus avós, meus pais me dizendo como os nascidos trouxas e trouxas são inferiores, sem inteligência, e que devem ser permitidos em nosso mundo, mas apenas para ocupar seu lugar. Não sei o que está planejando Potter, mas seja o que for eu estou dentro. Quero ajudar você a mudar essa mentalidade que tentaram enfiar na minha cabeça a vida toda, que diz que um ser humano é um animal apenas por seu sangue ou descendência mágica. Mas desde já digo que minha ajuda terá que ficar em segredo, da casa em que nasci a casa em que vivo em Hogwarts, se descobrissem que estou nesta reunião ou que participarei de sua rebelião provavelmente seria torturada, deserdada ou mesmo morta. Assim, nem pensem em conversar comigo fora daqui e cuidem de suas bocas ao falarem por aí de mim. — Concluiu, e encarou todos friamente e depois encarou Harry.

— Acredito que ninguém, além de alguém que cresceu dentro desse mundo, poderia descrever melhor a mentalidade que impera na sociedade mágica. Qualquer ajuda que você puder nos dar será bem-vinda. E como falei antes, não desrespeitaremos nossas casas, famílias e colegas com fofocas. E gostaria de pensar que todos aqui acreditam que essa luta não é só dos adultos, é nossa também. — Falou Harry, acenando para Greengrass que voltou ao seu lugar em silencio.

— Mas o que podemos fazer? — Perguntou MacMillan. — Olha não digo que tudo isso não seja errado, mas o que nós estudantes podemos fazer que nossos pais ou avós tentaram e nunca conseguiram? — Continuou realista.

— Eu concordo com Ernie, nossas famílias são contra as políticas dos puros sangues, mas a verdade é que eles estão no poder e acredito que nem uma nova guerra vai mudar isso. — Michael acrescentou sem muito animo.

— Bem e o que devemos fazer então Michael? Cruzar os braços e fingir que nada acontece? É fácil para você falar assim, você é um puro-sangue, já deve ter um emprego ou negócios de família garantido para quando se formar, mas o que acontece comigo e com os outros nascidos trouxas. Minha família tem dinheiro, e quanto os que não tem e também não terão qualificação para serem mais do que mendigos no mundo trouxa. — Incrivelmente foi Anthony quem falou, olhando magoado e zangado para o amigo.

— Eu não... eu não quis dizer que não vou ajudar, mas eu não vejo como...

— Com inteligência, com coragem, com astucia e lealdade. — Disse Harry olhando em volta, viu que muitos o encaravam com alguma esperança. — Lutaremos incansavelmente, até conseguirmos mudar as coisas. Não vai ser fácil ou rápido e nem uma luta direta com espadas ou varinhas. A verdade é que a guerra nunca acabou, Voldemort... — Parou quando houve vários gritos e estremecimentos. — Eu não vou deixar de dizer o nome do assassino dos meus pais, por isso se acostumem e superem esse medo do nome dele. Quando Voldemort desapareceu, não levou com ele seus seguidores, eles estão livres seguindo sua filosofia e por isso não estamos em paz, como querem que acreditemos, ainda estamos em guerra, e nós lutaremos de volta, mas com nossos cérebros, e nas sombras. Eles não podem saber que não somos mais cordeiros passivos e tolos, esperando o abate. A questão é quem vai lutar comigo? — Perguntou Harry, esperando que todos ali estivessem dispostos, pois seriam um bom começo.

O silencio dessa vez não durou muito tempo, quando todos começaram a declarar seu desejo de lutar e ajudar a mudar as coisas. Harry observou e não encontrou ninguém, além de Moon que mostrava hesitação.

— Lydia? Se você tiver dúvidas ninguém aqui vai te julgar. Sabemos que você está em uma casa difícil e pode ser perigoso. — Disse Harry compreensivo. Muitos acenaram apoiando, incluindo Tracy e Daphne que a cercaram.

— Eu quero ajudar, por que vocês acham que estou na casa da ambição? Porque, o que eu mais quero, é mudar as coisas. E também me vingar. — Disse isso e sua expressão se transformou e ficou feroz. — Meu pai é um Moon, um bruxo de linhagem antiga, ele foi chamado para apoiar Volde... mort e seus seguidores, mas ele não é um purista e recusou, inclusive apoio financeiro. Os comensais vieram à minha casa, eu estava no berço, mataram meus avós e levaram minha mãe. Ela era nascida trouxa, eles a devolveram em pedaços, um pedaço por semana, e pôr fim a cabeça dela. — Lagrimas transbordaram de seus olhos, mas nele se via profundo ódio. — Eles disseram ao meu pai que aquilo era só um aviso, que ele devia limpar sua casa, sua linhagem, eu. Papai sabia que eu estava em perigo e por isso deixamos o país, mas ele nunca esqueceu e sempre me contou a verdade sobre o mundo magico. Foi por isso que eu pedi para o chapéu me colocar na Slytherin, preciso entender como eles pensam, para poder impedir que as coisas continuem assim. É como você disse Harry, a morte deles não pode ser em vão.

Ouve mais lagrimas e soluços quando Lydia contou sua história. Terry muito pálido se aproximou dela e segurando seu ombro, apertou e olhou para o resto das pessoas.

— Minha tia, irmã de meu pai, ela era puro sangue. Minha família lutou contra Voldemort e seus comensais, mas ela lutava com mais ferocidade, meu pai disse que ela era incansável, tentando proteger os nascidos trouxas ou trouxas. Um dia ela foi levar uma família até Dover, para que eles fugissem para a França. Eles foram traídos e emboscados. Minha tia, Carole, ela lutou e conseguiu que a família embarcasse, mesmo que significasse menos varinhas para lutar. Depois, os que testemunharam disseram que Lucius Malfoy depois que a desarmou, ofereceu a ela a chance de viver, se juntando a eles, que seu Mestre não queria que se derramasse sangue puro. Mas ela recusou e então ele a matou, derramando o sangue dela quando usou uma maldição escura que explodiu o peito dela. Ela foi trazida e deixada a porta da casa do meu avô com o recado de que era aquilo que acontecia com quem não sabia seu lugar. — Terry enxugou uma única lagrima que escorreu e com mais força continuou. — Harry tem razão, não podemos esquece-los, essa luta é de todos nós, mas isso é mais que nossos futuros empregos e é mais do que vingança, se ficarmos cada um lutando por seus próprios motivos, indo em direções diferentes não chegaremos a lugar algum. Você não está sozinha Lydia, não em sua casa e não nesta escola, muitos de nós perdermos alguém e para impedir que isso volte a acontecer precisamos ser mais espertos do que eles, pois se tentarmos uma luta direta perderemos.

— Bem, e o que podemos fazer? Qual é exatamente o objetivo dessa reunião? — Perguntou ela com os olhos brilhando.

