Capítulo 12

Harry tendo colocado sua ideia em pratica na noite anterior pode se concentrar nas aulas durante o dia seguinte. E ao fim da última aula junto com Terry foram para o Covil esperar seus convidados.

Enquanto esperavam Harry se preocupou com seus amigos Gryffs que neste momento estavam tendo sua aula de voo com os Slytherins. Os dois estavam muito tensos e ansiosos, Neville decididamente pálido feito um fantasma e Hermione lendo o livro Quadribol através dos Séculos tentando encontrar dicas. Terry tentara tranquiliza-los e falara com seu tom calmo que o mais importante era confiança e não demonstrar medo para a vassoura, mas os dois apenas olharam para ele como se o garoto moreno fosse louco.

— Você acha que eles vão se sair bem? — Perguntou Terry interrompendo seus pensamentos. Desviando o olhar das montanhas que observava por uma das janelas, Harry olhou seu amigo que estava fazendo algumas anotações, sem Hermione ele decidira assumir esse aspecto da reunião quando Harry lhe explicara sua ideia. E desta vez eram só os dois, mas era melhor assim, qualquer outro primeiro ano poderia apenas dar menos credito a reunião.

— Sinceramente, se depender do seu conselho de não mostrar medo, acho que eles serão péssimos. — Disse Harry e esfregando as mãos suadas nas pernas decidiu deixar de se preocupar com os problemas dos amigos e se concentrar nos problemas que tinham aqui e agora. — Você acha que eles vão acreditar no que lhe contarmos? — Perguntou ele expondo ao amigo sua maior dúvida.

— Sinceramente, acredito que teremos alguns descrentes, mas quando eles irem para as masmorras no sábado, acabarão se as dúvidas. — Disse Terry, com uma careta, como Harry, ele estava pálido e levemente enjoado.

Logo depois eles ouviram passos e quem eles esperavam chegou.

— Muito bem, estou aqui, e fiz o que você me pediu chamei os mestiços e nascidos trouxas da nossa casa do 6º e 7º anos. Agora quero saber do que se trata e espero que seja muito bom. — Disse Penny Clearwater muito séria.

Harry engoliu em seco e tentou sorrir, sua ideia era que os alunos viriam para a reunião se fossem chamados por uma monitora e a única em que ele confiava era Penny. Mas sabia que ela poderia ficar zangada por ser usada, mas era um risco que eles tinham que correr.

E falar com alunos de cada casa separados também evitaria muita gente de uma vez para convencerem da verdade e depois também os persuadir a não contarem a ninguém sobre todas essas novas informações, principalmente, não protestarem e revelarem ao Ministério que eles estavam se organizando e se rebelando.

A princípio ele queria apenas os 6º anos, mas Terry sugerira dois anos de cada casa, assim eles passariam as informações mais rapidamente. E claro começar por sua casa era o mais sensato, afinal os Ravens eram com quem teriam menos problemas, ou assim eles supunham.

Logo os alunos chegaram, desta vez não veio nenhum puro sangue curioso, eram apenas mestiços e nascidos trouxas do 6º e 7º anos. Harry fez uma breve introdução, pediu que cada um se apresentasse e recebeu muitos olhares desconfiados e de tedio, mas talvez por seu tom decidido e liderança natural, talvez por seu nome e fama, incrivelmente, todos obedeceram. Depois Terry começou seu conto, ele resumiu um pouco, afinal as crianças mais velhas já estavam no mundo magico a mais tempo e tinham alguns desses conhecimentos, principalmente Ravenclaws que estudavam História por conta própria.

Quando chegou a situação atual de segregação social para se conseguir trabalho e das aulas extras as expressões eram de descrença e choque, alguns estavam com raiva. Quando Terry terminou, o silencio que se seguiu só foi quebrado quando uma garota nascida trouxa do 6º ano falou.

— Isso não pode ser verdade, eu não continuei meus estudos trouxas, nunca conseguirei um emprego ou fazer faculdade no mundo trouxa. Eu tinha esperança de trabalhar como advogada no departamento de leis. Isso tem que ser um engano, Penny, isso é brincadeira desses meninos, não é? — Perguntou ela com voz embargada.

— Eu..., eu não sei, quer dizer eu sei que ainda existe muito preconceito mesmo com o fim da guerra, mas isso, eu... eu não sei. Harry? Eu confio em você, se me der sua palavra que tudo isso é verdade, não vou te questionar. — Disse Penny pálida e angustiada.

Harry respirou fundo e a encarou direto nos olhos, seu olhar verde brilhou com poder e sinceridade, nem Penny ou qualquer um ali duvidou dele quando disse.

— Dou minha palavra em meu nome e de minha família. E como sempre os Potters lutarão contra essa injustiça e quaisquer outros preconceitos que o mundo magico mantem vivo, quando nos mantem ignorantes. — Vendo por suas expressões que eles acreditaram nele Harry não perdeu tempo. — E agora vamos falar sobre como os 6º e 7º anos vão se inserir nestas aulas e porque é importante que nossa rebeldia se mantenha nas sombras. — Disse Harry intensamente.

Harry viu muitos rostos se encherem de tristeza, raiva e protestos e passou a próxima meia hora com a ajuda do Terry e depois o apoio de Penny, convencendo-os da importância do sigilo e que se tentassem lutar diretamente perderiam e colocariam a si mesmos e suas famílias em perigo. Eles venceram essa batalha, os Ravenclaws entendo a importância de agirem inteligentemente concordaram, mas Harry desconfiava que não seria tão fácil com as outras casas.

Os alunos do 6º ano Ravenclaw prometeram voltar depois do jantar com seus colegas de ano, mestiços e nascidos trouxas, das outras casas. Harry insistiu na importância da discrição, e que eles deveriam trazer os alunos de todas as casas, inclusive Slytherin, ouve alguns protestos, mas Harry e Terry insistiram e todos concordaram, prometendo voltar a 19 horas daquela noite. Eles decidiram, diante da urgência do 6º e 7º saberem sobre as aulas, que se concentrariam nos 6º anos hoje e no dia seguinte com os 7º anos que seriam trazidos por seus colegas de ano Ravenclaw.

Harry e Terry tendo muito pouco tempo decidiram ir para as cozinhas jantar, eles se perguntaram sobre Hermione e Neville, mas tinham esperança de que os amigos Gryffs viriam até o Covil quando não os vissem no Salão Principal. Mas eles não apareceram.

Felizmente, os 6º anos das outras três casas, haviam apenas 2 mestiços na Slytherin, aparecerem com seus colegas de ano Ravenclaws e Penny também retornou oferecendo seu apoio e autoridade, sendo uma monitora e tudo.

Terry e Harry então contaram tudo de novo, desta vez foi muito mais difícil, haviam muito mais alunos, eles eram mais velhos, impacientes e no caso dos Gryffindor, explosivos. Foi mais difícil desta vez faze-los acreditar e Harry cansado de tanta arrogância foi até a porta e apontou o caminho da saída.

— Prestem muita, mais muita atenção, sua descrença ou pretensão de que sabem mais do que nós 1º anos não me interessa. Vocês podem pensar o que quiserem de nós, mas sejam suficientemente inteligentes para nos dar o benefício da dúvida e compareçam nas aulas no sábado. — Olhando-os sem piscar acrescentou. — E para aqueles que não tem interesse nessas aulas mesmo que acreditem em sua existência ou em lutar por seus direitos a igualdade no mundo magico, seu lugar não é nesta reunião. Saiam agora e mostrem o mínimo de respeito mantendo segredo de tudo o que ouviram aqui e ninguém vai julga-los. — Disse Harry amargamente.

Para sua surpresa 4 alunos se levantaram, 1 Hufflepuff e 3 Gryffindors, eles, Harry percebeu, eram mestiços de famílias ricas como ele, assim não se importavam com os preconceitos e discriminações. Contrariando sua fala de que ninguém os julgariam, um dos nascidos trouxas, enquanto saiam não se calou.

— É claro que vocês não se importam, papai tem muito dinheiro. Não se preocupem, nós lutaremos por vocês também. — Zombou a garota com escarnio.

Quando ficaram em silencio, Harry voltou em insistir no sigilo e claramente, com 4 dos contestadores mais veementes fora da sala, o resto dos alunos foram mais fáceis de persuadir. Ficou combinado não só o sigilo e a falta de protesto, mas que ao irem para as aulas no sábado tinham que agir como se nada de estranho estivesse acontecendo. Com as datas das aulas, rapidamente o grupo começou a decidir qual aulas queriam. Os dois Slytherins e os Ravens queriam todas as aulas, os Hufflepuffs não se interessavam por política e etiqueta, e os Gryffs torceram o nariz para estratégias de economia e administração. Foi Terry quem os cortou duramente.

— Vocês têm a chance de aprenderem nessas aulas assuntos ensinados para os herdeiros puros sangues, que ainda por cima vão auxiliar que consigam empregos e não se esqueçam que quem veio antes de vocês não tiveram a mesma oportunidade, mas ficam aqui torcendo o nariz. Vocês têm a obrigação de ir a todas a aulas e descobrir tudo o que precisamos para superar a segregação em nossa sociedade.

Isso os calou e depois todos concordaram em comparecer em todas as aulas.

— Bem, agora só faltam os 7º anos, eles serão informados amanhã por seus colegas Ravanclaw, Terry e eu estaremos na nossa aula de voo e não poderemos vir aqui até mais tarde. Penny seria bom se você pudesse vir com eles e ajudar a mantê-los calmos até ouvirem tudo o que precisam saber. Suas aulas serão módulos avançados, mas se eles comparecerem a essas aulas e pegarem o material das aulas iniciais com vocês 6º anos, com certeza poderão acompanhar. Assim que as aulas de voo acabarem viremos direto para cá, é importante Penny, que você os segurem e se alguém quiser sair antes de chegarmos insista no sigilo. Temos que ser discretos, se agirmos estranhamente, chamaremos a atenção deles e perderemos nossa única vantagem.

— E qual é essa vantagem? — Perguntou o garoto mestiço Slytherin.

— Nossa vantagem é que eles ainda nos veem como cordeiros ignorantes, mas nós somos leões, águias, texugos e cobras e não estamos mais no escuro. Vamos lutar de volta e vamos levar essa luta até eles sem que eles percebam até que não possam fazer mais nada para nos impedir. — Disse Harry com seu sorriso malicioso, Terry o acompanhou e acrescentou rapidamente.