— O principal objetivo desta reunião é informa-los sobre os fatos, sobre as mentiras e omissões ditas e feitas quando os nascidos trouxas descobrem nosso mundo. Quando chegamos em Hogwarts, e chegar aqui custa bem caro para nossos pais, fazem com que acreditemos que é normal um professor como Snape, ou Binns ou mesmo Quirrel. Não aprendemos o que precisamos para mudar as coisas, porque quem está no poder quer que continuemos alienados. Saber a verdade já é um grande passo. — Disse Terry com coragem e depois olhou para o Harry que acenou. — Harry e eu temos algumas ideias, mas como ele disse não será rápido, todos teremos que ser pacientes, chamar a atenção para nós não vai nos ajudar. Somos um grupo e tomamos decisões juntos, mas fora desta sala não poderemos mostrar amizade demais. O dia em que todos se levantaram para apoiar Harry no caminho para a aula de poções já atraiu muita atenção.

— Claro! — Disse Michael de olhos arregalados. — Se notarem que estamos unindo as casas, ou que essa união está acontecendo em volta do Harry, isso vai chamar muita atenção.

— E podem apostar que se os Slytherin perceberem, avisarão seus pais e mais olhos estarão sobre nós e nossas ações. Principalmente com o menino-que-sobreviveu como o possível líder. — Disse Greengrass, com astucia.

— Mas o que eles podem fazer? Não podem nos impedir de nos reunirmos ou de protestarmos. — Acrescentou Hermione indignada.

— Bem se você pensa assim, então não ouviu nada do que foi dito aqui. Que parte de "Eles estão no poder", você não entendeu Granger? Eles podem fazer o que bem entenderem. — Falou Greengrass duramente.

Hermione pareceu ofendida, mas antes que começassem uma discussão Harry se adiantou.

— Infelizmente, mesmo aqui em Hogwarts eles poderiam tornar nossa vida difícil...

— Mas Dumbledore...

— Hermione, foi Dumbledore quem contratou o Snape e que o manteve mesmo ele sendo o pior dos professores, apesar de todas as reclamações. E até onde eu sei não é como se ele está tendo reuniões secretas com o objetivo de mudar as coisas. E não esqueça da informação que o Draco nos deu, seu pai é membro do Conselho de Governadores e...

Mas ele não conseguiu continuar, ouve muitos protestos, exclamações, "ele é um assassino", "como pode!?" "Isso é um absurdo! ". Quando diminuiu Harry continuou.

— E eu já chamei a atenção dele quando eu desprezei publicamente a oferta de amizade de sua família para com os Potters, feita por Draco. Foi uma humilhação e não duvido que ele esteja planejando uma vingança, se atrairmos mais atenção ao começar a unir as casas e protestar isso vai levantar um monte de bandeiras dos que querem que as coisas continuem como está. E isso poderia ser perigoso para nós e para suas famílias. — Disse Harry com seriedade. O humor ficou mais sombrio, parecia impossível que eles pudessem mudar alguma coisa neste contexto.

— Então o que fazemos? — Perguntou Megan, com lagrimas de tristeza nos olhos.

— Temos algumas ideias e qualquer um que as tiver é bem-vindo para nos dizer. Vamos todos nos sentar, nosso tempo está acabando, se todos nós faltarmos ao jantar vai chamar a atenção. — Todos que estavam de pé se acomodaram, mesmo as Slytherin se sentaram mais para traz. — Primeiro, não quero dizer que não podemos ser amigos ou amigáveis, apenas lá fora falaremos sobre qualquer coisa menos o que conversamos aqui. E claro não vamos fazer grupinhos grandes entre casas, isso atrairia muitos olhares. Para os nascidos trouxas recomendo o mesmo que a mãe de Terry fez e nós dois faremos, continuar a estudar os materiais trouxas por conta própria. Se essas mudanças não alcançarem nossas gerações quando nos formarmos teremos de ter qualificação para conseguir trabalho e fazer faculdade no mundo trouxa. Para os anos acima isso é ainda mais urgente.

— Além disso o mundo trouxa é maravilhoso, não temos necessidade de desprezar esse mundo como se tivéssemos vergonha e no tornarmos, do ponto de vista dos trouxas, um bando de ignorantes. — Acrescentou Terry rapidamente e muitos acenaram parecendo entusiasmados.

— Também podemos discretamente, ajudar uns aos outros, Terry, Hermione, Neville e eu estaremos nos reunindo para estudar juntos, Poções, Defesa e História, claro se alguém tem alguma dificuldade em outra matéria pode ser ajudado por outro que tem facilidade. Se instituirmos um compartilhamento de conhecimento e não uma competição sem sentido, aposto que eles vão se surpreender quando perceberem que todos somos muitos bons bruxos, não importam seus status de sangue. — Harry falou e muitos mais olhos brilharam, Lisa foi a única que fez uma careta, mas não protestou. — Mas ninguém vai carregar ninguém, se a pessoa não se esforçar e estudar vai ficar para traz, isso se trata de nos ajudarmos em nossos pontos fracos e não de alguns poucos estudar para outros se divertirem. — Harry falou duramente e viu-se inúmeros acenos de cabeça de concordância e Hermione pareceu aliviada.

"Temos também que compartilhar esse novo conhecimento, mas com cuidado, para não criar protestos e lutas sem sentidos que com certeza no ponto em que estamos vamos perder. Vamos primeiro passar essas informações para os alunos nascidos trouxas e mestiços do segundo ano, vamos nos reunir com eles, casa por casa se for necessário. Depois passamos para o próximo ano e o próximo, até que todos os que estão em Hogwarts saibam a verdade. Terry vai passar uma lista de livros para vocês lerem, com informações, datas e fatos mais detalhados. Depois disso teremos que informar os pais...

— Mas Harry! Não posso contar tudo para os meus pais! Eles nunca me deixariam continuar a estudar em Hogwarts. — Interrompeu Hermione pálida de pânico.

— Hermione. — Começou Terry com sua voz calma. — Nós não podemos esconder esses fatos dos nossos pais. Assim como nós, eles não podem ficar ignorantes da realidade e da verdade. Isso não seria injusto e seria, a longo prazo, contraproducente, por que um dia teremos que ter pessoas engajadas nessas mudanças, que estarão lá fora e que sejam adultos. Vai ter um momento em que só mudarmos as coisas aqui em Hogwarts não será suficiente. Acredito, não só que os pais trouxas devem ser informados, mas que eles devem se unir, como estamos fazendo, entre si e entre pais bruxos. Minha mãe e meu pai, tenho certeza que ficariam muito contentes de fazer uma reunião um dia e responder muitas de suas perguntas. — Completou Terry.