— Mas lembrem-se que voltar a estudar os assuntos da escola trouxa é importante também. O mundo trouxa pode ser o que vai ajuda-los a se manter financeiramente enquanto continuam a lutar contra as discriminações aqui no mundo magico. Precisamos aceitar que esses dois mundos nos pertencem e que não podemos desprezar um ou ser expulso de outro. — Disse ele com seu tom calmo que impressionou muitos dos 6º anos presentes.

Felizmente com os detalhes não houve muita discussão o apoio de uma monitora ajudou muito e a seriedade dos dois 1º anos os credenciou a serem ouvidos, além disso os 6º anos eram adolescentes espertos e logo perceberam que estavam enganando aqueles que os tentava enganar e junto com a vontade de aprender veio à vontade igualmente grande de "pay back".

Depois disso exaustos os meninos voltaram para a torre e foram fazer seus deveres e leitura para as aulas do dia seguinte. Trabalharam diligentemente até as 22 horas e depois foram dormir, acordando mais cedo no dia seguinte para continuarem suas leituras atrasadas. Harry nem conseguira, tão cansado estava, ler um capítulo do livro do seu avô, apenas comera um sanduiche e tomara suas poções. E nesta manhã tomara um banho frio para acordar, algo que não precisara fazer desde bem pequeno, quando sua tia o despertava antes do amanhecer para que ele a ajudasse a preparar o café da manhã para seu tio quando ele saia muito cedo para alguma viagem de trabalho.

— Eu sei que estamos atrasados, Terry, mas vai valer a pena, e poderemos dormir um pouco mais no fim de semana. — Disse Harry tentando animar seu amigo sonolento. Hoje ele nem tentara arrumar o cabelo e estava quase tão bagunçado quanto o do Harry.

Terry sorriu meio cansado e concordou.

— Eu sei Harry, foi a coisa certa a fazer, mas acho que no fim de semana teremos que mudar nossa estratégia. Se vamos ter reuniões com os alunos de todos os anos que ainda faltam, nos atrasaremos tudo de novo. Assim é melhor que amanhã e domingo nos preparemos para nossas aulas não apenas de segunda-feira, mas da semana inteira, podemos depois só reler nossas anotações rapidamente. — Disse Terry que sabia que, tão importante era o que fizeram e pretendiam continuar a fazer, se por um acaso se descuidasse de suas notas, sua mãe o mataria.

— Isso é brilhante Terry, vamos fazer isso amanhã e domingo, aposto que Hermione e Neville vão concordar também. Aliás, vamos descer para ver se conseguimos falar com eles, estou curioso sobre suas aulas de voo. — Disse Harry guardando seus materiais, fora uma preparação mais rápida do que teriam feito normalmente, mas ao menos seus planos estavam bem encaminhados.

No Salão Principal eles viram os amigos sentados tomando o café na mesa da Gryffindor e se encaminharam até eles. Vendo o rosto abatido de Neville, Harry ignorou qualquer possibilidade de estar quebrando uma regra e se sentou na mesa para tomar seu café com eles. Terry ficou uns segundos sem ação, mas dando de ombros se sentou ao lado dele.

— Oi, não vi vocês depois da aula de voo, esperamos que aparecessem no Covil. Correu tudo bem? — Perguntou Harry em um sussurro, depois quando seu café da manhã especial apareceu sorriu pensando que precisava agradecer a Mimy por seu trabalho incrível.

— Hum, foi horrível, não quero nunca mais chegar perto de uma vassoura. — Disse Neville cabisbaixo revirando os ovos no prato sem interesse.

Harry que começara a comer sua montanha de ovos, legumes e queijo branco parou e bebendo um pouco de leite encarou Hermione que também parecia chateada. Foi ela que contou o que acontecera.

— Bem, nós dois estávamos com medo e nossas vassouras não queriam nos obedecer ou seja lá o que for. — Disse ela com amargura, não estava acostuma a não ser boa em alguma coisa na escola, ainda que os esportes nunca foram seu forte, pensara que voar, algo tão tipicamente bruxo, seria diferente. — Depois que não controlamos nossas vassouras, Madame Hooch ainda nos mandou tentar voar e aí o Neville... — Parou olhando para o amigo, mas quando esse não esboçou nenhuma reação, decidiu continuar. — Neville subiu sem parar e sem controle bem alto e acabou caindo e quebrando o pulso.

Os meninos arregalaram os olhos encarando o garoto, mas esse continuou com a cabeça baixa. Hermione então continuou contando.

— Madame Hooch o levou para a enfermaria e disse que não era para ninguém voar ou teríamos problemas. Mas Malfoy e alguns outros Slytherin estavam rindo do Neville e Parvati ficou zangada com eles e então Malfoy encontrou o Lembrol de Neville que sua avó lhe enviara, é um objeto muito legal que fica vermelho quando você se esquece de algo. Weasley mandou o Malfoy devolver o Lembrol, mas ao em vez disso ele decidiu voar e colocá-lo em uma árvore. — Hermione estava zangada nesse ponto e lançou um olhar azedo para baixo na mesa, onde o garoto ruivo estava comendo uma montanha de ovos, bacon e salsichas despreocupadamente. — Weasley tentou segui-lo e eu me coloquei na frente dele e o impedi de decolar e disse que ele nos colocaria em apuros. Dean e Seamus me apoiaram dizendo que não valia a pena e logo depois Malfoy voltou todo satisfeito por ter escondido o Lembrol em alguma arvore, mas antes mesmo dele pousar Prof.ª McGonnagall chegou e ficou muito zangada com ele. — Nesse ponto Hermione sorriu satisfeita, mas logo voltou a olhar magoada na direção do garoto Weasley. — Prof.ª McGonnagall esperou apenas Madame Hooch voltar e depois levou o Malfoy para o seu chefe de casa, imagino que ele deve ter pego detenção além de perder pontos porque logo depois a Ampulheta verde estava 50 pontos mais vazia. — Concluiu ela bebendo um pouco do seu suco.

— E o que aconteceu então na aula? E porque você está toda hora olhando chateada para o Weasley ali? — Perguntou Terry suavemente.

— Humpf, eu fui muito mal na aula, fiquei com ainda mais medo depois que vi o Neville cair e não consegui comandar minha vassoura para deixar o chão mais do que alguns centímetros. Patético. E quanto ao Weasley, quando a aula acabou ele veio na minha direção, achei que ia me agradecer por impedir que se colocasse e nossa casa em problemas, mas ao em vez disso foi muito grosseiro e disse para cuidar dos meus negócios e não se meter mais nos dele. — Disse ela bem chateada agora.

Harry e Terry se olharam, uma parte deles sabiam o quanto a menina podia ser mandona, mas ela não tinha má intenção por isso a grosseria e ingratidão do Weasley era muito injusta, ainda que esperada.

— E você Neville ficou bem na enfermaria? — Perguntou Harry preocupado com o amigo silencioso.

Neville levantou a cabeça, mas continuava com os ombros baixos, e seu olhos estavam tristes.

— Madame Pomfrey me curou em um instante e depois Hermione veio e fomos até a biblioteca estudar. Mais tarde nos separamos, Hermione decidiu ir para a nossa torre descansar e eu queria ir ao Covil para ver o que estava acontecendo. — Neville fez uma pausa e respirou fundo. — No caminho Malfoy e seus amigos me emboscaram, eu tentei lembrar das maldiçoes que você me ensinou Harry, mas nada que eu tentei dava certo, eles só riram ainda mais de mim e me chamaram de aborto e que eu devia fazer um favor para todo mundo e pedir para me mandarem para casa. Eles prenderam minha perna com o Locomotor Mortis e saíram rindo e dizendo que era minha culpa Malfoy ter detenção e que eles iam me fazer pagar. Eu tive que ir pulando até a torre da Gryffindor, estava mais perto e pensei que a Hermione se lembraria do contrafeitiço, mas não me lembrei da senha. Fiquei lá até que uns 6º anos aparecessem quase na hora do toque de recolher e eles me ajudaram.

— Eu estava muito cansada e chateada e decidi ir direto para a cama, se não teria ido te ajudar Neville. — Disse Hermione tristemente.

Harry olhou para os dois amigos e terminando seu último leite, o copo se encheu de novo, pegou o mingau e as frutas e mel, pensando no que falar para anima-los. Supôs que a verdade era a melhor maneira de se lidar com isso, se facilitasse para eles, tudo ficaria ainda mais difícil.

— É isso? — Perguntou engolindo seu mingau, encarou os dois que olharam de volta parecendo magoados com a displicência de Harry. — Vocês vão ficar aí e só deixar que dois garotos imaturos, grosseiros, preconceituosos cheguem até vocês? Que façam vocês duvidar de si mesmos, de sua inteligência, magia, família. — Perguntou Harry mais duramente. Olhando para Terry este lhe acenou o incentivando a continuar.

— Se for esse o caso, nem tentem, desistam agora e voltem para suas casas, se escondam porque esses dois idiotas são apenas isso, idiotas. Hermione, você é nascida trouxa, mulher, negra, você realmente acha que todos vão facilitar as coisas para você? Aqui ou no mundo trouxa você vai encontrar preconceitos, machismo e gente te olhando atravessado por sua inteligência. Weasley é apenas o mais inofensivo. Neville, você vale 12 Malfoys e só você e pessoas como ele não veem isso. Estamos todos aprendendo e você não deveria ter que se preocupar com ser emboscado por colegas de ano desleais e saber se defender depois de uma semana de aula. Não se esqueçam quem vocês são. — Fez uma pausa e olhou intensamente para cada um, eles o olharam de volta mudos e de olhos arregalados. — E agora é melhor irmos Terry, não quero me atrasar para a aula de Poções. — Disse Harry levantando-se, pegando sua mochila e pendurando-a em seu ombro. — Ah, me avisem se decidirem desistir, assim posso me despedir. — Encerrou ele e rapidamente com Terry ao seu lado caminhou para as masmorras.

Assim que estavam longe do grande salão Harry suspirou e diminuiu o passo, começando a duvidar de si mesmo também. Terry percebeu isso e batendo em seu ombro disse:

— Você foi brilhante amigo, eles precisavam ouvir a verdade dos fatos. E não se preocupe, eles não vão desistir, eles são Gryffindors, meu pai é um e a teimosia é uma das suas piores qualidades. — Disse ele rindo, Harry o acompanhou mais aliviado, e respirou fundo se concentrando e se preparando para mais uma batalha com Snape.