— Contar para seus pais é importante porque eles podem ajudar e apoiar vocês. E eles não terão motivos para tirá-los de Hogwarts porque vocês estarão continuando a sua educação trouxa e impedi-los de aprender magia seria priva-los de um dom que além de tudo pode protegê-los. — Acrescentou Harry, viu alguns concordando, mas havia muitos olhares de dúvida. — Essa é uma decisão de cada um, vocês conhecem seus pais, mas qualquer decisão não precisa ser tomada agora. Essa não é uma conversa para se ter por cartas e sim pessoalmente, pode ser nas Festas ou no verão, até lá já teremos mais informações e vocês poderão então, contar ou não, a verdade. — Disse Harry, e muitos expressaram alivio.

Olhando o relógio viu que eram quase 7 horas da noite, precisavam ir jantar, mas havia apenas mais uma coisa importante a se dizer.

— Agora todas essas coisas são importantes e podem ser feitas aos poucos ao longo do ano, e qualquer nova ideia podemos ir colocando em pratica. Mas existe algo que teremos que mudar agora e bem de baixo do nariz deles, eles nem vão perceber e quando isso acontecer vai ser tarde demais e se eles protestarem estarão apenas revelando suas mentiras e preconceitos. — Disse Harry e quando viu os olhares confusos e curiosos, abriu um sorriso malicioso, e nunca ele se pareceu tanto com James Potter.

— No que está pensando Harry? — Perguntou Morag.

— Bem, nesta semana eu acredito tem um monte de alunos puros sangues do 6º ano que estão sendo chamados para escolherem quais eletivas vão iniciar. Pelo que Terry estava me explicando, o encantamento que age sobre os alunos e os faz "esquecer" de comentar com qualquer um sobre essas aulas também age sobre os professores de Hogwarts, pois não acredito que o professor Flitwick e alguns dos outros ficariam calados. — Pensativo Harry olhou em volta para ver se eles estavam acompanhando o raciocínio. — Tenho que supor que quando eles convocam os alunos para escolher as aulas e apenas puros sangues comparecem, das duas uma, ou os professores são encantados para ignorar o fato, ou eles não prestam atenção e pensam ser apenas coincidência e desinteresse das crianças mestiças e nascidas trouxas. Mas é possível concluirmos que esse segredo que existe em Hogwarts é um segredo a tantos anos porque ninguém sabe que é um segredo.

— O que Harry quer dizer é, que todos aqui em Hogwarts, por um motivo ou outro, não sabem da segregação que eles promovem nessas aulas. A não ser nós, portanto se revelarmos o segredo e os alunos mestiços e nascidos trouxas começarem a ir as aulas com seus amigos puros sangues, ninguém vai se surpreender ou tentar impedir, porque afinal ninguém sabe que isso é algo proibido. — Concluiu Terry com seu sorriso brilhante.

Isso provocou expressões chocadas, sorrisos maliciosos e muitas exclamações de surpresa.

— Mas, e o encantamento dos alunos puro sangue? Eles ainda estarão enfeitiçados para não falarem sobre isso, não? — Perguntou Lavander confusa.

— Oh! Eu li algo sobre isso, se um encantamento mental, seja de manipulação ou ilusão mental é "quebrado" porque várias pessoas sabem ou falam sobre o segredo, ou a verdade que se está tentando esconder, o encantamento aos poucos se desgasta, não pode ser quebrado de maneira abrupta, pois poderia causar danos mentais, assim um gatilho é colocado para que o feitiço se desgaste ao longo do tempo, e é por isso que esses feitiços tem sempre que ser renovados de tempos em tempos. — Disse Hermione, animada em contar a todos as informações.

Todos a olharam surpresos, alguns divertidos com sua explanação e muitos pensaram que era incrível, pois ela parecia ter citado o livro decor.

— Bem eu não sabia tudo isso que a Hermione nos explicou, mas a verdade vai estar exposta e o encantamento vai se desgastar com o tempo. Ninguém em Hogwarts vai perceber que algo está acontecendo de estranho e quando a pessoa ou pessoas responsáveis diretamente por essa segregação e pelo encantamento perceber, ele não poderá falar nada, porque seja ele quem for, vai estar apenas revelando o absurdo que vem acontecendo a anos. — Disse Harry.

Todos sorriram e comemoraram dando gritos de vitória, mas uma pessoa se manteve seria e quando o barulho diminuiu, ela falou friamente.

— Você está esquecendo de algo Potter. — Disse Greengrass.

Harry a olhou e fez-se silencio.

— Tenho certeza que esqueci sim, mas é por isso que temos mais de um cérebro nesta sala Greengrass. Porque você não nos conta qual é o furo na minha ideia. — Perguntou Harry sorrindo.

— Muito simples, como a Granger explicou, o encantamento tem que ser renovado de tempos em tempos ou aplicado todos os anos, obviamente não acreditamos que o responsável pelo encantamento vem a Hogwarts todos os anos e enfeitiça aluno por aluno. Assim esse encantamento acontece de maneira indireta, provavelmente por um objeto de contato. Se o encantamento no objeto é acionado quando os alunos o pegam nas mãos pode ser qualquer coisa, e pode ser um objeto que os alunos nascidos trouxas e mestiços também podem pegar e acionar o mesmo feitiço em si caso compareçam as aulas. E quando o responsável descobrir o que está acontecendo, ele vai supor que o encantamento desgastou, para não chamar a atenção neste ano ele vai deixar todos terem as aulas, mas ano que vem vai renovar e reforçar o feitiço. E se fizermos tudo de novo, então ele vai desconfiar que alguém que não deveria saber das aulas sabe e está informando os alunos. — Concluiu Greengrass em sua fala rápida e sem emoção.

Todos ficaram em silencio, alguns tentando entender tudo o que ela havia falado, outros pensando que eles não tinham como vencer um bruxo adulto e poderoso. Outros pensando em uma solução para os problemas apresentados.

— Bem... — Disse Harry olhando para Terry e depois Hermione, viu seus olhos brilharem quase ao mesmo tempo quando eles entenderam sua ideia. — Acho que isso vai levar a nossa primeira missão como um grupo, vamos precisar descobrir tudo o que é relacionado sobre essas aulas, sua localização, horários, quem são os professores. E claro precisaremos ir à biblioteca para muita...

— Pesquisa! — Exclamaram ao mesmo tempo Terry e Hermione. Terry continuou. — Precisaremos pesquisar mais sobre esses encantos mentais, descobrir como combate-los e mais importante...

— Como evitar os encantamentos! — Exclamou Hermione animada. — Aposto que existem contrafeitiços que te protegem, para evitar os efeitos desses encantos de ilusão ou manipulação, provavelmente são feitiços avançados, mas...

— Tenho certeza que podemos encontrar um jeito de identificar o objeto encantado e evitar o encantamento. — Concluiu com seu sorriso animado.