A aula foi exatamente como a anterior, Harry foi separado a frente, Snape o encarou e ignorou todo mundo, não criticando ninguém, mas também não ensinando nada. Harry havia se preparado para essa poção, mas não tão bem quanto teria gostado e isso lhe custou na nota, ele conseguiu um E, mas prometeu a si mesmo ir ao laboratório da torre para fazer corretamente. Desta vez foi mais fácil ignorar Snape, vindo de seu discurso para os amigos, ele decidiu também não deixar que um professor amargo o impedisse e o fizesse duvidar de si mesmo.

Na aula de Transfigurações Hermione e Neville se sentaram por perto, não disseram nada, mas estavam com expressões determinadas em seus rostos e com os ombros erguidos. Harry e Terry apenas sorriram para eles e os dois sorriram timidamente de volta.

Depois do fim das chatas e inúteis aulas duplas de Defesa Harry, Terry e os outros garotos da Ravenclaw desceram tranquilamente as escadas que levavam para fora do castelo para a primeira aula de voo. Era um dia claro, com uma brisa fresca e a grama ondeava pelas encostas sob seus pés ao caminharem em direção a um gramado plano que havia do lado oposto à Floresta Proibida, cujas árvores balançavam sinistramente a distância.

Os garotos da Hufflepuff já estavam lá, bem como as vinte vassouras arrumadas em fileiras no chão. Harry olhou as vassouras com atenção, pareciam bem velhas e frágeis e entendeu porque Hermione e Neville, que já tinham medo de voar, ficaram ainda mais inseguros. E não precisava ser um Raven para entender que uma daquelas velhas vassouras fora a responsável pelo acidente do amigo tímido.

A professora, Madame Hooch, chegou. Tinhas cabelos curtos e grisalhos e olhos amarelos como os de um falcão.

— Vamos, o que é que estão esperando? — Perguntou com rispidez. — Cada um ao lado de uma vassoura. Vamos, andem logo.

Harry se colocou ao lado de uma vassoura, era velha e tinha algumas palhas espetadas para fora em ângulos estranhos.

— Estiquem a mão direita sobre a vassoura — mandou Madame Hooch diante deles — e digam "Em pé! ".

— EM PÉ! — Gritaram todos.

A vassoura de Harry pulou imediatamente para sua mão, mas foi uma das poucas que fez isso. A de Anthony e a de Megan nem se mexeu, enquanto algumas outras simplesmente se virou no chão. A de Terry subiu a sua mão, mas de maneira mais lenta e hesitante.

Talvez, pensou Harry, entendendo melhor o que Terry tentara dizer aos amigos Gryffs, as vassouras, como os cavalos, percebessem quando a pessoa estava com medo ou mesmo insegura. Era claro que Anthony e Megan estavam com medo e alguns outros demonstravam insegurança em suas vozes. Terry, ele sabia, fora ensinado a voar por seu pai, então sua insegurança só podia ser explicada pela visão nada confortável das vassouras velhas em que teriam que voar hoje.

Madame Hooch, em seguida, mostrou-lhes como montar as vassouras sem escorregar pela outra extremidade, e passou pelas fileiras de alunos corrigindo a maneira de segurá-las. Harry se sentiu incrivelmente confortável ao se posicionar.

— Agora, quando eu apitar, deem um impulso forte com os pés — disse a professora. — Mantenham as vassouras firmes, saiam alguns centímetros do chão e voltem a descer curvando o corpo um pouco para a frente. Quando eu apitar... três... dois... um. — E o apito soou.

Harry concentrado fez o que ela disse e viu-se facilmente voando uns trinta centímetros acima do solo. Sorrindo por sentir instintivamente o que fazer, Harry voltou a descer e pousar. Olhando em volta viu que a maioria não saíra do chão. Terry sorriu para ele animado com seu sucesso.

— Muito bem para aqueles que conseguiram na primeira tentativa. Para os que não conseguiram tentem de novo e observem seus colegas, como eles sobem e descem comandando as vassouras. — Disse Madame Hooch pacientemente. — Agora todos repetindo os movimentos.

Por dez minutos ela os comandou "repetindo" e ajustando alguns aqui e ali até que todos conseguissem esses movimentos. Para Harry foi tranquilo e a cada vez que subia ia um pouco mais alto e pousando sem problemas.

— Agora sem irem muito alto ainda, quero que vocês comandem suas vassouras para a frente, parem, virem e voltem. Inclinem o corpo, depois ergam suavemente a frente da vassoura, girem e voltem e façam tudo de novo. — Disse a professora com sua voz alta.

Depois de sua explicação e seu apito muitos nem tentaram, pois estavam confusos e observaram os colegas que tentaram para saber o que era exatamente para fazer. Para Harry não ouve duvidas ou hesitação, ele plainou mais alto, uns dois metros do chão e comandou sua vassoura para frente. Com o sangue palpitando em suas orelhas com a emoção deu um impulso com força acelerando e indo muito mais rápido do que tinha pensado inicialmente, o ar passou veloz pelo seu cabelo e suas vestes se agitaram com força para trás. E numa onda de feroz alegria ele percebeu que encontrara alguma coisa que era capaz de fazer sem dificuldades ou repetições sem fim, isto era fácil, era maravilhoso.

Depois de viajar velozmente uns bons trinta metros à frente, Harry de alguma maneira sabia o que fazer. Ao em vez de parar e virar como dito pela madame Hooch ele simplesmente puxou a frente da vassoura e se virou em um eixo em si mesmo, fazendo sem saber algo que muitos dos alunos mais velhos tinham dificuldades, mesmo os que jogavam quadribol, e voltou acelerando para seu ponto de partida.

— Uhhhrá! — Exclamou de animação quando aumentou a velocidade e ganhou um pouco mais de altura, mas fez os mesmos movimentos de novo sem dificuldades.

Abaixo dele, todos pararam embasbacados para olhar, surpresos com seu talento e coragem, mas sorriram para sua alegria. Terry tinha o maior sorriso de todos e não conseguiu se conter.

— E ele nunca voou em uma vassoura antes! — Exclamou animado e orgulhoso do amigo.

Alguns engasgaram de surpresa, mas Madame Hooch foi a maior delas, já ouvira falar de voadores naturais, mas nunca ensinara um. Voltando a se concentrar em sua aula disse aos seus alunos.

— É obvio que o Sr. Potter é um natural na vassoura e não espero de vocês que façam o mesmo que ele, pelo menos não até o fim de um ano de aulas... — Parou por um segundo observando o garoto ir mais alto e descer freando a vassoura facilmente a alguns centímetros do chão com um sorriso alegre no rosto e sem um pingo de medo e reconsiderou — Ou talvez melhor dizer em todas as suas vidas, mas isso não quer dizer que vocês não podem conseguir voar decentemente e até tentarem jogar quadribol por suas casas um dia. Agora em meu apito. Repetindo!

Harry nunca se sentira tão feliz, voando livremente cada vez mais alto e longe dos outros alunos, subindo e curvando-se para baixo e depois indo bem rápido para frente e girando em um eixo. Subindo em um espiral velozmente ou parando bruscamente, pairando ou girando sobre si em um mortal completo. Rindo e gritando animado ele voou e brincou como só alguém que nunca antes brincara poderia e em nenhum momento sua vassoura tremeu ou titubeou parecendo reconhecer alguém que merecia que ela se mostrasse em seu melhor apesar de sua idade.

Quando finalmente Madame Hooch sinalizou o fim da aula ele desceu, lamentando não poder voar mais, nunca encontra algo que amava mais fazer. Harry olhou para os colegas que estavam todos no chão e sorriam para ele divertidos, Terry tinha o sorriso mais empolgado.

— Muito bem classe. Vocês se saíram muito bem. Nenhum dos incidentes como os de ontem e isso me deixa otimista. Continuaremos as aulas até o fim desse ano e espero que até lá todos tenham superado os seus medos e inseguranças. Classe dispensada. — Disse ela, com seu tom ríspido continuou. — Sr. Potter um momento, por favor.

Harry, que estava prestes a seguir seus colegas Ravens, hesitou se perguntando se estava em apuros por ter voado muito alto ou fazendo mais coisas do que ela pedira para fazer.

— Sim, Madame. — Disse parando a sua frente tentando parecer inocente, normalmente não funcionava com seus tios.

— Sr. Potter eu nunca em todos os meus anos aqui em Hogwarts tive um aluno natural em voar e pelo que sei isso não é algo comum. — Disse ela parecendo orgulhosa.

Sentindo seu estômago esquentar tanto quanto seu rosto Harry baixou a cabeça timidamente.

— Natural? — Perguntou Terry que ficara alguns passos atrás, mas agora se aproximou ficando ao lado do amigo.

— Sim Sr. Boot, um natural, que é quando alguém que nunca antes voou em uma vassoura voa naturalmente, realizando manobras simples e complexas que ele muitas vezes só viu outras pessoas fazendo. Esse é seu caso Sr. Potter? — Perguntou Madame Hooch.

— Bem, não exatamente Madame, quer dizer eu nunca voei, mas eu também nunca vi ninguém voar antes. Eu só sabia o que eu tinha que fazer, era instintivo, bem natural... — Disse ele com seu maior sorriso ao lembrar o voo, seu rosto até doeu um pouco.

— Isso é extraordinário Sr. Potter, que você fosse capaz de realizar todos esses movimentos sem nem saber que eles até mesmo existiam. Incrível! — Disse ela e sorriu levemente pela primeira vez durante todo o dia. — Sabe eu nunca fiz tal sugestão, mas bem a Ravenclaw era minha casa e não ganhamos a Taça de Quadribol já tem uns 10 anos e com seu talento seria um grande desperdício, principalmente, com o time terrível que tivemos no ano passado. Perdemos até para os Gryffindors que estavam renovando praticamente todo o seu plantel. Este ano são os Ravens que estão tendo que substituir os jogadores que se formaram. — Disse ela olhando para ele com atenção.

" Hum, você é um pouco pequeno e magro para qualquer outra posição além de buscador, mas essa é uma das posições vagas, não que o outro garoto vai fazer falta; ele não tinha salvação. Sim, sim, tenho certeza que você poderá conseguir, com certeza. — Disse ela pensativamente o analisando.

— Madame Hooch? — Questionou Harry confuso e constrangido.