Todos os olharam entre divertidos e exasperados por seus entusiasmos com a ideia de horas de pesquisa na biblioteca.

— Mas isso pode levar muito tempo, se vamos contar sobre as aulas para todos os 6º anos, eles precisarão estar protegidos antes de iniciar essas aulas. — Disse Padma.

Todos concordaram e se colocaram a refletir tentando encontrar uma solução. Por fim Lavander levantou a mão hesitante.

— Lavander? — Perguntou Harry curioso.

— Bem eu tenho um irmão mais velho, ele está no 6º ano e como puro sangue com certeza será chamado para essas aulas. Eu poderia perguntar a ele, e observar como ele vai ser informado ou convocado. — Disse ela sorrindo.

— Eu não sabia que você tinha um irmão mais velho aqui em Hogwarts! — Exclamou Parvati surpresa.

— Bem ele é um 6º ano, está na Gryffindor como nós e deixou bem claro que não queria ser uma babá de primeiro ano, que era para eu fingir que nem nos conhecemos. — Disse Lavander com um beicinho magoado.

— Que agradável, aposto que ele não é monitor. — Disse Morag.

— Isso não importa. — Disse Harry, eles estavam com pouco tempo. — Essa é uma excelente ideia Lavander, enquanto Terry e Hermione e qualquer um que se interesse em ajudar, pesquisam na biblioteca, nós estaremos discretamente investigando como eles são informados. Dever ser por uma carta e se eles são chamados para comparecerem em algum lugar, aposto que essas cartas estão encantadas, pois se não eles já informariam seus colegas sobre um compromisso. Isso já levaria a perguntas de porquê mais alunos não são chamados, claro a carta pode ter algum álibi falso, mas isso confundiria os puros sangues de porque a mentira e poderia ir de encontro ao feitiço de manipulação mental. Mas se eles forem encantados assim que pegam a carta, para não a mencionar, seu conteúdo ou qualquer coisa relacionada a ela a ninguém, isso entrará em efeito imediato e aposto que quem está por traz disso iria querer garantir que possíveis erros fossem mínimos. — Disse Harry.

— Claro, cartas são entregues apenas aos seus destinatários e se eles enviarem apenas as crianças puro sangues, eles podem já as convocar para as aulas e encantar ao mesmo tempo. — Disse Michael animado.

— Mas eu não entendo algo, como eles sabem quem é mestiço ou puro sangue, eu entendo que nós somos fáceis de se identificar, mas mestiços que cresceram no mundo magico devem ser mais difíceis. — Questionou Justin.

— Muito simples Justin, quando as crianças magicas nascem no mundo magico eles são registrados no Ministério, no Departamento de Registros e no Departamento de Cuidados Infantis. Em seu registro umas das informações obrigatórias é seu status de sangue e o de seus pais, assim no meu registro consta que minha mãe é nascida trouxa, portanto eu sou classificado como mestiço. Quem dentro do Ministério da Magia é responsável por essas aulas tem acesso a esses registros e, portanto, sabem para quem enviar as cartas. E você está certo Harry, provavelmente, é desta maneira que os puros sangues são encantados, o que quer dizer que não precisamos nos preocupar com os alunos mestiços e nascidos trouxas sendo encantados acidentalmente. Precisamos só descobrir as datas e localizações das aulas, alguém mais tem famílias ou colegas no 6º ano que seja puro sangue? — Perguntou Terry olhando para os de origem pura presentes.

Mais dois levantaram as mãos, MacMillan, que disse que também tinha um irmão no 6º ano, ele estava na Ravenclaw e Seamus Finnigan que disse que tinha uma prima no 6º ano, ela era puro sangue e estava na Gryffindor.

Depois de todos concordarem em ajudar com o trabalho de observação e espionagem, tendo os três investigando seus irmão e prima. Harry encerrou a reunião, dando recomendações de entrarem aos poucos no salão principal, vindo de direções diferentes e disfarçar as expressões serias demais. E nada de fofocas. Ele também os lembrou de que qualquer informação que descobrissem deveriam guardar para informar na próxima reunião, e não tentarem informar no meio da escola. Caso fosse urgente, a pessoa deveria pedir para se encontrarem naquela sala, assim ninguém os ouviria.

Todos acenaram e aos poucos foram saindo, alguns agradecendo a Terry por contar a eles todas essas informações importantes. Quando o último saiu, Terry estava vermelho de constrangimento.

Quando ficaram apenas os quatro amigos, Harry olhou para a garota nas sobras, tendo percebido que ela ficara para traz quando as amigas deixaram.

— Sim Greengrass? — Perguntou Harry.

— Você ignorou minha preocupação Potter, sobre o que vai acontecer quando a pessoa responsável por esses encantos descobrir que alguém em Hogwarts sabe a verdade e que não foi apenas um acaso. — Disse Greengrass olhando-o com seus olhos azuis frios.

— Não ignorei não, apenas não tenho uma solução para esse possível problema e não podemos deixar de fazer algo pensando no que vai acontecer no ano que vem ou no próximo. Ou então desistimos agora e esquecemos tudo. Não quer dizer não fazer nada, ao contrário, vamos tentar pensar em alguma maneira de proteger esse conhecimento, e se isso não for possível temos que pensar em maneiras de nos proteger. Eu tenho algumas ideias, mas preciso pensar com calma. — Suspirando ele bagunçou os cabelos continuando. — Por hoje acredito que já cobrimos muita coisa e demos muitos passos. Se você pensar em qualquer coisa que possa nos ajudar, não se cale. Como eu disse, alguém que cresceu no meio deles vai nos dar uma boa visão de suas motivações, o que pode nos ajudar a prever suas ações. — Encerrou Harry.

Greengrass acenou e saiu sem se despedir ou olhar na direção dos outros na sala. E assim eram só Terry, Hermione, Neville e ele. Olhando para os amigos percebeu que estavam todos ou cansado ou oprimidos com tanta informação.

— Acredito que é melhor irmos jantar e depois fazer os deveres e nos preparar para as aulas de amanhã. Não adianta ficarmos remoendo a reunião agora, não vai resolver nada e ela já durou muito mais do que eu esperava. — Disse Harry cansadamente.

Todos concordaram e eles saíram na direção do Salão Principal conversando calmamente. Neville contou sobre sua aula de Poções e como ele se sentiu muito ansioso.

— Eu tinha certeza que não conseguiria me lembrar de nada, Harry. Snape começou a nos criticar e alguns Slytherin a rir de nós, minhas mãos estavam tremendo. Então peguei minhas anotações e comecei a preparar os ingredientes e quando vi já estava concentrado e tudo em volta desapareceu. Mas ainda, minha poção não ficou perfeita, eu me esqueci da sua dica de colocar mais suco de babosa, assim fiquei apenas com um E, mas foi muito mais do que eu esperava. Obrigado Harry, de verdade. — Disse Neville animado e aliviado.