— Os testes Sr. Potter, estou falando sobre os testes. — Falou de seu jeito ríspido. — Os testes da casa Ravenclaw serão amanhã as 14 horas e se não estou engananda, você terá uma grande chance de conseguir a vaga de buscador. Se você tiver interesse é claro. — Disse ela como se fosse um absurdo ele não ter interesse.

— Mas Prof.ª Hooch e sobre a proibição dos 1º anos ter vassouras? — Perguntou Terry hesitantemente animado.

— A proibição Sr. Boot é apenas para que vocês 1º anos tenham vassouras e saiam voado sem controle e supervisão antes de aprenderem a voar corretamente. Vocês não estão proibidos de tentar o time, ainda que normalmente, sejam muito pequenos para vencer a concorrência, mas com o talento do Sr. Potter acredito que ele não terá nenhuma concorrência. — Disse ela animada. — Se decidir fazer os testes Sr. Potter esteja amanhã no campo de quadribol as 14 horas, eu estarei lá para assistir. E se você conseguir uma vaga no time falarei com o Prof. Flitwick pessoalmente para que ele consiga junto ao diretor uma autorização especial para que você seja autorizado a ter uma vassoura. Acredito que o melhor para você seria uma Nimbus 2000, Sr. Potter. Agora podem ir, tenho que guardar todas essas vassouras. — Disse e com um rápido movimento de varinha e silenciosamente começou a juntar as vassouras.

Harry e Terry caminharam rapidamente até o castelo, o primeiro mudo de surpresa e o segundo sorrindo e saltitando de empolgação.

— Você ouviu o que ela disse Harry? Você pode fazer o teste e ela tem certeza que você vai conseguir se tornar o buscador, uau isso é incrível. Você vai fazer o teste não vai? Harry? — Disse quando o amigo parou de andar e o olhou pensativo.

— Eu não sei Terry, eu amei voar como nada que eu já fiz antes e era como se ninguém precisasse me ensinar, eu já sabia, foi fácil. Mas eu não sei nada sobre o quadribol, eu nem sei o que um buscador é. — Suspirando Harry bagunçou o cabelo e depois encarou o amigo. — Parece que seria divertido, sabe, fazer um esporte e me destacar por mim mesmo e não por causa dessa história de menino-que-viveu, mas e sobre meus estudos. Eu tinha me decidido a dedicar o máximo de mim em aprender e me tornar o melhor bruxo da minha capacidade. Eu não quero que nada atrapalhe isso Terry e ainda tem a questão da minha saúde, não sei se a Madame Pomfrey vai concordar comigo jogando. — Encerrou ele em obvio conflito.

Terry suspirou e tentou ver tudo do ponto de vista do Harry. E refletir o que se por acaso fosse seu irmão ou irmã mais novos que estivessem com tantas dúvidas. Ele como irmão mais velho tinha que lhes dar conselhos responsáveis, cuidar deles e com o Harry cada dia mais ele se pegava pensando da mesma maneira protetora. Assim ele disse:

— Sobre a Madame Pomfrey você está certo e acho que deveria conversar com ela antes dos testes. Sobre não saber nada do esporte, eu posso te ensinar as regras, mas aposto que virá naturalmente para você assim como voar. E sobre as aulas, não acredito que alguns treinos por semana e jogos por ano o fará se dedicar menos ou aprender menos, não se você decidir assim. E sobre o bruxo que você vai se tornar, acho que tem algo que você precisa dar uma olhada. Vem comigo. — Disse Terry seriamente.

Os dois meninos subiram até o 3º andar e entraram em uma grande sala a esquerda cheia de troféus. Terry andou em volta procurando, mas não demorou muito para achar o que queria mostrar ao amigo.

— Aqui. — Disse ele sorrindo.

Harry se aproximou hesitante, mas assim que chegou mais perto prendeu o folego. Ali na sua frente havia um troféu dourado e bonito e em baixo estava escrito "Maior serie seguidas de vitorias de uma casa ocorreu de 1972/73 a 1977/78 quando a Gryffinfor venceu não apenas a Taça de Quadribol por seis anos consecutivos, mas de maneira invicta e brilhante, algo nunca visto antes na história do amado esporte em Hogwarts. " Mais abaixo havia o nome dos jogadores de cada ano e uma breve explanação. O nome do seu pai logo de destacou, "James Potter, brilhante caçador conduziu seu time a grandes e épicas vitórias, além dos seis títulos consecutivos, onde em três ele era também o capitão do Time Gryffindor. No total em seus jogos em Hogwarts ele marcou 4,450 pontos, um recorde absoluto que lhe deu uma média de 185,4 pontos por partida. Nunca ninguém se mostrou tão proficiente em Hogwarts e isso lhe rendeu convites para jogar profissionalmente em diversos times de Quadribol da 1ª divisão da Grã-Bretanha Magica. Mas James Potter declinou todos os convites, preferindo começar uma família e lutar na guerra contra você-sabe-quem. "

Harry suspirou tremulamente e passou a mão pelas palavras que descreviam seu pai como talvez o maior jogador de quadribol que já passara por Hogwarts.

— Sabe, você pode decidir não jogar este ano, mas o jogo assim como voar está em seu sangue e talvez até em sua magia, Harry. Você não pode fugir disso e, tenho certeza que se, se decidisse por jogar isso o ajudaria a se tornar um bruxo ainda melhor. Lembre-se do porque o chapéu te colocou na Ravenclaw. — Disse Terry e depois se afastou deixando o amigo sozinho com seus fantasmas.

Harry olhou para o troféu imaginado uma vida diferente, só por um instante, fechou os olhos e imaginou como teria sido se seu pai escolhesse ser um jogador e não lutar uma guerra, mas então, pensou Harry, abrindo os olhos, ele não seria quem era. Ele lutara porque era corajoso e amava sua mãe e depois a ele, Harry, e queria protege-los.

Lembrou-se do que pensara para o chapéu, de como pedira para o classificar em uma casa em que pudesse aprender a ser o melhor bruxo possível, mas também onde faria amigos, pois sabia que era o que seus pais iriam querer para ele. Pensou nas fotos dos dois em seu 3º ano, sua mãe animada com o clube de feitiço e seu pai com o uniforme de quadribol, divertindo-se, aprendendo, se apaixonando um pelo outro e isso não os impedira de serem grandes bruxos. Ele também poderia, se fosse bom o suficiente para fazer o time, se esforçaria para ser um grande jogador, não importava que não fosse tão bom como seu pai, sentia que para eles o mais importante era ele, Harry, ser feliz.

Enxugando as lagrimas teimosas que caíram pelo seu rosto Harry chamou seu amigo com uma decisão tomada, mas agora pensou, deixando a galeria de troféus, tinha outra coisa mais importante para resolver.

Sem dizer mais nada sobre quadribol os dois subiram para o Covil e se depararam com uma cena bem confusa e barulhenta. Penny estava na porta barrando a saída e segurando firmemente a varinha pronta para usa-la. A sua frente havia vários alunos 7º da Gryffindor e Hufflepuff gritando e tentando sair da sala, mais atrás haviam alunos da Ravenclaw também olhando preocupados e irritados, mas ninguém parecia se dispor a ajudar Penny.

— Eu já disse, ninguém vai sair até que todos estejam cientes da situação e vocês precisam esperar por Potter, e vocês não vão ir à procura de seus chefes de casa para reclamar porque isso apenas vai revelar que descobrimos as aulas extras e tudo o que farão é alertar quem está por traz disso e o fazer buscar outras maneiras de nos enganar. — Disse Penny duramente.

— E eu já disse a você que nem você ou um 1º ano, mesmo que seja Potter, vai me impedir de ir até McGonagall reclamar. Eu tenho meus NEWTs este ano e não posso a essa altura começar a estudar assuntos trouxas também. Ela disse quando levou minha carta em minha casa pessoalmente que eu teria um lugar no mundo magico e agora você está me dizendo que é tudo mentira. Eu não vou me calar! — Disse uma garota Gryffindor aos berros.

— Então não se cale. — Disse Harry por cima do barulho, mas sua voz não veio com um grito, e sim alta em sua intensidade e poder e todo mundo se calou e o olhou. — Quero que todo mundo se sente, agora. Vamos conversar e esclarecer alguns fatos importantes aqui. Ob...

— Olha aqui Potter você pode se achar importante por causa dessa história de menino-que-viveu, mas eu não dou uma merda para isso. — Interrompeu um garoto Huflepuff com desdém.

— Bom, somos dois então, três com o Terry aqui, agora como eu dizia, obrigado Penny por segura-los e desculpe pelo atraso. A aula de voo se estendeu além do previsto. — Disse Harry e sem esperar resposta de qualquer um entrou na sala e ocupou o centro para falar como fez antes com os outros anos, mas agora falava com adultos, e adultos bem zangados. Antes que pudesse ter dúvidas de si mesmo, Terry se colocou ao seu lado e Penny seguiu um segundo depois, cruzando os braços e mostrando sua varinha e sua disposição para usa-la.

— De nada Harry, e você tinha razão, lidar com eles é mais difícil do que com 1º anos. — Disse Penny de cara amarrada.

— Isso é porque eles acham que sabem mais do que nós, mas vou lhes dizer alguns fatos. Vocês estão no mundo magico a pelo menos 6 anos, alguns mestiços a vida toda, e durante esse tempo alguma vez procuraram ver além das mentiras e omissões que contam sobre a nossa maravilhosa sociedade? Alguma vez tentaram ou procuraram pesquisar sobre as discriminações feitas por status de sangue, onde se originam e como mudar isso? Alguma vez pararam para pensar que homens que mataram pessoas, indiscriminadamente, apenas por que tinham sangue trouxa, estão livres desfilando e mandando no que aprendemos, estudamos, lemos e sabemos? — Perguntou Harry com voz dura.

Todos ficaram em silencio, alguns ainda de cara amarrada e outros magoados.

— Mas a guerra acabou... — disse uma menina Hufflepuff de expressão magoada.

— A guerra nunca acabou, ela apenas não está mais aberta, mas os puristas continuam no poder e a cada dia que passa e que ignoramos essa verdade mais um dia eles nos vencem e vai ter um dia em que mesmo sem um líder, eles terão um mundo sem meias raças. — Disse Terry e entrando em seu tom calmo continuou. — Vocês querem sair daqui e protestar, mas nada vai mudar se fizerem isso. Minha família sabe como as coisas são, e muitas outras famílias magicas que alguns de vocês fazem parte também sabem. — Disse ele, depois olhou para um garoto Gryffindor mais ao fundo. — McLaggen sua família não é purista, mas tem um acento na Suprema Corte e estão envolvidos na política a séculos. Assim vocês têm algum poder, prestigio, o que aconteceria com seu pai, ou tios ou avós se vocês começassem uma luta aberta e direta contra os puristas. Alguém como Lucius Malfoy, por exemplo.

O garoto do 7º alto, loiro e de ombros largos se adiantou, respirando fundo, falou:

— Meus avós, pais e tios, deixariam de ser convidados para festas da sociedade, teríamos nossos negócios boicotados, impostos inesperados, taxas de qualquer coisa, se insistíssemos depois disso, apareceriam mentiras e escândalos e perderíamos nossos postos políticos, se continuássemos haveriam ameaças, e se não parássemos alguém seria acidentalmente morto e o recado estaria bem claro, se não nos calarmos mais morrerão. — Disse McLaggen.

Ouve um silencio aterrador depois desse testemunho, Harry observou muitos rostos assustados e viu também muitos indignados, querendo lutar.

— Acredito que todos aqui são inteligentes o suficiente para entender o que aconteceria com vocês e com suas famílias se começassem uma luta direta. — Disse Harry e acrescentou em sinceridade brutal. — Vocês serão mortos tão facilmente e de maneira tão simples que ninguém nem vai se lembrar que vocês existiram. Vocês sabem que quem está no poder pode fazer isso, inclusive faze-los esquecer do porque estão sendo mortos antes de mata-los. Se vocês tentarem apenas protestar ninguém vai ouvi-los e muitos poucos apoiá-los e apenas servirá para deixá-los descobrir que não somos mais tolos ignorantes. Agora nós sabemos e, talvez ainda demore anos e anos, mas agora nós também lutaremos nessa guerra e começaremos por enganá-los bem debaixo de seus narizes. Vocês e os 6º anos vão comparecer a essas aulas, vão aprender o que apenas os herdeiros puros-sangues aprendem ou merecem aprender, segundo quem está no poder, e também vão retomar seus estudos trouxas que nunca deveriam ter deixado cair. — Disse Harry com voz firme.

— E depois? — Perguntou um 7º ano Ravenclaw.

— Depois nós nos infiltraremos no Ministério, nós somos maioria aqui em Hogwarts, existem mais mestiços e nascidos trouxas do que puros sangues, isso é verdade lá fora também. Quando e se vocês escolherem trabalhar no mundo magico, vão lutar para mudar as coisas a partir de dentro, de maneira sutil e inteligente. Sei que muitos pais estarão dispostos a ajudar e para aqueles que forem trabalhar o mundo trouxa haverá muitas coisas importantes a serem feitas por lá também. Tenho inúmeras ideias, vamos boicotar cada uma das suas malditas leis puristas e o mais divertido, eles nem vão perceber. — Disse Harry sorrindo malicioso.

Todos o olharam e pareceram finalmente entender a importância do sigilo e a enormidade da empreitada, eles estavam em guerra, sempre estiveram em guerra, mas só agora, dois 1º anos vieram abrir seus olhos. Aos poucos todos foram se sentando dispostos, finalmente, a ouvir como lutar essa guerra. Harry olhou para seus colegas que esperavam ouvir suas ideias e ele soube nesse momento o que fazer, o que deixaria o seu pai brincalhão muito feliz e orgulhoso dele.

Depois do fim da reunião em que Harry e Terry explicaram algumas das ideias, eles a encerraram e todos prometeram manter sigilo. Harry descobriu com Penny que não havia mestiços ou nascidos trouxas na casa Slytherin no último ano, e olhando a lista descobriu que haviam 19 alunos do 7º ano com esses status de sangue e 16 no 6º ano. Ela também disse que haviam puro sangues que estariam dispostos a ajudar como nos 1º anos, mas Harry a alertou que quanto mais gente soubesse, mais fácil eram as chances de o segredo vazar e os puros sangues teriam menos compromisso com o segredo já que estavam protegidos pela atual gestão.

— A verdade é que não podemos saber seus pensamentos, e se arriscarmos podemos acabar confiando em um puro sangue que finge não ser um purista. E não temos tempo de investigar os ideais de cada um Penny. Na verdade, já corremos o risco de ter confiado em algum mestiço com pensamentos puristas que odeia ser um mestiço. — Disse Harry preocupado.

— Vai chegar o dia em que abertamente lados serão escolhidos, Penny, então poderemos chama-los para nos ajudar e saberemos se estão dispostos a lutar contra um regime que os favorece. — Disse Terry sabiamente.

Agora tudo o que tinham que fazer eram esperar, se todos cumpririam o acordo de sigilo, se as presenças maciças de alunos nas aulas no dia seguinte não chamariam muita atenção e se caso atraísse a atenção do responsável pelas segregações, o que ele faria com seu segredo descoberto. Ele pensaria ser um erro, uma falha, desconfiaria de um dos professores, do Diretor, não havia como saber. Eles apenas tinham que observar e seguir sem mostrar nada com suas palavras ou ações. Se, considerou Harry com seus amigos, eles conseguissem se infiltrar nas aulas e ninguém fizesse nada para mudar isso, teriam uma batalha vencida, apenas uma de uma longa guerra.

O resto da sexta-feira à noite foi tranquila, no jantar houve alguns olhares em sua direção, mas ele agiu normalmente e depois foi para a torre começar seus estudos. Se, ele pensou, fosse mesmo entrar no time de quadribol da sua casa precisava mais do que nunca se adiantar em suas leituras. Terry, Hermione e Neville o acompanharam e apesar da curiosidade obvia Harry se recusou a falar sobre qualquer assunto do Covil, só disse que precisavam marcar uma reunião com os colgas 1º anos para atualiza-los dos avanços. Eles decidiram pelo dia seguinte as 19 horas, assim todos teriam tempo para jantar antes de irem para a reunião. Hermione fez os bilhetes e logo espalhou entre os Ravens que deixaram discretamente a torre para entregar a seus colegas de outras casas.

Depois disso eles só fizeram os deveres e estudaram até o toque de recolher. Harry convidou o Neville para amanhã depois do café eles irem até o laboratório da torre para treinarem as poções do dia e as que fariam semana que vem e ele concordou animado. Terry decidiu acompanha-los e Hermione fechou a cara na hora.

— Você pode vir também Hermione, não estamos te excluindo, você é que decidiu assim. — Disse Terry calmo.

— Não obrigada, isso não seria justo, temos de seguir as regras onde tudo é igual para todos. É por isso que estamos lutando e eu não sou hipócrita. — Disse ela duramente e depois saiu da torre sem se despedir ou esperar o Neville.

O menino se levantou e se apressou em segui-la, dizendo algo sobre "não me lembro a senha", e "nos vemos amanhã". Harry suspirou e voltou para suas leituras, não adiantava tentar entender a garota, às vezes ela relaxava, mas de repente tudo tinha que ser do seu jeito ou estava errado.

— Um dia ela vai se decidir. — Disse Terry acompanhando seus pensamentos facilmente.

Eles estudaram até as 22 horas e depois foram dormir, Harry tomou banho e leu dois capítulos do livro da história de sua família. Depois de comer outro sanduiche, percebeu que estavam no fim, só tinha mais três, tomou suas poções e foi dormir.

Pela manhã acordou com o despertador e como não tivera tempo durante a semana, limpou seu quarto e banheiro, arrumou suas roupas velhas mais limpas no guarda roupa e pensou na questão dos lanches noturnos. Pediria a Mimy alguns sanduiches para colocar no pote que a Sra. Boot lhe enviara, ela dissera na carta que dentro do pote eles ficariam como novos. Talvez os feitiços durassem mais algum tempo e servissem para guardar novos lanches.

Depois de tudo limpo e arrumado Harry desceu a sala comunal e pegou seu livro de Feitiços decidido a ler todos os capítulos da semana seguinte antes de Terry descer. Não foi nada difícil, o ambiente silencioso e confortável ajudava e por ser um assunto que ele entendia tão bem sua leitura e anotações foram em bom ritmo e Harry se sentiu feliz por entender tudo o que leu, fato que o faria se lembrar melhor depois.

Quando Terry desceu, hoje com seu cabelo bem assentado e com uma expressão mais desperta, Harry conquistara seu objetivo. Os dois garotos desceram as escadas com Harry contando seus pensamentos sobre os lanches noturnos e sua solução e sua evolução na preparação para as aulas de Feitiços.

— Não se preocupe com isso Harry, mamãe disse que quando os sanduiches estivessem acabando era só avisar que ela enviaria mais. Vou escrever para a casa hoje e digo a ela e, quanto ao pote ele deve estar encantado para quando estiver vazio desaparecer aqui e aparecer lá em casa. — Disse Terry passando a mão pelos cabelos e começando a bagunça-los como sempre. — Espere, — Parou Terry e olhando em volta para ter certeza que estavam sozinhos. — Você já leu todo o conteúdo da aula de Feitiço da semana que vem? Isso quer dizer que você decidiu fazer o teste? — Perguntou esperançoso.

— Bem, vai depender da Madame Pomfrey. — Disse Harry esfregando os sapatos no chão e corando levemente. — Vou fazer o que ela me mandar, quero muito concertar minha saúde, mas se ela disser que tudo bem, sim vou tentar. Você estava certo Terry, meus pais querem que eu seja feliz, acho que é isso eu tenho que tentar fazer, sabe, ser feliz. — Disse Harry sorrindo um pouco emocionado.

— Disso eu não tenho dúvidas. Quanto a Madame Pomfrey... — disse Terry e eles foram no resto no caminho discutindo estratégias para convence-la a deixar Harry jogar.

Eles tomaram o café e depois recolheram Neville que estava sozinho nesta manhã, Hermione longe de ser vista e subiram para a torre Ravenclaw.

— Eu encontrei ela estudando na sala comunal antes de descer. Esse é o horário em que a sala está mais silenciosa então Hermione sempre aproveita para estudar um pouco antes de descermos. Mas desta vez quando eu chamei, ela disse que estava sem fome e mal olhou para mim. — Disse Neville chateado.

— Não se preocupe tanto Neville, ela disse que não ia te julgar por usar o laboratório e está fazendo exatamente isso, então quem é a hipócrita. Além disso se ela quer que todas as salas tenham um laboratório como o nosso, faça algo sobre isso, ela pode reunir os alunos da sua casa e ir a até McGonnagall solicitar um, mas ela prefere se sentar e se sentir injustiçada. — Disse Harry dando de ombros, se havia algo que vinha aprendendo como um Raven é que reclamar sobre o que não está bom e não tentar pensar em maneiras de mudar e melhorar não era muito inteligente.