— Fico feliz Neville, não precisa agradecer, acho que vou precisar de sua ajuda em Herbologia em algum momento, sabe. — Disse Harry sorrindo constrangido pelos agradecimentos.

— Suco de babosa? Que história é essa? — Perguntou Hermione curiosa.

Harry rapidamente explicou o que ele fizera em sua poção e Terry e Hermione ficaram surpresos, eles também tinham tirado E em suas poções, e saber que Harry não só tirara O, mas acrescentara algo por si mesmo. Hermione ficou inconformada e até se separarem, cada dupla para sua mesa, resmungou sobre porque o livro não estava correto.

Harry apenas riu e se concentrou em seu farto e saudável jantar, olhando em volta discretamente ficou aliviado ao ver que todos estavam agindo normal e que nenhum dos professores ou Slytherin pareciam olha-los com mais atenção ou desconfiança.

Quando subiram para a Torre Ravenclaw eram quase 20 horas e tinham muito pouco tempo para dever de casa e preparação para as aulas do dia seguinte. Eles se concentraram apenas nos deveres, decidindo ler os capítulos na manhã seguinte. Isso fez Terry resmungar sobre ter que acordar mais cedo de novo, Neville o acompanhou, o que fez Harry e Hermione os olharem divertidos.

Pouco antes do toque de recolher os dois Gryffs foram embora e Harry se sentou para ler a frente o livro de Defesa, era seu assunto favorito e ele já estava quase com todas as maldiçoes do 1º ano dominados.

— Harry, achei que você ia tentar falar com Flitwick agora. — Perguntou Terry pegando um livro de 6º ano de feitiços.

— Eu pensei nisso, mas está muito tarde e não acho que se vamos tentar convencê-lo que podemos dar conta de nossas obrigações e mais esse projeto, ir vê-lo atrasados e afobados vai contar a nosso favor. — Disse Harry, pensativamente, lendo a passagem sobre os Trolls da Montanha, era muito interessante.

— Sim, posso ver isso. — Disse Terry.

Quando chegou a 22 horas eles foram para seus quartos, Harry tomou banho, leu mais um capítulo do livro de sua família, comeu e tomou suas poções e caiu em um sono profundo.

Na manhã seguinte acordando mais cedo os dois meninos fizeram a preparação para as aulas de Feitiço e Herbologia, nem se preocuparam com História pois estavam muito adiantados no assunto. Sendo quarta-feira eles também tinham que ler o conteúdo para a aula de Astronomia.

Pouco antes de descerem para o café um dos monitores do 7ª pregou um aviso no quadro de avisos e logo os alunos começaram a ler e comentar. Terry pensou em ver do que se tratava, mas Mandy veio animada contar.

— Aulas de voo! Oh! Nossa deve se emocionante voar, não vejo a hora de aprender.

— Quando vai ser? — Perguntou Harry, a ideia de poder voar também o interessava muito.

— Sexta as 15:30 horas com os Hufflepuffs, e os testes de quadribol serão no sábado as 14 horas, é aberto a todos os anos, mas imagino que 1º anos não tentem porque nem podemos ter vassouras. — Completou ela sorrindo.

— Pelo que sei não é proibido que 1º anos joguem, mas dificilmente alguém do nosso ano teriam talento para competir com os mais velhos. Fico imaginando se eles deixariam um 1º ano ter uma vassoura se ele fizesse parte do time. Mas bem, não acho que saberemos, não é. — Disse Terry sorrindo.

— O que é exatamente quadribol? — Perguntou Harry curioso, já ouvira falar do esporte, mas ainda não ouvira nada detalhando como era o jogo.

Os dois garotos o olharam surpresos e logo Terry suspirou irritadamente ao perceber que Harry não teria como saber sobre algo tão popular no mundo magico.

— Harry você não leu sobre quadribol no kit de informações entregues aos nascidos trouxas? Lá tinha informações sobre nosso sistema de moedas, sobre a sociedade em geral, que agora eu sei omite um monte de informações importantes. Mas também falava sobre o esporte mais popular entre bruxos e suas regras e tal. — Perguntou Mandy perplexa.

— Hum, acho que porque eu sou mestiço, não enviaram um kit para mim sabe, apesar de ter sido criado no mundo trouxa. — Disse Harry, constrangido.

— Isso é bobagem, Lisa também é mestiça, seu pai era um bruxo e a registrou e tudo antes de morrer. Ela foi criada pela mãe que é trouxa e também não teve acesso ao nosso mundo, mas quando McGonnagall a visitou levou um kit, apesar de sua classificação. — Disse Mandy, franzindo o cenho ao perceber que parecia haver algo de muito errado na história.

Harry olhou para Terry, e os dois pensaram o mesmo, saber que Lisa recebera o kit só os fazia confirmar que Harry fora deliberadamente mal informado. Porque era tão importante que Harry chegasse a Hogwarts ignorante e assim se mantivesse era apenas mais um outro mistério.

Logo depois eles desceram para o café com Mandy prometendo emprestar seu kit. Harry acreditava que seu conhecimento agora superava as informações do tal kit, mas seria bom ter o conhecimento do material entregue aos nascidos trouxas pelo Ministério, ficaria mais claro, pensou, como eles eram enganados e discriminados.

O resto do dia foi sem incidentes, apesar de Harry ainda estar recebendo alguns olhares nada amistosos dos Slytherin, Draco sendo o mais flagrante, mas o garoto loiro não voltou a falar com ele.

— Aposto que seu pai ordenou que ele parasse de se fazer ainda mais de idiota. Lucius pode ser muita coisa, mas tolo ele não é, e nem espere nada agora da parte dele contra você, Harry. Isso poderia se voltar contra ele se fosse divulgado um ataque ao menino-que-viveu logo depois de uma desavença publica entre você e o filho dele. Mas ele é paciente, e infelizmente, cedo ou tarde vai tentar algo. — Disse Terry com amargura.

Harry assentiu entendo agora muito bem o porquê de Terry conhecer tão bem o chefe da família Malfoy.

No fim das aulas eles foram a cozinha para um lanche e Terry discretamente perguntou para Mimy onde aconteciam as aulas aos sábados. Ele explicou que eles pretendiam explorar o castelo, já que estariam de folga, mas queria evitar atrapalhar os 6º e 7º anos que estaria ainda tendo aulas. Sorrindo animada por ajuda-los, Mimy os informou que as aulas aconteciam nas masmorras, mas do lado direito e não do esquerdo onde ficavam a sala de aulas de Poções e a entrada para a sala comunal da Slytherin.

Sorrindo animados os dois deixaram as cozinhas e seguiram para a biblioteca para fazer os deveres e leituras. Hermione e Neville já estavam lá e sorriram ao vê-los.