— Acho que temos que ter paciência com ela. — Disse Terry enquanto entravam pelo corredor até o laboratório.

Eles cumprimentaram Bubbles e explicaram o que pretendiam fazer e ele animadamente os incentivou ao trabalho.

— Obrigada Bubbles. Como eu estava dizendo, acredito que a Hermione está acostumada a ter as coisas do seu jeito, sabe, filha única e tudo, precisamos ser pacientes e aos poucos ela vai perceber que somos seus amigos e que também não concordamos que todas as casas não tenham um laboratório. — Disse Terry começando a preparar os ingredientes. Como os outros ele decidira refazer a poção do dia e se desse tempo queria fazer a da aula de segunda-feira também e usar a dica que o Harry inventara.

— Na verdade ela tem que perceber que, o que gostaríamos é que não precisássemos de laboratório nenhum, caso tivéssemos um bom professor. Ela devia ficar zangada com Dumbledore, foi ele quem contratou o Snape e que também recusou recursos para os laboratórios. — Disse Harry olhando com atenção suas anotações para tentar descobrir o que impedira que sua poção ficasse perfeita. Acabou encontrando uma discrepância, na primeira poção que fizeram o autor disse para picar os bulbos de papoula com a faca de prata, pois elas reagiam bem ao corte delicado. Mas nesta poção ele manda amassar os bulbos no pilão, isso não fazia sentido. Rapidamente ele se pôs a trabalhar seguindo os passos decorados sem precisar reler, afinal fizera a poção na manhã anterior.

Ele terminou mais rápido que os outros e sua poção ficou perfeita, a tonalidade, a consistência e o cheiro. Não entendia como o autor podia errar de maneira tão absurda. Harry rapidamente explicou aos amigos e eles jogaram seus bulbos amassados e pegaram novos cortando delicadamente. Fazendo com calma e concentração os meninos também conseguiram fazer suas poções perfeitamente e Neville parecia que ia flutuar de tão leve e alegre ficou.

No resto da manhã eles fizeram as duas poções da semana seguinte, com Harry corrigindo o autor e Neville se sentindo mais seguro a cada momento para descrever as propriedades de alguns ingredientes e como eles reagiam assim ou assado.

— Nós devíamos ter um livro sobre as propriedades e reações esperadas dos ingredientes, isso facilitaria, ao em vez de ficar tentando adivinhar ou lembrar o que o autor disse na poção anterior, isso sem falar que não podemos nem confiar nesse cara. — Disse Harry.

— Concordo, seria um livro bem interessante de se ler e ligaria ainda mais a Herbologia com fabricação de poções. — Disse Terry. — Talvez um dia você possa escrever esse livro Neville, você é quem mais gosta e entende de Herbologia.

Neville corou, mas também sorriu achando a ideia bem legal.

Harry terminou a duas poções da semana seguinte perfeitamente, colocou em frascos e Bubbles os pôs na prateleira de venda. Bubbles explicou que quando iam vende-los o comprador usava um feitiço para verificar cada poção e ter certeza que teria o efeito esperado. Harry fez uma anotação mental para descobrir qual era o tal feitiço, parecia ser bem útil. Tendo limpado tudo, decidiu ir procurar a Madame Pomfrey antes do almoço.

Terry e Neville decidiram ficar e fazer a poção do início da semana, queriam testa-la com o suco de babosa extra. Eles combinaram de se encontrarem para almoçar ao meio dia no Salão Principal.

Ele foi direto para o segundo andar e a enfermaria, se desviando de um corredor onde Pirraça estava fazendo bagunça, ele conseguira evitar o poltergeist de Hogwarts que ele soubera vivia atormentando os alunos, principalmente os Gryffindor. Ouvira também que Pirraça era amigo dos gêmeos ruivos Weasley que também gostavam de pregar peças nas pessoas.

Entrando na enfermaria se concentrou na estratégia de convencer a curandeira a deixa-lo jogar quadribol. Terry disse que o mais importante quando ele pedisse era olha-la nos olhos, Harry não entendera muito bem essa parte, mas seu amigo insistira. Logo ouviu-se os passos da curandeira e ela surgiu de seu escritório.

— Sim? Em que posso... Ah! Sr. Potter, algum problema? Nossa próxima consulta é só na semana que vem se não me engano. — Disse Pomfrey de seu jeito enérgico.

— Sim, sim, está tudo bem madame, tenho tomado minhas poções como me disse e comido bastante, na verdade tenho comido montes de comida e me sentido muito bem, sabe, meu estomago não dói nem nada. — Disse Harry sorrindo, Terry disse que ele deveria sorrir e elogia-la assim ele continuou. — E isso é graças a senhora, queria agradecer por toda a sua ajuda e bem, as poções e...

— Sr. Potter. — Interrompeu ela com voz firme e o olhou como se lesse sua alma. — Diga logo o que você veio me pedir, elogios não vão te ajudar. Vamos, fale logo o que quer. — Disse mais gentilmente

Harry engoliu em seco e olhando para baixo arrastou a ponta do sapato gasto, depois olhando-a, pensou que o máximo que ela poderia fazer era dizer não, assim tomando coragem falou sobre a aula de voo no dia anterior, os elogios de Madame Hooch e como ela acreditava que ele conseguiria a vaga de buscador facilmente.

— E foi por isso que vim falar com a senhora, Madame Pomfrey, para ver se pode me autorizar a jogar. Se me disser que vai fazer mal para minha saúde ou atrasar minha recuperação, tudo bem, não vou insistir. — Disse Harry e manteve o tom educado e no fim a olhou nos olhos, mais por instinto, tendo esquecido a recomendação de Terry.

Madame Pomfrey manteve uma expressão séria por quase um minuto olhando-o intensamente, mas por fim suspirou e foi se sentar em uma cadeira e indicou outra para Harry. Quando estavam acomodados ela falou.

— A verdade é que penso e sempre pensei no quadribol como um esporte violento e perigoso para crianças de escola por isso meu primeiro pensamento é negar seu pedido. — Ela parou por um segundo e observou os ombros de Harry caírem de decepção, mas ele acenou concordando ao em vez de discutir, exatamente como prometera. — Mas a verdade é que práticas de exercícios físicos e de esportes podem até ajudar em sua recuperação. Como você vai estar na posição de menor exigência física, seu tamanho não é uma desvantagem e podem até te ajudar no desenvolvimento dos músculos. — Disse Pomfrey pensativamente.

— Quer dizer que eu posso...? — Perguntou Harry quase sem acreditar.

— Sim Sr. Potter, eu lhe darei autorização, mas tenho algumas importantes recomendações e regras que você dever seguir e eu saberei se você não o fizer. Entendido? — Perguntou ela em tom que não se admite discussão.

Harry sorriu animado nem um pouco preocupado com suas regras. Ele podia jogar quadribol! Seja lá o que era o jogo, mas era voando e devia ser tão legal quanto voar.

— Eu prometo que farei tudo o que a senhora me recomendar, Madame, sem falhar! — Exclamou Harry animadamente.

— Bom, porque eu estarei atenta. E para começar... — Madame Pomfrey começou uma longa lista de coisas que ele deveria fazer.

Harry ouviu com atenção e não pode conter o sorriso, se conseguisse a vaga no time, poderia jogar por sua casa como seu pai fizera. Isso o fez se sentir quente por dentro, ter algo em comum com seu pai, não que ele achasse que seria tão bom jogador como ele, mas ainda assim. Depois de ouvir e até anotar em um papel algumas das regras de Pomfrey, Harry deixou a enfermaria gaguejando seus agradecimentos e correu para o Salão Principal, encontrou Terry já almoçando, afinal passou um pouco do meio dia. Sentando-se Harry se inclinou para o amigo e sussurrou meio em pânico:

— Terry, você tem que me ensinar tudo sobre quadribol antes das 14 horas. Não posso fazer os testes sem nem saber o que um buscador faz!

Terry que estava bebendo seu suco de abobora engasgou e Harry teve que bater nas suas costas até ele recuperar o folego.

— Desculpa, não quis te engasgar. — Disse Harry batendo mais forte.

— Tudo bem, tudo errr, cara para de bater nas minhas costas ou você vai acabar me fazendo por meus pulmões para fora. Estou bem, não se preocupe. — Disse ele com voz rouca, quando Harry tentou se desculpar de novo. — Agora o mais importante, Madame Pomfrey deixou você jogar? — Perguntou com animada esperança e quando Harry assentiu positivamente ele não se conteve. — Sim! — Exclamou mais alto chamando a atenção de alguns colegas por perto, mas Terry os ignorou e continuou num tom mais baixo. — Harry, isso é demais! Claro que vou te explicar tudo, vamos almoçar e você me conta qual estratégia usou para convence-la, depois vamos para o Covil e eu explico como se joga o jogo mais legal do mundo, bem tirando o futebol, mas essa é outra discussão. — Encerrou voltando a comer seu almoço.

— Bem, — começou Harry, mas parou sorrindo quando seu prato cheio de comida saudável apareceu, havia ele percebeu carne extra. Madame Pomfrey disse que comer mais proteínas era importante para um esportista. — Madame Pomfrey não caiu em nenhuma das suas ideias Terry, ela percebeu que eu queria pedir algo e cortou meus elogios, mas acho que lembrei de olhar ela nos olhos. Ainda que não sei por isso era importante. De qualquer forma, ela disse que fazer exercícios me ajudariam a longo prazo em minha recuperação física e que ser buscador me cairia bem porque tem menos exigências físicas e meu tamanho e magreza não seria uma desvantagem.

Terry acenou, concordando com a avaliação da curandeira e sinalizou para o amigo continuar.

— Ela me deu um monte de recomendações e insistiu que os coloque em pratica a partir de hoje antes dos testes. — Disse Harry comendo um grande pedaço de carne grelhada e algumas cenouras e brócolis, ainda bem que nunca fora de torcer o nariz para legumes e verduras, se não estaria sofrendo.

— Recomendações? — Perguntou Terry, fazendo uma careta ao ver o amigo comer brócolis com tanto gosto, detestava brócolis.

— É, para começar ela disse que preciso comer mais carne e outros alimentos com proteína, isso vai ajudar a desenvolver meus músculos, assim fico mais forte e seguro na vassoura. Ela disse também que estou muito magro e fraco para exercícios pesados, corridas longas e pegar peso, isso poderia até me prejudicar. Mas que posso e devo sempre antes de um treino ou jogo me alongar e me aquecer, posso também fazer corridas leves e curtas pelo campo.

— Isso é legal e muito inteligente, quer dizer todos os esportistas no mundo trouxa fazem isso para manter a forma e para não terem risco de lesão. E ela disse se você poderia pegar um pouco de peso leve? — Perguntou Terry escolhendo frutas de sobremesas, desde que Harry começara sua dieta especial, ele também vinha escolhendo comer mais saudável sem nem perceber.

— Sim, posso fazer desde que não pegue nada mais pesado do que o meu próprio peso. Pensei que poderia fazer algumas flexões, abdominais e alguns outros exercícios que o professor de Educação Física na escola trouxa ensinou. — Disse Harry, e decidiu comer suas frutas depois dos testes, agora estava muito cheio e ansioso, não queria correr o risco de vomitar enquanto voava.

— Hum, essa é uma ótima ideia Harry, se for ver eu deveria fazer alguns exercícios também, eu nunca gostei muito de praticar esportes coletivos, apesar de que eu adoro assistir futebol e quadribol, mas os exercícios para manter a forma é uma boa ideia. O que mais ela disse? — Perguntou olhando para o amigo embrulhar algumas frutas e colocar nos bolsos das vestes, mas lembrando que ele estaria voando daqui a pouco e o que Harry fazia em uma vassoura, Terry o deteve e guardou as frutas em seu bolso.

Logo depois eles foram até o Neville que os acompanhou até o Covil, no caminho eles contaram em tom baixo sobre o Harry participar dos testes e como ele voara bem. Harry ficou com receio de que o menino de rosto redondo ficasse chateado, mas isso não aconteceu, pelo contrário, ele parecia genuinamente feliz, ainda que não pode resistir a dizer.

— Uma pena que você não esteja na Gryffindor, pelo que eu ouvi o pessoal comentando na sala comunal, nosso time ano passado foi horrível e tomou uma surra dos Slytherins. Parece que a posição de buscador é a mais frágil. — Disse Neville tristemente.

Harry sorriu e eles entraram no Covil, com Harry contando que a curandeira o fizera prometer comer algo leve antes dos treinos e jogos e depois comer e beber para repor o que gastara durante as atividades físicas. Terry disse que isso só faria as visitas as cozinhas mais frequentes.

Acabou que os dois meninos entendiam muito bem o esporte. Neville contou que torcia para os Appleby Arrows, foi a alguns jogos com seu tio Algie, mas quase sempre ouvia os jogos pela rádio bruxa. Terry torcia para os Falmouth Falcons e tinha ido a muitos jogos com seu pai e avô Boot, que Terry explicou era fanático por quadribol.

Os dois amigos então se concentraram em explicar as regras. Quantos jogadores, suas posições, as bolas, haviam três bolas! E mais importante o que ele tinha que fazer para conseguir a vaga de buscador.

— Três artilheiros tentam marcar pontos com a goles, eles fazem os gols em três aros e cada gol vale 10 pontos cada; o goleiro guarda os aros; os batedores afastam os balaços do seu time tentando protege-los e atrapalhar o outro time ao mesmo tempo. — Harry repetiu como um gravador. — E o buscador tenta pegar o pomo que é bem pequeno e voa em suas próprias asas. Se ele pega o pomo vale 150 pontos para seu time e pode significar a vitória caso seu time não esteja mais de 150 pontos atrás. É isso?

— Sim, muito bem Harry, mas lembre-se que os balaços também voam sozinhos em todas as direções e os batedores podem enviar de proposito o balaço para te acertar, não só aos artilheiros, para te derrubar da vassoura, te machucar e no caso de você estar perseguindo o pomo te impedir de pega-lo. — Disse Terry, animado.

Harry assentiu e olhou para o relógio, seu tempo estava no fim, precisava descer para o campo de quadribol, tinha que se alongar e aquecer antes dos testes como prometera a Madame Pomfrey.

— Sim Harry, e não se esqueça de prestar atenção ao jogo mesmo enquanto você procura o pomo dourado, não só para não ser atingido por algum balaço errante ou enviado em sua direção, mas também para acompanhar o placar. Infelizmente já vi jogos em que o buscador estava tão distraído que pegou o pomo sem perceber que isso significava a derrota do seu time. — Disse Neville e por sua expressão Harry imaginou que isso acontecera com os Arrows.

Em seguida os três garotos desceram para o campo, ainda não havia ninguém por lá e então Harry começou com seu treinamento. Neville fez uma careta para seu convite de se exercitar e ficou de lado, Terry disse que começaria quando tivesse uma roupa de treino adequado.

— Mais tarde vou escrever para minha mãe e pedir que ela me envie algumas roupas de ginastica trouxa, assim podemos treinar corretamente. — Disse ele contando os polichinelos que o Harry fazia.

Harry não pode deixar de concordar, ele usava vestes, o que não era o ideal, mas suas roupas eram velhas e largas e atrapalhariam ele voar mais do que as vestes, além de que ele teria vergonha de andar pelo castelo com as roupas usadas do primo. Talvez, pensou, a Sra. Boot não se importasse de leva-lo para comprar algumas roupas nos feriados, ele tinha dinheiro que seus pais lhe deixaram e do que sabia sobre eles tinha certeza que sua mãe teria vestido ele tão bem quanto a mãe do Terry o vestia e que seu pai gostaria de vê-lo representar adequadamente os Potters.

Quando Harry terminou uma seria de alongamentos e exercícios, deu duas voltas no campo em ritmo lento. Quando outros alunos começaram a chegar ele parou ao lado dos amigos e nem estava sem folego. Neville apontou isso surpreso, mas Harry só sorriu, e não disse que estava acostumado a trabalhar duro na casa dos seus tios e que corria muito mais rápido e distancias maiores quando fugia de seu primo e seus amigos para não levar uma surra. Esses exercícios eram apenas para ajudá-lo a melhorar seu desenvolvimento físico e no quadribol, porque em forma ele já estava.

Depois disso mais e mais alunos da casa Ravenclaw de todos os anos começaram a chegar, Harry era o único do 1º ano e quando Terry e Neville foram se sentar nas arquibancadas e Harry se aproximou da turma mais jovem recebeu alguns olhares confusos ou surpresos. Olhando para as vassouras que seus colegas seguravam, percebeu que tinha uma desvantagem, Terry lhe pegara uma das melhores vassouras disponível no armário de vassouras, mas ainda era inferior a maioria dos que estavam ali. Alguns, ele notou, tinham vassouras novinhas e brilhantes.

Olhando em volta Harry identificou 3 garotos mais velhos a frente do grupo, eles deviam ser 6º ou 7º e um deles segurava uma vassoura e um apito, os três tinham uniformes de treino azuis e bronze e pareciam muito sérios. Um deles lhe pareceu familiar, olhando com atenção percebeu que devia ser Edwin MacMillan, pois ele era muito parecido com seu irmão Ernest.

Um apito agudo soou do garoto do meio, ele também era alto e loiro, mas seus olhos castanhos eram mais amigáveis do que os de Edwin que parecia meio rabugento.

— Muito bem, obrigado a todos por virem hoje, temos algumas vagas para preencher e quanto mais alunos tentam, maiores as chances de encontrarmos e formarmos um bom time. Para aqueles que não sabem eu sou Trevor Pickford, estou no 6º ano e sou artilheiro e capitão do time Ravenclaw. A minha esquerda tem Edwin MacMillan que é um dos batedores, e a minha direita Elton Melrose um dos outros artilheiros. — Ele disse isso apontando para cada um dos garotos, MacMillan acenou rigidamente e Melrose abriu um sorriso. — Assim nós temos que encontrar um batedor, um artilheiro, um goleiro e um buscador, todos se formaram, com exceção do buscador que decidiu se concentrar em seus NEWTs ao em vez de jogar este ano.

Ele fez uma pausa e todos o olharam com expectativa, seu olhar viajou pelo grande grupo até se deter por um segundo nele, pareceu surpreso, mas logo disfarçou e continuou.

— Eu quero observar cada teste, assim faremos uma posição de cada vez, é mais demorado assim, mas eu reservei o campo por toda a tarde e eu quero escolher o melhor de cada posição. Vamos começar com o goleiro e depois o artilheiro, batedor e buscador assim aquele que eu escolher pode já ajudar nos próximos testes. — Disse Pickford com firmeza, ninguém o contestou, mas MacMillan fez uma breve careta.

Harry se afastou para fora do campo e observou a escolha do goleiro, Pickford, Melrose e até MacMillan jogaram goles de diversas maneiras testando os candidatos, haviam 5, mas logo de cara ficou claro que a melhor era uma garota morena, de rosto forte e olhar determinado. Seu cabelo preto e liso estava preso em uma trança, sua pele morena clara e olhos dourados de gato a tornavam exótica e bonita. Quando o teste acabou Pickford a escolheu, apesar dos protestos e cara mal-humorada de MacMillan, a garota o ignorou e apenas sorriu triunfante.

Em seguida a nova goleira, Scheyla Martín, se juntou ao trio para o teste do artilheiro, neste ponto foram 12 alunos tentando a vaga. E foi apertado, haviam alguns bons candidatos que testaram a nova goleira, mas por fim um garoto do 3º ano chamado Roger Davies foi escolhido.

O teste seguinte era de batedor e MacMillan assumiu a liderança, afinal seria seu parceiro a ser escolhido. Haviam 8 candidatos, mas ele deu preferência a um garoto musculoso do 5º ano, mas ele era meio desengonçado na vassoura e então Pickford com a palavra final escolheu um irlandês ruivo Owen Flynn, do 3º ano como Davies. Flynn voava muito bem, era alto e tinha um braço forte, a única coisa que contava contra ele era o fato de ser magricela. Mais uma vez MacMillan não gostou, mas Pickford o ignorou como em todas as outras vezes.

Conforme o dia ia passando e os testes acontecendo, os alunos dispensados não iam embora e sim se acomodavam nas arquibancadas. Harry preferiria fazer seu teste sem um grupo tão grande assistindo, mas não havia nada a fazer, um pouco enjoado se aproximou com mais 6 alunos parando em frente ao capitão e o resto dos jogadores.