— Depois que terminarmos aqui precisamos ir para a sala. — Sussurrou Harry e os dois assentiram.

Eles estavam quase acabando suas anotações para as aulas do dia seguinte quando Weasley, Finnigan e Thomas se aproximaram.

— Oi, — Disse Weasley hesitante e até corou um pouco, mas depois tomando coragem continuou. — Seamus me contou sobre o que era a reunião e queria dizer que estou dentro. — Disse ele de um jeito meio envergonhado e animado. — O que você precisar, minha família sempre lutou do lado de Dumbledore e eu quero ajudar.

Apesar de não falar alto, estando na biblioteca que era um lugar tão silencioso suas palavras acabaram se sobressaindo e várias cabeças se viraram para olhar curiosos com a conversa. Irritado além do que poderia descrever pela atitude do garoto, Harry olhou para os amigos se perguntando como responder sem piorar as coisas e tornar a conversa a mais nova fofoca de Hogwarts. Se na conversa de domingo era o que Harry queria que acontecesse, desta vez ele queria ir para outra direção. Felizmente Hermione o socorreu.

— Fico feliz que você tenha decido estudar com a gente Ron, as aulas de História são bem fracas e estou muito curiosa sobre os acontecimentos da guerra. Os livros não têm tanto detalhes e como sua família lutou ao lado de Dumbledore você deve ter histórias emocionantes. Aposto que Dean também acha bem legal ouvir sobre isso, não é Dean? — Perguntou ela, olhando intensamente para o garoto alto, mas não precisou. Ele entendeu e rapidamente se aproximou mais da mesa.

— Mas... — Começou Weasley.

— Sim com toda certeza amigo, que bom que você decidiu concordar com a ideia da Hermione, eu com certeza quero ouvir algumas histórias de guerra. E você Seamus? —Perguntou olhando para o amigo.

Seamus concordou e logo arrastaram um Weasley confuso para fora da biblioteca para ver se o faziam compreender melhor a importância de manter a boca fechada.

Suspirando Harry, arrumou suas coisas, perdera a concentração, continuaria depois, agora queria ir até a sala e passar as informações que tinha aos amigos. E depois procurar Flitwick. Todos concordaram e no caminho para o 5º andar Harry explicou para Neville e Hermione sobre sua ideia, os dois se interessaram, ela academicamente e ele pela questão de construir algo direto de uma arvore. Os dois Ravens prometeram perguntar ao Prof. de Feitiços se estava tudo bem se eles participassem do projeto. Hermione queria saber sobre os projetos que sua casa fazia, mas eles foram sinceros em dizer que não sabiam nada, a não ser que não era obrigatório, era um projeto de 2 anos que ficava cada vez mais difícil e que eles começariam no ano que vem.

Hermione ficou claramente mal-humorada e quando eles chegaram a sala e lhe deram as novas informações isso pareceu distraí-la.

— Claro que seria nas masmorras, é o lugar onde ninguém na escola vai, assim as chances de alguém descobrir acidentalmente são remotas. Harry se as aulas começam neste sábado precisamos informar aos 6º anos até sexta-feira e nem sabemos ainda os horários de cada aula. — Disse ela aflita.

— Estive pensando sobre isso e acredito que como as aulas são aos sábados de manhã, eles devem ter uma aula diferente a cada sábado. Por exemplo, neste sábado pode ser direito, no outro, política e assim por diante. Isso faria com que os puros sangues não desaparecessem todos os sábados de manhã, apenas nas aulas escolhidas e como eles só tem algumas horas por sábado poderiam cobrir um assunto a cada semana e não dois ou três. — Disse Terry com sua expressão inteligente.

— Claro, isso faz sentido! — Exclamou Hermione.

— Se você estiver certo precisamos apenas coletar mais informações sobre as salas e horários, e informar os 6ª anos. Vamos esperar até amanhã para ver se alguém traz mais informações, e depois começamos a avisar os alunos. — Disse Harry e depois se levantou para ir ver Flitwick.

— Espere Harry, estive pensando em um nome para a sala, nós falamos sobre isso, mas depois não tocamos mais no assunto. — Hermione falou excitada. Ao ver o olhar interessado dos garotos continuou. — Bem, pensei que como é um lugar de reuniões importantes e para todas as casas e todos temos um animal representando nossas casas, pensei em um habitat comum entre os quatro animais.

— Mas os quatro animais não vivem no mesmo lugar. — Disse Terry.

— Sim, mas existem leões-das-cavernas que vivem em cavernas e os texugos, eles vivem em tocas e escavam tuneis imensos em ribanceiras que podem até ser classificados como cavernas de texugos. E as águias muitas vezes fazem seus ninhos em cavernas no alto de uma montanha e as cobras podem se esconder em cavernas escuras para hibernação. — Informou ela didaticamente.

— Então você está pensando em chamar a sala de Caverna? — Perguntou Neville olhando em volta duvidoso.

Harry entendeu, a sala não se parecia em nada com uma caverna, não depois de Mimy e Nony cuidaram dela tão bem.

— Não. Lembra que eu disse no início que é um lugar para reuniões importantes, bem são também reuniões secretas e rebeldes, então pensei em um nome que é sinônimo de caverna e toca e simboliza bem o nosso segredo, você sabe agir nas sombras e tudo. — Disse ela tentando justificar sua ideia.

Mas Harry estava ficando impaciente, hoje não queria deixar de se encontrar com seu chefe de casa.

— Fala logo Hermione, já deu para entender que você considerou bem o nome, se não gostarmos você pensa em outra coisa. — Disse Harry exasperado.

— Hum, bem, eu pensei que Covil seria um nome legal, sabe. Como algo que simboliza a rebeldia e...

— Sim, sim, entendemos e acho um ótimo nome. — Disse Terry sorrindo animado.

— Covil. Eu também gosto, e você Nev? — Perguntou Harry, realmente apreciando o nome.

Neville sorriu e parecendo feliz por ser incluído disse:

— Acho que é um nome brilhante.

Isso fez com que todos sorrissem e Hermione corasse envergonhada, mas muito satisfeita consigo mesmo.

Logo depois eles se despediram e enquanto os Gryffs foram para sua torre, Harry e Terry foram para a sala do Prof. Flitwick. Eles bateram na porta e não tiveram que esperar muito para que ela se abrisse revelando o diminuto e animado professor.

— Ah! Olá meninos, que boa surpresa. Entre, entre se acomodem. — Disse Flitwick com um sorriso de boas-vindas.