— Muito bem, agora que temos um time quase pronto vamos encontrar um buscador. Vou fazer isso em duas etapas, Melrose e eu jogaremos algumas bolinhas de golfe para cada um de vocês, individualmente, os dois que mais pegarem bolinhas ficarão para uma disputa final com um pomo de verdade. — Disse Pickford, mas antes que pudesse começar MacMillan apontou em sua direção.

— E o que Potter está fazendo aqui? Pelo que sei 1º anos não jogam. — Disse ele, azedo e mal-humorado.

— Bem, na verdade MacMillan, 1º anos só não podem ter vassouras, se forem bons jogadores podem jogar. Potter, espero que você seja bom, porque só o melhor entra no meu time, não escolho ninguém pelo nome, entendido? — Perguntou Pickford firmemente.

— Entendido, senhor. — Respondeu Harry determinado.

— Muito bem, agora vamos primeiro com as damas, Palmer você primeiro.

Chris Palmer, uma garota loira com rosto pálido do 5º ano, pegou 4 de 10 bolas de golfe, ela ameaçou reclamar que eles jogavam muito rápido, mas Pickford a ignorou. Em seguida, Kelly O'Maley uma loira irlandesa do 4º ano tentou e pegou só 3. Mas Cho Chang, a bonita garota asiática do 2º ano, pegou 8 e desceu vibrando e sorrindo como se já tivesse ganhado.

Em seguida foram os garotos dos mais velhos ao mais jovem como no caso das meninas. Carter Wellmon, do 5º ano, conseguiu 6 bolinhas e ficou bem chateado. Donald Lloyd, também do 5º ano, conseguiu 7 e desceu sorrindo e olhando para Chang como se os dois já fossem os adversários finais. E no que dependesse de Jonathan Paulman, do 3º ano, que só pegou 4 bolas, eles eram.

Observando todos voar Harry achou que todos voavam até que bem, mas todos, até mesmo Chang, pareciam hesitar ou ter medo em alguns momentos. Quando ele subiu no ar se sentiu tão leve e alegre que era difícil ter medo do que fosse e o enjoo e ansiedade desapareceram. Ele parou no ar em frente a Pickford e Melrose sorrindo animado, enquanto outros precisavam de concentração e mantinham-se sérios.

Mas para Harry aquilo era fácil e divertido, voando velozmente atrás de uma bolinha a esquerda, enquanto outra ia mais alto a direita e então mais baixo no centro, esquerda outra vez e mais longe lá na frente e então voltar velozmente a frente e rindo divertido Harry correu e girou e virou e desceu até quase ao chão, parou bruscamente e subiu tão rápido que mal dava tempo da bolinha começar a cair e ele estava em cima dela.

Quando Pickford apitou Harry pegara as 10 bolinhas facilmente, ele nem suara. Todos desceram ao chão e Harry viu diversos olhares assombrados e chocados em sua direção, mas ele ignorou e olhou para o capitão esperando o que ele diria.

— Bem, nunca vi tal coisa na minha vida, um voador natural. Quando Madame Hooch me disse eu não acreditei. — Disse Pickford surpreso. — Talvez esse ano nós realmente tenhamos uma chance. — Disse ele sorrindo.

Mas então Chang pigarreou e ele se deu conta do combinado.

— Ah, sim, vamos para a disputa final. — Pegando o pomo dourado de uma caixinha ele o mostrou e depois o soltou, com as asas abertas o pomo rapidamente voou e desapareceu. — Agora vão pega-lo, os batedores vão lançar alguns balaços em vocês para dificultar. Aquele que pegar o pomo fica com a vaga.

Harry sabia do aviso sobre o perigo dos balaços e MacMillan parecia jogar só nele e não em Chang, mas na verdade não ouve disputa. Chang também era inexperiente com buscar o pomo com balaços voando perigosamente, ela tentou se proteger dos balaços e vigiar o Harry ao em vez procurar o pomo, pensando que sua vassoura mais nova seria uma vantagem na corrida final pela bolinha dourada. Mas ela não contou com o fato de que Harry encontraria o pomo em 5 minutos, assim estava um pouco distraída, ou que Harry correria velozmente e ela não seria tão rápida apesar da vassoura melhor, ou que ele se desviaria dos balanços como se fizesse isso a vida toda ou que quando o pomo virasse bruscamente na direção das arquibancadas Harry não se deteria e pegaria o pomo parando a vassoura como só um voador natural poderia, a centímetros dos alunos assistindo apavorados e embasbacados.

E Harry fez tudo sorrindo e sem um piscar de medo ou hesitação. Animado desceu com a bolinha para o campo e a entregou para Pickford que tinha um grande sorriso no rosto.

— Bem e temos nosso buscador! Grande captura Potter, se você for tão bem assim nos jogos teremos uma chance de ganhar com certeza. — Disse o capitão batendo em suas costas para felicita-lo.

O resto o time também se aproximou para lhe dar parabéns e se apresentar formalmente e Harry se sentiu como parte de um time e foi uma boa sensação.

Em seguida ele deixou o campo na direção de Neville e Terry que tinham sorrisos enormes no rosto.

— Harry aquela captura foi incrível, você parecia um profissional, nem piscou e nem parecia com medo. — Disse Neville, meio chocado.

— Isso é porque ele não tem medo, nunca vi uma pessoa voar tão naturalmente, sem um pingo de hesitação...

— Potter! — Disse uma voz interrompendo Terry.

Harry se virou e tomou um tapa na cara estalado. Surpreso ele olhou para a garota Chang que nesse momento estava longe de parecer bonita. Seu rosto estava inchado e vermelho, todo molhado de lagrimas, seus olhos cheios de raiva e sua boca ao em vez de sorrir estava em uma careta de zanga que a fazia parecer um dos buldogues de sua tia Marge.

— Como você pode, eu sou melhor buscadora que você, eu deveria estar no time. Quando soube que o antigo buscador desistiu por causa de algumas aulas extras qualquer, eu sabia que ia conseguir e nem teria que esperar até o ano que vem quando ele se formasse. E você vem aqui e usa seu nome e sua fama e compra seu caminho...

— Ei! — Gritou Terry saltando na sua frente para defende-lo. — Harry não usou seu nome ou fama e não comprou seu lugar no time! Ele ganhou de você justo e quadrado porque voa melhor e é um buscador melhor! — Disse Terry ferozmente, seu rosto vermelho de indignação.

— Ah! Logico que ele comprou, todo mundo viu que pegaram leve com ele, mandaram as bolinhas mais perto e fácil para ele pegar e o capitão já tinha decidido por ele antes mesmo de soltar o pomo, deve ser por isso que ele encontrou tão rápido, aposto que o pomo estava encantado e Potter sabia onde ele ia estar. — Disse ela com o rosto transtornado de fúria e amargura.

— Você só está com despeito porque não tem tanto talento que o Harry e vou contar para um dos professores que você o agrediu e se você tentar bater nele de novo vou esquecer que é uma mulher e te socar o nariz, Chang! — Disse ele ainda mais zangado.

Harry, surpreso com sua defesa o segurou para traz e o afastou de Chang, antes que ele perdesse a cabeça e realmente a batesse.

— Terry está tudo bem, deixa para lá, não vale a pena. — Disse ele tentando afastar o amigo na direção do castelo, olhou para Neville em busca de ajuda, mas este olhava para algo mais longe. Harry olhou naquela direção e engoliu em seco ao ver Madame Hooch e McGonnagall a apenas dois metros de distância.

— Não está tudo bem não Sr. Potter, porque vimos e ouvimos o que aconteceu e nunca em todos os meus anos vi alguém com tão pouco sendo de fair play, Srta. Chang. — Disse Madame Hooch muito zangada. — Eu vim ver os testes e chamei a Profª. McGonnagall porque ela foi professora e chefe da casa de seu pai, que foi um grande jogador de quadribol em seu tempo, mas pela Gryffindor é claro. Quero lhe dar meus parabéns por fazer o time, ainda que depois de vê-lo voar ontem não estou nem um pouco surpresa. E ao contrário da avaliação da Srta. Chang, acredito que você conseguiu a vaga por seu talento e que ninguém facilitou para você em nenhum momento do teste.

— Com toda certeza, devo lhe dizer Sr. Potter que não vejo tanto talento desde James Potter. — McGonnagall sorriu o que era estranho em seu rosto normalmente severo. — Uma pena que você não tenha vindo para minha casa, adoraria tirar o sorriso de Severus Snape depois de nossa última derrota para os Slytherins ano passado, mas talvez a Ravenclaw consiga tal intento. Vou apoiar Flitwick para que você consiga autorização especial para ter uma vassoura. Parabéns e acredite quando digo que seu pai estaria muito orgulhoso de você.

— Obrigada professoras. — Disse Harry sorrindo e corando, emocionado e envergonhado.

— Quanto a você Srta. Chang, nos siga, vamos procurar seu chefe de casa e decidir sua punição, agora mesmo, vamos. — Disse McGonnagall voltando ao seu rosto severo e encarando Chang duramente.

A garota asiática seguiu as duas professoras, mas ainda olhou para traz em um último olhar mortal para Harry. Depois que elas se afastaram Harry olhou serio para o amigo.

— Agradeço a defesa Terry, mas você não pode ameaçar bater numa menina cara, isso é errado. — Disse Harry sério, Terry abaixou a cabeça tristemente e seus ombros caíram.

— Você está certo, se minha mãe me ouvisse me puxaria as orelhas e lavaria minha boca com sabão. Mas é que você é como um irmão Harry, eu tenho dois irmãos mais novos e sempre tento cuidar deles e protege-los. Me sinto da mesma maneira sobre você e não vou deixar ninguém te machucar que eu puder fazer algo. — Disse Terry e seu rosto ficou corado de constrangimento.

Harry arregalou os olhos surpreso e também corou, mas também sentiu uma quentura no peito e estomago, nunca sentira antes, mas era bom.

— Bem, se vocês já acabaram com as declarações podemos ir para o castelo, ainda é cedo para jantar, mas estou faminto, podemos ir até a cozinha. Vocês já sabem onde fica, não é? — Perguntou Neville quebrando o momento perfeitamente.

Harry e Terry olharam para Neville e depois se olharam, o constrangimento passara e os dois riram, logo Neville os acompanhou e eles subiram rindo até a cozinha. Harry comera suas frutas do bolso de Terry depois dos exercícios e agora que o teste acabara estava com muita fome também. Ele prometera a Madame Pomfrey sempre comer depois dos treinos e jogos e ele pretendia cumprir sua promessa.