O escritório dele era pequeno, mas bem decorado com as cores azul, bronze e vermelho, tudo era bem confortável e divertido, combinava com o professor de Feitiços. Ao em vez de leva-los a sua mesa onde em frente tinha duas cadeiras, ele os levou até uma pequena área com sofás e poltronas. Harry se sentou em um sofá azul, Terry do seu lado e Flitwick em uma poltrona vermelha antiga, em frente aos garotos. A poltrona era tão grande que os pés do professor ficou balançando no ar, olhando para seus próprios pés Harry percebeu que também não alcançavam o chão, mas os de Terry sim. Sacudindo a cabeça voltou sua atenção ao motivo de estarem ali.

— Muito bem meninos, vocês querem falar sobre algo em particular? Espero que estejam se adaptando bem e que não haja nenhum problema. — Disse ele, abrindo a conversa diante do silencio tímido dos meninos.

— Sim, professor. — Disse Harry, e respirando fundo falou sobre sua ideia, como ele gostaria de arrumar seu espaço com moveis e como em sua pesquisa se deparou com a carpintaria mágica. Harry contou sobre o interesse de seus amigos Gryffs e como eles fazendo o projeto em grupo não ficariam sobrecarregados e ainda estariam aprendendo muitas magias importantes. — E bem, foi por isso que viemos pedir sua autorização professor. — Concluiu ele e deu uma olhada para o Terry em busca de apoio.

— Sim, Prof. Flitwick, seria muito interessante aprender todas essas etapas e enquanto conjurar um móvel também parece legal, ainda estamos um pouco distantes desse nível de magia e gostaríamos de não apenas decorar nossos quartos, senhor, mas também o tornar mais prático para guardar nossas coisas e mais confortável. — Disse Terry com sua expressão inteligente.

— Bem meninos, estou um pouco surpreso com essa ideia, confesso. Vocês foram informados que os seus quartos serão adequadamente mobiliados de acordo com suas notas? Não? Bem os monitores e eu mesmo devemos ter nos esquecidos. Ao fim das provas antes das férias de Natal, de acordo com suas marcas vocês receberão ou não o privilégio de receber um móvel em seus quartos. Apenas um, pode ser uma estante, um guarda roupa maior, ou uma cama maior, fica a critério de cada um. Um papel é passado e aqueles que encontrarem seu nome na lista sabem que tiveram notas boas o suficiente para receber a recompensa, e escreverão qual móvel querem acrescentar em seu quarto. Eu mesmo com a ajuda de Bubbles, providencio o novo móvel. Isso também vale para as provas finais antes do verão, e todos os anos vocês podem acrescentar ou melhorar dois moveis. — Disse Flitwick e para sua surpresa ao em vez de animação viu decepção no rosto dos meninos, principalmente, no de Harry.

A verdade é que Harry gostara muito da ideia de construir com as próprias mãos e sua magia seus moveis, parecia uma grande aventura e ele teria algo fruto de seu esforço. Na casa dos Dursley, sempre ficara claro que nada ali era dele, nem nos moveis ele tinha autorização para se sentar, e apenas pouco antes de vir para Hogwarts ele ganhara o segundo quarto do Dudley cheio de moveis velhos, que também não eram dele. Agora seu quarto aqui, bem se sentia em casa e a ideia de mobília-lo com seu próprio esforço era muito empolgante. Assim, estava decepcionado, olhando para Terry percebeu que ele também ficou chateado por não poderem aprender carpintaria magica, ainda que o fato de que eles teriam os moveis que queriam em algum momento deveria minimizar isso.

— Bem meninos, estou vendo que vocês estão decepcionados e vendo o quanto você pesquisou sobre o assunto Harry posso entender que seu interesse era genuíno. Não posso dizer que não fico feliz, vocês quererem aprender um ramo tão interessante da magia me agrada muito. Acredito que é possível fazer as duas coisas, pensarei com muito cuidado e assim como vocês vieram até mim, irei até o diretor e o consultarei sobre a possibilidade de termos algumas aulas extracurriculares para os interessados em carpintaria mágica. Prometo vir até vocês com uma resposta em no máximo uma semana. — Disse Flitwick sorrindo pensativamente.

Era possível perceber que sua mente já estava trabalhando em uma solução para esse quebra cabeça. Harry se sentiu animado, se havia algo que um Ravenclaw não fazia era deixar passar a oportunidade de aprender ou permitir que obstáculos o impedisse de alcançar conhecimento. Assim tinha certeza que seu chefe de casa encontraria uma solução.

Logo depois eles se despediram e caminharam na direção da porta, mas antes de o professor fechar a porta, Harry hesitou e decidiu seguir sua intuição.

— Prof. Flitwick... eu ahrr... bem, eu queria saber se o senhor algum dia, sabe, hum... teria algum tempo, se não for atrapalhar claro, para me contar um pouco sobre meus pais, senhor. — Disse ele corando timidamente, olhando para o chão e arrastando o sapato no chão. — Se o senhor quiser é claro. — Acrescentou rapidamente, olhando para o professor, mas Flitwick não parecia zangado ou chateado com seu pedido, ele estava sorrindo e parecia olhar para ele carinhosamente emocionado.

— Será um grande prazer, é claro que tenho tempo e podemos já marcar um horário, o que me diz que tomarmos um chá no domingo à tarde. Vou adorar lhe contar histórias sobre seus pais. — Disse Flitwick.

— Serio? — Harry arregalou os olhos de surpresa e corou ainda mais por seu tom mais alto e agudo. — Eu... eu agradeço professor e domingo está ótimo se o senhor tem certeza, é perfeito para mim. — Disse Harry sorrindo animado e grato.

— Então está combinado Harry, agora porque vocês não vão para o jantar, tenho certeza que ouvi alguns estômagos roncando a alguns instantes. — Disse ele divertidamente e riu ainda mais quando os dois meninos se acusaram com expressões culpadas e coraram.

Rapidamente os dois acenaram e desceram as escadas que levavam ao Salão Principal para o jantar. Harry estava tão animado que andava dando saltinhos para a diversão de Terry que não disse nada porque sabia que seu amigo não gostaria de ser zombado, ainda mais por algo tão importante para ele que era saber mais sobre seu pais.

Durante o jantar Harry olhou em volta e viu que MacMillan o encarava tentando sinalizar alguma coisa, ele acenou rapidamente e esperava que ele entendesse que era para eles se encontrarem no Covil. Sorriu ao pensar no nome, Hermione as vezes o surpreendia, era tão ligada as regras, mas pensara em um nome que estava ligado a ladrões e rebeldes.

Depois de comer seu farto jantar ele e Terry foram direto para o Covil, não precisaram esperar muito para que MacMillan aparecesse.

— Oi, que bom que vocês entenderam, queria contar o que eu descobri com meu irmão. Ele está na sua casa e é um dos monitores e muito estudioso, tinha certeza de que ele estaria inscrito, se não em todas, em quase todas as aulas. — Disse ele do seu jeito rápido e pomposo. Lembrava um pouco Michael, mas de um jeito mais simpático e menos preocupado com o cabelo.

— Como é o nome dele e o que você descobriu? — Perguntou Harry.

— Edwin MacMillan e eu descobri que no sábado as 8 da manhã meu irmão, que eu tentei convidar para irmos voar no campo de quadribol antes dos testes das casas, vai ter uma aula de reforço em Poções. — MacMillan parecia bem indignado com o pensamento de seu irmão ter sido encantado para mentir, inclusive para a família. — Meu irmão é muito bom em poções, nunca teve problemas nesta aula e além disso eu não consigo ver Snape fornecendo aulas de reforço depois de tudo o que aconteceu. Você?

Harry acenou negativamente, era, obviamente, uma mentira, o que não quer dizer que Edwin MacMillan não estaria tendo aulas de reforço no laboratório da torre Ravenclaw, fato que Ernest não teria conhecimento, mas pensou Harry, era muita mentira para algo simples. Tudo que o garoto do 6º ano tinha que dizer era que não poderia ir voar porque tinha um grupo de estudo ou algo assim.

— Acho que é o encantamento forçando ele a contar a mentira, mas acho que sua magia tenta combater o encanto, porque ele cria uma desculpa que é claramente falsa e ao mesmo tempo o conecta com as masmorras que descobrimos é onde serão as aulas. — Disse Harry explicando ao colega rapidamente suas descobertas e de Terry naquele dia. Terry também explicou sobre sua ideia de que seria apenas um assunto por sábado.

— Bem, então já sabemos quando e onde, ou bem perto disso, e os alunos que quiserem ir as aulas poderão ir sem se preocupar em estar na aula errada. Mas Harry o que vai acontecer quando o professor perceber muito mais alunos na sala do que nos anos anteriores ou que está em sua lista de aceitação. — Perguntou MacMillan confuso.

— Eu tenho uma resposta para isso. — Disse Greengrass entrando silenciosamente. — Não posso me demorar, mas vi que vocês sinalizaram um encontro e decidi vir rapidamente mostrar minhas descobertas. — E rapidamente abriu sua mochila e com sua varinha flutuou uma folha de papel. — Wingardium leviosa.

O papel flutuou até chegar a mesinha no centro da sala, pousou e ela o abriu com um feitiço que Harry desconhecia, "Patentibus". Harry tentou não ficar impressionado com seu domínio de dois feitiços que ele mesmo ainda não aprendera.

MacMillan se moveu a frente para pegar o papel, mas Terry o segurou rapidamente.

— Não toquem! A não ser que desejem ser enfeitiçados. Eu tentei fazer uma cópia, não é possível e precisarei devolver o mais rápido possível. Na casa Slytherin bens pessoais não desaparecem sem consequências e enquanto na teoria a aluna não deveria falar da carta nem para informar que esta desapareceu, não vou arriscar. Leiam com atenção e rapidez. — Disse Greengrass do seu jeito frio.

— Você está correta em ser cautelosa Greengrass, a pessoa de quem você pegou a carta pode não falar para ninguém, mas isso não quer dizer que ela não vai tentar descobrir quem a roubou e poderia chegar até você, o que seria perigoso. — Disse Terry, se aproximou e rapidamente copiou o conteúdo da carta em um pergaminho. — Pronto, pode guarda-lo e devolve-lo.

Greengrass fez isso e rapidamente deixou a sala ignorando os agradecimentos de Harry.

— Que figura, ela me dá arrepios. — Disse MacMillan olhando com cara azeda para a porta onde a menina saiu.

— Sim, mas o importante é que ela resolveu nossas duvidas finais. — Disse Harry lendo junto com o amigo Raven o conteúdo da carta. — Aqui diz que eles estão sendo chamados para aulas especiais e especificas para seu desenvolvimento profissional e que sua seleção é um privilégio por sua dedicação educacional e blábláblá. Um monte de mentiras, o mais importante são os módulos de aulas e que a carta também é como os alunos escolhem as aulas de seu interesse. Isso quer dizer que o professor não tem uma lista de chamada e não vai nem piscar quando ao em vez de 10 receber 20 alunos ou algo assim na sala. E você estava certo Terry, cada sábado é um assunto diferente dividido em módulos ou fases. — Disse Harry animado.

— Sim, neste sábado tem 3 horas de aulas, das 8 às 11 da manhã de Etiqueta Social (modulo I), e no próximo sábado será de Administração (modulo I). Não sei quanto módulos são, mas neste semestre tem também um sábado de Direito, Política e Estratégias Econômicas, muito interessante. Acredito que em janeiro, após as Festas eles receberão uma nova carta com as datas com as aulas e reforçar o encantamento. — Disse Terry.

— Espere, se o irmão do MacMillan já conseguiu resistir ao encantamento a ponto de contar essa mentira patética e eles enviam outra carta encantada já em janeiro, isso significa que eles reforçam o encanto muito mais rápido do que imaginávamos. — Disse Harry entusiasmado.

— Claro, você está certo Harry, isso é uma boa notícia. — Disse Terry com seu sorriso branco brilhante.

— O que é uma boa notícia? Não entendi. — Disse MacMillan confuso.

— Quer dizer que não estamos lidando com um bruxo adulto muito poderoso. Mas depois falamos mais sobre isso, agora vamos nos concentrar em contar para os 6º anos nossas descobertas. E eu acredito que já sei a melhor maneira. — Disse Harry sorrindo misteriosamente.

Harry não explicou sua ideia, dizendo que como não sabia se daria certo deixaria por assim até ter a posição de uma pessoa. E também não quis contar que pessoa, MacMillan ficou chateado e Terry divertido, tendo percebido que seu amigo gostava de um mistério.

Depois disso MacMillan foi embora e um pouco depois Hermione e Neville chegaram. Eles os atualizaram sobre as novas informações, mas eles estavam um pouco distraídos, preocupados com suas aulas de voo. Terry tentou tranquiliza-los, mas não ficaram muito tempo, pois tinham que ir dormir mais cedo para acordarem para a aula de Astronomia.

Voltando para a torre, Harry olhou em volta e avistando a pessoa que precisava conversar para o seu plano se aproximou dela e a convidou para irem à sala de convívio para um chá noturno. Ele deixou seu material em seu quarto e pegou os deliciosos brownies, esperando que isso o ajudasse a convence-la. Depois de muita conversa, a pessoa concordou em ajuda-lo, mas se recusou a dividir com ele os brownies.

Harry foi dormir e acordou no horário para a aula de Astronomia, como sempre muito interessante, ele fez algumas perguntas sobre a ligação da lua e das estrelas na fabricação de poções e a Prof.ª Sinistra ficou muito feliz em responder. Depois eles voltaram para a torre e Harry comeu e tomou suas poções e sonolento foi dormir, esperando que todos os seus planos dessem certo no dia seguinte.